terça-feira, 4 de outubro de 2016

NÃO FOI CONVIDADO PARA JANTAR

ELISABETE SALRETA
Há muito que sonhava com aqueles dias passados na montanha, naquela casa de madeira que tão bem conhecia. A correria dos dias na cidade mata-nos um pouco e já ansiava pela fresquidão das manhãs nas terras altas. Dava por mim a imaginar-me a beber das fontes sempre a correr e que nem o gelo do inverno as fazia parar. Por ali, só mesmo as águas das fontes e os ventos corriam. Pareciam crianças nas suas infindas brincadeiras.

Passei todo o primeiro dia a dormitar e pouco do que estava à minha volta me importava. Pelo cair da noite, ouvi um roído de algo a roçar no chão de madeira. Achei que fosse um ratito do campo a esconder os seus tesouros. Mas pensando bem, seria um rato muito grande para fazer todo aquele barulho. Mesmo assim, fui-me deitar mais um pouco. Mas toda a noite o barulho perseguiu-me. Não sei se era real ou a minha imaginação que já fazia um filme. Acordei e agarrei-me a uma grande chávena de café. Deambulei pela casa e de janela em janela a ver o tempo cinzento lá fora. Esfriara e eu agradecia as meias quentes nos pés e o chão de madeira, tão acolhedor. Quando cheguei à janela das traseiras pareceu-me ver um tufo branco que desaparecia pelo meio da lenha.

À noite, pouco antes do jantar, aquele ruido que já me era tão familiar, começou de novo. Abri a luz do alpendre e espreitei pela porta das traseiras. Lá ia o tufo da manhã, para o meio da lenha. Bem, no dia seguinte tinha o que fazer. Procurar o tufo branco, ou o seu dono. Mas dali a pouco o ruido continuou. Desta vez não vi nada. Coloquei uma fatia de pão ao lado do tapete da porta das traseiras e continuei nos meus afazeres. Estava a sopa quase pronta quando olho na direção da porta e fui presenteada com a melhor visão que poderia ter naquele momento. Ali, a olhar para mim, agarrado à porta, estava o coelho mais branco e mais felpudo que eu podia imaginar. Abri a porta devagarinho e ele entrou de imediato, seguindo para a sala e enroscando-se numa almofada. Ficou a deleitar-se com o calor da casa e com toda aquela mordomia.

Estava eu a jantar quando senti um ligeiro puxão nas calças do pijama. Era o Simão (assim o chamei) a pedir o seu jantar. Dei-lhe uma cenoura e uma maçã que devorou com muita sofreguidão.

Assim teve inicio uma amizade que durou muitos anos. Veio comigo para a cidade onde viveu numa casa quentinha e com muito amor. Gostava da sua fatia de pão e era doido por maças. Acompanhava-me ao jantar como se fosse uma pessoa da família.

Hoje agradeço a quem o deixou para trás num local tão inóspito e no fim do outono. Um animal sozinho, no que para ele era uma selva, depois de conhecer a mordomia de uma casa, não duraria muito tempo. Tantos perigos e sustos o seu coraçãozinho deve ter passado. Hoje somos uma família.

Quem deixa um animal para trás dá sempre a desculpa de que ele vai ficar bem. Que vai sobreviver porque afinal, é um animal e eles sabem. Nada mais longe da verdade. Nós criamo-los para serem eternas crianças. É isso que eles são. Eternas crianças. Não precisam de crescer porque lhes damos tudo o que precisam e gostamos das suas gracinhas. Depois, quando incomodam, deixam-nos à sua sorte. Não aprenderam a defender-se nem conhecem o meio. Acabam por morrer de fome, frio ou de doenças, se não acabarem nas mandíbulas de um qualquer predador…

EMPRESAS (PER)DIDAS?

RUI CANOSSA
O leitor pode achar estranho o título deste artigo. E tem razão. Hoje vou falar de um assunto que, infelizmente, cada vez mais empresas enfrentam. A insolvência e a falência.

