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segunda-feira, 12 de março de 2018

SONHO PARA VIVER E VIVO A SONHAR

RITA TEIXEIRA
Recuando no tempo até ao diagnóstico, relembro o terrível sofrimento ao escutar que padecia de Esclerose Lateral Amiotrófica, com o prognóstico de três a cinco anos e que poderia terminar a minha vida asfixiada.

Quantas lágrimas derramadas no meu rosto e ainda as verto diariamente, invisíveis aos olhos dos outros.

Não me quedei à apatia à espera que a doença me levasse.

Familiares e amigos, em sintonia, tocaram na minha alma, floresceram no jardim do meu coração e a minha mente confusa enraizaram se os sonhos.

O mundo dos sonhos foi o subterfúgio para não entrar num estado depressivo!

Perante as tempestades, os vendáveis e os temporais da vida, enfrentei duras batalhas entrando no mundo dos sonhos.

Nos precipícios, nas rotas sinuosos e nos percalços da vida, flutuei no mundo dos sonhos, para seguir em frente a caminhada da minha vida.

Eis um dos meus sonhos!

Diariamente devemos exercitar nosso corpo, para manter a linha da felicidade. 
Vista-se com o fato de treino dos sentimentos. 
Dê duas voltas ao redor da alegria. 
Não se esqueça de ir inspirando paz e expirando amor. 
No trapézio dos afetos, faça os exercícios com o carinho devido. 
Vá para a bicicleta e pedale como se a meta esteja à sua esqpera com o troféu do sucesso. 
Ingira um pouco de água nascente e retome os exercícios. 
Faça abdominais como se abraçasse um ente querido e faça flexôes como se fosse dar-lhe beijinhos. 
Encha os pulmôes de ar saudável e a mente de sonhos. Finalmente, tome um duche revigorante e veja-se ao espelho... Constate que o seu rosto resplandece a melhor maquilhagem de sempre: um sorriso contagiante e um olhar brilhante..
A felicidade está em todos os poros do seu corpo. 
Seja feliz e espalhe essa felicidade!!!

É CORREDOR E AS SUAS UNHAS FICARAM NEGRAS?

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Enquanto corre o pé move-se constantemente para a frente e o atrito contínuo provoca danos nas unhas, um dos problemas mais comuns em corredores é sem dúvida o aparecimento de unhas negras. As unhas apresentam esta coloração devido a microtaumatismos repetitivos como o toque das unhas na zona superior das sapatilhas, esta coloração caracteriza-se por hematoma subungueal.

Estes hematomas se não forem tratados corretamente pode levar ao aparecimento de outras patologias ungueais tais como: onicocriptose (unha encravada), onicomicose (micose nas unhas), onicogrifose (engrossamento das unhas) ou onicólise (despreendimento total da unha).

COMO CUIDAR DAS UNHAS PARA EVITAR PROBLEMAS DURANTE A CORRIDA

Deve cortar as unhas 7 a 10 dias antes do trail ou da corrida
As unhas não devem ser cortadas demasiadamente curtas para não desproteger o leito ungueal.
O corte ungueal deve ser reto, pois o arredondamento dos cantos das unhas pode provocar uma onicocriptose.
Não corra com sapatilhas muito apertadas, o ideal é comprar as sapatilhas sempre ao final do dia pois é quando o pé se encontram mais edemaciados (inchados).
Utilizar meias sem costuras; as costuras podem gerar atritos nos dedos.

Para minimizar o problema o ideal é consultar um Podologista (www.centroclinicodope.pt) para analisar a dinâmica do seu pé e avaliar qual a biomecânica do mesmo, visto cada corredor apresentar um tipo proprio de apoio plantar.

sábado, 10 de março de 2018

EXERCÍCIO FÍSICO E GRAVIDEZ


ANTONIETA DIAS
O desporto representa por si mesmo e pelas suas múltiplas facetas, uma situação favorecedora da saúde. Ninguém põe em duvida os efeitos positivos que a pratica desportiva proporciona. O interesse cada vez maior pelo desporto tem feito com que o número de praticantes tenha vindo a aumentar consideravelmente. 

No contexto atual praticar desporto é uma rotina quase obrigatória, havendo um número cada vez maior de praticantes amadores e profissionais. A idade de inicio da pratica desportiva surge cada vez mais precocemente.. 

Os diferentes tipos de atividade desportiva impõem exigências variáveis aos desportistas que a praticam. 

As exigências que diariamente são pedidas sobretudo aos atletas de elite para atingirem bons resultados, passam necessariamente por um aperfeiçoamento das técnicas, por um número maior de horas de treino, por um aquecimento adequado, por um programa de treino e de competição intensiva, por uma ingestão suficiente de líquidos, por uma alimentação completa e variada por uma boa higiene geral (repouso, sono, abstenção de álcool). Apesar de uma constante melhoria das técnicas de treino e dos equipamentos ninguém fica imune ao risco de lesões. 

Por melhor que sejam as qualidades pessoais do atleta, mesmo que a sua preparação técnica seja excelente, o sucesso desportivo pode não ser atingido se durante a sua prática desportiva ficar lesionado. 

O nosso papel será atuar a nível da prevenção. Divulgando medicas preventivas eficazes, a fim de impedir o aparecimentos de lesões. 

A evidência científica demonstra claramente que a prática de exercício físico na gravidez melhora a qualidade de vida, promove o bem estar mental, físico e social da grávida. 

É uma prioridade para os especialistas de medicina desportiva incentivarem e recomendarem a manutenção da pratica desportiva durante o período gestacional. 

A prática de estilos de vida saudável funciona como um dos mais importantes benefícios na prevenção das doenças. 

A atividade desportiva a desenvolver pela grávida tem de ser compatível com o seu estado psicofisiológico para lhe proporcionar segurança e conforto. 

O Exame de aptidão médico desportiva deverá ser realizado logo que a mulher engraviad, para permitir que o exercício físico que irá praticar seja seguro para a mãe e para o feto e para que a mulher usufrua de um verdadeiro beneficio desde o inicio da concepção. 

São imensos os benefícios resultantes da prática desportiva, porém antes de iniciar a sua atividade, neste período tão especial da sua vida, a grávida necessita de efetuar uma avaliação rigorosa e detalhada do seu estado de saúde que deverá ser realizada por um especialista de medicina desportiva , complementada pela avaliação do seu obstetra que a irá acompanhar durante o período gestacional, cujas recomendações são fundamentais para que o desenvolvimento fetal e a estabilidade física e psicológica da grávida não sejam prejudicadas. 

Estas avaliações são obrigatórias e fundamentais pois permitem fazer a transmissão dos conselhos e das recomendações mais importantes para que as orientações e sucessivas adaptações periódicas durante as várias fases da gravidez sejam enquadradas e contextualizadas de acordo com a especificidade do seu histórico clínico, da antecipação da prevenção de eventuais complicações (por exemplo risco de placenta prévia, hemorragias do 1.º 2.º ou 3.º trimestre da gravidez), bem como no controlo de patologias crónicas p´revias designadamente a existência de uma diabetes, patologia cardiovascular, endócrina, hipertensão arterial ou outras. 

Sem dúvida, que a regularidade do desporto durante a gestação tem imensas vantagens, sendo um investimento essencial para a mulher, uma vez que para alem de aumentar os níveis de energia, diminui o excesso de peso, as insónias e previne do risco de desenvolver uma diabetes gestacional. 

