domingo, 3 de dezembro de 2017

FALAR DE ESCRAVATURA NO SÉCULO XXI

ALINA SOUSA VAZ
Assinalou-se, ontem, dia 2 de dezembro, o «Dia internacional para a abolição da escravatura". 

Falar de escravatura parece-nos algo de tempos longínquos, dos livros de história sobre a evolução das temáticas relacionadas com o comportamento humano e o exercício do poder. Contudo, a ação humana imprime, ainda hoje, aspetos negativos e degradantes contra o seu semelhante. A escravatura moderna existe, é uma realidade económica, social e humana em todo o tipo de países e envergonha a índole de um ser humano de bem.

Vários estudos têm sido realizados e desde o ano passado que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a fundação Walk Free juntamente com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) têm alertado para este flagelo. Quarenta milhões de pessoas é o número das vítimas da denominada ESCRAVATURA MODERNA que engloba homens, mulheres e crianças.

Como mulher e mãe, a questão das crianças e das mulheres deixa-me deveras sensível e atenta, logo abordar estas questões permite-nos, em conjunto, refletir sobre problemas que, muitas vezes, vivem perto de nós.

Os números são gigantescos; dos 40 milhões de vítimas de escravatura moderna, 25 milhões foram submetidas a trabalho forçado e 15 milhões a casamentos forçados. As mulheres e as meninas são o maior número de vítimas, sete em cada dez pessoas, perfazendo 29 milhões da escravatura moderna. Segundo o relatório da OIT, elas constituem 99% das vítimas de trabalho forçado na indústria do sexo e 58% noutros sectores, sendo também em 84% vítimas de casamentos forçados.

A ONU refere que uma em cada quatro vítimas de escravatura moderna é uma criança, realizando trabalhos perigosos, pondo em risco a sua saúde, segurança e desenvolvimento moral. As regiões da África e a Ásia-Pacífico são aquelas que mais “contribuem” para este número de crianças que trabalham e não são escolarizadas.

As guerras, a fome e a falta de meios para sobreviver leva à precaridade das famílias que facilmente são engolidas em redes de tráficos de crianças e de mulheres… No entanto, é incomensurável perceber que são os países evoluídos (devido à generalização do trabalho das mulheres na sociedade ocidental) que, muitas vezes, usufruem deste tráfico e contribuem para este infortúnio humano. 

A escravatura das mulheres tece contornos humilhantes; para além da prostituição, a escravatura doméstica é uma realidade nas maiores capitais da Europa. A vulnerabilidade por coação física ou moral, obriga-as a fornecer um trabalho sem remuneração e ficarem privadas de liberdade. Muitas vezes abusadas pelos patrões e maltratadas pelas crianças que cuidam, a identidade destas mulheres desaparece como um bafo de fumo de chaminé, as famílias perdem-lhes os rastos e quase nunca as recuperam. 

Se outrora as correntes eram o símbolo máximo da escravatura, hoje, a confiscação de passaportes, da violência, do receio do exercício de represálias sobre a sua família, da humilhação fazem a vítima temer o agressor e viver sem direito à vida, à liberdade de pensamento, de expressão e de movimento, ou até mesmo a sua própria humanidade.

Apesar dos progressos registados, a abolição da escravatura é ainda uma meta em pleno século XXI, constituindo-se o dia 2 de dezembro como uma altura de reflexão e de luta contra esta realidade: trabalho forçado, servidão obrigatória, tráfico de crianças e mulheres, prostituição, escravatura doméstica, trabalho infantil, casamentos combinados, entre outros. Esta data relembra a assinatura da Convenção das Nações Unidas para a Supressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição de Outrem, a 2 de dezembro de 1949.

A sociedade civil tem por direto de denunciar casos evidentes nas suas comunidades. Ao fazê-lo está a prestar um serviço de assistência às vítimas. Unamo-nos para estabelecer os direitos humanos e dignidade para homens, mulheres e crianças em Portugal e por esse mundo fora… A escravatura é um crime, sendo que aqueles que o cometem, permitem ou toleram devem responder perante a justiça.

