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terça-feira, 13 de março de 2018

TRÊS IRMÃOS

ELISABETE SALRETA
Personalizamos os nossos animais de estimação, dando-lhes sentimentos humanos. Mas não terão eles já esses sentimentos? Não serão eles um espelho do que lhes mostramos, tal como os nossos filhos?

O Óscar está chateado e mostra bem o seu descontentamento fungando. Simplesmente porque o dia não lhe corre bem, ou foi acordado por uma das manas, ou porque…. Sei lá porque um gato pode estar chateado.

Mas, como a todas as crianças, existe uma altura em que se diz aquela palavrinha que ninguém gosta de ouvir – NÂO!

Pois. Ele agora não funga. Vai tapar a comida com o tapete que estiver mais perto. Tal e qual um rapazola frustrado, entorna a taça da água e usa a sua força de grande macho para fazer as maiores asneiras e o que mais nos irrita. Olha para nós com as orelhas direitas, em forma de T, com um semblante irritado, como se todos lhe fizessem mal.

Mas também tem o seu lado meigo e sensual. Sim, um gato pode ser muito sensual. Quando quer entrar para dentro da cama, olha-nos com o semblante mais doce que consegue e até nos dá beijinhos com os olhos. Se ninguém lhe liga, funga ruidosamente para chamar a atenção. Em casos estremos, alerta-nos com uma festinha. Depois de estar dentro da cama dá um suspiro de contentamento bem audível. Agarra-se à perna mais próxima, encosta o nariz e dorme profundamente. Quando está muito quente, vira a barriga para cima, numa descontração que só um gato tem. Mas quando se o destapa, fica envergonhado e corre porta fora.

O seu ronrom é desconcertante. Aplica-o tanto connosco como com as manas gatas. E com a Mia existe tanta empatia, que até distribuem lambidelas. A Mia gosta de nos lamber. A Blue enrosca-se nas pernas passando a testa e o rabinho. Três gatos com feitios tão distintos e com formas tão diferentes de abordar os humanos.

Tal como nós, três irmãos são tão diferentes como os dedos das mãos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A VIDA POR UM FIO

ELISABETE SALRETA
É stressante quando temos uma vida na mão.

É preocupante quando podemos fazer a diferença mas optamos por nada fazer.

Somos racionais. Mas por vezes somos mais comodistas do que racionais. Não pensamos. Deixamos que filtros e aberrações tomem conta do nosso coração e este esconde-se, fecha-se, anula-se. É nessa altura que deixamos de nos preocupar com próximo, seja ela qual for. O preocupante é que grande parte da nossa sociedade está neste estágio. Encerramos o nosso coração atrás de grades de crueza e deixamos que tanto nos passe ao lado. O outro não importa, a menos que nos sirva.

Ia de viagem quando, como em tantas outras ocasiões, um pássaro bateu no carro. Pelo retrovisor vi aparecer o seu corpo que ficou estatelado no chão. Parei de imediato e corri para o sitio onde estava. Pedia em silêncio para que nenhum dos outros carros o pisasse e o tornasse, como a tantos animais que se vê pela estrada, parte do asfalto. Abeirei-me dele e vi que estava em choque, mas não morto. Peguei nele e levei-o para o carro. Pousei-o numa luva e deixei-o descansar. Dei-lhe duas gotas de água e aguardei. Perdi meia hora de viagem, o bastante para que se recompusesse e voltasse à vida dele. Gostei de o ver esvoaçar de novo pelo seu habitat. Antes de levantar voo, parou na janela do carro e olhou para mim, como a agradecer.

Ainda tirei uma foto para a posterioridade e para pedir ajuda na identificação, ficando assim a conhecer a avifauna que me rodeia.

Perdi meia hora de viagem, mas ganhei mais uma história e fiquei de coração cheio. E ele, ganhou uma nova vida. Tão simples como isso.

Como não foi o primeiro e suponho que não será o ultimo, posso testemunhar que na maior parte das vezes, os pássaros que embatem nos veículos não morrem. Ficam em choque e apenas precisam de uma ajudinha para que os voltemos a ver a esvoaçar pelos campos, onde pertencem.

Nós temos conhecimentos para tal e podemos ajudar. Então, porque não o fazemos?

Porque a nossa sociedade se tornou tão fria e tão cruel que optamos por dizer: - Era apenas um pássaro. Decerto que morreu.

Mas não vamos verificar. A sociedade age da mesma forma em relação a todos os outros, os próximos com os quais deixamos de nos importar.

Por isso abandonamos os idosos, as crianças, os animais e tudo o que nos liga à terra e à natureza. Somos crianças cruéis a brincar. Não a viver.

E onde isso nos leva?

sábado, 24 de fevereiro de 2018

A HISTÓRIA DO TOM E JERRY

SUSANA FERREIRA
O projecto "Um amigo para sempre" iniciado em Janeiro de 2017, conta já com 150 cães adotados, apenas na loja Ornimundo Norteshopping. Maioritariamente estes cães são provenientes da Associação Ajuda Animais em Amarante (AAAA), que tem realizado um trabalho brilhante e são os principais responsáveis pelo sucesso do projecto. Apesar de já ser um número simpático queremos continuar o nosso trabalho e ajudar o maior número de cães possível. Mas no meio de todos estes números há sempre algum cão que a sua história nos marca mais, razão pela qual vou contar a história do Jerry. A Esperança, mais uma cadela cruzada de podengo, abandonada na rua à sua sorte com os seus dois bebés o Tom e o Jerry. Estes dois pequenos foram resgatados pela AAAA. O Jerry arranjou uma casinha, tendo vindo apenas o Tom para a Ornimundo. No dia seguinte recebemos a triste notícia que o Jerry tinha sido "devolvido". Entretanto o Tom (Pipo) , arranjou um lar. O Jerry ficou numa família de acolhimento temporário (FAT) onde permaneceu durante 4 meses. Ao fim desses 4 meses era necessário arranjar uma casinha definitiva para o Jerry, ele estava a desestabilizar a cadela da FAT. Chegou a hora do Jerry vir para a Ornimundo, mas passaram-se 3 semanas e ele não arranjou um dono. Três semanas consecutivas é o tempo máximo para estar exposto em loja. Mas o Jerry era um bom menino, o abracinhos como ficou conhecido adorava estar ao colo e receber mimos, merecia mesmo uma casinha. O abrigo já estava lotado, o que seria dele? 


