sábado, 10 de março de 2018

VIDA DE MÉDICA VETERINÁRIA

SUSANA FERREIRA
No dia 8 de Março celebrou-se o dia internacional da Mulher, por isso, nada melhor que falar da minha experiência como mulher na área da Medicina Veterinária. Alguns vão perguntar-se mas qual a diferença entre ser Homem ou Mulher na Medicina Veterinária? Aparentemente pode parecer indiferente, no entanto, não é. 
Porque questionam sempre nas entrevistas de trabalho se penso ser mãe? A minha pronta resposta é não, mas do outro lado vê-se o ar intrigado. Alguns, vão mais longe e questionam a minha idade, como quem diz estás com o tempo contado para ser mãe. Logo, ninguém quer contratar uma futura mamã, que irá desfrutar meses da maternidade e de seguida de horário reduzido para amamentar. 
Os próprios clientes credibilizam mais os Veterinários. Durante o meu percurso profissional tive de substituir alguns colegas Homens e Mulheres. No caso das substituições dos Homens tive várias pessoas a recusarem-se a serem atendidas por mim, nem davam o benefício da dúvida. Muitas vezes tratavam-me como se fosse auxiliar, pedindo para eu chamar o Médico Veterinário. Cheguei mesmo a falar com uma cliente que veio comprar ração e tratou o auxiliar como Veterinário e saiu porta fora, sem eu ter oportunidade de desfazer o erro. O mais surpreendente ... maioritariamente estas atitudes partem de outras mulheres. 
E gerir o dia-a-dia? Às vezes acho que o dia não tem horas suficientes e ainda não sou mãe. 
Neste trabalho há hora de entrada mas não há hora de saída. E mesmo quando se sai, fica o pensamento na clínica. 
O que podia ter feito e não fiz? 
O que ficou pendente para amanhã? 
O que posso fazer mais pela saúde do Kiko, tendo em conta a impossibilidade económica do dono?
E aquela pessoa que tentou deixar na clínica, um cão que encontrou na rua e como tu recusaste, faz-te sentir a pior pessoa do mundo...
Tu sabes que não és, mas ficas a remoer no assunto e ficas ainda mais preocupada com o futuro daquele cão. De certa forma, culpas-te por não reunires as condições financeiras para ajudares todos os animais que precisam. 
E aquela eutanásia da cadelinha que acompanhas desde bebé? Aquele nó na garganta, aquela lágrima solta, a angústia de não ter conseguido fazer mais e melhor. 
E depois de um dia longo de trabalho ainda te espera o jantar, adiantar o almoço para o dia seguinte, a roupa, a loiça, a casa por limpar, os teus animais por tratar... ir às compras, pensar na ementa para toda a semana. E ainda arranjar tempo para a família que a maioria das vezes sai prejudicada com a nossa ausência na presença. Pois muitas vezes estamos presentes em corpo mas não em mente. 
E as urgências? Quando te deitas na cama e pensas “agora vou finalmente descansar do longo dia de trabalho... “ e repentinamente pelas 3horas da manhã toca o telefone das urgências. Acordas em sobressalto, com o coração nas mãos. Há um animal a precisar ser salvo e lá vais tu. No dia seguinte terás de estar dispersa e bem-disposta na primeira consulta do dia. 
Nós sentimos necessidade de mostrar que somos boas profissionais e temos capacidade de fazer ainda melhor para sermos reconhecidas. 
Quando supostamente se fala em igualdades de circunstância, a realidade ainda está muito aquém das expectativas.