Em 2012, são lançados em Portugal dois mecanismos de apoio à recuperação das empresas: PER – Processo Especial de Revitalização e o SIREVE – Sistema de Recuperação de Empresas por Sistema Extrajudicial. O primeiro, o mais conhecido, foi criado para permitir que as empresas em insolvência iminente, mas possíveis de recuperar, estabeleçam negociações com os credores para a revitalização, evitando o estigma da insolvência, o segundo para simplificar a negociação extrajudicial com os credores.

O PER, que dá sentido ao título deste artigo, é tutelado pelo Ministério da Justiça contabiliza 2962 processos entre 2012 e 2015. Até março deste ano, deram entrada 653 novos PER. O SIREVE, da tutela do Ministério da Economia, conta com 431 processos negociais concluídos. Ambos os sistemas servem como um ganhar de tempo porque permite às empresas negociarem com os credores um plano de pagamentos durante pelo menos seis meses. Permitindo suspender quaisquer ações para cobrança de dívidas. Olhando para o copo meio cheio houve 50.5% de empresas com PER que foram bem sucedidas. As outras acabaram com declaração de insolvência.

Mas afinal qual é a raiz dos problemas? São vários os problemas, quer internos, quer externos à própria organização. Entre os mais comuns estão uma gestão deficiente, a desadequação do controlo financeiro, um nível de custos elevado, o foco na faturação e não na rendibilidade, a incapacidade de responder ao mercado, a desadequação da política financeira ou uma estrutura de capital deficiente, a assunção de riscos ou projetos que em caso de fracasso colocam em causa e própria sobrevivência da empresa. Além de fatores externos, como alterações repentinas nos padrões de consumo do público-alvo do negócio ou impactos adversos no mercado das matérias-primas, como a escassez ou alteração repentina dos custos. Não havendo curas milagrosas, parece mais ou menos óbvio que adequar a estrutura da empresa – capitais, meios humanos, produção e distribuição – ao mercado que serve é, a regra mais básica num processo de recuperação. Há muito mais do que a negociação da dívida num processo de revitalização.

Acabo este artigo para lembrar que o papel do líder, do gestor que conduz o processo de recuperação, é determinante. Muitas vezes até a escolha do próprio líder se torna determinante e difícil, como por exemplo, mudar de uma gestão familiar para uma gestão mais profissional.

SOMOS HOMENS, APENAS

REGINA SARDOEIRA
Ontem deitei um relance ao filme O Filho de Deus, de Christopher Spencer (2014). Uma cena e uma frase tiveram o poder de me levar a reflectir. 

Jesus estava no início da sua vida de devoção à causa humana; e, no mar da Galileia, encontrou o pescador Pedro desiludido com a falta de peixe. Entrou no barco, lançou sobre o mar os seus poderes e as redes encheram-se. A seguir, voltou-se para o homem, aturdido com a súbita e inesperada abundância, e disse-lhe: Junta-te a mim; segue-me e farei de ti pescador de homens. Confuso, Pedro perguntou: E o que vamos fazer? E Jesus respondeu, laconicamente: Mudar o mundo.

Conheço bem este e outros filmes sobre a vida de Jesus, tal como conheço os Evangelhos e muito mais sobre o tema, sobre a ideologia religiosa do cristianismo e, em geral, sobre a história do mundo, desde então e até aos dias de hoje. 

Ouvir aquela frase simples - Vamos mudar o mundo - fez com que acedesse a reflexões contraditórias. 

É verdade: a missão conjunta de Jesus e dos seus discípulos de então, esses que, um após outro foram chamados a deixar as suas vidas, em prol de valores mais altos (que decerto não chegaram a entender), mudou realmente o mundo. Mudou-o, ao menos num pormenor muito simples de verificar: este ano de 2016 que estamos a viver de momento, é produto de uma contagem feita a partir desse outro em que Jesus reuniu 12 discípulos e se dispôs a cumprir um pacto com aquele a que chamou seu pai - Deus. 