Para ganhar mais algum tempo ele ficou na clínica para recuperar da castração. Eis que já estando castrado, arranja uma casinha, parecia que tinha chegado o final feliz desta história. Mas, infelizmente 2 dias depois foi mais uma vez "devolvido" pois não se adaptou ao novo companheiro canino. E mais uma vez o abandono, o nosso medo de não conseguir arranjar uma casinha definitiva e cheia de amor para o abracinhos. Uns 3 dias depois aparece um casal novo, simpático e com muita vontade de adotar um cão que não fosse muito grande e que fosse meigo e "filho único" ... era o Jerry. Foi amor à primeira vista e o Jerry finalmente encontrou a sua família. Tanto o Pipo como o Max (Jerry) visitam-nos regularmente e estão os dois muito felizes com as suas famílias. Obrigada aos adotantes que receberam e tratam tão bem os nossos meninos. E ainda hoje o Max quando nos visita salta para o colo para nos dar um abracinho e sabe tão bem... é tão recompensador... é um sentimento de dever cumprido. Mas estão a perguntar-se o que aconteceu à Esperança, esta pequena foi resgatada pela AAAA e encontra-se no abrigo onde os voluntários a tratam e enchem de mimos... mas quem sabe não está alguém desse lado interessado em dar uma casinha à Esperança. E porque uma imagem vale mais que mil palavras, fica as fotos do Tom e do Jerry.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

CRIMES CONTRA ANIMAIS EM 2017

SUSANA FERREIRA
Segundo a GNR em 2017 foram registados mais de 920 crimes, 588 dos quais por maus tratos e 336 por abandono. Foram ainda aplicadas 4784 contra-ordenações relacionadas com o controlo das regras de circulação na via pública, a obrigatoriedade de vacinação, o registo e a identificação, sendo que 444 dizem respeito a cães perigosos ou potencialmente perigosos. A GNR dispõe de uma linha de apoio - a Linha SOS ambiente e território (808200520).

Estes números mostram por si só que ainda há muito por fazer. Estas acções da GNR visam não só condenar mas também informar a população. Apesar do tema maus tratos a animais estar a ter bastante destaque nos últimos anos, ainda há muita falta de informação. Ainda há muitos tutores a desconhecer as suas obrigações legais. Quem adquire um cão fica obrigado a: identificar o animal através da aplicação de microchip, administrar vacina da Raiva e renovar anualmente a licença na sua Junta de Freguesia. Os cães incluídos na lista de raças perigosas ou cruzamentos das mesmas necessitam ainda de seguro de responsabilidade civil, certificado de esterilização e treino. Para circulação na via pública, todos os cães devem estar presos à trela, no caso de cães agressivos ou de raças potencialmente perigosos a trela deve ser curta e ainda é obrigatório a utilização de açaime. É ainda obrigatória a recolha de dejectos na via pública. Quantos de vocês conhecem as obrigações legais por completo? Quantos tutores existem existem espalhados pelo país que não vacinam nem tem os seus animais devidamente identificados?

É importante as acções de formação nas escolas, por forma a educar os que serão o futuro do nosso país, porque mudar mentalidades é muito mais difícil que educá-las desde tenra idade. Como diz o ditado: "Burro velho não aprende línguas", vamos focar-nos nos mais novos, pois esses sim podem mudar o amanhã.

sábado, 27 de janeiro de 2018

ANIMALICÍDIO

SUSANA FERREIRA
O PAN a 4 de Janeiro debateu em Assembleia da República o código penal no que diz respeito à criminalização dos maus tratos a animais. O partido tentou reforçar uma proposta, que já tinha sido apresentada na sessão legislativa anterior e que não acolheu o apoio dos restantes grupos Parlamentares. Mas na altura os animais eram consideradas coisas, atualmente está em vigor uma conjuntura legal diferente. A proposta apresentada baseia-se nas 5 liberdades: 1) Livres de fome e de sede; 2) Livres de desconforto; 3) Livres de dor, ferimentos e de doenças; 4) Livres para expressar o comportamento natural e 5) Livres de medo e angústias. Desta forma o crime de maus tratos passaria a estar para os animais como o de ofensa à integridade física para as pessoas. Tal como existe o crime de homicídio este projecto prevê que passe a existir o crime de animalicídio. O PAN propõe que consoante a gravidade do ilícito e a prova de culpa, possam ser aplicadas penas como perda, a favor do Estado dos animais vítimas de maus tratos e a obrigação de programas específicos de prevenção de violência contra os animais. Propõe o aumento das penas para quem abandonar ou infligir quaisquer maus tratos físicos a um animal, mesmo que de pecuária. Propõe ainda alterações ao regime de fiel depositário, para que os infractores não possam ficar com os animais depois de constituídos arguidos, ou só excepcionalmente isso possa acontecer. Os arguidos devem ser responsáveis por todas as despesas inerentes aos animais que lhes sejam retirados durante o decurso da investigação e julgamento. As leis estão a ser discutidas em assembleia da república e a ser alteradas por forma a proteger os animais. 

Concordo com todas as alterações propostas pelo PAN. Mas, para haver aplicação das leis, é necessário acusar o agressor, é preciso haver coragem para denunciar um vizinho, um amigo, um conhecido ou mesmo um desconhecido. Nesta sociedade egoísta e indiferente, falta muitas vezes a coragem, o tempo ou mesmo a vontade de denunciar. É muito mais fácil ficar indiferente, fingir que não vemos animais a serem maltratados. Se o fazemos relativamente a violência doméstica, porque seria diferente com animais? Dá demasiado trabalho, ocupa demasiado tempo das nossas vidas atarefadas. E o que ganhamos com isso? 

