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sábado, 25 de novembro de 2017

CULTURA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA

ANTONIETA DIAS
Em pleno século XXI, os conceitos de uma cultura científica e tecnológica, representam um papel determinante na nova forma de viver e pensar do ser humano.

A ciência contemporânea sofreu uma evolução extraordinária, sendo a tecnociência uma revolução pelas vantagens que gerou na cultura cientifico-tecnológica.

Ainda esta semana saiu uma notícia sobre um estudo da empresa Universal Diagnostics, sediada no Reino Unido que revelava que a mesma terá criado um aparelho que permite obter um método de diagnóstico precoce e eficaz para o diagnóstico do cancro do cólon, em que o mesmo pode ser detetado apenas com uma gota de sangue, cujo resultado será obtido em vinte e quatro horas depois.

Segundo a mesma fonte este teste irá determinar entre trinta a quarenta marcadores responsáveis pelo aparecimento desta doença.

Numa publicação da revista Veja, este método de diagnóstico já se encontra na fase final de avaliação, o que permitirá a muito curto prazo obter a informação através de uma simples picada.

Segundo a mesma fonte este novo método de diagnóstico irá conseguir detetar 83% dos cancros do colon e 87% dos pólipos que terão potencialidades para degenerarem em tumores malignos, permitindo assim detetar a doença mesmo antes de esta se manifestar.

A existência de outras investigações paralelas que englobam as ciências químicas, biológica, toxicológica e mecanista complementarão o restante processo de defesa orgânica à agressão, pela possibilidade que têm de desenvolver fármacos que conseguem eliminar os efeitos tóxicos de certas substâncias, minimizando as falhas nos processos de distribuição orgânica de substâncias tóxicas muitas vezes letais.

Existem algumas barreiras orgânicas como por exemplo a membrana hematoencefálica que protege o indivíduo da agressividade de certos compostos orgânicos tóxicos.

Com o avanço tecnológico do seculo XXI conseguimos nalguns casos intersetar o composto agressor antes que ele consiga obter o objetivo controlando o risco.

A necessidade de criar ferramentas que possibilitem a descoberta de antídotos de venenos ancestrais é cada vez mais urgente. Este modelo de investigação representa um contributo essencial para a obtenção de um dos objetivos que os investigadores necessitam para obter confiança e conhecimento, sendo que é cada vez mais premente a implementação nos laboratórios de investigação de modelos in - vitro, preferencialmente usando células estaminais que permitem avaliar os mecanismos tóxicos das substâncias para poderem agir precocemente e minimizar os riscos.

O conhecimento da biotransformação das substâncias é uma mais- valia porque permite uma maior capacidade de resposta produzindo resultados surpreendentes e constitui um enorme desafio para a obtenção de evidências científicas.

Em termos tecnológicos os equipamentos são cada vez mais sofisticados para poderem responder às exigências da investigação do século XXI.

Acresce ainda o estudo genético que estuda a expressão dos genes, que sendo um campo complexo da investigação científica, é um dos instrumentos que permite adaptar e intervir assertivamente de acordo com as características individuais de cada pessoa.

Importa, ainda referir que a sociedade esta cada vez mais exigente de uma resposta científica, transmitida de forma clara, objetiva, credível e segura não só nas questões da saúde, na alimentação e até no ambiente, pois existem aditivos e contaminantes altamente prejudiciais que podem desencadear ou agravar doenças.

A investigação científica tem que ser concluída com fundamentação sólida, de forma a garantir a certeza do risco /beneficio nos resultados obtidos a fim de permitir que a tomada de decisão não suscite dúvidas e que quando aplicada à pessoa permita que ela viva com segurança.

Associada à investigação científica é necessária a complementaridade de uma legislação que regulamente a defesa ambiental e que impeça e controle a introdução no mercado de substâncias com compostos cancerígenos.

Em suma, a comunidade académica desempenha um papel essencial não só na investigação científica e tecnológica como na divulgação da informação dos conhecimentos obtidos.

sábado, 18 de novembro de 2017

O PANTEÃO E A REDE

JOÃO MENDES
Chegará o dia em que as redes sociais elegerão e farão cair políticos e regimes. Não sei se lá chegaremos sem que a sociedade colapse, já disso estivemos mais longe, mas a verdade é que o poder das redes é hoje enorme, e esse facto, consumado, tende a agigantar-se a cada dia que passa. Que o digam os seguranças do Urban Beach, sobejamente conhecidos pela violência de que habitualmente aplicam, e que foram ao tapete, juntamente com a própria discoteca, no dia em que um vídeo do seu comportamento bárbaro se tornou viral no Facebook. 

Mais recente foi o episódio do jantar de encerramento da Web Summit, que decorreu no Panteão Nacional. Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro, mas foi preciso que o tema se tornasse viral nas redes sociais para que a indignação se projectasse para todo o país. Muito se poderia dizer sobre este caso, da cada vez mais habitual desresponsabilização de António Costa à hipocrisia que emanou da ala direita do hemiciclo, passando pela questão ética de se utilizar um cemitério de notáveis heróis da pátria para jantares e cocktails, mas o que fica deste caso, na minha opinião, é o autêntico terramoto que se gerou na quinta do Sr. Zuckerberg. 

Mal ou bem, caberá a cada um dizer de sua justiça, monumentos como o Panteão Nacional já foram usados para eventos do género, muito antes da lei Barreto Xavier, que oficializou a mercantilização destes espaços. Será que só agora gerou indignação? Ou será que ela já existia, e a diferença reside apenas na capacidade que o Facebook tem de a amplificar a níveis nunca antes vistos? Estou mais inclinado para a segunda hipótese. A força das redes sociais é tremenda e geradora de turbas que o são sem sair do conforto do sofá.

Acontece que, com o tempo, estas indignações tendem a perder-se na timeline. Seja este caso, o caso Urban Beach, assaltos de colarinho branco em instituições bancárias ou situações de gestão danosa, corrupção e fraudes variadas no sistema político português. Porque a seguir a qualquer uma delas, uma nova se levantará e todos os holofotes se virarão para ela. Não fosse o mais recente caso de evasão fiscal que colocou em cheque os investimentos da rainha Isabel II, e já muitos não se lembravam sequer dos Panama Papers. Alguém se lembra da lista de jornalistas avençados pelo saco-azul do GES, que o Expresso prometeu revelar? Não? É natural.



Com a imprensa tradicional a atravessar uma profunda crise, feita de factos alternativos, clickbaits e jornalismo sensacionalista, a ascensão do Facebook enquanto plataforma informativa colocará enormes desafios à sociedade como a conhecemos. As indignações multiplicar-se-ão, é certo, mas o excesso de informação de qualidade duvidosa que proporciona será solo fértil para uma sociedade incapaz de separar o trigo do joio, que balança ao sabor dos humores da rede. E o acessório confundir-se-á com o essencial, levando a que os jantares nos panteões desta vida tenham a relevância de uma Operação Marquês. Este é, a meu ver, um dos grandes perigos que as redes sociais representam. E a elite que nos comanda, na sombra, agradece o favor.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

AS REDES SOCIAIS

ARTUR COIMBRA
As redes sociais são, hoje em dia, uma realidade incontornável para quem procura a informação mas, sobretudo, o comentário e a opinião sobre os acontecimentos, sejam numa dada localidade, no país ou no mundo.

Substituindo um pouco o secular diário pessoal das nossas infâncias, em cujas páginas o leitor ia apondo os seus textos, os seus poemas, os seus desenhos, as suas análises ao que se passava à sua volta, as redes sociais constituem, na actualidade, a forma como os cidadãos vão reagindo ao momento, em cima das ocorrências. Alvitrando, julgando, avaliando, aplaudindo ou censurando. Acabam por se transformar na voz dos que não têm voz no dia-a-dia dos jornais ou, genericamente, da comunicação social, cada vez mais reduzida ao papel de porta-voz dos grandes interesses políticos, económicos, culturais ou desportivos deste país.

Assim, as redes sociais assumem um imprescritível espaço de promoção da cidadania e da própria democracia, enquanto mensageiras da representação do pensamento de cada português, que, de outro modo, jamais conseguiria obter a amplificação que aquele meio proporciona.

E quem diz democracia, diz liberdade. É inquestionável que as redes sociais representam a legitimação da liberdade de cada cidadão colocar na net tudo o que lhe vai na alma. E é exactamente no exercício desse sagrado benefício que, paradoxalmente, reside o perigo do sistema, que é enorme. 

Ninguém questiona o direito de qualquer cidadão a exprimir, sem peias, as suas opiniões, as suas críticas, os seus desejos, os seus fantasmas, desde que assuma, lealmente, a autoria do que escreve e publica. Já se contesta esse direito desde que praticado a coberto do anonimato, ou de falsas identidades, ou de perfis falsos, como é comum no mundo virtual, sobretudo em épocas eleitorais.

As pessoas sem escrúpulos transferem para as redes sociais as suas taras, as suas perversões, a sua podre maledicência, a sua desonestidade intelectual, no fundo, a sua cobardia. Que outra designação não pode ter quem, anonimamente, em textos ou comentários, denigre e achincalha respeitáveis pessoas, permite-se julgar quem não conhece, humilha e ofende quem não está de acordo com as suas ideias, vilipendia e insulta quem lhe dá na real gana, porque, no fundo, escreva o que escrever, ninguém é penalizado pela estrumeira que lança na Internet. 