sexta-feira, 9 de março de 2018

DESNUTRIÇÃO HOSPITALAR: A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PARA UMA INTERVENÇÃO ATEMPADA

ALEXANDRA BENTO
A desnutrição ainda não é encarada como uma prioridade, nem tão-pouco como um problema.
Os hospitais são estruturas complexas e dispendiosas que promovem cuidados médicos, cuidados de enfermagem, cuidados nutricionais, fornecimento de medicamentos, fornecimento de camas e o fornecimento de refeições adequado à patologia do doente tendo em vista a recuperação da sua saúde.
A alimentação equilibrada é um dos recursos vitais para o restabelecimento dos doentes, e a dietoterapia tem um papel importante na recuperação e conservação da saúde. A desnutrição é um problema prevalente no mundo e um grande peso para os doentes, para a família, e para os cuidados de saúde.
Apesar dos avanços científicos registados, a desnutrição ainda não é encarada como uma prioridade, nem tão-pouco como um problema.
O rastreio do estado nutricional do doente deverá ser realizado no momento da admissão na unidade hospitalar. Um procedimento simples e eficiente que permite avançar para um diagnóstico precoce e para uma consequente intervenção atempada e direcionada.
A nutricionista e professora universitária Teresa Amaral realizou um estudo em seis hospitais nacionais e mostrou que um em cada três doentes se encontrava desnutrido no momento da admissão hospitalar, e que esta situação poderá estar relacionada com piores resultados da doença e/ou do seu tratamento, nomeadamente: aumento dos custos com tratamentos; aumento do tempo de internamento; aumento da probabilidade de complicações e aumento da morbilidade e mortalidade.
Dentro do hospital, o Serviço de Nutrição e Alimentação é responsável por assegurar o fornecimento das dietas adequadas ao doente. A dieta hospitalar deve garantir o aporte adequado de nutrientes ao doente hospitalizado, permitindo preservar e/ou recuperar o seu estado nutricional através do seu papel coterapêutico em doenças crónicas e agudas.
Nesta lógica, o nutricionista e o dietista devem ter como preocupação maior o estado nutricional e biológico do doente, sem descurar uma intervenção com humanismo e dedicação, formando assim um ciclo harmonioso entre a equipa de saúde, familiares e o próprio doente.
O dever dos nutricionistas e dos dietistas em fornecer uma alimentação segura mas também nutricionalmente adequada esbarra, frequentemente, com as próprias expectativas do doente e que poderá dificultar o tratamento por parte destes profissionais.
Seria importante aumentar o conhecimento dos médicos e dos enfermeiros em matéria de nutrição, nomeadamente para facilitar o discurso com nutricionistas e dietistas. Apesar de os médicos reconhecerem a importância que existe em terem nutrição nos seus currículos, verifica-se que tal facto não corresponde à realidade.
A formação médica e dos enfermeiros não é ajustada à prescrição alimentar, pelo que esta prescrição idealmente deveria ser feita sempre por nutricionista e dietistas. Contudo, o seu insuficiente número nos hospitais torna tal solução não exequível.
Os doentes são mal informados acerca das dietas que lhes são prescritas, daí que muitas vezes não lhes acedam devidamente; a falta de “mimos” por parte dos profissionais de saúde e auxiliares, que não conseguem cativar os doentes a comer.
Segundo o INE, cerca de 20% da população, em 2011, tinha mais de 65 anos. Em 2050, o número de idosos da União Europeia irá aumentar 70% e o grupo com mais de 80 anos irá aumentar 170%.
Com o aumento da prevalência da desnutrição e do número de doentes crónicos internados é importante que os hospitais melhorem a qualidade dos seus cuidados nutricionais e que se definam indicadores para avaliar a alimentação hospitalar, por um lado, e a intervenção nutricional, por outro.
Frequentemente, as expectativas do hospital colocam os Serviços de Nutrição e Alimentação num patamar inferior ao de outros serviços de suporte.
É importante melhorar os serviços hoteleiros e uma correta escolha do método de preparação e distribuição de refeições, nomeadamente o cook-chill (cozinhar-arrefecer) versus cook-serve (cozinhar-servir).
cook-chill é um sistema de produção de refeições em que se promove uma descontinuidade entre o momento de produção e o momento do serviço, por intermédio de um processo de arrefecimento rápido do alimento. Este método de arrefecimento permite que os alimentos sejam conservados a temperaturas de refrigeração por vários dias, sendo possível gerir a sua utilização de uma forma muito mais facilitada do que num sistema tradicional de cook-serve, ou seja, cozinhar e servir diretamente.
Há vantagens e desvantagens em cada um destes sistemas, pelo que deverá ser a instituição hospitalar a considerar os benefícios e a inoportunidade de cada um dos sistemas de acordo com as características dos seus serviços. Os hospitais continuam com dúvidas e falta de consenso acerca dos métodos de confeção mais equilibrada em benefícios para o doente.

AINDA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

JOSÉ CASTRO
Este foi um tema sugerido que acatei com o todo o prazer e que passo a analisar.

Referir por mera curiosidade que o dia de ontem, 8 de março, para além de ser o Dia Internacional da Mulher é igualmente o Dia Mundial do Rim.

Infelizmente a maioria dos Dias Mundiais, Internacionais ou Nacionais resultam de situações negativas da sociedade, que se pretendem sanar. Este é um deles!

Há milhares de anos que as mulheres são descriminadas pelo simples motivo de serem mulheres. Contudo, sempre houve sociedades em que a igualdade de género e até a supremacia por parte da mulher eram práticas comuns, sendo por vezes veneradas e até ligadas ao Divino e ao Sagrado.

