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terça-feira, 13 de março de 2018

VEÍCULOS AUTÓNOMOS - A ÉTICA E A ECONOMIA

RUI CANOSSA
Hoje vou falar-vos de uma paixão. Desde pequenino que sou apaixonado por carros. Se perguntarem à minha mãe ela dirá que o Porsche 911 sempre foi uma loucura. Para mim, como muitos outros que partilham a mesma paixão, um carro é muito mais que um meio de locomoção. O prazer de conduzir um carro de mudanças manuais por uma estrada sinuosa…

Mas, e os carros autónomos? No futuro, não tão longínquo, os carros vão andar sozinhos! E o prazer de condução? E a questão ética? É sobre esta última que quero falar. As questões éticas são um dos grandes problemas para a implementação da condução autónoma. Haverá situações que a máquina terá de decidir questões éticas. Senão vejamos. A condução autónoma vai poder prevenir 90% dos acidentes evitando colisões, o que implica a decisão em casos em que a colisão não pode ser evitada. Há a possibilidade teórica de serem os carros autónomos a decidir quem irão proteger quando estão vidas em risco. E aqui entra o argumento ético. Estas questões estão já a ser tidas em conta por esse mundo fora. As decisões dos veículos autónomos terão de ser programadas. O objetivo é, quando não conseguirem evitar a colisão, reduzir o impacto em termos de lesões. Em 2017, a comissão de ética da Alemanha, definiu já as seguintes hierarquias: A proteção da vida humana é prioridade absoluta em caso de um acidente que não se consegue evitar; a proteção de animais tem prioridade sobre bens materiais; a destruição material estará sempre no fim da lista de prioridades. Mas e se duas ou mais vidas estiverem em jogo?

Vou colocar o problema do elétrico. Considere o seguinte cenário. Um elétrico está em rota de colisão com 5 pessoas. Você pode, opção 1, não fazer nada e deixar morrer 5 pessoas, opção 2, mudar o curso e matar uma pessoa. Qual é, em termos éticos e morais, a escolha correta? Uma visão ética dirá para não fazer nada. A decisão é focada nas ações: matar é pior do que deixar morrer. Uma visão prática dirá mudar o curso do elétrico. A decisão é focada em consequências: o maior bem para o maior número de pessoas, ou minimização do prejuízo. A questão é: Queremos programar as máquinas para terem esta visão prática?

Considere agora que você é o ocupante de um veículo autónomo em rota de colisão com 10 peões. O veículo sacrifica um peão para salvar para salvar 10, você incluído. Mas e se o veículo sacrificar o condutor, mandando o carro contra uma parede para salvar 10? As duas decisões encaixam na visão prática, ou seja, salvar o maior número de pessoas, mas quem deve o veículo proteger? Não é o condutor? Ou é o peão?

Pois é. Um estudo publicado na revista Science mostrava que quando colocados perante este dilema, 76% dos inquiridos defenderam que o carro deveria o peão em detrimento do condutor mas, quando questionados se comprariam um carro que defendesse primeiro o peão e depois o ocupante, a mesma maioria disse que não.

Espero ter contribuído de alguma forma para o esclarecimento deste assunto que tem sido cada vez mais falado nos meios de comunicação social, apesar das inúmeras vantagens que os carros autónomos têm, como por exemplo, a possibilidade de as pessoas trabalharem enquanto se deslocam.

Mais, estamos perante uma mudança de conceito, de modelos de negócio e inovação tecnológica brutal, que poderá gerar receitas 7 vezes superiores à atual faturação do setor automóvel que passará de 1.3 biliões de euros para 10 biliões, um valor muito apetecível para quem arrisque ficar de fora.

Quanto a mim, vou continuar a conduzir o meu carro a diesel com velocidades manuais e com nove anos.

segunda-feira, 5 de março de 2018

AS MULHERES NO MUNDO EMPRESARIAL

FILIPE LOURENÇO
Falar de sucesso empresarial nos dias de hoje, passa invariavelmente por falar de mulheres no comando!!!

Não digo isto com qualquer simpatia desmedida mas sim com a consciência empresarial, de que hoje o sucesso nas empresas, implica ter mulheres em cargos de chefia. 

Na semana em que as mulheres são alvo das melhores atenções, é importante focar que as mulheres têm hoje um papel preponderante na visão das empresas para o futuro. 

É justo dizer que as mulheres imprimem uma dinâmica "romântica" e "pragmática" ao mesmo tempo e que a combinação dos valores é deveras diferenciador para as empresas.

Empresa que quer ter sucesso, tem de ter mulheres a tomar decisões total ou parcialmente.

Em Portugal, o número de homens empreendedores corresponde a 9,3% da população adulta masculina e as mulheres a 6,2% da feminina, de acordo com o estudo independente GEM – Global Entrepreneurship Monitor, promovido em Portugal pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e pela SPI Ventures. “Assumindo que o número total de homens e de mulheres é aproximadamente igual, conclui-se que o número de empreendedores do sexo masculino é exatamente 50% superior ao número de empreendedores do sexo feminino“


Num país como o Brasil, um estudo da Serasa Experian revelou que mais de cinco milhões de brasileiras são empreendedoras. As mulheres estão à frente de 43% dos negócios do Brasil, a maior parte delas (98,5%) atuando como MEI ou sócias de micro e pequenas empresas. 


No quadro da CPLP, acaba de ser criada a FME CE-CPLP, Federação das Mulheres Empresárias e Empreendedoras da CE-CPLP, reforçando a importância das mulheres cada vez mais na rota dos negócios e do mundo que foi sempre mais ligado aos homens. 

A mulher tem hoje cada vez mais ascendente e sucesso no mundo empresarial e cada vez mais as empresas têm de pensar as suas lideranças com as mulheres na gestão de topo.

Ser Mulher é muito mais que ser Mãe... Ser Mulher é cada vez mais uma responsabilidade vincada nesta sociedade. 

Parabéns a todas as mulheres!!!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

COMUNICAÇÃO E MARKETING

RUI CANOSSA
Qual é a sua marca preferida? E o que significa o logótipo da sua marca? No mundo do marketing e da publicidade, uma boa marca é fundamental. Em termos de memória descritiva um bom logo ou marca tem de ter uma forma, cromático, tem a ver com as cores utilizadas e tem de ser expressivo. Há quem diga que tudo começou com René Lacoste, que depois de querer começar um negócio verificou que as suas vendas de roupa não vendiam. Daí surgiu a ideia de mandar bordar um crocodilo na roupa. A partir daí, marca que é marca, tem de ter a sua marca.

É neste contexto que a maior parte dos logótipos ter uma história, uma mensagem, para comunicar, pôr em comum, com o consumidor. Algumas marcas, inclusive, ganharam força de produto em si mesmo, quem é que não tem o seu kispo para o frio? Ou quem é que nunca sonhou em ter um jipe (Jeep)? Ou ainda quem não se esquece de levar um tupperware para um piquenique?