Ao contrário do que acontece nos media, que têm directores e coordenadores que filtram devidamente o espaço opinativo, nas redes sociais reinam, quantas vezes, o caos e a anarquia, releva a linguagem de estrebaria, impõe-se a voz do ataque, da injúria, da difamação, dos sentimentos mais primários, na perspectiva de que ninguém descobrirá a respectiva autoria. E ninguém paga pelos delitos que, com a mesma linguagem, seriam penalizados na imprensa. 

Nas redes sociais campeia gente sem princípios, sem valores, sem disciplina. Falta aí certamente uma autoridade que vele por comportamentos adequados a uma vida em sociedade, pautada por paradigmas de respeito, de ética, de rectidão, de probidade.

Faz falta uma entidade reguladora para as redes sociais, mas que exerça, de facto, essa importante missão disciplinadora, e não a farsa que são os reguladores da comunicação social, ou da electricidade, ou dos combustíveis, ou do que quer que seja, e de que ninguém lobriga a utilidade para os cidadãos. 

As redes sociais são, em suma, um espaço de democracia e de liberdade, mas também de cobardias, de ataques pessoais, de libertinagem, muitas vezes a coberto de perfis falsos que pervertem o que a Internet tem de imensamente positivo!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

EUROPOL: PROJETO “SAVE A CHILD – TRACE NA OBJECT”

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
Entre tanto crime mediatizado, entre histórias criminais que vender jornais e noticiários televisivos, casos como terrorismo, crime económico-financeiro, corrupção e outros, outro tipo de criminalidade acaba por se manter confortavelmente esquecida. Confortavelmente pois o confronto diário com certa monstruosidade do ser humano. Infelizmente tão disseminada, não se torna fácil ou sequer confortável de atender.

Crimes como a violência doméstica, que anualmente conta com mais vitimas mortais na Europa do que a soma de todos os atentados terroristas no mesmo período, é uma realidade fácil de esquecer e até considerar com alguma normalidade. Afinal ao invés de intervir ou denunciar é-nos francamente mais confortável olhar para outro lado.

Mas outro tipo de criminalidade, também ela confortavelmente “esquecida” (felizmente que não pelas autoridades policiais), vem a aumentar exponencialmente, aqui também ajudada pelas tecnologias informáticas, de comunicação eletrónica e de anonimização digital.

Falamos aqui da exploração sexual infantil, hoje, mais que nunca, potenciada pelo mercado de pornografia infantil, cujos conteúdos são partilhados de forma anónima na Internet.

Por trás de cada um dos filmes partilhados, existe, algures no mundo, uma ou mais crianças abusadas e exploradas, cujos investigadores daquele tipo de crime desesperam por identificar, nem sempre com sucesso.

E, da resiliência desses investigadores, que não se dão por vencidos, surgiu, no seio da Europol. o projeto “Save a Child – Trace na Object”, em Português “Salve uma criança – detecte/identifique um objecto”.

Trata-se de um projeto que passou uma fase experimental e que, durante essa mesma fase, limitada a pessoal interno da Europol, já permitiu a identificação e proteção de seis vítimas menores e a acusação do respetivo ofensor.

Após a fase experimental, a Europol passou assim a solicitar a colaboração da população em geral, a coberto de total confidencialidade, por forma a que possam identificar objetos encontrados em material ilícito, fotográfico e cinematográfico, sendo que nenhum utilizados será exposto a qualquer imagem com conteúdo explicito ou passível de identificar a criança ou crianças abusadas.

São projetos como este que nos responsabilizam enquanto cidadãos globais e que, ainda que por uma ocasião que seja, nos pode permitir participar na libertação de uma criança abusada.

O meu contributo passa agora por pedir a ajuda dos meus leitores, nomeadamente levando-os a consultar e a colaborar com o projeto “Save a Child – Trace na Object”, disponível em:

sábado, 18 de março de 2017

O MILITANTE ELECTRÓNICO

JOSÉ LO FERREIRA
A internet apresenta-se-nos como um dos meios de comunicação mais rápidos e eficazes da atualidade. Permite a transmissão de informações de forma instantânea, seja politica, laboral, cultural, cientifica ou de lazer. No campo político, é possível utilizar a internet para promover e divulgar eventos, propostas ou objetivos, bem como mobilizar cidadãos para essa causas.Esta nova realidade, sendo positiva, veio descaracterizar e lançar um enorme desafio, à forma de fazer política que defino como militante eletrónico. A participação cívica pode a partir desse momento ser realizada sem que o fator distância seja problema. 

A internet democratiza e possibilita a todos intervir cívica e politicamente . O que não dispensa o alargamento da base social de apoio para umas eleições cujo futuro depende da participação ativa, é mesmo a proximidade dos seus atores, e, neste particular a militância de rosto humano, não pode nunca ser substituída pela militância eletrónica e suas consequências, sobretudo numa altura em que por cansaço ou comodismo a maioria prefere a quietude.

quarta-feira, 1 de março de 2017

REDES SOCIAIS E DEMOCRACIA

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
Após a polémica que envolveu a recente eleição do presidente dos Estados Unidos da América, nomeadamente quanto à alegada intervenção da Federação Russa, realizada através de uma série de ciberataques, uma nova e assustadora polémica se avizinha.

De facto, a confirmar-se a possibilidade de uma campanha extensiva de ciberataques e de ciberpropaganda ser suscetível de manipular a opinião pública e o sentido de voto dos eleitores, apenas nos resta confirmar, aqui e agora, o falhanço total das Autoridades em detetar e combater uma ameaça deste tipo.

Não é de todo admissível que um estado estrangeiro tenha esta capacidade de intervir em eleições democráticas. E se não é admissível a sua ação deliberada, muito menos é admissível a inação das autoridades nacionais quanto à proteção dos seus atos eleitorais.

Mas convenhamos, esta proteção não se nos apresenta nada simples, pois, se por um lado podemos sempre proteger os nossos sistemas informáticos, por outro lado, o mesmo já não poderá ser dito quanto à educação de toda uma população para a deteção de campanhas de disseminação de notícias falsas e de manipulação de massas através das redes sociais.

E agora esta mesma ameaça bate à porta da Europa, com a proximidade das eleições Francesas, e com a crescente popularidade da Frente Nacional de Marine Le Pen, preocupação aliás já manifestada pelos serviços secretos Franceses.

É todo o projeto europeu que agora está ameaçado pelo Sr. Putin!

Vivemos novos tempos e curiosamente, a sociedade civil assobia para o lado!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

TECNOLOGIA E EMPREGO

JOÃO RAMOS
Na semana passada foram publicados os dados relativos à taxa de penetração de robot´s no sistema produtivo da maioria das economias mundiais. A referida publicação afirma que o custo da utilização deste tipo de tecnologia é inferior ao de um operário entre um 1/10 e ½ dependendo do processo produtivo e do próprio nível salarial, o que está a provocar uma enorme alteração estrutural no mercado laboral com consequências desastrosas no desemprego. No entanto, numa análise pormenorizada podemos verificar que são precisamente os países com menores níveis de desemprego que possuem as maiores taxas de utilização de robots no processo de produção e concepção, dos quais se destacam a Coreia do Sul, o Japão, Singapura, Suécia e Alemanha. Tratam-se de economias com problemas demográficos associados a baixos índices de fecundidade e que têm vindo a sofrer um redução enorme da sua população activa. Mais do que uma opção meramente financeira, a utilização crescente de robots nestas regiões visa fundamentalmente suprir as elevadas necessidades de mão-de-obra qualificada. Além disso, as economias em questão, salvo raras excepções, apresentam aumentos consideráveis da produtividade ao longo da última década, o que permite, manter sustentáveis os seus sistemas previdenciais, mesmo com o declínio demográfico.

Assim sendo, ao contrário dos “neo-ludditas” (movimento antí-tecnologia), devemos olhar a inovação dos processos produtivos e a utilização de tecnologia como um passo decisivo, que permitirá à sociedade alcançar um nível de qualidade de vida superior.

domingo, 29 de janeiro de 2017

AS ENTERNECEDORAS REDES SOCIAIS

LUÍS ARAÚJO
As redes sociais são das coisas mais enternecedoras que há, porque quando pensamos que o que está ali é uma amálgama de bites e bytes, subitamente apercebemo-nos que estamos na presença de algo com emoções, não fossem burras como penedos e até me fariam verter uma lágrima aqui e ali. Um ou outro cibernauta mais distraído pode ainda não se ter apercebido disto, mas é frequente sabermos que as redes sociais se emocionaram com aquele vídeo do panda num zoológico qualquer de um pais de leste (as redes sociais são muito sensíveis a animaizinhos enclausurados), ou que se chocaram com a ultima revelação feita por um concorrente de um reality show. Ora, eu com estes sentimentos todos das redes sociais apercebo-me que sou um bruto insensível, pois animais em zoológicos não me emocionam e a única revelação de um concorrente de um reality show que me chocaria seria ouvi-lo recitar o abecedário completo. Mas nestes dias apenas se fala em duas coisas, o Trump e a Tesla, dois assuntos do mais aborrecido que há. Falar do nóvel presidente dos Estados Unidos tem o mesmo interesse que falar do ultimo reality show da Teresa Guilherme, depois dos 64 anteriores já está tudo dito, sobre o homem da peculiar cabeleira loura, que por acaso até já foi a Teresa Guilherme da televisão americana, já estão também esgotados todos os insultos possíveis e imaginários que a língua inglesa permite, o que até nem terá sido nada difícil atendendo à vacuidade das ideias apresentadas. Falar de Trump não é só aborrecido, é penoso, e limitativo, pois só existem dois tipos de pessoas, as civilizadas, que andam revoltadas com tudo o que o homem diz e faz e as atrasadas, que andam excitadas com tudo o que o homem diz e faz. Dialogar com as primeiras é como coçar uma ferida, dialogar com as segundas é como saltar da frigideira para o lume, quando achamos que já batemos no fundo, aparece alguém que está a escavar no lodo. Surpreendente seria encontrar um apoiante de Trump que tivesse completado a instrução primária a saber a tabuada e conseguisse escrever duas linhas completas sem dar erros gramaticais, mas parece-me que é mais fácil acertar no euromilhões 6 semanas consecutivas. Quanto à Tesla, ora é a instalação da fábrica em Portugal, ora é o inicio de comercialização dos potentes carros elétricos em território nacional que ocupam o tempo das redes sociais. Ora, falar da Tesla é quase tão aborrecido como conduzir os seus próprios carros, pois apesar da grande excitação das redes sociais, não passam de carros elétricos que se conduzem sozinhos, uma coisa tão emocionante como comer uma francesinha vegetariana com cerveja sem álcool. Claro que ao pôr toda a gente a comprar carros elétricos vai acabar por criar um muro entre o resto do mundo e os países árabes - que dentro de poucas décadas terá que beber petróleo e comer areia - e a instalação de uma qualquer industria em território nacional será sempre benéfico para a nossa depauperada economia, mas isso não impede que a Tesla seja o bocejo do mundo automóvel. De repente fiquei com saudades de vídeos de pandas em jardins zoológicos