A nossa cultura ainda é dominada pelo machismo consciente e inconsciente (resquícios do Direito Romano). Não são apenas as diferenças salariais e os excessos de trabalho doméstico a ter em conta, mas igualmente a linguagem não inclusiva que vulgarmente utilizamos e que subliminarmente mantém e promove a descriminação. (http://www.impic.pt/impic/assets/misc/img/informacao_institucional/igualdade_genero/GuiaOrientador_IgualdadeGenero-Out2011.pdf).

Há pois que admirar todas aquelas mulheres que deram a Vida a lutar pelos seus legítimos direitos e pela eliminação de quaisquer tipos de violência, seja psicológica ou física (doméstica, clitoridectomia).

É inadmissível como em pleno século XXI, Portugal e a “nossa” Europa, ainda esteja tão atrasada em algo que nos parece tão natural e normal! Nesse sentido sou totalmente Feminista!

Vamos complicar um pouquinho mais…

Curiosamente, ao continuar a falar somente de homem ou mulher poderemos incorrer em algum equívoco! Interessa apenas referir a Identidade de Género? Ou apenas o Sexo Biológico? E a Expressão de Género? E a Orientação Sexual?

Será que uma mulher heterossexual é descriminada de igual forma que uma mulher que seja homossexual? E uma mulher cisgénera bissexual de uma que seja transgénera assexual? Ou já nos esquecemos da simbologia dos triângulos rosa e negros invertidos?

Como estão as nossas organizações empresariais, desportivas, de ensino/educação, religiosas/espirituais para aceitar esta diversidade? Como estão afinal os nossos “mapas mentais,” provavelmente repletos de “preconceitos” para aceitar o outro como ele é! Afinal aquilo que (aparentemente) era preto e branco é uma palete de muitas cores…

Assim, quero finalmente, extrapolar o sentido da palavra mulher aqui empregue, a todos os Seres Humanos, que independentemente da identidade, sexo, expressão e orientação sexual, foram e são descriminados e dominados por outros seres humanos. É preciso uma mudança de consciência, quebrar preconceitos para surgir um Ser Humano, verdadeiramente humanizado na sua capacidade de Amar e de promover um mundo mais Ético, para todos os Seres (humanos e não humanos).

quinta-feira, 8 de março de 2018

ELAS...

ANABELA BORGES
Uma vez, fui convidada a participar numa conferência à luz do aprazível título: E L A S – EMPREENDEDORISMO NO FEMININO. Levantou-se um pequeno alarido, um burburinho próprio de quando se fala em especificidades. Neste caso, terá sido o termo ‘feminino’ a causa do alarido. Era essa a especificidade. E, neste caso – infelizmente, digo eu – o alarido levantou-se mais no feminino do que no masculino: que não, que não fazia sentido, nos dias que correm, falar-se de ‘empreendedorismo no feminino’, que coisa e que tal, até que alguém, também no feminino, ripostou que falar de ‘empreendedorismo no feminino’ lhe parecia uma questão machista.

Eu achei bem que se levantasse o debate muito antes de ter acontecido a própria conferência. Deu-se, então, o caso de o debate ter nascido antes da causa que o daria à luz (a conferência). Era um debate prematuro, mas com força para vingar. Eu achei bem. Debater é saudável.

E foi graças a essa liberdade de expressão de os debates nascerem a qualquer instante, que eu pude reflectir melhor sobre a questão que me levaria a dar o meu humilde testemunho na dita conferência. E pude pensar, embora não tendo chegado a resposta nenhuma em concreto, sobre o que poderia levar mulheres a acharem que não fazia sentido falar-se de empreendedorismo no feminino. 

A conferência correu muito bem e o debate que se seguiu também, com uma plateia perfeitamente equilibrada no que respeita aos géneros, masculino e feminino. 

‘ELAS’ surgia como um acrónimo interessante e bem conseguido: “E-empreendem; L-lideram; A-agem; S-sentem”.

E, de facto, foi uma tarde interessante de partilha e de afectos, porque, sobretudo, ‘elas agem’; ‘elas sentem’.



Sou mãe, esposa; também sou, obviamente, dona de casa; sou professora de Português; sou autora. Tenho publicados para cima de uma dúzia de contos e alguma poesia. Comecei a publicar em 2011. Guardo o que escrevo, desde que me sei ser dez reis de gente a gostar de escrever. Tenho sempre novas obras prontas para serem publicadas. Sou, constantemente, solicitada para participar em actividades relacionadas com a leitura e a escrita. E mantenho a publicação de um texto de opinião (quinzenalmente), neste espaço da revista online ‘Bird Magazine’.

