sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

AFINAL O QUE É ISSO DE ANSIEDADE?

ISABEL PINTO DA COSTA
Ansiedade, podia escrever sobre ansiedade, começando com uma frase, minha, no entanto devido à ansiedade que as pessoas têm ao começar a escrever um artigo e eu não sou exceção vou optar por usar a definição de um autor muito conhecido Augusto Cury “Ansiedade é a Síndrome do pensamento acelerado”.

Nos dias de hoje quem não se encontra ansioso? Por circunstâncias de vida ou por receio de não corresponder às expetativas dos outros ou de si próprio! No entanto, é fundamental termos um diagnóstico assertivo para sabermos com que ansiedade estamos a lidar.

Pode ser ansiedade cognitiva ou motora ou ansiedade vegetativa (ativação fisiológica). Em cada uma delas temos sintomas específicos, para resolvermos este diagnóstico tão comum nos artigos de hoje. 

Se apresentamos uma ansiedade cognitiva (pensamentos ansiosos) ou motora, temos sintomas como preocupação e insegurança, sensação de perda de controle, movimentos bruscos, hiperatividade, descoordenação motora, sintomas que, por vezes, são confundidos com ataque cardíaco. Se por sua vez nós apresentarmos ansiedade vegetativa, temos uma ativação fisiológica alterada, que se carateriza com sintomas como: taquicardia ou aumento do ritmo cardíaco (palpitações; aperto no peito; tensão muscular que podem ser tremores ou agitação, suores frios ou quentes; sensação de falta de ar ou asfixia; náuseas; tonturas ou vertigens; desmaio; rigidez muscular; dormência nas mãos e pés e perturbações do sono e alimentares).

Aqui, neste tipo de ansiedade, a intervenção terapêutica pode passar por realização de um treino de relaxamento que reduz ao fim de algumas sessões os níveis de ansiedade.

Com ansiedade não temos qualidade de vida, limita-nos a nossa liberdade de sermos felizes, por isso se queremos resolver a nossa ansiedade temos que: 

1. Descobrir a causa da mesma, por sua vez pode ser uma causa interna ou externa;

2. Desviar a atenção do problema, pensarmos noutras áreas de interesse para não estarmos o dia todo focados no problema que nos causou ansiedade;

3. Respirar profundamente, ou seja, controlar a nossa respiração e aqui entra o treino de relaxamento e por último e 4º lugar viver o presente, não antecipar expetativas negativas sobre as coisas e o que pode acontecer.

Referindo-me novamente ao autor Augusto Cury, “A humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos” ou seja, o que podemos dizer é que a sintomatologia ansiosa atinge nos dias de hoje qualquer faixa etária, pode ser uma criança, como um adolescente, como um jovem, um adulto, ou um idoso, o que é importante é ser feito o diagnóstico e a intervenção psicológica ser eficaz, ou seja, através da realização de psicoterapia, para treinos em situação de consulta e posteriormente o paciente ser capaz de lidar com essa ansiedade em situações reais ou através de um treino de relaxamento.

O importante é que essa ansiedade não continue a interferir no nosso dia-a-dia em diferentes contextos de vida, como em família, no trabalho, no relacionamento interpessoal com o grupo de amigos, na intimidade afetiva dos casais, em situações de posição hierárquica superior ou simplesmente quando estamos a sentir que não correspondemos às nossas expetativas pessoais. 



Viver sem ansiedade terá que ser o slogan do ano de 2018, pois assim teremos muito mais qualidade de vida.

REGISTO PREDIAL - RAZÃO DE SER

ANA LEITE
Atualmente a razão de ser do registo predial deve ser compreendida com o modo de aquisição dos direitos reais - o título de aquisição. O propósito fundamental do registo predial é dar publicidade à situação jurídica dos prédios. A lei atribui uma especial força jurídica às inscrições registais e que consiste em garantir aos terceiros que a situação jurídica publicitada existe nos exactos termos em que está registada - fé pública. Para efeitos de registo predial, o "prédio" significa uma parte delimitada do solo, juridicamente autónoma, com as construções, águas, plantações e partes integrantes de que nele existam. Todos os factos jurídicos que são objecto de registo, têm que constar de documentos que os titulares. Estes documentos têm que revestir forma escrita, seja escritura pública ou documento particular autenticado. Desta forma, sempre que os interessados não disponham de um título escrito, é necessário que se proceda à sua obtenção. Como é o caso do registo da usucapião. De referir aí da que os atos de registo podem ser agrupados segundo dois critérios. Um com base no seu conteúdo e função: e no qual se insere as descrições, inscrições e seus averbamentos. Outro com base na sua eficácia e referem - se aos registos provisórios e definitivos.

A descrição tem por fim a identificação física, económica e fiscal dos prédios. Efetua - se uma descrição distinta por cada prédio. A identificação física consiste na indicação da localização e composição do prédio e da respectiva área. A identificação económica compreende, além da especificação da sua natureza rústica, urbana ou mista e respetivo valor patrimónial, a indicação do destino é utilização dos prédios. A identificação fiscal traduz - se na indicação do artigo da matriz predial ou do número de identificação predial. Por sua vez os averbamentos à descrição servem para alterar, completar ou retificar os elementos das descrições. As inscrições servem para definir a situação jurídica dos prédios. Relativamente à sua eficácia os atos de registos podem ser definitivos ou provisórios. Dizem-se definitivos os registos que produzem a plenitude dos seus efeitos sem limitação temporal, enquanto que os provisórios são registos que, em virtude de alguma circunstância impede o assento definitivo e portanto têm um prazo de vigência limitado.

A MECANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA MUSICAL

RUI DE LEON
A escrita como fonte de comunicação é sempre condicionada por factores externos (ambientais, sociais, etc) e internos (estado emocional, memórias, etc). 

Como músico compositor, não sei bem quais são os que me influenciam mais...e muito honestamente, se haverá vezes em que me deixo influenciar. 

Naturalmente estarão todos interligados. A minha inércia, a minha vontade, os condicionantes internos e externos e a antevisão do impacto que poderá surtir no "público alvo".


Como evoluiu o compositor, as discográficas, os agentes, todos os intervenientes e estádios desde a ideia à finalização de uma música. Passamos da revelação de um artista, ou descoberta de um "diamante" em bruto, único , original, para a procura de alguém com características pré-definidas, num contexto limitado e extrapolado de experiências artísticas anteriores com vista a um sucesso de vendas. 

Serão as músicas projectadas para ser o próximo número um das tabelas de vendas, ou o resultado da partilha do intelecto de um ser para outro?

Fala-se muito em "equipas" inteiras a trabalhar em conjunto para determinados artistas de música, com a finalidade de descobrir uma "fórmula" que cative os nossos sentidos e desta forma permaneça na nossa mente , mesmo que quase inconscientemente, tornando-se "viral".

Quando os ouvintes estão à procura de uma estação de rádio, ou uma "playlist" que irão gostar, cada música tem alguns segundos antes de ser rapidamente trocada por outra. A razão para desistir de uma música poderá estar no simples facto de o ouvinte não ter paciência para esperar pela melodia e as letras fazerem sentido, ou serem simplesmente cativante, "fácil de ouvir". As melodias e as letras demoram tempo a serem construídas, o que não demora tempo nenhum para avalia-la é o som. Podemos rapidamente julgar uma música em questão de segundos. Percebemos o estilo, se é mais calma ou agitada, simples ou sofisticada e se vai ao encontro do nosso interesse. 

Com um acesso mais fácil á produção musical, cada vez existem mais artistas, com sonoridades distintas e com variadíssimas ofertas. 

Longe vai o tempo em que uma música complexa cativasse pela diferença, pela exposição da alma nua e crua , da paixão e dor reais do autor, desde o momento de escrita até ao registo do trabalho.

Existem técnicas e profissionais especializados para analisar um "demo" e transforma-la num êxito, recorrendo a fórmulas construídas através de estudos que incidem na histórica da música, produção musical e contexto social. os chamados "engenheiros musicais" constroem melodias apropriadas a um tipo de letra e género musical , realçando as qualidades , pontos fortes, dando uma nova "roupagem" a uma melodia inicial. Transformam-na num "hit" musical, entrando quase que de imediato nas tabelas de vendas. Melodias fáceis de memorizar, com repetições nas métricas e letras simples e curtas parecem ter maior resultado.

Agora pergunto-me, será isto evolução? A música é a linguagem universal, deverá ser o instrumento de propagação de mensagens, de alento de força... de sentimentos. Não estaremos a condenar uma vez mais o ser humano ao pré-concebido, ao "menos humano"? 

Serei eu suspeito para opinar mais sobre o assunto, por isso escrevi esta crónica como forma de tentar perceber o que vai nas vossas mentes. 

Deixem a vossa opinião, sobre a realidade da industria musical actual. 

