domingo, 28 de agosto de 2016

"DIÁLOGOS DESPROVÁVEIS"

CRÓNICA DE MIGUEL GOMES

- E o que te disseram eles?

- Disseram-me para conferir o estado das acções.

- E tu viste?

- Antes quis que eles me mostrassem as deles.

- E eles mostraram?

- Sim, um foi ao computador, abriu o browser e andou para lá a conferir se tinham subido e descido.

- E o outro?

- O outro foi ao telemóvel, uma aplicação qualquer que lhe mostrou que ele estava mais pobre por ter perdido o que não tinha tido.

- E depois, mostraste as tuas?

- Sim. (risos)

- E então?

- Pousei o telemóvel, sentei-me em cima do muro, fechei os olhos e estive assim uns largos segundos.

- Porquê? O que é que te disseram?

- Quando abri os olhos e saltei do muro não disseram nada.

- A sério?

- Sim. Mas eu quebrei o silêncio, disse-lhes que já estava, que tinha consultado as acções.

- Tu, cum camandro… Haja quem te entenda.

- Disse que lembrando aquilo que ainda não esqueci, tinha um saldo positivo.

- Positivo?

- Sim. Entre tudo o que fiz o saldo era positivo.

- Mas positivo como?

- Olha. Positivo. As boas acções são mais que as más acções.

- Oh pá, tu… Carago pá.

- E ainda rematei com uma boa que me saiu na hora.

- Conta.

- Disse que tenho um mercado enorme de acções à minha frente, que as transformo no que quiser.

- Como assim?

- Então? As minhas acções dependem de mim, eu torno-as boas ou más, positivas ou negativas, lá preciso de alguém que me venha dizer se sou rico ou pobre?

- Sinceramente... E eles?

- Disseram-me que não dava para falar comigo.

- Eu avisei-te. Tu e as ideias estúpidas.

- Porquê estúpidas?

- Oh, porque são, quem pensa assim? Que estupidez.

- Olha, foi isso mesmo que me disseram, que era uma estupidez.

- E depois?

- Mandaram-me à merda (risos).

- Lá andam com a razão deles.

- Fiquei mais rico ali mesmo.

- Como assim?

- Entre responder igual ou perdoar, optei por perdoar, ganhei!

- Mas ganhaste o quê?

- Ganhei mais uma boa acção. (risos)

- Oh pá, vai à merda!

- (risos)

sábado, 27 de agosto de 2016

SÓ FALTOU UM BOCADINHO ASSIM…

JORGE NUNO 
Após 19 dias de competição, terminaram os Jogos Olímpicos (JO) no Rio de Janeiro. Estiveram em disputa 42 modalidades, em 306 provas, que valeram 136 medalhas para atletas femininas, 161 para atletas masculinos e 9 para mistos. Neles, estiveram envolvidos os melhores atletas do mundo, de todas as modalidades acreditadas.

Muitas dúvidas pairavam no ar quanto à capacidade organizadora do Brasil num evento desta grandeza – tão só, o maior acontecimento desportivo à face da Terra! Antes da chegada dos atletas à “aldeia olímpica” eram bem visíveis as preocupações relacionadas com a segurança e com as queixas apresentadas por algumas delegações. Houve quem aproveitasse a ocasião mediática do evento para, na cidade de acolhimento, denunciar a insatisfação com políticas internas e com os gastos exagerados com as infraestruturas dos JO. No final dos mesmos, o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) disse ter sido um desafio ganho e deu ênfase ao saldo positivo.   

Reconheço ter vibrado, entusiasticamente, com a cerimónia de abertura, também com algumas modalidades (para referir apenas, a título de exemplo, a espetacularidade e perfeição na natação sincronizada e na ginástica rítmica) e com os feitos desportivos, particularmente, pelos recordes olímpicos e mundiais que foram batidos. Realço modalidades como: ciclismo (sendo aqui, importante o trabalho de cientistas, relacionado com o piso, tecnologias e equipamentos, que redunda numa melhoria da performance e consequente sucesso desportivo, verificado nos 19 recordes olímpicos batidos); atletismo, com recordes nas categorias de 400 m, 3000 m obstáculos, 5000 m e 10000 m; natação, com 24 recordes olímpicos e 7 mundiais, em categorias como 100 m peito, 100 m costas, 800 m e 400 m livre, 100 m borboleta, 400 m medley e 400x100 m livre…

Senti um misto de satisfação e tristeza, por ver uma equipa representativa da autodenominada “Nação de Refugiados”. Satisfação por, em boa hora, o COI ter aceitado a sugestão de dois publicitários brasileiros, a residir nos EUA, de criar esta equipa; haver uma bandeira (ainda não reconhecida oficialmente pelo COI, mas com uma campanha apoiada pela Amnistia Internacional), a qual foi elaborada e proposta pela síria Yara Said (ela própria uma refugiada, a viver na Holanda), sendo cor de laranja o fundo da bandeira, com uma risca horizontal preta, que teve inspiração nos coletes salva-vidas usados por todos aqueles que, em condições de grande fragilidade, veem necessidade de atravessar o Mediterrâneo em busca de segurança na Europa; haver um hino, composto pelo sírio Moutaz Arian (também ele refugiado, a viver na Turquia), que não incluiu uma letra, propositadamente, por entender que a música, ao ser universal, “não precisa de ser traduzida”.
Senti tristeza, por todos os atletas incluídos nesta suposta nação não poderem representar os seus reais países de origem, em paz e nas mesmas condições dos demais atletas olímpicos.
Senti tristeza e preocupação pelo “simples” cruzar de punhos na meta da maratona, gesto feito pelo atleta etíope Feyisa Lilesa, medalha de prata na prova. Viria, de seguida, prestar declarações à imprensa, afirmando tratar-se de um protesto contra a repressão na Etiópia e um “sinal de apoio aos manifestantes do meu país que foram mortos pelo governo”, para completar: “talvez seja morto quando chegar, ou então preso”, deixando escapar [nas entrelinhas] que poderia ser mais um refugiado.