Fui criada num seio familiar feminino empreendedor. Mas, acima de tudo, fui habituada a fazer pela vida. Sempre me foi dito que as coisas não caíam do céu, que era preciso trabalho, era preciso ir à procura das coisas.

Eu não sei se sou empreendedora. Mas quando tenho uma ideia em mente gosto de concretizá-la. E é isso o empreendedorismo: pôr em prática, concretizar, realizar. Se eu tenho algum empreendedorismo, é disso tão simplesmente que estou a falar. Nunca fui de baixar os braços, de desistir das coisas que me fazem sentido. Raramente deixo a meio uma tarefa ou projecto que iniciei. Não passo para os outros o que me compete fazer.

Mas como não? Eu pergunto: como não?

Com uma mãe doméstica, que tinha na costura o seu ofício e trabalhava dia e noite para ajudar ao sustento da casa, com seis filhos?



Eu costumo dizer que o meu dia tem exactamente 24 horas, nem mais nem menos um minuto, porque perguntam-me muitas vezes como é que consigo dar cumprimento a tantas tarefas. E costumo acrescentar como resposta: “há muitas coisas que eu não faço”. Há, sem dúvida, muitas coisas (que não vou estar aqui a enumerar) que eu não faço, coisas comuns, saídas, convívios e afins.



Quando se fala em Dia Internacional da Mulher, eu não o vejo como uma celebração da mulher (enquanto género), muito menos (como muitos, infelizmente, o entendem) como guerra de sexos. Sei que é assim que o mundo ocidental, na generalidade, o celebra e entende. Mas e o resto do mundo? E a vizinha aqui do lado?

O empreendedorismo é, certamente, um caminho mais árduo no feminino. Atravessemos as ténues cortinas da História, olhemos para os fios do tempo que tecem as sendas dos séculos. Passemos os olhos pela Literatura. Vejamos como o papel da mulher em acções empreendedoras está implícito, e, ainda assim, tantas vezes silenciado, desvalorizado, negado, passado para segundo plano. Vejamos o carácter empreendedor das personagens femininas de Agustina – as sibilas –, mulheres que fazem girar o mundo a partir do seu humilde meio, a partir do seu lar, do seu quintal.

Eu própria tenho como personagens centrais dos meus contos mulheres: mulheres rudes, mulheres sensíveis, mulheres sofridas, mulheres que se impõem, mulheres que gerem casas e negócios. Mulheres empreendedoras, capazes de levantar o dedo indicador quando é necessário.



É inegável que o caminho de uma mulher na área do empreendedorismo é muito mais trabalhoso: à mulher são pedidas outras responsabilidades; a sociedade olha-a, à partida, com desconfianças e descrenças. A mulher tem mais a provar para convencer, porque assim lhe é exigido. A mulher tem mais portas fechadas para abrir.

E isto é assim no mundo inteiro. É assim, com situações muito mais gravosas em determinadas partes do mundo (onde a expressão ‘empreendedorismo no feminino’ é tão-somente desconhecida), que nem lembra aqui ao diabo evocar. Que é das crianças noivas islâmicas? Que é das mulheres que não podem votar? Das que não podem tirar a carta de condução? Das que são prisioneiras, escravas na própria casa? Que é das mulheres sírias que são forçadas a pagar ajuda humanitária com favores sexuais? Que é das vozes femininas caladas por vidas inteiras?

Que comece agora o debate!