Todos aprendemos uns com os outros, e enquanto viver pretendo aprender.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

CRÓNICA DA FALTA DE ASSUNTO

ARTUR COIMBRA
Como bem sabe quem escreve, na área mais subjectiva do discurso poético ou nas diversificadas manifestações da prosa, nem sempre as musas, a disponibilidade ou a criatividade brotam na ponta da caneta ou nas teclas do computador.

Há dias e dias, como em tudo.

Dias em que a inspiração jorra torrencialmente, como as tempestades de Inverno, e os assuntos se atropelam e multiplicam à velocidade da luz.

Outros, em que o autor se senta frente à aridez desértica do papel em branco e nada ocorre de interessante ou susceptível de ser aproveitado para levar aos leitores. É como se a mais extrema secura atacasse e deixasse maninhos o coração e a alma de quem escreve, vazios, inaproveitáveis e sem préstimo.

Falemos da desgraça do cronista que abanca na secretária para redigir umas linhas para publicação mas a falta de assunto desaba impiedosamente sobre ele e não consegue articular duas ideias seguidas que jeito tenham.

O desassossego toma conta do cronista quando o tempo aperta e nada sai. É a angústia. O pânico. O terror.

Olha para o lado, fecha os olhos, à espera de um lampejo redentor… e nada. Vou escrever sobre quê, que tenha interesse para os leitores mas também para mim, que sou o escriba mas também o primeiro leitor?

Vai ao frigorífico, abre uma cerveja e ocorre-lhe Pessoa, na sua celebérrima piada fotográfica, “em flagrante delitro”…

Volta a alapar-se, e nada. A brancura do papel permanece imaculada, como se os deuses tivessem abandonado o cronista à sua sorte. Miseravelmente sem assunto, logo, sem existência. Porque cronista sem assunto e sem crónica, é algo que não tem sentido. É da área do absurdo. A identidade do cronista é a crónica que escreve e publica, num blogue, numa rede social, num jornal.

Volta ao frigorífico e tira um chocolate, que vai partindo e repartindo pelos dentes, remoendo, maquinalmente, para ganhar tempo, sempre em busca de assunto para a sua escrita.

Há dias assim, como dias assado. Ou frito ou cozido. Tenta rir-se de si mesmo e das suas piadas sem qualquer relevância óbvia, até porque está sozinho, consigo mesmo e com a impotência para alinhavar um tema de interesse.

Sim. Falar de quê?

De política? Não interessa nem ao Menino Jesus e nestes dias de Janeiro, com os Reis já festejados, é assunto absolutamente requentado.

De futebol? Ainda interessa menos, numa época em que o futebol já não é desporto mas apenas gananciosa indústria de lazer ou central de interesses financeiros para entreter as paixões e estimular as emoções mais primárias.

Falar do dia-a-dia? Do escândalo das adopções da IURD, que tanto foi silenciado e agora vem à luz do dia? De mais trágicas mortes em Tondela, terra tão martirizada pelos incêndios de Outubro? Das três mulheres que já foram assassinadas em Portugal no espaço de 15 dias, desde o início do ano, num inferno de violência que não há meio de parar?

Da educação que falta e da saúde que escasseia para os mais pobres?

De algum livro que tenha lido, quando o que escasseia é mesmo o tempo para ler, com prazer?

Bom, o melhor é não escrever nada quando nada se tem a dizer. Serve para a poesia e para a prosa, qualquer que ela seja.

Serve obviamente para a crónica.

Ou a angústia do cronista derrotado pela falta de assunto!

RETALHOS DE UMA VIDA

RAUL TOMÉ
Quantos "eus" tenho em mim, não sei… nem sei se algum dia saberei. Sou demasiada gente conhecida, desconhecida, viva, morta, apaixonada, perdida.

Sou apenas pedaços, fragmentos de passados e de presentes sem futuro, porque a rasgados sonhos, já nem sequer me aventuro.

Sou um caleidoscópio de mágoas, de sorrisos, de paixões avassaladoras, de abandonos destruidores, de pessoas inspiradoras e, em cada dia, um pouco menos do que era e um pouco mais do que me semearam. 

Nesta cada vez mais desfragmentada existência, vou-me desfazendo do que era e tapando as fendas com o que me dão. E esta peça tosca em que me transformei, simboliza aquilo que um dia fui, e hoje, nesta figura disforme, desconexa nos contornos e nas cores, pouco me resta para esculpir.

Pois que não sou, a dada altura, mais do que a lava que o vulcão expeliu das suas incandescentes vísceras, que se libertou e se transformou numa montanha disforme, fria e sombria. Sou a lava e sou o gelo numa só pessoa, que os outros, só dão por mim, quando o meu corpo queima e as peles alheias se contraem.

E há na agonia dilacerante um grito de dor, reclamando por mais uma peça que cai e que se perde, sempre que um sentimento se destrói.
Aguça-se o engenho e de martelo em punho há quem tente encaixar à força o que não me pertence e, de palavra em palavra, faz-se a injustiça e da revolta acende-se o dia em que a vítima vira ré.

Naquilo que sou, cada um de vós semeou a sua parte, mas quando chega o dia da colheita, divide-se por todos, que de amor sem mágoa só vivem os tolos.

DA OBRIGATORIEDADE DA PRESTAÇÃO DE TRABALHO SUPLEMENTAR

RUI LEAL
A obrigatoriedade de prestação de trabalho suplementar constitui questão que suscita muitas dúvidas e cuja compreensão é fundamental para a devida manutenção de uma relação laboral.

É sabido que todos os trabalhadores, no âmbito de uma relação laboral, têm direitos, mas também devem cumprir com deveres que lhes são exigíveis, entre os quais se enquadra a obrigatoriedade de, dentro de determinadas condições, dever prestar trabalho suplementar.

Posto isto, trabalho suplementar é todo aquele que é prestado fora do horário de trabalho.

Será então exigível ao trabalhador, a solicitação da entidade empregadora, prestar trabalho fora do seu horário normal?

A título de questão prévia, importa referir que o trabalho suplementar só pode ser exigido ao trabalhador quando a empresa tenha, justificadamente, acréscimos transitórios e excepcionais de trabalho, em casos de força maior ou quando esse trabalho seja indispensável para prevenir ou reparar danos à empresa e manter a sua viabilidade.

Acresce ainda que estas situações excepcionais, para permitirem a exigibilidade da prestação de trabalho suplementar, deverão ser de tal ordem que não justifiquem a contratação de novos trabalhadores.

Preenchidos estes requisitos, quando solicitado, então, pela entidade empregadora, o trabalhador está obrigado a prestar o trabalho suplementar que lhe seja exigido, excepto se solicitar, de forma expressa, a sua dispensa, devendo, neste caso, apresentar motivos atendíveis e justificados.

Para além do ora referido, há certos casos em que, por princípio, alguns trabalhadores não estão obrigados à prestação de trabalho suplementar.

Serão os casos:

- da trabalhadora grávida;

- da trabalhadora com filho com idade inferior a 12 meses;

- da trabalhadora que esteja a amamentar filho e durante o tempo que o fizer, se tal for necessário para a saúde da mãe ou do filho;

- dos trabalhadores menores, a menos que tenham idade igual ou superior a 16 anos e não haja outro trabalhador disponível, e o trabalho seja essencial para prevenir ou reparar prejuízo grave para a empresa, devido a circunstâncias excepcionais;

- de trabalhadores com deficiência ou doença crónica;

Importa, finamente, referir que não constitui trabalho suplementar, entre outras situações:

- o trabalho prestado para compensar suspensão de actividade, independentemente da sua causa e com duração não superior a 48 horas, seguidas ou interpoladas por um dia de descanso ou feriado, havendo acordo entre a entidade empregadora e o trabalhador;

- a prestação de trabalho com uma tolerância de 15 minutos para além do horário normal, quando esse trabalho se destinar à realização de transacções, operações ou tarefas começadas e ainda não acabadas dentro do período normal de trabalho;

- a frequência de actividades de formação profissional e que não excedam duas horas diárias;

- o trabalho prestado como compensação de períodos de ausência ao trabalho por parte do trabalhador, desde que solicitado por este e com o acordo da entidade empregadora;

A devida compreensão das condições acima referidas permitirão evitar conflitos e equívocos indesejáveis, tanto da parte dos trabalhadores, como da parte das entidades empregadoras.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