Apesar de sermos uma população solidária, no que toca a apresentar queixas sobre maus tratos, ainda temos o medo de represálias, temos medo de estar errados e causar mau estar aos implicados. Apesar das leis estarem a ser alteradas para melhor, ainda há mentalidades para mudar.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

CAVALEIRO ANDANTE

ELISABETE SALRETA
A nossa sociedade esconde, por vezes, verdadeiras novelas verídicas e passadas em tempo real. Quando se lêem histórias romanceadas sobre nobres cavaleiros da idade média, falam-se sempre nas donzelas que os aguardavam durante tempos infinitos e iam alimentando os seus amores platónicos, lendo outras histórias, olhando as estrelas das torres cimeiras dos castelos dos senhores feudais. Eram sangue suor e lágrimas, em nome de uma qualquer honra e donzelas que desperdiçavam as suas vidas a chorar pelo seu cavaleiro que tinha abalado para a guerra e tanto demorava a voltar. E haviam as velhas alcoviteiras que tratavam de fazer de um tudo para que o suporte desses amores tremesse ou que a virtude da donzela fosse beliscada. Eram almas frustradas que bebiam a negatividade, que viviam do sofrimento, porque elas próprias não souberam ser felizes.

Foram tempos tão cruéis que desenharam no ADN humano uma assinatura inteligível e que perdura até hoje. E é transversal às espécies.

Mia chora de amores pelo seu cavaleiro andante. Procura-o numa luta incessante contra si própria, numa jornada sem um fim à vista. Pergunta a todos por onde passa, se o viram e quando chegará. É louvável a sua dedicação, altruísta, que sem perder o folego, calcorreia as redondezas por horas a fio.

Caminha quilómetros, numa ansia muda, com o seu coração apertado, mas cheio de esperança. A cada curva do caminho, pergunta pelo seu amor. Chama-o num balbucio só dela. Sente-se a sua dor ao ouvir aquela lengalenga que nos faz ter vontade de o procurar também.

Depois encosta-se à vizinha que a olha com desdém e que lhe grita impropérios, mas mesmo assim não a fazem desistir. Por vezes os gritos são acompanhados de uma chapada. Louca, a velha, com tanto desdém por já não acreditar no amor.

Mia continua a sua busca, demorando-se na próxima encruzilhada. Olha o vazio, pois os seus olhos não veem, mas o seu coração sente. E sempre que sente gente pergunta pelo seu amado. Essa incansável sofreguidão, mostra o seu valor, o seu intimo, a sua perseverança por um amor que não chega, que não a abraça, que não acalenta a sua dor. Mesmo assim, o caminho sem volta do enamoramento, dita o sentido dos seus passos e a cada metro percorrido, canta mais um verso daquele poema maldito que se vai tornando vazio e sem sentido.

Quando as suas pernas se recusam a dar mais um passo, pede arrego ao seu amigo de sempre. Descansa junto a ele, até que o seu cavaleiro volta a ensombrar os seus sonhos e ela retorna à sua infindável caminhada….

A gata Mia está com o cio!

domingo, 14 de janeiro de 2018

SÍNDROME DE NOÉ

SUSANA FERREIRA
O "Síndrome de Noé" mais conhecido por "Acumulação de animais" é uma patologia grave e que deve ser tratada com cautela e por profissionais devidamente qualificados. Os "acumuladores de animais" são pessoas que se preocupam verdadeiramente com os animais, pessoas com boas intenções. No entanto, não conseguem virar costas a mais um cão/gato abandonado, ferido, a passar fome e frio. No pensamento destes "acumuladores" é só mais um. Onde cabem três cabem quatro, onde comem três comem quatro. Mas depressa passam a 6, 7, 10, 15, 20 ... O que no início era um lugar melhor que a rua, passou a ser um local demasiado pequeno e sujo. A comida não chega para todos. Existe um cão com sarna, um gato com dermatofitose. Ali no canto está um insuficiente renal a precisar de cuidados médicos. E aquela gata que ainda não foi esterilizada e tem ninhadas sucessivas? Estarão estes animais melhor na rua ou nestas casas descontroladas? É necessário denunciar estes casos e ainda mais importante criar estruturas com profissionais capazes de ajudar os "acumuladores" e os animais resgatados por estes. Estejam atentos aos vossos vizinhos, amigos, conhecidos e se identificam sinais compatíveis com esta doença, comuniquem às autoridades competentes (SEPNA). Inconscientemente os animais resgatados por essas pessoas precisam ser salvos, precisam da vossa ajuda para poderem receber a assistência Veterinária necessária.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

SÓ MAIS UM

ANA SILVA
Sim, os nossos cães têm caminhas! Sim, se estivermos perto deles enquanto dormem vamos cobri-los com mantas! Se estão connosco, à nossa guarda, vão saber o que é um quentinho de um sofá, de uma casota com cobertores, e até de um saquinho de água quente, nos casos em que a desnutrição e magreza extrema não permitem que a temperatura corporal suba sozinha. Enquanto estiverem connosco vão estar em recintos impecavelmente limpos, com abrigo das intempéries para cada um deles, com comidinha boa duas vezes por dia, com água limpa, recreios prolongados de manhã e espaço para correr mesmo quando não estão em recreio! Enquanto estiverem connosco vão sentir que estão em casa, numa família (neste caso de uma família de voluntários) que nunca os vai deixar sem os cuidados básicos e sem o carinho de um lar a sério! Os nossos animais estão vacinados, chipados, desparasitados interna e externamente, esterilizados e a qualquer sinal que alguma coisa não está bem recebem os cuidados veterinários de imediato! Na ótica de quem nos visita, de quem nos faz um
apelo, de quem nos exige que salve um animal, de quem se cansou do animal que tem em casa, de quem não esterilizou a sua cadela e tem mais 7 ou 8 "problemas" em mão, cabe sempre mais um! Fácil! Levamos, colocamos lá para dentro com os outros e pronto! "Pagamos a comida todos os meses!" Não! Não é só isso! A comida e a água é a parte mais fácil do tratamento dos nossos animais! A verdade é que cabe mais um, mas até que ponto é justo pôr em causa o bem-estar dos que já estão connosco? Para nós não é justo! Não é justo ter os animais acorrentados a uma casota! Se nós, Associações, apontamos o dedo a quem faz isso ao seu animal, vamos fazê-lo dentro dos nossos portões? Nunca! "Mas estavam melhor convosco do que na rua!" Sim! Isso de certeza absoluta! Mas se continuássemos a colocar o mais um que toda a gente fala, essa certeza deixava de existir! Depara-mo-nos esta semana com notícias acerca da alegada falta de condições de bem-estar animal em dois abrigos em Santo Tirso. "Garantindo "não faltar nem água nem comida diariamente" aos cães, a diretora do "Cantinho das Quatro Patas" reconhece "não ter as condições" ideias para albergar "os cerca de 100 animais", transcrevo do Jornal de Notícias. É isto.. E era aqui que queria chegar.. Queremos mais espaço sim, ansiamos por poder recolher todos os animais que se cruzem no nosso caminho! Mas com o espaço tem de vir a responsabilidade, a boa gestão, a percepção que talvez os voluntários não cheguem, que o dinheiro não chegue e que não haja possibilidade de um quentinho para todos os animais..