Eis algumas dessas mensagens que se escondem nas marcas. Comecemos pela Quicksilver, o seu logo é inspirado numa pintura japonesa do século XIX, por detrás da crista da onda pode ver-se o Monte Fuji no Japão. No logo da Hyundai, pode ver-se o H da marca mas, também, se vê o aperto de mão entre duas pessoas. A maior parte das pessoas deve conhecer a empresa de distribuição FEDEX, o que a maior parte das pessoas não observa à primeira é a sete formada pelo E e o X, que simboliza a eficiência e o movimento constante da empresa de entregas expresso. Outra empresa que faz uso do espaço negativo é a Gillette, veja se consegue ver a lâmina entre o G e o ponto do I. Os computadores da Sony com a marca Vaio ostentavam este logótipo que pretende representar a integração da tecnologia analógica e digital: o "VA" é como uma onda analógica, ao passo que "IO" representa o código binário. Se calhar adora um BMW, cuja sigla significa Bayerische Motoren Werke, fábrica de motores da Baviera, a empresa alemã nasceu, em 1917, de uma empresa que fabricava aviões e que teve de deixar de fazer, no ano seguinte, devido ao Tratado de Versalhes. Porém, o logótipo mantém a história da empresa: os quartos a branco representam as hélices e os quartos a azul representam o céu. Consegue imaginar um motor a hélice a rodar? E o simbolo da Toblerone? Este logótipo mais conhecido pelos gulosos é na verdade uma homenagem à cidade de Berna, local onde o chocolate foi desenvolvido, ao incluir o urso que dança na montanha. É que a cidade suíça é conhecida como "cidade dos ursos". Não podia deixar de falar da icónica Coca-cola. Uma campanha de 2003 da companhia de refrigerantes encontrou e divulgou um símbolo escondido no seu logótipo: entre o O e o L esconde-se a bandeira da Dinamarca, o país mais feliz do Mundo. Já comprou alguma coisa através da Amazon? Já reparou que a seta no logótipo da Amazon vai de "A a Z", passando a mensagem que há de tudo no site? Além disso, faz o efeito de sorriso, que remete para uma boa experiência. Se calhar tem algum aparelho da LG, curiosamente, a fusão de duas empresas coreanas, a Lucky com a Goldstar. A empresa de eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos conseguiu introduzir as suas iniciais num logótipo em forma de "piscar de olho" usando o L e o G. E o mais famoso dos logos? O “swoosh” da Nike. Deram-lhe este nome porque é suposto representar rapidez e movimento, aquilo que os fundadores da empresa queriam no seu logo, e cujo concurso foi ganho por uma jovem designer que ganhou o equivalente, hoje, a 37.50€. Ela terá inspirado o seu desenho numa das asas da Deusa Nike, a deusa grega da vitória. Estou quase a acabar, não vos quero maçar. Por falar em maçãs! Sabia que o símbolo da Apple continha Newton e a célebre macieira onde se inspirou sobre a teoria da gravidade? Pois o logo era tão feio e tão difícil de reproduzir nos mais variados materiais de marketing e merchandising que optaram pela maçã? Mas mesmo esta teve de levar uma dentada porque na versão original parecia uma laranja!

São curiosidades como estas que fazem as delícias de todos aqueles que se dedicam ao marketing e à comunicação, pois, sem um bom logo, marca ou logótipo, as marcas não vão ser reconhecidas pelo seu público. Agora, faça uma lista das suas marcas preferidas e depois pesquise sobre a origem do logo que as identifica. Tenho a certeza que vai ficar fascinado.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

VIAJAR É A ÚNICA FELICIDADE QUE SE PODE COMPRAR

RUI CANOSSA
As viagens e o turismo são, de facto, felicidade que se pode comprar. E estas têm sido o motor da economia portuguesa nos últimos cinco, seis anos. As receitas do turismo estão a bater recordes e poderão crescer ainda mais ao longo de 2018. As receitas subiram 19.71% em 2017 permitindo encaixar 14.13 mil milhões de euros. O turismo representava 12.5% do PIB em 2016 e do total do valor das exportações representava 18.4%.

Pelo lado da procura, foram 19.46 milhões de hóspedes, uma subida de 8.7% face a 2016, o que correspondeu a 54.77 milhões de dormidas, nos primeiros 11 meses de 2017, quando comparados com os mesmos meses de 2016. 51.8 milhões foi o número de passageiros que passou pelos 10 aeroportos, uma subida de 16.5%, 10 milhões no Porto e 8 milhões em Faro, com Lisboa a liderar o ranking com 26.7 milhões. E se pensa que o luxo não vende, então aqui vai, 68.4% das dormidas em hotéis tiveram lugar em estabelecimentos de 5 estrelas, ou seja, mais de dois terços. Algarve e Lisboa absorveram mais de metade dessas dormidas.

Do lado da oferta verifica-se que, em Portugal, serão criados, em 2018, 61 novos hotéis, metade dos quais em Lisboa e Porto. Estes novos hotéis significam mais 4770 quartos face a 2018. O número de escalas de cruzeiros em Lisboa foi de 330, uma subida de 6% face a 2016. Em Portugal existem 55 345 estabelecimentos de alojamento local registados. Sabe-se também que o rendimento médio por quarto disponível é de 52.10 euros mas que significou um aumento de 16.1% face a 2016. Foram criados mais 58.000 empregos no setor.

Em suma, parece-me que o setor do turismo vai continuar a crescer no futuro. Alicerçado pela formação de excelência das nossas escolas de turismo. A Organização Mundial de Turismo, agência das Nações Unidas responsável pela promoção da sustentabilidade do setor, distinguiu o projeto formativo das escolas do Turismo de Portugal - denominado Tourism Training Talent - com o primeiro lugar na categoria Inovação e Políticas Públicas da 14ª edição dos prémios UNWTO, pelo seu exemplo de capacitação das futuras gerações de recursos humanos do setor.

A aposta nas pessoas (turistas, residentes e todos os colaboram diretamente nesta atividade) é uma das prioridades da estratégia turística nacional (ET27), pelo que estou em crer que Portugal vai continuar a ter uma excelente performance em termos deste setor tão importante para o equilíbrio da nossa Balança de Pagamentos.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

VISTOS GOLD E O CRESCIMENTO ECONÓMICO

RUI CANOSSA
Se calhar já todos ouvimos falar dos famosos vistos Gold. Mas, estaremos preparados para essa estratégia? “Os super-ricos já não estão apenas a gastar o seu dinheiro em aviões a jato privados, iates ou hotéis, também estão a esbanjar em segundos passaportes”, revela o “Business Insider”. De acordo com o relatório “Second Citizenship Survey 2017”, produzido pela CS Global Partners, “cerca de 89% dos inquiridos gostaria de ter um segundo passaporte. E 34% disseram que estão a ponderar investir numa segunda nacionalidade”.

Outra conclusão do relatório é que “cerca de 80% estariam dispostos a investir ou doar 5% do respetivo salário anual para manter uma segunda nacionalidade, mais do que gastam na renda mensal da habitação”. Não por acaso, há pelo menos 24 países que conferem a sua nacionalidade “a pessoas que invistam em negócios, imobiliário ou títulos do Governo”.

A publicação “Business Insider” compilou uma lista de 17 países onde é possível adquirir segundo passaporte ou “residência de elite”, entre os quais Portugal, na 8ª posição da tabela (ordenada de acordo com o preço da transação). Nas sete primeiras posições (ou seja, onde os vistos de residência ou de cidadania são mais caros) destacam-se Nova Zelândia, Chipre, Austrália, Canadá, Bulgária, Espanha e EUA.

No que respeita a Portugal, os “vistos gold” têm um preço mínimo de 350 mil dólares. “O programa de ‘vistos gold’ em Portugal oferece a investidores não europeus um caminho veloz para uma permissão de residência válida”, destaca a publicação. Esse primeiro “visto gold” é válido por um ano e pode ser renovado duas vezes, em intervalos de dois anos. “Após seis anos de residência permanente, os requerentes e as suas famílias podem obter um segundo passaporte em Portugal, candidatando-se à cidadania portuguesa.

Para André Jordan, mais conhecido por ser o “pai” da Quinta do Lago da requalificação de Vilamoura: “Temos atualmente um grande desafio para Portugal, que é internacionalizar o país através do imobiliário. Nesta fase de grande procura, desenvolver imobiliário dirigido aos mercados externos é vital para a economia portuguesa e a maior fonte de receitas que o país pode ter”.

