Mostrar mensagens com a etiqueta De Culto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta De Culto. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NATAL - DAS ORIGENS PAGÃS À REALIDADE BÍBLICA


«Pensei que este Natal era para toda a gente...» - actor da novela "A Única Mulher" que desempenha o papel do personagem Kandimba.
__________

O texto não reflecte uma opinião do autor, que não é crente. Está baseado nos documentos históricos que adquiriu (a Bíblia Sagrada, edição pastoral, da PAULUS Editora, 7.ª edição 2011, com a revisão literária do Padre João Gomes Filipe), bem como outros que consultou na internet, estudando-os para poder elaborar este ensaio com propriedade.
___________
ALVARO GIESTA
Capturou-me a tristeza, desenhada entre traços de ansiedade, estampada no rosto do menino negro que desempenha o papel do personagem Kandimba na novela portuguesa mais badalada no momento, e levou-me a escrever sobre o Natal, de modo diferente do que habitualmente se escreve, nesta e desta data: nem conto com o Menino nas palhinhas deitado, ladeado pela vaquinha e jumento, sequer com o pinheiro ricamente ornado com enfeites de múltiplas cores, menos ainda com quanto é possível adjectivar com palavras, com prendas e presentes, unicamente para este dia, singular, que devia ser igual a todos os outros, pois Natal é sempre que o homem queira e o deve ser, e sempre, sem a hipocrisia encoberta nos votos formulados sem a vontade sincera de os fazer, simplesmente para não fugir ao que, protocolarmente, está pré-estabelecido.

Escrever sobre a mística e mítica e mais importante festa para as crianças, é coisa por demais "batida" e banal no recurso que se faz das palavras e dos gestos, tão-sempre iguais para desta data se dizer. Não me interessa saber se, do que aqui fica expresso, me acham tão mordaz ou mais ácido, nas palavras, quanto Eça o foi nos seus escritos realistas. Sou igual a mim mesmo e vertical assim serei, ora e sempre, até que passe à posição final - a horizontal. E de palavras e com palavras, secas e cruas, acredito no que a HISTÓRIA (e a BÍBLIA) me diz: JESUS NÃO NASCEU A 25 DE DEZEMBRO.

Todos os anos se chega à época final de cada ano em que todo o mundo cristão se prepara para celebrar o mais notável acto solene - o nascimento de Jesus Cristo. Para este acto, homenageando um Ser que nasceu pobre e pobre viveu durante a sua curta vida, de sandálias e túnica, tudo se cobre, nefastamente, dos mais ricos e exuberantes gestos de poder que à humildade e à pobreza repugna. «O Messias é pobre» [i] (Lu 2,21), «O Messias veio para os pobres» [ii] (Lu 2,8). «Lucas relata o momento do nascimento de Messias e... quem são as estrelas deste acontecimento? A quem aparecem os anjos a anunciar este sublime acontecimento, esta «boa nova de grande alegria para todo o povo»? Ao sumo-sacerdote? Aos ricos e senhores importantes de Jerusalém? Não. A pastores, humildes e pobres, a trabalhadores do campo, desgraçadamente pobres. A gente insignificante. Lucas, diz-nos, que aquilo que é insignificante é aquilo que Deus valoriza.

E do Natal, regressando às suas origens, falemos, para que os mais novos e os mais humildes - como o humilde actor da novela - fiquem a saber que ele nem sempre foi aquilo que se julga ter sido.

DAS ORIGENS PAGÃS:

Da Enciclopédia Católica [iii] (edição de 1912) «A festa de Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja (...).» Na mesma enciclopédia, ensina-nos ORÍGENES [iv], um dos chamados pais da Igreja que «...não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores ("por pecadores entende-se pagãos" como Faraó ou Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo.»