As desportistas têm ciclos na sua vida, designadamente durante a gravidez, que necessitam de adaptabilidade funcional na execução de determinados exercícios que terão de executar 

Praticar exercício físico durante a gravidez aumenta os níveis de e energia, previne o excesso de peso e diminui o risco de diabetes gestacional entre outras vantagens
Palavras chave: gravidez e exercício físico, benefícios do exercício físico na gravidez , tipos de exercício físico aconselhados na gravidez
Os benefícios da atividade física durante os meses da gravidez são muitos e vale a pena o esforço inicial
Antes de começar
Em primeiro lugar consulte o Obstetra para receber os conselhos e determinar as eventuais adaptações tendo em conta o contexto da sua história clinica e das possíveis complicações designadamente diabetes não controlada, hipertensão arterial , patologia cardio vascular , placenta previa ( inserida perto do colo do útero
Destinada a avaliar a possibilidade de executar exercício físico seguro para a grávida e para o bebe 


CAROLINA PATROCÍNIO
DR
A atividade física esta normalizada na atleta de alta competição e tem de ser entendida como parte integrante de um ciclo de regular da sua vida diária. 

Todavia, poderá haver necessidade de fazer algumas adaptações nas várias modalidades e designadamente na execução de certos exercícios para não perturbar as mudanças fisiológicas que a gravidez gera na mulher. 

Sem dúvida que a gravidez origina na mulher alterações fisiológicas e psicologicas 

Sem duvida que a pratica do exercício físico contribui para melhorar o bem estar e o conforto da atleta, que necessita de manter a sua atividade de forma regular. 

É óbvio que o primeiro patamar de decisão passará pela observação e orientação do obstetra que deverá ser o primeiro profissional médico a dar o seu contributo na manutenção do exercício. 

Apesar de todas as atletas gravidas vivenciarem uma situação comum, nem todas reagem da mesma forma, pelo que as adaptações terão que ser individualizadas de acordo com a modalidade praticada e com as características da atleta. 

Em todas as circunstâncias temos que manter o beneficio do exercício físico, com as recomendações adequadas para cada uma das atletas. 

Todos sabemos que a pratica do exercício físico é um fator de equilíbrio emocional e físico na gravida, aumentando o seu bem estar e mantendo-a ativa. 

Um estilo de vida sedentário diminui a massa muscular, origina um aumento excessivo de peso durante a gravidez, aumenta o risco de desenvolver diabetes gestacional e pré- eclampsia, desenvolvimento de varizes, aumento das queixas físicas como dispneia e lombalgias resultantes das mudanças físicas que ocorrem durante a gravidez e uma menor adaptação psicológica a este período único na vida da mulher. 

O exercício melhora o controlo glicémico em gravidas com diabetes gestacional e pode ter um papel importante na sua prevenção 

Evidencias sugerem um efeito protetor da doença coronária, osteoporose, hipertensão, redução do risco de cancro do colon e provavelmente do cancro da mama e redução da percentagem corporal de gordura. 

Naturalmente que o esforço corporal excessivo não é recomendável para a grávida, havendo por isso algumas restrições durante o período de gestação não só no que concerne a determinadas modalidades desportivas ou /e determinados exercícios que possam ser executamos com mais violência e/ou agressividade como sejam os desportos de elevado risco que possam induzir traumatismo abdominal nos quais se inclui o salto de trampolim, o esqui náutico ou alpino, o parapente, a escalada, a patinagem ou o alpinismo 

Se é certo que o beneficio é muito superior ao risco, por vezes temos de ponderar a necessidade de interromper a atividade temporária das atletas, designadamente nos casos em que exista uma hemorragia genital, atraso do crescimento intrauterino, rutura prematura de membranas e em todos os nalguns casos em que existam comorbilidades que possam interferir com o desenvolvimento fetal. 

Definir uma estratégia com linhas programáticas bem definidas e estruturadas de forma a satisfazer a motivação da atleta e de todo o fenómeno desportivo é uma exigência do seu bem estar e satisfação pessoal conduzindo inevitavelmente ao sucesso. 

Todavia é certo que o parecer do medico obstetra é fundamental para dar as orientações que considere mais importantes para o caso em apreço. 

A alimentação deve ser uma prioridade na gravida sendo que o grau de exigência na seleção de alimentos numa atleta de alta competição tem que está gravida deve ser realizada com maior rigor. 

Um estudo efetuado sobre a percentagem de atletas de alta competição que usam suplementos alimentares realizado pelas faculdades de Desporto e de Ciências da Nutrição da universidade do Porto, que abrangeu 304 atletas das várias modalidades (râguebi, triatlo, natação, judo, ciclismo, ginástica atletismo, esgrima, basebol, andebol, boxe, natação, basebol) revelou que 66% dos atletas de alta competição usam suplementos alimentares, dos quais os mais utilizados são os polivitaminicos, o magnésio, as proteínas e as bebidas desportivas.. 

A atleta gravida deve estar esclarecida sobre o tipo de exercício que pode praticar, frequência. Duração e intensidade, não só durante o período da gestação como no pós parto. 

Se a gravidez decorre de forma natural, a atleta deve ser estimulada a manter o exercício físico, podendo em casos pontuais de adaptar o programa de treino. 

Se a gravidez é de risco, deve ser feito um exame de avaliação medico desportiva, rigoroso destinado a ajustar os exercícios mais indicados para evitar prejudicar a mãe ou o feto. 

A resposta ao exercício na mulher gravida vai depender do impacto que as alterações fisiológicas e psicológicas provocam na mulher. 

Tendo em conta o aumento ponderal que a mulher adquire durante a gravidez, não podemos excluir uma maior probabilidade de inaptidão para a modalidade pois o excesso de peso irá de certeza interferir na execução . 

Durante o período de gravidez o metabolismo glicídico altera-se podendo levar nalguns caos a situações de hipoglicemia em jejum e hiperglicemia pós-prandial . 

Constatamos que os níveis de insulina aumentam , todavia no terceiro trimestre há um aumento de resistência à insulina. 

As atletas gravidas correm o risco de fazerem hipoglicemias pelo que se aconselha que tenham uma alimentação com mais calorias e das redução do tempo de exercício, sendo no máximo 45 minutos. 

Para além das alterações metabólicas o volume de sangue circulante aumenta , havendo por isso necessidade de uma monitorização permanente ao exercício para não criar problemas. 

Existe alguma evidencia que comprova que a atividade física na gravida reduz as insónias, melhora 

Os exercícios mais adequados são os de intensidade moderada, natação ou caminhada ou corrida reduzem a duração do trabalho de parto e o risco de complicação do mesmo. 


As gravidas devem evitar os desportos violentos e todos os exercícios com risco de trauma ou queda 

Contra-indicações a pratica do exercício físico 

Segundo a ACOG 

CONTRA-INDICAÇÕES Absolutas são. 