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

TELEMÓVEL: O DITADOR DOS NOSSOS DIAS

ARTUR COIMBRA
Não sei se os leitores já repararam: uma das maiores ditaduras da actualidade é nem mais nem menos do que o telemóvel. 

É esse pequeno aparelho, cada vez mais leve e plurifuncional, cada vez mais sofisticado, que se enfia no bolso do casaco ou das calças, para já não falar da bolsa das senhoras, esse universo multímodo e caótico que só elas conseguem descodificar. Um aparelho às vezes inconveniente, que toca nos lugares mais indiscretos, como uma igreja, um cemitério ou uma reunião sigilosa. Para já não falar num encontro impróprio, no tempo, no lugar ou na pessoa.

O telemóvel acaba por ser a nossa segunda pele, de que não podemos abdicar, sob pena de perdermos a nossa identidade. É mais fundamental que o computador, que tanto divinizamos: porque podemos sair de casa sem o computador, sem qualquer problema. Vamos ao futebol sem o computador. Vamos ao centro comercial sem o computador. Contudo, não somos capazes de dar um passo na vida sem a segurança do telemóvel: sair de casa sem o telemóvel no bolso é como colocarmos o pé fora da porta, para trabalhar, em chinelos ou em pijama. Estamos nus, descompostos. Falta alguma coisa. Melhor, o essencial. Esquecemos às vezes a carteira, ou os óculos, mas nunca o telemóvel.

Se saímos de casa sem o ditador, voltamos atrás, porque não podemos estar um dia sem o telemóvel. No emprego, é claro, há telefone fixo. Podemos contactar e ser contactados. Mas não é a mesma coisa. Qualquer pessoa que tenha o nosso número, pode querer ligar a qualquer momento e nós não “estamos” lá. Não podemos atender. E se de repente nos dá a vontade de dizer “bom dia” à nossa mãe, mandar um piropo à namorada, enviar uma mensagem de aniversário ao amigo que já não vemos há vinte e dois anos? Como é que vai ser?

Não nos venham com a lengalenga estafada de que até à existência do telemóvel, há bem poucos anos, as pessoas também viviam, também se falavam, deixavam recados, marcavam encontros, viajavam, iam e vinham, e tudo seguia normalmente. Ninguém morria se não soubesse durante duas ou três horas, ou dois ou três dias, do nosso paradeiro.

Hoje, não. Na era do telemóvel, da urgência, da velocidade, da momentaneidade, se durante vinte minutos não conseguirmos contactar o nosso filho que foi dar uma volta de bicicleta, ligamos de imediato para a polícia, para o Hospital, para o INEM, colocamos logo um anúncio na internet: “Desapareceu o menino…”.

O telemóvel é, na verdade, o tirano dos tempos modernos. Reparemos, durante um simples jantar: estamos a comer, a beber, como que distraidamente. Mas não é distracção: de dois em dois minutos, fixamos o aparelho, não para ver as horas, mas na secreta esperança de que alguém ligue ou envie um simples SMS. Alguém, ou ninguém: é já hábito, costume, expectativa, paranóia. E se alguém calha de ligar, levantamo-nos, desviamo-nos, orelha colada ao aparelho, sorriso nos lábios, como se a banal chamada fosse a coisa mais importante do mundo.

E quando estamos a cavaquear num grupo de amigos ou de conhecidos? Se o telemóvel toca, interrompem-se as conversas, finam-se os diálogos: mais que quem está presente, ao nosso lado, quente de proximidade, releva quem está do outro lado do aparelho, frio, palavroso. A prioridade não é quem está junto de nós, é quem nos telefona. Mesmo que não tenha nada de importante para nos dizer, que seja para informar que o espectáculo não é às 9 mas às 10 da noite, ou que não vai jantar a casa. Pelo simples facto de estar a falar à distância, sobreleva sobre tudo o resto: todas as conversas, os encontros, por mais substanciais e primordiais que sejam.

Hoje o telemóvel é mais importante que tudo na vida. Ele é a vida, e tudo se lhe subjuga. Desligamos o computador, o televisor, o automóvel, o amor, a leitura, a música, o quotidiano. Não desligamos nunca o telemóvel, nem de noite, nem ao fim de semana, nem nas férias. É que “alguém” pode ligar. Ou ninguém, como acontece a maioria das vezes!...

Mudam-se os tempos, evoluem as vontades, subvertem-se os valores.

Estamos todos loucos. E a culpa não é das novas tecnologias. É da nossa cabeça alienada!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

OS PERIGOS DAS REDES SOCIAIS

LUÍSA VAZ
Muito se fala sobre a importância de “apanhar o comboio” no que toca à presença de indivíduos e empresas nas redes sociais. Há redes para todos os gostos, capazes de satisfazer quase todas as necessidades. Há redes de trabalho, de convivência social, de encontros, para empresas, para criação de negócios. A lista é infindável.

No entanto, é preciso perceber que a postura dos indivíduos que as frequentam bem como as intenções podem nem sempre ser as melhores e aí entramos em conflito entre a liberdade individual, a liberdade das empresas que possuem as redes sociais oferecerem os seus serviços e as leis que não conseguem acompanhar a velocidade com que elas aparecem no mercado.

Se virmos por exemplo o caso dos grupos terroristas, sabemos que actualmente a maior parte do recrutamento é feita online seja em redes sociais seja na “dark net” que é aquela parte da internet a que a grande maioria das pessoas não consegue aceder seja por falta de conhecimentos ou mesmo de meios. Trata-se do submundo da internet, se quisermos.

Eu sempre defendi que uma das formas de acabar com o Daesh e com grupos terroristas similares seria por um lado a asfixia financeira e por outro o corte no acesso aos meios de comunicação e às redes sociais. Se não tiverem como difundir a sua mensagem torna-se muito mais difícil para eles recrutar e para os seus seguidores serem recrutados. Não é taxativo que as elimine mas causaria sérios atrasos e danos quer na passagem de informação quer no processo de recrutamento.

Donald Trump, o recente Presidente eleito norte-americano acaba de sugerir o fecho de algumas partes da internet para impedir a disseminação da propaganda do Daesh. No entanto, por mais válida que seja esta medida, ela só funcionará na totalidade se outras Nações seguirem o exemplo.

Este é somente um dos perigos de uma utilização irresponsável das redes. A pedofilia seria outro exemplo que poderíamos acrescentar. Os roubos – visto que as pessoas não protegem a sua privacidade por mote próprio publicando fotos das casas e dos carros e informações como quando vão de férias e para onde ajudam sobremaneira os “amigos do alheio”. O ridículo é que não haja bom senso e seja necessário que existam alertas da Policia no sentido de se mudarem esses comportamentos.

Mas o perigo maior, quanto a mim, prende-se com a forma como as pessoas se relacionam actualmente. É muito fácil estar escondido atrás de uma tela de computador e insultar alguém ou praticar cyber-bulling sobre um colega de escola, por exemplo, Casos desses já levaram ao suicídio. O problema aqui é que as pessoas que praticam esses actos covardes não teriam coragem de expor – e se calhar muitos nem saberiam – os seus argumentos se se encontrassem frente-a-frente com a pessoa que agridem por esta via.

As pessoas, algumas delas, escondem-se atrás de um perfil que criam, muitas vezes bastante melhorado face á realidade das suas vidas, para destilarem todas as frustrações de que padecem e estando cada vez mais enclausuradas numa realidade paralela e bem longe da realidade quotidiana.

Só socializar através das redes por uma questão monetária, por timidez, por medo de não ser aceite, por dificuldade em se relacionar com os demais deveria ser algo que as pessoas deveriam tentar combater e não galvanizar através da sua presença nas redes.

A noção de Educação, Cortesia, Simpatia, capacidade de Diálogo entre outras deveria fazer parte do código de conduta dos frequentadores das redes em vez de ser não só esquecido como criticado.

É possível fazer uma utilização saudável das redes e usá-las como forma de procurar emprego, manter contacto com amigos ou familiares, conhecer novos produtos, desenvolver um conceito de negócio e ainda assim haver espaço para se ir tomar um café e conviver com os outros cara-a-cara. O Homem como ser iminentemente social necessita disso e não deve abdicar sob pena de ficar embrutecido e desfasado da realidade.

