quinta-feira, 15 de março de 2018


HOJE NÃO PODEMOS FICAR CALADOS

ARTUR COIMBRA
Hoje não podemos fazer de conta que não aconteceu nada. Hoje temos de abandonar a indiferença cúmplice e acobardada em que temos andado, assobiando para o lado, perante as imagens chocantes de cidades destruídas, de populações dizimadas, de crianças chacinadas.

Hoje, 15 de Março, transcorrem sete anos desde que começou a mortífera e sangrenta guerra civil na Síria, no quadro mais genérico da aura de esperança que se abriu na região com as experiências da chamada “Primavera Árabe”.

Na Síria permaneceu o Inverno, já lá vão 84 meses, 365 semanas, 2 558 dias. É muito tempo de guerra. São muitos meses, imensas semanas, enormes dias, lentíssimas horas de guerra. 

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar, como reza o poema da Sophia.

Nos nossos dias, está a decorrer uma carnificina sem limites na Síria. Mais uma vez. Num país dominado por um tirano sanguinário, embora com tiques ocidentalizantes e uma simpatia disfarçada, que deveria ser julgado no Tribunal Penal Internacional de Haia.

É sempre demasiado tarde para falarmos dos crimes contra a Humanidade, como os que estão a trucidar a cidade de Ghouta Oriental. E a Síria em geral, território muito antigo mas que os criminosos destruíram e transformaram em montes de escombros e na banalização da morte, o que só pode provocar revolta, indignação e desespero por todo o mundo civilizado. Pois civilização é o que não existe num regime bárbaro como o de Bashar al-Assad. 

Segundo a Rede Síria para os Direitos Humanos, citada pela imprensa, só no ano passado morreram 10.204 civis na guerra na Síria. Desses, 2.298 eram crianças. E este ano, só num mês, já foram mortos mais de um milhar de civis, incluindo centenas de crianças!... Nos últimos sete anos, terão morrido mais de 20 mil crianças na Síria. Uma matança de que não há memória, de um governo contra os seus próprios cidadãos!...

A cada momento, morre um ser humano na Síria, massacrado pelas bombas do regime, apoiado pela Rússia.

A França descreveu os bombardeamentos do Governo de Assad como uma “grave violação da lei humanitária internacional”.

Nesta ofensiva estão a ser realizados raides aéreos e bombardeamentos com rockets e outros projécteis, que incluem as famosas bombas de barril — literalmente, barricas cheias de explosivos, pregos e tudo o mais que possa causar danos graves no local em que rebentam.

“Estamos a assistir ao massacre do século XXI”, retratou um médico, que há dias estava na região. “Se o massacre dos anos de 1990 foi em Srebrenica [Bósnia], e os massacres da década de 1980 foram em Halabja [cidade no Curdistão iraquiano] e Sabra e Shatila [Líbano], então Ghouta Oriental é o massacre deste século, do que vivemos até agora”, acrescentou.

A questão é que o mundo assiste passivamente a um genocídio, que não respeita mulheres, velhos e crianças, como seria de esperar e que se transforma em cada dia que passa numa sucessão de crimes contra a humanidade.

As Nações Unidas bem decretam o cessar-fogo mas o regime não o respeita, a Rússia manda na região e não liga nenhuma e as populações civis estão a ser selvaticamente dizimadas, numa desumanidade que não deveria ser possível no século XXI.

Até onde está disposto a ir o criminoso Bashar al-Assad para se manter no poder, à custa do sangue dos seus concidadãos e da morte inclemente de milhares de inocentes?

E já agora, que força tem o mundo para proteger as populações civis da fúria sangrenta destes vândalos no poder?

Nenhuma, ao que se vê, pois o tirano põe e dispõe, com a ajuda dos aliados, mata, bombardeia, destrói, transforma impunemente um histórico país num monte de escombros e num cemitério do seu próprio povo!

Por isso, hoje é dia de não estarmos calados e de gritarmos bem alto que já chegam os massacres na Síria e em especial em Ghouta Oriental.

Que os Estados Unidos, as Nações Unidas, quem quer que seja, ponham termo à vergonha do retrocesso civilizacional que está a trucidar a Síria desde há exactamente sete anos!

Que haja respeito, ao menos, pelas vidas humanas!

HUMANITUDE....O CUIDAR

VANESSA MIMOSO
Torna-se importante reflectir sobre a desumanização nos cuidados prestados, assim como sobre as ferramentas que o profissional tem ao seu dispor para “trabalhar” na humanização desses cuidados.

Por vezes a falta de formação humana e a “mentalidade” de alguns profissionais de saúde que tende a ser resistente às mudanças organizativas (como “sempre fizemos assim”; “não vale a pena mudar”; “ah, não adianta fazer dessa forma”) são alguns dos fatores que contribuem para a desumanização na prestação dos cuidados de saúde. Devemos preocupar-nos em melhorar e humanizar a prestação dos cuidados de saúde; melhorar o contacto humano assim como as questões de atendimento.

Focamo-nos sobretudo, de forma prioritária, nas pessoas dependentes e em situação crítica, crónica ou paliativa, independentemente da faixa etária e em condições de respeito e igualdade.

A metodologia Humanitude indica-nos que comportamentos, acções e frases simples são fulcrais na comunicação e no relacionamento interpessoal. Cada pessoa deve ser tratada como pessoa, deve-lhe ser dada atenção e respostas positivas. A pessoa não deve ser tratada como se fosse um objecto. O utente deve ter a possibilidade de dar a sua opinião, ter o direito de escolha. Assim como, respeitar os gostos do utente, respeitar a sua intimidade, privacidade em todos os atos de prestação de cuidados. Incentivá-lo a participar nas tarefas pessoais, a ter um papel ativo nas mesmas (alimentação

higiene pessoal, movimentos corporais). A forma como nos dirigimos a cada utente irá também alterar a sua forma de reagir; poderemos evitar os gritos e insultos; o bater, o morder (utente-cuidador),durante a prestação dos cuidados de saúde. Coisas simples como um cumprimento “bom dia”; “como se sente hoje?”. Quando nos aproximamos do utente jamais dever ser iniciada uma acção sem lhe explicar o que vamos fazer para que ele seja envolvido na tarefa e colabore.

É importante cumprir as horas da medicação bem como das refeições. O silêncio no refeitório é muito importante para o utente se focar na refeição e “comer pela própria mão”, por forma a não perder as capacidades que ainda mantém.

O que se pretende é um cuidar que promova o bem-estar físico mas também psicológico do utente, respeitando a sua autonomia, dignidade e individualidade.

A Humanitude contempla 3 grandes pilares: o olhar (é o olhar que nos permite estabelecer o 1º contacto, captar a atenção. Manter o contacto ocular com o utente é de extrema importância, transmitirmos que estamos ali disponíveis, que pode confiar em nós, que o estamos a “ouvir”. Para o utente se sentir valorizado); a palavra (o diálogo estabelecido entre o cuidador e o utente é fundamental; o utente ter “voz ativa”, para que possa exprimir o seu sofrimento e só assim conseguirão estabelecer as melhores estratégias para um cuidado de sucesso) e toque (o toque envolve um ato de carinho; um aspeto afectivo. Preferencialmente, o toque (contacto físico) deve ser iniciado pelo ombro, braço ou mãos).

Estudos demonstram que a Humanitude tem vindo a revelar inúmeros ganhos na qualidade de vida de doentes acamados, com demência e outras situações de fragilidade; contribuindo para o equilíbrio psicológico e um maior bem-estar.

EU, JÚNIOR E O MEU PAI

SÓNIA MAIO
Desde que sou adolescente, e até aos dias de hoje, que o meu pai me trata carinhosamente por Júnior.
“- Olá Júnior!”
“- Bom dia, Júnior.”
“- O que é que andas a fazer Júnior?”
Estranho é ouvi-lo dizer o meu nome, Sónia.
O nome que escolheu para mim e que utiliza de forma moderada.
Por norma, usa-o quando precisa de alguma coisa ou o assunto é sério.
Um assunto sério é, por exemplo, precisar de ajuda para configurar os canais da televisão que por vezes aparecem desconfigurados sem que ninguém saiba porquê…
“- Oh Sónia, vem cá ajudar-me com os canais da televisão!”

Quando o motivo do chamamento é grave oiço claramente o meu primeiro e segundo nome.