ÊTRE FEMME ET SOCIALISTE

NATHALIE DE OLIVEIRA

-« Bienvenue… »
Le cœur du secrétaire de section de l’époque n’y est pas du tout, comme il ne le sera jamais des années durant. Le ton de la voix est resté dans les gammes vaincues de la défaite récente aux Présidentielles et aux Législatives de 2007, comme un « La » sur la décennie difficile à venir, entre renoncements majeurs malgré quelques sursauts de valeur de temps à autre, au PS. Excepté ce jour unique de joie expressive qui a guéri de bien des maux, celle de notre victoire du 6 mai 2012, la vie est décidément très dure à l’école socialiste, tous les autres jours, pour la majorité des siens, une école de douleur et d’espérance[1], et ô combien pour cette espèce de camarades, heureusement plus nombreuses désormais, dénommées « femmes ».
Les premiers mots d’accueil sont flétris comme la Rose, l’absence de convivialité a mis à mal notre fraternité. Là où l’émancipation de chaque individu est, sans cesse, plaidée, on y pratique pourtant régulièrement l’injustice. Une injustice quasi caractérielle, peuplée de conservateurs de tout poil qui s’ignorent, guidés par la peur au ventre de la fin d’un long cycle politique éprouvé avant que le suivant salutaire, n’advienne, car il s'inscrit dans le sens de l'Histoire. Aussi, quelques tâches misogynes laides et tenaces incrustées dans le regard et les gestes de quelques camarades fatigués doivent être effacées afin de laisser, l’espoir lui, invincible, au creux de nos poings de lutter, lutter, lutter au nom de la justice sociale.
Il y a des réponses à toutes ces hontes et nous devrons répondre à toutes celles et ceux qui sont restés fidèles à la voix de Jaurès, de Blum, et à tant d’autres esprits dont la pensée n’a jamais quitté les engagements de la famille PS. Il est question de la vie, de toutes celles et ceux qui ont besoin non plus de rêver interminablement d’égalité des chances mais d’avoir le droit de toutes les saisir pour vivre et se réaliser pleinement.
-« La France n’est pas prête pour une femme et ce n’est pas demain la veille », clame-t-on dans l’antre habituelle de la vie du PS « la section ». L’un dit sa défiance du système présidentiel avec des mots érudits, l’autre que le PS doit changer ou mourir et un autre camarade insiste comme la bêtise contre « les jupes au pouvoir, de plus en plus velléitaires partout…  ». Cette première réunion de section dira beaucoup de mal sur la pelle des dizaines d’autres qui suivront, de défaites en victoires et de victoires en défaites, jusqu’à cette veille de printemps 2018, obligée, ici et maintenant, de nous faire guérir de tous les hivers sombres socialistes passés, ceux qui ont mis en berne la pensée comme la pratique politique, capables de remettre à nouveau en mouvement la société, sans oublier les femmes.
Femme et socialiste ? L’enthousiasme inouï d’une adhésion à 20€ en ligne est resté intacte, après avoir affronté des vents contraires violents internes autant que cette même adhésion en aura suscité, ensuite, d’autres nombreuses et combattives, restées tout aussi intactes. Pourquoi ? Parce que « se vouloir libre, c'est aussi vouloir les autres libres. »[2] En ce sens, militer au parti socialiste demeure un engagement extraordinaire, là-même où les plus grandes conquêtes sociales ont changé la vie !
Une élection chasse l’autre, mais au nom d’un nouvel humanisme, faisons d’Aubervilliers le congrès de la Renaissance socialiste et féministe où chaque militant.e sera respecté.e, dans son entier engagement et son entier talent. Ensemble, dans cet égalité engagée dans un travail militant, nous aurons à transformer les statistiques médiocres qui disent le mal d’une société injuste où la moitié des êtres humains, femmes, restent secondaires, avant dernières et dernières, malgré un grand siècle de conquêtes de leurs droits fondamentaux.
Une voix résonne gravement, toujours, et guide sur ce chemin de combat pour l’égalité réelle, celle de Simone de Beauvoir : « Jusqu’ici les possibilités de la femme ont été étouffées et perdues pour l’humanité et il est grand temps dans son intérêt et dans celui de tous qu’on lui laisse enfin courir toutes ses chances. »[3]
Vive le 8 mars 2018 et les autres 8 mars à venir, ceux où toutes nos chances auront été courues !
Bienvenues !


[1] René Char, à propos de la Résistance.
[2] Extrait de « Pour une morale de l'ambiguïté ». Essais. 18.11. 1947
[3] in « Le Deuxième Sexe », tome II, « Vers la libération », p. 559, 1949

NO DIA DA MULHER

ALINA SOUSA VAZ
Na comemoração do dia Internacional da mulher, os textos afloram-se sobre a importância desta na sociedade! E se de ano para ano o conteúdo é sempre tido como debate, é porque, apesar de muitas mudanças e evoluções ao longo dos tempos, a questão ainda é preponderante de reflexão.

Falar sobre os direitos e objetivos da Mulher não é colocar o debate na esfera do femismo (ideologia de superioridade da mulher sobre o homem), mas na esfera do feminismo (conjunto de movimentos políticos, sociais, ideológicos e filosóficos que têm como objetivo comum os direitos baseados em normas de igualdade de género).

Muitos julgam que este debate não se coloca, pois, nos tempos modernos em que vivemos, a mulher ocupa já lugares de grande destaque. Contudo, os estudos revelam que, apesar desta evolução ser visível aos olhos de todos, ela, ainda, não é efetiva de igual modo entre homens e mulheres.