EDUCAÇÃO: ONTEM E HOJE

ELISABETE RIBEIRO
Pensar na educação de ontem é voltar a tempos não muito longínquos. A figura do professor era uma autoridade e estava acima de tudo e todos. Ao aluno só lhe era permitido sentar corretamente. Não olhar para os lados e escutar. Em momento "adequado" devia demonstrar o que aprendeu nas avaliações, sem margem nem permissão de cometer erros.
Punições eram frequentes, tanto físicas como psicológicas, com a permissão dos pais. Há ainda quem defenda que eram tempos bons, pois o aluno aprendia e jamais esquecia. Agora questiono: Será que era verdade? A resposta a que chego não é animadora, pois se aprendiam era à base do decorar sem compreender.
Havia sim um certo respeito ao professor. O ambiente escolar era mais severo e exigente.
O professor tinha o quadro negro e os livros didáticos como ferramenta de trabalho. O dito,"quadro e giz". Tinha como obrigação superar o livro. Os conteúdos eram predefinidos pelo estado ditatorial vigente.
Será que se aprendia ou fingia-se que havia aprendido?
Hoje temos a nosso favor o mundo da tecnologia. O aluno já tem contacto com muitas informações provenientes de um quotidiano preenchido com computadores, tablets, telemóveis topo de gama e afins. Cabe ao professor filtrar essas informações e utilizá-las em contexto escolar.
A planificação dos conteúdos é mais flexível com possibilidade de ser alterada mediante as necessidades apresentadas.
A escola tornou-se num ambiente mais livre onde os temas abordados já não apresentam restrições políticas ou morais. Contudo, a verdade é que a família ausentou-se mais deste ambiente escolar. A escola passou a ser o veiculo, não apenas do ensino com também da educação. Assume-se como um meio “familiar”.
Por razões históricas, a escola sempre foi vista como um local para se aprender a ler, escrever e contar. Atualmente a a escola faz muito mais do que isso. Mas a escola não pode fazer tudo sozinha. Precisa de ajuda da comunidade escolar e da sociedade em geral. Sozinha não apresenta os alicerces necessários para suportar as exigências que lhe são atribuídas.
A escola deve e precisa ser agradável e prazerosa, para que o processo ensino-aprendizagem aconteça. Para que isso seja possível o professor,o aluno e o ambiente devem estar em sintonia.
O professor deixou de ser o centro do processo de ensino. Passou a ser um mediador. O aluno de mero expectador passou a colaborador, pois é a partir de seus conhecimentos prévios que a aprendizagem formal acontecerá e novos conceitos serão formados.


Para nós, professores, refletir sobre a forma de se ensinar ontem e hoje é repensar na forma de ensinar. Pois são novos tempos, uma nova geração e é inadmissível pensar em educação como se fazia antes.

HÁ DIAS ASSIM

RAQUEL EVANGELINA
Há dias que nos deixam sem rumo. Dias daqueles que estamos completamente desorientados porque perdemos o Norte, o nosso Norte. Dias em que achas que por muito esforço que faças, por muito que batalhes nada dá certo, nada te corre a favor. Todos temos dias assim. Não me parece que alguém seja feliz em pleno e todos os dias. Todos falhamos assim como também nos falham a nós. Todos por vezes duvidamos das nossas capacidades e assumimos que de facto nunca seremos capazes, nunca alcançaremos, nunca teremos o valor suficiente. Sim há dias que gostávamos de ter outra vez 3 anos para nos aninharmos no colo de alguém sem que essa pessoa nos questionasse o porquê de o estarmos a fazer. E ali ficávamos em segurança num abraço que nos diz que um dia tudo melhora. Sim há dias de cão. Dias em que dizes que está tudo bem mas não, não está… E se te olharem diretamente nos olhos ou os desvias ou te entregas completamente ao choro. Sim, não é só a ti que acontece. Acontece a mim, acontece aos teus amigos, à pessoa que passa por ti na rua, acontece até aquele que aparentemente tem tudo. Nunca ninguém tem tudo.

Mas o bom destes dias é o não durar para sempre. E mostram sempre que, se conseguiste passar por eles, és capaz de passar por tudo. Às vezes não é mau perder o Norte. Acabamos por encontrar algo muito melhor, nós próprios. Não é mau não alcançar o que queremos. Nem sempre o que queremos é o melhor para nós. E a vida, neste caso, tem sempre a ousadia de no futuro nos fazer entender que de facto não alcançar algo foi para o nosso bem. Há dias assim. E mesmo isso tem algo de positivo porque se não passássemos por esses dias nunca veríamos a sorte que temos quando tudo corre bem.

Sim, há dias assim. E se estás num desses dias não precisas de ter vergonha. Se queres chorar, chora… Não há uma única pessoa no mundo que nunca tenha chorado. Se queres largar, larga. Se queres berrar, berra. Nunca traves nada, nem a lágrima nem o que te sufoca. Não reclamar, não deitar para fora só faz mal a ti. Mas entende que por maior que seja o sufoco um dia passa.

Sim, há dias assim. Mas também há dias em que tens que travar o riso, em que és tão feliz que não sabes se vives ou se sonhas. E um dia desses compensa todos os outros em que parece que te tiram o chão. Sim, há dias maus mas tem sempre esperança que também há dias bons. E esses estão à tua espera já ali. Ao virar da esquina…

DESISTIR NUNCA É OPÇÃO

MÁRCIA PINTO
A vida é um jogo constante em que por vezes ganhamos e outros somos derrotados. No entanto, só se levanta quem não desiste de lutar, quem compreende que ser derrotado numa batalha não é o mesmo que perder a guerra.

Por vezes, temos momentos difíceis e sentimos vontade de desistir, deixar tudo, afastarmo-nos dos amigos, desaparecer, nem que seja só por uns dias... Outras vezes, queremos acreditar que tudo vai correr bem e projetamos nas pessoas essa ideia, mas na verdade não passa de uma "mascara" pois, sabemos que o resultado não será alcançado assim tão facilmente. Quando nos damos conta deste conflito interno, questionamos a nossa existência.

Assim, devemos pensar que todos à nossa volta já pensaram em desistir em algum momento menos positivo das suas vidas, mas continuaram! Há sempre alguém com quem podemos contar e sabemos que o mais importante nesses momentos é acreditar em nós próprios, assumir-mos os nossos conflitos e admitir que estamos em crise é um passo muito importante para sairmos dessa fase mais confusa. Não vale desistir!

Neste sentido, devemos ser honestos com nós mesmos e assumir que precisamos de ajuda, nem que seja de alguém para ouvir as nossas angústias. Contudo, é necessário escolher com muito cuidado essa pessoa porque ser um bom ouvinte não é para todos!

Desta forma, temos que lutar para não sermos mais um derrotado nesta vida, aquela típica pessoa que se lamenta pelas noites mal dormidas, pelos sonhos abandonados e pelo fracasso das metas a que se tinha proposto. Nem aquele que acredita que a vida foi demasiado injusta consigo, aquela pessoa que pensa que o sol brilha apenas para os sortudos.

O caminho para conquistar a vitória poderá ser árduo e exigir sabedoria, perseverança e fé. Deste modo, não vale a pena nos lamentarmos pelas dificuldades que surgem na nossa caminhada ou pelas derrotas. É preciso levantar a cabeça e ir à luta hoje, amanhã e sempre, até conseguirmos alcançar os nossos objetivos.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

MADALENA IGLÉSIAS

ASSÉDIO SEXUAL

REGINA SARDOEIRA
"Assédio sexual: conjunto de actos ou comportamentos, por parte de alguém em posição privilegiada, que ameaçam sexualmente outra pessoa." (https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa)