Paro. Tremo. Penso. Encaminho-me na sua direção. Aguardo que me diga o que pretende e só depois, de olhos muito abertos, me lembro que já sou adulta.

Momento instantâneo que passa rapidamente.

Cresci, envelheci e o tempo passou por mim mas só por fora. Por dentro, permaneço praticamente igual.

Olho para ele e volto a ter oito anos. Sou pequena, criança, volto à infância.
Entre muitas outras coisas, a ele devo a paixão por documentários sobre história, o seu tema preferido, e o meu encantador aspeto físico, herança que à nascença me deixou.
Sou muito parecida com ele.
O meu cabelo escuro, os meus olhos castanhos e a minha pele morena, a ele os devo.

O orgulho que sinto da pessoa que sou é o reflexo do que os seus olhos me devolvem.

Conseguiu alcançar um dos maiores feitos de um ser humano: dar vida a outro ser humano!
Quando vou lá a casa e ele não está, ao chegar, costuma saudar-me com um “- Estás cá hoje?”.
Ainda que eu lá tenho ido a casa ontem, anteontem e ele saiba perfeitamente que amanhã volto.
Parece sempre surpreendido.
Como se nunca estivesse à espera de me encontrar.

“- Vim lanchar.” – digo quase sempre.

“- Mas por que é que estás descalça? Olha que te constipas.” – questiona ao olhar bem para mim.

Não respondo e desato à gargalhada.

A resposta parece-me óbvia: vim lanchar descalça porque tal acontecimento torna o meu mundo praticamente perfeito!
Às vezes não vou. Não estou. Por vezes…
Alegre, ao ver-me, sorri sem cessar.
Já não moramos juntos mas estou quase sempre lá.
Em casa.
Quando me vou embora e me despeço costuma dizer-me:
“- Porta-te bem, Júnior!”
“- Eu porto-me sempre bem.” – respondo.
Olho para ele, sorrio, viro costas, abro a porta da rua e obedeço.

Dias há em que insiste em levar-me a casa porque já é de noite.

Argumento que não tenho medo da escuridão mas não me dá ouvidos.

Digo que não é necessário, mas sem sucesso.

Segura-me pelo braço e duas ruas depois despede-se com um “- Estás entregue. Até amanhã.”

Tempos houve em que em vez de me segurar pelo braço me esperava ao fundo da rua da escola para me ver sair do portão e então de mão dada levar-me para casa.

Continua a perguntar-me como correu a escola e se as aulas decorreram bem.

Às vezes parece que o tempo não passou.
Por tudo isto, para mim, o dia de hoje não é mais importante que o de ontem.
Ontem foi uma bênção, hoje um privilégio e amanhã tenho a esperança que tudo se repita.
Amanhã volto.
Voltarei sempre.
A casa.

quarta-feira, 14 de março de 2018

MATURIDADE E APRENDIZAGEM

ELISABETE RIBEIRO
As etapas do desenvolvimento da criança devem suceder-se de forma saudável e normal para que a construção do conhecimento na aprendizagem formal seja conseguido com sucesso. Essas etapas devem ser vividas integralmente de modo a prepara as etapas seguintes. É muito comum as crianças serem encaminhadas para consultas de Psicologia de orientação porque não conseguem aprender. Na maior parte das vezes das vezes o motivo dado é a falta de maturidade. São apresentadas lacunas nas áreas da linguagem, matemática, entre outras, e podem ter a sua origem na falta de prontidão para a aprendizagem formal. 

A escola exige, desse tipo de aluno, maior responsabilidade e disciplina mas o nível de exigência para o crescimento físico não acompanha o nível mental e emocional da criança. É importante incluir a família para que os resultados possam acontecer. A postura familiar, o lidar com a rotina em casa e na escola podem favorecer esta evolução. Quando uma criança não deseja o crescimento por não conseguir, achar difícil ou mesmo complicado o que está a viver, também não conseguirá acompanhar as tarefas escolares. Atividades com jogos, diálogo aberto com os pais podem contribuir para uma melhoria no processo de aquisição de aprendizagens.

A avaliação motora, nestas circunstâncias, também facilita a perceção de aspetos que são importantes para o desenvolvimento, como por exemplo, motricidade fina e grossa.

Diante deste quadro há muitos aspetos que podem impedir o sucesso no processo ensino aprendizagem. Em alguns casos, quando um aluno não está bem na escola, nem sempre se poderá considerar dificuldade na aprendizagem. Neste caso temos então dificuldades em lidar com o crescimento, não sendo possível para tais crianças acompanhar métodos e procedimentos que estão além do seu estado intelectual, afetivo, social.

Um trabalho multidisciplinar entre escola, família e profissionais especializados podem antecipar o diagnóstico das dificuldades escolares de crianças com maturidade inferior e criar novas perspetivas para as suas aprendizagens.

COLOCAR-SE NO LUGAR DO OUTRO

RAQUEL EVANGELINA
A importância de se colocar no lugar do outro é algo que urge nos dias de hoje. Olhamos imenso para o nosso umbigo e fazemos apenas o que achamos conveniente para nós. Mas há determinadas alturas em que as coisas não correm como gostaríamos e perguntamos porque é que uma pessoa nos faz isto ou aquilo. Nesses momentos gostaríamos que elas se pudessem colocar no nosso lugar e percebessem o quão alguma atitude nos está a magoar.

Mas como pedir a alguém que faça algo que nós não fazemos? A dor do outro é menor que a nossa porque não nos dói. Apenas quando nos atinge é que vemos que realmente dói e muito. E que se calhar isto que agora nos faz sentir injustiçados por estar a acontecer connosco infligimos a outras pessoas sem nos preocuparmos com os efeitos colaterais.

Não digo que tenhamos que dizer que sim a tudo. Pela nossa sanidade mental é preciso também saber dizer não e parar de rebaixarmo-nos para agradar tudo e todos por vezes prejudicando-nos a vida e a dos que nos rodeiam. Mas há que pensar sempre nos efeitos colaterais que podem acontecer a uma pessoa desencadeados por uma ação nossa. Pensar se gostaríamos que nos fizessem o mesmo. Temos que “calçar os sapatos” do outro para perceber se dói ou não.

Temos que ser sensíveis ao que não nos afeta diretamente. Será que se fosse eu a adolescente grávida gostaria que me chamassem nomes feios? Será que se fosse eu a miúda gordinha e desajeitada também não choraria em casa com a minha auto-estima baixa por dizerem que sou horrível? Por vezes não medimos o que dizemos, o que fazemos. Fazemos e pronto. Desde que nos safemos, ou não nos prejudique, os outros que se desenrasquem. O problema é deles. Não, não é. Nem pode ser. Não temos que pensar que somos superiores e que o que eles passam não é da nossa conta.

Temos que dar atenção ao outro. Perceber porque é que alguém reclama da mesma situação connosco. Tentar ver que se calhar o que achamos correto da nossa parte se nos colocarmos no lugar dele não é tão correto assim. Encontrar uma maneira de não nos prejudicar mas de pelo menos melhorar a posição da outra pessoa. Um dos grandes desafios da sociedade contemporânea é esse. Ver com os olhos do outro, perceber que nem sempre temos razão. Só descendo do nosso pedestal e sendo sensível se conseguirá derrubar barreiras e construir pontes.

terça-feira, 13 de março de 2018

VEÍCULOS AUTÓNOMOS - A ÉTICA E A ECONOMIA

RUI CANOSSA
Hoje vou falar-vos de uma paixão. Desde pequenino que sou apaixonado por carros. Se perguntarem à minha mãe ela dirá que o Porsche 911 sempre foi uma loucura. Para mim, como muitos outros que partilham a mesma paixão, um carro é muito mais que um meio de locomoção. O prazer de conduzir um carro de mudanças manuais por uma estrada sinuosa…

Mas, e os carros autónomos? No futuro, não tão longínquo, os carros vão andar sozinhos! E o prazer de condução? E a questão ética? É sobre esta última que quero falar. As questões éticas são um dos grandes problemas para a implementação da condução autónoma. Haverá situações que a máquina terá de decidir questões éticas. Senão vejamos. A condução autónoma vai poder prevenir 90% dos acidentes evitando colisões, o que implica a decisão em casos em que a colisão não pode ser evitada. Há a possibilidade teórica de serem os carros autónomos a decidir quem irão proteger quando estão vidas em risco. E aqui entra o argumento ético. Estas questões estão já a ser tidas em conta por esse mundo fora. As decisões dos veículos autónomos terão de ser programadas. O objetivo é, quando não conseguirem evitar a colisão, reduzir o impacto em termos de lesões. Em 2017, a comissão de ética da Alemanha, definiu já as seguintes hierarquias: A proteção da vida humana é prioridade absoluta em caso de um acidente que não se consegue evitar; a proteção de animais tem prioridade sobre bens materiais; a destruição material estará sempre no fim da lista de prioridades. Mas e se duas ou mais vidas estiverem em jogo?

