sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

AFINAL O QUE É ISSO DE ANSIEDADE?

ISABEL PINTO DA COSTA
Ansiedade, podia escrever sobre ansiedade, começando com uma frase, minha, no entanto devido à ansiedade que as pessoas têm ao começar a escrever um artigo e eu não sou exceção vou optar por usar a definição de um autor muito conhecido Augusto Cury “Ansiedade é a Síndrome do pensamento acelerado”.

Nos dias de hoje quem não se encontra ansioso? Por circunstâncias de vida ou por receio de não corresponder às expetativas dos outros ou de si próprio! No entanto, é fundamental termos um diagnóstico assertivo para sabermos com que ansiedade estamos a lidar.

Pode ser ansiedade cognitiva ou motora ou ansiedade vegetativa (ativação fisiológica). Em cada uma delas temos sintomas específicos, para resolvermos este diagnóstico tão comum nos artigos de hoje. 

Se apresentamos uma ansiedade cognitiva (pensamentos ansiosos) ou motora, temos sintomas como preocupação e insegurança, sensação de perda de controle, movimentos bruscos, hiperatividade, descoordenação motora, sintomas que, por vezes, são confundidos com ataque cardíaco. Se por sua vez nós apresentarmos ansiedade vegetativa, temos uma ativação fisiológica alterada, que se carateriza com sintomas como: taquicardia ou aumento do ritmo cardíaco (palpitações; aperto no peito; tensão muscular que podem ser tremores ou agitação, suores frios ou quentes; sensação de falta de ar ou asfixia; náuseas; tonturas ou vertigens; desmaio; rigidez muscular; dormência nas mãos e pés e perturbações do sono e alimentares).

Aqui, neste tipo de ansiedade, a intervenção terapêutica pode passar por realização de um treino de relaxamento que reduz ao fim de algumas sessões os níveis de ansiedade.

Com ansiedade não temos qualidade de vida, limita-nos a nossa liberdade de sermos felizes, por isso se queremos resolver a nossa ansiedade temos que: 

1. Descobrir a causa da mesma, por sua vez pode ser uma causa interna ou externa;

2. Desviar a atenção do problema, pensarmos noutras áreas de interesse para não estarmos o dia todo focados no problema que nos causou ansiedade;

3. Respirar profundamente, ou seja, controlar a nossa respiração e aqui entra o treino de relaxamento e por último e 4º lugar viver o presente, não antecipar expetativas negativas sobre as coisas e o que pode acontecer.

Referindo-me novamente ao autor Augusto Cury, “A humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos” ou seja, o que podemos dizer é que a sintomatologia ansiosa atinge nos dias de hoje qualquer faixa etária, pode ser uma criança, como um adolescente, como um jovem, um adulto, ou um idoso, o que é importante é ser feito o diagnóstico e a intervenção psicológica ser eficaz, ou seja, através da realização de psicoterapia, para treinos em situação de consulta e posteriormente o paciente ser capaz de lidar com essa ansiedade em situações reais ou através de um treino de relaxamento.

O importante é que essa ansiedade não continue a interferir no nosso dia-a-dia em diferentes contextos de vida, como em família, no trabalho, no relacionamento interpessoal com o grupo de amigos, na intimidade afetiva dos casais, em situações de posição hierárquica superior ou simplesmente quando estamos a sentir que não correspondemos às nossas expetativas pessoais. 



Viver sem ansiedade terá que ser o slogan do ano de 2018, pois assim teremos muito mais qualidade de vida.

REGISTO PREDIAL - RAZÃO DE SER

ANA LEITE
Atualmente a razão de ser do registo predial deve ser compreendida com o modo de aquisição dos direitos reais - o título de aquisição. O propósito fundamental do registo predial é dar publicidade à situação jurídica dos prédios. A lei atribui uma especial força jurídica às inscrições registais e que consiste em garantir aos terceiros que a situação jurídica publicitada existe nos exactos termos em que está registada - fé pública. Para efeitos de registo predial, o "prédio" significa uma parte delimitada do solo, juridicamente autónoma, com as construções, águas, plantações e partes integrantes de que nele existam. Todos os factos jurídicos que são objecto de registo, têm que constar de documentos que os titulares. Estes documentos têm que revestir forma escrita, seja escritura pública ou documento particular autenticado. Desta forma, sempre que os interessados não disponham de um título escrito, é necessário que se proceda à sua obtenção. Como é o caso do registo da usucapião. De referir aí da que os atos de registo podem ser agrupados segundo dois critérios. Um com base no seu conteúdo e função: e no qual se insere as descrições, inscrições e seus averbamentos. Outro com base na sua eficácia e referem - se aos registos provisórios e definitivos.