A delegação portuguesa foi a terceira maior de sempre em JO, sendo a maior de sempre no setor feminino. Só o facto de merecer o direito de estar nesta grandiosa competição e representar o país, é uma oportunidade, uma honra e motivo de orgulho, por ser apenas acessível aos melhores. Depois da recente vitória de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol, os holofotes e a esperança estava em cerca de uma dezena de atletas portugueses, que têm revelado um alto rendimento nos últimos anos, medalhados em campeonatos europeus e mundiais. Em termos de resultados finais da participação portuguesa no JO, pode afirmar-se que se esperava mais; e pelo seu esforço e dedicação, bem mereciam. Numa das provas de canoagem, mesmo ao meu lado, ouvi o comentário: “Eia… só faltou um bocadinho!”. Naquele momento, intimamente, também foi isso que pensei. Curiosamente, vim a saber que o canoísta João Ribeiro (envolvido na prova) também disse que “faltou um bocadinho”. Na verdade, bastavam poucos milésimos de segundo para uma medalha em K2 1000 m.

José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico Português, assumiu total responsabilidade perante os resultados alcançados, que ficaram “aquém das nossas expetativas”, disse, uma vez que “dos três objetivos [traçados] apenas um foi cumprido”. Já José Garcia, chefe de missão, disse estar “extremamente orgulhoso” com a comitiva portuguesa, liderada por ele, e referiu que “o balanço é positivo”, realçando que esta “foi a melhor prestação de sempre em termos de resultados nos seis primeiros”, com dezanove atletas no “top 10” e dez entre os seis melhores.

O saldo da participação portuguesa, em termos de medalhas, ficou por uma de bronze, obtida pela Telma Monteiro, em judo, categoria de – 57 kg (cerca de cinco meses depois de uma lesão, que obrigou a uma operação ao joelho esquerdo, mostrando que é uma mulher com garra). Também, foram atribuídos dez diplomas olímpicos aos seguintes atletas portugueses: Emanuel Silva e João Ribeiro, 4.º lugar em canoagem / K2 1000 m; Fernando Pimenta, 5.º lugar em canoagem / K1 1000 m; Marcos Freitas, 5.º lugar em ténis de mesa; João Pereira, 5.º lugar em triatlo; equipa composta por Fernando Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro e David Fernandes, 6.º lugar em k4 1000 m (batendo o recorde nacional); Ana Cabecinha, 6.º lugar em 20 km marcha; seleção olímpica de futebol; Patrícia Mamona, 6.º lugar em triplo salto (com recorde nacional, apesar de se sentir prejudicada pela excitação no estádio, com a atuação simultânea do velocista jamaicano Usain Bolt), e Nelson Évora, 6.º lugar em triplo salto (apesar das várias lesões que teve, desde 2012, uma delas com gravidade, que faz deste atleta um exemplo de tenacidade perante a adversidade); Nelson Oliveira, 7.º lugar em ciclismo /contrarrelógio. 

Como bom compatriota e amante do desporto, cheguei a pensar na alegria coletiva se retirasse 29,5 segundos à minha esperança de vida, e os pudesse transferir para benefício da performance de um reduzido número de nossos atletas olímpicos, nas modalidades de canoagem, triatlo e 20 km marcha. Bastaria meio segundo da minha vida para a prova de Emanuel Silva e João Ribeiro; dois segundos para a de Fernando Pimenta; sete segundos, para a prova da nossa equipa de k4; nove segundos para a de João Pereira; e onze segundos para a de Ana Cabecinha. A ser assim, hoje estaríamos profunda e egoisticamente orgulhosos dos nossos atletas, por ver Portugal subir noranking das medalhas olímpicas. O saudoso professor Moniz Pereira, seguramente, seria um deles, ainda mais se o atletismo se destacasse.

Acredito que os atletas para obterem alta performance necessitam de talento, paixão pela modalidade, apoios e muito… muito treino. Com um pouco mais de apoio oficial, os nossos atletas terão estes ingredientes. Parece que “só faltou um bocadinho assim…”, mas da minha parte só posso dizer: Parabéns, atletas olímpicos!

À DESCOBERTA DOS AÇORES: SENHOR BOM JESUS DA PEDRA

SENHOR BOM JESUS DA PEDRA
DR

CARLA LIMA
Vila Franca do Campo é uma vila portuguesa na ilha de S. Miguel, nos Açores,tendo sido a primeira capital da Ilha, criada em 1444 por Gonçalo Vaz Botelho.

Ir a Vila Franca e não ir ao Ilhéu é como ir a “Roma e não ir ao Vaticano”. O Ilhéu de Vila Franca do Campo, localizado a cerca de 1 Km da costa da vila é uma cratera de um vulcão extinto, classificado como Reserva Natural. Ultimamente tornou-se famoso a nível mundial devido ao Red Bull Cliff Diving.

Outros motivos de interesse de Vila Franca do Campo são a Igreja Matriz do século XV, devido à sua fachada gótica e a capela de Nossa Senhora da Paz situada num miradouro com uma vista única sobre a costa sul da Ilha.

Muito apreciadas são as famosas Queijadas da Vila, com origem no Convento de Santo André, ainda hoje fabricadas de acordo com uma receita mantida em segredo.

Para quem gosta de trivialidades aqui vai uma: em 27 de agosto de 1994, o guitarrista Nuno Bettencourt casou com a cantora Suze DeMarchi, na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo.