Torna-se quase nefasto o espaço que as redes ganharam na vida de cada um de nós. Quando passamos algum tempo sozinhos temos as nossas redes sociais de eleição como companhia – já se torna jurássico ver uma série ou um filme ou ouvir um álbum de música – e acabamos por quando estamos em ambiente de socialização quase nos sentirmos mal se estamos mais de 15 minutos sem actualizar o nosso feed de notícias. Chegamos ao ridículo de ver um grupo sentado numa mesa a falar no chat da rede social com outras pessoas em vez de prestarem atenção uns aos outros ou estarem a mostrar as últimas dos seus amigos online em vez de procurarem e incentivarem temas de conversa.

Estamos num momento em que a informação que nos chega é proveniente dos mais diversos meios, chega em muita quantidade e a grande maioria não é filtrada. Cabe a cada um de nós fazer essa filtragem quanto ao conteúdo, à necessidade e ao momento em que acedemos a essa informação.

Por mais que nos queiram desumanizar tornando-nos cada vez mais dependentes das redes e do que elas têm de subjacente nós temos o dever de zelar pela nossa integridade, pela nossa privacidade e pelo nosso direito de escolha.

Podemos sempre escolher continuar neste mundo virtual mas nunca perdendo a noção dos inúmeros benefícios que estão disponíveis para a nossa saúde física, mental e emocional no mundo real e isso não há “5 mil amigos” ou “ 1 milhão de likes” que pague.

domingo, 20 de novembro de 2016

REDES SOCIAIS … E A INDIFERENÇA DE MUITOS DOS UTILIZADORES

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
Atingir os 5000 mil amig@s. O máximo! Mas depois, e porque é impossível dar atenção a tod@s, a interação faz-se apenas com uma pequena percentagem e, ainda assim, muitas vezes interagir significa apenas “gostar” de um ou outro post… E, por vezes, comentá-lo!

Claro que há exceções e @s 5000 mil amig@s traduz-se em muit@s fiéis seguid@res! Mas essas exceções dão-se principalmente com os internautas, que fazendo das páginas profissão, lhes dedicam o seu dia, ou grande parte dele.

As redes sociais podem ser sim, um bom veículo de promoção e / ou comunicação, mas quanto a isso desengane-se quem pensa que apenas por ter milhentos amig@s vê o seu “produto”, catapultado para o sucesso!

Contudo, às vezes pergunto-me se existe a noção que cada “gosto”, mas principalmente cada comentário e / ou partilha de determinada publicação, pode difundir a informação a níveis bastante elevados.

Claro que a vida pessoal de cada um e, também uma grande falta de altruísmo leva a que, a menos que haja algum tipo de interesse, os post passem ao largo… ou antes, sejam completamente ignorados! E acreditem, não é por responder a um “bom dia” ou “boa noite”, ou simplesmente clicar no botão “gosto”, que vai diminuir o protagonismo de ninguém!

Pela minha parte, sigo várias páginas: umas pelo seu conteúdo, outras pelo afeto que sinto por quem as administra (porque fazem parte das minhas relações pessoais), algumas apenas porque sim… E sempre que um post me desperta a atenção, não tenho problema algum em “gostar” e até comentar se achar que devo, ou se para tal, tiver tempo.

Também sempre que me é possível, passo pelo “Feed de Notícias” e deixo “gostos” e comentários…. Afinal, que perco em demonstrar consideração pel@s amig@s, ainda que virtuais?! Uns segundos… uns minutos?! Que é isso, comparado com o prazer de sabermos que alguém ficará satisfeit@ e valorizad@? Se me perguntassem porquê? Devolveria a pergunta: porque não?!

Para lá do monitor existe uma pessoa real, com sentimentos reais e afinal, as redes sociais passaram a fazer parte da sociedade, logo um meio de dar e receber…

E neste sentido, se tod@s fossem um pouquinho mais solidári@s... as redes sociais cumpririam, de facto, a sua função de “Aldeia Global”!

Da forma que estão a ser utilizadas e, se transportarmos este quase “cada um por si” para a vida real, temos o mesmo quadro da vizinhança que, ou baixa os olhos e finge que não vê, ou com cara fechada ou ainda sonolenta, se limita a um cumprimento rápido e sem emoção, quando acidentalmente se cruza com o vizinho mais próximo.

No meu ponto de vista, que vale o que vale... É lamentável!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O TEXTO MAIS BONITO DO MUNDO

FERNANDO COUTO RIBEIRO
Tenho de começar por dizer que o que vão ler não corresponde, obviamente, à promessa do título. Não é que seja mentira, é marketing; por outro lado, também é justo esclarecer que não tenho nada de particular para dizer.

Este texto resume, apenas, uma ideia que me tem andado pelo pensamento nos últimos dias: as pessoas precisam que o mundo saiba que elas existem! 


Todos sabemos isso. Todos sabemos da nossa necessidade de pertencer, de sentir que fazemos parte de alguma coisa, que sabem e querem saber de nós. O sentimento de pertença é um lugar quentinho, que tem um copo de vinho tinto (há bebidas alternativas), conversa de 'coisas' e mantinha nas costas (ou abraços de pessoa e força certa).

A questão é que há um determinado caminho, necessário, para chegar a esse lugar de que queremos fazer parte. Há uns anos (largos), quando queríamos ir a um lugar, havia a viagem, e a viagem, por ser difícil, obrigava a planeamento, o que a tornava parte integrante desse lugar. Por exemplo: a ida para o Algarve nas férias era longa e demorada, tinha filas de espera e tinha lugares de paragem obrigatória. Havia um ritual que tinha de ser e era cumprido, e que permitia desvios de rota que acrescentavam histórias à história – e digam lá a verdade: se não são esses desvios que usamos hoje para lembrar esses dias aos quais pertencemos? 

Hoje, saímos de casa, entramos na autoestrada e chegamos. 

De um certo modo, acho que isso está a acontecer com as relações entre as pessoas: andamos a esquecer a viagem. Toda esta tecnologia que tanto nos facilita a vida reduz o tempo necessário, mas que é necessário, para darmos conta do outro e das suas particularidades, daquilo que os torna únicos, das suas apaixonadas contradições. 

É de La Palice, mas o tempo precisa de tempo, e nós também! (Tenho saudades de receber uma carta. Os únicos que hoje me escrevem são os bancos, as telecomunicações, as seguradoras e as finanças... O meus grandes amores!) 

É tão grande a vontade de estar e de ter, que nos vamos esquecendo de viver e de ser, quando é pelo viver e pelo ser que alcançamos a pertença. Gostamos das pessoas e as pessoas gostam de nós pelas nossas qualidades, mas confirmamos o amor mútuo nos erros que nos aceitamos.

As redes sociais e as tecnologias no geral, são uma coisa boa, permitem que o mundo saiba o que pensamos e que estejamos mais perto de todos, mas tenho para mim que devemos estar atentos ao que queremos que o mundo saiba de nós e, principalmente, que não nos distraia daquele que é o NOSSO mundo: aquele lugar real feito de gente real onde os dedos escrevem em pele de gente extraordinariamente real e que quer saber de nós.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

CIBERESPAÇO, DESINFORMAÇÃO E MANIPULAÇÃO



ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
A guerra Russo Georgiana, iniciada em agosto de 2008, foi reconhecidamente o primeiro conflito a ser simultaneamente desenvolvido em quatro frentes: ar, terra, mar e no ciberespaço.

E, a par dos ciberataques realizados no anterior ano de 2007, contra a Estónia, rapidamente ficou demonstrado o papel do ciberespaço nos modernos conflitos entre estados, sejam aqueles apenas desenvolvidos na nova frente digital sejam acompanhados de ações físicas.

Ataques de negação de serviço, inativação de sites governamentais e de órgãos de informação, desativação de redes de comunicações, sabotagem nas redes de instituições financeiras, introdução de notícias falsas em ordem a criar a confusão e a cimentar o medo e o pânico, estas técnicas rapidamente demonstraram a capacidade de dano das ações hostis desenvolvidas nesta nova frente de ação.

Sem embargo, e salvo no que respeita às comunidades adstritas à defesa e segurança, aos serviços de informação e a alguns meios académicos, esta novel dimensão dos conflitos notoriamente passou despercebida aos cidadãos, que não se muniram nem foram munidos de conhecimentos que lhes permitissem, de certo modo, mitigar os danos causados por este novo tipo de guerra da informação.
Assim, aqui chegados, é cada vez mais evidente que as virtualidades da conetividade oferecida pelo ciberespaço, são hoje em dia aproveitadas ao máximo pelas potências que mantêm interesse na disseminação de falsas noticia, por forma a prosseguir os seus intentos de desinformação e manipulação dos cidadãos.

Estados ou mesmo grupos terroristas têm vindo a criar campanhas de desinformação e manipulação que até há pouco tempo, se encontravam limitadas pelo controlo dos meios de informação oficiais, pelas redes de informação clandestina ou pelo simples boato.

Hodiernamente a criação e disseminação de conteúdos de origem não certificada e com intuitos de engano e de criação de medo e terror, tornou-se assim um dos maiores perigos ao livre desenvolvimento das sociedades modernas, condicionando indelevelmente a livre formação do pensamento crítico do cidadão.
Conteúdos que, utilizando falsidades, subtilmente incitam ao ódio, ao medo e à criação de vieses, são-nos diariamente apresentados nas redes sociais como sendo a mais pura da verdade, ali, à distância de um mero e fácil clique no rato do PC ou toque no visor do nosso telefone ou tablet.