Mas a mudança de que Jesus falou a Pedro, nessa tarde, no mar da Galileia, não previa, decerto, apenas as alterações ao calendário; não significava, meramente, fazer daquele tempo histórico o ano zero de uma nova era. Porém, quando afirmamos que este é o ano de 2016, depois de Cristo, estabelecemos um corte, enunciámos, de facto, uma mudança. E decerto é importante reflectir sobre isso. 

Pouco importa que sejamos ou não crentes na divindade - esse Deus pessoal que quis ter um filho humano. Pouco importa que as ocupações da nossa vida frenética nos afastem destes episódios, cujas testemunhas não poderemos nunca questionar, cuja veracidade histórica ninguém pode, em absoluto, garantir. O certo é que o homem misterioso que abordou o pescador Pedro e o incitou a tornar-se pescador de homens para, em conjunto, mudarem o mundo, conseguiu lançar o caos sobre a sociedade estabelecida no seu tempo. Conseguiu reunir multidões e espalhar um conjunto de ensinamentos, à revelia das leis - do seu próprio povo e do império que o dominava -, afrontou sacerdotes e políticos, inverteu toda a doutrina herdada ancestralmente e reproduzida sem cessar, produziu escândalos, derrubou poderes e não fraquejou quando a condenação à morte lhe interrompeu a vida. 

Creio tratar-se de uma personagem exemplar, para nós, que somos homens, como ele era e pouco ousamos realizar que faça jus ao convite feito a Pedro, no mar da Galileia. Ninguém, depois dele - e já passaram 2016 anos! - fez fosse o que fosse de tão radical; ninguém, de entre os homens, se ergueu da atrofia profunda em que a humanidade mergulhou, para realizar uma obra de tão vastas repercussões. 

Pode argumentar-se que Jesus, o Cristo, era Deus, com poderes sobre-humanos que nenhum de nós acredita possuir. Mas semelhante argumento é uma falácia, com a qual afastamos a responsabilidade humana e nos eximimos de lhe seguir o exemplo. 

Eu não creio que Jesus, em si mesmo, fosse Deus, nem me parece lógico supor que Deus - o hipotético pai - tivesse necessidade de uma entidade corpórea - o seu filho - para transformar o mundo. Deus é absoluto, omnipotente, omnisciente, etc., e um ser desse porte não tem necessidade de intermediários humanos para executar seja o que for. 

Como é evidente, estou a supor que Deus existe, como pessoa, como ser dotado de atributos supremos. Mas se tal personagem não passar de um mito que nos alimenta a angústia da fraqueza? Se crermos que existe um Deus, deste modo concebido, não passar de um subterfúgio para justificarmos a nossa fragilidade, a nossa impotência? 

Feuerbach, um eminente filósofo do século XIX, escreveu mais ou menos o seguinte: "Nós, homens, somos omnipotentes, omniscientes, infinitos e tudo o resto que é uso atribuirmos a Deus. E quanto mais de nós dermos a Deus, menos nos resta." 

Subscrevo, em absoluto, estas palavras. E, quando evoco o judeu Jesus e o seu périplo revolucionário pelas vilas e cidades da Palestina, chego a duas conclusões. 

Se ele era o filho homem de Deus e Deus existe, a mensagem da sua odisseia, das suas parábolas e da sua morte significam que qualquer um de nós, homens, pode, se desse modo acreditar em si, dar os passos certos para mudar o mundo. Se ele era apenas um homem comum, filho de um carpinteiro, e se Deus não existe, isso significa, do mesmo modo, que todos, sem excepção, somos capazes, na nossa humanidade, de nos superarmos, engrandecendo o mundo. 