E A MÚSICA FICOU MAIS POBRE…

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
E o Zé Pedro, um ícone da música portuguesa parte… Não se pode dizer que foi surpresa, o seu estado débil indiciava uma morte anunciada, porém quando confrontada com a sua partida não posso deixar de sentir um nó na garganta. Afinal a música dos Xutos & Pontapés, da qual foi fundador, faz parte de muitas das minhas memórias. E pensar que este grande homem, e músico apaixonado pelo que fazia, deu o seu último concerto há menos de um mês!

De repente dou-me conta que esta banda me acompanhou ao longo dos anos, e curiosamente neste exato momento, o que primeiramente me vem à memória, é ter achado o nome estranho. Só bem mais tarde e, mediante a música que cantavam e com a qual encantavam, descobri a pouca importância que isso tinha. Aliás tornou-se um nome sonante e, que fazia sentido dentro do contexto musical e, talvez, vidas pessoais. Há pormenores que não são por acaso, muitas vezes, a sua irreverência é o que os torna únicos.

Não posso dizer que fui, ou sou fã da banda, sequer gosto de todas as suas músicas, porém trauteei com prazer algumas delas… Afinal, quem não se lembra de “Aqui ao luar”, “O homem do leme”, “A minha casinha” ou “Ai se ele cai”? Músicas que me acompanharam em viagens e que cantei alegremente em momentos descontraídos e felizes vividos em família, transformando-se assim em parte integrante da minha própria história! Estas e outras músicas ficarão nas minhas memórias, de muitos da minha geração e até da geração dos meus filhos.

A partida do elemento mais conciliador é triste… é estranha… Não o conheci pessoalmente, mas não posso deixar de salientar o sorriso que falava por ele. Um sorriso aberto, genuíno e contagiante. Também a simpatia nas palavras e a sua generosidade enquanto ser humano ficaram bem patente em cada aparição pública. E é desta forma, que a sua imagem ficará imortalizada.

Hoje já não está entre nós, a música fica mais pobre, a Humanidade também, afinal o seu sorriso jamais contagiará outros rostos.

“Para sempre” e até sempre Zé Pedro!

SAUDADES

CARLA SOUSA
Sentimento que pode ser tão desconcertante como tão bom. Este sentimento desconcerta se não conseguimos “matar” as saudades. É bom, muito bom, se o conseguimos fazer.

A saudade é a nossa memória emocional do que gostamos de viver, de sentir e de ter.

Tem a capacidade de nos organizar e de nos ajudar a definir quem somos como pessoa. A saudade do quê e e quem ajuda-nos a definir a nossa personalidade.

A saudade pode provocar um sentimento de vazio imenso que parece que nos falta uma parte do corpo ou então a dor da ausência pode ser tanta que até parece que simbolicamente estamos a ser esfaqueados.

Há quem viva agarrado à saudade, à dor da ausência e, que não consiga viver o presente.

Torna-se tudo angustiante e desprazeiroso porque parece sempre que falta algo.

Somos capazes de nos sentirmos profundamente infelizes e incompletos. Caso este estado perdure deve-se procurar acompanhamento. Viver paralisado na saudade de algo que nos foi retirado, uma perda, uma separação, pode ser verdadeiramente angustiante.

A saudade pode ser egoísta porque normalmente sentimos falta do que sentimos e do fomos com aquela pessoa e surge o medo de poder não voltar a sentir algo semelhante.

A perda dói. A separação dói.A morte dói. 

Lutar permanentemente para esquecer não é a solução. O esquecimento não é possível e é necessário passarmos por estas dores para crescermos emocionalmente. Culpar-se eternamente pela perda, pela separação pela morte também não é a solução.

Somo pessoas resilientes e com capacidade de evoluir e mudar. É possivel continuar a viver com qualidade, fazendo o que se gosta, estando com com quem se gosta, mudar e cuidar de si próprio. Invista em si. Passe tempo de qualidade consigo, faça coisas apenas por si e só por si. Com o passar do tempo, o sofrimento dará lugar a uma lembrança. 