Doença cardíaca 

Doença pulmonar restritiva 

Colo uterino incompetente 

Gestação múltipla com risco de parto pré-yermo, 

Hemorragia persistente durante o segundo e treceiro trimestre 

Placenta previa apos as 26 semanas de gestação 

Trabalho de parto prematuro durante a atual gestação 

Rutura de membranas 

Hipertenção gestacional 

Segundo a ACOG as contra-indicações relativas são 

Anemia severa (Hg§100g/l, 

Arritmia cardíaca materna não avaliada, 

Diabetes de tipo I mal controlada, 

Obesidade morbida (IMC maior que 40), 

Magreza excessiva (IMC menor que 12); 

Historia de um estilo de vida extremamente sedentário ; 

Restrição de crescimento intra-uterino na gravidez atual; 

Hipertensão /pré-eclâmpsia mal controlada ; 

Limitações ortopédicas; 

Doença convulsiva mal controlada : 

Doença tireoideia mal controlada ; 

Fumadora pesada (mais de 20 cigarros dia ) 



Sinais de alerta –suspender o exercício físico durante a gravidez 

Segundo o ACOG os sinais de alerta são: 

Hemorragia vaginal; 

Dispneia após o esforço; 

Tonturas; 

Cefaleias ; 

Dor torácica; 

Fraqueza muscular; 

Dor ou edema dos tornozelos (diagnostico diferencial de tromboflebite deve ser tido em consideração ); 

Trabalho de parto prematuro ; 

Diminuição dos movimentos fetais 

Perda de líquido amniótico. 

Longo vai o tempo em que as gravidas eram aconselhadas a interromper o exercício físico, devido ao fato de se pensar que proporcionava um risco de abortamento e de parto prematuro, todavia desde há cerca de trinta anos que se pensa de forma diferente . 

Segundo as recomendações de 2011 na Sports Medicine demonstram evidencia para os programas de exercício fisíco de intensidade progressiva com duração e frequência harmoniosos, equilibrados de forma a estabelecer potenciais benefícios e evitar os malefício. 

A prescrição do exercício físico de deve ter em conta o estado de saúde da gravida para poder programar e adaptar o exercício adequado 

Tipos de exercício 





Em suma, 

São muitos os benefícios que a gravida recebe com a pratica do exercício físico, designadamente a diminuição da fadiga, varizes e edema das extremidades 

A evidência científica demonstra que a pratica do exercicio físico na gravidez melhora a qualidade de vida, promove o bem estar mental , físico e social e gera um
Estilo de vida saudável sendo por isso recomendado e incentivado pois é benéfico em qualquer ciclo

NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS

MOREIRA DA SILVA
O conceito de qualidade de vida associado à assistência nutricional nos cuidados paliativos é de facto muito subjetivo, uma vez que a noção de qualidade de vida depende do que cada pessoa entende como bem-estar e conforto. Portanto, tendo em conta as diferenças classes sociais, económicas e mesmo estado da doença, as nuances deste conceito vão-se alterando.

“Os cuidados paliativos promovem o alívio do sofrimento, no qual a dor está incluída, quase de uma forma total, reafirmando a vida e a morte como processos naturais.” Como é óbvio, a avaliação da qualidade de vida associada à alimentação nos cuidados paliativos, tende a promover uma melhoria da prestação e promoção dos próprios cuidados, permitindo uma melhor monitorização e gestão do processo.

A alimentação, por si só, tem dimensões que encontram o nosso fisiológico e emoção, promovendo sensações de prazer. Sendo assim, os cuidados de nutrição neste tipo de doentes, aquando de uma satisfação deficitária, condicionam fortemente a sua qualidade de vida.

O ato de alimentar, seja pelos cuidados formais ou informais, assume então uma dimensão imensamente importante e fundamental, quer no doente institucionalizado, quer no doente que está em casa.

Do ponto de vista nutricional, ao mesmo tempo que importa diminuir a quantidade da ingestão, importa também manter toda a sensação de prazer, conforto e satisfação do doente, quer nos sólidos, quer nos líquidos. Recomenda-se atender às preferências alimentares e desejos do paciente, sendo que, se exequível, a ingestão através dos meios tradicionais deve ser então privilegiada.

Em bom rigor se diga, que o forcing na ingestão de determinados alimentos contra a vontade do doente, não ajuda na adesão à terapêutica, nem na própria melhoria da qualidade de vida do doente.

Como é óbvio, todos os procedimentos devem ser tutelados por um profissional da área, que é o Nutricionista, por forma a ir de encontro às necessidades específicas nutricionais e aporte calórico diário do doente em questão.

Nunca nos esqueçamos que a chave “para cuidar de si mesmo, é a cabeça; para cuidar dos outros, é o coração.”

VIDA DE MÉDICA VETERINÁRIA

SUSANA FERREIRA
No dia 8 de Março celebrou-se o dia internacional da Mulher, por isso, nada melhor que falar da minha experiência como mulher na área da Medicina Veterinária. Alguns vão perguntar-se mas qual a diferença entre ser Homem ou Mulher na Medicina Veterinária? Aparentemente pode parecer indiferente, no entanto, não é. 
Porque questionam sempre nas entrevistas de trabalho se penso ser mãe? A minha pronta resposta é não, mas do outro lado vê-se o ar intrigado. Alguns, vão mais longe e questionam a minha idade, como quem diz estás com o tempo contado para ser mãe. Logo, ninguém quer contratar uma futura mamã, que irá desfrutar meses da maternidade e de seguida de horário reduzido para amamentar. 
Os próprios clientes credibilizam mais os Veterinários. Durante o meu percurso profissional tive de substituir alguns colegas Homens e Mulheres. No caso das substituições dos Homens tive várias pessoas a recusarem-se a serem atendidas por mim, nem davam o benefício da dúvida. Muitas vezes tratavam-me como se fosse auxiliar, pedindo para eu chamar o Médico Veterinário. Cheguei mesmo a falar com uma cliente que veio comprar ração e tratou o auxiliar como Veterinário e saiu porta fora, sem eu ter oportunidade de desfazer o erro. O mais surpreendente ... maioritariamente estas atitudes partem de outras mulheres. 
E gerir o dia-a-dia? Às vezes acho que o dia não tem horas suficientes e ainda não sou mãe. 
Neste trabalho há hora de entrada mas não há hora de saída. E mesmo quando se sai, fica o pensamento na clínica. 
O que podia ter feito e não fiz? 
O que ficou pendente para amanhã? 
O que posso fazer mais pela saúde do Kiko, tendo em conta a impossibilidade económica do dono?
E aquela pessoa que tentou deixar na clínica, um cão que encontrou na rua e como tu recusaste, faz-te sentir a pior pessoa do mundo...
Tu sabes que não és, mas ficas a remoer no assunto e ficas ainda mais preocupada com o futuro daquele cão. De certa forma, culpas-te por não reunires as condições financeiras para ajudares todos os animais que precisam. 
E aquela eutanásia da cadelinha que acompanhas desde bebé? Aquele nó na garganta, aquela lágrima solta, a angústia de não ter conseguido fazer mais e melhor. 
E depois de um dia longo de trabalho ainda te espera o jantar, adiantar o almoço para o dia seguinte, a roupa, a loiça, a casa por limpar, os teus animais por tratar... ir às compras, pensar na ementa para toda a semana. E ainda arranjar tempo para a família que a maioria das vezes sai prejudicada com a nossa ausência na presença. Pois muitas vezes estamos presentes em corpo mas não em mente. 
E as urgências? Quando te deitas na cama e pensas “agora vou finalmente descansar do longo dia de trabalho... “ e repentinamente pelas 3horas da manhã toca o telefone das urgências. Acordas em sobressalto, com o coração nas mãos. Há um animal a precisar ser salvo e lá vais tu. No dia seguinte terás de estar dispersa e bem-disposta na primeira consulta do dia. 
Nós sentimos necessidade de mostrar que somos boas profissionais e temos capacidade de fazer ainda melhor para sermos reconhecidas. 
Quando supostamente se fala em igualdades de circunstância, a realidade ainda está muito aquém das expectativas.

domingo, 4 de março de 2018

TENDINOPATIA PATELAR

PEDRO MACEDO
O que é a TENDINOPATIA ROTULIANA?