A descrição tem por fim a identificação física, económica e fiscal dos prédios. Efetua - se uma descrição distinta por cada prédio. A identificação física consiste na indicação da localização e composição do prédio e da respectiva área. A identificação económica compreende, além da especificação da sua natureza rústica, urbana ou mista e respetivo valor patrimónial, a indicação do destino é utilização dos prédios. A identificação fiscal traduz - se na indicação do artigo da matriz predial ou do número de identificação predial. Por sua vez os averbamentos à descrição servem para alterar, completar ou retificar os elementos das descrições. As inscrições servem para definir a situação jurídica dos prédios. Relativamente à sua eficácia os atos de registos podem ser definitivos ou provisórios. Dizem-se definitivos os registos que produzem a plenitude dos seus efeitos sem limitação temporal, enquanto que os provisórios são registos que, em virtude de alguma circunstância impede o assento definitivo e portanto têm um prazo de vigência limitado.

A MECANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA MUSICAL

RUI DE LEON
A escrita como fonte de comunicação é sempre condicionada por factores externos (ambientais, sociais, etc) e internos (estado emocional, memórias, etc). 

Como músico compositor, não sei bem quais são os que me influenciam mais...e muito honestamente, se haverá vezes em que me deixo influenciar. 

Naturalmente estarão todos interligados. A minha inércia, a minha vontade, os condicionantes internos e externos e a antevisão do impacto que poderá surtir no "público alvo".


Como evoluiu o compositor, as discográficas, os agentes, todos os intervenientes e estádios desde a ideia à finalização de uma música. Passamos da revelação de um artista, ou descoberta de um "diamante" em bruto, único , original, para a procura de alguém com características pré-definidas, num contexto limitado e extrapolado de experiências artísticas anteriores com vista a um sucesso de vendas. 

Serão as músicas projectadas para ser o próximo número um das tabelas de vendas, ou o resultado da partilha do intelecto de um ser para outro?

Fala-se muito em "equipas" inteiras a trabalhar em conjunto para determinados artistas de música, com a finalidade de descobrir uma "fórmula" que cative os nossos sentidos e desta forma permaneça na nossa mente , mesmo que quase inconscientemente, tornando-se "viral".

Quando os ouvintes estão à procura de uma estação de rádio, ou uma "playlist" que irão gostar, cada música tem alguns segundos antes de ser rapidamente trocada por outra. A razão para desistir de uma música poderá estar no simples facto de o ouvinte não ter paciência para esperar pela melodia e as letras fazerem sentido, ou serem simplesmente cativante, "fácil de ouvir". As melodias e as letras demoram tempo a serem construídas, o que não demora tempo nenhum para avalia-la é o som. Podemos rapidamente julgar uma música em questão de segundos. Percebemos o estilo, se é mais calma ou agitada, simples ou sofisticada e se vai ao encontro do nosso interesse. 

Com um acesso mais fácil á produção musical, cada vez existem mais artistas, com sonoridades distintas e com variadíssimas ofertas. 

Longe vai o tempo em que uma música complexa cativasse pela diferença, pela exposição da alma nua e crua , da paixão e dor reais do autor, desde o momento de escrita até ao registo do trabalho.

Existem técnicas e profissionais especializados para analisar um "demo" e transforma-la num êxito, recorrendo a fórmulas construídas através de estudos que incidem na histórica da música, produção musical e contexto social. os chamados "engenheiros musicais" constroem melodias apropriadas a um tipo de letra e género musical , realçando as qualidades , pontos fortes, dando uma nova "roupagem" a uma melodia inicial. Transformam-na num "hit" musical, entrando quase que de imediato nas tabelas de vendas. Melodias fáceis de memorizar, com repetições nas métricas e letras simples e curtas parecem ter maior resultado.

Agora pergunto-me, será isto evolução? A música é a linguagem universal, deverá ser o instrumento de propagação de mensagens, de alento de força... de sentimentos. Não estaremos a condenar uma vez mais o ser humano ao pré-concebido, ao "menos humano"? 

Serei eu suspeito para opinar mais sobre o assunto, por isso escrevi esta crónica como forma de tentar perceber o que vai nas vossas mentes. 

Deixem a vossa opinião, sobre a realidade da industria musical actual. 