Em termos de festas, Vila Franca do Campo tem duas anuais bastante relevantes: as Festas de São João e a Festa do Senhor da Pedra, que é festejada neste fim-de-semana.

ILHÉU DE VILA FRANCA
DR
Como as Festas de São João já passaram, interessa falar sobre a Festa do Senhor da Pedra. Sendo uma festa essencialmente religiosa, o primeiro ponto alto acontece com a Procissão da mudança da imagem da Igreja da Misericórdia para a Igreja Matriz e o segundo é no Domingo, com a Eucaristia e a Procissão solenes.

Trata-se de uma festa que extravasa o âmbito do Concelho e chama à Vila Franca inúmeras pessoas, inclusive da diáspora.

Não é fácil precisar em que altura começou este culto e esta festa. Sobre a imagem há uma lenda que diz que deu à costa, dentro de uma caixa de madeira, em data desconhecida. A imagem representa a figura do “Ecce Homo”, o Cristo coroado de espinhos, sentado numa pedra.

As festas em honra do Senhor Bom Jesus da Pedra estão, desde sempre, a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo e realizam-se no último domingo de Agosto de cada ano, pelo menos desde 1903, data da autorização do Papa Leão XIII para que estas festividades fossem reconhecidas.

Para mim as Festas do Senhor da Pedra têm um significado especial porque no ano de 1952, no último Domingo de Agosto nascia o homem mais importante para mim, ao mesmo tempo que a imagem do Senhor da Pedra saía da Igreja: o meu pai. Ou seja, quando o meu pai nasceu tocaram os sinos e rebentaram foguetes.

“E eu que esperava fogos-de-artifício, esqueci que as estrelas não fazem barulho.”
Clarice Lispector

UM RAPAZ, SOZINHO, A LER UM LIVRO

DIOGO VASCONCELOS
Ontem estava numa esplanada à beira rio a ler um livro, uma atividade sempre enriquecedora e que funciona como um xanax para o nosso cérebro. Viajamos para dentro da história, conseguimos por umas horas abstrair-nos do mundo, das pessoas à nossa volta. Somos apenas nós e o livro, o livro e nós numa relação tão intensa como um ato sexual. Após finalizar uma série de capítulos, parei para fumar um cigarro e observar as pessoas há minha volta, talvez por ainda estar penetrado na relíquia que estava a ler, dei por mim a tentar perceber o que ia na cabeça daquelas pessoas. Porque estavam ali, que relações tinham com o ser humano que estava à sua frente. Vi de tudo, presumíveis casais, grupo de amigos, grandes famílias. Todos eles tinham algo em comum: estavam a seguir um costume – sair para tomar “café” e socializar com uma bela vista de modo a tornar o momento mais solene.

Séquitos obsequiosos, todos eles cumprem os requisitos de formalidade acompanhados por um cinismo exacerbante. Estar ali numa esplanada faz-lhos sentir parte integrante de algo, têm pessoas à sua volta que estão a praticar o mesmo que eles: o “convívio” sob forma de representação. Tudo vai bem naquelas vidas, os casais estão completamente apaixonados, os grupos de amigos transbordam alegria e camaradagem, as famílias são unidas, nutrem um carinho e um respeito mútuo. Perante tamanha felicidade que me rodeava tentei decifrar o que cada um estava a pensar naquele momento. Há quem diga que se soubéssemos o que iria na cabeça da pessoa que está mesmo à nossa frente o mundo seria um lugar inabitável. Não entro numa de misantropia, de desconfiança da humanidade, todos nós somos portadores de virtudes e defeitos, mas admito que a frivolidade com que o ser humano finge ser feliz me incomoda. Parece algo despiciendo, estar numa esplanada a conversar, mas não é algo diáfano, não sai fluidamente, obedece a muitos requisitos de formalidade que torna o momento uma verdadeira produção cinematográfica.

Na minha breve estadia na esplanada também me deparei com pessoas solitárias como eu, pessoas mais velhas que aparentavam ter acabado de sair do trabalho e que apenas queriam desfrutar do por do sol na companhia de mais pessoas, estar rodeados de seres que não conheciam, mas que aparentavam ser felizes.

Tentei abstrair-me de novo do mundo à minha volta e voltar para a volúpia que o meu livro me proporciona, no entanto, já não consegui mais, não sei porquê. Havia algo que me dizia que estava ali a mais, aqueles olhares vilipendiavam, vituperavam a minha presença. Não estava a seguir o protocolo deles, estava a ser impoluto. Não tinha nenhuma máscara que irradiasse felicidade extrema, estava apenas a desfrutar da vista e do meu rico livro. Um rapaz bem-parecido, sozinho a ler um livro. Devem ter pensado: “algo está mal neste rapaz”.

VENHA DESCOBRIR SEVILHA

Em modo férias não resisti e dei uma escapadinha à magnífica cidade de Sevilha, onde estive recentemente durante 3 dias.

Dizem que Sevilha é o reflexo da essência da Espanha: arte, gastronomia, fusão de culturas, história… Uma mistura de elementos que fazem desta cidade de Andaluzia um lugar único, não só no país vizinho mas também no resto do mundo. Desde a Torre del Oro até ao Parque de Maria Luisa, passando pela imponente Catedral de Sevilha, a cidade atravessada pelo Guadalquivir não dececiona e tem um efeito parecido em todos os que a visitam: ficam com vontade de mais.

Flamenco, tapas, touradas. A Andaluzia, no sul da Espanha, orgulha-se das suas raízes, com todos os elementos clichês. É claro que a região vai muito além disso, mas é definitivamente um pedaço bem especial desse país. E a cereja no topo do bolo é a herança árabe: a Andaluzia preserva a memória da presença moura na Península Ibérica, que se estendeu do século VIII ao XV.