Os impostos sobre o património renderam 2.440 milhões de euros em 2017. É o valor mais alto desde, pelo menos, 2005. Imposto de transações foi o que mais cresceu, à boleia do boom no imobiliário que se prevê vir a crescer 10% este ano o que me leva a questionar, agora que atravessamos o melhor momento de sempre no setor, se nos aproximamos de uma nova “bolha imobiliária?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

AINDA AS COMPRAS DE NATAL

JOÃO RAMOS
Na época natalícia são gastos milhões de euros em presentes, o que nos leva a perguntar, se essa despesa contribui para um mundo melhor. Do ponto de vista económico, os indivíduos que oferecem as prendas possuem um conhecimento imperfeito relativamente aos gostos e necessidades dos seus colegas ou familiares, levando a que estes, em muitos casos, atribuam um valor monetário ao presente, inferior, ao gasto na sua aquisição, constituindo esta diferença, aquilo a que os economistas chamam de “peso morto”. Este montante pode atingir, entre 1/10 e 1/3 dos custos das ofertas, segundo as estimativas da Universidade de Yale. No entanto, introduzindo o valor sentimental dos presentes, como o fez a Universidade de Chicago, existe um excedente para o consumidor, ou seja, uma avaliação acima do preço de venda, de 20% a 30%. Neste sentido, parece existir uma justificação consciente para os gastos natalícios, uma vez que estes proporcionam um bem-estar físico e emocional a toda a sociedade. Além disso, e como está devidamente documentado em estudos, os indivíduos que despendem um maior montante em presentes durante épocas festivas, tendem a gozar de um maior estatuto social, o que se reflecte em ganhos tangíveis, como a capacidade em realizar negócios mais lucrativos e alcançar melhores empregos durante o ano. 

Quando chegamos à altura do natal, muitas vozes se levantam- incluindo o Papa Francisco- criticando o despesismo e a descaraterização do conceito desta época festiva, sobretudo associado a uma procura desenfreada pelo consumismo e materialismo. Ao contrário do que muitos advogam, a troca de prendas no natal faz parte de uma tradição comunal de celebração e de amor ao próximo, que se manifesta de várias formas, em função dos grupos sociais. Mais do que nos preocuparmos com os gastos dos indivíduos, devíamos, isso sim, celebrar a possibilidade de desfrutar uma quadra, desta importância em tempos de paz social e relativa prosperidade.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

ANO NOVO, PREÇOS NOVOS!

RUI CANOSSA
Não é bem este o ditado popular a que estamos habituados nesta altura do ano, mas parece que nos vamos acostumando a este novo.

De facto, ainda 2018 não tinha chegado as notícias não eram as melhores para o consumidor.

A única “boa” notícia é a de que a fatura da eletricidade no mercado regulado em Portugal vai descer pela primeira vez em 18 anos. A descida de 0,2% da eletricidade vai descontar nove cêntimos numa fatura média mensal de 45,7 euros de uma família. A medida vai beneficiar mais de um milhão de consumidores no mercado regulado de eletricidade. Não é fantástico mas é uma descida.

Em 2018 haverá também mudanças para quem está no mercado liberalizado. Os quase cinco milhões de consumidores domésticos de eletricidade que estão neste mercado vão poder regressar ao mercado regulado a partir de 1 de Janeiro. Qualquer comercializador no mercado liberalizado poderá passar a oferecer tarifas reguladas. Caso não as disponibilize, os consumidores poderão mudar para outro fornecedor que tenha estas tarifas, podendo cancelar os contratos sem custos. Simultaneamente as faturas da eletricidade no mercado liberalizado vão passar a ter o valor que o consumidor pagaria pelo mesmo consumo no mercado regulado, sendo possível comparar a mais competitiva. No gás natural, as tarifas entram em vigor a 1 de Julho, pelo que os novos preços só serão conhecidos mais tarde.

O que me aborrece muito é a de que a mobilidade dos portugueses vai ser ainda mais dificultada já que as concessionárias de autoestradas propuseram a atualização das taxas de portagem em 1,42% para 2018, tendo em conta o índice de preços ao consumidor de outubro, excluindo habitação, que serve de referência ao aumento. No entanto, não se sabe ainda quantos e quais os troços que vão efetivamente subir os preços a 1 de Janeiro. É que a atualização das portagens inclui um mecanismo de arredondamento das taxas para o múltiplo de cinco cêntimos mais próximo. Ou seja, se os aumentos forem inferiores a 2,5 cêntimos a portagem manter-se-á inalterada, enquanto se o aumento for superior a 2,5 cêntimos há um arredondamento automático para cinco cêntimos. Depois de três anos em que as taxas de portagem praticamente não sofreram atualizações, em 2017 houve já algum impacto. Mais, andar de carro ou comprar carro novo vai ser mais caro. O ano novo vai trazer atualizações dos impostos relacionados com veículos, para refletir a atualização da inflação. O imposto de circulação (IUC) aumentará assim 1,4%. Assim, um carro de 2008, a gasolina, com 1.300 de cilindrada e emissões de 140 gramas de dióxido de carbono por quilómetro, que pagou este ano 152,16 euros, vai pagar em 2018, com a atualização, 154,29 euros. Mais 2,13 euros. Já o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) sofrerá a mesma atualização, mantendo-se o adicional ao ISP no montante de 0,007 euros por litro para a gasolina e de 0,0035 euros para o gasóleo. E o petróleo também está mais caro nos mercados internacionais, ou seja, vai ser um duplo aumento!

O Governo determinou que a percentagem máxima de aumento médio dos preços dos títulos dos transportes será no próximo ano de 2%, mas definiu também que no máximo cada título não poderá ser atualizado acima dos 2,5%. Já os cartões Lisboa Viva, Viva Viagem/7 Colinas e Andante não vão sofrer qualquer aumento.


Em 2017 a subida média nos transportes foi de 1,5%, em linha com a inflação. No entanto, para o próximo ano a atualização definida será acima do aumento dos preços previsto, que é de 1,4%, o que o Governo justificou pela necessidade de cobrir os custos das empresas de transporte. Desta forma, em 2018 terá lugar o maior aumento desde 2012. Apesar do aumento dos tarifários, o Executivo manteve a possibilidade de o IVA pago nos passes – que é de 6% – poder ser deduzido na totalidade no IRS, à semelhança do que aconteceu já este ano. Por outro lado, haverá novos descontos. Em 2017, no início deste ano letivo, entrou em vigor uma redução de 25% dos preços dos passes sub23, dirigido aos estudantes do ensino superior até aos 23 anos, sem condição de recurso. No próximo ano essa percentagem de desconto será aplicada também aos passes 4_18, para todos os estudantes entre os 4 e os 18 anos, mesmo os que não tenham apoio social.

As rendas das casas são sempre atualizadas em função da inflação e, à medida que esta sobe, também crescem as rendas. O próximo ano trará os maiores aumentos desde 2013, mas que são ainda assim diminutos: 1,1%. É este o aumento que resulta da variação média de preços nos últimos 12 meses, medida em setembro do ano anterior. A nova renda será devida no mês em que foi assinado o contrato e não em janeiro, exceto nas rendas anteriores a 1990. Segundo as estatísticas da Administração Tributária, há cerca de 700 mil inquilinos em Portugal. Para os inquilinos com rendas antigas, que estejam em processo de atualização extraordinária, este aumento anual não se aplica.

Na alimentação são aguardados alguns aumentos de preços, mas sem se esperar uma subida generalizada. Segundo a Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares, citada pela Lusa, o preço do pão deverá subir 3 a 4%, depois de sete anos sem aumentos. O Correio da Manhã avançou que a carcaça em Lisboa passa a custar 24 cêntimos e no Porto 16 cêntimos. Pode haver ainda outros aumentos em virtude, até, da seca, mas a fixação depende das empresas. No que respeita à atualização de preços, por via dos impostos, sabe-se já que as bebidas alcoólicas terão uma atualização de 1,4%, assim como as bebidas com adição de açúcar, que se estende aos concentrados de fruta. No tabaco, até pode não haver subidas nos mais caros. As alterações levam a que só os maços até 4,70 euros é que terão de subir preços.

