quinta-feira, 6 de outubro de 2016

QUEIRÓS, O TRATORISTA

HÉLDER BARROS
Estávamos nos primórdios da década de setenta em Fregim, uma freguesia em que circulavam muitos carros de bois, em que a tração animal era o forte, numa agricultura muito pouco mecanizada, até então. Surgia de quando em vez na freguesia o Queirós de Vila Meã, com o seu trator cor de laranja, um Fiat de linhas direitas, mais moderno que o David Brown branco, do Carlinhos de Macieira, único trator que se conhecia em Fregim, a par com o do Sr. Reis da Mosteira, empregado agrícola na Casa da Pousada, do Sr. Abreu da Tabopan.

E nós, os miúdos da aldeia, maravilhados com a prodigiosa máquina que tanto veio facilitar a vida dura dos lavradores, imaginávamos corridas de pequenos tratores que fazíamos de madeira, a mimetizar os ditos reais. De vez em quando, quando tínhamos um aniversário, só pedíamos tratores como prendas, tal a nossa obsessão com aquelas máquinas automóveis com ou sem reboque, que passaram a fazer parte da paisagem bucólica dos campos e do nosso minifúndio. Os carros de bois e demais alfaias agrícolas puxadas pela força animal, que ainda conheci, passaram a ser substituídos nos trabalhos agrícolas ligados, principalmente, ás vindimas, ao transporte de mato, de lenha, de milho e de centeio, às lavras e fresas de terras, as lavoiras como então se dizia.

O barulho do trator passou a fazer parte das aldeias e durante as décadas de oitenta e noventa, nas freguesias, era um frenesim diário, um vai e vem de tratores que se espalharam por todo o lado, aumentando a rentabilidade do trabalho e reduzindo a sua dureza. E viam-se assim carros de mato, mas rebocados por tratores, pipas de vinho, transporte de uvas, de pasto para o gado, de madeira, tudo atrelado a essa máquina versátil que percorria campos e montes de forma versátil e simples, o seu poder de tração tornava-se cada vez mais potente.

Certo é que morreu muita gente a conduzir tratores, quer por falta de prática para dominar uma máquina tão poderosa, quer por facilitismo e falta de segurança na sua utilização. No inicio, poucos desses veículos traziam o atual arco de segurança de que são munidos, a cabine de proteção e cintos de segurança e como facilmente capotavam, fruto da orografia das nossas propriedades agrícolas, com leiras e leirinhas em degrau e montes em autênticas montanhas sinuosas e com grandes pedras escondidas pelo mato. Por essas alturas, as motorizadas mataram e entreveram muitos jovens, também trouxeram um ruído característico aos nossos dias e os tratores levaram muita gente, mais velha. A motorização das aldeias foi um fenómeno violento nessas duas vertentes: motorizadas e tratores, que ceifaram muitas vidas e entravarem muita gente, principalmente, jovens. A condução e manobra destas máquinas sob o efeito do álcool foi outro fator que propiciou acidentes brutais e estúpidos…

Mas o impacto na produção foi sentido de forma alucinante. Não era pouco comum, ouvir tratores a lavrarem e a fresarem de noite, a transportarem uvas para as adegas desde o nascer do dia, até altas horas da madrugada. Embora o seu número tivesse crescido rapidamente, o trator não conseguia dar resposta à procura crescente pelos seus serviços e por via de isso, trabalhavam de dia e de noite. A agricultura foi paulatinamente precisando de menos mão de obra, pois a mecanização que esta máquina e suas alfaias aportaram, foi um fator de mudança demasiado importante, ao nível do insumo e custos de produção, não negligenciáveis.