Vista parorãmica do Metropol Parasol no centro de Sevilha.

Um dos lugares mais charmosos e importantes de Sevilha, o Bairro Triana, é conhecido como “a alma de Sevilha”. Paragem obrigatória! Mesmo ao lado o principal rio da cidade o Guadalquivir.

Para chegar ao bairro Triana basta atravessar a ponte “San Telmo” e descer logo em seguida. Alí começará a caminhada por este bairro incrível.

A Calle Betis fica no bairro de Triana, região tradicional de onde saíram muitos cantadores de flamenco e toureiros famosos. A sugestão é: caminhar e olhar. Simplesmente! Vá caminhando, entre becos, pátios, lojinhas e casas com portas abertas que tradicionalmente servem tapas. Não deixe de incluir uma pequena paragem no Mercado de Triana, aí poderá refrescar-se com uma típica cerveja espanhola e deliciar-se com um dos melhores presuntos do mundo “jamón ibérico”.

Deixemos as tapas e os pensamentos etílicos de lado e voltando à parte histórica, outra construção emblemática é a Torre Del Oro, construída no começo do século XIII pelos Almóadas (dinastia árabe) como torre de vigilância, para evitar possíveis invasões pelo rio Guadalquivir, que atravessa a cidade. Hoje em dia ela aloja o Museu Naval, onde poderá encontrar a história de Sevilha enquanto porto fluvial: na época das grandes navegações os barcos chegavam a Sevilha carregados de tesouros vindos do “Novo Mundo” que eram descarregados junto à Torre.

Mesmo que não queira conhecer o museu, o passeio pelas margens do Guadalquivir, passando pela Torre Del Oro, é imperdível.

 Ponte de Triana e Torre Del Oro.

As águas do rio Guadalquivir banham Sevilha e fazem desta parte da cidade um dos cartões postais mais lindos.

Uma dica é percorrer todo o Paseo de Cristóbal Colón, que vai desde a esquina com a ponte Isabel II até à ponte de San Telmo.

Poderá ainda optar por um cruzeiro no rio. O passeio é incrível, recomendo realizá-lo ao final da tarde para poder apreciar o entardecer. Dura cerca de uma hora e percorre praticamente todos os pontos turísticos de Sevilha mas por água.


Rio Guadalquivir – Sevilha.

Relativamente perto da Puente Triana encontrará uma das mais famosas e antigas praças de touros do mundo: a Plaza de Toros de La Real Maestranza. A cada 30 minutos existem visitas guiadas em inglês e espanhol com acesso à arena e ao Museu Taurino onde poderão conhecer a história da atividade das touradas na região. As touradas realizam-se, geralmente aos domingos entre abril e outubro mas aconselho previamente a consulta de datas.

Um dos monumentos mais emblemáticos de Sevilha é a Giralda, a torre da Catedral de Sevilha. A Catedral é o maior templo da Espanha e o terceiro maior templo cristão, só superado em extensão pelaBasilica di San Pietro, em Roma, e pela St Paul’s Cathedral, em Londres.



 A Catedral de Sevilha com a Torre La Giralda.

É magnífica, em especial pelo seu exterior, no interior encontrará: o Pátio de los Naranjos, com as típicas laranjeiras da região (fiquei a saber que durante o inverno em Sevilha, a maioria das árvores existentes são laranjeiras e o cheiro das laranjeiras espalha-se pelas ruas da cidade), e a própria torre, que com alguma disposição (ou muita!) pode ser subida (sem custo adicional) e fazem enriquecer a visita. Ir até o topo da Giralda equivale a ir ao topo de outros monumentos, como a Notre-Dame em Paris: chegará ao fim tão ofegante pela subida da torre quanto pela bela vista da cidade.

Ao lado da Catedral, fica um dos pontos que mais exemplificam a influência árabe na cidade: o Real Alcázar, composto por um conjunto de construções, desde o mais primitivo alcázar árabe até às posteriores ampliações com pátios e palácios realizadas por sucessivos monarcas. Eles apresentam as marcas da arquitetura árabe, repleta de detalhes incríveis de várias épocas. Atualmente serve de alojamento para a família Real ou para a visita de personalidades. O Alcazar foi declarado Património da Humanidade pela Unesco pela sua tamanha riqueza e imponência.

Real Alcázar - Sevilha.

Também nessa região, perto da fofa Avenida de La Constitución (onde fica a Catedral), na Plaza Cristo de Burgos, está a Taberna Coloniales, um restaurante tradicional com preços razoáveis, onde dá pra se empanturrar no almoço ou no jantar pedindo diferentes tapas, de pratos como solomillo al roquefort e papas bravas (a salsa brava, um molho de tomate levemente picante, é bem tradicional e delicioso).

Falando novamente em comida, um lugar muito popular, principalmente entre os jovens, é a Cervecería 100 Montaditos, uma cervejaria que serve uma grande variedade de montaditos, pequenas sanduíches com diferentes recheios, acompanhados de batatas fritas. Há várias 100 Montaditos pela cidade, mas entre as mais conhecidas estão a que fica na Av. de la Constitución, bem pertinho da Catedral, e a da Calle San Fernando, nº 29, juntinho do Rectorado da Universidad de Sevilla (edifício magnífico, por sinal!).

Outro bairro muito tradicional é Santa Cruz. O bairro judeu é muito antigo, cheio de ruelas estreitas com casas branquinhas que ostentam pequenas varandas floridas. É bem a imagem que muitos têm de Sevilha, e é realmente encantador. É fácil se perder andando por esse bairro, mas quem se importa? Sempre chegamos a uma pequena e simpática praça, ou a um charmoso bar de tapas. E aí é só aproveitar!


 Bairro de Santa Cruz – Sangria.