Tardaram os cristãos, mais de três séculos, a celebrar o Natal adulterando, contudo, aquela que parece ter sido (a história assim nos diz) a verdadeira data do nascimento do Homem que veio para redimir o mundo. A história demonstra que, durante os primeiros três séculos da nossa era, os cristãos não celebraram o Natal. Só no século IV (ano 350) após se ter firmado aquilo a que se chamou a igreja estatal do Império Romano (o sistema que hoje é conhecido por Igreja Romana), é que a festa do Natal começou a ser introduzida. Foi o Papa Júlio I [v] que declarou o dia 25 de Dezembro - que fora o dia da festa pagã do deus-Sol - como dia festivo do nascimento do Filho de Deus; contudo, somente no século V é que foi oficialmente ordenado que o Natal fosse observado, para sempre, como festa cristã, e se realizasse no mesmo dia da secular festividade romana em honra ao nascimento do deus-Sol, já que não se conhecia a data exacta do nascimento de Cristo.

E a resposta à pergunta que não é necessário fazer, fica, para sempre, latente no espírito dos cépticos e inquietos: se fosse vontade de Deus que guardássemos e festejássemos o aniversário de seu Filho muito-amado, não nos teria ocultado a sua data, exacta, de nascimento, nem nos teria deixado, sem qualquer referência a ela, exacta, em todo o percurso da Bíblia. E, assim, foi, pelo paganismo, que nos vimos ordenados a adorar Deus, no seu Filho muito-amado no nascimento "inventado" em 25 de Dezembro. Vejamos:

DO (NÃO) NASCIMENTO DE JESUS EM 25 DE DEZEMBRO - analisando Lucas [vi], segundo o seu evangelho:

«Naqueles dias, o imperador Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento em todo o império. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registar-se, cada um na sua cidade natal. José era da família e descendente de David. Subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até à cidade de David, chamada Belém, na Judeia, para se registar com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, completavam-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogénito. (...)» (Lu 2, 1-7) [vii]

«Naquela região havia pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores...» (e anunciou) «hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, o Senhor.» (Lu 2, 8-11) [viii]

Ora, é sabido (e adiante se confirmará no capítulo A BÍBLIA MOSTRA QUANDO JESUS NASCEU) que isto jamais pôde acontecer na Judeia durante o mês de Dezembro - os pastores tiravam os rebanhos dos campos em meados de Outubro e abrigavam-se para os proteger no inverno no tempo frio e das chuvas. (Adam Clark Commentary, vol 5, pag. 370) [ix]. E mais: a Bíblia, no livro bíblico Esdras diz-nos que «No terceiro dia, todos os homens de Judá e de Benjamim estavam reunidos em Jerusalém. Era dia vinte do nono mês (logo, Setembro). Todo o povo estava na praça do Templo de Deus (...)» (Esd 10,9) [x]

Ora, nascer Jesus em Dezembro, parece impossível; porque, impossível parece ser a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frias noites no campo, como também parece improvável que o recenseamento fosse convocado para a época das chuvas e frio, como se vê em Lucas 2,1. Mas...


A BÍBLIA MOSTRA QUANDO JESUS NASCEU:

Jesus Cristo nasceu na festa dos Tabernáculos, [xi] a qual acontecia em cada ano no final do 7.º mês (Itenim ou Tshiri) do calendário judaico - correspondente (mais ou menos) ao mês de setembro do nosso calendário, dado que o calendário judaico é lunar-solar e o nosso é solar. E, nessa festa dos Tabernáculos, das Tendas originalmente chamada, Deus, que a instituiu, habitava com o povo de Israel para que sempre o Seu povo se lembrasse dos dias de peregrinação pelo deserto. «Desde o dia quinze do sétimo mês (...) celebrareis a festa do Senhor durante sete dias (...) Morareis em tendas durante sete dias (...) para que (...) saibam (todos os descendentes de Israel) que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas quando os tirei do Egipto.» (Lv 23, 39-43) [xii]

Vejamos, nas Escrituras, alguns detalhes, ainda que superficialmente, que nos vão ajudar a situar, cronologicamente, o nascimento de Jesus:

Os Levitas [xiii] eram divididos em 24 turnos e cada turno ministrava por 1/24 = 15 dias, 2 vezes por ano. Com os números arredondados e corrigida, a cada 3 anos, a distorção entre o calendário judaico lunar-solar e o nosso calendário solar, 24 turnos a 15 dias cada turno, ia dar o correspondente a 365,2422 dias, o equivalente ao ano. (1 Cr 23, 1-32) e (1Cr 24,1-19) [xiv]

O primeiro turno iniciava-se com o primeiro mês do ano judaico - mês de Abibe (março/abril). O quarto turno, correspondente aos meses de junho/julho (mês de Tamuz), era aquele em que o sacerdote Zacarias, pai de João Batista, ministrava no Templo. Terminado o seu turno Zacarias voltou para casa e (conforme a promessa que Deus lhe fez) sua esposa Isabel, que era estéril, concebeu João Baptista (nos finais do mês Tamuz - junho/julho ou princípios do mês Abe - julho/agosto).

«Depois de terminar os seus dias de serviço no santuário, Zacarias voltou para casa. Algum tempo depois, sua esposa Isabel ficou grávida, e escondeu-se durante cinco meses.» (Luc 1, 23-24) [xv]. Jesus foi concebido 6 meses depois, no fim do mês Tebete - dezembro/janeiro ou início de Sebate - janeiro/fevereiro.

Diz-nos S. Lucas:

«No sexto mês (fim do mês Tebete "dezembro/janeiro" ou início do mês Sebate "janeiro/fevereiro"), o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré. Foi a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, que era descendente de David. E o nome da virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo! (...) Não tenhas medo, Maria (...) Eis que vais ficar grávida, terás um Filho e dar-Lhe-ás o nome de Jesus."» (Lu 1, 26-30) [xvi]

Nove meses depois, no final do mês Itenim ou Tshiri (que cai em setembro e/ou outubro) - o mês em que os judeus comemoravam a Festa dos Tabernáculos, Deus veio habitar, veio "tabernacular" com os homens. Foi o mês em que nasceu Jesus, o Emanuel, o Filho do Altíssimo.

Jesus, o verdadeiro Messias, não nasceu neste mítico dia 25 de Dezembro. Nada existe que prove, cientificamente, que foi nesta data ou noutra qualquer, que Cristo nasceu - nem apóstolos o dizem nem a igreja com propriedade o pode provar, pois jamais a igreja primitiva e/ou os apóstolos celebraram o natalício de Cristo.


O NATAL NAS IGREJAS E OS COSTUMES NATALÍCIOS:

A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso de Schaff-Herzog [xvii] diz-nos que «Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália», nome dado às festas romanas em honra a Baco - 25 de dezembro, «a que se seguia a Saturnália», festival romano em honra ao deus Saturno que ocorria no mês de dezembro, no solstício de inverno; era celebrada no dia 17 de dezembro, mas ao longo dos tempos foi alargada à semana completa, terminando a 25 de dezembro «e que comemoravam o nascimento do deus-Sol no dia mais curto do ano.» Diz-nos ainda que, «As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arreigadas nos costumes populares para serem suprimidas pela influência cristã» que nascia, a quem também agradavam.

Por isso, os pagãos do mundo romano do século IV e V pseudamente «convertidos em massa» ao cristianismo que, sob a influência maniqueísta de Constantino [xviii], identificavam o Filho de Deus com o Sol, levando consigo suas antigas crenças e costumes pagãos, dissimulando-os sob nomes cristãos, «viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças», e a adaptarem a sua festa do dia 25 de Dezembro (dia do nascimento do deus-Sol) com o título de «dia de natal do Filho de Deus». Assim foi como se introduziu no mundo ocidental o Natal.