Tenho-me sentido literalmente aturdida com as notícias, atitudes e comportamentos propalados pelos meios de comunicação social referindo casos de mulheres vítimas de assédio sexual. 
Analisemos detalhadamente a expressão "vítima de assédio sexual".
Uma vítima é, por definição, aquele/a que é sacrificada/o ao interesse de outrem; o assédio é um acto de cerco, de pressão sobre alguém; o adjectivo sexual diz, obviamente, respeito à prática (ou intenção de prática) do sexo. Logo, essas mulheres que agora se expõem mediaticamente, foram, em qualquer momento das suas vidas, sacrificadas aos interesses de outrem, através de actos de cerco ou de pressão, tendo por objectivo a intenção ou a prática de sexo. 
As actuais notícias envolvem, principalmente, as mulheres do meio cinematográfico, especificamente em Hollywood. Elas são, maioritariamente, actrizes e os prepertadores do cerco, os que com elas contracenam - os actores - e ainda realizadores, entre outros possíveis. 
Nada ouvi ou li acerca de vítimas masculinas do referido assédio; presumo, assim, que nesse meio específico, os homens detêm o poder e a força capazes de fazerem o cerco e activarem a pressão sobre mulheres impotentes e/ou submissas, incapazes de se defenderem.
Custa - me assumir que os homens da indústria cinematográfica tenham um tal poder sobre as mulheres do seu meio; ao mesmo tempo, repugna-me aceitar que as alegadas vítimas sejam desse modo impotentes e/ou submissas.
Sabemos (ou deveríamos saber) que homens e mulheres apresentam evidentes diferenças do ponto de vista físico, psicológico ou emocional. Exprimem essas diferenças também no campo sexual sendo que, por peculiaridades anatómicas objectivas, o homem é aquele que possui o órgão da penetração enquanto a mulher deve abrir - se para o receber. Logo, numa perspectiva básica, o homem é activo e a mulher passiva; o homem fende, a mulher deixa-se fender. 
Culturalmente, o papel do homem e da mulher foi - se alterando. Diz-se que, hoje, as mulheres são emancipadas e o seu estatuto humano, em tudo o que concerne ao termo "humano", é equivalente ao dos homens. Porém, no campo da sexualidade, nada mudou: o órgão sexual masculino continua a ser de ataque e o da mulher de receptividade. 
Reduzamos o problema à sua dimensão simples. Se uma mulher se queixa de assédio sexual isso pode significar que ela, mostrando - se receptiva ao homem, por múltiplos sinais, não aceita, depois, o ataque masculino e, caso ele avance, movido por impulsos da sua específica natureza, ela mostra - se ofendida e rejeita -o. 
De que modo pode uma mulher mostrar - se receptiva, sexualmente falando?
Vejamos. Uma mulher que se apresenta vestida e arranjada de modo a exibir o corpo e os seus atractivos físicos, assumindo posturas e gestos de suposto convite aos homens, presentes no seu raio de acção, mesmo que disso possa não ter uma consciência nítida ou que afirme ser esse comportamento um direito seu e que, se assim procede, é porque lhe agrada, está, na prática, e atendendo à idiossincrasia masculina, a fazer um convite. "Estou a mostrar - te o corpo para que tu avances!" - eis a mensagem que transita da mulher para o homem, obliterado o factor cultural.
Ao longo dos tempos foi sempre esta a dinâmica sexual entre homens e mulheres. A mulher quer um homem; e logo faz apelo aos seus dotes físicos, potencia - os, e procura um local onde tais atributos possam chamar a sua atenção. Pode acompanhar a exibição física com um conjunto de posturas e de sinais e dirigi - los para um ou vários alvos seleccionados os quais lhe corresponderão, abordando - a e fazendo o jogo recíproco. 
Agora imaginem uma mulher que não deseja um homem, mas, mesmo assim, arranja - se de modo a realçar os seus dotes físicos, assume posturas, tidas como provocantes, e dirige - se a um local de diversão onde se confunde facilmente com o outro tipo de mulheres. Se os homens tentarem a aproximação, reagindo ao que julgam ser sinais inequívocos de oferta, terá a mulher visada razões objectivas para se considerar assediada? 
Pelo que me é dado observar, a oferta e a procura recíproca no campo sexual são explícitas, de dia ou de noite, na rua ou em locais de diversão públicos. São - no ainda no plano virtual, de múltiplas maneiras, já que as mulheres (e também os homens) ostentam a sua figura, publicando fotografias e videos e aceitam, com prazer, os elogios. Muitas delas darão continuidade, em privado, aos actos de sedução que protagonizaram publicamente (porque na Internet não há privacidade).
A minha questão é : de que modo essas queixosas de Hollywood se expuseram aos homens para possibilitarem o assédio de que agora se queixam? 
As mulheres poderão afirmar que, se são belas, atraentes, vistosas, etc. e o exibem, realçando os dotes, com vestuário revelador, maquilhagem, etc. , estão no seu direito e ninguém deve criticá - las; os homens, pelo seu lado, irão ver nessa exibição um convite subliminar à luxúria. 
Muitos serão capazes de se conter, resistindo. Outros acharão que, perante o convite, mais ou menos explícito, devem arremeter, sob pena de verem a sua masculinidade posta em causa - de si para si mesmos, perante os outros homens e mesmo aos olhos dessas que se exibem.
Uso o termo "exibem" com plena consciência. É que vivemos na "sociedade do espectáculo" ( Guy Debord , 1967) e também na "civilização do espectáculo" (Mario Vargas Losa, 2012), pelo que quase todas as atitudes de quase todos os humanos trazem essa marca. São espectáculo. 
E agora vejamos: têm as mulheres direito a exibir a sua feminilidade, potenciando os atributos, de modo a fazerem jus ao padrão vigente da beleza, por ele estabelecida ( esse mesmo padrão decorrente de uma multiplicidade de espectáculos de exibição )? Numa sociedade livre e democrática, mesmo sendo "a sociedade do espectáculo" têm, evidentemente; e, se essa atitude for muito importante para a sua afirmação, como mulheres, se daí depender o equilíbrio fisico/emocional da pessoa, sem dúvida! 
E os homens, vejamos também : podem observar o espectáculo (ou seja, as mulheres que, desse modo, exibem atributos ), aplaudir como em qualquer espectáculo, tentar ver de perto, ainda como num espectáculo, chegar à fala, tocar, quem sabe, como aqueles que tudo fazem para sentir a textura e o calor daquela/e a cujo espectáculo assistem? 
Como estamos a falar de espectáculo e todos estes gestos e actos são válidos em espectáculos, é evidente que (por muito que custe admiti-lo) os homens, da mesma sociedade livre e democrática em que se movem as mulheres, antes referidas, podem fazer tudo isto! 
Entretanto, mudemos um pouco a óptica desta análise. 
Se as mulheres podem exibir - se de um modo que sabem ir provocar comportamentos de admiração, regozijo, entusiasmo, excitação, etc. vindos do lado masculino, precisam de estar preparadas para lidar com essas atitudes. Tal preparação variará consoante a personalidade da mulher visada, oscilando entre a indiferença, o regozijo, a vaidade, o incómodo, a repugnância, a preparacao física(para atacar, em última instância ), etc. Em função do seu carácter, a mulher poderá lidar com isso, naturalmente, sabendo que agrada e aceitando as consequências, mudar os seus hábitos, para ser deixada em paz, sentir-se ofendida e fazer queixa às autoridades, achar que está a ser vítima de assédio, etc. 
Creio que, exactamente, o que está a passar - se com as actrizes de Hollywood se enquadra neste ponto: elas, pela inevitabilidade da profissão, por necessidade intrínseca, por precisarem de chamar a atenção sobre si num meio onde a imagem vale muito, foram aceitando as reacções, mais ou menos exuberantes dos colegas e de outros ligados à indústria do cinema (notem este termo que aqui utilizei: indústria). Com efeito, o cinema é considerado uma arte, enquanto arte rege - se por parâmetros comuns a outras actividades artísticas; mas é também, decerto de modo esmagador, uma indústria. Enquanto indústria, produz filmes cuja matéria - prima são os actores/actrizes, guiados por realizadores e envolvendo todo um conjunto de pessoas (basta ler o genérico do pior ou do mais insignificante dos filmes para ter uma ideia desse conjunto.). Enquanto indústria, visa o lucro e, por essa razão, necessita que a matéria - prima seja rentável; quanto mais "espectacular " for o produto, no todo e nas partes, mais rende.
Logo, todas essas mulheres ofendidas, agora, precisaram, há alguns anos, de exibir os seus dotes no que diz respeito à imagem, em primeiro lugar, para chamarem a atenção do dono da empresa; depois, o talento ou o trabalho impuseram - nas, a ponto de já não precisarem de expor-se tanto. E mesmo actrizes sem talento, mas com boa imagem, entraram na indústria para representarem papéis em filmes medíocres ou maus, na medida em que expuseram os seus dotes físicos. 
Os seus colegas e outros elementos ligados à indústria reagiram aos encantos delas, e fizeram -no de muitas maneiras. Muitos juntaram - se - lhes, foram viver com elas e tiveram filhos, outros casaram e também tiveram filhos, delas, alguns ( ou muitos) galantearam - nas, sem sucesso, outros com sucesso e, no meio de toda essa complexidade relacional de uma indústria complexa, certamente houve comportamentos inadequados, de parte a parte. Ou seja: dos homens que foram longe demais e das mulheres que aceitaram essa viagem para obterem privilégios, somente. 
Quanto ao designado assédio sexual que tanto alardeiam agora, destruindo a reputação daqueles a quem, antes, permitiram liberdades para conseguirem estatuto, creio que será, somente, residual.
Obviamente existe assédio sexual. Obviamente não é agradável ser vítima dele. Obviamente que ser cercada/o por um homem ou mulher, porque a questão não pende só para um lado, perseguida/o, eventualmente tocada/o, contra a vontade é muito constrangedor. Mas não podemos esquecer - nos de um facto.
Por mais civilizada que seja a espécie humana, os instintos não a abandonaram. Estão presentes em cada ser humano, todos. O impulso sexual é um instinto básico, primário, portanto. Um homem ou uma mulher acometidos pelo desejo sexual perdem, total ou parcialmente, o discernimento racional. Nessa altura comportam - se como seres animais que, efectivamente, são. 
Pode objectar-se que a cultura, o pensamento, a moral, os bons costumes (...) devem exercer o seu controlo sobre a animalidade subjacente a cada ser humano e impedir este e muitos outros comportamentos reprováveis. "Devem", reparemos neste verbo "dever"; mas, inúmeras vezes, o dever não vence o instinto. 
E é por isso que existe assédio sexual, violência doméstica, violação, pedofilia, homicídio, guerra, tortura, e tantos outros crimes humanos, apenas humanos ( porque os designados animais irracionais não cometem, nunca, crimes) e só terminarão quando a racionalidade puder vencer a animalidade por completo e o homem estiver, de facto, inteiramente de posse da sua humanidade. E quando escrevo "homem" incluo nesta designação, a mulher.