Almoce numa mesinha nas estreitas calçadas ou nos charmosos casarões espalhados por qualquer lugar do bairro. Se for no fim da tarde relaxe com uma boa sangria para espantar o calor do verão europeu.

Falando em Santa Cruz, vale a pena lembrar que em várias partes da cidade há apresentações de flamenco, mas uma dos mais populares e com entrada gratuita, é La Carbonería, que fica na calle Levíes, em Santa Cruz. O lugar é bem tradicional, mas frequentado na sua maioria por turistas. No espaço, um velho armazém de carvão, várias mesas com bancos compridos ficam dispostas em frente a um palco, onde dançarinos, guitarristas e cantores dão, literalmente som à cidade. A música e a dança flamencas são emocionantes.


 Plaza de España – Sevilha.

Outro ponto imperdível é a Plaza de España, é a cara de Sevilha. Impressionante projeto arquitetónico.Uma praça gigantesca com fontes, um palácio imponente, chafariz, milhares de azulejos clássicos da região e pequenas pontes. É de encher os olhos. Construído para a Exposição Ibero-Americana de 1929 – ainda que, à primeira vista, se possa achar que se trata de uma edificação mais antiga. A arquitetura do lugar é impressionante. Tanto que alguns filmes já foram gravados aqui – entre eles cenas do Missão Impossível e do clássico Guerra nas Estrelas.

Hoje em dia, alberga os órgãos da burocracia governamental, como a Extranjería. A Plaza de España é aberta ao público e fica praticamente dentro do Parque de Maria Luisa, um parque muito bonito onde é possível fazer um piquenique, alugar uma bicicleta ou visitar um dos museus.

Quem gosta de compras não poderá deixar de ir à Calle Sierpes, que é praticamente uma continuação da Av. de La Constitución, e outras ruas ao redor, como a Velázquez e a Tetuán. Nestas ruas poderá encontrar lojas de roupa, perfumes, acessórios e sapatarias de marcas conceituadas, como H & M, Zara, C & A, Six, Blanco e Mango.

Uma coisa curiosa (e inteligente!) é que no verão, colocam nas ruas umas espécies de toldes, para proteger as transeuntes do sol escaldante (afinal, o termômetro passa dos 40 graus com frequência nos meses mais quentes).

À noite, além dos bares na Calle Betis, tem também muita agitação na Plaza Alfalfa, na Alameda de Hércules e na rua San Eloy, onde fica o Pátio San Eloy, um bar de tapas bem informal. Têm uma excelente seleção de montaditos. Experimente o de pringá, que é bem típico e delicioso!

Se for visitar Sevilha durante o verão não pode deixar de visitar um dos parques mais bonitos da Espanha. O parque de Maria Luisa. Uma atração imperdível. Dentro do parque encontra pequenos palácios, jardins que parecem cenários de um filme. Alugue uma charrete e permita-se a um passeio pela cidade!


Parque de Maria Luisa – Sevilha.

Não é difícil ficar completamente rendido aos encantos da cidade de Sevilha e aos seus numerosos monumentos e bairros típicos são completamente encantadores. Mas nem sempre as viagens fazem-se de momentos culturais e depois de termos mergulhado na alma sevilhana um dia deve ficar reservado mesmo para a diversão. A Isla Mágica é um parque temático bem pertinho do centro da cidade. O Parque foi construído em 1997 na Isla de la Cartuja nas antigas instalações da famosa Expo 92 dando vida a um dos locais mais bonitos da cidade que ficara praticamente abandonado quando a famosa exposição fechou portas. A Isla é um parque com direito a tudo o que um parque de diversões tem direito e o único do género mais perto de Portugal (mais um ponto negativo para o turismo português) e reserva um dia cheio de diversão para miúdos e graúdos. Estar num parque temático é dar espaço para sair a criança que há dentro de nós adultos e permitir que nos possamos divertir independente do olhar alheio. No verão, o parque abre às 11h00 da manhã e encerra às 23h00 e o bilhete tem o custo de 28 €. Para encerrar o dia no lago central do parque são apresentados dois espetáculos, o primeiro de flamenco com cavalos muito bom e emocionante que encaixa em todo o ambiente do parque e da cidade. Para finalizar a noite um outro com jatos de água, luzes e pirotecnia a quem cabe o encerramento do dia.

E não se esqueça! Se no meio do caminho você encontrar algum barbeiro (e vai encontrar), pare e faça uma foto! Fííííííííííígaroooooooooo!
CRÓNICA DE CARLA AFONSO

Como ir?

Sevilha dispõe de aeroporto, mas para duas ou mais pessoas fica mais em conta a viagem de carro, são cerca de 450km a partir de Lisboa, que se fazem relativamente rápido visto ser sempre por auto-estrada. Se estiver mais a Sul de Portugal, ainda é mais rápido, para quem está no Norte poderá compensar o avião.


Curiosidades

Sevilha é a quarta maior cidade de Espanha e a principal da Andalúzia. É conhecida mundialmente pelo seu Flamenco, as castanholas e as touradas. É uma cidade limpa e cheia de vida nas ruas do centro histórico e nas margens do rio Rio Guadalquivir ao final do dia.

Como é uma cidade plana, pode visitar-se facilmente a pé. Mesmo que tenham crianças, não será muito cansativo, mas como os pontos de interesse distam um pouco entre si, convém levar calçado confortável.

O clima no verão é bastante quente, as temperaturas rondam os 40 graus por isso levem peças de roupa leves e frescas. E não se esqueçam de adiantar o relógio uma hora para andar ao ritmo da cidade (afinal estamos noutro país!).

A visita completa aos principais pontos de interesse completa-se em 3 dias.