Quando me interpelam, de forma curiosa, sobre a minha participação, enquanto mulher, nas últimas eleições autárquicas, eu própria me interrogo o porquê de tal curiosidade, quando em nenhum momento vi que tive um papel mais ou menos preponderante do que um outro companheiro homem que tivesse sido ativo na sua ação. Eu aceitei um projeto, sem em nenhum momento pensar que estivesse a ser convidada pela “lei da Paridade” ou das “quotas voluntárias dos partidos”, adotadas por 23 dos 28 países da União Europeia, inclusive por Portugal (Lei Orgânica nº 3/2006. de 21 de agosto, implementada no ciclo eleitoral de 2009) que promoviam a igualdade de género na política, e que, por sua vez, contribuíram muito, como todos sabemos, para o aumento do número de mulheres neste âmbito.

Sem dúvida, e há estudos que o comprovam, que a sub-representação das mulheres na política é um fenómeno universal, no entanto, na minha opinião, acredito que será uma questão de duas, três gerações, para que as mulheres estejam em maior número na esfera política. A influência cultural ainda não as conduz, é certo, mas não tardará serão elas as mais interessadas em fazer parte de um processo neste âmbito. Não, por se julgarem mais competentes do que os homens, mas, porque, para além das suas habilitações, trazerem a este meio características inerentes da sua condição de mulher que tanto fazem falta a esta democracia que todos debatemos e defendemos.

Muitos são os fatores que tornam difícil a mudança, se Portugal, por volta de 2009 se situava em 42º lugar, com apenas 21,3% mulheres no Parlamento, hoje, a Lei da Paridade situa a nação em 29º lugar (34,8%), estando entre os 30 países mais paritários do mundo, em 193 países.

Hoje, a forma de fazer política continua muito igual àquela que se fazia no passado e mesmo com a implementação da lei, ainda não são percetíveis mudanças claras nas estratégias e na forma de fazer política. Para isto mudar, a mulher tem que ser mais participativa e ativa, fazer, também, lobbying (clubes de mulheres) para que haja cooperação entre elas e uma maior rede de relações de poder.

A mulher não deve ficar à espera do seu lugar deve, se assim o desejar, continuar a lutar por ele!

IGUALDADE NA DIFERENÇA

LUÍSA VAZ
Quis o calendário que esta minha crónica saísse no Dia Internacional da Mulher e dada a sua importância, considerei que deveria ser o tema escolhido.

Dado que sou mais versada em História e Política, foi nesse segmento que optei por fazer a minha abordagem sem desprimor de todas as outras em que as Mulheres se enquadram. Olhando para o panorama político, não podemos deixar de pensar em Indira Gandhi ou em Margaret Thatcher, por exemplo que no seu tempo e pela importância das lutas que travaram nas suas sociedades, mereceram sem sombra de dúvida, o seu lugar na História dando uma nova dimensão ao papel social, cultural e político da Mulher que ainda hoje servirá de inspiração a muitas.

Se olharmos para os cenários da Primeira e Segunda guerras mundiais, vemos como esses eventos mudaram a forma de as Mulheres se posicionarem, a forma como multidisciplinaram o seu tempo e as suas competências e a forma como o seu papel foi essencial para o apoio de toda a máquina de guerra. Lembremo-nos que esta assentava na indústria e uma vez que a maioria dos trabalhadores eram homens e estavam a combater, foram as Mulheres quem teve que avançar para fazer os países funcionarem e continuarem a produzir. 

Também na Saúde, foi visível um aumento das Mulheres enfermeiras e mesmo médicas nos hospitais e no cuidado dos feridos.

O fim do século XIX e todo o século XX foram tempos de afirmação para a Mulher, foram tempos em que ela abraçou novos estudos, o aumento de Mulheres nas Universidades teve uma subida exponencial o que levou a que se iniciassem em novas carreiras profissionais até aí impensáveis e a Mulher deixou – pelo menos a americana e a europeia – o seu papel tradicional de esposa e mãe, de cuidadora da família passando a ser vista como alguém capaz de investir numa profissão com todos os dilemas que isso possa trazer.

Também não nos podemos esquecer dos Movimentos que nasceram pela mão de Mulheres pelo Direito ao Voto ou nas lutas fabris. No caso do que ficou internacionalmente conhecido pelo Movimento das Sufragistas, que começa em 1893 na Nova Zelândia, tem na americana, Susan B. Anthony, a sua maior expressão.

E é a partir deste momento que temos que começar a pensar. Um Movimento que se iniciou no Hemisfério Sul no fim do século XIX encontra ainda barreiras em países como a Arábia Saudita que tem ao longo do tempo, embora de forma controlada dado direitos às Mulheres ou regiões como o Iémen ou outros onde isso é só uma miragem.

No entanto, é preciso alguma cautela quando lemos sobre este assunto pois a tendência para dar corpo a Teorias como a da Igualdade de Género ou mesmo de sexo tende a encontrar eco nestas alturas em que as Mulheres são confrontadas com a História.