Como resulta óbvio, estou a deixar em branco toda a história do cristianismo, feita depois de Cristo: porque ele, Jesus, não fundou o cristianismo, não estabeleceu nenhum ritual, nenhum dogma, nenhuma prática concreta. Os seus seguidores próximos (que, repito, talvez não o tenham compreendido) e os que se lhes seguiram e interpretaram o que foi deixado, como relato e testemunho, engendraram uma religião e sobre ela edificaram igrejas e impérios. 

Não é isso que importa, porém. O importante é, simplesmente, aquele apelo ao pescador de peixes, Pedro, aquela promessa, Vou fazer-te pescador de homens, e aquele repto, Vamos mudar o mundo. 
Pescar homens é convertê -los a uma nova visão de si mesmos e de todos os outros, mostrar -lhes que o mais fraco, pobre e desprotegido encerra dentro de si uma potência suprema. É retirá-los dos seus tugúrios de miséria e das suas pobres rotinas e mostrar-lhes o caminho virgem onde tudo pode ser semeado e florir. Mudar o mundo é perceber a força aprisionada que cada um alberga e dar -lhe a vazão necessária. 

Eu creio que Jesus, esse que nasceu judeu numa terra escravizada e oprimida, nada teve, de facto, a ver com aquele Deus terrível do antigo testamento. Não poderia, portanto, ser o seu filho: um pai não deseja que o herdeiro destrua o seu legado. Filho de homens, movido pela determinação e pela vontade de mudar o mundo, lançou à terra uma semente tenaz que, para verdadeiramente eclodir, necessita da participação de todos os que, como ele, são homens, apenas.

EXEMPLAR

SÉRGIO LIZARDO
Estão a morrer os exemplos. Os exemplos de bom pai ou mãe estão a morrer. Os exemplos de bom filho ou filha estão a morrer. Os exemplos de bom patrão estão a morrer. Os exemplos de bom funcionário estão a morrer. Os exemplos de bom colega estão a morrer. Os exemplos de bom governante estão a morrer. Os exemplos de bom cidadão estão a morrer. Os exemplos de bom professor estão a morrer. Os exemplos de bom aluno estão a morrer. Os exemplos de educação estão a morrer. Os exemplos de consciente e consciencioso estão a morrer. Os exemplos de solidariedade estão a morrer. Os exemplos de fraternidade estão a morrer. Os exemplos de igualdade estão a morrer. Os exemplos de bondade estão a morrer. Os exemplos de normalidade estão a morrer. Os exemplos de uma vida estão a morrer. Estão a morrer os exemplos. Estão a morrer os exemplos. Estão a morrer os exemplos. Estão a morrer os exemplos e, sem a capacidade de sermos bons exemplos, não o dizemos as vezes que o devíamos dizer. Estão a morrer os exemplos, senhoras e senhores, e os culpados somos todos nós. Todos, exceto os poucos que ainda nos servem de bons exemplos. Quando morrermos, que não sejamos todos bons exemplos por termos sido os responsáveis por tirarmos ao mundo as pequenas boas imperfeições que fazem dele um mundo bem mais interessante, mas que sejamos bons exemplos de gente que seguiu os exemplos bons – o mundo tem ironias assim. Ironicamente: bateram-me no carro, devidamente estacionado, e não me deixaram sequer um bilhete escrito com nome e número de telefone (é um bom exemplo de que ainda há analfabetismo neste país). Ironicamente ainda: vi, há dias, dois carteiros que conversavam, enquanto, à sua frente, um senhor cego se encaminhava, claramente perdido e desorientado, para o meio da rua (são bons exemplos de bons carteiros, estavam certamente a conversar sobre o seu trabalho, e não tinham que interromper a conversa de cariz laboral para ajudarem o homem); esse senhor foi ajudado por outro que, tendo visto o que se passava, correu para ele, desde o outro lado da rua (é bom exemplo de mau peão, porque atravessou fora da passadeira). Ainda há bons exemplos, mas poucos bons exemplos do bom. Muitos bons exemplos do bom já morreram e outros estão a morrer. Alguns bons exemplos são bons exemplos do que é mau, e exemplos do que é bom, infelizmente, restam já poucos. Ironias colocadas à margem, vi, também há poucos dias, uma jovem que ajudava uma senhora de idade a encontrar a morada de um “médico muito bom”. A velocidade reduzida a que a senhora caminhava, com a ajuda das frágeis pernas e de uma velha bengala, obrigou a que a jovem apertasse também o passo para a acompanhar, e eu, que ali estava parado, à espera de alguém que chegou a horas (eu é que me adianto sempre), pude perceber que a jovem ajudava a senhora de idade, que era um consultório médico que esta procurava e que a outra iria perder o autocarro que a levaria à Faculdade a tempo de assistir a uma aula. Disse a jovem, a dada altura: “vou faltar a Sociologia, isto faz parte da matéria”. Pensei: nem tudo está perdido. Mas, entretanto, já vi pais que dão aos filhos o que não mata fome nem sede, a não ser que os filhos sejam máquinas também; já ouvi filhos a tratarem os pais como os meus jamais permitiriam que os tratasse (se o fizesse, eles dar-me-iam o merecido corretivo que não vi acontecer e duvido que tenha acontecido); já vi telejornais; já li jornais; já andei por ruas, serviços e repartições; já ouvi, do mais inacreditável, de tudo um pouco. Concluí: há esperança – só quando o último exemplar de bom exemplo do que é mesmo bom morrer é que ela morrerá também.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