Onde ficar

A cidade tem uma oferta bastante variada de alojamento, mas não precisam de procurar muito. O Hotel Ribera de Triana, pode ser uma escolha acertada. Fica situado no Bairro de Triana nas margens do Rio Guadalquivir, a cerca de 15 minutos a pé do centro histórico, mas são 15 minutos em que podemos disfrutar das ruas pitorescas e do ambiente descontraído da cidade. Fica também a 5 minutos da Isla Mágica de carro ou a cerca de 25 minutos a pé pelo recinto da Expo92.


Boa viagem!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

VENCEDORA DO VI CONCURSO BIRD NO FACEBOOK

Marta Moura foi a vencedora do VI concurso BIRD Magazine no facebook. A concurso, o romance de Jorge Nuno, “As Animadas Tertúlias de um Homem Inquieto”. 

O objetivo era criar uma frase original, até 3 linhas, que envolvesse «MODIFICAÇÃO DE ATITUDES INTERIORES" e "BIRD Magazine"». 

A frase vencedora: “Perdida num mundo sem cor, a vida exige a modificação de atitudes interiores, para o coração estremecer de novo para a felicidade! E assim aconteceu, ao ler a BIRD Magazine e as suas crónicas, desenhou em mim a paz e a esperança de novas cores. O arco-íris da alegria!” 

Obrigado, a todos os concorrentes, e fiquem atentos aos novos concursos.


MARTA MOURA FOI A GRANDE VENCEDORA

PASCOAES COMO PANO DE FUNDO

MARTA MOURA, RICARDO PINTO E FÁTIMA VERÍSSIMO

AS AMIGAS QUE NÃO PERDEM UM BOM ROMANCE
#FOTOGRAFIAS DE ANA PAULA DOUTEL 

ENVELHECIMENTO: GERIATRIA e GERONTOLOGIA

GABRIELA CARVALHO
A Terapia Ocupacional actua em vária áreas, nomeadamente na Geriatria e Gerontologia, como já referi noutros momentos; podendo ser a intervenção realizada nas 8 respostas sociais reconhecidas oficialmente pela Segurança Social, para os idosos em Portugal:

- Centro de Convívio (CC)
- Centro de Dia (CD)
- Lares para idosos (Lares)
- Residência
- Serviço de Apoio Domiciliário (SAD)
- Acolhimento Familiar de Idosos (AFI)
- Centro de Acolhimento Temporário de Emergência para Idosos (CATEI)
- Centro de Noite (CN)


Hoje, abordarei a Geriatria e a Gerontologia – que é a minha área de actuação – focalizando em crónicas futuras a intervenção específica do Terapeuta Ocupacional em Lares (a minha experiência).


“Envelheço, quando o novo me assusta e a minha mente insiste em não aceitar.
Envelheço, quando me torno impaciente, intransigente e não consigo dialogar.
Envelheço quando o meu pensamento abandona a sua casa e retorna sem nada a acrescentar.
Envelheço, quando muito me preocupo e depois me culpo porque não tinha tantos motivos para me preocupar.
Envelheço, quando penso demasiadamente em mim mesmo e consequentemente me esqueço dos outros.
Envelheço, quando penso em ousar e antevejo o preço que terei que pagar pelo acto, mesmo que os factos insistam em me contrariar.
Envelheço quando tenho a chance de amar e deixo o coração que se põe a pensar: Será que vale a pena correr o risco de me dar? Será que vai compensar?
Envelheço, quando permito que o cansaço e o desalento tomem conta da minha alma que se põe a lamentar. 

Envelheço, enfim, quando paro de lutar!”
(Reinilson Câmara)

De acordo com o Ministério da Saúde em 2004, o Envelhecimento Humano é um “processo de mudança progressiva da estrutura biológica, psicológica e social, que se desenvolve ao longo da vida”.

O envelhecimento da sociedade é uma realidade inevitável, dado haver uma maior longevidade do Homem (maior esperança média de vida) e menor taxa de natalidade, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
No entanto, também se tem verificado que este aumento da população idosa está muitas vezes associado a índices de dependência acrescidos e a uma maior vulnerabilidade do idoso.
Em Portugal a população idosa (>65 anos) duplicou nos últimos 40 anos e o INE prevê que dentro de 50 anos este grupo represente cerca de 32% da população.
Deste grupo existe um aumento acentuado de pessoas acima dos 80 anos (considerados por alguns autores como a “quarta idade”), tendo a maioria deles, dependências associadas.
Assim, pode-se ainda dizer que em Portugal se vive um duplo envelhecimento:
- Mais idosos em função do aumento do índice de envelhecimento associado a um aumento da esperança média de vida;
- Uma diminuição do número de jovens, em função de um índice sintético de fecundidade, insuficiente para permitir o rejuvenescimento da população.


Este aumento da longevidade coloca obrigatoriamente novos desafios em diversas áreas e domínios, principalmente, saúde e prestação de cuidados.


Estes dois são principalmente importantes, porque deles advém o Envelhecimento Normal, que segundo a Organização Mundial de Saúde (2001) é “constituído pelas alterações biológicas universais que ocorrem com a idade e que não são afectadas pela doença e pelas influencias ambientais”.
É este envelhecimento normal que está na génese da GERONTOLOGIA: estudo de todas as modificações morfológicas, fisiológicas, psicológicas e sociais consecutivas à acção do tempo no organismo (envelhecimento), independentemente de qualquer fenómeno patológico.

Assim, o envelhecimento resulta de um conjunto de alterações psicológicas, biológicas e sociais que ocorrem ao logo da vida, pelo que se torna difícil, encontrar uma data especifica a partir da qual se possa considerar as pessoas como sendo “velhas”.
É usual considerarmos como pessoas idosas, todos aqueles que têm idade igual ou superior a 65 anos, sendo esta também a idade de entrada para a reforma. No entanto, não podemos esquecer que este critério se reporta a Portugal e varia de país para país e mesmo dentro do país, varia em função da profissão, sistema social, etc. Assim sendo, este apesar de ser o critério mais utilizado nem sempre é o mais fidedigno.