É uma lesão no joelho, habitualmente causada por sobre uso, que se caracteriza por ter um inicio gradual.

Habitualmente tem uma taxa de incidência elevada em jovens que pratiquem regularmente desportos em que seja necessário saltar e realizar mudanças de direção bruscas.

Sintomas:

Dor localizada no tendão junto á sua inserção no osso, dor essa que surge quando a pessoa realiza movimentos que exerçam uma carga forte sobre esta estrutura, como é o caso de mudanças de direção bruscas ou saltos.

Diagnóstico:

É realizado o diagnóstico através de uma rigorosa avaliação física, com testes específicos para as estruturas envolvidas. Contudo, por vezes, é necessário um diagnostico diferencial porque alguns sintomas podem ser associados a outras patologias como, dor patelo-femoral, patologia da plica ou “Osgood- Schlatter”.

Por esses motivos é usual a realização de exames complementares de diagnóstico como a ecografia ou a ressonância magnética.

Fatores de risco:

Extrínsecos- um aumento dos volumes de treino, assim como, a frequência dos mesmos. O tipo de solo em que se pratica o desporto, o tipo de calçado que se usa, são também fatores de risco com influência direta sobre esta patologia, pois interferem com a absorção do choque a quando do contacto do pé com o solo.

Intrínsecos- altura, peso, amplitude de movimento das articulações do membro inferior, composição corporal e alinhamento dos membros inferiores.

Tratamento em Fisioterapia:

Inicialmente o objetivo do tratamento é reduzir a dor e os sinais inflamatórios (se presentes), através de tratamento especifico e da redução de cargas ou interrupção do período de treino;

Numa segunda fase, progredimos para o fortalecimento das estruturas afetadas de modo a preparar as mesmas para voltar à atividade.

Na última fase, temos a preparação para o retorno à atividade, onde o indivíduo é sujeito a treino e exercícios específicos do desporto que pratica, que para além de um aumento gradual de atividade e de carga, vai proporcionar um melhor retorno à prática desportiva.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A DEMÊNCIA E A INTERVENÇÃO COM A PESSOA DEMENTE

GABRIELA CARVALHO
A demência é um processo orgânico cerebral caracterizado por uma perturbação da memória, associada a pelo menos um défice cognitivo, representando um declínio em relação ao nível prévio de funcionamento (Fernandes et al, 2011; Hay, J., 2001). Este declínio das funções cognitivas está também associado a uma alteração de comportamento, determinando um declínio nas Actividades de Vida Diária (Fernandes et al, 2011). Como critérios de diagnóstico referem-se o défice de memória, das funções cognitivas, do controle emotivo ou alterações de comportamento (labilidade emocional, irritabilidade, comportamento social inadequado); dificuldade nas funções ocupacionais ou sociais; declínio do nível anterior de funcionamento; o défice cognitivo deve ter uma duração superior a seis meses (Fernandes et al, 2011).

No ano de 2013 os dados revelam cerca de 44.4 milhões de pessoas com demência em todo o mundo. Este número aumentará para 75.6 milhões em 2030 e 135.5 milhões em 2050 (Alzheimer Disease International: Dementia Statistics, n.d.).
A nível Europeu, afecta, em geral, pessoas idosas com uma prevalência 1,6% aos 65 anos e de 20.9% aos 85 anos (Alzheimer Europe: Prevalence of Dementia in Europe, 2013).

Em Portugal, dados do EuroCode (2009) evidenciam que o número total de doentes prováveis com demência era de 153.00 (Fernandes et al, 2011). A este nível é referenciado que dois terços das pessoas idosas com demência estão institucionalizados (Figueiredo et al, 2013).

Na última década a literatura tem evidenciado que o conhecimento sobre as necessidades de saúde e de reabilitação (que engloba a estimulação cognitiva, multissensorial e motora) da população com demência é insuficiente (Barbosa et al, 2011; Sánchez et al 2012). No entanto, a associação à farmacologia de abordagens não farmacológicas, constituídas essencialmente pela estimulação cognitiva, multissensorial e motora, tem vindo a aumentar, principalmente em estados mais avançados da demência (Figueiredo et al, 2013; Sánchez et al 2012).

A estimulação motora caracteriza-se por um conjunto específico de exercícios que aumentam a mobilidade e retardam o declínio na realização das actividades de vida diária; a estimulação multissensorial activa os sentidos, sem recurso a processos cognitivos complexos, como a memória e a aprendizagem, e tem demonstrado reduzir as alterações de comportamento (como a agitação ou a apatia), aumenta os períodos de atenção e aumenta a comunicação e interacção das pessoas com demência (Bauer et al, 2012; Cruz et al, 2011; Figueiredo et al, 2013; Marques et al, 2012; Sánchez et al 2012).

Vários estudos têm explorado estratégias de intervenção não farmacológica em dois principais campos: programas de intervenção com pessoas com demência com base na estimulação multissensorial e motora; e programas de formação aos funcionários das instituições dotando-os de competências de trabalho para com esta população (sendo avaliado a aplicação do aprendizado nas rotinas diárias com estes doentes) (Bauer et al, 2012; Cruz et al, 2013; Cruz et al, 2011; Figueiredo et al, 2013; Sánchez et al 2012).

Facto é que, cada vez mais, o trabalho com a pessoa demente deve ser realizado por quem está preparado e formado para tal. Trabalhar e intervir com um doente com demência é bem diferente de trabalhar e intervir com doentes com outros diagnósticos e torna-se cada vez mais importante consciencializar todos para isso.



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  • Alzheimer Disease International: Dementia Statistics. (n.d.). Retrieved 14 de Maio, 2014, from http://www.alz.co.uk/research/statistics
  • Alzheimer Europe: Prevalence of Dementia in Europe. (2013). Retrieved 14 de Maio, 2014 from http://www.alzheimer-europe.org/Research/European-Collaboration-on-Dementia/Prevalence-of-dementia/Prevalence-of-dementia-in-Europe
  • Barbosa, A. L., Cruz, J., Figueiredo, D., Marques, A., & Sousa, L. (2011). Cuidar de Idosos com demência em instituições: competências, dificuldades e necessidades percepcionadas pelos cuidadores formais. Psicologia, Saúde & Doença, 12(1), 119-129.
  • Bauer, M., Rayner, J., Koch, S., & Chenco, C. (2012). The use of multi-sensory interventions to manage dementia-related behaviours in the residential aged care setting: a survey of one Australian state. Journal of Clinical Nursing, 21, 3061–3069.
  • Cruz, J., Marques, A., Barbosa, A., Figueiredo, D., & Sousa, L. X. (2013). Making Sense(s) in Dementia: A Multisensory and Motor-Based Group Activity Program. American Journal of Alzheimer’s Disease and Other Dementias, 00(0), 1-10.
  • Cruz, J., Marques, A., Barbosa, A. L., Figueiredo, D., & Sousa, L. (2011). Effects of a Motor and Multisensory-Based Approach on Residents with Moderate-to-Severe Dementia. American Journal of Alzheimer’s Disease and Other Dementias, 26(4), 282-289.
  • Figueiredo, D., Barbosa, A., Cruz, J., Marques, A., & Sousa, L. (2013). Empowering Staff in Dementia Long-Term Care: Towards a More Supportive Approach to Interventions. Educational Gerontology, 39: 413–427.
  • Fernandes, L., Pereira, M. G., Pinto, L. C., Firmino, H. & Leuschner, A. (2011). Jornadas de Gerontopsiquiatria (1ª ed.). Águeda: Artipol – Artes Topográficas, Lda.
  • Figueiredo, D., Barbosa, A., Cruz, J., Marques, A., & Sousa, L. (2013). Empowering Staff in Dementia Long-Term Care: Towards a More Supportive Approach to Interventions. Educational Gerontology, 39: 413–427.
  • Hay, J. (2001). Doença de Alzheimer e Demência (1ª ed.). Lisboa: Plátano Edições Técnicas.
  • Sánchez, A., Millán-Calenti, J. C., Lorenzo-López, L., & Maseda, A. (2012). Multisensory Stimulation for People With Dementia: A Review of the Literature. Am J Alzheimers Dis Other Demen, 28(1) 7-14.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A MEDICINA DENTÁRIA E O SNS (SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE)