Em relação às pessoas que amamos e partiram, não temos que lutar para as esquecer, paralisar ou parar de viver... Estas podem permanecer vivas dentro de nós, no baú das recordações boas.

sábado, 2 de dezembro de 2017

POLÉMICAS AOS MOLHOS

JORGE NUNO
“Os que enfrentam a realidade exercem o livre-arbítrio tomando decisões conscientemente e aceitando a responsabilidade por elas, reservam a opinião e acreditam na sua capacidade de criar vidas mais felizes (…)”, é uma frase escrita por Karen Kelly[i]. Alocando a frase à decisão política consciente e realista, e à reserva de opinião, atrevo-me a firmar que hoje é visível algum deslumbramento coletivo, com cheirinho de alívio e umas pitadas de felicidade aqui e acolá. Não vejo nenhum mal nisso, bem pelo contrário. Mas o optimismo de lentes cor-de-rosa, conduz-nos, quase sempre, ao choque com a realidade e cria algum desconforto, pelo sentimento de incredulidade ou não aceitação dessa mesma realidade.

Assim se dividem opiniões, fazendo estalar polémicas e mais polémicas.

– Depois de travadas “batalhas” pela igualdade de género e a tendência segue o rumo de minimizar a orientação de sexo, sente-se que foram alcançadas assinaláveis conquistas. Quando a Igreja Católica entende, finalmente, que os homossexuais devem ser acolhidos por ela própria “com respeito e delicadeza”, vem agora relembrar e querer operacionalizar o que o Papa Bento XVI já tinha dito: “A homossexualidade não é conciliável com a vocação sacerdotal”. Assim, foram traçadas diretrizes para a formação de sacerdotes, recomendando a que os candidatos sejam sujeitos a testes psicológicos para evitar o surgimento de “tendências homossexuais”, pedófilos ou com doenças mentais, impedindo-os de entrar em seminários e ordens religiosas. Lá dentro, em confissão sigilosa, pode confessar a sua homossexualidade que o confessor será obrigado a remeter-se ao silêncio;

– Parecia um dado adquirido que a candidatura da cidade do Porto, para acolher a Agência Europeia do Medicamento, era uma das melhores posicionadas, entre as cinco favoritas (de um conjunto de 16 cidades candidatas). O Porto ficou fora da corrida, logo após a primeira votação. Em cima do acontecimento, o governo português veio anunciar a mudança do Infarmed de Lisboa para o Porto, criando alguma perplexidade, por ficar a ideia de tratar-se de uma “compensação”. O primeiro-ministro apressou-se a dizer que a decisão já estava tomada, tendo em vista aproximar a agência nacional da agência europeia [na perspetiva de um Porto vencedor]; no entanto teve a virtude de reconhecer, numa entrevista à Antena 1, que “a comunicação podia ter sido de outra forma”. Sabe-se que 97% desses trabalhadores já rejeitou mudar-se para a “capital do norte” e até já se apontam custos muito elevados com a relocalização, formação especializada, compensações… e a presidente daquela instituição a dizer que se trata apenas de “intenções”;

– A Lei n.º 24/2016 veio regular o acesso à gestação de substituição (até há pouco encarada como “barriga de aluguer”). Os casais, em Portugal, a partir de 01/08/2017 já podem recorrer a este processo e fazer vir criança ao mundo, mediante determinados pressupostos. Mas… o primeiro caso aprovado é de uma avó que vai gerar o seu neto! Para a legislação poder ser aprovada e o pedido dos interessados ser aceite, teve, necessariamente, de haver um parecer favorável do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, além de ser ouvida a Ordem dos Médicos (esta, sem parecer vinculativo). Neste primeiro caso, à mãe do futuro bebé foi-lhe retirado o seu útero, por razões clínicas. Será utilizado o esperma do pai e um óvulo retirado da mãe. Em trabalho de laboratório, o embrião será gerado “in vitro” e, posteriormente, incubado no útero da avó. Está em causa a ética, os riscos de saúde para a parturiente (em idade pouco usual, sendo sempre uma gravidez de risco, mesmo que bem seguida medicamente), a legalidade jurídica (acautelada pela legislação vigente, mas que pode ter outros desfechos se, após o nascimento, p. e., for suscitada a questão relativa à atribuição da maternidade, a requerer intervenção de um juiz);