CAVALEIRO ANDANTE

ELISABETE SALRETA
A nossa sociedade esconde, por vezes, verdadeiras novelas verídicas e passadas em tempo real. Quando se lêem histórias romanceadas sobre nobres cavaleiros da idade média, falam-se sempre nas donzelas que os aguardavam durante tempos infinitos e iam alimentando os seus amores platónicos, lendo outras histórias, olhando as estrelas das torres cimeiras dos castelos dos senhores feudais. Eram sangue suor e lágrimas, em nome de uma qualquer honra e donzelas que desperdiçavam as suas vidas a chorar pelo seu cavaleiro que tinha abalado para a guerra e tanto demorava a voltar. E haviam as velhas alcoviteiras que tratavam de fazer de um tudo para que o suporte desses amores tremesse ou que a virtude da donzela fosse beliscada. Eram almas frustradas que bebiam a negatividade, que viviam do sofrimento, porque elas próprias não souberam ser felizes.

Foram tempos tão cruéis que desenharam no ADN humano uma assinatura inteligível e que perdura até hoje. E é transversal às espécies.

Mia chora de amores pelo seu cavaleiro andante. Procura-o numa luta incessante contra si própria, numa jornada sem um fim à vista. Pergunta a todos por onde passa, se o viram e quando chegará. É louvável a sua dedicação, altruísta, que sem perder o folego, calcorreia as redondezas por horas a fio.

Caminha quilómetros, numa ansia muda, com o seu coração apertado, mas cheio de esperança. A cada curva do caminho, pergunta pelo seu amor. Chama-o num balbucio só dela. Sente-se a sua dor ao ouvir aquela lengalenga que nos faz ter vontade de o procurar também.

Depois encosta-se à vizinha que a olha com desdém e que lhe grita impropérios, mas mesmo assim não a fazem desistir. Por vezes os gritos são acompanhados de uma chapada. Louca, a velha, com tanto desdém por já não acreditar no amor.

Mia continua a sua busca, demorando-se na próxima encruzilhada. Olha o vazio, pois os seus olhos não veem, mas o seu coração sente. E sempre que sente gente pergunta pelo seu amado. Essa incansável sofreguidão, mostra o seu valor, o seu intimo, a sua perseverança por um amor que não chega, que não a abraça, que não acalenta a sua dor. Mesmo assim, o caminho sem volta do enamoramento, dita o sentido dos seus passos e a cada metro percorrido, canta mais um verso daquele poema maldito que se vai tornando vazio e sem sentido.

Quando as suas pernas se recusam a dar mais um passo, pede arrego ao seu amigo de sempre. Descansa junto a ele, até que o seu cavaleiro volta a ensombrar os seus sonhos e ela retorna à sua infindável caminhada….

A gata Mia está com o cio!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

QUEM SOU EU?

RITA TEIXEIRA
Uma vítima de uma doença rara e fatal: Esclerose Lateral Amiotrófica. 

Uma fortaleza que declarou guerra à doença, por mais um tempo de vida, mesmo sabendo que ela será a vencedora na batalha final. 

Uma teimosa que insiste em fazer tudo por tudo para ultrapassar os obstáculos, que encontro ao longo da caminhada da minha vida. 

Uma valente porque, dentro da minha fragilidade, quedo me nas encruzilhadas da vida, mas não desisto e volto a reerguer me, porque desconheço a palavra "desistência". 

Uma prisioneira num corpo imprestavel, totalmente dependente de outros, impedindo me de ter uma vida para além das quatro paredes da.casa, excepto as saídas para a clínica de fisioterapia. 

Uma sonhadora que sonha com o simples e viável, que se torna impossível e, mais tarde, vira uma utopia. 

Uma sincera que acredita que as relações devem assentar na verdade, na confiança e na reciprocidade, sendo fiel aos meus amigos e familiares. 

Uma hipócrita que esconde "certas verdades", para ter alguma paz, evitando recriminações, julgamentos. 

Uma crente que Deus está e estará sempre a meu lado, nos bons e maus momentos. Acredito que em certas situações, Ele dá sinais da sua presença que não permitem que eu desista de sorrir para a vida.

GOTA OU ARTRITE GOTOSA

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Conhece a doença designada por DOENÇA DOS REIS?

São conhecidos registos da doença desde há muitos séculos antes de cristo. A acumulação de cristais nas articulações é a causa da gota e da pseudogota, caracterizadas pela inflamação articular (artrite) e dor. Nas duas doenças acumulam-se diferentes tipos de cristais.

GOTA OU ARTRITE GOTOSA

O que é?

A gota é uma doença reumática inflamatória resultante da deposição de cristais de urato monossódico (forma de acumulação de ácido úrico) no sangue e provoca inflamação das articulações devido a um valor de ácido úrico anormalmente alto no sangue (hiperuricemia).

O seu aparecimento caracteriza-se por ataques repentinos e recidivantes: pode ser devido á produção excessiva de ácido úrico no organismo ou dificuldade na eliminação do referido ácido.

É mais prevalente em homens, sendo muito rara em mulheres antes da menopausa e tende a ser mais aguda nos indivíduos que desenvolvem os sintomas antes dos 30 anos. A inflamação articular pode tornar-se crónica e deformante depois de repetidos ataques. Quase 20% dos que padecem desta perturbação desenvolvem cálculos renais. Os valores de ácido úrico aumentam de forma anormal quando os rins não o excretam em quantidade suficiente. Por outro lado o organismo também pode produzir uma grande quantidade de ácido úrico, em virtude de uma anomalia enzimática hereditária ou de uma doença como o cancro no sangue. Alguns tipos de doenças do rim assim como certos medicamentos deterioram a capacidade dos rins para excretar o ácido úrico.

QUAIS OS SINTOMAS?

Os ataques de gota podem ser desencadeados por uma lesão insignificante, pelo consumo de grandes quantidades de álcool ou de alimentos ricos em proteínas, pelo cansaço, stress emocional ou por uma doença; estes episódios de dor aparecem de forma súbita numa ou mais articulações sobretudo durante a noite. A articulação incha e a pele circundante torna-se vermelha ou purpura, tensa e brilhante, com sensação de calor e produz muita dor ao tacto.

Esta perturbação afeta com maior frequência do primeiro dedo do pé causando um processo designado por podagra, mas também pode afetar o dorso do pé, os joelhos, os pulsos, os cotovelos e as orelhas. Os cristais podem formar-se nestas articulações situadas perifericamente porque estas estão mais expostas ao frio e os uratos tendem a cristalizar-se a baixas temperaturas. Outros sintomas de artrite gotosa podem ser febre, calafrios, sensação de mal estar geral e aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia).

DIAGNÓSTICO


O diagnóstico da gota baseia-se na observação dos sintomas característicos e no exame na articulação. Um excesso de ácido úrico no sangue apoia o diagnóstico no entanto durante um ataque agudo os valores são frequentemente normais. O diagnóstico confirma-se mediante a recolha dos cristais de urato da articulação e examina-se com um tipo especial de microscópio que utiliza luz polarizada.

TRATAMENTO

O primeiro passo consiste em aliviar a dor controlando a inflamação através de medicação (AINE) e imobilização da articulação inflamada mediante ortóteses digitais ou plantares (www.centroclinicodope.pt) se a crise se manifesta no pé ou joelhos.

O segundo passo consiste em prevenir as recorrências; pode ser suficiente beber muitos líquidos, evitar bebidas alcoólicas e ingerir pequenas quantidades de alimentos ricos em proteínas. Muitos indivíduos apresentam excesso de peso e com a perda do mesmo os valores de ácido úrico tendem a voltar à normalidade.

ORTODONTIA E O MAU POSICIONAMENTO DENTÁRIO

INÊS MAGALHÃES
A Ortodontia é a área da medicina dentária que se dedica à prevenção e à correção das más posições dos dentes, bem como dos maxilares.

A movimentação dentária é feita através de forças leves exercidas pelos aparelhos sobre os dentes, que promovem a transformação do osso que os rodeia.

Os problemas ortodônticos podem ter diversas causas:

· Genéticas – quando as alterações são herdadas dos pais ou irmãos, que também demonstram ter esse mesmo problema;

· Ambientais – hábitos normalmente adquiridos na infância, como o chuchar no dedo, respirar de boca aberta ou a perda precoce dos dentes de leite, que vão provocar alterações dento-maxilares;

· Genética + Ambiente – combinação de causas herdadas em conjunto com hábitos repetidos.