Estaremos preparados para escolher as fontes de informação mais fidedignas? Estaremos preparados para colocar em causa as notícias que são publicadas através de sites ou perfis de origem anónima e sem qualquer controlo jornalístico? Estaremos preparados para detetar uma notícia apoiada em dados falseados e em fotografias espaço-temporalmente desenquadradas?

Um dia talvez, hoje não!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A CIBER(IN)SEGURANÇA - A NOVA FRONTEIRA DA EDUCAÇÃO

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA 
Vivemos um admirável mundo novo, alicerçado na tecnologia, em máquinas e de códigos alfanuméricos os quais, articulados entre si, executam funções e tarefas que, até há cerca de alguns anos atrás, nos pareciam autêntica ficção científica.

Mas trata-se da realidade de hoje, aqui e agora!

E para onde nos impele essa novel realidade, senão para um quotidiano cada vez mais ligado e, arriscamos dizer, até dependente do espaço virtual, entretanto criado e assente na rede de infraestruturas de tecnologias de informação, que é hoje comummente chamado de ciberespaço.

É pois desta forma que, desde há alguns anos, temos vindo paulatinamente a transferir para o ciberespaço uma boa parte das nossas vidas, quer seja no âmbito das relações de mera interação social, de entretenimento, de aprendizagem, quer seja no âmbito comercial, laboral, das relações fiscais ou mesmo das relações bancárias e financeiras.

Contudo, não obstante a disponibilização de toda esta nova panóplia de funcionalidades tão admiráveis e fascinantes, o seu inevitável reverso não foi evitado, porque simplesmente não o podia ser, e, também aqui, não pudemos deixar de assistir não só à transferência para o ciberespaço, de condutas nefastas, que já vinham sendo reputadas como de índole criminal, mas também à criação de novos tipos criminais que contendem especificamente com as tecnologias de informação.

Concomitantemente, as condutas criminais no ciberespaço, e outras que, não qualificadas de criminais, mas que são, no mínimo, enganosas e desleais, multiplicaram-se, desenvolveram-se e aprimoraram-se, tudo fruto das especiais possibilidades conferidas pelo ciberespaço, nomeadamente no que respeita ao anonimato, confidencialidade, rapidez, automatismo e extensão transnacional.

E a extensão destas condutas é tal que, para um utilizador comum da internet, a probabilidade de ser vítima de um crime no ciberespaço é diversas vezes maior do que ser vítima de um outro crime no espaço físico.
Casos como o bloqueio da utilização de um computador ou sistema e/ou a encriptação dos seus dados ali armazenados, só desbloqueados mediante o pagamento de determinada quantia (ramsonware), casos como a disponibilização e partilha de vídeos de menores de idade, captados em salas virtuais de comunicação e difundidas de modo viral para todo o mundo, casos de faturação de serviços de conteúdo digital não solicitado e de valor acrescentado, casos de acesso ilegítimo a contas bancárias e apropriação do dinheiro ali depositado, são apenas algumas das condutas criminais com as quais eu próprio tive a oportunidade de contactar e que ocorreram com pessoas de um circulo de amigos mais ou menos chegado, ao invés que, nesse mesmo grupo de pessoas, e quanto a crimes praticados no mundo físico, nenhum me foi levado ao conhecimento.

Aqui chegados impõe-se questionar se toda esta revolução operada na nossa vida, foi acompanhada da necessária preocupação com a informação e educação do cidadão para a nova realidade tecnológica.

Não nos parece de todo!

Com efeito, as vitimas dos crimes cometidos através do ciberespaço não obedecem especificamente ao estereótipo do cidadão iletrado, de baixa cultura e pouco avisado. Ao invés, estas vítimas identificam-se com cidadãos avisados, tecnologicamente informados a quem, contudo, não se lhes pode exigir um grau de conhecimento tal que os impulsione a adotar as técnicas de prevenção e defesa efetivamente necessárias para um interação segura no espaço virtual.

De facto, para a maioria dos utilizadores do ciberespaço, a mera manutenção de um programa de antivírus atualizado será o bastante para assegurar a sua auto-defesa, algo que, contudo, não sucede, estando assim criada uma falsa sensação de segurança, com tudo de mau que isso acarreta. Ora, se é verdade que um programa de antivírus é efetivamente uma peça importante para a nossa defesa no espaço virtual, não menos verdade é que esse programa configura apenas uma pequena parte, quiçá a menos importante, do que é necessário para acautelar uma experiência segura e tranquilizadora.

Desde logo porquanto as ameaças decorrentes de programas maliciosos, vulgarmente chamados de vírus informáticos, não constituem o único espectro de condutas maliciosas cometidas no ciberespaço, mais sucedendo que, por outro lado, sempre existem programas maliciosos que, por ainda não se terem sido descobertos ou revelados, ainda não são suscetíveis de deteção pelos programas de antivírus.
Aqui, não poderemos deixar de citar Bruce Schneier, um dos mais reconhecidos especialistas em segurança informática:

“If you think technology can solve your security problems, then you don't understand the problems and you don't understand the technology.”
(Schneier, Bruce, “Secrets & Lies”, Jonh Wiley & Son´s, 2000, prefácio)

Ou seja, em nosso entender, a primeira vertente a ser analisada, trabalhada e desenvolvida, antes mesmo da questão tecnológica, é a educação do cidadão para se mover seguramente neste novo contexto de interação humana que é o ciberespaço.
Estará o cidadão comum preparado para adotar táticas preventivas para acautelar a sua cibersegurança? Conhecerá o cidadão os métodos mais usuais para o cometimento de cibercrimes? Estará o cidadão ciente dos direitos que usufrui no ciberespaço? Estará ciente da capacidade de difusão de informação privada sensível, ao ponto de se proteger convenientemente? Estarão as nossas crianças preparadas para interagir de forma segura no ciberespaço?

As respostas que cada um dos leitores dará ás perguntas formuladas não divergirão muito de um rotundo “Não”!

Urge pois alertar para uma urgente campanha de informação e educação para os riscos de utilização das tecnologias de informação, não só a nível associativo, não só ao nível da formação específica, mas fundamentalmente ao nível da escolaridade obrigatória, pois as crianças e jovens não são apenas o futuro, elas são também o presente e um forte polo de mudança de comportamentos no seio familiar.

E até lá, utilizemos as armas que se encontram disponíveis para esta defesa, a comunidade e a mente!

sábado, 14 de maio de 2016

A REDE WI-FI E OS POTENCIAIS PERIGOS PARA A SAÚDE

ANTONIETA DIAS 
O WI- FI, é um sistema de rede sem fios, cada vez mais utilizada não só como fonte de acesso individual como institucional.

O sistema wireless (WI-FI) está instalado em quase todas as casas que têm um sistema de internet, bem como é a conexão mais apropriada para smartphones, tablets, computadores e um sem número de equipamentos utilizados diariamente.
Muita polémica se tem gerado sobre os potenciais riscos na saúde.
Porém as pesquisas realizadas na investigação desta problemática têm sido imensas no sentido de esclarecer se existem ou não efeitos deletérios na utilização da tecnologia da radiofrequência e na eventual existência de malefícios, designadamente se existe nexo de causalidade no aparecimento do cancro.

De um artigo publicado no Diário da Saúde em 03.03.2009, extraiu-se a seguinte publicação “um estudo efetuado em 2009 por um grupo de cientistas nos Estados Unidos na Universidade Case Western Estados Unidos) "descobriram como fazer uma conexão “wireless” diretamente com os nervos e as células cerebrais, utilizando nanoparticulas ativadas pela luz.

Assim esta nanoparticulas semicondutoras no papel de minúsculas células ativadas pela luz conseguem excitar neurónios isolados ou em grupo de neurónios utilizando luz infravermelha.
Ao receber o feixe de luz infravermelha, as nanoparticulas semicondutoras geram energia elétrica, da mesma forma que uma célula solar silício.

A eletricidade libertada aciona os neurónios que estão a sua volta de forma mais precisa do que pode ser feito com um elétrodo, que é muito maior.

Segundo diz Strowbridge o objetivo a longo prazo deste trabalho é desenvolver uma interface cérebro-máquina ativada por luz que restaure funções decorrentes de danos nos nervos ou no cérebro.”
Certo é que os estudos efetuados até à data demonstraram claramente que não existe evidência científica de que a utilização do WI –FI possa desencadear algum efeito adverso na saúde do individuo.
No documento 304 da OMS extrai-se o seguinte: " Considerando os baixíssimos níveis de exposição e os resultados das inúmeras pesquisas realizadas, até ao momento não há evidência de que a exposição a baixos níveis de campos magnéticos possa causar danos à saúde humana."

A Internacional Telecommunicarions Union (ITU), é o órgão das Nações Unidas com a responsabilidade pela normatização dos serviços de telecomunicações e emitiu recomendações sobre o cumprimento dos limites de segurança para CEMS utilizado sem sistemas de telecomunicações.
A Recomendação ITU- T K. 52 afirma que o cumprimento dos limites de segurança de ICNIRP para telemóveis ou outros dispositivos de RF, não gera riscos para a saúde.
Recomendações da Federal Communications Commission dos EUA, considera que o uso dos serviços de telecomunicações se intensificou nos últimos anos, ampliando a necessidade do uso de radiofrequências e, consequentemente, a instalação de torres de radiocomunicações espalhadas pelas cidades, gerando uma preocupação na população sobre riscos à saúde associados à exposição humana a campos eletromagnéticas de radiofrequências. 

A avaliação da exposição humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos de radiofrequências está regulamentada com o objetivo de criar mecanismos que possibilitam a manutenção efetiva e rigorosa da administração do uso do espectro de radiofrequências. 