Todos aprendemos uns com os outros, e enquanto viver pretendo aprender.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

CRÓNICA DA FALTA DE ASSUNTO

ARTUR COIMBRA
Como bem sabe quem escreve, na área mais subjectiva do discurso poético ou nas diversificadas manifestações da prosa, nem sempre as musas, a disponibilidade ou a criatividade brotam na ponta da caneta ou nas teclas do computador.

Há dias e dias, como em tudo.

Dias em que a inspiração jorra torrencialmente, como as tempestades de Inverno, e os assuntos se atropelam e multiplicam à velocidade da luz.

Outros, em que o autor se senta frente à aridez desértica do papel em branco e nada ocorre de interessante ou susceptível de ser aproveitado para levar aos leitores. É como se a mais extrema secura atacasse e deixasse maninhos o coração e a alma de quem escreve, vazios, inaproveitáveis e sem préstimo.

Falemos da desgraça do cronista que abanca na secretária para redigir umas linhas para publicação mas a falta de assunto desaba impiedosamente sobre ele e não consegue articular duas ideias seguidas que jeito tenham.

O desassossego toma conta do cronista quando o tempo aperta e nada sai. É a angústia. O pânico. O terror.

Olha para o lado, fecha os olhos, à espera de um lampejo redentor… e nada. Vou escrever sobre quê, que tenha interesse para os leitores mas também para mim, que sou o escriba mas também o primeiro leitor?

Vai ao frigorífico, abre uma cerveja e ocorre-lhe Pessoa, na sua celebérrima piada fotográfica, “em flagrante delitro”…

Volta a alapar-se, e nada. A brancura do papel permanece imaculada, como se os deuses tivessem abandonado o cronista à sua sorte. Miseravelmente sem assunto, logo, sem existência. Porque cronista sem assunto e sem crónica, é algo que não tem sentido. É da área do absurdo. A identidade do cronista é a crónica que escreve e publica, num blogue, numa rede social, num jornal.

Volta ao frigorífico e tira um chocolate, que vai partindo e repartindo pelos dentes, remoendo, maquinalmente, para ganhar tempo, sempre em busca de assunto para a sua escrita.

Há dias assim, como dias assado. Ou frito ou cozido. Tenta rir-se de si mesmo e das suas piadas sem qualquer relevância óbvia, até porque está sozinho, consigo mesmo e com a impotência para alinhavar um tema de interesse.

Sim. Falar de quê?

De política? Não interessa nem ao Menino Jesus e nestes dias de Janeiro, com os Reis já festejados, é assunto absolutamente requentado.

De futebol? Ainda interessa menos, numa época em que o futebol já não é desporto mas apenas gananciosa indústria de lazer ou central de interesses financeiros para entreter as paixões e estimular as emoções mais primárias.

Falar do dia-a-dia? Do escândalo das adopções da IURD, que tanto foi silenciado e agora vem à luz do dia? De mais trágicas mortes em Tondela, terra tão martirizada pelos incêndios de Outubro? Das três mulheres que já foram assassinadas em Portugal no espaço de 15 dias, desde o início do ano, num inferno de violência que não há meio de parar?

Da educação que falta e da saúde que escasseia para os mais pobres?

De algum livro que tenha lido, quando o que escasseia é mesmo o tempo para ler, com prazer?

Bom, o melhor é não escrever nada quando nada se tem a dizer. Serve para a poesia e para a prosa, qualquer que ela seja.

Serve obviamente para a crónica.

Ou a angústia do cronista derrotado pela falta de assunto!

RETALHOS DE UMA VIDA

RAUL TOMÉ
Quantos "eus" tenho em mim, não sei… nem sei se algum dia saberei. Sou demasiada gente conhecida, desconhecida, viva, morta, apaixonada, perdida.

Sou apenas pedaços, fragmentos de passados e de presentes sem futuro, porque a rasgados sonhos, já nem sequer me aventuro.

Sou um caleidoscópio de mágoas, de sorrisos, de paixões avassaladoras, de abandonos destruidores, de pessoas inspiradoras e, em cada dia, um pouco menos do que era e um pouco mais do que me semearam. 

Nesta cada vez mais desfragmentada existência, vou-me desfazendo do que era e tapando as fendas com o que me dão. E esta peça tosca em que me transformei, simboliza aquilo que um dia fui, e hoje, nesta figura disforme, desconexa nos contornos e nas cores, pouco me resta para esculpir.

Pois que não sou, a dada altura, mais do que a lava que o vulcão expeliu das suas incandescentes vísceras, que se libertou e se transformou numa montanha disforme, fria e sombria. Sou a lava e sou o gelo numa só pessoa, que os outros, só dão por mim, quando o meu corpo queima e as peles alheias se contraem.