Quero aproveitar a oportunidade de desejar a todos um fantástico ano de 2018 e que este traga muitas realizações pessoais e profissionais.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

FINALMENTE MAIS DO QUE LIXO

JOÃO RAMOS
A agência de notação financeira Fitch anunciou, esta sexta-feira, a subida do rating da divida portuguesa, para um nível acima do vulgarmente designado como “lixo”. Com esta alteração, Portugal passa a estar na órbita dos principais investidores internacionais, nomeadamente os fundos de pensões e investimento, que na sua maioria apenas adquirem obrigações de países com notação positiva, em pleno menos duas, das principais agências de notação financeira. Assim sendo, não só o Estado português, mas também o tecido empresarial poderá obter financiamento a taxas de juro mais baixas, o que poderá aumentar o investimento e melhorar o cumprimento das metas orçamentais.

A decisão reflete a redução do défice orçamental, um excedente primário de 3 p.p. e o crescimento do PIB, assim como um governo estável, com apoio presidencial e capaz de assegurar a paz social. Além disso, a agência tem em linha de conta, os novos “ventos” europeus, que estão a promover alterações fundamentais na política europeia, como o aumento do investimento, a União Bancária e uma aposta numa União mais solidária. Esperemos que o país aproveita, esta oportunidade única, para empreender as reformas internas indispensáveis, garantindo maior sustentabilidade para a gerações futuras.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

EMPREENDER PARA O SUCESSO...

FILIPE LOURENÇO
“Nós só perdemos quando desistimos”

Empreender e o acto de criar novos negócios, novas ideias ou implementar Mudanças em empresas já existentes. O empresário para que tenha uma empresa de sucesso tem de ser empreendedor ! Está provado que a principal causa do fracasso nos negócios, não se deve à falta de dinheiro, a falta de experiência, mas sim a falta de resistência e resiliência ... os negociam fracassam na sua maioria das vezes porque os mentores dos projectos desistem.

Ser empreendedor é muito mais do que ser empresário, ou seja, empreender e supererar-nos a cada minuto, cada hora, cada dia, pois ser empreendedor nos dias de hoje acarreta o peso na nossa capacidade de resistência e resiliência as adversidades.

Na conjuntura económica actual em Portugal e no mundo, em que somos empresários e empreendedores a escala global, pois o país de cada um de nós e o próprio mundo, não chega nunca fazer mais do mesmo, caso contrário a concorrência de um outro qualquer país fará com certeza melhor!

Projectar negócios actualmente significa planear e antever conjunturas empresariais hoje que irão ocorrer amanhã!

Há sensivelmente 10 anos atrás, quando um empresário projectava a médio prazo, projectava a 2 anos, hoje o médio prazo significa aproximadamente 6 meses!

A velocidade com que hoje o mundo se move nos negócios é alucinante e implica o esforço diário do empresário em não baixar os braços, porque existem cada vez menos dados adquiridos. Há porém um dado adquirido que nunca se alterou ao longo dos anos no mundo empresarial: “Nós só perdemos quando desistimos”

Nunca desistir é o ponto chave do sucesso, para qualquer negócio!

Empreender está directamente ligado à resistência e resiliência no negócio, e ao contrário do que se pensa, não só os empresários deverão ser empreendedores, pois cada um de nós enquanto empresários a criar novos negócios ou colaboradores a criar novas ideias ou mudanças, somos peças de um puzzle que se chama o mundo empresarial.

PONTOS NOS I’S SOBRE A AUTOEUROPA

TIAGO CORAIS
Todos sabemos que a Autoeuropa é uma empresa muito importante para a economia portuguesa, representa 1% do PIB, 4% das exportações Portuguesas e dá emprego directa e indirectamente a 8.700 pessoas. É uma empresa que ao longo destes anos, nos habitou a ser um exemplo na forma como a Administração e os Colaboradores negociavam acordos adaptados às realidades e às dificuldades de cada momento. Por estas razões, muitos de nós estranhamos o momento actual e a tensão que se vive dentro da Autoeuropa. Não percebendo como é possível que duas Comissões de Trabalhadores negociem o pré-acordo com a Administração da Autoeuropa e depois em referendo é chumbado pelos Colaboradores. Muitos acusam que é o PCP que está a manipular os trabalhadores, outros usam um discurso inflamado contra os sindicatos. A própria comunicação social não ajudou muito na fase inicial no esclarecimento do que se passava nesta empresa, dando a entender que os Colaboradores não queriam trabalhar ao Sábado. O que não é verdade que esse seja o ponto de desentendimento.

Sinceramente ao ver o programa da RTP “Prós e Contra” de 11 de Setembro deste ano, percebi que existem muitas falácias à volta deste problema e como é injusto falarmos em manipulações quer por parte do PCP ou dos Sindicatos. Segundo o que foi dito naquele programa no máximo 17% é que são sindicalizados por mais de três sindicatos. Por isso, 17% não é 75% que foram quantos rejeitaram o primeiro pré-acordo, nem 63% que foram quantos rejeitaram o segundo acordo.

Outra conclusão que retirei do programa “Prós e Contras”, é que o que está em causa não é apenas a obrigatoriedade de trabalhar ao Sábado e folgar a um dia de semana. O que está em causa são os turnos rotativos, as alterações aos horários sem opção de escolha, o pagamento do Sábado e do Domingo como um dia normal, o não gozarem dois dias de descanso seguidos e só quem nunca fez turnos rotativos é que não sabe o que isso significa. As transições dos turnos encurtam os fim-de-semanas. Se só tiverem um dia por semana de folga, isso significa na prática apenas meio-dia de folga por semana. A Autoeuropa é muito importante para o País, mas a qualidade de vida e a conciliação do trabalho com a família também deve ser acautelado e compensado financeiramente.

Por esta razão vi com bons olhos que o Governo irá assumir responsabilidades com a criação e reforço de equipamentos sociais de apoio à família e que responda aos novos horários da Autoeuropa com mais creches e horários diferenciados. Mas é importante que o Governo tenha em mente que não contamine o problema da Autoeuropa nos colaboradores dessas creches. Horários que tornem mais difíceis a vida familiar devem ser compensados financeiramente de forma a minimizar o que há mais valioso neste mundo, que é estar com os “nossos”.

Outra falácia que tenho lido é que já existe uma alternativa para produzir T-Roc e como profissional da Indústria Automóvel, tenho a noção que produzir automóveis não é como produzir t-shirts, em que se muda a produção do dia para a noite. A indústria Automóvel é um sector de capital intensivo, onde absorve muitos recursos financeiros, ao qual o lançamento de um novo veículo tem inúmeras fases e a meta de produção de 280 mil veículos até ao final de 2018, onde já foram investido na Autoeuropa cerca 700 milhões de euros, não é possível mudar a produção do T-Roc para outra fábrica sem custar milhões de euros e sem alterar os prazos de lançamento.

Infelizmente a nossa comunicação social não consegue fazer melhor do que acompanhar o debate que se faz nas redes sociais. Onde hoje de forma generalizada somos contra quem luta pelos seus direitos, esquecendo-nos que o mundo só evoluiu para melhor porque no passado alguém lutou por nós e os sindicatos são organizações fundamentais para que tenhamos uma sociedade equilibrada, em que haja um equilíbrio entre o trabalho, o lazer e principalmente o espaço para a família. Por isso, dou os parabéns ao programa da RTP 1 “Prós e Contra” por ter esclarecido o que se passa na Autoeuropa, pecando por não emitir um novo programa esclarecendo sobre o segundo pré-acordo chumbado e fazendo o ponto de situação.