INÊS MAGALHÃES
Nos últimos dias têm-nos chegado várias notícias sobre a realidade da medicina dentária em Portugal. Uma delas, e que nos entristece a nós profissionais de saúde, é o facto de, cada vez mais, haver dificuldades económicas para se conseguir ir a uma consulta dentária. Nós, dentistas, verificamos isto no nosso dia-a-dia, onde famílias têm de optar por fazer tratamentos mais baratos, em detrimento de outros mais caros, mas que seriam os mais adequados para essa situação. Ou então, ouvimos um pai ou uma mãe dizer que para poder tratar da saúde oral do seu filho não pode tratar da sua. Só nos procurando em último recurso, quando a dor ou inflamação o impede de realizar as suas atividades diárias.

Eu, como dentista, mas sobretudo como profissional de saúde, preocupa-me muito esta situação. A medicina dentária deveria ser acessível a todas as pessoas, independentemente do seu estatuto ou classe social. Uma ida ao dentista deveria ser algo agradável, uma vez que estamos a tratar do nosso sorriso e bem-estar, mas sobretudo da SAÚDE oral. Mas quando as pessoas nos procuram em estado de dor aguda e quando, muitas vezes, não temos hipótese de optar por outro tratamento que não a extração dentária, como poderá esta visita ser algo prazeroso e a repetir no futuro? Como não há-de surgir então a fobia e o medo de ir ao dentista? Talvez se fossemos à consulta sem dor, apenas para prevenção, todos os tratamentos seriam mais acessíveis, deixando vontade de regressar novamente.

Contudo, isto só será possível quando a medicina dentária passar a ser uma especialidade médica comparticipada pelo estado e para TODOS! Não podem ser só alguns que têm acesso a ela pelo SNS (Sistema Nacional de Saúde). Somos todos cidadãos, pagamos os nossos impostos e, como tal, temos o direito a usufruir de uma saúde plena, incluindo, claro está, a saúde oral. Pois, sem saúde oral, não há saúde geral!

Mas, não quero terminar este artigo sem deixar uma mensagem de esperança. Sim, já há algumas mudanças positivas! Através do Programa Nacional de promoção da Saúde Oral (onde já muitos beneficiamos com o acesso ao Cheque Dentista), a Direção-Geral da Saúde assinou um protocolo de colaboração para integrar a temática da Saúde Oral nos currículos escolares. O protocolo foi assinado no âmbito do projeto SOBE – Saúde Oral Bibliotecas Escolares -, cujo objetivo é fazer da saúde oral parte integrante dos currículos escolares e do dia-a-dia das crianças e jovens, tal como envolver as suas famílias e comunidade, através da disseminação de informação e realização de ações. O protocolo pretende criar diversos materiais, como livros, jogos, manuais, músicas, cartazes e, assim, promover a literacia em saúde oral.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

PERMITA-SE EVOLUIR

JOSÉ CASTRO
Num mundo tecnologicamente avançado e interligado, em que o simples esquecer do telemóvel causa alguma “ansiedade”, constata-se que estas mesmas tecnologias quando incorretamente utilizadas originam “problemas mentais”, levando a que por exemplo, a “adição a jogos virtuais” seja incluída na lista de doenças (CID11 - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, a sair este ano) da Organização Mundial de Saúde.

Num outro tipo de jogos, “jogos e apostas online,” em Portugal existem mais de 13 mil jogadores que querem “fugir” do vício! A atividade de “jogos e apostas online” geraram em 2017, cerca de 122,5 milhões de euros de receita bruta! Existem cerca de 800 mil registos de jogador, que não correspondem linearmente ao número de jogadores, pois cada um pode estar inscrito em uma ou mais entidades exploratórias legais! Sem contar as ilegais (o que poderá ser ainda mais grave)!

Os “problemas mentais” estão infelizmente na ordem do dia, sendo Portugal um dos países líderes da União Europeia!

A depressão (a doença mental do séc XXI e principal fonte de suicídios), tem aumentado a nível mundial e nacional. O registo nos Cuidados de Saúde Primários (CPS), segundo o Programa Nacional para a Saúde Mental de 2017, para Perturbações Depressivas em Portugal Continental, teve uma variação entre 2011-2016 de 74,5%. Provavelmente este não é o progresso que desejávamos…

Que está acontecer? Se os estados depressivos e potenciais suicídios (para-suicídios) ocorrem mesmo quando a sobrevivência e a segurança estão alegadamente garantidas (Pirâmide de necessidades/motivações de Maslow), que está a falhar? Será meramente o Ser Humano um conjunto de neurotransmissores e hormonas que nos comandam aleatoriamente? Retirando os casos em que falhas orgânicas impedem o “estado normal,” que se poderá fazer nas outras situações a título preventivo? Afinal o aumento de conhecimento e investigação na Saúde Humana é só para aplicar nos tratamentos? Para o aumento da produção e venda de medicamentos? ! É preciso as coisas “baterem” no fundo (sempre arrastando vítimas) para se Prevenir? Infelizmente procura-se atuar quase sempre no final da cadeia, quando a recuperação é quase impossível.

Um dos pontos-chave para a prevenção do “problema” será o promover desde a infância a conquista dos patamares mais elevados da pirâmide de Maslow, ou seja, o alcance da realização pessoal e posterior realização profissional. E nesta procura, terão obrigatoriamente de constar comportamentos conducentes ao bem-estar Físico, Mental, Social e Espiritual. 

O mundo tecnológico afastou o ser humano de si mesmo, da natureza, do diálogo com os outros (de forma presencial), da interajuda, do abraço fraterno! Cada vez mais, há plataformas digitais para prender o cidadão, da forma que quer e como quer, mas ao mundo “virtual”

Há pois que reconquistar aquilo que foi perdido!

Em primeiro lugar relacione-se consigo e ame-se, jamais se prejudicando conscientemente! Deixe o passado no passado, centre-se no hoje e prepare o amanhã! Aceite o que ocorreu e que não podia mudar! Caminhe na sua superação contínua, tornando-se um ser cada vez mais completo e pleno de felicidade! Um Ser com discernimento, com Sentido e Propósito de Vida.

Em segundo lugar relacione-se e ame o próximo (todos os Seres). Afinal, precisamos dos outros para evoluir. São eles que mexem cá dentro (para o melhor e o pior), permitindo pôr à prova a nossa inteligência emocional! No seu tempo livre saia de casa, desprenda-se daquilo que o faz apenas “perder tempo”. Faça atividade física e respire ar puro… Faça acontecer algo para alguém desconhecido, para algum Ser. Faça voluntariado, seja na causa animal, humana ou ambiental! Mas faça! Envolva-se na construção de um mundo melhor, na prática da cidadania, que é um dever de todos os cidadãos.