De um modo geral o envelhecimento ocorre ao longo da vida e ninguém fica velho de um momento para o outro. Assim, há que considerar as alterações progressivas a nível físico e mental como indicadores de velhice e ter cautela relativamente ao critério da idade cronológica como indicador do estado de ser idoso.
No entanto, utilizar como referencia a idade cronológica para aglutinar um grupo de pessoas com características comuns, parece ser a melhor solução.
Assim, é habitualmente aceite em Gerontologia a idade dos 60 aos 65 anos como idade limiar para o aparecimento do envelhecimento.


Na prática clínica, sugere-se uma abordagem individual ao envelhecimento, de forma diferenciada, de acordo com a história e o percurso de vida de cada um.
Surge assim a GERIATRIA: considerada como o aspecto terapêutico da Gerontologia, ou seja, a que estuda os meios para lutar contra os efeitos do envelhecimento.

“A maioria dos Homens quando atinge a meia-idade tem medo e odeia a velhice… É por isso que a maior parte deles envelhece mal e morre antes do tempo.” (G.P. Papini séc. XVIII)

A Geriatria nasceu da Medicina e tem origem muito recente, sendo o seu principal objectivo de estudo os aspectos clínicos das doenças de que as pessoas com mais idade são portadoras.
O conceito de Geriatria foi pela primeira vez defendido por I.L. Nascher num artigo publicado na revista New York Medical Journal em 1909 e initulado “The diseases of the old age n their treatments”.
O conceito foi evoluindo e, actualmente, a Geriatria é uma especialidade médica na maioria dos países, embora ainda não em Portugal.
“O Prof. Doutor João Gorjão Clara, Médico Especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Membro da Academia Europeia de Medicina para o Envelhecimento, Coordenador da recém-criada Unidade Universitária de Geriatria da qual nasceu a Consulta de Geriatria do Hospital Pulido Valente – Centro Hospitalar Lisboa Norte refere que lamentavelmente, em Portugal não existem competências em Geriatria, e a Geriatria ainda não é reconhecida como especialidade. Na maioria dos países desenvolvidos existe como especialidade organizada e autónoma (…) A título de exemplo posso apontar-lhe o caso de Espanha, onde a Geriatria é reconhecida como especialidade autónoma desde 1978.

O facto do ensino pós-graduado teórico e prático só muito recentemente se estar a desenvolver, leva a que ainda hoje se mantenham crenças, mitos e estereótipos relativos aos mais idosos e que há muito deveriam ter desaparecido. São exemplos de mitos a ideia de que a velhice é sinónimo de doença, de que todos os indivíduos de idade avençada são dementes e que as doenças dos velhos não cedem facilmente.
Na verdade, apesar de serem mais prevalentes nos indivíduos de certa idade as doenças como as demências vasculares por aterosclerose ou a demência de Alzheimer, artroses, insuficiência cardíaca, entre outras, não é menos verdade que cerca de 80% dos idosos ultrapassam os 70 anos de idade sem sinais clínicos de falência respiratória ou cardíaca e com um estado mental perfeitamente compatível com a sua independência no que respeita às tarefas do dia-a-dia.

No entanto, também é verdade que não se deve ignorar que a passagem dos anos produz nos organismos vivos desgaste das suas capacidades e que depois dos 80 anos de idade podem ser identificados diferentes graus de insuficiência orgânica para as quais os profissionais de saúde devem estar atentos, para que as medidas de prevenção especiais sejam implementadas de forma a não agravar a qualidade de vida.

Segundo Helena Saldana em 2009, os temas sobre a Geriatria são vastíssimos, sendo os mais frequentes em Portugal:

- História clínica do velho doente e suas particularidades
- Sindroma geriátrica e sindroma de fragilidade
- Problemas de mobilidade e quedas
- Doença arterial periférica
- Sindroma de incontinência
- O idoso com úlceras de pressão
- Sindroma de polifarmácia
- Sindromas tromboembólica
- Diabetes mellitus no idoso
- Osteoporose em idade avançada

Em crónicas futuras, serão abordados alguns destes temas (os mais pertinentes para a Terapia Ocupacional).

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional acrescenta vida aos anos.”

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Referências Bibliográficas:

- Ferreira, O. G. L., Maciel, S. C., Silva, A. O., Santos, W. S. d., & Moreira, M. A. S. P. (2010). Envelhecimento activo sob o olhar de idosos funcionalmente independentes. Esc Enferm USP, 44 (4), 1065-1069.
- Ferreira, O. G. L., Maciel, S. C., Costa, S. M. G., Silva, A. O., & Moreira, M. A. S. P. (2012). Envelhecimento ativo e sua relação com independência funcional. Contexto Enfermagem, 21(3), 513-518.
- Organização Mundial de Saúde (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde.
- Ribeiro, O., C. Paúl (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lisboa, Lidel - edições técnicas, lda.
- Sequeira, C. (2010). Cuidar de idosos com dependência física e mental. Lisboa, Lidel – edições técnicas, lda.

PORQUÊ E PARA QUÊ DESTRUIR O HOMEM E A NATUREZA?