Termino este artigo, na esperança que haja um entendimento, que seja satisfatório para ambas as partes, mas em especial para quem lá trabalha. Pois se for um bom acordo para os colaboradores da Autoeuropa, não tenho dúvidas que será um bom acordo para a Autoeuropa e para Portugal. Uma ECONOMIA que não ponha as pessoas em primeiro lugar, NÃO É ECONOMIA.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

IMPOSTO SUCESSÓRIO

JOÃO RAMOS
Os impostos sucessórios têm vindo a ser abolidos ou reduzidos, um pouco por todo o mundo, uma vez que, como ocorreu há pouco tempo, em Portugal, trata-se de um tributo extremamente impopular. Apesar das críticas, não existe qualquer relação entre o imposto sucessório e a atracão de investimento estrangeiro ou de emigrantes “endinheirados”, que apostam no sector imobiliário nacional. Outros dos motivos apontados passa pela possibilidade de muitas famílias perderem o acesso às suas empresas. No entanto, concedendo a hipótese de pagamento faseado do imposto, tal não teria de ocorrer, e mesmo que viesse a acontecer, relembre-se que as empresas herdadas de familiares, são mais propensas a encerrar, sofrem, em média uma redução de 19% do valor do activo no primeiro ano e constituem uma das justificações, para os baixos ganhos de produtividade nos países ocidentais. Além disso, as heranças reduzem acima dos 150 mil euros a oferta de trabalho. Não esquecendo, os efeitos positivos, que teriam para a redução da desigualdade social.

Neste sentido, o importante passa por tentar encontrar um equilíbrio entre os dois extremos. O imposto deve ser simples, evitando o surgimento de “falhas” ou armadilhas que facilitem a evasão fiscal e de assegurar que apenas são taxadas, as heranças de montante elevados, ou seja, estabelecer um limite mínimo. O tributo não deverá ser demasiado elevado, embora o suficiente para arrecadar receitas significativas, conferindo às famílias a possibilidade de o pagarem de forma faseada, sobretudo, quando envolvem património empresarial. Por último, a criação de um imposto sucessório deverá ser acompanhada de uma redução da fiscalidade regressiva, nomeadamente no IVA, de bens essenciais, como a eletricidade. Apesar de ser uma situação complexa, temos de compreender que um sistema fiscal eficiente e justo, terá de incluir as heranças.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O SONHO TORNADO REALIDADE

LUÍSA VAZ
Portugal perdeu, nas últimas horas, mais uma das suas referências sociais e empresariais. A grande maioria de nós cresceu a ouvir falar de Belmiro de Azevedo e já todos fomos pelo menos uma vez a uma das lojas do Grupo Sonae para onde entrou em 1960, já licenciado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) em Engenharia Química, e cujo controlo assumiu em 1974.

A empresa era propriedade de Pinto de Magalhães, uma figura proeminente da economia portuguesa e os contornos dessa subida galopante de Belmiro de Azevedo nunca foram, nem serão esclarecidos.

Originário do Marco de Canaveses, vem muito novo para o Porto onde para além de estudar ingressa na antiga Efanor e mais tarde passa para a Sonae que na altura era uma pequena empresa que atravessava dificuldades e que Belmiro não só reabilitou como transformou num império

Com um passado modesto, filho de uma costureira e de um carpinteiro, subiu às suas custas a escada do sucesso. Quando entra para a Sonae em 1974 para o cargo de Director de Investigação e Desenvolvimento, Belmiro não sonhava que daí a três anos a empresa sofreria a expansão e crescimento a que todos assistiríamos.

Em 1985, a Sonae abre o primeiro hipermercado português em Matosinhos, o primeiro Continente de uma enorme cadeia que hoje se estende por todo o território nacional. Começa ai a sua grande aposta no retalho e a grande viragem do que fora uma pequena empresa agora transformada em Grupo empresarial. Com a abertura deste hipermercado é marcado o início da Sonae Distribuição e todo um novo mundo se abre para a empresa.

Nunca lhe foi conhecida nenhuma filiação política e provavelmente devido ao cargo que ocupava sempre se tentou posicionar com discrição e isenção. Foi o primeiro empresário português a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) a uma outra empresa portuguesa por valores ainda hoje considerados astronómicos. Essa operação hostil foi travada pela Golden Share que o Estado português detinha e que José Sócrates utilizou através da Caixa Geral de Depósitos que enquanto accionista podia chumbar a operação mantendo assim a PT na alçada do Estado.

Belmiro assume este risco numa altura em que os negócios da Sonae já se estendiam a outras áreas de intervenção: na comunicação social, o Grupo detinha o jornal Público, nas telecomunicações deteve a Optimus, no turismo com investimentos no Tróia Resorts e no retalho com marcas como Worten, SportZone, Modelo e Modelo Bonjour, Continente, Vobis e vários centros comerciais espalhados pelo território nacional.

Em 1983 levou a Sonae para o mercado bolsista tendo ficado cotada em bolsa a partir desse momento com um investimento inicial de 500.000 contos, o que equivale a 2 mil milhões de euros actualmente.

Paralelamente a todas estas actividades, Belmiro também actua no lado social. Fê-lo criando a Fundação Belmiro de Azevedo em 1991 tendo esta por finalidade o Mecenato nas áreas da Educação, Cultura, Artes e Solidariedade. Desta Fundação nasce o Edulug, um think tank que atribuí bolsas para projectos de Educação.

Também através desta Fundação, foi criado em 2008 o Colégio Efanor em Matosinhos no local da velha e abandonada fábrica onde iniciou o seu percurso profissional.

Outra área à qual também era sensível era a da agricultura. Nos últimos anos, Belmiro dedicou-se ao sector primário em Portugal afirmando: “Continuarei, também, a dedicar-me ao sector primário em Portugal, incluindo a primeira e segunda transformação de produtos naturais, que considero, como tenho dito muitas vezes, absolutamente crítico para o sucesso do nosso país” explicou na mesma altura.

Considerado tanto cá como lá fora como um empreendedor de excelência com vários méritos e comendas atribuídas bem como uma pessoa audaz e frugal, Belmiro manteve-se simples e sem tiques até ao fim.

Apesar de tudo isto e sendo que Belmiro de Azevedo nunca assumiu nenhuma preferência política nem assumiu nenhum cargo político em todos estes anos, foi simplesmente um empresário, um empreendedor e um mecenas, é triste que hoje a Frente de Esquerda tenha chumbado um voto de pesar pelo seu falecimento.

Belmiro sonhou, ambicionou, trabalhou, conseguiu e concretizou o seu lugar na História de Portugal.

Portugal perde uma figura de excelência. Um exemplo de que é possível subir na vida de forma limpa e desempoeirada. Não deixemos portanto que este exemplo caia no esquecimento.

QUANTOS POBRES FAZ UM MULTIMILIONÁRIO

MOREIRA DA SILVA
No ano passado, cerca de 1% da população mundial era dono de mais de 50% da riqueza total global, embora os multimilionários, com património avaliado em mais de 50 milhões de dólares, representavam apenas 0,001% da população, cerca de 128 mil pessoas em todo o mundo. 

Com um património avaliado em mais de 1.000 milhões de dólares estavam 92 pessoas, que todos juntos tinham mais dinheiro que a metade mais pobre da humanidade, cerca de 3,5 mil milhões de pessoas, que tinham um património inferior a pouco mais de 3.000 dólares per capita e possuíam apenas 2,7 da riqueza global.

Só no último semestre deste ano, a riqueza global cresceu mais de 6% face ao período homólogo do ano anterior, gerando um aumento significativo de milionários, que ascenderam para o número astronómico de 36 milhões em todo o mundo, com patrimónios avaliados entre 1 milhão e 50 milhões de dólares, controlando 46% da riqueza total global e representando apenas 0,7% da população mundial adulta. 

Em Portugal existem mais de 50 mil milionários, com um património avaliado em mais de um milhão de dólares (mais de 940 mil euros), correspondendo a 0,6% da população adulta portuguesa, sendo que 209 pessoas possuem uma fortuna avaliada em mais de 50 milhões de dólares (cerca de 47 milhões de euros), três das quais acima dos 1.000 milhões de dólares (mais de 942 milhões de euros).