ERGONOMIA - A INTERAÇÃO

LIANE SANTOS
“Ergonomia (ou factores humanos) é uma disciplina científica que estudas as interacções dos homens com os outros elementos do sistema, fazendo aplicações da teoria, princípios e métodos de projecto, com o objectivo de melhorar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema”.

A importância da ergonomia pretende-se por:

- Promoção da segurança, conforto e saúde dos utilizadores dos sistemas;

- Permite potenciar a eficácia e eficiência dos sistemas de interacção humana;

A ergonomia, em ambiente laboral, está relacionada com a saúde ocupacional.

Saúde ocupacional trata da promoção e protecção da saúde dos trabalhadores através da melhoria das condições de trabalho e prevenção dos riscos a ele associados.

Objectivos da saúde ocupacional:

- Promover e manter o mais elevado grau de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as actividades profissionais.

- Prevenir qualquer dano que, para a saúde dos trabalhadores, possa resultar na diminuição das respectivas condições de trabalho.

- Proteger os trabalhadores nos locais de trabalho, dos riscos originados pela - presença de factores prejudiciais à saúde.

- Colocar e manter os trabalhadores em ambiente de trabalho adaptado às suas capacidades físicas e psíquicas.

“Acidente de trabalho é todo o acidente que ocorre no local e no tempo de trabalho e produz directa ou indirectamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte redução na capacidade de trabalho, de ganho ou na morte do trabalhador.” - Ponto nº1do artigo 6º do Decreto-Lei 100/97

Classificam-se:

- Segundo as consequências

- Segundo a forma do acidente

- Segundo o agente material

- Segundo a natureza da lesão

- Segundo a localização da lesão

São considerados também como acidente de trabalho:

- No trajecto de ida e de regresso para e do local de trabalho nos termos em que vier a ser definido em regulamentação posterior.

- Na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito económico para a entidade empregadora.

- Fora do local ou do tempo de trabalho quando verificados na execução de serviços determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos.

- No local de trabalho quando em frequência de curso de formação profissional ou fora do local de trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal frequência.

- Em actividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em curso.