Vou colocar o problema do elétrico. Considere o seguinte cenário. Um elétrico está em rota de colisão com 5 pessoas. Você pode, opção 1, não fazer nada e deixar morrer 5 pessoas, opção 2, mudar o curso e matar uma pessoa. Qual é, em termos éticos e morais, a escolha correta? Uma visão ética dirá para não fazer nada. A decisão é focada nas ações: matar é pior do que deixar morrer. Uma visão prática dirá mudar o curso do elétrico. A decisão é focada em consequências: o maior bem para o maior número de pessoas, ou minimização do prejuízo. A questão é: Queremos programar as máquinas para terem esta visão prática?

Considere agora que você é o ocupante de um veículo autónomo em rota de colisão com 10 peões. O veículo sacrifica um peão para salvar para salvar 10, você incluído. Mas e se o veículo sacrificar o condutor, mandando o carro contra uma parede para salvar 10? As duas decisões encaixam na visão prática, ou seja, salvar o maior número de pessoas, mas quem deve o veículo proteger? Não é o condutor? Ou é o peão?

Pois é. Um estudo publicado na revista Science mostrava que quando colocados perante este dilema, 76% dos inquiridos defenderam que o carro deveria o peão em detrimento do condutor mas, quando questionados se comprariam um carro que defendesse primeiro o peão e depois o ocupante, a mesma maioria disse que não.

Espero ter contribuído de alguma forma para o esclarecimento deste assunto que tem sido cada vez mais falado nos meios de comunicação social, apesar das inúmeras vantagens que os carros autónomos têm, como por exemplo, a possibilidade de as pessoas trabalharem enquanto se deslocam.

Mais, estamos perante uma mudança de conceito, de modelos de negócio e inovação tecnológica brutal, que poderá gerar receitas 7 vezes superiores à atual faturação do setor automóvel que passará de 1.3 biliões de euros para 10 biliões, um valor muito apetecível para quem arrisque ficar de fora.

Quanto a mim, vou continuar a conduzir o meu carro a diesel com velocidades manuais e com nove anos.

TRÊS IRMÃOS

ELISABETE SALRETA
Personalizamos os nossos animais de estimação, dando-lhes sentimentos humanos. Mas não terão eles já esses sentimentos? Não serão eles um espelho do que lhes mostramos, tal como os nossos filhos?

O Óscar está chateado e mostra bem o seu descontentamento fungando. Simplesmente porque o dia não lhe corre bem, ou foi acordado por uma das manas, ou porque…. Sei lá porque um gato pode estar chateado.

Mas, como a todas as crianças, existe uma altura em que se diz aquela palavrinha que ninguém gosta de ouvir – NÂO!

Pois. Ele agora não funga. Vai tapar a comida com o tapete que estiver mais perto. Tal e qual um rapazola frustrado, entorna a taça da água e usa a sua força de grande macho para fazer as maiores asneiras e o que mais nos irrita. Olha para nós com as orelhas direitas, em forma de T, com um semblante irritado, como se todos lhe fizessem mal.

Mas também tem o seu lado meigo e sensual. Sim, um gato pode ser muito sensual. Quando quer entrar para dentro da cama, olha-nos com o semblante mais doce que consegue e até nos dá beijinhos com os olhos. Se ninguém lhe liga, funga ruidosamente para chamar a atenção. Em casos estremos, alerta-nos com uma festinha. Depois de estar dentro da cama dá um suspiro de contentamento bem audível. Agarra-se à perna mais próxima, encosta o nariz e dorme profundamente. Quando está muito quente, vira a barriga para cima, numa descontração que só um gato tem. Mas quando se o destapa, fica envergonhado e corre porta fora.

O seu ronrom é desconcertante. Aplica-o tanto connosco como com as manas gatas. E com a Mia existe tanta empatia, que até distribuem lambidelas. A Mia gosta de nos lamber. A Blue enrosca-se nas pernas passando a testa e o rabinho. Três gatos com feitios tão distintos e com formas tão diferentes de abordar os humanos.

Tal como nós, três irmãos são tão diferentes como os dedos das mãos.