Quanto mais cedo estas alterações forem detetadas, mais fácil e mais rápido é a sua correção. Contudo, em qualquer idade é possível efetuar um tratamento ortodôntico, variando a duração e a complexidade do mesmo em função do problema apresentado.


Este tratamento trás vários benefícios, tais como:

· Melhora a estética da face e do sorriso, com o consequente aumento da autoestima e facilidade de inserção social;

· Correto alinhamento dos dentes, tornando possível uma melhor higiene dentária e diminuição do risco de cáries e problemas nas gengivas;

· Boa função mastigatória, muscular e da articulação dos maxilares com benefícios em termos de saúde e bem-estar geral.

Atualmente existe uma grande variedade de aparelhos fixos e removíveis especialmente concebidos para movimentar os dentes e os próprios maxilares para as posições desejadas.

No entanto, qualquer que seja o aparelho utilizado, os cuidados de higiene orais devem ser reforçados, uma vez que estes aumentam a retenção de placa bacteriana durante o tratamento. Por este motivo, os dentes deverão ser escovados depois de todas as refeições (incluindo lanches), utilizando uma pasta fluoretada e uma escova ortodôntica.

domingo, 14 de janeiro de 2018

SÍNDROME DE NOÉ

SUSANA FERREIRA
O "Síndrome de Noé" mais conhecido por "Acumulação de animais" é uma patologia grave e que deve ser tratada com cautela e por profissionais devidamente qualificados. Os "acumuladores de animais" são pessoas que se preocupam verdadeiramente com os animais, pessoas com boas intenções. No entanto, não conseguem virar costas a mais um cão/gato abandonado, ferido, a passar fome e frio. No pensamento destes "acumuladores" é só mais um. Onde cabem três cabem quatro, onde comem três comem quatro. Mas depressa passam a 6, 7, 10, 15, 20 ... O que no início era um lugar melhor que a rua, passou a ser um local demasiado pequeno e sujo. A comida não chega para todos. Existe um cão com sarna, um gato com dermatofitose. Ali no canto está um insuficiente renal a precisar de cuidados médicos. E aquela gata que ainda não foi esterilizada e tem ninhadas sucessivas? Estarão estes animais melhor na rua ou nestas casas descontroladas? É necessário denunciar estes casos e ainda mais importante criar estruturas com profissionais capazes de ajudar os "acumuladores" e os animais resgatados por estes. Estejam atentos aos vossos vizinhos, amigos, conhecidos e se identificam sinais compatíveis com esta doença, comuniquem às autoridades competentes (SEPNA). Inconscientemente os animais resgatados por essas pessoas precisam ser salvos, precisam da vossa ajuda para poderem receber a assistência Veterinária necessária.

CRIANÇAS ESPECIAIS: O OUTRO LADO DA DEFICIÊNCIA

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
Quem como eu tem a sorte de ter filhos saudáveis, muitas são as vezes que esta realidade, lamentavelmente, nos passa um pouco ao lado.

Há umas semanas tive uma consulta num Hospital Central da cidade do Porto e, enquanto esperava para ser atendida, apercebi-me de uma criança que pela sua estatura teria entre os dez e os doze anos, muito agitada, nitidamente amedrontada, que sempre que ouvia o interfone, se levantava da cadeira e deambulava pela sala de espera emitindo sons desconexos, porque não conseguia expressar-se numa linguagem correta.

Aquela criança sabia exatamente a causa de ali estar e nem o facto de ser uma simples consulta de oftalmologia a sossegava, os olhares ansiosos que lançava para os gabinetes de exame mostrava quanto os receava.

Mantive-me sentada, como todos que esperavam pela sua vez, e então, por um momento encontrei o olhar daquela mãe. Não desviei o olhar, ela também não. Tinha um olhar sereno, resignado, mas sem brilho. E continuou, pacientemente, a tentar acalmar o filho, abraçando-o. Em circunstâncias idênticas, eu entretive os meus filhos lendo-lhes histórias ou fazendo jogos de palavras.

E sem dúvida que o que mais se sensibilizou naquela tarde foi e expressão de resignação e impotência de quem não consegue, numa linguagem normal, chegar até ao entendimento de uma criança especial.

Às pessoas que, cheias de boa vontade tentavam ajudar com palavras: “não tenhas medo, ninguém te faz mal”. Esta mãe olhava com indulgência, tipo, “obrigada pela tentativa, mas ele não entende as palavras” e continuava com o rapazinho colado ao peito. Quase sempre em silêncio, apenas o abraçava.

Entretanto, a criança foi chamada para a sala do primeiro exame. Nada de especial para nós, apenas uns simples exames indolores, mas tal era a agitação do menino que não conseguiram efetuar o exame e foi levado diretamente para o gabinete de consulta. A agitação aumentou e entre as vozes do pessoal médico, sobressaia a voz calma da mãe. De seguida foi retirado para outro gabinete e os gritos continuaram…

Chegou a minha vez de ser atendida e durante todo o tempo em que estive na consulta, continuei a ouvir os protestos da criança, agora mais espaçados e débeis. Imagino que tenha sido necessário sedá-lo… E fiz o percurso até casa a pensar no quanto sou sortuda pelos filhos que tenho.

Mas também no quanto admirei aquela mãe, que manteve sempre a mesma postura calma e terna na forma como lidou com o filho. Uma criança especial!

SABER VIVER A VIDA

CARLA SOUSA
Nem todos podem dar-se por satisfeitos na mudança de um ano para o outro.

É quase obrigatório fazer o balanço do que foi feito e do que ficou por fazer.

Refletimos sobre nós, sobre os outros e sobre a vida em geral.

As conclusões, por vezes, podem ser ou, parecer, autênticos murros no estômago... 

E?! Se não se fez quase nada?! E, se a distância entre o que se desejou e o que se concretizou for enorme?!

É importante haver lugar para o sonho e ambição mas, também para a sua realização.

O ano tem 365 dias e passa a correr... Mais um verão, mais um inverno, mais um aniversário, mais um casamento, mais um nascimento, mais um funeral...

Tudo passa a correr. Normalmente quando fazemos o que não gostamos queixamo-nos do contrário.

Usa-se demasiado o verbo procrastinar... Adia-se... Adia-se e adia-se... Quer ser feliz... Mas adia... e adia...

Ao adiar a resolução dos problemas e, ao abrir mão de fazer o seu caminho para trabalhar os projetos, vai-se adiando também a felicidade. A felicidade está presente na realização e na estabilidade.

Com que frequência ouvimos dizer: “para o ano vai ser diferente?”. - Muitas vezes! 

Queixamo-nos das promessas que não são cumpridas por parte dos outros e, acabamos por pôr o empenho de parte nas nossas coisas.

Por vezes queremos só sentir que podemos sonhar e, na prática estão presentes: a cobardia, a acomodação, a preguiça e uma grande dose de medo. Medo de mudar.

Lute por se sentir amado, seguro, desejado, realizado, confortável e apegado a algo (pessoas, animais, coisas, projetos...).

Abdique neste novo ano de estar demasiado tempo triste, ansioso, nervoso e desmotivado.

É saudável ter os seus cinco minutos de “drama”, de tristeza, ansiedade, medo, etc., aqui e ali. Mas continue. Siga em frente e não pare (a não ser que esteja confuso e precise de pensar). Não fuja, contorne os obstáculos, acabe o que tem de acabar e para acabar (trabalho, relacionamentos..) assuma compromissos, saiba dizer “não” e... vá sendo feliz!!!!

Ano novo vida, vida nova. Saiba ser, viver e fazer.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

AINDA AS COMPRAS DE NATAL

JOÃO RAMOS
Na época natalícia são gastos milhões de euros em presentes, o que nos leva a perguntar, se essa despesa contribui para um mundo melhor. Do ponto de vista económico, os indivíduos que oferecem as prendas possuem um conhecimento imperfeito relativamente aos gostos e necessidades dos seus colegas ou familiares, levando a que estes, em muitos casos, atribuam um valor monetário ao presente, inferior, ao gasto na sua aquisição, constituindo esta diferença, aquilo a que os economistas chamam de “peso morto”. Este montante pode atingir, entre 1/10 e 1/3 dos custos das ofertas, segundo as estimativas da Universidade de Yale. No entanto, introduzindo o valor sentimental dos presentes, como o fez a Universidade de Chicago, existe um excedente para o consumidor, ou seja, uma avaliação acima do preço de venda, de 20% a 30%. Neste sentido, parece existir uma justificação consciente para os gastos natalícios, uma vez que estes proporcionam um bem-estar físico e emocional a toda a sociedade. Além disso, e como está devidamente documentado em estudos, os indivíduos que despendem um maior montante em presentes durante épocas festivas, tendem a gozar de um maior estatuto social, o que se reflecte em ganhos tangíveis, como a capacidade em realizar negócios mais lucrativos e alcançar melhores empregos durante o ano. 