É por demais evidente que eu concordo com a Igualdade na Dignidade do Tratamento e das Oportunidades mas sempre tendo presente que por um lado, géneros têm a música, a arquitectura e a literatura – no que toca a sexo, há dois: o feminino e o masculino e cada um deve ser respeitado na sua identidade e singularidade - e por outro, as Mulheres não se devem sentir culpadas por defenderem a sua feminilidade ou as características que as distinguem dos homens ao invés de optarem por copiar os seus comportamentos ou os seus padrões sociais.

O Dia Internacional da Mulher deve ser celebrado em todo o seu esplendor para relembrar às que já têm Direitos que estes não são adquiridos mas foram conquistados com lutas e em tempos difíceis e muito particulares mas acima de tudo, para que se possa lutar por todas aquelas – e são muitas, infelizmente – que não têm acesso ao mais básico da Dignidade Humana sendo tratadas como objectos com o fim único de entretenimento.

Por todas estas razões e porque não me sinto ofendida com actos de cavalheirismo ou por pedir ajuda a um homem sempre que considero apropriado e por não me sentir inferiorizada por geneticamente não conseguir concluir as mesmas tarefas, defendo e defenderei sempre a Igualdade mas na Diferença porque é na conjugação do masculino e do feminino – do Ying e do Yang- que se sustenta a sociedade humana e querer alterar essa realidade transformando-a num paradigma obsoleto é querer impor uma realidade andrógena e robotizada que nos desproverá da nossa essência e da nossa beleza.

Atrevam-se por isso a ser Diferentes e Únicas sem medo de julgamentos de quem disso tem medo e insiste em que sejamos todos iguais porque não somos. Somos diferentes e devemos ter disso orgulho e não medo, devemos saber incutir no outro respeito por nós e não abrir a porta à unicidade.

Feliz Dia Internacional da Mulher.

GENDER EQUALITY BEGINS AT HOME

TIAGO CORAIS AND ANDREIA VASCONCELOS
Today, 8th March is celebrated the International Women´s Day and coincidence or not my wife is going work overseas and for the first time I will have manage myself with the household and take care with my little daughter. Therefore I dedicate this article for all Women who fought and still fight for the Gender Equality to be reality.

It is unbelievable as 100 years the woman couldn´t vote, the majority didn´t work, their place were take care of the home and were financially dependent for the man. According to the law the women were inferior to the men and I feel ashamed for too long this injustice and irrationality have persisted and accepted by the status quo.

Nowadays, the reality has changed a lot and we have women leading influential and powerful countries, leading the most successful companies and leading global organizations. Being a reference not only to other women but also to many men. But despite all the achievements even today the inequality between Women and Men is striking, as demonstrated by the Gender Equality Index 2017. 

The Gender Equality Index is a useful tool and robust measurement tool that can help monitor the impact of these policies over time. This Index measures the evolution over a period of 10 years of 8 parameters of Gender Equality:

1- Power.

2- Health.

3- Violence.

4- Work.

5- Money.

6- Knowledge

7- Time.

8- Intersecting Inequalities.


The Gender Equality Index 2017 report elaborated by European Institute for Gender Equality (http://eige.europa.eu/rdc/eige-publications/gender-equality-index-2017-measuring-gender-equality-european-union-2005-2015-report) that I recommend reading carefully mention despite all the efforts and improvements, there is still a log way to go.

The average score in the Gender Equality Index 2017 in the EU-28 
is 66.2 and in the last 10 years it has only increased 4 points. The country where is most equality between women and men is Sweden with the score is 82.6. The country that made the most progress on the last decade was Italy, which increased 12.9 points but is still below the EU average score.


PORTUGUESE MEN IN THE GROUP OF THE LEAST ENGAGE DAILY IN COOKING AND HOUSE WORK.

One of the most shameful scores for men is even at home, according to this report only 34% of European men engage daily in cooking and house work, compared with 79% of women. More importantly, over the last 10 years, there have been almost no improvements towards gender equality in this area across the EU. Unfortunately the Portuguese Men together with Italians, Bulgarians and Greeks are the least help at home. Only 40% of women spend their time in social activities, in contrast to 60% of men. That is why is fundamental DEVELOPING STRATEGIES THAT PROMOTING EQUALITY AT HOME.


BEING A MOTHER MEANS A FINANCIAL PENALTY AND AN EARNINGS BOOST FOR MEN.