Em terceiro lugar relacione-se com o que de mais transcendente “conhece”. A fonte ou causa de tudo. Aquiete seu coração e sua mente! Esteja grato por tudo! Por aquilo que (ainda) é, por tudo o que tem (ou lhe foi permitido usufruir), por todas as oportunidades de fazer mais e melhor… Não se “prenda” doentiamente a nada, pois afinal, um dia só vai levar aquilo que fez acontecer em si para evoluir em essência e o que proporcionou de melhor aos outros Seres.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

MITOS E VERDADES

JOÃO RAMOS
O açúcar natural existente nos frutos é comumente designado por frutose e utilizado por várias companhias de refrigerantes, para tornar as suas bebidas mais doces e apelativas para os consumidores. No entanto, num estudo realizado recentemente pela Universidade de Priceton sugere-se que a frutose, quando consumida em quantidades significativas, pode estar na origem da diabetes tipo 2 e da acumulação de gordura, no corpo humano. A experiência foi realizada em laboratório, através da análise dos efeitos da glucose (o açúcar mais comum) e da frutose nos organismos de ratos de laboratórios. Os investigadores verificaram que as moléculas da glucose foram rapidamente absorvidas pelo organismo, uma vez que foram transportada por um canal hepático, que as transferiu do intestino delgado para os restantes órgãos. Em contrapartida, as moléculas associadas à frutose ficaram acumuladas no intestino delgado, não sendo transportadas para o resto do corpo. Como não é distribuída pelos órgãos, o intestino delgado apenas consegue absorver 30% da frutose, sendo a restante convertida em gordura. O mesmo teste aplicado em humanos apresentou exatamente os mesmo resultados.

Estas conclusões são relevantes e acabam por desmistificar determinados mitos e verdades apregoadas por vários médicos e programas diatéticos. Além disso, começamos a perceber, porque nunca tantas pessoas gastaram tanto em alimentação saudável e ginásios e mesmo assim a taxa de obesidade não para de aumentar.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

É CORREDOR AS SUAS UNHAS FICARAM NEGRAS?

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Enquanto corre o pé move-se constantemente para a frente e o atrito contínuo provoca danos nas unhas, um dos problemas mais comuns em corredores é sem dúvida o aparecimento de unhas negras. As unhas apresentam esta coloração devido a microtaumatismos repetitivos como o toque das unhas na zona superior das sapatilhas, esta coloração caracteriza-se por hematoma subungueal.

Estes hematomas se não forem tratados corretamente pode levar ao aparecimento de outras patologias ungueais tais como: onicocriptose (unha encravada), onicomicose (micose nas unhas), onicogrifose (engrossamento das unhas) ou onicólise (despreendimento total da unha).

COMO CUIDAR DAS UNHAS PARA EVITAR PROBLEMAS DURANTE A CORRIDA

Deve cortar as unhas 7 a 10 dias antes do trail ou da corrida

· As unhas não devem ser cortadas demasiadamente curtas para não desproteger o leito ungueal.

· O corte ungueal deve ser reto, pois o arredondamento dos cantos das unhas pode provocar uma onicocriptose.

· Não corra com sapatilhas muito apertadas, o ideal é comprar as sapatilhas sempre ao final do dia pois é quando o pé se encontram mais edemaciados (inchados).

· Utilizar meias sem costuras; as costuras podem gerar atritos nos dedos.

Para minimizar o problema o ideal é consultar um Podologista (www.centroclinicodope.pt) para analisar a dinâmica do seu pé e avaliar qual a biomecânica do mesmo, visto cada corredor apresentar um tipo proprio de apoio plantar.

RITA, O ROSTO DA E.L.A

A ESTÉTICA ALIADA À SAÚDE ORAL

INÊS MAGALHÃES
Cada vez mais procuramos seguir os estereótipos de beleza impostos pela sociedade. Seja na cor ou corte de cabelo, nas roupas ou na própria maneira de ser/agir. Deste modo, e não menos importante, as pessoas preocupam-se em ter um sorriso bonito. Um sorriso branco, com dentes alinhados e em harmonia com os lábios e o rosto.

Felizmente vivemos num período onde temos vários recursos que nos permitem escolher e adequar os diferentes tratamentos orais a cada pessoa, bem como ao seu rendimento. Pois, sendo cada um de nós indivíduos com características próprias, os tratamentos aconselhados a uma pessoa podem ser diferentes dos recomendados a outra. Aliado a esta questão existe sempre o fator económico. Este, infelizmente, em alguns casos não permite satisfazer a total vontade do paciente, contudo não inviabiliza que este realize outros tratamentos que irão de encontro ao seu desejo final.

A estética oral pode englobar uma ampla gama de recursos, como por exemplo, o alinhamento dentário, a colocação de implantes, coroas, facetas/lentes, branqueamento dentário, entre outros. Todavia, só podemos falar em estética depois de obtermos uma boa saúde oral. Uma boca com cáries, problemas gengivais e/ou ósseos não pode avançar para um tratamento estético sem antes corrigir estes fatores. Assim, é imprescindível a consulta de um médico dentista para um correto diagnóstico e plano de tratamento, a fim de obter os resultados finais desejados.

Ao obtermos uma boca saudável, vamos de encontro a uma melhor autoestima e, consequentemente, ao encontro de um sorriso bonito.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

AS PRISÕES SÃO DESUMANAS

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
Para este caso concreto não importa a razão de estarem lá, mas apenas a forma como passam os dias... Uns mais culpados que outros, uns que conheciam os riscos e correram-nos sem escrúpulos, outros foram levados pelo infortúnio ou pelo azar. A razão agora não importa, mais ou menos culpados, todos foram condenados ao isolamento da sociedade, supostamente para saírem regenerados e melhores cidadãos… Todos foram condenados a estarem trancafiados por detrás das grades de uma prisão.

Onde a alvorada é as oito horas da manhã e lhes é servido um parco e monótono pequeno-almoço, ao meio dia é servido o almoço e, quando muito podia estar a ser servido o lanche, é servido o jantar! Como é possível alguém jantar às dezassete e trinta da tarde? E mesmo sendo fornecido um pequeno reforço para mais tarde… A que horas é o mais tarde? Quantas horas passam até à manhã do dia seguinte?

Além de que a qualidade nas refeições é inexistente, como se aqueles homens e mulheres que, com mais ou menos culpa estão presos, deixassem de ser gente com as mesmas necessidades de uma refeição decente e de qualidade suficiente para os manter minimamente saudáveis, afinal, podem ter cometidos erros, e por eles estão a pagar, mas continuam a ser gente!

As prisões são desumanas! Sendo certo que alguma da população reclusa sente dificuldade em sentir-se gente, afinal, o que é apontado como um período (cuja duração varia consoante a gravidade do crime cometido), de recuperação para a vida em sociedade, transforma-se apenas em punição.

Claro que as regras têm que existir, e afinal, muita da população reclusa, está lá só e apenas por sua culpa, sendo inclusivamente nocivos à sociedade, e sim também não faz sentido que haja tratamentos diferentes, mas o facto é que muitos dos que entram por crimes menores, saem de lá bandidos da pior espécie. Chegando-se à conclusão que as prisões, em muitos casos, são “escolas para bandidos”!