O SISTEMA DE ENSINO: UMA REFLEXÃO

REGINA SARDOEIRA
O sistema de ensino é o fundamento da vida de um país. Pouco importa que haja muito turismo, enorme beleza paisagística, pessoas fora do comum, monumentos, praias...se falhar esse pilar da sociedade, tudo o resto carecerá de sentido.
O "sistema de ensino" é uma expressão utilizada para designar um vasto e importante conjunto de sectores, de meios, de pessoas, de literatura, etc.; e é de tal modo abrangente que diz respeito a todas as pessoas, envolve praticamente todas as idades é, em suma, um perfeito micro-cosmos da macro - sociedade em que qualquer um habita. Na prática, o funcionamento do sistema de ensino reproduz o funcionamento de todas as restantes instituições sociais e é reproduzido por elas; pelo que, sociedade e ensino constituem uma relação dialéctica e a sua plenitude depende de um são equilíbrio entre eles.
Quando utilizo a palavra "ensino" pretendo referir-me a um conjunto vasto de situações, de actos, de personagens. Especificamente, o ensino apoia - se em necessidades civilizacionais criadas pelos homens, no tempo, necessidades consideradas secundárias, pois decorrem da cultura, e a sua falta não põe em risco a sobrevivência. Mas - sabemo-lo - o homem é muito mais do que um primata superior, refém de necessidades básicas, evoluiu no tempo e no espaço, criou culturas e transformou - se com elas. Hoje, o mundo que para si criou exige - lhe competências que decerto não estavam inscritas no ADN original da espécie; e é por essa razão que a necessidade de ir à escola, adquirir o que falta ao humano incipiente de 5/6 anos de idade, se transformou num percurso necessário e numa obrigação civilizacional.
"Ir à escola" - eis o que devem fazer todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos se desejam ser pessoas do seu tempo, perceber o mundo em que vivem e dar o seu contributo. 
Nesta frase estão contidos, de forma sintética, os objectivos de todo e qualquer sistema de ensino, e são eles: ser um homem /mulher do seu tempo, perceber o mundo em que vive e tornar -se parte activa do seu meio. Para consegui -lo, o sistema de ensino precisa de estar adequado ao tempo, pois este é o denominador comum da síntese. Uma escola, um corpo docente, um conjunto de currículos desfasados da realidade actual, em ordem à projecção no futuro, não faz qualquer sentido.
Não me parece que, no tempo de hoje, uma criança de 5/6 anos esteja muito predisposta para lidar com os livros e logo com a leitura e a escrita. Vejo a infância absolutamente refém da tecnologia audiovisual, vejo - os a aprender as palavras, os conceitos, os hábitos, as relações sociais através de instrumentos como a televisão, o computador, o tablet , o telemóvel, com os quais lidam perfeitamente, desenvolvendo perícias que, de modo nenhum serão compatíveis com o acto de pegar num lápis e aprender a desenhar as palavras ou de aprenderem o gozo e o prodígio de as conseguirem reconhecer nas páginas dos livros, lendo.
A questão que levanto é a seguinte: deverá a escola dar continuidade aos instrumentos que a criança já manipula habilmente quando chega ao primeiro ano do ensino básico, introduzindo as demais práticas escolares a partir daí ou deverá romper com eles, apresentando - lhe os livros, os cadernos, os lápis como instrumentos preferenciais para a sua aprendizagem? 
Levar a criança a treinar as mãos na tarefa de segurar um lápis de modo correcto e aprender, treinando todos os dias, a desenhar as letras e a formar com elas palavras e frases é, sem dúvida, uma actividade exigente desencadeadora de estimulação de áreas cerebrais importantes, úteis na definição do que significa ser humano. Atrofiar a perícia desenvolvida ao longo de milhares de anos que teve início na libertação da mão da locomoção e progressiva e cada vez mais especializada utilização dos dedos em tarefas pormenorizadas não será um atentado àquilo que fez do homem aquilo que é hoje, estabelecendo a comunicação entre a mão e o cérebro? 
Afigura - se que a criança deve continuar a aprender a escrever e a ler, sendo utilizados nessas aprendizagens os recursos simples de todos os tempos: cadernos, lápis, livros. Mas não creio que a escola deva cortar cerce com os instrumentos tecnológicos de que eles trazem já conhecimento e perícia. Estabelecer a conexão entre a prática ancestral de um saber fazer centrado no livro e a recente aquisição de processos tecnológicos, capazes de estimular áreas cerebrais antes incipientes, pode ser o segredo de desenvolvimento do humano e a sua afirmação para além das máquinas. Pode ser que, daqui a algumas décadas, os livros, tal como ainda os conhecemos, tenham ficado obsoletos e não representem já um papel predominante nos locais de aprendizagem. Há todo um conjunto de estudos que apontam nessa direcção. Mas eu creio firmemente que o sistema de ensino deve manter esse recurso inestimável, pugnar para que o livro, impresso com tinta e em papel, prossiga na sua função. Não pode, contudo, resumir-se aos livros a busca pelo saber. 
Quando assim me exprimo, não tenho em vista somente os recursos audiovisuais e tecnológicos que, aliás, há muito fazem parte dos apetrechos de qualquer escola. Refiro - me a tudo o que, existindo, materialmente, fora do edifício, circundando o espaço físico da construção, onde se sucedem salas de aulas, corredores, gabinetes, recreios, bibliotecas, diz respeito intrínseco à aprendizagem. 
"Ser homem do seu tempo" obriga a sair das salas de aula para investigar o que exista ao redor. Não basta projectar filmes ou documentários, mostrando o que ocorre pelo mundo e permanecer na sala de aula, é necessário sair, caminhar em direcção aos sítios onde a vida se desenrola e de onde vem e para onde vai o aprendiz. Ele deve assistir à vida, sendo parte dela e não observando - a, passivamente, encerrado numa redoma. Decerto deixarão de ser importantes todos esses edifícios onde as crianças assistem a aulas, mais ou menos entediadas, e, tarde ou cedo, a sala de aula deverá ser substituída por uma espécie de laboratórios vivos onde elas aprendem a perceber quem são, observando, experimentando, diversificando práticas. 
Aprenderão a continuidade entre elas próprias e o resto do mundo, não somente porque o leram ou viram representado mas sim porque estiveram nele, participativamente. A seguir poderão fixar experiências, escrevendo-as, porque adquiriram essa competência, desenhando - as porque a mão encontrou esse caminho, inventando novos mundos porque a imaginação cumpriu o seu desígnio. 
Falo, pois, de uma escola aberta ao exterior, sem muros ou paredes isoladores da vida que pulsa lá fora e deve ser a força motriz de todo o ensino. Desse modo, as crianças apreenderão o mundo em que vivem e de que reconhecem fazer parte, terão direito à participação nele de um modo efectivo, não terão necessidade de esperar anos até poderem ocupar um lugar no mundo: porque a escola, abrindo-as ao tempo e ao espaço, lhes outorgou bem cedo essa possibilidade. 
Ao longo do tempo, nesta pesquisa e investigação práticas do que é o mundo, o seu mundo, a criança e o jovem estarão cada vez mais capazes de entender qual vai ser, aí, seu papel e descobri-lo -ão com extrema facilidade: porque desde cedo mantiveram o contacto com ele. 
Pode parecer utópica esta caracterização sumária do que deve ser a escola e de como deverá orientar - se o sistema de ensino. Apesar disso, e embora possa levar muito tempo até que todos se convençam da premência de mudar o sistema, esta abordagem é uma meta possível. E creio firmemente que muitos dos problemas de que se queixam os professores, as famílias e outros agentes sociais ligados à escola, cessariam inevitavelmente. 
Há indisciplina, é um facto, e tem de haver. Uma sala de aula é um espaço inóspito e apertado, as crianças sentem as suas energias bloqueadas, demasiados estímulos externos lhes solicitam a atenção e o desejo. Abram - lhes as portas, deixem-nos aplicar as forças anímicas em actividades que elas possam sentir como suas - e não haverá mais indisciplina. Também há desinteresse pelas matérias e as crianças mostram o tédio em muitas atitudes e respiram de alívio quando a aula termina. Impliquem - nas a sério nos actos de aprendizagem, dêem -lhes tarefas e façam -nas desenvolver temas que lhes digam, essencialmente, respeito - e o tédio dará lugar ao entusiasmo. 
Sei de tudo isto porque o fiz, durante muito tempo - até o sistema que nos governa decidir aniquilar o livre pensamento e apertar uma mordaça a professores e alunos. Não sei até que ponto eles sentiram esta opressão e o esvaziamento progressivo da tarefa recíproca que envolve a díade, docente/discente. Quando comecei a perceber que o modo como fui impelida a tratar a disciplina suprema do pensamento, da crítica, da autonomia, da preparação para a vivência na sociedade, no mundo - falo da Filosofia - a esvaziou totalmente do seu poder, percebi também que estes meus alunos de agora podem sair de uma aula minha alienados. E ainda que, se acaso lhes perguntarem o que estiveram a tratar na aula, eles não tenham nenhuma resposta a dar.
Tenho, pois, as duas experiências : estive para além do meu tempo e pude trazer a Filosofia à vida, fazendo com que as minhas lições tivessem o poder de perdurar na direcção seguida por muitos alunos. Entretanto o tempo recuou e obrigou - me a ser a professora que não sou; e é por isso que entendo os alunos na sua indisciplina, no seu tédio e desinteresse e sei como seria possível salvá - los, salvando, eventualmente, o mundo dos homens.

segunda-feira, 12 de março de 2018

SONHO PARA VIVER E VIVO A SONHAR

RITA TEIXEIRA
Recuando no tempo até ao diagnóstico, relembro o terrível sofrimento ao escutar que padecia de Esclerose Lateral Amiotrófica, com o prognóstico de três a cinco anos e que poderia terminar a minha vida asfixiada.

Quantas lágrimas derramadas no meu rosto e ainda as verto diariamente, invisíveis aos olhos dos outros.

Não me quedei à apatia à espera que a doença me levasse.

Familiares e amigos, em sintonia, tocaram na minha alma, floresceram no jardim do meu coração e a minha mente confusa enraizaram se os sonhos.

O mundo dos sonhos foi o subterfúgio para não entrar num estado depressivo!

Perante as tempestades, os vendáveis e os temporais da vida, enfrentei duras batalhas entrando no mundo dos sonhos.

Nos precipícios, nas rotas sinuosos e nos percalços da vida, flutuei no mundo dos sonhos, para seguir em frente a caminhada da minha vida.

Eis um dos meus sonhos!

Diariamente devemos exercitar nosso corpo, para manter a linha da felicidade. 
Vista-se com o fato de treino dos sentimentos. 
Dê duas voltas ao redor da alegria. 
Não se esqueça de ir inspirando paz e expirando amor. 
No trapézio dos afetos, faça os exercícios com o carinho devido. 
Vá para a bicicleta e pedale como se a meta esteja à sua esqpera com o troféu do sucesso. 
Ingira um pouco de água nascente e retome os exercícios. 
Faça abdominais como se abraçasse um ente querido e faça flexôes como se fosse dar-lhe beijinhos. 
Encha os pulmôes de ar saudável e a mente de sonhos. Finalmente, tome um duche revigorante e veja-se ao espelho... Constate que o seu rosto resplandece a melhor maquilhagem de sempre: um sorriso contagiante e um olhar brilhante..
A felicidade está em todos os poros do seu corpo. 
Seja feliz e espalhe essa felicidade!!!

É CORREDOR E AS SUAS UNHAS FICARAM NEGRAS?

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Enquanto corre o pé move-se constantemente para a frente e o atrito contínuo provoca danos nas unhas, um dos problemas mais comuns em corredores é sem dúvida o aparecimento de unhas negras. As unhas apresentam esta coloração devido a microtaumatismos repetitivos como o toque das unhas na zona superior das sapatilhas, esta coloração caracteriza-se por hematoma subungueal.

Estes hematomas se não forem tratados corretamente pode levar ao aparecimento de outras patologias ungueais tais como: onicocriptose (unha encravada), onicomicose (micose nas unhas), onicogrifose (engrossamento das unhas) ou onicólise (despreendimento total da unha).