E era ver aqueles corajosos homens de dia e de noite, com o sol quente, ou com chuva fria e neve, a passarem sem cabine, com um guarda-chuva numa mão e a outra no volante, até arrepiava só de os ver assim. Claro que muitos sofreram grandes constipações, gripes, pneumonias que vieram a pagar mais tarde, pois o corpo só aguenta até um certo ponto, morrendo em consequência de doenças respiratórias e de complicações cardíacas. Aqui lembro também, o Amigo Magalhães da Capela que trabalhou para nós muitas vezes, mormente, no apoio a vindimas, sendo uma simpatia de pessoa, sempre de bom trato, de riso fácil, histriónico, onde ele chegava, a alegria vinha junta. Que Deus o proteja nas lavras dos campos do Céu.

Alguns dos meninos que brincavam comigo, não resistiram ao fascínio que a máquina lhes provocou e são hoje tratoristas, embora o trabalho já não exista em tanta quantidade, pois com o advento dos fundos comunitários orientados para a agricultura, muitos produtores passaram a ter tratores recheados de alfaias, que permitem a realização autónoma de inúmeras tarefas, lá vai havendo mais trabalho para todos, embora em menor escala que, naqueles inovadores anos das décadas de setenta até finais da década de noventa. Até já racham lenha para aquecimento doméstico e estão sempre a aparecer novas alfaias, para darem resposta a novos desafios na produção agrícola.

Por aquela altura, o Queirós de Vila Meã saiu rapidamente do anonimato, da sua vida simples de prestador de serviços agrícolas, para ser um dos mais requisitados e afamados tratoristas da margem direita do Tâmega, em Amarante, pois teve que colocar telefone fixo, o que era então um luxo, recebendo a sua esposa, inúmeros telefonemas e gerindo uma agenda de compromissos laborais difíceis de controlar. O Queirós era de tal maneira o preferido por todos, pelas suas virtuosas habilidades com o trator e respetivas alfaias que, quando faltava ou se atrasava aos seus serviços, havia uma sensação de vazio nas freguesias que se notava na face dos seus fregueses, pela tristeza da sua ausência. Foi um reinado pequeno, pois Queirós já não era muito novo e rapidamente ficou bem na vida, deixando o seu mester que o tornou famoso e muito solicitado na região. Esta é a história de um herói improvável, e de uma mudança irreversível do panorama agrícola local, de que me recordo com muita saudade, pois adorava ver aqueles bravos heróis a manobrar com audácia e destreza as suas máquinas motorizadas…

GENTE FELIZ COM LÁGRIMAS: JOÃO DE MELO E ZECA MEDEIROS – DIÁLOGO ENTRE LITERATURA E CINEMA

ANABELA BRANCO DE OLIVEIRA
João de Melo (1988), o escritor, e Zeca Medeiros, o cineasta (2001) projetam, em Gente Feliz com Lágrimas, o inevitável paralelismo entre a voz narrativa e a imagem cinematográfica na construção do olhar e na captação do movimento.

Mar e barcos definem o fascínio de Amélia, na nítida presença dos planos cinematográficos no texto literário, e o fascínio de Zeca Medeiros na constante alternância entre vozes, espaços e tempos sempre entrecortada pela presença do mar – o Atlântico dos Açores e de Lisboa – e dos barcos – os navios que partiam no passado para o continente europeu e americano e os cacilheiros do Tejo que comandam a vida lisboeta e o olhar genesíaco e criativo de Nuno – no discurso fílmico.

João de Melo projeta a câmara subjetiva de Maria Amélia que enuncia um olhar de distância ‑ “do outro lado da baía” ‑ em relação ao mar da sua vida. A nítida incidência de planos gerais constrói a imensidão da baía e do porto no desejo de sair da Ilha. O sucessivo estreitamento do campo de visão, na sucessão de planos de conjunto e de planos médios, conduz ao grande plano das caixas valorizadas como símbolo de contacto com o exterior, como recordação dos presentes falhados da infância, como impulsionadoras do sonho de saída.

A noção de distanciamento e de afastamento de mar e de barcos projeta o fascínio de Amélia e de Nuno, num travelling subjectivo enunciado na rememoração das viagens marítimas, no texto literário, e em travellings laterais nas imagens a preto e branco da viagem de Nuno para Lisboa no texto fílmico.