Nesta altura se popularizou, também, a ideia de «a Madona e Seu Filho» na época do Natal. Coisa que vem da longínqua Babilónia e do poderoso caçador CONTRA Deus como se refere no Génesis [xix] «Cuch gerou Nemrod, que foi o primeiro valente da Terra. Foi um valente caçador diante do Senhor (...). As capitais do seu reino foram Babel (...).» (Gn 10,9). Nemrod era tão pervertido que, segundo os escritos, casou-se com a própria mãe, cujo nome era Semiramis. Prematuramente morto, sua mãe-esposa propagou e preservou a "reencarnação" de Nemrod em seu filho Tamuz. E declarou que em cada natal (nascimento) de seu filho, estabelecido como 25 de Dezembro, Nemerod desejaria ter presentes numa árvore. Parece ser esta a verdadeira origem da ÁRVORE DE NATAL.

Semiramis converteu-se na «rainha do céu» e Nemrode (sob diversos nomes) o «filho divino do céu». E esta veneração se propagou a todo o mundo e hoje nos aparece em imagens e estatuetas de «Madona e Seu Filho».

Mas outras leituras nos dizem que a tradição da árvore do Natal vem da Alemanha, tal qual a canção «Noite Feliz». Antes do ano 350 da era cristã, quando o Papa Júlio I, atrás referido, declarou o dia 25 de Dezembro como sendo o dia do nascimento do Messias, já o povo germânico tinha por tradição guardar ramos verdes em casa para afastar os maus espíritos. Esta prática pagã foi substituída pelo hábito cristão de manter ramos verdes em casa como símbolo da vida que Jesus trouxe a este mundo. Mais tarde os ramos foram substituídos por árvores inteiras enfeitados de velas e outros símbolos. A árvore de Natal é, hoje, o maior e principal símbolo do Natal e os ornamentos luminosos significam a luz que Jesus trouxe ao mundo. É a alegria da criançada.

Outros costumes de origem pagã se preservam na festa Natalícia:

A GUIRLANDA (coroa verde adornadas com bolas e fitas coloridas) que enfeita o exterior das portas de tantos lares, significa que ali se celebra o Natal e a demonstração de o compartilhar com os vizinhos. As VELAS, velha tradição pagã que, acesas, serviam para reanimar o deus-Sol, quando este se extinguia para dar lugar à noite.

De PAI NATAL (o Papai-Noel), estudiosos o afirmam, que a figura do bom velhinho foi inspirada no Bispo Nicolau (N. 280 na Turquia), mais tarde tornado santo por milagres relatados, por ser de bom coração, que costumava ajudar as pessoas pobres deixando saquinhos com moedas nas chaminés das casas. 

A associação da imagem do Santo ao Natal nasceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo - nos Estados Unidos tem o nome de Santa Claus, no Brasil Papai Noel e em Portugal Pai Natal. Representado antes (até ao final do século XIX) com uma roupa de inverno de cor marron ou verde escura, apareceu depois, pela criação do cartonista alemão Thomas Nast, em roupas de cor vermelha e branca com cinto preto, que em 1931 uma campanha publicitária da Coca-Cola, que também era da mesma cor, fez sucesso e ajudou a divulgar esta nova imagem do bom velhinho de barbas brancas e radiante pelo mundo: o mundo imaginário das crianças que, na véspera de Natal, deixa o Pólo Norte, onde habita, e, com o seu trenó, puxado por renas, traz presentes - a alegria das crianças - que foram obedientes e se comportaram bem durante o ano.

______
Bibliografia consultada:

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

"OS ANJOS DE PEDRA", A MAIS RECENTE OBRA DE ANABELA BORGES

Paralelamente à escrita, Anabela Borges é professora de Português. 

Anabela Borges nasceu em Telões, Amarante, onde reside actualmente. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 

Em 2011, foi vencedora do prémio literário “Conto por Conto”, com o conto “A Tundra (cemitério de memórias)”, com a chancela da Alfarroba Editora. 

Em 2012, o seu conto “A Pergunta (fim de linha)” foi distinguido com o prémio “melhor conto” pela Pastelaria Studios Editora, valendo-lhe o prémio da publicação de um livro da sua inteira autoria, que resultou na publicação da anthologia de contos “Até Ser Primavera”. 

Tem participado em diversas colectâneas, essencialmente com contos e poesia. A cada ano, desde 2012, publica um conto de Natal. 