COMO CUIDAR DAS UNHAS PARA EVITAR PROBLEMAS DURANTE A CORRIDA

Deve cortar as unhas 7 a 10 dias antes do trail ou da corrida
As unhas não devem ser cortadas demasiadamente curtas para não desproteger o leito ungueal.
O corte ungueal deve ser reto, pois o arredondamento dos cantos das unhas pode provocar uma onicocriptose.
Não corra com sapatilhas muito apertadas, o ideal é comprar as sapatilhas sempre ao final do dia pois é quando o pé se encontram mais edemaciados (inchados).
Utilizar meias sem costuras; as costuras podem gerar atritos nos dedos.

Para minimizar o problema o ideal é consultar um Podologista (www.centroclinicodope.pt) para analisar a dinâmica do seu pé e avaliar qual a biomecânica do mesmo, visto cada corredor apresentar um tipo proprio de apoio plantar.

domingo, 11 de março de 2018

DOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES. ALIÁS, DOS DIREITOS HUMANOS.

ANABELA BRÁS PINTO
Tanto feito. Tanto ainda por fazer. Falo de direitos humanos. Falo de mulheres. Aliás, falo de todas as pessoas a quem são limitados, violados ou negados os seus direitos.

Sou Presidente da Direção de uma Associação de Direitos Humanos. Chama-se Conceitos do Mundo. Porque é que fazemos sentido como associação e porque é que faz sentido a nossa ação e intervenção? Porque uma grande parte das pessoas não sabe os seus direitos humanos. Não sabe que os tem, que são seus, estão proclamados universalmente, são indivisíveis e interrelacionados e não sabe como se podem fazer valer deles.

Sim, não sabem.

Começa com as nossas crianças. Começa por não terem voz. Não terem voz na família, na escola, na comunidade.

Ontem numa formação humanista, falava com a Andreia, uma educadora de infância que trabalha numa organização muito especial. Ela contava-me que, numa consulta médica com o seu filho, quando uma das enfermeiras lhe perguntava “o que é que a criança tem?” ela voltou-se para o filho e questionou “respondes tu ou queres que eu responda?”. E é mesmo assim. Dar voz. As nossas crianças devem ter uma voz ativa no que a elas diz respeito.

Negamos esse direito, de ter uma voz, liberdade de expressão, às nossas crianças e principalmente às nossas meninas. Em substituição damos convenções obsoletas: “olha como estás sentada. Uma menina não se senta assim.”, “uma menina não diz isso”, “uma menina não faz isso” e por aí adiante. Confundimos orientação vocacional com construções sociais e muitas vezes trocamos desenvolvimento emocional por convenções.

Castramos as crianças da sua curiosidade, criatividade e em vez de lhes darmos o mundo, tiramos direitos fundamentais, como o direito a ser criança.

Tanta vez ouvi em tantas salas de aula onde vou contar “Estórias Interculturais e Humanas”: “porta-te bem”, “não fales”, quando o que mais quero e espero numa criança é que ela fale, questione e seja livre.

E crescemos assim, limitadas e limitados nos nossos direitos e a braços só com deveres e obrigações. Crescemos muitas vezes sem missão, visão e sem ambição estruturada e real.

Generalizo com a consciência de que estamos a mudar e que as novas mães e os novos pais já concedem uma boa brecha de liberdade aos seus filhos e filhas.

Assim, dos direitos humanos das mulheres ou aliás, dos direitos humanos, fica a consciência de que para reconhecermos os direitos do outro, há que respeitar intrinsecamente a sua identidade, valores e crenças, cultura e origem.

Como costumo dizer, direitos humanos tem toda a relação possível com o desenvolvimento pessoal: precisamos de nos sentir, perceber, respeitar, aceitar como pessoas para aceitar, respeitar, perceber e sentir o outro. Os direitos do outro. As suas visões. As suas opções. As suas orientações.

Como vai o seu desenvolvimento pessoal?

SER MULHER

CARLA SOUSA
O Dia 8 de Março é para implicar com a mulher?

Já nos caracterizam por implicativas e com memória a longo prazo fantástica. E temos um dia! Para mim todos os dias são dias da mulher.

A minha vida é marcada por várias mulheres. Umas estiveram de passagem, outras estão presentes e, outras, infelizmente, apesar de não estarem vivas, estão bem vivas dentro de mim.

Ser mulher para mim é o princípio de tudo.

É ela que tem o dom de gerar vida: filhos; é ela que que pode amamentar, é ela que dá vida, dá amor, dá carinho e sonha.

Todos os dias podemos sonhar, acreditar e amar. Por vezes desistimos, duvidamos e choramos. Mas só por vezes.

Toda a mulher pode e deve sentir-se bela. Toda a mulher tem a chave para a sua felicidade e pode abrir muitas portas para os que se cruzam consigo.

Mais do que mulher, sou pessoa, tenho valores, objetivos e ambições. Sou forte e por vezes acho que sou fraca. Mas todos nós (mulheres ou não), não passamos pelo mesmo?

Ser mulher é sorrir com os olhos, abraçar com um sorriso, falar com gestos e chorar por vezes com a alma.

Cada mulher deve amar-se, ter amor próprio, fazer-se respeitar e lutar pelo que deseja.

Somos tão complexas que por vezes não nos fazemos entender. Pensamos muito, sentimos muito e fazemos muito (quando queremos).

Ser mulher não é um problema, adoro ser mulher. Sou neta, filha, irmã, sobrinha, madrinha, namorada, amiga, tenho uma profissão que gosto e sinto-me realizada.

Mais do que realizada, sinto-me grata, grata à vida.

Apesar dos momentos menos bons (sim, é importante ter a capacidade de cair, mas de me levantar) vivo e permito-me viver momentos bons, simples que aconchegam o meu coração e a minha alma.

Sei quem sou e as pessoas que me amam também o sabem.

Sei o que quero e luto para mudar e melhorar.

Num país onde cada vez mais se fala de violência psicológica e física, onde se discutem padrões de beleza e formas de estar na vida, o mais importante é gostarmos de nós como somos.

Se isso acontecer as lutas serão de afetos. E dar e receber afetos é muito bom.

Já recebeu ou deu um afeto hoje? Elogie-se, elogie, cuide-se e cuide.

Seja feliz. Lute por ser cada vez melhor pessoa.

HOTEL DE LA PAÏVA EM PARIS

MANUEL DO NASCIMENTO
Hôtel de la Païva na avenida dos Campos Elísios em Paris. Nascido em Macau, o português Albino Francisco Araújo de Païva (1824-1872) ou Païva de Araújo ‘Marquês’ este edifício em plenos Champs-Élysées, que é um dos mais belos exemplares da arquitetura privada da segunda metade do século XIX, de resto classificado como Monumento Histórico, só tem o nome. Em junho de 1851, Madame La Païva, era Esther-Pauline Blanche Lachmann (1819-1884), uma russa ou polaca que, por dos seus encantos e artes, se tournou uma das mais famosas cortesãs parisienses do século XIX, tendo iniciado a sua carreira com uma relação com o pianista e compositor francês Henri Herz (1803-1888). Seguindo a versão mais popularizada da sua biografia, Esther-Pauline Blanche Lachmann, terá casado com um rico dandy português, um suposto Albino Francisco Araújo de Païva ou Païva de Araújo ‘Marquês’, oferecendo-lhe o hotel que se encontrava na Place Saint-Georges em Paris, construído em 1840. O dito casamento durou apenas um dia, tendo a bela cortesã logo dispensado a companhia do português, mas guardado o apelido. E, foi já com o título de "Marquesa de Païva” que Esther-Pauline mandou construir este palacete, demoradamente arquitetado por Pierre Manguin, e que a partir de 1865 se tornou lugar obrigatório de visita e vilegiatura da boa sociedade parisiense: os irmãos Goncourt, Théophile Gautier e Alexandre Dumas (que retratou Madame de Païva na peça La Femme de Claude) andaram por lá. Esther-Pauline Blanche Lachmann, toda a vida perseguiu homens ricos. Seduziu o pianista Henri Herz que o levou à ruína. Casou-se depois com o português que se autointitulava marquês de Païva, ficando-lhe com o título e co o apelido. Depois de passarem a lua-de-mel em Portugal, Esther-Pauline Blanche Lachmann, disse ao seu marido, friamente, que o acordo entre eles chegara ao fim. “já me possuíste. Eu paguei-te as dívidas e fiquei com o apelido”. Depois volta para Paris, e segundo reza a lenda, ao ver-se na penúria, suicidou-se em Paris em 1873. Hôtel de la Païva na avenida dos Campos Elísios, n.° 25, em Paris, teria sido construído entre 1856 e 1865. Em 1903, o Hotel de la Païva tornou-se a sede do Travellers Club, e hoje é também um restaurante. O edifício com decorações de sonho, pode ser visitado. Em 1877, Esther-Pauline Blanche Lachmann, foi acusada de espiona, e a marquesa, é obrigada de fugir de França para a Alemanha, onde morre em janeiro de 1884 no castelo de Neudek em Silésie.