E há na agonia dilacerante um grito de dor, reclamando por mais uma peça que cai e que se perde, sempre que um sentimento se destrói.
Aguça-se o engenho e de martelo em punho há quem tente encaixar à força o que não me pertence e, de palavra em palavra, faz-se a injustiça e da revolta acende-se o dia em que a vítima vira ré.

Naquilo que sou, cada um de vós semeou a sua parte, mas quando chega o dia da colheita, divide-se por todos, que de amor sem mágoa só vivem os tolos.

DA OBRIGATORIEDADE DA PRESTAÇÃO DE TRABALHO SUPLEMENTAR

RUI LEAL
A obrigatoriedade de prestação de trabalho suplementar constitui questão que suscita muitas dúvidas e cuja compreensão é fundamental para a devida manutenção de uma relação laboral.

É sabido que todos os trabalhadores, no âmbito de uma relação laboral, têm direitos, mas também devem cumprir com deveres que lhes são exigíveis, entre os quais se enquadra a obrigatoriedade de, dentro de determinadas condições, dever prestar trabalho suplementar.

Posto isto, trabalho suplementar é todo aquele que é prestado fora do horário de trabalho.

Será então exigível ao trabalhador, a solicitação da entidade empregadora, prestar trabalho fora do seu horário normal?

A título de questão prévia, importa referir que o trabalho suplementar só pode ser exigido ao trabalhador quando a empresa tenha, justificadamente, acréscimos transitórios e excepcionais de trabalho, em casos de força maior ou quando esse trabalho seja indispensável para prevenir ou reparar danos à empresa e manter a sua viabilidade.

Acresce ainda que estas situações excepcionais, para permitirem a exigibilidade da prestação de trabalho suplementar, deverão ser de tal ordem que não justifiquem a contratação de novos trabalhadores.

Preenchidos estes requisitos, quando solicitado, então, pela entidade empregadora, o trabalhador está obrigado a prestar o trabalho suplementar que lhe seja exigido, excepto se solicitar, de forma expressa, a sua dispensa, devendo, neste caso, apresentar motivos atendíveis e justificados.

Para além do ora referido, há certos casos em que, por princípio, alguns trabalhadores não estão obrigados à prestação de trabalho suplementar.

Serão os casos:

- da trabalhadora grávida;

- da trabalhadora com filho com idade inferior a 12 meses;

- da trabalhadora que esteja a amamentar filho e durante o tempo que o fizer, se tal for necessário para a saúde da mãe ou do filho;

- dos trabalhadores menores, a menos que tenham idade igual ou superior a 16 anos e não haja outro trabalhador disponível, e o trabalho seja essencial para prevenir ou reparar prejuízo grave para a empresa, devido a circunstâncias excepcionais;

- de trabalhadores com deficiência ou doença crónica;

Importa, finamente, referir que não constitui trabalho suplementar, entre outras situações:

- o trabalho prestado para compensar suspensão de actividade, independentemente da sua causa e com duração não superior a 48 horas, seguidas ou interpoladas por um dia de descanso ou feriado, havendo acordo entre a entidade empregadora e o trabalhador;

- a prestação de trabalho com uma tolerância de 15 minutos para além do horário normal, quando esse trabalho se destinar à realização de transacções, operações ou tarefas começadas e ainda não acabadas dentro do período normal de trabalho;

- a frequência de actividades de formação profissional e que não excedam duas horas diárias;

- o trabalho prestado como compensação de períodos de ausência ao trabalho por parte do trabalhador, desde que solicitado por este e com o acordo da entidade empregadora;

A devida compreensão das condições acima referidas permitirão evitar conflitos e equívocos indesejáveis, tanto da parte dos trabalhadores, como da parte das entidades empregadoras.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