Justin no seu quentinho

Pequena e desnutrida Leika no seu quentinho

Raposa no seu quentinho
Abrigo AAAAMT


sábado, 23 de dezembro de 2017

ADOÇÃO RESPONSÁVEL COMO PRENDA DE NATAL

SUSANA FERREIRA
Com o Natal aumentam exponencialmente as vendas de animais. Escolhe-se a espécie, raça, cor, género, entre outras características. Todos querem um animal perfeito para oferecer. Mas será que um animal deveria ser um presente? Adquirir um animal é um compromisso por longos anos. Compromisso esse, que implica abdicar de algumas coisas, fazer mudanças em casa, mudar muitas vezes mentalidades, arranjar tempo para lhes dedicar, que hoje em dia é tão precioso e escasso. Será que quem oferece os animais tem percepção sobre a disponibilidade da pessoa em causa? Não basta haver vontade de ter uma animal... é preciso assumir um compromisso. Quando se adquire um animal, é necessário haver uma ligação, aquele "clique", um sentimento de que aquele animal é o tal... o que irá encher o nosso coração. Um animal não é um brinquedo que se possa usar e deitar fora quando já não preenche os requisitos. Os animais são seres dotados de sentimentos, eles necessitam de sentir amor e carinho para serem felizes ao longo da sua vida. Eles precisam de viver com alguém disposto a dedicar o seu pouco tempo livre a educa-los, trata-los e ama-los. Precisam de alguém que não se incomode com o som do choro durante a noite e as fezes espalhadas por toda a casa. Precisam de alguém que os compreenda e entenda, mesmo sem falar a mesma língua. De alguém capaz de os cuidar na velhice com as incontinências urinárias, com as suas confusões e devaneios. Precisam mesmo de alguém capaz de tudo isto e muito mais. Quando pensar oferecer um animal tenha tudo isto em conta e opte pela adoção.

sábado, 9 de dezembro de 2017

DORMIR COM OS NOSSOS ANIMAIS – SIM OU NÃO?

SUSANA FERREIRA
Não existe consenso relativamente a este tema. Existem artigos que defendem que não devemos dormir e outros que defendem o oposto.

Um estudo recente, realizado pela Mayo Clinic Proceedings, publicado em Setembro no jornal científico ScienceDirect, revelou que dormir no mesmo espaço que o seu animal pode trazer vantagens para ambos. Mas com a salvaguarda, cada um na sua cama. Participaram nesta investigação 40 pessoas com os seus respectivos cães. Através de um dispositivo, durante 7 dias, monitorizou-se a qualidade de sono. A eficiência do sono (tempo que está mesmo a dormir) das pessoas que dormiram com os seus cães no mesmo quarto, foi de 83%, sendo que a eficiência diminuiu para 80% para quem dormiu com os seus cães na mesma cama. Existem ainda outros estudos, que provam que o ronronar dos gatos diminuem os efeitos do stress, diminuem a pressão arterial e por consequência a menor predisposição para AVC´s.

Eu deixo os meus animais andarem livremente pela casa dia e noite, deixando-os escolher o sítio onde dormem. Por norma, eles escolhem o meu quarto, mas escolhem o seu tapete e ficam lá, apenas a marcar presença. Eles são dotados de uma sensibilidade extrema, sentindo os nossos medos, receios e preocupações do dia-a-dia. E inexplicavelmente eles aproximam-se de nós e com aquele seu jeito, muitas vezes desajeitado, nos fazem esboçar um sorriso e esquecer por alguns momentos os problemas que nos atormentam. Eles tem uma capacidade de nos encher o coração de forma incrível e sem pedir nada em troca. São dotados de uma capacidade de perdão gigante, que poucos humanos possuem. Não existe malícia, altruísmo, egoísmo neste pequenos seres, quase perfeitos. Para quem ainda não tem um animal de estimação, aconselho vivamente a experiência, irão tornar-se certamente pessoas mais felizes. Não tenham receio de deixar os vossos animais dormirem no vosso quarto. Acima de tudo, não se esqueçam, é importante ter os animais devidamente vacinados e desparasitados, bem como ter os devidos cuidados higiénicos, para poderem partilhar o vosso espaço com os vossos animais.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

PAI, TAMBÉM É QUEM CRIA

CRÓNICA DE ELISABETE SALRETA
Pai, também é quem cria.

Esse sentimento é transversal às espécies, pois existem milhentas histórias que o atestam.

Nada é mais gratificante que ter uns coraçõezinhos a bater descompassados, à minha espera quando chego a casa. Encostados à porta, empurram-se para chegarem até mim primeiro. Quando a abro, saem num revolto trambolhão e as meninas correm pelo adro, procurando nem elas sabem o quê. É apenas um reflexo para dizer que são capazes e mostrar a felicidade do momento. Depois, tenho de cumprimentar a todos, começando pelo mais velho. E exigem que assim seja.

Chegou a hora de ler o jornal, como digo. Cheiram as portas dos vizinhos, os tapetes, para saber quem passou e se existem novidades. Habitam neste prédio, cerca de 8 gatos e quatro cães, muitos cheiros, muitas novidades a serem transmitidas. Que levam o seu tempo. Se entra um vizinho, tem de ser saudado e nos dias bons, se o vizinho é conhecido de longa data, até deixam que lhes passe a mão pelo lombo. Há que cultivar as amizades e assim, o vizinho leva aquele cheiro para o animal da sua casa.

Claro está que se trago um cheiro diferente para casa, isso é tratado como uma traição. Tenho direito a umas rosnadelas, bufadelas, uns ssssfffs bem audíveis e a ver os dentes bem brancos e afiados. E depois ainda me ignora, porque não há desculpas para uma traição. Sim, um gato não tem o seu amor próprio.