A MULHER COMO O ELO MAIS FRACO. ATÉ QUANDO?

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
E na semana em que, um pouco por todo o mundo, se celebrou mais um Dia Internacional da Mulher, o tema tornou-se de certa forma obrigatório.

E neste sentido, se falarmos de zonas do mundo onde a mulher ainda é completamente marginalizada, onde ainda não tem voz, sendo inclusivamente tratada como um ser inferior, a celebração deste dia faz todo o sentido! Aliás, tenho esperança que ajude a derrubar muros e construir pontes, ferramentas que ajudem estas mulheres oprimidas pela sociedade em que estão inseridas a tornarem-se “visíveis” e aceites como seres humanos livres e capazes, como no resto do mundo já o são.

Entretanto, e passando para a nossa realidade europeia, se é certo que esta homenagem é justa, afinal é quase incompreensível que em pleno século XXI, ainda haja tamanha discrepância no tratamento entre homens e mulheres, também o é algumas dessas situações serem provocadas por mulheres. Aliás, é do conhecimento geral que as mulheres são as piores inimigas umas das outras, sendo inclusivamente as que mais prejudicam quem as rodeias, quando acham ser uma ameaça à sua ascensão! 

Também no que respeita ao mercado de trabalho, é inadmissível que em algumas entrevistas haja questões distintas para pessoas do sexo masculino ou feminino. Mais concretamente, quando as mulheres são questionadas se têm ou pretendem vir a ter filhos. Na minha opinião, esta questão denota uma enorme falta de consideração não só pela condição de mulher, mas também pela maternidade em si.

Sim, é certo que uma gravidez por tudo o que implica em termos de cuidados médicos, traduz-se em algum absentismo ao trabalho… Mas e então? Porque não são os homens questionados da mesma forma? Claro, estes não passarão nove meses carregando um filho no ventre com tudo o que isso implica, mas numa época em que, felizmente, cada vez mais homens primam pela diferença, colaborando e envolvendo-se a 100% na educação dos seus filhos também estes, após o seu nascimento, se vêm envolvidos no absentismo ao trabalho. E tristemente, muitas das vezes, essa questão é colocada em empresas que têm na linha da frente… mulheres! Qual é o problema afinal? Claro que não é difícil perceber que a causa será a possível quebra de rendimento da empresa durante esse período. Mas será assim tão significativo? Depois, também aqui se vê o quanto a união não faz parte do universo feminino, afinal e neste caso concreto, elas próprias criam as regras e as discrepâncias de tratamento. Algo que espelha o quanto a sociedade ainda precisa evoluir de forma a equiparar os sexos!

Esta realidade faz-me ver os jantares comemorativos, a publicidade em torno de uma data, como apenas um data, afinal, na hora da verdade são as próprias mulheres que se colocam abaixo da fasquia. Não sendo anti comemorações, para mim, dia da mulher é todos os dias, tal como o é para todos os seres humanos em geral, ou pelo menos deveria ser.

E se querem igualdade na verdadeira aceção da palavra, comecem por viver unidas no dia-a-dia. Protegendo-se mutuamente de uma sociedade onde a diferença de género ainda marca o futuro!

sábado, 10 de março de 2018

EXERCÍCIO FÍSICO E GRAVIDEZ


ANTONIETA DIAS
O desporto representa por si mesmo e pelas suas múltiplas facetas, uma situação favorecedora da saúde. Ninguém põe em duvida os efeitos positivos que a pratica desportiva proporciona. O interesse cada vez maior pelo desporto tem feito com que o número de praticantes tenha vindo a aumentar consideravelmente. 

No contexto atual praticar desporto é uma rotina quase obrigatória, havendo um número cada vez maior de praticantes amadores e profissionais. A idade de inicio da pratica desportiva surge cada vez mais precocemente.. 

Os diferentes tipos de atividade desportiva impõem exigências variáveis aos desportistas que a praticam. 

As exigências que diariamente são pedidas sobretudo aos atletas de elite para atingirem bons resultados, passam necessariamente por um aperfeiçoamento das técnicas, por um número maior de horas de treino, por um aquecimento adequado, por um programa de treino e de competição intensiva, por uma ingestão suficiente de líquidos, por uma alimentação completa e variada por uma boa higiene geral (repouso, sono, abstenção de álcool). Apesar de uma constante melhoria das técnicas de treino e dos equipamentos ninguém fica imune ao risco de lesões. 

Por melhor que sejam as qualidades pessoais do atleta, mesmo que a sua preparação técnica seja excelente, o sucesso desportivo pode não ser atingido se durante a sua prática desportiva ficar lesionado. 

O nosso papel será atuar a nível da prevenção. Divulgando medicas preventivas eficazes, a fim de impedir o aparecimentos de lesões. 

A evidência científica demonstra claramente que a prática de exercício físico na gravidez melhora a qualidade de vida, promove o bem estar mental, físico e social da grávida. 

É uma prioridade para os especialistas de medicina desportiva incentivarem e recomendarem a manutenção da pratica desportiva durante o período gestacional. 

A prática de estilos de vida saudável funciona como um dos mais importantes benefícios na prevenção das doenças. 

A atividade desportiva a desenvolver pela grávida tem de ser compatível com o seu estado psicofisiológico para lhe proporcionar segurança e conforto. 

O Exame de aptidão médico desportiva deverá ser realizado logo que a mulher engraviad, para permitir que o exercício físico que irá praticar seja seguro para a mãe e para o feto e para que a mulher usufrua de um verdadeiro beneficio desde o inicio da concepção. 

São imensos os benefícios resultantes da prática desportiva, porém antes de iniciar a sua atividade, neste período tão especial da sua vida, a grávida necessita de efetuar uma avaliação rigorosa e detalhada do seu estado de saúde que deverá ser realizada por um especialista de medicina desportiva , complementada pela avaliação do seu obstetra que a irá acompanhar durante o período gestacional, cujas recomendações são fundamentais para que o desenvolvimento fetal e a estabilidade física e psicológica da grávida não sejam prejudicadas. 

Estas avaliações são obrigatórias e fundamentais pois permitem fazer a transmissão dos conselhos e das recomendações mais importantes para que as orientações e sucessivas adaptações periódicas durante as várias fases da gravidez sejam enquadradas e contextualizadas de acordo com a especificidade do seu histórico clínico, da antecipação da prevenção de eventuais complicações (por exemplo risco de placenta prévia, hemorragias do 1.º 2.º ou 3.º trimestre da gravidez), bem como no controlo de patologias crónicas p´revias designadamente a existência de uma diabetes, patologia cardiovascular, endócrina, hipertensão arterial ou outras. 

Sem dúvida, que a regularidade do desporto durante a gestação tem imensas vantagens, sendo um investimento essencial para a mulher, uma vez que para alem de aumentar os níveis de energia, diminui o excesso de peso, as insónias e previne do risco de desenvolver uma diabetes gestacional. 

As desportistas têm ciclos na sua vida, designadamente durante a gravidez, que necessitam de adaptabilidade funcional na execução de determinados exercícios que terão de executar 

Praticar exercício físico durante a gravidez aumenta os níveis de e energia, previne o excesso de peso e diminui o risco de diabetes gestacional entre outras vantagens
Palavras chave: gravidez e exercício físico, benefícios do exercício físico na gravidez , tipos de exercício físico aconselhados na gravidez
Os benefícios da atividade física durante os meses da gravidez são muitos e vale a pena o esforço inicial
Antes de começar
Em primeiro lugar consulte o Obstetra para receber os conselhos e determinar as eventuais adaptações tendo em conta o contexto da sua história clinica e das possíveis complicações designadamente diabetes não controlada, hipertensão arterial , patologia cardio vascular , placenta previa ( inserida perto do colo do útero
Destinada a avaliar a possibilidade de executar exercício físico seguro para a grávida e para o bebe 


CAROLINA PATROCÍNIO
DR
A atividade física esta normalizada na atleta de alta competição e tem de ser entendida como parte integrante de um ciclo de regular da sua vida diária. 