João de Melo e Zeca Medeiros projetam o cinema com elemento intrínseco do processo criativo. Na construção de uma imagem do mundo e na explicação do presente real, ocorre, frequentemente, uma comparação explícita com o universo cinematográfico. O texto literário enuncia o mistério e o suspense dos cinemas do Canadá, Nuno vê o silêncio e o interior das casas dos Açores nos filmes de Glauber Rocha, Luís faz lembrar o Bud Spencer do Cowboy Insolente, Histórias de Nova Iorque de Scorsese, La Strada de Fellini e os Pássaros de Hitchcock marcam presença no processo criativo de Zeca Medeiros. A televisão passa um filme com Gene Kelly e o barco da saída de Nuno para o continente é a passagem marcadamente intertextual de E la nave va de Fellini. O percurso de memória de Amélia organiza-se “como num filme”. Nuno, em frente à máquina de escrever, projeta na voz mas sobretudo no zoom que focaliza a escrita mostrando a sequência de palavras, algumas vezes repetida ao longo do texto fílmico - “vejo o passado a passar como um velho filme a preto e branco” - “vejo o meu passado como um velho filme a preto e branco”.

A montagem do texto fílmico define esta sequência de palavras num processo marcadamente cinematográfico: sequências e personagens do passado são construídas a preto e branco. Mas, no preto e branco da dureza do trabalho, da pressão dos castigos e da opressão política surgem as tonalidades de cor projetadas na lanterna mágica do tio Herculano, no teatrinho de marionetas, também por ele construído e cujas histórias inventadas por Nuno faziam sorrir os irmãos, na presença forte do azul do mar durante a primeira ida de Amélia e Nuno ao mar e no tocador de flauta “mágica” que personifica a tentação de Nuno e o desleixo na proteção do galinheiro.

Perante a pressão do castigo paterno, Nuno deseja uma solução cinematográfica: a chegada do justiceiro que salva a personagem da forca nos filmes americanos. É a montagem paralela criada por Zeca Medeiros estruturando a sequência da cavalgada dos cavalos brancos libertadores, “como nos filmes” que, em câmara lenta, o acompanham nos sonhos da infância e nos pesadelos identitários após a terrível sova do pai. As sovas do pai estruturam o processo de montagem interna e externa do texto fílmico. A montagem alternada projeta a descontinuidade entre a violência do castigo e a preocupação extrema da avó Olinda. No processo rememorativo de Nuno frente à máquina de escrever, a montagem paralela projeta imagens do ataque do milhafre ao galinheiro e imagens dos ataques em Os Pássaros de Hitchcock. A violência das sovas dirigidas a Luís ou Nuno são sempre apresentadas em câmara lenta. No percurso onírico de Nuno durante a prostração, consequência da sova do pai, Zeca Medeiros define percursos de montagem impressionista, num ritmo acelerado, onde imagens de lobos, milhafres e cavalos brancos libertadores em plano médio alternam com um grande plano do pai crucificado numa especificidade estética apenas percetível pelo espectador que conheça bem o texto literário. Nele, o cruzamento das imagens e a noção de fondu enchaîné são nitidamente assumidos por Nuno, de uma forma tripla, durante a convalescença dos ferimentos causados pela sova paterna.

O tio Herculano introduz no imaginário de Nuno a absoluta necessidade da luz e do movimento. A lanterna mágica que ele lhe oferece é a lanterna mágica do cinema que num outro filme – O Tempo Reencontrado de Raoul Ruiz - fascina o olhar de uma outra criança, Marcel Proust. No texto fílmico, o sistema de transição para os flashbacksdefinem, aliás, uma memória involuntária marcadamente proustiana.

Em Gente Feliz com Lágrimas, João de Melo e Zeca Medeiros projetam o inevitável e intrínseco diálogo entre literatura e cinema. Porque o cinema está omnipresente na memória estética de um escritor e a literatura está omnipresente, como alavanca, no processo criativo de um cineasta.