Quando chegamos à altura do natal, muitas vozes se levantam- incluindo o Papa Francisco- criticando o despesismo e a descaraterização do conceito desta época festiva, sobretudo associado a uma procura desenfreada pelo consumismo e materialismo. Ao contrário do que muitos advogam, a troca de prendas no natal faz parte de uma tradição comunal de celebração e de amor ao próximo, que se manifesta de várias formas, em função dos grupos sociais. Mais do que nos preocuparmos com os gastos dos indivíduos, devíamos, isso sim, celebrar a possibilidade de desfrutar uma quadra, desta importância em tempos de paz social e relativa prosperidade.

VIDA ASSISTIDA... DE AMOR

JOSÉ CASTRO
Tem estado em discussão a dita “Morte Assistida” quer através dos respetivos movimentos a favor ou contra, nos meios de comunicação social, quer nos debates a pedido do Excelentíssimo Presidente da República ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) em vários locais do País e finalmente por parte de algumas forças políticas na Assembleia da República. 

Tive o prazer de ter como Professora na Universidade do Minho, a Doutora Laura Ferreira do Santos que foi uma das pioneiras na defesa da Morte Assistida, tendo criado o Movimento Direito a Morrer com Dignidade. Foi uma professora exemplar e ficarei eternamente grato por tudo o que aprendi com ela (currículo oculto). Sobre este assunto comunicávamos frequentemente quer nas redes sociais, quer, na sua fase final, via telefone.

Nos debates a que tenho assistido constata-se que os argumentos a Favor ou Contra são baseados em “dogmas” que por muito interessantes que sejam, carecem de quaisquer evidências, o que impede a sua compreensão. Uns assentam no paradigma religioso/espiritualista, mas dogmático, e os outros no paradigma materialista/niilista mas igualmente dogmático. A juntar a tudo isto, também se constata uma polarização e radicalismo de posições SIM ou NÃO, onde por vezes se chega ao ataque pessoal, desviando-se da essência do assunto.

A título de exemplo, verifica-se que o SIM para a despenalização, baseia-se (entre outras) na seguinte premissa:

“A eliminação de profundo sofrimento físico ou psicológico sem esperança de cura ou de alívio razoável.”

Qual o fundamento ou a evidência que a Morte (assistida ou não) elimina o sofrimento (que vai para além da dor meramente física!)?

Do lado do NÃO vemos como argumento “A vida é inviolável e sagrada e só Deus poderá decidir quando esta termina”. Será mesmo assim?

A Doutora Laura Ferreira do Santos, quer em debates televisivos quer a mim próprio, aquando das nossas “discussões saudáveis” sobre o assunto, dizia que uma afirmação carece sempre de um fundamento!

Curiosamente, não me revejo totalmente em nenhuma das propostas que se conhecem. Todos têm “razão” com os dados que têm, mas estes são excludentes. É necessário ir mais longe!. 

Perante este dilema de argumentos ilógicos e/ou refutáveis (alguns), para os dois lados, teríamos alegadamente aqui um empate técnico! Que fazer?

A minha proposta é ir mais além! Promover a investigação que falta para fazer e a consequente!

Uma qualquer “verdade” sobre um assunto, ainda que relativa, terá de ter a confirmação e a participação de todas as áreas do saber humano, para evitar o que muitos sofram em silêncio, de dissonância cognitiva.

Quando somos chamados a decidir sobre um assunto, Morte Assistida” será interessante obter a maior informação sobre a mesma e com base no raciocínio lógico, evidências científicas e inspiração (tipos fundamentais de conhecimento segundo Ken Wilber), e optar pela proposta que conduza a mais ética. Pois não há Ética sem Amor, nem Amor sem Compaixão.

É pois necessário subir no patamar do conhecimento, ao nível mais profundo do “Eu”, da “Consciência” e da “Espiritualidade”. Não se trata de anular conhecimentos até agora adquiridos no campo da matéria (cada vez menos matéria, que o digam os neutrinos!), mas sim complementar com o conhecimento das áreas da espiritualidade, do desenvolvimento transliminar. É preciso promover investigação séria (Laboratório de Interação Mente-Matéria de Intenção Terapêutica; BIAL, Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência, etc), credível, pois como infelizmente sabemos, esta temática do conhecimento da morte e pós morte, dá azo a muita fraude, alucinação e precisamos de Idiofania Paranormal Verídica.

Na Declaração de Veneza, no colóquio “A Ciência Diante das Fronteiras do Conhecimento”, pode ler-se:

“O conhecimento científico, devido a seu próprio movimento interno, chegou aos limites em que pode começar o diálogo com outras formas de conhecimento. Neste sentido, reconhecendo as diferenças fundamentais entre a ciência e a tradição, constatamos não sua oposição, mas sua complementaridade. O encontro inesperado e enriquecedor entre a ciência e as diferentes tradições do mundo permite pensar no aparecimento de uma nova visão da humanidade, até mesmo num novo racionalismo, que poderia levar a uma nova perspetiva metafísica. (…) O estudo conjunto da natureza e do imaginário, do universo e do homem, poderia assim nos aproximar mais do real e nos permitir enfrentar melhor os diferentes desafios de nossa época”.

Assim, é preciso ir mais longe, o dogmatismo religioso e o materialismo científico têm que dar lugar ao estudo multidisciplinar, neste caso, sobre a morte (biológica), e para lá da morte (biológica), de forma ética e neutra. Munidos dos novos dados inclusivos, será possível opinar sobre o assunto. Enquanto tal não ocorrer, qualquer decisão é “manca”!

Esta é a reflexão que falta a nível científico! Esta é a reflexão que falta a nível “espiritual”. Com “novas” informações inclusivas, baseadas em evidências científicas, teríamos sim fundamentos para conscientemente optar por uma das alegadas soluções!

É esta a reflexão que tenho feito aos longos dos anos e que me permite promover a VIDA ASSISTIDA DE AMOR, para todos os Seres, em qualquer Espaço/Tempo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

VAMOS CANTAR AS JANEIRAS

“Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos […]”
Zeca Afonso




ANABELA BORGES
 Quando eu era pequena, só os narizes gelados, só os queixos gelados, os dentes gelados, as mãos e os pés gelados podiam dizer da magia que assomava aos nossos olhos crentes de criança, num brilho especial; só as bochechas coradas do entusiasmo, e o fumo que saía das bocas, bafo quente, na noite escura do fundo dos tempos, noite sempre misteriosa e fria, noite longa, interminável, a despontar da luz própria de Janeiro, enluarada, promessa de Primavera.

A geada caía, num silêncio renovado, quebrado pelas nossas vozes, ora mais afinadas ora mais esganiçadas, às vezes espaçadas em cadências incertas, desvairadas, umas vozes a seguirem outras vozes, perdidas na noite, como numa imitação incessante.

Os instrumentos eram do mais genuíno improviso que a ocasião conseguisse produzir: uma guitarra de acordes destemperados, uns ferrinhos tiritantes e um realejo desaustinado que nenhuns dos nossos beiços sabiam tocar com jeito de melodia.

Mas o mais interessante era quando a dona Arminda nos emprestava os batuques que o seu genro trouxera de África. Isso sim, isso fazia de nós o grupo mais espantoso de cantadores de Janeiras nas redondezas. Era uma circunstância tão inusitada, que parecia que o som daqueles batuques transportava as pessoas para lugares só imaginados, e parecia que as deixava anestesiadas a olhar para nós, sem nos verem, como se olhassem para o fundo da noite, antes de soltarem as moedas que haviam de tlim-tilintar ao cair no gorro preto que fazia de saco. O som dos batuques a perder-se na imensidão da noite, a arrastar ventos que se sonhavam mornos, a agitar o verde de uma vegetação impossível de ser real e a provocar restolhares de bichos nunca antes vistos, o som que enfeitiçava tudo e dava às nossas Janeiras uma magia, que era como uma cisma a perdurar sobre os telhados brancos de Janeiro; África inteira metida no som aqueles batuques, uma África só imaginada, a espreitar o gelo de Janeiro.

Até hoje, eu continuo a acreditar que as Janeiras têm uma magia especial, uma tradição que eu gosto que se mantenha.

Todos os anos recebo em minha casa o rancho folclórico da minha freguesia. As portas abrem-se de par em par, as luzes da casa acendem-se, e aqueles cantares ecoam na noite, rua abaixo. É sempre um cantar dedicado ao Menino e ao advento do Novo Ano. É um cantar à moda do Minho, onde as vozes esganiçadas das cantadeiras mais gaiteiras sobressai do coro corado e dos fumos que se soltam das bocas no frio da noite.

Ouço-os com um imenso prazer. Por momentos, flutuo, deixo o espaço, a casa; vivo outras realidades, outros tempos.

É então que os meus olhos se perdem longe, no fundo da noite, na ilusão das vozes, a parecer-me que ouço os batuques africanos, a trazer para a rua a magia dos ventos mornos, dos verdes impossíveis e dos bichos que os rigores de Inverno do nosso Janeiro jamais conseguiriam suportar.