Todavia, poderá haver necessidade de fazer algumas adaptações nas várias modalidades e designadamente na execução de certos exercícios para não perturbar as mudanças fisiológicas que a gravidez gera na mulher. 

Sem dúvida que a gravidez origina na mulher alterações fisiológicas e psicologicas 

Sem duvida que a pratica do exercício físico contribui para melhorar o bem estar e o conforto da atleta, que necessita de manter a sua atividade de forma regular. 

É óbvio que o primeiro patamar de decisão passará pela observação e orientação do obstetra que deverá ser o primeiro profissional médico a dar o seu contributo na manutenção do exercício. 

Apesar de todas as atletas gravidas vivenciarem uma situação comum, nem todas reagem da mesma forma, pelo que as adaptações terão que ser individualizadas de acordo com a modalidade praticada e com as características da atleta. 

Em todas as circunstâncias temos que manter o beneficio do exercício físico, com as recomendações adequadas para cada uma das atletas. 

Todos sabemos que a pratica do exercício físico é um fator de equilíbrio emocional e físico na gravida, aumentando o seu bem estar e mantendo-a ativa. 

Um estilo de vida sedentário diminui a massa muscular, origina um aumento excessivo de peso durante a gravidez, aumenta o risco de desenvolver diabetes gestacional e pré- eclampsia, desenvolvimento de varizes, aumento das queixas físicas como dispneia e lombalgias resultantes das mudanças físicas que ocorrem durante a gravidez e uma menor adaptação psicológica a este período único na vida da mulher. 

O exercício melhora o controlo glicémico em gravidas com diabetes gestacional e pode ter um papel importante na sua prevenção 

Evidencias sugerem um efeito protetor da doença coronária, osteoporose, hipertensão, redução do risco de cancro do colon e provavelmente do cancro da mama e redução da percentagem corporal de gordura. 

Naturalmente que o esforço corporal excessivo não é recomendável para a grávida, havendo por isso algumas restrições durante o período de gestação não só no que concerne a determinadas modalidades desportivas ou /e determinados exercícios que possam ser executamos com mais violência e/ou agressividade como sejam os desportos de elevado risco que possam induzir traumatismo abdominal nos quais se inclui o salto de trampolim, o esqui náutico ou alpino, o parapente, a escalada, a patinagem ou o alpinismo 

Se é certo que o beneficio é muito superior ao risco, por vezes temos de ponderar a necessidade de interromper a atividade temporária das atletas, designadamente nos casos em que exista uma hemorragia genital, atraso do crescimento intrauterino, rutura prematura de membranas e em todos os nalguns casos em que existam comorbilidades que possam interferir com o desenvolvimento fetal. 

Definir uma estratégia com linhas programáticas bem definidas e estruturadas de forma a satisfazer a motivação da atleta e de todo o fenómeno desportivo é uma exigência do seu bem estar e satisfação pessoal conduzindo inevitavelmente ao sucesso. 

Todavia é certo que o parecer do medico obstetra é fundamental para dar as orientações que considere mais importantes para o caso em apreço. 

A alimentação deve ser uma prioridade na gravida sendo que o grau de exigência na seleção de alimentos numa atleta de alta competição tem que está gravida deve ser realizada com maior rigor. 

Um estudo efetuado sobre a percentagem de atletas de alta competição que usam suplementos alimentares realizado pelas faculdades de Desporto e de Ciências da Nutrição da universidade do Porto, que abrangeu 304 atletas das várias modalidades (râguebi, triatlo, natação, judo, ciclismo, ginástica atletismo, esgrima, basebol, andebol, boxe, natação, basebol) revelou que 66% dos atletas de alta competição usam suplementos alimentares, dos quais os mais utilizados são os polivitaminicos, o magnésio, as proteínas e as bebidas desportivas.. 

A atleta gravida deve estar esclarecida sobre o tipo de exercício que pode praticar, frequência. Duração e intensidade, não só durante o período da gestação como no pós parto. 

Se a gravidez decorre de forma natural, a atleta deve ser estimulada a manter o exercício físico, podendo em casos pontuais de adaptar o programa de treino. 

Se a gravidez é de risco, deve ser feito um exame de avaliação medico desportiva, rigoroso destinado a ajustar os exercícios mais indicados para evitar prejudicar a mãe ou o feto. 

A resposta ao exercício na mulher gravida vai depender do impacto que as alterações fisiológicas e psicológicas provocam na mulher. 

Tendo em conta o aumento ponderal que a mulher adquire durante a gravidez, não podemos excluir uma maior probabilidade de inaptidão para a modalidade pois o excesso de peso irá de certeza interferir na execução . 

Durante o período de gravidez o metabolismo glicídico altera-se podendo levar nalguns caos a situações de hipoglicemia em jejum e hiperglicemia pós-prandial . 

Constatamos que os níveis de insulina aumentam , todavia no terceiro trimestre há um aumento de resistência à insulina. 

As atletas gravidas correm o risco de fazerem hipoglicemias pelo que se aconselha que tenham uma alimentação com mais calorias e das redução do tempo de exercício, sendo no máximo 45 minutos. 

Para além das alterações metabólicas o volume de sangue circulante aumenta , havendo por isso necessidade de uma monitorização permanente ao exercício para não criar problemas. 

Existe alguma evidencia que comprova que a atividade física na gravida reduz as insónias, melhora 

Os exercícios mais adequados são os de intensidade moderada, natação ou caminhada ou corrida reduzem a duração do trabalho de parto e o risco de complicação do mesmo. 


As gravidas devem evitar os desportos violentos e todos os exercícios com risco de trauma ou queda 

Contra-indicações a pratica do exercício físico 

Segundo a ACOG 

CONTRA-INDICAÇÕES Absolutas são. 

Doença cardíaca 

Doença pulmonar restritiva 

Colo uterino incompetente 

Gestação múltipla com risco de parto pré-yermo, 

Hemorragia persistente durante o segundo e treceiro trimestre 

Placenta previa apos as 26 semanas de gestação 

Trabalho de parto prematuro durante a atual gestação 

Rutura de membranas 

Hipertenção gestacional 

Segundo a ACOG as contra-indicações relativas são 

Anemia severa (Hg§100g/l, 

Arritmia cardíaca materna não avaliada, 

Diabetes de tipo I mal controlada, 

Obesidade morbida (IMC maior que 40), 

Magreza excessiva (IMC menor que 12); 

Historia de um estilo de vida extremamente sedentário ; 

Restrição de crescimento intra-uterino na gravidez atual; 

Hipertensão /pré-eclâmpsia mal controlada ; 

Limitações ortopédicas; 

Doença convulsiva mal controlada : 

Doença tireoideia mal controlada ; 

Fumadora pesada (mais de 20 cigarros dia ) 



Sinais de alerta –suspender o exercício físico durante a gravidez 

Segundo o ACOG os sinais de alerta são: 

Hemorragia vaginal; 

Dispneia após o esforço; 

Tonturas; 

Cefaleias ; 

Dor torácica; 

Fraqueza muscular; 

Dor ou edema dos tornozelos (diagnostico diferencial de tromboflebite deve ser tido em consideração ); 

Trabalho de parto prematuro ; 

Diminuição dos movimentos fetais 

Perda de líquido amniótico. 

Longo vai o tempo em que as gravidas eram aconselhadas a interromper o exercício físico, devido ao fato de se pensar que proporcionava um risco de abortamento e de parto prematuro, todavia desde há cerca de trinta anos que se pensa de forma diferente . 

Segundo as recomendações de 2011 na Sports Medicine demonstram evidencia para os programas de exercício fisíco de intensidade progressiva com duração e frequência harmoniosos, equilibrados de forma a estabelecer potenciais benefícios e evitar os malefício. 