AS SOCIEDADES DE CAPITAL DE RISCO E OS APOIOS FINANCEIROS À INTERNACIONALIZAÇÃO

RUI LEAL
No meu artigo anterior abordei, de forma sintética e resumida, os vários mecanismos de apoio financeiro que, essencialmente, as Pequenas e Médias Empresas Portuguesas têm ao seu dispor no âmbito de processos de internacionalização.

Hoje pretendo abordar mais aprofundadamente um desses mecanismos que, na minha opinião, poderá ser um dos mais eficazes a nível prático e que tem que ver com o papel das sociedades de capital de risco (SCR).

Tendo em conta a especificidade e as necessidades decorrentes de um processo de internacionalização, as SCR têm objectivo financiar projectos de arranque, expansão, modernização, inovação, internacionalização, aquisição de um negócio e reestruturação/reforço da capitalização das empresas.

Num processo de apoio à internacionalização, as SCR entram, directamente, no capital social das empresas a apoiar, reforçando a sua estrutura financeira, através de uma participação temporária, e por norma minoritária, no capital social dessa mesma empresa.

Essa entrada no capital social da empresa a apoiar pode verificar-se via aumento de capital ou via aquisição de participação social.

Deste modo, a SCR torna-se sócia ou accionista da empresa a apoiar, participando, de modo directo e interessado, nos riscos do negócio.

Acessoriamente, a SCR presta ainda toda a assistência necessária na gestão financeira, técnica, administrativa e comercial da empresa participada, disponibilizando competências a este nível que, de outro modo, as empresas apoiadas nunca disporiam, para além de deterem ainda uma forte rede de contactos/parceiros, bem como know-how extremamente valioso, permitindo assim um apoio estável, duradouro e sustentado, tendo em vista o desenvolvimento da empresa apoiada em todas as vertentes.

Facilmente se percebe o que fica dito na medida em que, participando a SCR do capital social da empresa a apoiar, o sucesso do processo de internacionalização será a única forma da SCR ver o seu investimento rentabilizado.

A rentabilização do investimento efectuado pela SCR reside na mais valia que irá realizar, futuramente, com a venda da participação social que anteriormente adquiriu no início do processo.

Portanto, só obterá uma mais valia se o processo apoiado tiver sucesso, pois, caso contrário, inexistirá qualquer mais valia e o investimento realizado pela SCR acabou por se revelar ruinoso.

Desta forma, o objectivo comum das SCR e das empresas apoiadas reside, exclusivamente, na valorização exponencial dos negócios.

Quanto à forma de intervenção das SCR nas empresas participadas, ela pode verificar-se, como já ficou acima referido, via participação no capital social, ou intervenção ao nível dos suprimentos.

No caso de uma PME, por norma, a participação das SCR no capital social, embora minoritária, pode situar-se no limiar do controlo da empresa (ou seja, entre 49% a 50%).

A duração média da intervenção da SCR na empresa apoiada é de 5 anos, sendo que para os projectos empresariais captarem o interesse destas SCR, o retorno do investimento deverá rondar os 15%/ano.

As decisões de intervenção de uma SCR numa determinada empresa são muito casuísticas, sendo os critérios de avaliação determinados por vários factores, tais como:

a) Características e negócio da empresa e sua equipa;

b) Estratégia da empresa;

c) Potencial de valorização da empresa;

d) Potencial de crescimento do negócio;

e) Vantagens competitivas da empresa;

f) Credibilidade do empresário, do projecto e sua dimensão;

g) Abertura de mentalidade do empresário no sentido da aceitação de um novo sócio;

O processo de apoio de uma SCR a uma empresa, por regra, estará sujeito a 3 fases:

1. Análise da operação

Consiste na fase de apresentação do plano de negócios respeitante à internacionalização;

2. Concretização da operação

Passa pela negociação do valor de entrada da SCR e pela determinação das regras societárias que irão regular todo o processo, bem como a definição de todos os acordos parassociais necessários à boa definição e concretização do projecto;

2. Saída

Corresponde, grosso modo, à venda, pela SCR, da participação inicialmente adquirida, atingida a estabilidade ou os objectivos inicialmente definidos.