Mais de 84% da população adulta portuguesa tem um património inferior a 100 mil dólares (cerca de 94 mil euros), sendo que a maioria dos portugueses (cerca de 58%, que corresponde a perto de 5 milhões de portugueses) tem um património entre os 10 mil dólares (cerca de 9,4 mil euros) e os 100 mil dólares (cerca de 94 mil euros). É à volta de 15% da população adulta portuguesa (cerca de 1,3 milhões de portugueses) que possui um património entre os 100 mil dólares (cerca de 94,2 mil euros) e à volta de 28%, cerca de 2,5 milhões de portugueses possui uma riqueza abaixo dos 100 mil dólares (cerca de 9,4 mil euros) e o milhão de dólares (cerca de 942 mil euros). 

Pode-se afirmar que um multimilionário representa perto de 40 milhões de pobres. Existem países, como a Colômbia, Geórgia e Suazilândia, onde a fortuna de uma só pessoa (de um único multimilionário) podia servir para levantar toda a população do seu país acima do limiar da pobreza durante 15 anos. 



O fosso da desigualdade entre muito ricos e muito pobres continua a aumentar, sem soluções à vista, com pouca ou nenhuma ação, para eliminar ou atenuar o problema, que tem tendência para agravar. Este fosso da desigualdade atingiu um nível tal que apenas 8 multimilionários possuem a mesma riqueza da metade mais pobre de toda a população do planeta.

MORREU BELMIRO DE AZEVEDO

RUI CANOSSA
Portugal perdeu hoje uma das personalidades mais marcantes do século XX português e do início do novo.

A 17 de fevereiro de 1938 nascia no Marco de Canaveses na freguesia de Tuías. Depois de uma escolaridade anormal, em 1963 acaba a sua licenciatura em Engenharia Química Industrial, na Faculdade de Engenharia do Porto. No início do ano, com 26 anos, entra para a SONAE (Sociedade Nacional de Aglomerados e Estratificados), de Afonso Pinto de Magalhães, como Diretor de Investigação e Desenvolvimento. Começa então a recuperação da empresa produtora de painéis derivados de madeira criada em 1959. Em 1973 Belmiro de Azevedo parte para os Estados Unidos, onde irá fazer um curso de “Management Development”, equivalente a uma pós-graduação em gestão. Com o 25 de Abril de 1974, com a queda do Estado Novo e início do sistema democrático em Portugal, Pinto Magalhães vai para o Brasil e a Sonae é alvo de instabilidade política. Em 1978, os trabalhadores da Sonae fazem greve contra o controlo da empresa por parte do Estado, a chamada “greve ao contrário”. A empresa continua privada. É já na década de oitenta que em 1982, Pinto de Magalhães regressa do Brasil, e oferece uma fatia do capital da empresa, 16%, a Belmiro de Azevedo. Acabaria por falecer em 1983, ano em que é criada a Sonae Investimentos, SGPS. Belmiro vai reforçando a sua posição no grupo, que entra depois no mercado de capitais. No ano de 1985, abre o primeiro hipermercado em Portugal, o Continente, em Matosinhos, no âmbito da criação da Sonae Distribuição, uma joint-venture entre a Sonae e a francesa Promodés. Este é também o ano em que Belmiro de Azevedo apresenta um documento histórico e intemporal: “O Homem Sonae”. É neste ano que Belmiro passa a dominar o grupo, com a maioria do capital, e passa a presidente executivo. Chegamos a 1987, este é o ano em que são lançadas Ofertas Públicas de Venda (OPV) sobre sete das empresas da Sonae, e que o próprio grupo caracteriza hoje como “um ato disruptivo para tirar partido do quadro de incentivos à dinamização do mercado de capitais que surpreendeu positivamente o mercado”. Com isso ganha o financiamento necessário para crescer e apostar em novas áreas. Em 1989, depois do turismo e das tecnologias, dá-se a entrada no sector imobiliário, com a Sonae Imobiliária. No ano seguinte, seria a vez de ser lançado o jornal PÚBLICO. Em 1995, com a criação da Worten, entra no mercado do retalho especializado. Dois anos mais tarde, em 1997, ocorre a inauguração do Centro Comercial Colombo, o maior da Península Ibérica. Em 1999, começa a internacionalização deste negócio. Corria do ano de 1998, ano da Expo de Lisboa, e Belmiro de Azevedo e o seu grupo entram no negócio das telecomunicações, com o lançamento da Optimus, disputando o mercado com as duas operadoras que existiam então, a Telecel/Vodafone e a TMN, da PT, que tinham uma dimensão muito superior, e um controlo maior deste mercado de oligopólio. Em 2006, a SONAE entra a todo o gás com o lançamento da Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Portugal Telecom (PT), movimento marcante mas que acaba por ser travado pelo núcleo duro de acionistas da PT, com destaque para o BES, e o Estado (via CGD), que acionam a famosa “Golden Share”. No ano seguinte, Belmiro de Azevedo passa a liderança do grupo a Paulo de Azevedo, um dos seus três filhos, e ocupa cadeira de chairman da Sonae SGPS. Outro marco importante para o grupo ocorre em 2013, pois é anunciada a fusão da Zon (empresa de cabo que saiu da esfera da PT após a OPA) com a Optimus, surgindo a NOS, cujo controlo é dividido entre a Sonae e Isabel dos Santos. Em 2015, Belmiro de Azevedo afasta-se dos negócios, e Paulo Azevedo acumula a função de Co-CEO (Chief Executive Officer) da Sonae com as de Chairman da Sonae Indústria e da Sonae Capital. Aos 79 anos morre um homem que marcou várias gerações. Por ser quem era. Um empresário com letra grande, um visionário, lutador, inovador, um empreendedor. Era a versão portuguesa do “American Dream”, ou, a forma como um homem comum, de origens humildes, se transforma num dos homens mais ricos do país e do mundo. Ocupava a posição 1121 do mundo. Trocava de carro de 14 em 14 anos. Era rico, muito rico, mas não a ostentava. Era um homem culto, em 1975, nos Estados Unidos da América, obteve um diploma de especialização em Gestão de Empresas, na Universidade de Harvard, e, uma década depois, em 1985, diplomou-se no Financial Management Program da Universidade de Stanford. Citava Marx, o pai do comunismo, para dizer que as crises eram oportunidades para regenerar empresas e países. Era um homem polémico, principalmente, quando não concordava com algumas formas de estar, quer na política, quer na economia, quer na própria sociedade. Essa frontalidade valeu a Belmiro de Azevedo inimizades que nunca se deu ao trabalho de evitar. Assim como a derrota, coincidência ou não, em diversas tentativas de realizar negócios nos quais os governos tinham uma palavra a dizer. Foi o que sucedeu nas tentativas falhadas de domínio do Banco Português do Atlântico, de fundir o Continente com o grupo Jerónimo Martins, de ficar na posse da Portucel ou na iniciativa de lançar uma oferta pública de aquisição sobre a PT, o fracasso mais estrondoso, mas aquele que conseguiu provocar mudanças relevantes no mercado de telecomunicações nacional.

Acabo este artigo com uma frase famosa deste homem que me marcou enquanto jovem estudante de Economia do Porto no já longínquo ano de 1989 e que se habituou a seguir o percurso de um homem com esta dimensão.