No Brasil, os limites de exposição humana foram estabelecidos pela Lei nº 11.934, de 5/5/2009, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com os estudos desenvolvidos na OMS, não há evidências científicas convincentes de que a exposição humana a valores de campos eletromagnéticos abaixo dos limites estabelecidos cause efeitos adversos à saúde. 

Importa contudo referir que existem recomendações na utilização do Wireless que merecem a nossa reflexão e deverão ser aqui recomendadas. 
"Desligue o modem quando for dormir

Apesar de não existir evidência científica nem risco para a saúde em pessoas exposta a radiações não ionizantes, contudo, há que referir que o tempo de exposição pode ser minimizado ensinado as pessoas a aprender a proteger-se como por exemplo desligar o modem quando não o está a utilizar, desligando o WI-FI quando não precisa dele, nomeadamente quando se vai deitar, desconectando todos os aparelhos de qualquer rede WI -FI e não tenha modem instalado na cozinha ou no quarto.

Existem normas de segurança que emitem as recomendações destinadas a medir os níveis máximos de exposição tanto para a exposição profissional como individual.

Estas normas de segurança estão fundamentadas nos dados fornecidos por estudos científicos realizados em todo o mundo e são revistas periodicamente.

A Organização Mundial de Saúde no Projeto Internacional de Campos Eletromagnéticos e Saúde (EMF Project) tem promovido a adoção de normas internacionais baseadas na ciência e harmonização das normas nacionais.

Cabe ainda referir que a Organização Mundial de Saúde (OMS), elaborou as ferramentas e um banco de dados tendo publicado dois manuais dos padrões e políticas de proteção da radiação, estabelecendo os limites máximos admissíveis de exposição.

A International Telecommunications Union (ITU) é o órgão das Nações Unidas com responsabilidade pela normalização dos serviços de telecomunicações e emitiu as recomendações sobre o cumprimento dos limites de segurança para as CEMS, bem como a conformidade dos sistemas de telecomunicações para os limites de exposição humana.

Para medir a adesão dos telefones móveis emitiu a Recomendação K.52 que propõe a Norma IEC, disponível no site: www.itu.int

Diretrizes Internacionais sobre os Padrões e Políticas de Proteção da Radiação Não ionizante adotadas por muitos países das quais se destacam: ICNIRP (Comissão Internacional para a Proteção Contra Radiações Não Ionizantes), ITU ( International Telecommunications Union), IEEE (Institute of Electrical and electronic Engineers) e US Federal Communcations Commission (FCC).

A Comissão Internacional para a Proteção Contra Radiações Não Ionizantes (ICNIRP),

(ICNIRP, 1998) são as mais aceites para a RNI em todo o mundo, cujo acesso é através do seu site na Web www.icnirp.org

As restrições básicas cientificamente estabelecidas dependem da frequência dos CEM, que determina em termos de densidade de potência, gradiente de CEM ou taxas de absorção específica (Specific Absorption Rate-SAR), sendo que a ICNIRP, afirma que “a proteção contra efeitos adversos à saúde requer que estas restrições não sejam ultrapassadas.”

Em suma, a utilização do Wireless Fidelity (WI-FI), sendo uma conexão sem fios entre dispositivos móveis como laptops e a internet, faz parte dos utensílios praticamente imprescindíveis a era atual, sendo cada vez mais utilizada entre os dispositivos de consumo desde as camaras digitais e telefones celulares, passando pelas televisões e aparelhos DVD, podem ser usados sem prejuízo para a saúde desde que se respeitem as normas de segurança estabelecidas que devem ser conhecidas por todos os utilizadores.

Recomenda-se o documento 304, emanado pela Organização Mundial de Saúde.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

INDÚSTRIA DE CALÇADO, UM EXEMPLO COM MUITO PARA APRENDER


NORBERTO PIRES
A indústria do calçado passou por uma fase muito complicada na década de 1990 e início do novo do novo milénio, mas soube reestruturar-se, planear a sua atividade, definir planos estratégicos a médio e longo prazo, procurar novos mercados, andar pelo mundo e procurar oportunidades. Fez tudo bem, resolveu os seus problemas estruturais e começa a ter resultados. Esta indústria vale hoje (dados de 2014) mais de 1,884 mil milhões de euros (valor bruto da produção), o que corresponde a 75 mil pares de sapatos, envolve mais de 1700 empresas, divididas entre fabricantes de calçado, de componentes e de curtumes, emprega mais de 40 mil pessoas (já foram quase 60 000 na década de 90, mas tem vindo a recuperar desde 2011), registam um produtividade crescente, em pares de sapatos produzidos por trabalhador e em valor bruto produzido por trabalhador (VBP, o qual atingiu um máximo histórico em 2014), e exporta mais de 96% da sua produção, o que corresponde a mais de 75 mil pares de sapatos e cerca de 1,845 mil milhões de euros, para mercados competitivos como o Italiano, Francês, do Norte da Europa, etc.

Uma evolução notável a todos os níveis.

No emprego (fonte APICCAPS):


Na Produtividade (fonte APICCAPS)::



Na contribuição que dá para as contas externas nacionais. Em 2014 esta sector foi, mais uma vez, a indústria com saldo comercial mais elevado na economia portuguesa, apresentando uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 411% (Fonte APICCAPS):

Mas se analisarmos o índice de vantagem comparativa revelada, isto é, se comparamos o peso do calçado nas exportações do país com o seu peso nas exportações mundiais, Portugal destaca-se relativamente a todo o mundo, não tendo ninguém que se aproxime na Europa. Muito significativo (fonte APICCAPS):

Sendo uma indústria centrada essencialmente no norte do país (Felgueiras, Guimarães, Feira, Oliveira de Azeméis, etc.), foi capaz de se modernizar e reestruturar a sua força de trabalho, apostando na formação, na qualidade e qualificação dos colaboradores.




São números impressionantes e que mostram bem o caminho que deve ser seguido em Portugal. Um país que detesta planear, olhar para o futuro e definir objetivos estratégicos e planos a médio e longo prazo, fazendo as reformas necessárias para os fazer funcionar. A indústria do calçado reestruturou-se, olhou para a concorrência, e para o mercados que podia conquistar. Melhorou a sua eficácia e a sua capacidade de inovar. Recusou competir pelos preços e pelos baixos salários. Quis inovar, diversificar e arriscou liderar. Anda pelo mundo à procura de alternativas e de oportunidades. Pensa global e está consciente dos perigos, sabe as regras do jogo e não tem medo, porque se prepara, estuda e sabe do negócio.

Neste momento são estes os nossos desafios. Considero imprescindível, como já referi várias vezes, que o país aposte em si próprio, nas capacidades que foi capaz de desenvolver e recuse, sem margem para dúvidas, uma política de baixos salários, desinvestimento na educação, ciência e investigação e desenvolvimento. Deve ser exatamente ao contrário, deve reestruturar-se por completo, mudando radicalmente a forma como elege, com decide, como avalia, como forma e ensina, como apoia, como julga e como trabalha. Deve colocar o foco nas suas mais-valias, capacidade de sacrifício, capacidade inovadora, qualidade de território e. Desperdiçou, em grande parte, os fundos comunitários que teve à sua disposição. Mas realizou ações que podem agora ser colocadas ao serviço de uma estratégia de futuro para o país. Os novos fundos são essenciais, e o seu planeamento e execução são críticos para o nosso futuro coletivo. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

HARDWARE HUMANO

HELDER BARROS
Estamos no limiar de uma nova era, quase sem nos apercebermos começamos a introduzir hardware nos animais e seres humanos, sendo que a Internet, uma das descobertas mais fantásticas do final século passado, vai sendo integrada em todos os equipamentos eletrónicos, domésticos e não só; os drones substituem cada vez mais o ser humano em situações de risco, essencialmente ao nível da video-vigilância e de operação em ambientes hostis por controlo remoto, ao mesmo tempo que se invade e limita cada vez mais a nossa privacidade, colocando em risco os nossos limites éticos. 

Como em tudo o que tem a ver com a evolução científica e tecnológica, começam a ser colocadas questões ao nível deontológico, da moral e da própria subsistência do ser humano, enquanto espécie, ao nível da biologia. Já é comum em Medicina falar-se em colocar chips no cérebro para controlar doenças do foro neurológico, colocar próteses que podem ser controladas do exterior, no fundo, quase cenas de filmes com andróides, que assistíamos em filmes de ficção científica dos anos oitenta, em que os Homens, se é que se podem ainda designar como tal, são constituídos por uma misto de hardware integrado nos processos biológicos. Cada vez mais se assiste à diminuição em massa de empregos, em portagens sem pessoas, em centros de abastecimento de combustíveis em que o próprio condutor se serve, em operações da banca sem bancários, o homebanking; compra-se comida em regime de self-service, fazemos declarações fiscais sem termos de nos deslocar às instalações das finanças; temos carros que quase já se conduzem remotamente; um mundo de pessoas, para pessoas, mas em que cada vez mais se reduz a intervenção humana ao mínimo possível. E aos poucos, julgando que tudo controlamos na perfeição, cada vez mais somos é mais controlados... 