– Com surpresa, assistimos ao fretar de um total de cerca de 100 camiões-cisterna diários, para transportar água para a barragem de Fagilde, situada no concelho de Mangualde. Sabe-se que nessa barragem havia apenas um nível de 10% da sua capacidade, devido à seca extrema. Sabe-se que existe aí uma ETA, a qual abastece de água potável tanto o próprio concelho, como os concelhos de Viseu, Nelas e Penalva do Castelo. Sabe-se que foi pedida a intervenção dos bombeiros, que disponibilizaram cerca de 45 camiões para essa tarefa. Foi noticiado que também foram fretados camiões-cisterna a empresas de transporte privado, com um custo de € 700 diários, por viatura. Sabe-se que o governo disponibilizou € 250.000 para esta megaoperação, aceitando disponibilizar mais € 250.000, depois de negociações com as Águas de Portugal. Com estupefação, assistimos à recusa dos bombeiros em transportar água, alegando que estavam a custear a operação do seu bolso e não tinham recursos para tal;

– No dia em que o governo de Portugal completou dois anos, realizou um conselho de ministros em Aveiro, seguido de uma sessão de perguntas e esclarecimento. As perguntas terão sido feitas por um painel de cinquenta cidadãos. O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, disse na véspera do evento: ”(…) quanto às perguntas que vão ser feitas, à amostra das pessoas que lá estarão ou à natureza dos temas a abordar pelas pessoas, há de ser da responsabilidade daquela Universidade”. O jornal “Sol” noticiou que iria ser pago € 36.750 a um grupo de cidadãos que participa no estudo. Ao que se sabe, foi encomendado um estudo à Universidade de Aveiro e utilizado um painel representativo da amostra, para questionar o governo. Alguns desses elementos, entrevistados por vários canais televisivos, responderam entre “perguntem à empresa” [contratante], outros disseram “€ 200”, outros “€ 150 + refeição + transportes”, outros referiram “apenas as ajudas de deslocação”. O professor universitário, coordenador do estudo, afirmou que o executivo teve “zero influência” nas perguntas formuladas e acrescentou: “É prática corrente internacional e nacional haver algum tipo de compensação para deslocações e tempo para quem participa nestes estudos, eu próprio, quando era estudante no Reino Unido fiz algum dinheiro participando em estudos”.

Há uma frase atribuída a Phineas Taylor Barnum[ii], que diz: “Sem promoção, acontece uma coisa terrível: nada!”. Qualquer decisor, estratega ou governante sabe disso. Mas terrível também é o descuido na forma como se comunica, para quem quer passar uma mensagem e/ou obter bons resultados; quando assim é, a polémica é inevitável; e a sensação de desconforto também.


---------------------------------------------------------------
[i] Autora de «O Segredo de “O Segredo”», Livros d’Hoje, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2007.
[ii] Norte-americano (1810-1891), um homem do espetáculo e autor de “Art of Money Getting”. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

RIP ZÉ PEDRO


Nasci, cresci e decidi viver do rock n'roll, apenas porque ele faz-me viver
Por isso fui um dos fundadores dos Xutos&Pontapés.
Por isso fui um dos donos do Jonhnny Guitar.
...
Por isso existo e estou vivo.
OBRIGADO ROCK N'ROLL.

---------------------------------------------------------------------
Obrigado nós, Zé Pedro!!!
--------------------------------------------------------

Não é uma crónica fácil.

PAULO SANTOS SILVA
O Zé Pedro era um de nós. Para os da minha geração, os Xutos estão presentes em vários momentos da nossa banda sonora. A rebeldia, as tardes de domingo com os amigos a tirar os acordes das músicas deles na guitarra, os concertos, os concertos nas Queimas das Fitas em que a malta mais nova se surpreendia de sabermos as letras das canções todas de cor, os braços cruzados em forma de X que todos sabíamos fazer com orgulho.

O Rodrigo Guedes de Carvalho, ontem no Jornal da Noite, verbalizou aquilo que já me ia no pensamento ao imaginar o que iria escrever nesta crónica. O Zé Pedro não era o homem dos solos na guitarra – esse era o João Cabeleira. O Zé Pedro não era o homem que cantava bem e que dava a identidade vocal aos temas dos Xutos – esse era o Tim. O Zé Pedro não era o compositor por excelência dos temas da banda. Ainda assim, o Zé Pedro era o elemento mais importante dos Xutos&Pontapés, uma vez que era um dos responsáveis e, provavelmente, o mais fiel depositário de uma das coisas mais importantes de uma banda – o carisma. 