“Tenho fama de rico, comportamento de pobre. Estou bem assim.”

terça-feira, 28 de novembro de 2017

PROBABILIDADES, A MATEMÁTICA QUE COMANDA A NOSSA VIDA

RUI CANOSSA
O dia estava lindo, perfeito. Uma brisa quente atravessava o jardim por onde Luís e Regina passeavam. Sentaram-se num banco do jardim onde os dois tinham dado o primeiro beijo. Regina olhava os pássaros à sua volta nas árvores com os seus lindos olhos verdes. Ele, nervoso, aproveitou o momento da sua amada para, trémulo, retirar uma caixinha de veludo do seu bolso. Abriu-a e um lindo anel começou a brilhar. Através da sua voz embargada pela emoção disse: “Como sou o homem mais feliz do mundo. Encontrei a minha alma gémea no meio de 4 mil milhões de mulheres. Aceitas casar comigo?”

Não, não estou a tentar começar uma carreira como novelista. Na verdade estou a tentar mostrar que a nossa vida é feita de escolhas, de decisões. Deixamos o guarda-chuva em casa, apesar de o céu estar cinzento, fazemos o euromilhões com base nos números do dia de aniversário, vamos de férias para um lugar que não conhecemos por sugestões de desconhecidos feitas online. Mas deveremos fazer contas ou deixamo-nos levar pelo instinto?

Voltemos ao nosso par romântico. Na verdade o Luís tinha um universo de escolhas muito mais restrito. 43 para ser mais exato. Vamos fazer algumas contas. O Luís vive em Amarante onde vivem cerca de 54 mil pessoas. Metade são mulheres, ou seja, 27 mil. Agora aplicando o Princípio de Pareto (economista italiano) também conhecido como a regra 80/20, que diz que 80% dos efeitos vêm de 20% das causas, só 20% das mulheres estarão no mesmo grupo etário do Luís, o que significa 5400 mulheres. O Luís só achará atraentes 20% dessas mulheres, ou seja, 1080.Destas eleitas, por seu lado, só 20% acharão o Luís um homem bonito, o que corresponde a 216 damas. Se daqui tiramos que só 20% terão compatibilidade de feitio com ele, então o número é de 43. Uma em 43, a probabilidade de se terem apaixonado era afinal muito maior do que ele pensava e que usou na sua estratégia de conquista.

Já sei, querem saber o que Regina disse ao Luís. Vamos fazer contas? Ele estava esperançoso, pois tinha 50% de hipóteses dela dizer sim. Se bem que ele sabia que, na cabeça dela, só havia uma resposta possível. Ou acham que ele anda a brincar com a sorte? Ela disse sim.

As aplicações da Teoria das Probabilidades são quase infinitas. A incerteza é omnipresente no nosso dia a dia e esta teoria permite-nos estudar quais os cenários que têm maior possibilidade de se tornarem reais. Eis algumas probabilidades que comandam a nossa vida. Morrer ao ser atingido por um meteorito: 1 em 475 milhões; ganhar o euromilhões: 1 em 140 milhões; ser mordido por um tubarão: 1 em 11 milhões; ser atingido por um raio: 1 em 174 mil; ser auditado pelas finanças: 1 em 100; ter um colega de trabalho chamado João: 1 em 50; viver numa casa de 5 divisões: 1 em 3; chover amanhã: 1 em 3!

Despeço-me agora porque tenho de ir fazer 43 entrevistas!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

NOVAS REGRAS BANCÁRIAS A PARTIR DE 2018

JOÃO RAMOS
Na primeira metade de 2018, os bancos sofrerão um “rombo” na sua rentabilidade contabilística, em virtude das alterações impostas pelo novo standart de contabilidade internacional, que abrange mais de 120 países, incluindo Portugal. No novo sistema, os bancos deverão contabilizar as perdas esperadas e não as efetivamente incorridas, como ocorria no passado. O IFRS 9 classifica os empréstimos em três fases: Quando o empréstimo é contraído – primeira fase- o banco deve reservar provisões para os próximos 12 meses de empréstimo. Se, por algum motivo (exemplo desvalorização de um imóvel) ocorre um aumento do risco de incumprimento – fase 2- então o banco será obrigado a assegurar provisões que cubram a totalidade do empréstimo. Caso se confirme o incumprimento, entram entra-se na fase 3, com a instituição bancária a registar as perdas no seu relatório e contas. Nas regras acuais, os bancos contabilizam apenas a rentabilidade dos créditos de maior risco, sob a forma de juro superiores, embora não apresentem as provisões necessárias, para a sua cobertura, o que aumenta os riscos de perdas elevadas e instabilidade financeira. Na prática, em média, os bancos da União Europeia terão de aumentar as suas provisões, na ordem dos 13%, estimando-se que os seus rácios de capital baixem cerca de 0,45 p.p., embora existam instituições com “tombos” ainda maiores, segundo a Autoridade Bancária Europeia. Apesar da aplicação se estender por um período de 5 anos, as agências de rating, temem que o aumento das provisões acima do necessário retire financiamento à economia e agudize as recessões. Para lá desta questão que importa sobremaneira a Portugal, pela baixa capitalização empresarial, as novas regras poderão voltar a exigir novas recapitalizações, em instituições bancárias, como a CGD ou o Novo Banco (que seriam dadas com aval do Estado). A redução da rentabilidade também constituiria um novo fator de desinteresse para os potenciais interessados, o que reduziria ainda mais a margem de manobra das instituições e obrigaria a nova intervenção do Estado. Esta é uma situação que deveria alertar o governo e banco de Portugal para as eventuais necessidades que o nosso sistema financeiro possa vir a apresentar, no futuro.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O ORÇAMENTO DE ESTADO DE 2018

RUI CANOSSA
O orçamento de Estado é um documento onde o Governo expõe aquilo que quer fazer para o ano seguinte, é onde insere as despesas públicas e as receitas para o concretizar. As opções neles contidas representam escolhas, e essas escolhas, porque as necessidades são ilimitadas, implicam decisões, caminhos, modos de ver e organizar a economia e a sociedade, escolhas essas que são ideológicas. E ideologicamente este orçamento é de esquerda.

Neste orçamento para 2018 podemos ver que privilegia, aparentemente, o trabalho em vez do capital, desce o IRS e não o IRC.

A ideia do Governo é devolver rendimento disponível às famílias. Aposta na reposição dos salários e pensões, bem como nos apoios sociais cortados entre 2011 e 2015, vai buscar rendimentos aos bens importados como nos automóveis e a produtos alimentares que possam ser prejudiciais à saúde, onera o crédito ao consumo, mantém as taxas de energia sobre a GALP, REN e EDP, as contribuições extraordinárias da banca , energia e farmacêuticas continuam contempla um aumento entre 6 e 10 euros para os pensionistas continua a repor os valores do RSI, entre outras.

Mas a questão que se coloca é como é que vão chegar ao 1% de défice orçamental em 2018 e uma redução da dívida pública para os 123.5% do PIB. Nesta matéria a dívida bateu o recorde encontrando-se nos 250 mil milhões de euros. O Governo não estava a contar que a economia portuguesa tivesse crescido tanto e isso permitiu-lhes ter uma folga orçamental de mil milhões de euros, que a juntar à descida das taxas de juro dão uma margem confortável para gastar. 

Vê-se neste orçamento que visa também garantir a continuação da solução governativa encontrada a chamada geringonça entre PS, BE e PCP.

Segundo Daniel Bessa, se fosse ele a governar iria pedir aos serviços para não gastar desmesuradamente e que parte dessa folga fosse poupada e garantir o saldo zero orçamental.

É que o risco é enorme, criar despesa fixa acreditando que as taxas de crescimento económico se vão manter acima dos 2% e se a conjuntura internacional de taxas de juro baixas se inverter, o petróleo pode vir a aumentar 5 a 10 dólares por barril e as economias espanhola e alemã vão desacelerar e então vamos ter um caso sério para resolver.