Saem duas, as meninas. O garoto fica à porta a tomar conta delas. Raramente sai do seu posto de vigia na umbreira da porta. Guarda principalmente a pequena, a mais nova, o bebé especial. Segue os seus passos prudentes na descida das escadas. Está pronto a intervir, caso a Mia necessite da sua ajuda. Já aconteceu ela desequilibrar-se e cair alguns degraus. Ele saiu a correr na sua direcção e cheira-a como um pai preocupado perguntaria pelo seu estado.

Nas brincadeiras cá em casa, também existem abusos, mas ele põe-lhe uma pata em cima da cabeça e desce- a até ao chão, com os olhos semicerrados e as orelhas para trás. Pare-se querer dizer – põem-te fina que a vida não é cor de rosa.

Existem sempre os momentos de briga que acabam com uma soneca e muitas lambedelas. Por vezes a garota abusa e morde-o nas patas. Ele resmunga com ela, abocanha-a numa orelha que leva até ao chão. É a sua forma de a meter na ordem. Mas procuram-se para dormirem juntos, por vezes entrelaçados.

E eu fico feliz, porque acho que eles também são o nosso reflexo, tal como são os nossos filhos. E educam como nós fazemos. São tranquilos quando vivem num ambiente tranquilo. E mimam como nós fazemos.

É uma vida tão doce!!!

sábado, 25 de novembro de 2017

GARANTIDOS DOIS MILHÕES PARA CANIS

SUSANA FERREIRA
Segundo um comunicado do PAN, estão garantidos mais 2 milhões de euros, para Centros de Recolha Oficiais de Animais (CROAs). Ainda se encontra em negociação 1 milhão de euros para esterilização dos animais. Estes incentivos vêm na sequência da proibição do abate de animais saudáveis e da implementação da esterilização nos CROAs. No orçamento de estado de 2017, já foi previsto um levantamento do estado dos CROAs e quais as suas necessidades, para se poder construir uma rede de centros de recolha oficial. No decorrer de 2017, foram disponibilizados meio milhão de euros, para permitir aos municípios comprar os equipamentos necessários, para proceder a esterilizações e fazer obras de melhorias nos CROAs. A partir de Setembro de 2018, não será possível o abate de animais saudáveis para controlo da sobrepopulação. Estas ações não agradam a todos. Na minha opinião, estas ações visam controlar de forma eficaz a sobrepopulação e o crescente abandono e sem elas, estaríamos a entrar num buraco sem fundo. Mas claro, para alguns Portugueses, quando se fala num valor monetário tão elevado, pensa-se nas crianças, idosos e pessoas com dificuldades extremas. Mas no orçamento de estado, é necessário abordar todos os problemas existentes no nosso país. Infelizmente a quantidade de animais errantes tem crescido de forma exponencial, mesmo após as recentes leis de alteração do estatuto dos animais na Sociedade. Todos nós sabemos a problemática que levanta o crescimento da população de animais errantes. Quem nunca ouviu notícias, como por exemplo “matilha de cães mata gado para se alimentar”, “matilha de cães assusta moradores da aldeia …”? Quem nunca se sentiu incomodado por ir passear o seu animal e ser perseguido por um animal de rua? Quem nunca sentiu medo por ir com o seu filho pequeno na mão e haver um cão de rua gigante que se aproxima? Quem nunca ficou chateado porque os cães de rua espalharam o lixo pelo jardim do prédio? Quem não sente pena de animais que se encontram ao frio, com sede, fome e muitas vezes doentes e sem acesso a cuidados veterinários? E a quantidade de acidentes com atropelamento de animais? Quantos animais morrem atropelados nas estradas portuguesas? Quantos são abandonados por dia? Quantas cadelas têm as suas ninhadas na rua? Já se questionaram sobre isto? É importante implementar medidas para acabar com os animais errantes, no entanto, estas tornam-se dispendiosas sendo muito importante estes incentivos do estado. Tenho esperança que as autarquias utilizem este dinheiro corretamente, por forma a controlar o aumento do abandono de animais errantes. E tenho ainda mais esperança que futuramente não haja portugueses capazes de abandonar um ser indefeso e capaz de gerar o amor mais puro.

sábado, 11 de novembro de 2017

SAÚDE ORAL NOS ANIMAIS

SUSANA FERREIRA
A maioria dos gatos e cães apresentam problemas do foro dentário que implicam dor, mas que passam despercebidos aos donos. Raramente a preocupação com a saúde oral é o motivo da consulta e quando o é, já se tornou num problema, sendo já muito grave e evidente. A higiene dental é tão importante para a qualidade de vida do seu animal tal como a nutrição adequada, exercício, banhos e tosquias. Os problemas dentários também são mais prevalentes em animais geriátricos e cães de raças pequenas. No entanto, nos gatos pode ser um problema crónico que aparece muitas vezes em animais jovens. 

Os principais problemas da cavidade oral são doença periodontal, tártaro e gengivite.

Os principais sinais que o seu animal pode apresentar e que podem ser motivo de doença oral são Halitose (mau hálito), aumento da salivação, gengivas vermelhas ou engurgitadas, gengivas hemorrágicas, dificuldade a comer/roer, tártaro, queda de dentes/dentes abanar. Existem várias pastas dentárias e várias escovas que ajudam a prevenir o aparecimento de tártaro, gengivite e ajudam a controlar o mau hálito. 

A saúde oral tal como nos humanos é muito importante e como tal não descure a saúde dentária do seu animal, previna e procure informar-se com o seu médico veterinário sobre a melhor pasta e escova de dentes para o seu animal.

sábado, 28 de outubro de 2017

A PROPÓSITO DA PERMISSÃO DA ENTRADA DE ANIMAIS EM RESTAURANTES...

SUSANA FERREIRA
Se eu concordo com esta lei? Sim concordo. Já me deparei imensas vezes com a vontade de levar a minha cadela a passar o dia na baixa do Porto, mas a problemática de ela não poder entrar em praticamente lado nenhum, leva-me a desistir da ideia.

Mas com esta nova lei levantam-se algumas questões pertinentes. Os nossos animais estão educados o suficiente para poderem estar num restaurante? Os restaurantes estarão preparados para receber os animais? Serão as pessoas educadas o suficiente para não perturbar o espaço dos outros, impondo a presença do seu animal mal educado ou mesmo mal cheiroso? 