Áreas de intervenção da saúde ocupacional:

1.Medicina do trabalho (ocupa-se das repercussões do trabalho sobre a saúde, assegurando, intervindo na pessoa do trabalhador, promovendo, vigiando e protegendo a respectiva saúde):

- Acidentes de trabalho

- Doenças profissionais

2. Higiene e segurança no trabalho: destina-se a antever, identificar, avaliar e controlar os factores do ambiente originados no local de trabalho que possam causar doença ou alteração do bem-estar, ou ineficiência dos trabalhadores ou dos cidadãos em geral.

Doença profissional: toda aquela que é produzida em consequência do trabalho e com evolução lenta e progressiva, que ocasione ao trabalhador uma incapacidade para o exercício da sua profissão ou a morte.

As perturbações músculo-esqueléticas configuram um processo patológico inflamatório que atinge o aparelho locomotor, ao nível dos músculos, tendões, ligamentos, incluindo os nervos correspondentes, tecido conjuntivo e vasos sanguíneos bem como articulações.

Lesões por esforços repetidos (LER): constituem um "síndrome clínico", caracterizado por dor crónica, acompanhada ou não por alterações funcionais resultado da repetição de posturas e gestos incorrectos.

- Os mecanismos de lesão dos casos de LER são considerados uma acumulação de influências que ultrapassam a capacidade de adaptação de um tecido

Os factores de risco das LER:

- Trabalho automatizado onde o trabalhador não tem controlo sobre as suas actividades.

- Obrigatoriedade de manter o ritmo acelerado de trabalho para garantir a produção.

- Trabalho fragmentado, onde cada um exerce uma única tarefa de forma repetitiva.

- Trabalho de hierarquia rígida, sob pressão permanente dos chefes.

Número inadequado de funcionários.

- Horários prolongados de trabalho, com frequente realização de horas extras.

- Ausência de pausas durante o horário de trabalho.

- Trabalho realizado em ambientes frios, ruidosos e mal ventilados.

- Mobiliário, instrumentos e espaços de trabalho inadequado que obrigam a adopção de posturas incorrectas do corpo durante o horário de trabalho.

PERTO DO FIM


FERNANDO COUTO RIBEIRO
Não há sistemas políticos capazes de disfarçar a realidade. Todas as desculpas desfilam no pensamento, mas o problema do mundo não são os ricos. Quem leva a angústia no peito são os pobres, e é imoral que sofram pelo abuso opressor de uns e pela leviandade ignorante de outros.

Que se chegue à frente aquele que no outro vê um igual e não um utensílio. Já estão gastos os ideais e está moribunda a dignidade.

Depois disso, resta o fim, e não haverá entretanto. Um homem é um homem e é um homem! Já não quero justiça, quero esperança. Todos os dias desfilam, contínuos sem tempo de espera, e quem chora continua a chorar, e a ignorância transforma-se em medo.

Quando morrermos todos, quem fica para ser rei?

Sobreviver também é viver. Na miséria mais profunda, continua a existir amor e bondade, mas talvez seja apenas instinto de respirar ou seja, em nós, espécie de deus da consciência, apenas esperança de amanhã melhor....

Estamos a perder tudo, e a guerra já começou dentro de nós. Morrer por um bem maior é uma opção válida, morrer por desesperança pouco mais é que matar, tudo ou nada, porque amanhã não existe e a herança é apenas dor.

Um dia, o mundo vai mudar, mas por agora começa a ser importante acreditar que haverá mundo. Não consigo parar... assim como se parar fosse acabar...

DOENÇA DOS AFETOS

RITA TEIXEIRA

Na tapeçaria da vida, ao longo dos anos, vamos tecendo uma manta de retalhos retirados da arca dos sentimentos. Se todos estendermos as nossas mantas, veremos uma planície multicolor, na qual abundarão as cores alegres do amor, da amizade, da esperança, da felicidade e um ou outro retalho mais sombrio de dor, de desânimo e de abandono. A minha manta sempre foi muito colorida, mas nestes últimos anos, as cores sombrias foram-se sobrepondo às mais alegres, quando familiares e amigos me foram abandonando e as lágrimas que eu derramava sobre a manta, enfraqueciam os fios dos afetos que ligavam as cores do amor. 