J. PEREIRA RAMOS E SUSANA FARIA
No presente mês de Agosto facilmente constatamos que o nosso país se vê a braços com uma calamidade, os incêndios que estão a devastar e consumir o nosso país. Segundo alguns órgãos da comunicação social muitos dos casos provocados por indivíduos doentes, outros sem motivo aparente, que referiram que atearam por atear porque lhes deu na “veneta” e ainda outros mandados por terceiros. Um dos jornalistas da TV referiu em direto que era do conhecimento dos agentes da Polícia Judiciária que alguns dos incendiários eram pagos por outros indivíduos mas que não foram investigados. Acho que deveria ter entendido mal, porque custa a acreditar que aconteça no nosso país, mas a serem verdade essas afirmações, é uma situação que tem de ser tratada a nível do Ministério Publico.
Efetivamente não é apenas a falta de ordenamento e limpeza das matas que ocasionam fogos, apenas facilitam. Está provado que apenas cerca de 1 a 2% de todos os incêndios na floresta foram ocasionados por causas naturais ou por descuido humano, deixando os restantes para fogo posto.

Tal como Louis Pasteur no seculo XVlll e XlX que refutou e comprovou não haver geração espontânea, isto é, para que houvesse aparecimento de vida era necessária a presença de outra vida, para haver fogos tem de haver algo ou alguém que os ocasionem. Que não se pense que os fogos acontecem espontaneamente às 3 ou 4 horas da madrugada!

Diz-se que os criminosos na sua maioria são toxicodependentes, alcoólicos e indivíduos com problemas mentais. Fala-se também de quadrilhas organizadas em incendiar florestas, e porquê?
A verdade é que os terroristas que assolam e ensombram a Europa, vão munidos com armas e bombas com o intuito de dizimar o maior número possível de pessoas, acabam presos e a responderem a penas pesadas, e ninguém se preocupa se são doentes mentais alcoólicos ou enviados por alguém.

Tem sido afirmado pelos responsáveis no combate aos fogos, que chamam esses indivíduos de terroristas, que há crime organizado e bem planeado em atear fogos. Caso isto seja mesmo verdade, há que agir em conformidade e os nossos serviços têm de atuar. Uma coisa é um incendiário sem escrúpulos, que não vê que está a dar cabo do nosso pais e que atuou de forma intempestiva, outra coisa é um conjunto de indivíduos organizados que planeiam exterminar e destruir bens e pessoas merecendo obviamente outro tipo de tratamento e de sanções.

Observei que os juízes foram muito criticados em diversos órgãos de comunicação social pelo facto de não terem enviado todos os presos que atearam fogos para tratamento psiquiátrico - ora nem todos incendiam por ter um distúrbio mental.

Os juízes ao interrogar os incendiários avaliam o comportamento mental, pelo que, nos casos indicados, com certeza que os encaminhariam para tratamento psiquiátrico (embora entenda que nesses casos esses pirómanos deveriam ser internados em instituições psiquiátricas de forma a não voltarem a cometer o mesmo crime). Nos casos dos incendiários sem problemas psiquiátricos, deveriam estar presos e ser tratados conforme a lei (que julgo que deveria ser revista - a penalização é muito branda e quase “romântica” como foi dito por um comentador televisivo a propósito das penalizações) em regime normal como qualquer outro criminoso que atenta contra a vida do ser humano, dos animais e da floresta.

De facto, o incêndio das matas leva a uma completa destruição da fauna e flora das matas: destrói a biodiversidade das plantas, os ninhos das aves, os animais selvagens, enfim, toda vida necessária para o equilíbrio da natureza. Para não falar nas vítimas perdidas, devo lembrar as pessoas que tiveram de abandonar as suas casas, deixando todos os bens de uma vida para trás, e que perderam tudo o que nunca voltarão a recuperar, perante os seus olhares impotentes.

Sabe-se que nestes últimos 10 anos Portugal, relativamente aos países da Comunidade Europeia, apresenta dos maiores números de casos de doenças do foro respiratório: cancro, asma e doenças pulmonares crónicas obstrutivas. Portugal é um dos países da comunidade que mais utiliza aspiradores, nebulizadores e oxigénio no tratamento das diversas doenças respiratórias ocasionadas, entre outras, pela grande poluição do ar, agravada pelos incêndios.

É necessário os políticos legislar e os magistrados aplicar a lei e não terem meias medidas e atuar de forma a convencer e desencorajar estes criminosos, os chamados pirómanos, a absterem-se de atear fogos sob pena de continuar a saga dos fogos que vai brevemente destruir totalmente nosso Portugal.

Mas o que fazer? Como?
Penso ser fundamental a revisão das penas, com uma criminalização altamente dissuasora com punição severa.
O nosso 1º Ministro e a Ministra da Administração Interna, já referiram que uma das formas será passar para as forças armadas a responsabilidade de utilizar os meios aéreos em vez de continuarem a ser privatizados.
Em 2º foi referido que os indivíduos incendiários teriam de pagar os prejuízos que advêm dos fogos que atearam, mas neste ponto a ministra não foi tão incisiva e afirmativa (ao contrário do que penso por ser necessário e muito importante).

Na minha opinião esse pagamento é justo, senão vejamos: quando voluntariamente destruímos um imóvel publico ou privado somos penalizados e temos de assumir as consequências dessa destruição. De igual modo estes indivíduos deveriam ser penalizados também economicamente pelos prejuízos causados.

Em muitos casos os incendiários ficam meia dúzia de dias presos e são libertados com pulseira eletrónica. Vão para casa e passados algumas horas repetem os mesmos crimes sem sofrerem sanções económicas dos seus atos altamente destrutivos e que gera grande dor e revolta nas populações.
Deveriam também ser obrigados a plantar o mesmo número de árvores que foram destruídas na floresta. Plantar árvores contribui para a purificação do ar, melhora a qualidade da água e evita a erosão do solo causadas pelos incêndios.


Finalmente, deveriam ser implementadas medidas pelo governo central de modo a não haver possibilidade de aproveitamento dos terrenos incendiados por terceiros ficando as câmaras municipais encarregadas dessa gestão.