ALZHEIMER

VANESSA MIMOSO
A Doença de Alzheimer é o tipo de Demência que mais predomina.

Ao falarmos em Demência falamos de uma deterioração global, em que de forma gradual e lenta a pessoa vai perdendo capacidades ao nível do funcionamento. Regra geral, a demência aparece em pessoas com mais de 60 anos, porém, a demência não faz parte de um processo normal de envelhecimento pois à medida que a pessoa envelhece a perda de células cerebrais é um processo normal. Só que na demência, a perda de células cerebrais ocorre a um ritmo muito rápido o que afeta diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem e o pensamento) que leva a alterações no comportamento da pessoa.

A Doença de Alzheimer trata-se de uma doença degenerativa e que pode ter várias causas: sexo, fatores genéticos/hereditariedade, traumatismos cranianos, entre outros.

Inicialmente, as dificuldades ao nível da memória e a perda de algumas capacidades intelectuais, podem ser tão leves que passam despercebidas, tanto pela pessoa em causa como pelas pessoas que a rodeiam. Porém, à medida que a doença avança, os sintomas tornam-se mais evidentes e começam a interferir nos trabalhos/tarefas do dia a dia (vestir, lavar, ir à casa de banho) levando a pessoa a ficar totalmente dependente dos outros.

Focando-nos nos sintomas, há alterações ao nível da memória (dificuldades em recordar acontecimentos recentes; alterações na memorização do significado das palavras que permite às pessoas estabelecerem conversas com significado; e ainda, a perda de memória como conduzir os nossos atos, como por exemplo não saber como usar uma

faca ou um garfo). É também notória a incapacidade de realizar movimentos voluntários, como por exemplo atar os atacadores, apertar botões e abrir uma torneira. Dificuldade na compreensão da linguagem e perda da capacidade para falar, utilizando uma linguagem quantitativamente empobrecida. 

No geral, a pessoa com Doença de Alzheimer apresenta dificuldades em identificar/reconhecer os objectos e para que servem (por exemplo, usar um garfo em vez de uma colher), assim como deixar de reconhecer as pessoas. Chega a ver-se ao espelho e não se reconhecer como sendo o próprio.

Outros dos sintomas que podem ser observados são: deambulação (diurna e/ou nocturna); desorientação espácio-temporal; incontinência e comportamento agressivo. 

Relativamente à intervenção a pacientes com Alzheimer, esta deve ser uma intervenção multidisciplinar. Uma intervenção que reúna o tratamento farmacológico com o apoio psicossocial, terapia comportamental e reestruturação cognitiva, com o objetivo de retardar a sua dependência e abrandar a deterioração cognitiva.

Aconselha-se que sejam estabelecidas rotinas para o banho, assim como um horário fixo para as refeições e manter horários para o deitar e levantar. O contacto regular com caras conhecidas pode ajudar. Devem ser evitadas discussões e/ou confrontações por forma a não piorar as situações.

As demências são incuráveis, no entanto, deve existir uma intervenção bem planeada e estruturada com o intuito de proporcionar uma melhor qualidade de vida quer ao paciente, quer ao seu cuidador. Salienta-se que a intervenção junto do cuidador e/ou familiar é tão importante quanto a intervenção feita ao paciente (grupos psicoterapêuticos).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

EM DIA DE S.GONÇALO

PAULO SANTOS SILVA
É Dia de S. Gonçalo.

Passam hoje 756 anos que morreu o santo da devoção dos amarantinos, sendo no entanto comemorado em vários locais do Brasil e disputado por outras localidades em Portugal – quem nunca ouviu a expressão “o santo é nosso e o corno é vosso?”

Manda o rigor que se diga que Gonçalo, não é santo. O Beato Gonçalo terá sido alvo de três processos canónicos, visando a sua beatificação e canonização. Em 24 de abril de 1551, Papa Júlio III concedeu que se lhe tributasse culto público. O último foi aberto pelo então bispo da Diocese do Porto, D. Rodrigo Pinheiro, por comissão do Papa Pio IV, tendo a sentença de Beatificação sido promulgada a 16 de setembro de 1561 pelo representante da Sé Apostólica. Mais tarde o Papa Clemente X, em 10 de julho de 1671, estendeu a toda a Ordem dos Pregadores e a todo o reino de Portugal a concessão de honrarem este beato, um dos mais populares do país, com Missa e Ofício litúrgicos próprios. 

S.GONÇALO DE AMARANTE
Nascido em Tagilde (Vizela) no seio de uma família de linhagem nobre, terá efetuado os primeiros estudos com um sacerdote, como era usual naquela época. O arcebispo da Arquidiocese de Braga tê-lo-á tomado como seu familiar, e, sob o seu patrocínio, Gonçalo cursou as disciplinas eclesiásticas na escola-catedral da Sé arquiepiscopal, vindo a ser ordenado sacerdote e nomeado pároco da freguesia de São Paio de Vizela. 

Desejoso de visitar os túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo e os Lugares Santos da Palestina, obteve licença, deixou os seus paroquianos ao cuidado de um sobrinho sacerdote, e partiu em peregrinação primeiro a Roma donde passou a Jerusalém, onde se demorou 14 anos.

De regresso a Portugal, afirma-se que o seu sobrinho, além de não o aceitar e não o reconhecer como verdadeiro e legítimo pároco, escorraçou-o e conseguiu, mediante documentos falsos, provar ao então Arcebispo, D. Silvestre Godinho, que Gonçalo falecera, obtendo a nomeação como pároco da freguesia.

Gonçalo, resignado com semelhante atitude, deixou São Paio de Vizela e partiu, pregando o Evangelho até às margens do rio Tâmega. No local onde hoje se ergue a Igreja e Convento de São Gonçalo, em Amarante, de acordo com a tradição ergueu uma pequena ermida sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção, ali se recolhendo como eremita, consagrando o tempo à oração e à penitência, e saindo esporadicamente a pregar nos arredores.

Sentindo necessidade de encontrar um caminho mais seguro de modo a alcançar a glória eterna, Gonçalo jejuou uma Quaresma a pão e água e suplicou fervorosamente a Nossa Senhora que lhe alcançasse do Senhor essa graça. Afirma-se que a Virgem Maria apareceu-lhe e disse-lhe que procurasse a Ordem em que iniciavam o seu Ofício com a Saudação angélica ou Ave-Maria - a Ordem dos Pregadores ou Dominicanos.

Gonçalo dirigiu-se então ao Convento de Guimarães da Ordem dos Pregadores, recentemente fundado por Pedro González Telmo, apóstolo da região de Entre-Douro e Minho, o qual lhe deu o hábito e, uma vez feito o noviciado, admitiu-o à profissão religiosa. Após algum tempo deu-lhe licença para, com outro religioso, voltar ao seu eremitério de Amarante, continuando a sua vida evangélica e caritativa.

Durante o seu ministério Gonçalo operou muitas conversões, conduzindo o povo à prática de uma autêntica vida cristã, sem esquecer de os promover socialmente em muitos aspetos. Nesse particular sobressai a construção de uma ponte em granito sobre o Tâmega, angariando pessoalmente donativos em terras circunvizinhas e levando os moradores mais abastados a darem vultosas ajudas para as obras. O povo atribui-lhe muitos milagres ligados a esta construção.

Concluída a ponte, Gonçalo viveu ainda alguns anos dedicado à pregação e à vida de oração. Reza a tradição que Nossa Senhora lhe revelou o dia da sua morte para a qual se preparou com a receção dos Sacramentos da Igreja. O seu corpo, após a celebração das exéquias por sua alma, foi sepultado na ermida, continuando a efetuar-se muitos milagres, atribuídos à sua intercessão.

Mais tarde a primitiva ermida foi substituída por uma igreja. Sobre esta, em 1540, João III de Portugal determinou erguer o grandioso templo e convento que ainda hoje existe e que é monumento histórico da cidade de Amarante.

Fonte: Wikipedia

São várias as lendas associadas ao Beato Gonçalo. A escritora e professora Cidália Fernandes, compilou-as no seu delicioso livro “As pegadinhas de S. Gonçalo”, 2009 (ISBN 9789727706662). Aí poderá encontrar algumas das lendas associadas a São Gonçalo, que entre outro epítetos ficou conhecido como casamenteiro das velhas. 

Deixo-lhe uma das canções mais conhecidas que lhe foram dedicadas, sugerindo-lhe que equilibre este momento profano com uma visita ao túmulo de S. Gonçalo na Igreja com o seu nome. A título curiosidade dir-lhe-ei que a célebre imagem a quem se puxava o cordão para conseguir casamento, se encontra na Sacristia e que já não é permitido puxá-lo. Parece que algumas pessoas o puxavam com tanta força que o Santo esteve várias vezes para “cair abaixo do altar”…