As vantagens das SCR nestes processos de internacionalização parecem-me, de todo, evidentes:

As PME acedem a capitais permanentes e ajustados às suas necessidades, permitindo-lhes ma constante monitorização da sua estrutura financeira.

A entrada de uma SCR no capital de uma sociedade é factor de credibilidade e de aumento da sua força e capacidade negocial perante terceiros.

As SCR permitem aceder a uma rede de contatos e um know how de outro modo inatingível às PME.

Para as PME, ter o apoio de uma SCR significa ter um parceiro empenhado no sucesso e valorização do negócio que irá prestar todo o apoio não só a nível financeiro como a nível administrativo, de gestão, etc., pois a realização de mais valias do investimento da SCR estará dependente do sucesso do negócio apoiado, estando o risco do negócio a ser totalmente partilhado.

Esta actividade das SCR está perfeitamente regulada a nível nacional, pelo DL 375/2007 de 8 de Novembro, existindo mais de 20 operadores públicos e privados no mercado Português.

Mais informações e contactos sobre as várias sociedades de capital de risco podem ser encontradas junto da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM), ou junto da Associação Portuguesa de Capital de Risco e Desenvolvimento (APCRI).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

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ENTENDER A HOMOFOBIA

«Homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceitos que algumas pessoas nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais.»

MÁRCIA PINTO
Podemos entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como a atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade, de anormalidade, baseada no domínio da lógica da normalidade, ou seja, da heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos chamar de hierarquização das sexualidades. Contudo, deve-se compreender a legitimidade da forma homossexual como expressão da sexualidade humana.

Deste modo, podemos entender a complexidade do fenômeno da homofobia que compreende desde as conhecidas “piadas” para ridicularizar até às ações como violência e assassínio. A homofobia implica ainda uma visão patológica da homossexualidade, submetida a olhares clínicos, terapias e tentativas de “cura”.

A questão não se resume aos indivíduos homossexuais, ou seja, a homofobia compreende também questões que evolvem toda a sociedade, como a luta pelos seus direitos. Muitos comportamentos homofóbicos surgem precisamente do medo da igualdade de direitos entre homo e heterossexuais, uma vez que isso significa, de certa maneira, o desaparecimento da hierarquia sexual pré-estabelecida pela sociedade em geral.

Muitas vezes aqueles que guardam estes sentimentos não definiram completamente a sua identidade sexual, gerando dúvidas e revolta, que são transferidas para aqueles que já definiram suas preferências sexuais.

Em muitos casos, a homofobia parte do próprio homossexual, porque ele estando num processo de negação da sua sexualidade, chega muitas vezes até a casar e constituir uma família, vivendo uma vida que não é a sua.

Neste sentido, a sociedade portuguesa tem vindo a reduzir progressivamente a discriminação com base na orientação sexual, tanto ao nível social, como político e legal, tendo, sobretudo entre as camadas mais jovens da população, a homossexualidade vindo a ser considerada como mais uma variante aceite da sexualidade humana, da esfera íntima e pessoal de cada um, e em grande parte livre de conotações de índole moral.

Deste modo, em 2010 a Assembleia da República, legalizou o casamento entre pessoas no mesmo sexo, tornando assim o país, o sexto na Europa e o oitavo no Mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

No entanto, só 5 anos depois, em 2015, a Assembleia da República, legalizou a adoção plena a casais do mesmo sexo, passando assim a ser 24.º país do mundo a permitir que estes casais possam adotar e constituir uma família normal numa sociedade heterogênea. Até então apenas era permitida a co adoção.

Apesar das conquistas no que diz respeito dos direitos, a homossexualidade ainda enfrenta muitos preconceitos. O reconhecimento legal da união homo afetiva não foi capaz de acabar com a homofobia, nem protegeu inúmeros homossexuais de serem humilhados, muitas vezes de forma violenta.