Por outro lado, este orçamento não fala muito sobre apoio às milhares de pequenas e médias empresas que são a esmagadora maioria das empresas em Portugal, nem fala muito em investimento, quer nacional ou estrangeiro. É que sem investimento não há empregos nem criação de riqueza para distribuir. E as famílias com os seus rendimentos aumentados em termos nominais estão já a procurar mais crédito.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

ASSIMETRIAS REGIONAIS

JOÃO RAMOS
A teoria económica convencional sugere que as assimetrias regionais são reduzidas, ao longo do tempo, através dos investimentos realizados pelas regiões mais ricas nas áreas mais pobres. No entanto, o seculo XX refuta por completa esta teoria, uma vez que a diferença de rendimentos tende a aumentar, dentro dos países e dos blocos comerciais, como a União Europeia, via periferia, centro. As divergências regionais apresentam consequências significativas para a sociedade. Em determinado locais do interior, as oportunidades escasseiam, a saúde das populações é pior, as chances de ascensão social são limitadas e os rendimentos mais baixos. Estima-se que, caso a produtividade entre regiões fosse semelhante, o PIB global duplicaria. Grande parte do problema resulta da ineficiência das políticas públicas, que no caso nacional, promovem a litoralização das atividades económicas, deixando o interior ao abandono.

Neste aspeto, os governos deveriam criar incentivos à mobilidade de populações e empresas através da construção de novas infraestruturas, vias de comunicação, isenções fiscais e da flexibilização das transferências de local de trabalho. Os fundos estruturais falharam na prossecução destes objetivos, tornando as regiões dependentes dos subsídios, que quando se esgotam, voltam ao patamar económico, em que se encontravam no início dos programas de apoio. Neste sentido, os governos devem promover a difusão do conhecimento e tecnologia através da construção de polos universitários, em regiões desfavorecidas, que concedam apoio técnico às pequenas e médias empresas. Além disso, seria indispensável apostar no atracão de investimentos estruturantes, como a Auto-europa, que criam à sua volta, um cluster de empresas, facilitando a difusão de conhecimento e a melhoria da produtividade. Na Alemanha, existem programas específicos que direcionam cerca de 30% de todo os investimentos em investigação e desenvolvimento para as instituições de ensino, que desenvolvem tecnologia e apoio para as empresas de regiões pobres. Um país mais equilibrado é um país mais justo, mais próspero e menos propenso a desastres naturais.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

MORRER E PAGAR IMPOSTOS

RUI CANOSSA
Segundo Samuel Johnson e também Benjamin Franklin “só há duas certezas na vida: morrer e pagar impostos!”.

De facto, na nossa vida, a inevitabilidade da morte só se compara à inevitabilidade de pagar impostos. Os impostos diretos, como o IRS, que incide sobre o rendimento das famílias, o IRC, que incide sobre o rendimento das empresas e o IMI, que incide sobre o património. Depois existem os impostos indiretos pois só pagamos se consumirmos. Assim, temos o maior deles todos que representa sozinho um terço dos impostos em Portugal, o IVA, Imposto sobre o Valor Acrescentado, cuja taxa maior é de 23%, o IUC, Imposto Único de Circulação, Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, etc. Estes são alguns dos mais visíveis aos olhos dos contribuintes, mas há tantos! Sabia que quando está a usar uma simples pen drive está a pagar uma compensação devida pela reprodução ou reprodução de obras? Ou que quando vai à farmácia está a pagar, ou a ajudar a pagar uma taxa de comercialização e regulação do INFARMED e a contribuição sobre a indústria farmacêutica? Nos aeroportos está a pagar uma taxa de aeroporto, e os turistas pagam impostos e até na publicidade? Nas SCUT e nas autoestradas pagamos portagens… A lista é mesmo grande e eu ainda não cheguei onde queria. 

E o rendimento disponível das famílias? Este é calculado pela soma dos rendimentos, ou seja, salários, rendas, juros e lucros, aos quais vamos deduzir os impostos indiretos, o IRS, IRC ainda as contribuições obrigatórias para a Segurança Social. Depois desta operação de aritmética é que temos o rendimento disponível para consumir e se sobrar algum poupar. E os impostos sobre o consumo têm vindo a subir. 

Se estivermos a ouvir com atenção as notícias anunciam com todo o entusiasmo algum decréscimo da carga fiscal nos escalões inferiores do IRS, alegando um aumento do rendimento das famílias, uma devolução do rendimento às famílias! Mas, se é só para alguns escalões o resto fica na mesma. Mais, se os impostos indiretos, alguns invisíveis, vão aumentar, os preços vão aumentar e o meu rendimento real, o meu poder de compra, a quantidade de bens e serviços que posso adquirir com o meu rendimento vai diminuir!

E entretanto vem aí o Orçamento de Estado para 2018 e o que se fala é que se vai reduzir o défice orçamental até 1% do PIB, numa operação aritmeticamente impossível, dada a pressão para diminuírem a receita e aumentarem a despesa. Quem é que vai pagar a conta? Já estou a ver somos nós nos impostos sobre o consumo. Lembro a frase de Margaret Thatcher: “ Jamais se esqueçam que não existe dinheiro público. Todo o dinheiro arrecadado pelo Governo é tirado ao orçamento doméstico, da mesa das famílias”



Tenham uma vida longa e próspera, ah, e a pagar impostos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

LEITURAS DE DINHEIRO

RUI CANOSSA
Estamos a chegar ao fim das férias, a escola acaba com elas, como diz numa canção muito popular entre os mais novos. E é no período de férias que a maior parte das pessoas põe a leitura em dia. 

A minha sugestão para leitura de férias vai para dois livros sobre finanças pessoais, assunto tão importante e tantas vezes negligenciado.

Assim, a primeira sugestão de leitura vai para Filho Rico Filho vencedor com o subtítulo - Como preparar o seu filho para ganhar dinheiro, de Sharon L. Lechter e Robert T. Kiyosaki. De facto um problema dos tempos modernos é a de que os mais novos não darem importância ao dinheiro, ou valor ao dinheiro, ou até mesmo à forma como o dinheiro é auferido pelos pais e muito menos a darem importância à poupança. A sociedade de consumo de massas é implacável com as suas estratégias de marketing e publicidade que invariavelmente levam ao consumismo, perigoso, impulsivo e que pode pôr em risco a segurança familiar.

Este livro em jeito de guia destina-se também aos pais que valorizam a educação, que desejam ensinar os seus filhos a sair na frente no mundo financeiro, académico e na vida, e que estão dispostos a assumir um papel ativo para que isso aconteça.

Na Era da Informação, uma boa educação é mais importante do que nunca. Mas o sistema educacional de hoje pode não estar a fornecer todas as informações de que o seu filho precisa. Este livro tem por objetivo suprir justamente essas lacunas. Só tem um defeito este livro. O seu preço, 41,35€.

O segundo livro, relacionado com o anterior, tem o título – Casais inteligentes enriquecem juntos de Gustavo Cerbasi. Para o autor, alguns dos maiores motivos de discussão entre casais são os problemas financeiros.

Para Gustavo Cerbasi, a causa desses desentendimentos é a falta de conversa sobre dinheiro em família. Regra geral, o casal só fala sobre o assunto quando a bomba já rebentou. E, como não se discute a questão a dois, a maioria não faz um orçamento, não guarda dinheiro para atingir as suas metas, não tem planos para a manutenção do seu padrão de vida no futuro, toma decisões de compra sem refletir, investe mal o dinheiro que custou com tanto suor a ganhar.

Com sugestões para casais em qualquer fase do relacionamento, dos namorados aos casais com filhos adultos, este livro vai mostrar-lhe diferentes estratégias para formar uma parceria inteligente, ao longo da vida, na administração das finanças da família. Este livro tem um defeito maior do que o livro anterior, 48,54€!



Pois é meus caros amigos, como dizia a canção imortalizada por Liza Minnelli – Money makes the world go round - o dinheiro faz girar o mundo e por isso é inevitável ter de saber como obtê-lo, geri-lo, aplicá-lo, gastá-lo, etc. E muito se escreve em torno destes temas e já agora muito dinheiro se ganha a fazê-los também.