O Zé Pedro, fazia qualquer um de nós acreditar que podia fazer parte da banda. Era genuíno, não tinha máscaras, nunca escondeu o passado de ninguém, fazendo dele um exemplo a não seguir pelas gerações mais novas. Era um lutador, porque só um lutador consegue subir ao palco do Coliseu no dia 4 de novembro, naquele que ele já sabia que seria o seu último concerto e terminá-lo aos saltos. 

O Zé Pedro não se submetia, não se acomodava. Não teve uma vida fácil. Gastou as “fichas” todas. Viveu como tinha que viver. Se tivesse sido de maneira diferente, não teria sido ele. 

Continuas connosco! 
Até um dia, companheiro!!!

SNÖEZELEN NA UCCI-LDM DA SCMA

GABRIELA CARVALHO
Na crónica de 07.10.2016, escrevi sobre a Terapia de Snöezelen.

Relembro que o Snöezelen, enquanto filosofia de intervenção terapêutica, surgiu na Holanda nos anos 70, como uma fonte de exploração e relaxamento.

É uma terapia que se destina a providenciar um ambiente multissensorial.

Proporciona conforto através de estímulos controlados e oferece uma grande quantidade de estímulos sensoriais, usados de forma individual ou combinada dos efeitos únicos de música, sons, efeitos luminosos, vibrações suaves, sensações tácteis e aromaterapia.

Alguns estudos comprovam que a música, os aromas e um ambiente calmo são elementos de relaxamento, principalmente quando há um profissional a guiar o mesmo. A utilização dos efeitos e das propriedades dos materiais na aplicação conjunta com as técnicas específicas de Terapia Ocupacional proporcionam um novo método complementar de tratamento.

Baseado nesta importância da Terapia de Snöezelen, e tendo por base os seus principais objectivos (crónica de 07.10.2016), a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Amarante decidiu criar uma sala de Snöezelen para servir ainda melhor os seus doentes e famílias, estando esta presente na Unidade de Cuidados Continuados Integrados.

A sala, recente, conta com materiais como colchão de água quente, fibras ópticas, coluna de água, projetor de luz, difusor de aromas, colchão de massagem por vibração, almofadas de massagem por vibração; entre uma grande variedade de estímulos tácteis, auditivos e olfativos.

Sem dúvida, um novo serviço ao encontro daquela que é a sua missão enquanto instituição: «a prestação de cuidados individualizados e personalizados em meio institucional e domiciliário a indivíduos e famílias (…) responder às expectativas dos utentes, familiares, colaboradores, voluntários e comunidade em geral.», sempre com vista a «(…) Ser um modelo de referência enquanto instituição.
Aproximar pessoas através da consolidação de afectos, do desenvolvimento humano e da valorização do indivíduo e da Qualidade dos serviços prestados.»

Enquanto terapeuta ocupacional, a recorrer desta terapia, considero-a uma mais-valia para os doentes, particularmente os mais dependentes e com maior afectação da sua autonomia, uma vez que o Snöezelen é para todos e permite chegar a todos (desde que ponderados os riscos clínicos em casos pontuais).

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”

A GRIPE - FRUTO DA ÉPOCA

RUI SANTOS
A gripe, conhecida de todos nós, existe há milhares de anos e sofre diversas alterações ao longo dos tempos, através de mutação ou recombinação sendo muito difícil controlar a sua proliferação, podendo despertar sintomas muito diversos conforme a resistencia de cada indivíduo e a sua condição física (sexo, idade, doenças concomitantes).