Estamos a caminhar no sentido de valorizar os animais e reconhecer como membros da família, mas ainda falta mudar mentalidades. Ainda há tantas coisas básicas que não são cumpridas. Ainda há muitos animais sem microchip, sem cuidados veterinários básicos, sem um abrigo da chuva, sol e frio, presos a uma árvore, presos num canil dia após dia. Ainda são seres descartáveis na primeira oportunidade. E mesmo nas cidades, onde são considerados membros da família, muitos não estão preparados para conviver com outros animais, para estar num espaço público sem fazer marcação de território, sem confrontar violentamente outros animais. Noutro países onde a entrada de animais é permitida em praticamente todas as superfícies comerciais e de restauração, é obrigatório os animais irem a uma escola, fazer uma formação para poder viver em sociedade. Se nós vamos à escola para aprender a viver com os outros, fará todo o sentido acontecer o mesmo com os animais. É importante criar estruturas e mudar mentalidades antes de lançar leis.

sábado, 14 de outubro de 2017

COMO LIDAR COM A MORTE EM CLINICA DIARIAMENTE?

SUSANA FERREIRA
Diariamente aparecem animais na clínica muito doentes, alguns deles sem hipótese de sobrevivência e logo se põe a questão, como vou dizer ao dono que o seu melhor amigo vai morrer ou terá de ser eutanasiado? Não existem maneiras perfeitas nem menos dolorosas de dar esta notícia, tudo depende dos donos, da circunstância, de muitos factores. Infelizmente, nunca nenhum Médico Veterinário se habituará a dar esta notícia sem sentir um aperto no peito, um nó na garganta e muitas vezes culpabilizando-se por não conseguir reverter a situação, por não ser útil o suficiente para salvar todos os pacientes. Ainda mais complicado se torna quando o animal entra na clínica, aparentemente saudável, sem alterações no quadro clínico, nem análises sanguíneas e na sequência de uma cirurgia de conveniência morre. Como dizer ao dono? Qual a explicação lógica para ter ocorrido tal situação? Na cabeça do dono só surge a ideia da nossa incompetência enquanto profissionais e que fomos nós que falhamos, que não fizemos exames suficientes, que nos descuidamos, entre outras coisas. Mas infelizmente as anestesias são sempre um risco acrescido, sendo por isso obrigatório a assinatura de um termo de responsabilidade de anestesia. Sendo que neste termo a pessoa toma consciência dos riscos inerentes a este procedimento, sendo a morte o pior risco. Felizmente as mortes em anestesias são raras, no entanto, em animais saudáveis, com exames normais, sem aparentemente nenhum problema de saúde, pode haver paragens cardiorespiratórias durante a anestesia, sendo algumas reversíveis e outras infelizmente não reversíveis. Apesar de sabermos que fizemos tudo correto e tudo o que estava ao nosso alcance para salvar o animal, o sentimento de culpa muitas vezes apodera-se de nós. Principalmente a revolta dos donos e muitas vezes umas palavras mais amargas podem levar-nos a perder muitas noites de sono, algumas horas de terapia e um desgaste emocional gigante que nos afeta a nós e a quem nos rodeia. Se alguma vez vos acontecer uma situação semelhante peço que não descarreguem o vosso sofrimento e raiva no profissional que tudo fez para salvar o vosso Animal.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

INTOLERÂNCIA E RIVALIDADE

Fala-se tanto de intolerância e os intolerantes somos nós.

Nós, os humanos, que nos achamos os seres superiores, no fim não sabemos nada. Muito temos a aprender com quem dividimos este maravilhoso planeta. Sim, existem hierarquias, mas num tempo ou noutro, todos acabam por ter o seu tempo, pois só as árvores morrem de pé.

No reino animal existem inúmeros casos de duetos improváveis e de amizades entre espécies tão diferentes. Ninguém é solitário todo o tempo. Temos o caso daquele bode que deixou de comer quando o separaram do amigo, um burro. Temos caso de mamíferos e de lagartos que se ajudam. Alguns até se defendem. E existem os casos de rivalidades fingidas. Quando tem que se mostrar perante os demais que existe diferença, mas no fim não existe nada. Todos nós conhecemos um caso ou outro que n os faz sorrir e dizer: - Estranho!

Cá em casa tudo isto é bem visível.

Como acho que o ser humano deve usar a sua inteligência e destreza para ajudar e não para modificar, é normal trazer para casa um animal a precisar de ajuda. Os meus gatos estão habituados e embora intrigados, não lhes fazem mal. Apenas têm curiosidade. Muita curiosidade. A Sofia, a mais velha, acha-se a mãe de todo mundo e a chefe. Finge-se de distante, grita para afastar e manter no seu lugar quem se tente aproximar, mas no fim, é um coração de manteiga. Já existiram dois pombos cá em casa, que ela observou com o máximo de interesse e sem qualquer sinal de agressividade. Mas à janela a ver a passarada passar, faz o som característico de aviso de caça. Já existiram pardais cá em casa, também não lhes fez mal. Cheirou, ficou colada a nós enquanto tratávamos deles mas nunca tentou atacar.

Em contrapartida, tem uma mão de ferro no tratamento com os demais habitantes cá de casa. Impõe o seu estatuto e faz notar quando não está de bom humor. Uma tirana. Grita, morde, dá sapatadas a todos. Até a nós. Até ao momento em que alguém faz asneiras e eu ralho. A Sofia arma-se em polícia e destemidamente fica no meio na discussão. Sobe por mim acima e encosta o seu focinho à minha boca como a dizer para me calar. Já chega de gritos. Olha o infrator e abana a cauda em sinal de desagrado. Quando o caso é com ela (também faz das suas), argumenta, responde mas no fim pede desculpa. Chama-se a isso viver em comunidade.

Algo que acho muito interessante nas suas interacções é quando um brinca com um objecto, o outro fica a ver. Aguarda a sua vez até que o primeiro o cede e a brincadeira continua. Não se vê isso nos humanos.