COLÔMBIA, A REJEIÇÃO DO ACORDO

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
O conflito entre as forças do estado colombiano e as “Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia – Ejército el Pueblo” (FARC-EP) perdura há mais de 50 anos e já conta no seu obituário com cerca de 200 000 mortes, isto para além dos milhares de desaparecidos e dos cerca de 6,6 milhões de pessoas que se viram na condição de refugiado, dentro do seu próprio país.

Contaram-se anos a fio de atrocidades cometidas de parte a parte, num rol onde constam assassinatos, violações, raptos, extorsões, roubos assim como toda uma panóplia de outros crimes cujo único limite conhecido é a maldade humana.

E se, na génese das FARC, constavam ideais mais ou menos compreensíveis, se é que a tomada das armas é compreensível, é certo que, por uma questão de sobrevivência, esta força de guerrilha se veio a associar a grupos criminosos, principalmente ligados ao narcotráfico, partilhando com estes os seus métodos e, inerentemente, os seus valores de índole criminosa.

Sem embargo recentemente, entre suspeitas de enfraquecimento das FARC, e após quatro anos de negociações, governo e guerrilheiros acordaram numa solução de paz, que culminou com o plebiscito realizado no passado domingo, dia 2 de outubro, o qual chamou o povo Colombiano a responder á seguinte pergunta:

“Apoya el acuerdo final para terminación del conflito y construcción de una paz estable y duradera?”
Contudo, o que parecia resultar numa vitória do sim, afinal acabou com uma vitória do não, certo que por reduzida margem, mas ainda assim uma vitória.

Entretanto, aqui pela nossa república, e perante a vitória do “não”, alguns comentadores e um punhado de eleitos políticos, tão certos que estavam na vitória do “sim”, presentearam-nos com momentos de perplexidade e de desnorteio, talvez motivados pela sua ignorância na História, na realidade do povo colombiano e quanto ao próprio conteúdo do acordo em causa.

Ou seja, esta vitória do “não” não poderá ser nunca entendida como uma opção pela violência e pela continuação da guerra, mas sim pela rejeição de um acordo que basicamente previa amnistias para criminosos e ainda os presenteava com lugares cativos no Senado e na Câmara, durante as próximas duas legislaturas.

Mas, acima de tudo, esta vitória do “não” foi uma vitória da democracia, do Povo, da sua vontade e da repulsa que as injustiças causam.

Foi uma vitória de quem não admite que a politica seja realizada através da violência!

MAIS DO QUE DIREITOS, TÊM DEVERES

PALMIRA CRISTINA MENDES
Por estes dias estava à espera da minha filha na escola e reparo que um casal saía com a filha agarrada às suas mãos. Enquanto a criança desenhava um olhar expectante, o rosto dos pais parecia uma pintura mais do estilo pontilhismo. À distancia produziam um efeito visual que nos leva a distinguir outras cores mas sem brilho: cor da fúria, da discórdia..uma cor subtractiva, digo eu!

Percorri atentamente aquela “tela “ em movimento até a distancia que nos separava diminuir acentuadamente ao ponto de ouvir as suas “pinceladas”” Estás doida? Mas hoje é o meu dia de vir buscar a filha”…”A tua filha não quer ir contigo”(….)

Enquanto isso a criança mais parecia um “ iô-ô.”.!!

Vejo a minha filha a sair e ao cruzamento do nosso olhar ela responde me com um enorme sorriso!!!

Respeitem as Crianças. Elas tem uma Lei Universal: Direito à Felicidade!!!

A utilização abusivamente e ilicitamente das crianças como arma de arremessa para as questões dos crescidos –Pais é uma Violação flagrante aos seus direitos.!

Mais que direitos sobre os filhos , os Pais têm Deveres!!

Importante memorizar que o exercício das responsabilidades parentais visa proporcionar aos filhos todas as condições para o seu adequado crescimento físico e intelectual, é um chamado Poder ‑ Dever, a exercer no interesse da criança. 