E, será escusado ficarmos muito espantados com as mudanças do Mundo que se perspetivam, que nos estão a bater à porta a um ritmo alucinante, que nos invadem nas nossas vidas por mais comuns que sejam. Nada pode parar a evolução científica e tecnológica, a sua trajetória segue em frente e a grande velocidade e nada a poderá impedir o impulso de criação da espécie humana, numa curva de tempo com tendência exponencial. O Homem, enquanto ser racional procurará sempre novos caminhos, novos portais para dimensões sobre-humanas, querendo mensurar e controlar tudo, quase aspirando a uma condição Divina, em que dominando as máquinas, controlamos o essencial, pois tudo depende, sobretudo, destas. Mas neste caminho inexorável rumo ao futuro, o que deixaremos para trás… o que teremos de abdicar da nossa condição humana… seremos controlados como são já atualmente os animais com chips introduzidos de forma subcutânea. Já o somos de alguma forma, mas não passaremos a ser meros números de uma engrenagem (geringonça, termo mais atual no mainstream mediático) que pensamos conduzir, mas da qual já há muito perdemos o controlo, não passando de meros peões de um jogo de xadrez, que se consubstancia nas nossas simples vidas. Enquanto isso, apesar deste avanço científico e tecnológico, os exemplos de barbárie na raça humana, continuam a proliferar. Jovens que lutam em ringues de boxe repletos de apostadores histéricos, que são como as antigas arenas romanas, onde se morria gratuita e selvaticamente, imitam comportamentos ancestrais, não revelando qualquer espécie de consciência ética, de urbanidade e de progresso civilizacional. 

A geração de sessenta do século XX conseguiu uma reviravolta sociocultural, no sentido da melhoria generalizada das condições de vida na Europa e na civilização anglo-saxónica, que liderou este processo de revolução que nós, europeus, mimetizamos de forma adaptada às nossas características sociais. Então, as utopias da geração hippie, estribadas nas drogas, sexo e rock and roll, portanto numa grande festa da alienação, foram traduzidas em reais mudanças no nosso estilo de vida, enquanto todo social. No entanto, desde o início da década de noventa, começou-se a inverter o nosso ciclo evolutivo, tendo o liberalismo selvagem exponenciado as suas consequências, com o rebentamento de bolhas financeiras, investimentos não traduzidos em moeda real, mas em projeções de hipotéticos lucros que nunca se consumariam; em futuros e em paraísos fiscais, como diz a malta da máfia financeira.A grande migração continua, pessoas fogem de zonas de guerra, sem destino, ou pelo menos, com poucas certezas no futuro, em barcos mais frágeis que as caravelas dos antigos conquistadores ibéricos, que velejavam em barcos que eram como cascas de nozes, por esses mares adiante, contra ventos e marés. Mas, os progressos científicos continuam a servir uma míngua de gente privilegiada. Continuamos a querer ser robôs, a ser muito produtivos e eficazes, enquanto as máquinas nos vão roubando o trabalho que nos dignifica enquanto condição existencial. Uns poucos, cada vez trabalham mais, outros tantos não terão ocupação e farão assim crescer a grande massa de desocupados, de indigentes, de doentes e de vencidos da vida. Já se começa a falar em reformas no sistema laboral, no sentido de conferir um rendimento mínimo garantido a todas as pessoas, pois o emprego vai escassear de forma muito acentuada, principalmente, nos postos de trabalho de baixas qualificações, criando um fosso ainda maior, entre os que têm acesso à formação e informação privilegiada, aos centros de poder e todos os outros, cada vez mais orientados para uma vida de meros espetadores de tudo o que se passa à sua volta em grande velocidade… 

Já ninguém liga aos que cá ficarão, esgotamos todas as riquezas da Terra, num banquete sem fim, como herança só deixaremos queixumes, fome, doença e dor; é esta verdadeiramente a nossa grande desesperança: estamos numa espécie de liquidação total do nosso planeta e das nossas consciências enquanto cidadãos do Mundo. Nenhuma expansão de hardware poderá salvar a nossa Alma vendida a um consumismo desenfreado, acompanhado de uma indiferença generalizada, perante o outro. Entretanto, a vida corre a grande velocidade, já estamos em contagem decrescente e a malta segue contente!E assim estamos a viver a maior crise de sempre da sociedade ocidental, caminhamos alegremente para uma catástrofe ecológica, a que se seguirá a humanitária. Somos cada vez mais egoístas, as famílias estão em declínio, as religiões perdem terreno, a sociedade está, verdadeiramente, doente. O abismo está á nossa frente e à vista, porque seguimos em frente rumo à queda, quase que num registo de tragicomédia, em que quanto mais nos aproximamos dele, mais aceleramos e, nisso, a tecnologia pode-nos ajudar, para o bem e para o mal... estamos num caminho sem retorno rumo ao Apocalipse, a que muitos chamam pretensamente, o fim dos tempos, como se fossemos assim tão importantes no Universo. Os homens lá fora, já não cortam as ervas dos seus quintais e jardins. Mais fácil que nos campos da morte de Hitler, compramos herbicidas e sulfatos que nos envenenam lentamente, entrando na nossa cadeia alimentar. O mar está mais ácido e repleto de lixo, o que ficará como marca da nossa geração. Os rios, outrora santuários de frescura e de pureza estão quase todos contaminados por nós... há cidades em que se anda de máscara, devido aos elevados níveis de poluição a que foram sendo acometidas por nós... os nossos esgotos correm em muitos sítios alegremente para os lençóis de água que vamos beber, cheia de químicos que a desinfetam de bactérias nocivas resultantes da eutrofização que os nossos rios comportam... mas beber lixiviantes será saudável... os alimentos são repletos de conservantes, que nos provocam riscos de cancro e de outras doenças... 

“O homem é um castelo feito no ar. O que ele tem de não existente, é que lhe dá existência. O engano em que ele vive, é que lhe dá vida. Toda a realidade do seu corpo se firma na mentira da sua alma.” ― Teixeira de Pascoaes

sexta-feira, 29 de abril de 2016

AS BARATAS, LEONARDO DA VINCI E O FUTURO DA ROBÓTICA

NORBERTO PIRES 
Sempre gostei muito de baratas porque são máquinas fantásticas de locomoção e porque são estúpidas. Na verdade, elas andam tão bem um pouco pelas duas razões: têm uma estrutura mecânica otimizada (e muito simples) para a locomoção e quando encontram problemas resolvem-nos sem pensar e sem ativar de imediato o seu sistema nervoso central.

Quando disse isto, em tempos, à minha mulher Martha, que esteve uns meses em Macau a trabalhar num jornal, ela não achou grande piada porque as baratas vivem aos montes naquele clima e são impossíveis de extinguir.

Mas na verdade, por incrível que possa parecer, a robótica está a aprender muito com seres vivos como as baratas. Não para chatear jornalistas a precisar de descanso, mas para aprender como construir sistemas mais eficientes. A nossa forma de pensar tende a adicionar sensores a tudo, bem como dispositivos de processamento de dados (processadores), que permitam observar tudo, processar e corrigir. Ora, se observarmos o comportamento da natureza não é bem assim que as coisas se passam, verificando-se que em muitas tarefas se deixa à solução mecânica a maior parte das respostas e só muito mais tarde, em casos extremos, é que o sistema nervoso central é ativado e chamado a intervir. Um bom exemplo é a barata. Mecanicamente é um excelente projeto de uma máquina capaz de andar. Para além disso, como demonstram experiências feitas na Universidade do Michigan, e muitas outras, se o seu movimento é perturbado a barata resolve isso recorrendo às suas capacidades mecânicas: ou seja, o sistema de locomoção é, em grande medida, passivo. Não reage de forma ativa, disparando o sistema nervoso, a todas perturbações. As mais simples são resolvidas de forma passiva. O resultado geral é uma excelente máquina de locomoção.

Isso significa que no curso da evolução a natureza achou que um bom sistema de locomoção não precisava de ser reativo e deveria era depender de um bom sistema mecânico, pois isso tornava-o bem mais previsível e fácil de controlar. Isto é importante não só para a robótica, mas também para a biónica. Se quisermos perceber aquilo que faz um sistema de locomoção fiável e seguro, talvez isso implique observar como fez a natureza durante vários milhões de anos em vários dos-seres vivos que temos hoje, incluindo o homem.




Mas isto não é nada de novo na forma de pensar. Um dos maiores engenheiros de todos os tempos, o fantástico Leonardo da Vinci dizia que a melhor forma de realizar dispositivos eficientes era observar a natureza. Devo confessar que descobri o génio de Leonardo quando iniciei em 2002 uma compilação de uma nota de revisão histórica para um livro que estava a escrever. Fiquei abismado com as capacidades, interesses e universalidade deste homem do renascimento. Dotado de um intelecto superior, o artista Leonardo da Vinci percebeu que a visão era um meio fundamental para adquirir conhecimento, estudar e perceber os fenómenos naturais: Saper Vedere (“saber ver”) era a chave para desvendar as criações naturais e, com esse conhecimento, imaginar e projetar mecanismos que tentavam reproduzir as características naturais em que estava interessado. Desenvolveu um invulgar poder de observação que, aliado à sua enorme e reputada capacidade para desenhar objetos tal como eram, se tornou no seu principal instrumento de investigação. Anotava os seus estudos de forma gráfica (o texto servia para complementar os gráficos e esquemas) nos seus cadernos de apontamentos (Codex Atlanticus, Ms.B. Ms.I., …, hoje guardados no Museu da História da Ciência - Florença, Itália, ou pertencentes a colecções particulares como é o caso do Codex Leicester que pertence a Bill Gates, cofundador da Microsoft). 


Figura 1 – Estudos de Leonardo da Vinci para um robô antropomórfico.