Entre intolerâncias e rivalidades, afinal, as bestas são os humanos.

sábado, 30 de setembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO E DESPARASITAÇÃO NO CÃO

SUSANA FERREIRA
Ter um animal acarta responsabilidades e despesas, entre as quais a vacinação e desparasitação regular. Porque deve vacinar o seu animal? Para o proteger de patologias graves, evitando o seu sofrimento e mesmo morte. As principais patologias prevenidas através da vacinação básica são a Esgana, Adenovírus canino (Hepatite infecciosa Canina), Parainfluenza canina, Parvovírus canino, Leptospira e Raiva. O plano vacinal começa a partir das 6 semanas de vida do animal. Sim é verdade, não é aos 4 ou 6 meses, mas sim a partir das 6 semanas de vida. É importante começar o plano vacinal o mais cedo possível e evitar o contacto do bebé com animais que não se conheça o historial clínico, evitar parques e zonas onde o bebé possa contactar com fezes de animais infectados com alguma das patologias referidas anteriormente. O plano vacinal pode consistir em 2 ou 3 reforços das vacinas das doenças dependendo dos protocolos utilizados, sendo que o espaçamento entre os reforços nunca poderá exceder as 5 semanas. No caso de ultrapassar as 5 semanas tem de se reiniciar o protocolo, sendo mais dispendioso e retardando as tardes animadas no parque, que os donos tanto anseiam. A vacina da Raiva pode ser administrada a partir dos 3 meses de vida, sendo que esta não necessita reforço. Findo o protocolo inicial, deve fazer o reforço anual que consiste numa associação da vacina das doenças e da Raiva. Relativamente ao reforço da Raiva, este poderá ser anual ou efectuado de 3 em 3 anos, dependendo da vacina usada. Caso um animal vacinado anualmente, por esquecimento ou por outras razões, fique mais de 2 anos sem realizar a vacina, é necessário voltar ao protocolo inicial, para que fique devidamente protegido, sendo que a Raiva não necessita de reforço. A maioria dos animais infectados com Parvovírus morrem. A taxa de sobrevivência em animais afectados com Esgana é baixíssima, sendo que alguns ficam com sequelas para o resto da vida. Prevenir é sempre melhor que tratar.

Quanto à desparasitação interna existem vários protocolos. O protocolo que utilizo consiste na desparasitação a partir dos 15 dias de vida, sendo repetida de 15 em 15 dias até aos 3 meses de vida do animal. Dos 3 aos 6 meses de vida a desparasitação deve ser mensal. Após os 6 meses de vida a desparasitação deve ser feita de 4 em 4 meses até ao fim de vida do animal. Quanto à desparasitação externa, deve ser feita mensalmente, trimestralmente, semestralmente, dependendo do produto utilizado e da sua duração. Não se esqueça, os parasitas internos são uma zoonose e nós podemos ser afectados. Quanto aos parasitas externos são vectores de doenças muito graves, como hemoparasitoses, devendo preocupar-se seriamente em evitar a picada dos mesmos. Mais uma vez a prevenção é a melhor forma de tratar o seu animal. Lembre-se o dinheiro que gasta no tratamento será muito superior ao de prevenção e infelizmente às vezes pode não ser suficiente para salvar o seu melhor amigo.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O MEU GATINHO TRIPÉ

MARIA AMORIM
O meu Tripé tem três pernas, por isso se chama Tripé. É um gatinho ainda muito pequeno, corre, pula e salta e é um gatinho muito feliz. Sobretudo é a prova viva que a linha que separa a vida da morte é muito ténue e a vida é um presente que nos é dado embrulhado em muita sorte. Então, como apareceu o Tripé na minha vida? Apareceu trazido pela minha filha que o encontrou numa valeta e ele estava tão quieto que ela pensou que ele estava morto, mas não teve coragem de seguir em frente sem ir ver como estava, e chegando-se para ele viu que ele não estava morto, mas tinha uma patinha muito ferida e nem se mexia com as dores. Já não teve coragem de ir embora e levou-o com ela. Trouxe-o para casa numa caminha improvisada numa caixa de cartão. Quando eu vi aquela coisinha tão pequenina, mal tinha dentes, toda pretinha, com uns olhos enormes, peguei nele ao colo para observar a pata e tive um mau pressentimento, aquela pata não tem salvação possível, parece estar em péssimo estado, com a articulação toda esmagada. Soube logo que ia ficar com ele, apesar de já ter dois gatos e liguei ao veterinário, era domingo à tarde. Marquei para o dia seguinte, fiz-lhe uma tala para a pata, para minimizar as dores e uma papa com a ração dos gatos da casa para ele ter que comer. Quando vi a sofreguidão com que comeu tudo e depois explorar a caixa onde o coloquei a arrastar a pata atras dele soube que ele era um lutador. Limpei-o, estava cheio de pulgas e de lixo, deixou-me cuida-lo docilmente, deitei-o a dormir e pensei, amanhã logo se vê, ainda com uma pequena esperança que ia ficar tudo bem com a pata dele. Quando o veterinário o observou, chegou à conclusão que a solução era amputar a pata e apeteceu-me chorar, e senti uma certa angustia, como é que um gato fica só com três pernas? Aí, o Veterinário foi a pessoa mais solidária que eu podia encontrar, como era um gato de rua e eu estava disposta a ficar com ele ofereceu-se para pagar a operação e eu arcava com as despesas de internamento. Explicou-me que um gato ficava bem só com três patas, que ele iria
TRIPÉ
compensar perfeitamente a falta da patinha com as outras três e que ia ser um gato muito feliz. E ficou na clínica, foi operado no dia seguinte, a operação correu bem e dois dias depois foi para casa. Improvisei uma sala de tratamentos numa das casas de banho, todos os dias lhe limpava a ferida operatória e colocava a pomada até que foi tirar os pontos. No entretanto foi crescendo, e andava perfeitamente mesmo só com tês patas. Entretanto, ao escolher o nome, com o sentido de humor que o caracteriza o meu filho sugeriu Tripé e todos concordamos que era um nome muito adequado. E, o Tripé fez jus ao seu nome, mesmo só com três patas, começou a saltar para cima das coisas e de dia para dia saltava mais alto, sem dificuldade nenhuma. Passaram três meses, é um gatinho muito ativo, gosta de se atirar às plantas, de cavar nos meus vasos até me fazer perder a paciência, de subir para a mesa da sala onde cismou com o arranjo, tratando de cavar entre o musgo seco e atirá-lo cá para fora. Corre muito bem, nem se nota que lhe falta uma pata, quando anda coxeia um bocadinho, mas quando resolve correr nada o segura. Desenvolveu uma amizade muito especial com o meu cão, que o adotou completamente, que o protege e que vela por ele quando ele sai para o jardim, enrolam-se os dois, ensina-o a lutar e defender-se, passam horas a brincar. E eu fico feliz a observá-los e penso que valeu a pena salvar o Tripé, mesmo que ele tenha ficado sem pata, acho que é um gato que foi bafejado pela sorte, naquela noite em que a minha filha o encontrou, podia ter morrido ali sozinho, tão pequenino, mas não morreu, porque ela por acaso viu-o, e resolveu levá-lo com ela. E, não é que a linha que separa a vida da morte ou o infortúnio da sorte é uma linha mesmo tremelicante? Ou então não temos também todos nós um papel preponderante no desenrolar da sorte? Eu acho que também tive sorte, contribui para a sorte de um gatinho, ganhei um Tripé malandro, mas meiguinho e amoroso, e como garantiu o Veterinário, parece-me um gato muito feliz.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O ESTATUTO JURÍDICO DOS ANIMAIS – O QUE FAZER PERANTE O ABANDONO?