Em caso de divórcio, as questões de particular importância para a vida do filho continuam a ser tratadas por ambos os pais, desde que a decisão em comum dessas questões não seja contrária aos interesses do filho.

E porquê?

Em termos gerais, a lei reconhece a vantagem de se manter uma relação de proximidade com os dois pais, de modo a favorecer as oportunidades de contacto com ambos. Tendo o tribunal de confiar o menor apenas a um dos progenitores, em princípio deve confiá‑lo à figura primária de referência, ou seja, à pessoa que dele cuide normalmente, não pondo em causa o ambiente em que a criança vive. 

O interesse superior da criança pode tornar necessária a continuidade da relação afectiva com o progenitor que decida por exemplo emigrar. Naturalmente que tal deslocação acarreta riscos, pois priva o outro progenitor de manter o mesmo nível de contactos com os filhos. A decisão deve ser tomada por ambos os pais, podendo qualquer um deles recorrer ao tribunal quando a decisão não lhe tenha sido comunicada ou quando não concorde com ela.

Na fixação do regime de visitas, deve procurar‑se minorar esse afastamento tanto quanto possível, fazendo com que o progenitor em causa passe mais tempo possível com o menor, em particular aproveitando o período de férias e possibilitando contactos à distância por telefone, Internet, etc.

Nos casos em que um dos pais pretenda emigrar e levar consigo os filhos, a autorização de saída tem de ser prestada pelo pai a quem foram confiados e/ou com quem residem. Uma vez que o regime normal em caso de divórcio é o de responsabilidades parentais conjuntas, o menor poderá sair com qualquer um dos progenitores, se não houver oposição do outro.

Privilegia‑se a solução que resulte do acordo amigável dos pais, desde que defenda os superiores interesses da criança.

Em caso de não autorização, o outro pai pode dirigir‑se ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para pedir que seja emitido um “alerta de oposição à saída de menores” quanto ao(s) seu(s) filho(s).

E daquela “tela” sairá uma pintura abstracta sem qualquer estilo personalizado, sem côr , sem brilho, sem qualquer valor.

RESPEITEM OS VOSSOS FILHOS!!

MUITO DO QUE FAZEMOS

JORGE MADUREIRA
Tu és do que falas em “nós” ou centras-te no “eu”?

Por exemplo, no trabalho, consiste em fazer com que os colaboradores passem do modo “eu” para a postura “nós”. O trabalho em equipa deve sempre ser valorizado e prevalecer. Um líder verdadeiro e eficaz constrói e lidera uma equipa. Pode ser ela já experiente ou que esteja a iniciar. Tudo depende da sua competência para tal. Começa num pilar que é o relacionamento com as pessoas que fazem parte ou farão da equipa. Todos e cada um precisam de saber que está sempre com eles, que os valoriza e que lhe são muito importantes. Sentir que gostam de pertencer à sua equipa.

Um bom líder deseja sempre obter o melhor de todos, encontra uma maneira de os ajudar a seguirem a sua visão e fazer com que seja a mesma. Para que uma equipa se torne num grupo de elevado desempenho, todos os membros já devem estar despidos do “eu” e vestidos do “nós”. Todos estão empenhados numa visão comum, mas cada um tem que acreditar que a contribuição, a satisfação e o sucesso de todos é deveras importante.

Nos dias de hoje existe ênfase sobre as características comportamentais e sociais que induzem as pessoas a procurar e adequar em processos selectivos. Diferencia-se quem sabe trabalhar em equipa. Mas isso requer um conjunto de habilidades: tolerância, negociação, paciência, diálogo e respeito. Isto, uns com outros e com as hierarquias. Na teoria parece fácil na prática torna-se difícil. Nomeadamente quando existem problemas.

O que se vai destacando é que não se reforça o espírito de equipa e dá-se destaque ao ego e revelar estrelas. Estrelas não fazem tudo.

Como líder pratica o “eu” ou “nós”?

Você sabe a diferença entre “eu” e “nós”?