EDUCAÇÃO: ONTEM E HOJE

ELISABETE RIBEIRO
Pensar na educação de ontem é voltar a tempos não muito longínquos. A figura do professor era uma autoridade e estava acima de tudo e todos. Ao aluno só lhe era permitido sentar corretamente. Não olhar para os lados e escutar. Em momento "adequado" devia demonstrar o que aprendeu nas avaliações, sem margem nem permissão de cometer erros.
Punições eram frequentes, tanto físicas como psicológicas, com a permissão dos pais. Há ainda quem defenda que eram tempos bons, pois o aluno aprendia e jamais esquecia. Agora questiono: Será que era verdade? A resposta a que chego não é animadora, pois se aprendiam era à base do decorar sem compreender.
Havia sim um certo respeito ao professor. O ambiente escolar era mais severo e exigente.
O professor tinha o quadro negro e os livros didáticos como ferramenta de trabalho. O dito,"quadro e giz". Tinha como obrigação superar o livro. Os conteúdos eram predefinidos pelo estado ditatorial vigente.
Será que se aprendia ou fingia-se que havia aprendido?
Hoje temos a nosso favor o mundo da tecnologia. O aluno já tem contacto com muitas informações provenientes de um quotidiano preenchido com computadores, tablets, telemóveis topo de gama e afins. Cabe ao professor filtrar essas informações e utilizá-las em contexto escolar.
A planificação dos conteúdos é mais flexível com possibilidade de ser alterada mediante as necessidades apresentadas.
A escola tornou-se num ambiente mais livre onde os temas abordados já não apresentam restrições políticas ou morais. Contudo, a verdade é que a família ausentou-se mais deste ambiente escolar. A escola passou a ser o veiculo, não apenas do ensino com também da educação. Assume-se como um meio “familiar”.
Por razões históricas, a escola sempre foi vista como um local para se aprender a ler, escrever e contar. Atualmente a a escola faz muito mais do que isso. Mas a escola não pode fazer tudo sozinha. Precisa de ajuda da comunidade escolar e da sociedade em geral. Sozinha não apresenta os alicerces necessários para suportar as exigências que lhe são atribuídas.
A escola deve e precisa ser agradável e prazerosa, para que o processo ensino-aprendizagem aconteça. Para que isso seja possível o professor,o aluno e o ambiente devem estar em sintonia.
O professor deixou de ser o centro do processo de ensino. Passou a ser um mediador. O aluno de mero expectador passou a colaborador, pois é a partir de seus conhecimentos prévios que a aprendizagem formal acontecerá e novos conceitos serão formados.


Para nós, professores, refletir sobre a forma de se ensinar ontem e hoje é repensar na forma de ensinar. Pois são novos tempos, uma nova geração e é inadmissível pensar em educação como se fazia antes.

HÁ DIAS ASSIM

RAQUEL EVANGELINA
Há dias que nos deixam sem rumo. Dias daqueles que estamos completamente desorientados porque perdemos o Norte, o nosso Norte. Dias em que achas que por muito esforço que faças, por muito que batalhes nada dá certo, nada te corre a favor. Todos temos dias assim. Não me parece que alguém seja feliz em pleno e todos os dias. Todos falhamos assim como também nos falham a nós. Todos por vezes duvidamos das nossas capacidades e assumimos que de facto nunca seremos capazes, nunca alcançaremos, nunca teremos o valor suficiente. Sim há dias que gostávamos de ter outra vez 3 anos para nos aninharmos no colo de alguém sem que essa pessoa nos questionasse o porquê de o estarmos a fazer. E ali ficávamos em segurança num abraço que nos diz que um dia tudo melhora. Sim há dias de cão. Dias em que dizes que está tudo bem mas não, não está… E se te olharem diretamente nos olhos ou os desvias ou te entregas completamente ao choro. Sim, não é só a ti que acontece. Acontece a mim, acontece aos teus amigos, à pessoa que passa por ti na rua, acontece até aquele que aparentemente tem tudo. Nunca ninguém tem tudo.

Mas o bom destes dias é o não durar para sempre. E mostram sempre que, se conseguiste passar por eles, és capaz de passar por tudo. Às vezes não é mau perder o Norte. Acabamos por encontrar algo muito melhor, nós próprios. Não é mau não alcançar o que queremos. Nem sempre o que queremos é o melhor para nós. E a vida, neste caso, tem sempre a ousadia de no futuro nos fazer entender que de facto não alcançar algo foi para o nosso bem. Há dias assim. E mesmo isso tem algo de positivo porque se não passássemos por esses dias nunca veríamos a sorte que temos quando tudo corre bem.

Sim, há dias assim. E se estás num desses dias não precisas de ter vergonha. Se queres chorar, chora… Não há uma única pessoa no mundo que nunca tenha chorado. Se queres largar, larga. Se queres berrar, berra. Nunca traves nada, nem a lágrima nem o que te sufoca. Não reclamar, não deitar para fora só faz mal a ti. Mas entende que por maior que seja o sufoco um dia passa.

Sim, há dias assim. Mas também há dias em que tens que travar o riso, em que és tão feliz que não sabes se vives ou se sonhas. E um dia desses compensa todos os outros em que parece que te tiram o chão. Sim, há dias maus mas tem sempre esperança que também há dias bons. E esses estão à tua espera já ali. Ao virar da esquina…