ANA LEITE
Perante o hipótese de encontrar animais abandonados, surge sempre a questão de como agir, o que fazer e qual o nosso dever em ajudar aquele animal.

De facto, com a aprovação da Lei 8/2017 – Estatuto Jurídico dos Animais -, os animais deixam de ser coisas, passando agora a ser reconhecidos “como seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica”. Como tal, a nova lei refere que “o proprietário de um animal deve assegurar o seu bem estar e respeitar as características de cada espécie e observar, no exercício dos seus direitos, as disposições especiais relativas à criação, reprodução, detenção e proteção dos animais e à salvaguarda de espécies em risco, sempre que exigíveis .” No caso de o “proprietário” do animal não conseguir assegurar estas questões, a lei considera que o mesmo está a incorrer numa infração.

Assim, na possibilidade de “apanhar” alguém a cometer um crime de abandono de animais, devemos angariar o máximo de provas para poder denunciar o referido crime. Apesar de se tratar de um crime público, para abrir o respetivo procedimento criminal, é necessário haver conhecimento da existência do crime. Facto que muitas vezes impede de se fazer a devida investigação, e assim poder aplicar a consequência jurídica ao agente do crime. O atual código penal não deixa dúvidas, quando estabelece no seu artigo 388.º que : “Quem, tendo o dever de guardar, vigiar ou assistir animal de companhia, o abandonar, pondo desse modo em perigo a sua alimentação e a prestação de cuidados que lhe são devidos, é punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias.” Desta forma, deverá procurar reunir o máximo de provas – testemunhal ou documental, como fotografias do acontecimento. O denunciante não paga nenhuma taxa ou sobre ele não recaí nenhuma represália, podendo vir a participar no processo apenas como testemunha do crime que presenciou.

Porém, na possibilidade de encontrar algum animal, e depois de tentar perceber se o animal estará perdido ou abandonado, chegar à conclusão que o mesmo está abandonado, existem diversos procedimentos que poderá adotar, como por exemplo, contactar uma associação de animais ou um canil municipal, ou poderá sempre tentar encontrar alguém que faça uma adoção responsável.

Devemos todos lembrar-nos que o abandono de animais é crime. E se é crime temos todos que denunciar, para haver a devida investigação e a consequente acusação e punição.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

AS CRIANÇAS CÁ DE CASA

ELISABETE SALRETA
Quando se tem uma casa cheia, além do trabalho inerente ao bem-estar de todos, existem as brigas, os ciúmes e afins. Quando um dos filhos é um bebé especial, a coisa complica à séria.

Cá em casa, os desentendimentos passam-se a qualquer hora e em qualquer lugar. Até em cima da mãe, com a mãe a dormir.

Numa casa com crianças, a privacidade deixa de ser um dado adquirido. Portas fechadas são um insulto. A hora da refeição, uma festa.

Aqui, as crianças são gatos. Mas funciona da mesma forma. Para mim, são crianças com 3 anos ou menos, pois o seu comportamento assim se assemelha.

Acordamos, e existe o retardatário, aquele que não se quer levantar apesar da zorra que já existe no hall. A gritaria é constante, e até aqui se vê até onde vai o ciúme e o facto de se ser o irmão mais velho o que lhe dá um certo poder. Como se trata de duas meninas, as discussões, os insultos, e os ataques, são frequentes. O mano, do meio, assiste impassível, a ver se não lhe calha uma chapada perdida numa discussão fervorosa. Elas, são as únicas que gritam, ele, só de dor. Elas, despeitadas, descarregam no pobre as frustrações das lutas perdidas. Saliente-se que ele pesa mais que elas duas juntas, mesmo assim, ele apanha. Um verdadeiro gentleman.

A bebé quer impor-se e tenta enfrentar a mana mais velha. Esta, sabida, e sabendo que a pequena não vê, dá-lhe um berro que a faz mudar de direção. Não sai do sítio. Apenas espera que a pequena por la passe e diverte-se com o atabalhoar da pobre.

Mas há dias em que a pequena está terrifica e morde-lhes. Parece que se quer vingar dos sustos e chamadas de atenção. Nessa altura os gatos velhos fogem para o sítio mais alto que conseguem e juntos, ficam a ver a pequena desesperada à procura deles, chamando para brincar. Ou para a próxima luta.

Na hora da refeição, existem dois pratos. O rapaz come com qualquer uma, elas juntas, nunca. Mulheres!

Quando a mãe ou a mana humana comem, e se não lhes é oferecido um miniprato, elas cheiram a nossa boca para terem a certeza de que comem o mesmo. A pequena come o que comemos e adora ovo mexido ou gema do ovo estrelado.

Depois chega a hora da cama. Cada um tem o seu lugar, com a mãe no meio. A gata mais velha não pode ver a mais nova pois rosna e bufa sem parar. A pequena esconde-se, encostada às costas da mãe, onde adormece quentinha e com uns beijinhos extras quando a mãe se vira.

A mana velha precisa de mimos extra e continuados durante a noite. Simula mamar no pescoço da mãe como se de um gatinho se tratasse. Mas por uma questão de estatuto ou pura vergonha, os outros não podem ver. Tem de ser com a luz apagada e com os outros a dormir. Ele fala toda a noite. Que se passará pela sua cabecinha? A pequena ronrona, feliz. Depois de tudo pelo que passou, merece.

São uns chatos, mas eu não saberia viver sem eles!