Unfortunately, the data show that there is still a large wage gap between men and women in the EU, although this difference in the last decade has significantly decreased. In 2006 a Woman on average earned less 39% than the Man and in 2014 this difference moved to the 20%. Interestingly, the average wage gap between single women and single men is 14%, but if we compare the two sexes with married marital status the difference grows to 30%. Married and with children the difference is 38%. Already between single mother and single father the difference is 40%. Apparently being a mother is financially penalizing and being a parent boost his income, without realizing if there is a direct relationship or is just a coincidence.


WOMEN DOUBLE PENALIZED IN THEIR RETIREMENT PENSION

Another aspect that is doubly penalizing for Women is the retirement pension. In most EU Member States, the retirement pension is based on wages and years of contribution. Not only the salary is higher in Men, but also Women's working time is on average shorter 5 years, often because they give up their careers to educate their children. Therefore, in 2012 the average retirement pension for Men was 38% higher than for Women and unfortunately this difference increased to 40% in 2014. For example, in Germany in 2012 this difference was 45%. So there is fundamental to change the rules to at least ENSURE THAT THE WOMAN WHEN SHE IS SACRIFICIAL FOR THE HOUSE AND FOR THE CHILDREN IS NOT PENALIZED IN HER REFORM.


GENDER QUOTAS CONTRIBUTE TO GENDER EQUALITY

To be honest I was not an enthusiast when gender quotas was implemented in Portugal in 2006, that forced the parties to have at least 33% of both sexes in the lists for either the Portuguese Parliament, the European Parliament and the local councils. However, there is no doubt that after 12 years the gender quotas has allowed the Portuguese Parliament to have 35% of MPs and although we are still far from the 47% of women in the Swedish Parliament, we are the 8th country in EU with the highest balance representation of the MPs with women and man. Therefore, we can conclude that THE GENDER QUOTAS FULFILLED ITS MISSION.


In UK with the first-past-the-post electoral system, it is more difficult to develop a law like the Portuguese one to promote greater Gender Equality in the British Parliament. But in the Labour Party there are some constituencies in which only women can stand and the Party also define in many others roles the obligation of the woman to be represented at least 50%. The Oxford Labour Party challenges women to take leadership. Annelise Dodds MP represents the Oxford East Parliament Constituency, the Chair of the party, the leader and deputy leader of the Oxford City Council are women. In Parliament are 45% women Labour MPs while only 21% of Conservative MPs are female. The results about gender equality in Parliament achieved by Labour Party are very encouraging and should be implemented across the UK.

Another good example of the implementation of gender equality quotas is in companies. In 2008 Norway obliged listed companies to reserve at least 40% of their director seats for women on pain of dissolution. The results speak for themselves; the ratio of women to the Boards went from 6% in 2002 to 42% in 2016. Belgium, France and Italy in the following five years chased Norway's example and set quotas of 30-40%. If companies fail to comply, they will be subject to fines, dissolution, or banned from paying existing directors. Germany, Spain and the Netherlands have implemented more pedagogical laws and prefer the definition but without sanctions. The UK has also opted for gender equality guidelines but only as a recommendation.

The ratio of women in the board of directors rose from 10% to 22% from 2005 to 2015, unfortunately Portugal is the 7th from the end with a little more than 10% of women are in the Boards of Directors.

On the one hand the EU develop a policies to catalyse a Gender Equality, on the other hand its institutions are a major contradiction. Both the President of the European Commission, the European Council, and Parliament are Men. The European Central Bank has never had a female President and only has 10% female members in the European Central Bank Council. For this reason, it is necessary to lay down rules which oblige, for example, whether the President of the European Commission is a man, the President of the European Council is a woman and vice versa. The President of the Parliament and the Central Bank they should rotate the mandates between men and women and gender quotas in the Bank Central Council. In order for the European Union's effort for promoting a more equality between women and men to be more effective, it will be important for them to start with their institutions. LEADERSHIP IS LEADING BY EXAMPLE.

The gender quotas definitely contribute for changing attitude and political debate on gender equality and should be extended to more sectors of society. However, quotas alone do not solve all the problems of gender inequality, as we read the Gender Equality Index report. It is necessary in schools, in the companies and in the "street" to promote the Gender Equality. But mostly it is IN HOME THAT IS EDUCATED FOR GENDER EQUALITY.

When my wife told me two months ago the possibility to work four days overseas and despite their team understood if she couldn’t go but she shared with me she would like to go. I encouraged her to go. I am aware if I was in the same situation I would not ask, but only informed. Of course in my opinion work should not be above the family and the education of the children, but if there are a good coordination the careers of each one are not impaired.

I have a daughter and I want her to live in a WORLD WHERE GENDER EQUALITY IS A REALITY. I will encourage her to have SUCCESS to achieve her dreams, not to be harmed by her sex and especially to be RESPECTED FOR BEING A WOMAN.