A gripe foi descrita há cerca de 2400 anos por Hipócrates ( asclepíade, isto é, membro de uma família que durante várias gerações praticara os cuidados em saúde). Não quer dizer que anteriormente não existam, relatos de gripe , mas uma vez que a sintomatologia é semelhante a outros problemas respiratórios é difícil conhecer a sua história.
Em 1943 está registada uma enorme pandemia de gripe, com a colonização do Continente Americano. Após a Chegada de Cristovão Colombo toda a população indígena das Antilhas foi dizimada por uma epidemia muito semelhante à gripe.
O primeiro registo credível de uma epidemia de gripe descreve um surto ocorrido em 1580, que teve início na Rússia e se espalhou para a Europa através de África. Só em Roma foram mortas 8000 pessoas e várias cidades espanholas foram quase dizimadas. Ao longo dos séculos XVII e XVIII ocorreram várias pandemias esporádicas, a maior das quais ocorrida 1830-1833 e que infectou cerca de um quarto das pessoas expostas ao vírus.
A Gripe Espanhola é um dos relatos mais conhecidos na história (tipo A e subtipo H1N1) entre 1918 e 1919. Esta pandemia foi descrita como o "maior holocausto médico na História" e pode ter sido responsável pelo mesmo número de mortos da Peste Negra. A doença atipicamente grave matou entre 2 e 20% das pessoas infectadas, ao contrário das epidemias típicas, cuja taxa de mortalidade é de apenas 0,1%.
As pandemias posteriores não foram tão devastadoras. A Gripe Asiática de 1957 (tipo A, estirpe H2N2) e a Gripe de Hong Kong de 1968 (tipo A, estirpe H3N2), as quais, embora de menor dimensão, foram responsáveis pela morte de milhões de pessoas. Nas pandemias mais recentes estavam disponíveis fármacos para controlar as infeções secundárias, o que pode ter ajudado a reduzir a mortalidade em comparação com pandemias anteriores.

A gripe exige da sociedade um elevado custo económico, não apenas direto devido à perda de produtividade e aos tratamentos de saúde associados, como também indireto através da despesa com medidas de prevenção. Os governos mundiais gastaram vários milhares de milhões de euros na preparação e planeamento de uma potencial pandemia de gripe aviária H5N1, sobretudo com a compra de fármacos e vacinas, no desenvolvimento de medidas de gestão e em estratégias para o controlo de fronteiras. Numa a avaliação da pandemia de H1N1 em 2009 em alguns países do hemisfério sul, os dados sugerem que todos os países foram afetados em termos sócio-económicos devido à diminuição temporária do turismo em consequência do medo da doença; no entanto, não se conseguiu ainda estabelecer se a pandemia provocou impacto a longo prazo.

A investigação de novas vacinas é particularmente importante, uma vez que as vacinas atuais são de produção lenta e demorada e têm que ser reformuladas anualmente. Estão também a ser investigados para potenciais tratamentos uma série de biofármacos para o tratamento de infeções provocadas por vírus. Os biofármacos terapêuticos são desenhados para ativar a resposta imune a vírus ou antígenos.

A gripe é uma infeção respiratória aguda de curta duração. É causada pelo vírus Influenza, que ao entrar no nosso organismo, multiplica-se, disseminando-se para a garganta e restantes vias respiratórias, incluindo os pulmões. Os primeiros sintomas da doença surgem entre 1 a 4 dias após a infecção pelo vírus (período de incubação) e a sua severidade varia de acordo com a pessoa infectada. De facto, o vírus Influenza pode afectar qualquer pessoa, no entanto, as pessoas com idade avançada ou doenças crónicas são mais vulneráveis, apresentando sintomas mais severos e maior mortalidade.
Ao detetar o vírus da Gripe, o nosso sistema imunitário inicia um processo de defesa que vai sendo apurado enquanto actua. Este processo de defesa está associado aos sintomas da doença e, de um modo geral, resulta na eliminação do vírus em cerca de uma semana.

A gripe apresenta-se, na maior parte das vezes, sob a forma epidémica afetando milhões de pessoas por ano, das quais cerca de um milhão desenvolvem pneumonias que podem levar à hospitalização e morte. Durante as epidemias de gripe, cerca de 5 a 15% da população é afectada por infeções respiratórias.

Para além de constituir um sério problema de saúde pública, a gripe é também responsável por ausências ao trabalho e à escola, causando uma perturbação social e económica significativa. Estratégias de prevenção são elaboradas tendo em consideração medidas de custo e benefício, envolvendo a saúde e a economia.

Uma das medidas preventivas mais importantes contra a gripe sazonal é a vacinação anual.
É também a melhor forma de reduzir o impacto de uma epidemia. As vacinas contra a gripe estão disponíveis e já são usadas há mais de 60 anos. São vacinas seguras e eficazes, reduzindo não só a incidência como também a gravidade e a mortalidade entre os idosos e doentes crónicos.