Para concluir, e voltando à alimentação, que afinal foi o mote para esta crónica. A alimentação é pouca e deficitária em termos nutricionais, o que leva a que a saúde dos mais frágeis se ressinta devido à falta de uma alimentação equilibrada.

De resto, sim é verdade que se estão lá, é porque ao longo do seu percurso algo correu mal, mas por “esse pecado” já estão a pagar estando privadas de liberdade. Mas estas pessoas, apenas foram condenadas à privação de liberdade, não à fome, e muitas têm fome sim… de alimentos!

sábado, 10 de fevereiro de 2018

DIA MUNDIAL DO DOENTE

ANTONIETA DIAS
O dia 11 de fevereiro é o dia mundial do doente, um dia marcado pela esperança, pela fé e pela confiança da obtenção da cura.

É um dever inquestionável cuidar bem os doentes agudos para ficarem curados e os doentes crónicos ou gravemente incapacitados devem ser tratados com ternura em centros de excelência para minimizar o seu sofrimento.

Todos os profissionais da saúde, familiares e sociedade civil em geral devem empenhar-se e dedicar-se a esta missão tão nobre que envolve a criação de metas para conseguir prestar os cuidados de saúde que os doentes merecem.

É do conhecimento comum que o direito à saúde e à vida são princípios implícitos à dignidade Humana.

O direito à vida deve ser entendido como um direito humano que merece respeito, que deve ser preservado e sobretudo alicerçado em valores que permitam usufruí-lo com liberdade, igualdade e justiça em todas as fases da vida e em todos os estados vivenciados pela pessoa, independentemente de ser doente ou não e do grau de dependência ou limitação funcional temporária ou definitiva que padeça.

Ter direito à vida não é só ter direito de viver é exigível criar e manter as condições para a sustentabilidade de uma vivência digna, sem descriminações, minimizando o sofrimento decorrente das experiencias resultantes do aparecimento de uma doença, devendo por si só a obrigatoriedade de tratar os doentes usando todos os meios humanos, técnicos e científicos disponíveis para o cuidar com qualidade.

Cuidar um doente significa prestar assistência a uma pessoa fragilizada, abalada, insegura, em que a responsabilidade de quem cuida implica observar, pensar, raciocinar, refletir, zelar, medicar de acordo com a individualidade de cada um.

O dever dos profissionais da saúde e de manter a vida e de evitar ou se não for possível minimizar as sequelas resultantes das doenças.

Mas nem sempre é essa a opção do paciente levando-o nalguns casos a desejar por termo à vida.

Mas será esse o desejo final? Ou haverá outras questões que obrigam a uma decisão para a qual na minha opinião não temos esse poder.

Mas nem todos pensam da mesma forma e as decisões vivenciadas podem ser diferentes. Cito por exemplo a Suíça e transcrevo na íntegra o que li: “ Suíça mais de 1.200 pessoas optaram pelo suicídio assistido em 2017, um terço mais do que no ano anterior.

Poder-se-á admitir que esta é a forma moderna de por fim à vida. Porém muitos familiares sofrem de traumas depois de acompanharem um suicídio assistido é o que revela um estudo realizado na Suíça em 2012, sendo que a morte “natural” de familiar causa uma crise inicial, mas que depois é superada. (fonte SWI swissiinf.ch, 08.julho de 2016).”

Sono induzido” Um estudo da Universidade de Zurique mostrou que cada vez mais soníferos são aplicados nos últimos estágios da vida em hospitais suíços. Isso ocorre quando um paciente tem uma doença terminal, sofre de dores insuportáveis (fonte jornal NZZ am Sonnatag). Em 2001, 4.7 % dos falecimentos ocorreram durante o sono induzido. Em 2013 já eram 17.5 por cento”.

Tendo em conta os pensamentos, as doutrinas e as leis existentes, não seria expectável que a defesa da vida fosse colocada em causa, todavia a nível mundial vamos assistindo a várias mudanças comportamentais que são deveras constrangedoras.

Citando Alexandre Morais (2007, p 46-47) ”a dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida (…) ”.

Segundo Immanuel Kant (2000) “Só o homem não existe em função de outro e por isso pode levantar a pretensão de ser respeitado como algo que tem sentido em si mesmo”.

Sarlet (2001, p.26), nas suas conclusões refere que a dignidade “é inerente aos homens, inata a sua natureza de ser humano, é direito constitucional, sua aplicação e eficácia são imediatas, não pode ser alienada, não sofre prescrição (…) ”.



Em suma, a nossa missão será sempre defender o paciente, evitar a morte e dar qualidade à Vida, mantendo e tratando o doente com dignidade, humanidade e ciência médica.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

SIM, O CORAÇÃO DÓI

VERA PINTO
O mito já é muito antigo. A sua origem não deixa de ser curiosa, visto que, está de tal forma enraizada que são muitas as pessoas, inclusive profissionais de saúde, a dizer que o coração não dói. Pois bem, tal como comecei por escrever, não passa de um mito e sim, o coração dói mesmo. Aposto que todos os enamorados estarão de acordo comigo. Afinal, quem nunca sofreu um desgosto de amor? Uma desilusão tão grande, capaz de desencadear sintomas tão agonizantes, como fortes dores no peito, falta de ar, fraqueza generalizada, ritmo cardíaco irregular que podem mesmo dar a sensação de que se está a ter um ataque cardíaco. Em casos extremos, como o luto por um companheiro recém-falecido, o coração pode dar mesmo sintomas de estar a falhar. Os cardiologistas chamam-lhe cardiomiopatia de Takotsubo ou cardiomiopatia por stress. Em causa estará uma reação negativa ao aumento vertiginoso de hormonas do stress, como a adrenalina, que provocam um estreitamento nas artérias que ligam ao coração e o sangue não é bombeado de forma eficiente. Felizmente esta situação a que muitos apelidam de síndrome do coração partido é reversível. A normalização da produção hormonal restabelece o normal fornecimento sanguíneo cardíaco e os sintomas desaparecem. Contudo existem outros casos cuja resolução não é tão simples, como a obstrução arterial causada por placas de gordura. À semelhança dos desgostos de amor o sangue também não chega como deveria ao músculo cardíaco. Esta falta de oxigenação do coração, causada por um fornecimento deficiente de sangue pode causar um enfarte do miocárdio (músculo cardíaco), vulgarmente conhecido como ataque cardíaco. Noutras situações como inflamações do pericárdio (membrana que recobre o coração), causadas tipicamente por infeções virais, problemas nas válvulas cardíacas e doenças da aorta, a privação em oxigénio dos tecidos também causa uma dor compressiva e constante que não passa facilmente. Desta forma, seja por um desgosto amoroso, por uma infeção viral, por um enfarte ou problemas nas estruturas cardíacas, todas elas têm em comum a falta de oxigenação do músculo cardíaco que entra numa condição denominada de isquemia. As reações anaeróbias (visto que não existe oxigénio) levam à produção de ácido lático, uma substância capaz de estimular as terminações sensitivas do músculo do coração, provocando uma sensação de desconforto queimação ou dor. Acredito que na base do mito possa estar o facto de no coração não existirem todos os tipos de terminações sensitivas como existem na pele, por exemplo. Ao ponto de ser possível que, se o coração fosse um órgão de mais fácil acesso, pudesse ser manuseado, cortado, costurado, sem a necessidade de anestésicos. Esse 'tipo de dor', o coração não é capaz de produzir. Mas, o coração tem recetores sensíveis à isquemia que são ativados em situações de ausência de oxigénio, que são verdadeiras sentinelas e fornecem uma ajuda preciosa em casos de doenças graves nas quais todos os milésimos de segundos contam. Assim, não esqueçam que todo e qualquer tipo de dor no peito deve ser referenciado ao médico clínico geral ou cardiologista.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ENVELHECER LADO A LADO

Hoje decidi descrever uma situação que tenho o gosto de observar várias vezes...