Teve acesso aos desenhos e projetos dos Gregos, documentados pelos Árabes em publicações que estavam já traduzidas. Fez estudos de anatomia humana e animal (nomeadamente de aves, na tentativa de reproduzir o seu voo), tinha conhecimentos de mecânica e projetou e, provavelmente, construiu mecanismos que reproduziam movimentos e funções humanas. No entanto, poucos desses desenhos chegaram até hoje e muito poucos sobre o projeto secreto de um robô foram encontrados. Do seu maior livro de apontamentos, o Codex Atlanticus, faltam algumas páginas precisamente na altura em que parecia preparar-se para projetar um robô (Figura 1). Isso levou alguns investigadores a especular que as páginas em falta continham os estudos para um robô espetacular de aspeto humano (um cavaleiro andante com uma armadura germano-italiana típica do século XV). Teria sido projetado entre 1495 e 1497, mais ou menos na altura em que pintou A Última Ceia e elaborou a decoração da Sala delle Asse do castelo da família Sforza em Itália. O ambiente retratado nos tetos e paredes da sala, uma floresta de árvores altas, com as cúpulas pintadas no teto e os troncos nas paredes, parece ser o ambiente adequado para um cavaleiro andante mecânico. Era, ao que se pensa, capaz de mover a cabeça e braços, levantar-se e sentar-se, abrir e fechar o maxilar da armadura, emitir sons, etc. Teria, pelo menos, dois sistemas de juntas diferentes: pernas com três graus de liberdade (joelhos, tornozelo e anca) e braços com 4 graus de liberdade (ombro, cotovelo, pulso e mãos). A fonte de energia era hidráulica, recorrendo a canais que passariam por debaixo da sala. Mas ele poderia ter pensado em usar também molas e/ou contrapesos. Este projeto seria o corolário lógico dos seus estudos de anatomia e mecânica.

Pode ser que ainda um dia sejam encontradas as folhas perdidas do Codex Atlanticus numa qualquer biblioteca europeia ou coleção particular. No entanto, Leonardo da Vinci é conhecido pelos seus estudos incompletos e pela forma peculiar como escrevia os seus apontamentos da direita para a esquerda, como a imagem num espelho, de uma forma em que parece falar consigo próprio e não para eventuais leitores. Os seus apontamentos são uma espécie de monólogo, que ele não sentiu a necessidade de publicar, embora isso fosse já possível na sua época. Por qualquer razão pode ter destruído essas páginas e desmontado todos os mecanismos relacionados com elas, de forma a que não fossem reproduzidos. Ou outros o fizeram por ele, por razões políticas ou religiosas.

O que quero dizer com tudo isto é que a imaginação da natureza é muito, muito maior do que a imaginação do homem. Em 2007 escrevi um texto que publiquei no blogue “De Rerum Natura” e que reproduzo aqui no essencial. O watt é a unidade de potência (energia/tempo), e é usada para especificar a variação de energia de um sistema por unidade de tempo. A energia é aqui apresentada como trabalho, ou seja, a energia consumida na realização de uma determinada tarefa. Por exemplo, enquanto escrevia este texto estive a ouvir a música “Safe from harm” dos Massive Attack (do álbum Massive Attack Collected). Durante esse tempo o meu ouvido interno esteve a realizar o equivalente a um bilião de operações em vírgula flutuante por segundo. Fazendo equipa com o meu cérebro, o meu ouvido interno (assim como o de um qualquer ser humano normal) consegue distinguir sons até 120 dB, e identificar uma conversa particular no meio de uma multidão de pessoas (não é que eu seja cusco, mas é verdade). Nenhum sistema artificial atual, construído com a nossa mais sofisticada tecnologia, consegue fazer algo que se aproxime. E o que é verdadeiramente espantoso é que o ouvido interno consegue esse processamento de forma muito eficiente consumindo somente 14*10-6 watts, isto é, poderia trabalhar durante 15 anos consecutivos com a energia fornecida por uma pequena pilha AA.

De facto, o corpo humano consome 100 watts, e o nosso cérebro somente 50 watts. Todo o nosso sistema biológico é altamente eficiente do ponto de vista energético, e nós sabemos que tem capacidades muito avançadas, muito para além daquilo que conseguimos fazer com a nossa tecnologia. Só para terem uma ideia, o meu PDA que também é telefone consome 21.6 *10-3 watt em standby (ou seja, sem fazer nada) e esgota a bateria de 3.6 volts (1200 mAh) em 200 horas (8.3 dias). Se estiver a ser usado para telefonar dura poucos dias (3 a 4 dias), ou seja, consome cerca de 60 * 10-3 watts. E é um dispositivo limitado, com capacidades de processamento muito inferiores ao meu ouvido interno.

Ou seja, estamos muito longe de construir sistemas comparáveis com o nosso cérebro, ou sistema auditivo, visão, tato, locomoção, sentido de orientação, etc. Se fossemos capazes de copiar a sua eficiência resolvíamos os problemas energéticos mundiais, para além de termos capturado a forma como os sistemas biológicos processam informação, o que constituiria em si uma enorme revolução.

É interessante notar que grande parte do processamento realizado pelos nossos sistemas neuronais é analógico, sendo a informação posteriormente digitalizada. O ouvido, por exemplo, realiza operações de filtragem, análise de frequência, compressão, etc., antes de transmitir a informação ao cérebro. As células do cérebro (neurónios) podem ser entendidas como um conversor analógico para digital (ADC - analog to digital converter) especial. Recebem informação de outros neurónios, integram essa informação de forma analógica, e disparam (1), ou não (0), impulsos nervosos para outros neurónios.

Consequentemente, o nosso procedimento atual de digitalizar tudo e aplicar à informação obtida técnicas de processamento digital parece estar errado: a natureza não foi por aí. Sempre usamos como argumentos para evitar o processamento analógico a falta de precisão, a flutuação e variância com a temperatura, etc., e consequentemente optar pelo processamento digital, mais estável e menos dependente da precisão dos componentes elementares. No entanto, os nossos olhos e ouvidos proporcionam informação de alta qualidade usando elementos analógicos pouco precisos. Como resolveram esse problema? Que mecanismo(s) engenhoso(s) realizaram para interligar esses elementos produzindo um resultado muito eficaz e verdadeiramente fabuloso?

Temos muito a aprender com a natureza para projetar soluções mais eficazes e eficientes, nomeadamente aprendendo como os sistemas biológicos fazem funcionar a estratégia de utilizar o processamento analógico (energeticamente muito eficiente) antes de procederem à digitalização da informação. Temos de perceber como conseguem ser eficientes e robustos usando dispositivos pouco precisos e com muito ruído, quando usados em larga escala. Temos de perceber como são capazes de trabalhar em vários períodos de processamento (que variam entre milissegundos e dias) e com distâncias variáveis (que variam do micrómetro ao centímetro). Hoje, com a nossa eletrónica sofisticada, não conseguimos nada que se aproxime e seja estável. Precisamos de perceber como fazem esse processamento paralelo tão maciço.

Uma célula humana do cérebro é capaz de integrar informação de várias outras células, e produzir informação para várias células numa cadeia de processamento paralelo em larga escala. A nossa capacidade atual é muito inferior e limitada pelo número de ligações que conseguimos colocar num chip eletrónico. Mas também porque não sabemos como funciona o nosso cérebro, como podemos passar informação de forma segura e efetiva às zonas do cérebro que processam esta informação. Talvez porque a nossa imaginação seja muito mais limitada. Por exemplo, existem vários trabalhos e projetos que tentam devolver a audição ou a visão a pessoas que perderam esses sentidos. Mas os resultados são dececionantes, nomeadamente quando comparados com as capacidades do sistema original (nem é possível uma comparação, dada a enorme diferença de qualidade). Mesmo coisas aparentemente mais simples, como devolver alguma mobilidade (substituição de membros, por exemplo), têm resultados dececionantes quando comparados com o original. Há algo errado, talvez um erro sistemático, na forma como abordámos estes assuntos. Talvez seja altura de parar e ver como fez a natureza, que caminhos seguiu, e quais os que tiveram mais sucesso.

Perceber os mecanismos da natureza, a forma com resolveu os problemas que se lhe colocaram, nos vários seres biológicos, criando soluções robustas e eficientes, é o objetivo de uma nova área da engenharia que se denomina “neuromorphic engineering”.

Imaginem uma simples célula humana; o conjunto de interligações químicas que lá ocorrem formam um fabuloso computador que regula o seu crescimento, estrutura, reprodução, ligação com outras células, etc. Imaginem que percebíamos como funcionava, que eramos capazes de reproduzir pelo menos algumas dessas funcionalidades. Imaginem que dominávamos esse poder. Poderíamos criar redes de computadores capazes de aplicações que estão ainda fora da nossa imaginação.

Pois é, a imaginação da natureza é bem maior que a imaginação humana. Que o digam as… baratas!

Leitura suplementar:

1. Instantaneous kinematic phase reflects neuromechanical response to lateral perturbations of running cockroaches, S. Revzen, Springer Biological Cybernetics, Abril de 2013 

2. Leonardo Architect, C. Pedrettii, New York: Rizzoli International Publications, 1981.

3. Robots Robots Robots, H. Geduld e R. Gottesmann, Boston: New York Graphic Society, 1978.

4. The Genius of Arab Civilization, J. Hayes, Cambridge, Massachusetts: MIT Press, 1983.

5. In the Footsteps of Leonardo, M. Rosheim, IEEE Robotics and Automation Magazine, June 1997.

6. Robot Evolution: The Development of Anthrobots, M. Rosheim, New York: John Willey & Sons, 1994.

7. Robot Hands, M. Rosheim, New York: John Willey & Sons, 1996.

8. The Imagination of Nature is Far, Far greater than the Imagination of Man, J. Norberto Pires, “De Rerum Natura”, 2007 - http://dererummundi.blogspot.pt/2007/05/imagination-of-nature-is-far-far.html