De acordo com algumas diretivas da Organização Mundial de Saúde (OMS), devem ser vacinados, preferencialmente em Outubro:

• indivíduos com idade igual e superior a 65 anos;
• grupos de pessoas com um risco acrescido de complicações (nomeadamente, pessoas com doenças crónicas ou com o sistema imunitário enfraquecido);
• e, grupos de pessoas que podem transmitir o vírus a outras pessoas consideradas de risco (por exemplo, médicos e enfermeiros).

Existe, no entanto, um grupo de pessoas que não se deve vacinar porque já teve, por exemplo, uma reação alérgica à vacina. É, por isso, essencial que a vacina seja sempre aconselhada pelo seu médico.

Como a quota de vacinas atribuída a cada país é limitada, a vacinação indiscriminada de todos os indivíduos pode comprometer a disponibilidade de vacinas para os grupos populacionais que, de facto, beneficiam dela, daí ter de se recorrer a casos prioritários e fazer um bom rácio das mesmas.

Prevenir é o melhor remédio. Como diz o ditado, mais vale prevenir do que remediar. Simples acções como lavar bem as mãos (antissépticos ); evitar compartilhar talheres, louça , alimentos e objectos pessoais, manter o ambiente ventilado e evitar aglomerado de pessoas e com pouca circulação de ar; não se auto-medicar (consultar o médico ou farmacêutico); ao espirrar, cubra a boca com a parte interna no braço, nunca com as mãos; fazem toda a diferença e diminuem o risco de contágio.

Ajude os outros e ajude-se a si mesmo, a combater esta doença que tantas complicações pode trazer aquando não tratada devidamente.

Esteja preparado para enfrentar este Inverno com saúde e boa disposição.

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL VAI ACABAR COM A HUMANIDADE

JOÃO MENDES
O alerta presente no título deste pedaço de prosa, por alarmista que possa parecer, não é fruto da imaginação deste vosso amigo. Quem o afirma é o visionário Elon Musk, o multimilionário de 46 anos que ocupa a posição 80 da lista da Forbes, dono e co-fundador da Tesla Motors e de uma série de outros gigantes tecnológicos, entre as quais a OpenAI, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo e ao desenvolvimento de inteligência artificial “amigável”.

Segundo Musk, existem entre 5% e 10% de possibilidades de se desenvolver inteligência artificial segura, que de resto tenderá no futuro para aprender de forma autónoma, acrescentando ainda, e as palavras são do patrão da Tesla, que “A situação benigna com Inteligência Artificial ultra-inteligente é que esses sistemas vão ser tão avançados que nós [humanos] seremos como animais de estimação ou gatos domésticos”. Será como no filme de 2004, Eu, Robot, com a diferença que, no mundo real, não temos Will Smith para nos salvar e a vitória será das máquinas.

Chegados a este ponto, é tempo de nos questionarmos se fomos longe demais. Quer dizer, longe demais fomos, com toda a certeza, ou não fosse o desenvolvimento tecnológico, apesar dos benefícios inquestionáveis que trouxe para humanidade, um dos grandes responsáveis pelo aquecimento global ou pela a destruição em massa de postos de trabalho, apenas para citar dois dos maiores problemas com que nos deparamos nos dias de hoje. E poderíamos ficar nisto todo o dia, só em torno das múltiplas questões que todos os dias se levantam no campo da cibersegurança. 

Com as máquinas a tornar-nos obsoletos no campo produtivo, e perante a ameaça postulada por Elon Musk, talvez seja tempo de se iniciar um debate sério entre responsáveis políticos e organizações internacionais supranacionais como a UE ou a ONU. Sob pena de, um dia destes, acordarmos perante uma insurreição de máquinas e sistemas operativos inteligentes, que se sintam ameaçados por uma humanidade que destrói alegremente o seu habitat natural, que elege lunáticos com acesso a armas nucleares e que permite que recursos finitos sejam desperdiçados de forma leviana. Se calhar até seremos salvos de nós próprios, tal é o nosso ímpeto autodestrutivo, mas com certeza não seremos mais do que os tais animais de estimação referidos por Elon Musk.