GABRIELA CARVALHO
Um casal, com cerca de 80 anos; passam (penso que diariamente) de mãos dadas para tomar o seu pequeno-almoço. Seguem lado a lado... companheiros de uma vida. Por várias vezes assisti ele a entrar e a segurar a porta para ela entrar de seguida; ela a sentar-se e a dar-lhe um beijo. Companheiros, amigos, namorados...

A sexualidade na 3ª idade ainda é um tabu, numa sociedade que vive voltada para a aparência do que é "socialmente aceitável". Felizmente há aqueles que enfrentam o tabu e evidenciam a alegria de serem um casal, independentemente da idade.

Mas mais que um casal, vejo uma união... vejo rostos cansados mas felizes... imagino as vivências e experiências partilhadas a dois... penso nos desânimos e partidas que a vida lhes poderão ter pregado, mas que não impediram que sigam lado a lado e de mãos dadas. 

Por norma comem um pão com manteiga e bebem meia-de-leite. Ele lê o jornal, ela vai olhando para a televisão e para as mesas ao redor. Se cruza o olhar (já o cruzou comigo) sorri e acena com a cabeça... Tem um sorriso bonito.

Hoje vi-o entrar... entrou sozinho... Não trazia ninguém ao seu lado, mas trazia um semblante pesado, talvez cansado!
Parou ao balcão, não se sentou como habitual. Na pastelaria perguntaram rapidamente pela esposa. Respondeu que estava doente, que não tinha passado bem a noite. A funcionário perguntou se era o de costume e ele respondeu "Hoje não. Hoje vou levar o pão e tomar o pequeno-almoço em casa com ela."

Companheiros de uma vida, companheiros na vida, companheiros no dia-a-dia... Exemplos!

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional acrescenta vida aos anos.”

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

PSEUDOGOTA

FÁTIMA LOPES CARVALHO
A pseudogota é muito semelhante à gota no entanto os cristais que se depositam nas articulações são de pirofosfato de cálcio diidratado e na gota são cristais de urato. É uma perturbação caracterizada por ataques intermitentes de dor e artrite causados pela acumulação desses cristais.
A doença geralmente surge em indivíduos de idade avançada e afeta de igual modo homens e mulheres; a longo prazo pode causar degenerescência das articulações afetadas.

CAUSAS E SINTOMAS
A causa da pseudogota é desconhecida, pode manifestar-se em pessoas que sofrem de outras doenças nomeadamente as que apresentam níveis elevados de cálcio no sangue em consequência de um aumento da produção da hormona paratiróideia (hiperparatiroidismo), ou uma taxa de ferro elevada nos tecidos (hemocromatose) ou ainda níveis baixos de magnésio (hipomagnesémia). Os sintomas variam amplamente.
Esta perturbação pode ser confundida por vezes com artrite reumatóide devido à dor e rigidez crónicas e persistentes nas articulações dos braços e das pernas. A pseudogota manifesta-se em articulações do joelho, pulsos ou em outras articulações relativamente grandes. As fases agudas são geralmente menos graves que os da gota, pois por vezes não é manifestada sintomatologia dolorosa entre um ataque e outro; existindo indivíduos que apresentam grandes acumulações de cristais e não exprimem dor em qualquer momento.

DIAGNOSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico estabelece-se através de colheita de líquido das articulações inflamadas e esse líquido ao ser analisado apresenta cristais de pirofosfato de cálcio. As radiografias também apoiam o diagnóstico dado que os cristais de pirofosfato de cálcio (ao contrario dos cristais de urato) não deixam passar os raios X e aparecem como depósitos brancos na radiografia.
Em geral o tratamento pode interromper as crises agudas e prevenir novos ataques mas não pode evitar a lesão das articulações afetadas.
Frequentemente são administrados anti-infalamatórios não esteroides (AINE). Ocasionalmente drena-se o excesso de líquido articular e injeta-se uma suspensão de corticosteroide na articulação para reduzir a inflamação. É de salientar que não existe tratamento eficaz a longo prazo para extrair os cristais.

domingo, 28 de janeiro de 2018

A RELATIVA IMPORTÂNCIA DOS ANIVERSÁRIOS

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
Pois é, mais um ano se passou. Com o passar dos anos, esta data foi perdendo parte da importância que já teve. Não que a questão da idade me preocupe, afinal o passar dos anos faz parte da vida. É a vida! Apenas o considero um dia como outro qualquer…

Mas se voltar no tempo, encontro imensas diferenças. Em criança, os anos não passavam, cada doze meses pareciam vinte e quatro. Em criança tinha uma necessidade urgente em crescer! Os dias de chuva eram aborrecidos, os de sol também, as conversas dos adultos “uma seca”, enfim, boa parte do meu pensamento centrava-se no tempo que não passava! Ansiava por crescer, crente que faria alguma diferença.

E apesar de todo o envolvimento que faz parte do processo de crescimento, o tempo teimava em não passar. E neste “lento” caminhar, os dezoito anos chegaram, e não senti nada de diferente, a não ser a consciência que, para o bem e para o mal, a partir dali seria a única responsável pelos meus atos, nada que, porém, me preocupasse.

E as manhãs continuaram a amanhecer à mesma hora, e as noites a terminam quando o dia chegava ao fim. E a não ser ter tomado as rédeas da minha própria vida, e decidir o que fazer dela, nada mudou! E então, já envolvida no mundo dos adultos, o tempo cronológico perdeu a importância.

E nova responsabilidade chega. O que fazer do futuro? A juventude é uma fase mágica, afinal, à nossa frente estão todas as possibilidades em aberto…. os vários caminhos à nossa frente… Mas transporta também a, por vezes difícil, escolha de opções!

A vida deixa de ser vivida em câmara lenta e transforma-se num redemoinho, no qual o tempo se escapa por entre as horas dos dias…

E de repente a pressa em fazer anos, dilui-se no tempo, perde-se no limiar dos dias que se sucedem um após o outro. Na vida que não dá sossego, porque não se compadece da necessidade de a viver de forma correta e sustentável.

Os dias parecem menores, de tão envolvidos estamos no processo de viver. Um ano começa e de seguida já estamos na Páscoa, férias e Natal. Assim, num ápice! E entretanto, já há também uma família a cuidar, e todas as tarefas e responsabilidades que lhe são inerentes… E os anos agora já passam a voar!

E é nesta fase do pico da maturidade que, contradição das contradições, muitas vezes começamos a dar valor às pequenas coisas que em criança nos aborreciam e desvalorizávamos, logo agora, que nem sempre temos tempo para as apreciar tanto quanto gostaríamos.

E os aniversários sucedem-se! Mas ainda bem que sim, sinal que estamos cá e temos a oportunidade de viver mais um ano junto dos que amamos, mais uma ano de oportunidades de fazer planos… Sim, porque planos fazem-se durante toda a vida.

E ainda bem que hoje, exatamente hoje, completo mais um aniversário. Para o ano logo se vê, mas hoje não é dia de pensar nisso, apenas de o viver!