A prescrição do exercício físico de deve ter em conta o estado de saúde da gravida para poder programar e adaptar o exercício adequado 

Tipos de exercício 





Em suma, 

São muitos os benefícios que a gravida recebe com a pratica do exercício físico, designadamente a diminuição da fadiga, varizes e edema das extremidades 

A evidência científica demonstra que a pratica do exercicio físico na gravidez melhora a qualidade de vida, promove o bem estar mental , físico e social e gera um
Estilo de vida saudável sendo por isso recomendado e incentivado pois é benéfico em qualquer ciclo

O MUNDO DE HOJE

JOÃO RAMOS
A proliferação de más notícias é uma das razões, pelas quais, as pessoas subestimam o progresso da humanidade. No entanto, o mundo de hoje, possui um rendimento 100 vezes superior, ao que se registava há dois séculos atrás e ao contrário, do que se possa pensar, a sua redistribuição é muito mais equitativa. O número de pessoas mortas anualmente em guerras baixou, mais de 75%, desde 1980. Durante o século XX, os Europeus reduziram as probabilidades de morrer num acidente automóvel, em 96%, de perecer no incêndio, em 92% ou de ter um acidente de trabalho fatal, em 95%. O comércio e a tecnologia permitiram espalhar técnicas de produção e bens pelos países menos desenvolvidos, diminuindo a desigualdade. A maioria do povo português goza de luxos, completamente fora do alcance dos mais ricos, no século XIX, como ar condicionado, electricidade e televisão a cores. As melhorias da medicina e da higiene contribuíram para aumentar a esperança de vida e novos electrodomésticos, permitiram poupanças de tempo em tarefas domésticas, que pode ser utilizado, numa variedade de tipos de entretenimento, impensáveis, há 50 anos atrás.

Em todo o mundo, o QI tem vindo a aumentar, com 98% da pessoas a apresentarem melhores resultados, nos testes, do que as populações do seculo passado. As crianças estudam durante mais tempo e beneficiam com os estímulos gerados por novos símbolos visuais, como mapa digitais, que os tornam mais inteligentes. Em 1900, apenas 1% da população vivia sob regimes democráticos, sem possibilidades de votar e sem direitos universais, como saúde e educação. Hoje, 2/3 da população está sob alçada de regime democráticos, e mesmo as ditaduras, tendem a ser menos severas, do que aquilo que acontecia no passado, com destaque para a China. Dos 52 países analisados pelo Índice da Felicidade, 45 registaram melhorias, entre 1981 e 2007, em linha com o aumento do rendimento bruto. Hoje, apenas 59% das pessoas são religiosas, o que significa que assim que a população vai enriquecendo, torna-se menos crente e toma decisões mais eficientes. Apesar das inúmeras ameaças, como o Brexit, as alterações climáticas ou a Coreia do Norte, o mundo é hoje, um lugar muito melhor para se viver. No entanto, escudados na proliferação de falsas noticias, muitos grupos extremistas procuram lançar uma imagem contrária. Os meios de comunicação social deveriam procurar conter o efeito e propagação destas ideias, no sentido de evitar o surgimento ou retrocesso civilizacional.

NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS

MOREIRA DA SILVA
O conceito de qualidade de vida associado à assistência nutricional nos cuidados paliativos é de facto muito subjetivo, uma vez que a noção de qualidade de vida depende do que cada pessoa entende como bem-estar e conforto. Portanto, tendo em conta as diferenças classes sociais, económicas e mesmo estado da doença, as nuances deste conceito vão-se alterando.

“Os cuidados paliativos promovem o alívio do sofrimento, no qual a dor está incluída, quase de uma forma total, reafirmando a vida e a morte como processos naturais.” Como é óbvio, a avaliação da qualidade de vida associada à alimentação nos cuidados paliativos, tende a promover uma melhoria da prestação e promoção dos próprios cuidados, permitindo uma melhor monitorização e gestão do processo.

A alimentação, por si só, tem dimensões que encontram o nosso fisiológico e emoção, promovendo sensações de prazer. Sendo assim, os cuidados de nutrição neste tipo de doentes, aquando de uma satisfação deficitária, condicionam fortemente a sua qualidade de vida.

O ato de alimentar, seja pelos cuidados formais ou informais, assume então uma dimensão imensamente importante e fundamental, quer no doente institucionalizado, quer no doente que está em casa.

Do ponto de vista nutricional, ao mesmo tempo que importa diminuir a quantidade da ingestão, importa também manter toda a sensação de prazer, conforto e satisfação do doente, quer nos sólidos, quer nos líquidos. Recomenda-se atender às preferências alimentares e desejos do paciente, sendo que, se exequível, a ingestão através dos meios tradicionais deve ser então privilegiada.

Em bom rigor se diga, que o forcing na ingestão de determinados alimentos contra a vontade do doente, não ajuda na adesão à terapêutica, nem na própria melhoria da qualidade de vida do doente.

Como é óbvio, todos os procedimentos devem ser tutelados por um profissional da área, que é o Nutricionista, por forma a ir de encontro às necessidades específicas nutricionais e aporte calórico diário do doente em questão.

Nunca nos esqueçamos que a chave “para cuidar de si mesmo, é a cabeça; para cuidar dos outros, é o coração.”

VIDA DE MÉDICA VETERINÁRIA

SUSANA FERREIRA
No dia 8 de Março celebrou-se o dia internacional da Mulher, por isso, nada melhor que falar da minha experiência como mulher na área da Medicina Veterinária. Alguns vão perguntar-se mas qual a diferença entre ser Homem ou Mulher na Medicina Veterinária? Aparentemente pode parecer indiferente, no entanto, não é. 
Porque questionam sempre nas entrevistas de trabalho se penso ser mãe? A minha pronta resposta é não, mas do outro lado vê-se o ar intrigado. Alguns, vão mais longe e questionam a minha idade, como quem diz estás com o tempo contado para ser mãe. Logo, ninguém quer contratar uma futura mamã, que irá desfrutar meses da maternidade e de seguida de horário reduzido para amamentar. 
Os próprios clientes credibilizam mais os Veterinários. Durante o meu percurso profissional tive de substituir alguns colegas Homens e Mulheres. No caso das substituições dos Homens tive várias pessoas a recusarem-se a serem atendidas por mim, nem davam o benefício da dúvida. Muitas vezes tratavam-me como se fosse auxiliar, pedindo para eu chamar o Médico Veterinário. Cheguei mesmo a falar com uma cliente que veio comprar ração e tratou o auxiliar como Veterinário e saiu porta fora, sem eu ter oportunidade de desfazer o erro. O mais surpreendente ... maioritariamente estas atitudes partem de outras mulheres. 
E gerir o dia-a-dia? Às vezes acho que o dia não tem horas suficientes e ainda não sou mãe. 
Neste trabalho há hora de entrada mas não há hora de saída. E mesmo quando se sai, fica o pensamento na clínica. 
O que podia ter feito e não fiz? 
O que ficou pendente para amanhã? 
O que posso fazer mais pela saúde do Kiko, tendo em conta a impossibilidade económica do dono?
E aquela pessoa que tentou deixar na clínica, um cão que encontrou na rua e como tu recusaste, faz-te sentir a pior pessoa do mundo...
Tu sabes que não és, mas ficas a remoer no assunto e ficas ainda mais preocupada com o futuro daquele cão. De certa forma, culpas-te por não reunires as condições financeiras para ajudares todos os animais que precisam. 
E aquela eutanásia da cadelinha que acompanhas desde bebé? Aquele nó na garganta, aquela lágrima solta, a angústia de não ter conseguido fazer mais e melhor. 
E depois de um dia longo de trabalho ainda te espera o jantar, adiantar o almoço para o dia seguinte, a roupa, a loiça, a casa por limpar, os teus animais por tratar... ir às compras, pensar na ementa para toda a semana. E ainda arranjar tempo para a família que a maioria das vezes sai prejudicada com a nossa ausência na presença. Pois muitas vezes estamos presentes em corpo mas não em mente. 
E as urgências? Quando te deitas na cama e pensas “agora vou finalmente descansar do longo dia de trabalho... “ e repentinamente pelas 3horas da manhã toca o telefone das urgências. Acordas em sobressalto, com o coração nas mãos. Há um animal a precisar ser salvo e lá vais tu. No dia seguinte terás de estar dispersa e bem-disposta na primeira consulta do dia. 
Nós sentimos necessidade de mostrar que somos boas profissionais e temos capacidade de fazer ainda melhor para sermos reconhecidas. 
Quando supostamente se fala em igualdades de circunstância, a realidade ainda está muito aquém das expectativas.