Ao longo desta doença, na procura da fé em Deus, pensando que não a tinha, fui descobrindo que a fé em Deus, não significava que tivesse que forçosamente ir à missa dominical nem assistir às cerimónias religiosas. A fé em Deus é muito mais profunda. Essa fé insinuou- se lentamente na minha vida e, para surpresa minha, ela entrou, sem bater à porta e sem pedir licença foi direitinha até ao meu coração e acomodou- se confortavelmente. Dali, assistiu a muitos momentos de completa revolta, de tristeza profunda, de muita angústia, de uma solidão vasta e imensa, de carência afetiva assim como se alegrou ao escutar as gargalhadas frenéticas,assistir alguns momentos de alegria e euforia, de vibrar com pequenos e intensos momentos de felicidade, de um regresso à infância com as brincadeiras da rua. Eu aprendi imenso com as vissicitudes da minha existência. Assim, peguei num saquinho lindo dos sentimentos, enfiei lá dentro, todos os meus arrependimentos e atei com o cordão dos agradecimentos. Guardei num cantinho do coração, à beira da esperança e dos sonhos. Sou uma sonhadora e luto para concretizar e tornar real o inimaginável.

Sonho e volto a sonhar. Sonho com almas autênticas e verdadeiras. Sonho com a felicidade e a paz na minha alma. Sonho que a amizade com interesse me deixe em paz e que quem nada tem para oferecer, entre e permaneça na minha alma! À minha doença chamo a doença dos afetos.

O MAIOR ÓRGÃO DO CORPO HUMANO

FÁTIMA LOPES



O maior órgão do corpo humano é a pele; esta reveste o corpo interna (mucosas) e externamente (epiderme e derme).


É um órgão que apresenta uma grande capacidade de autoreparação, flexível, resistente e relativamente impermeável.


Das suas funções destaca-se a proteção e a aparência (forma e relação com o exterior).


Enquanto Podologista destaco alguns cuidados de prevenção:

· Lave os pés todos os dias, com água e sabão neutro;
· Seque cuidadosamente os pés e os espaços entre os dedos, sem esfregar ou irritar a pele;
· Observe diariamente os pés para detectar precocemente alguma alteração da pele e unhas;
· Use meias com mais de 90% de fibras naturais (como algodão);
· Troque de meias todos os dias (se sofre de hiperhidrose - excesso de transpiração, deve trocar de meias mais do que uma vez por dia para manter o pé seco);
· Alterne o calçado, para que estejam bem secos e arejados quando os calçar novamente;
· Use sapatos confortáveis (amplos e 1 a 2cm maiores do que o pé);
· Se possível use um aparelho de esterilização de calçado, para eliminar eficazmente, fungos, bactérias e vírus; bem como a humidade e o mau cheiro do calçado. Estes aparelhos são extremamente úteis pois evitam que o calçado continue a ser um foco de contágio permanente;
· Não calce meias ou sapatos de outras pessoas, especialmente se sabe que tem micose;
· Nunca ande descalço em piscinas ou balneários públicos (e evite as águas paradas à volta das piscinas e lava pés);
· Se transpira muito dos pés, use um pó, gel, creme, bálsamos, espuma ou spray que controle a transpiração, este poderá ser aconselhado pelo seu podologista, para que seja adequado ao seu caso;
· Não trate as suas próprias calosidades, procure um podologista, para que possa receber o tratamento adequado;
· Aplique diariamente um creme hidratante, tendo cuidado de não humedecer demasiado os espaços entre os dedos
· Corte as unhas de forma reta para evitar que encravem;
Sempre que observar alguma alteração ou sentir dor, mal-estar ou comichões nos pés procure um Podologista. www.centroclinicodope.pt