Participa no projecto da Revista online Bird Magazine, com uma crónica semanal. 

Anabela Borges no lançamento do seu último livro,  "AS FAMÍLIAS DOS ANIMAIS"
“AS FAMÍLIAS DOS ANIMAIS”, fábulas em verso, da editora Lugar da Palavra, é o seu primeiro livro infanto-juvenil, ou seja, para todas as idades! 

2015: 


“Os Anjos de Pedra”, obra que agora se publica, narrativa de inspiração inesiana, desfia uma sequência de solilóquios de Inês de Castro e de Camões (que, como se sabe, tratou o tema n' “Os Lusíadas”) e que, à beleza do modo de dizer antigo, associa o olhar do homem dos nossos dias. 

Uma pequena obra que não é uma obra pequena.

Questionada sobre o que trata a narrativa, Anabela Borges declara:

Trata-se de uma narrativa a duas vozes (a de Camões e da própria Inês) sobre a mui nobre e grandiosa (segundo muitos creem, única no mundo) rainha póstuma, Inês de Castro. É uma obra que me é muito cara, já que a tenho escrita há quase três anos e só agora (depois de apreciá-la, cuidá-la, ‘ouvi-la’) me decidi a publicá-la.
A obra virá a lume com a chancela da EDIÇÕES SEM NOME, pela mão do meu caríssimo editor Luiz Pires Dos Reys. A apresentação estará a cargo do estimado Poeta José Emílio-Nelson.

Lançamento da obra:
DIA 21 DE NOVEMBRO, SÁBADO, PELAS 16:30, NA BIBLIOTECA MUNICIPAL ALBANO SARDOEIRA, EM AMARANTE.


terça-feira, 30 de junho de 2015

NOVENTA ANOS DE UMA VIDA SINGULAR

Quis ser, e teria sido, "uma grande atriz", mas a política - e um político - atravessaram-se. Noventa anos de uma vida singular.

MARIA BARROSO

Maria de Jesus Simões Barroso, nascida a 2 de maio de 1925, filha de uma professora primária e de um tenente do exército e do reviralho, castigado, preso e finalmente deportado para os Açores, neta de avós divorciados do lado da mãe, irmã de nove irmãos, dois mortos em bebés como morriam então tantos; pequena, esguia, sempre direita e de cabeça erguida, cuidadosa nos passos e na aparência, de voz bem modulada e colocada, porém sem afetação; teimosa, obstinada, corajosa, compassiva; moderna a ponto de decidir, menina da média burguesia dos portugueses anos 40 e contra as convenções e fados, que o teatro era o seu destino, mas reservando-se sempre de um meio "propício à instabilidade pessoal"; amiga de Mourão-Ferreira, Sebastião da Gama, Matilde Rosa Araújo, Lindley Cintra, Eurico Lisboa, Joel Serrão, e depois de Sophia e muitos outros "grandes nomes" das artes, literatura, pensamento; desde cedo seguindo a senda do pai numa rebeldia e desalinhamento que lhe decretarão ser expulsa do Teatro Nacional e interrogada pela polícia política por declamar poemas subversivos. Isto tudo (e mais, decerto). E também mulher de, a mulher de Mário Soares. O apodo que sempre a precede há mais de 60 anos e, como no contraste físico entre a fragilidade diminuta dela e a estatura formidável dele, de algum modo a foi invisibilizando. Mas olhemos, tentemos ver. Quem é?

"Muito tímida", disse de si própria à biógrafa e amiga Leonor Xavier, em Maria Barroso - Um Olhar sobre a Vida (primeira edição 1996, a mais recente 2012). Uma tímida que, escolhendo do nome todo o de guerra, pelo qual hoje a conhecemos, sobe aos palcos, ergue a voz e, nos primeiros papéis de "ingénua", então termo utilizado para um tipo teatral e para o qual é contratada, deslumbra os críticos. Logo na estreia, numa peça do Teatro Ginásio, o Diário Popular anuncia-a "uma promessa radiosa com a qual o teatro português deve contar". Ainda vai na segunda peça e Luís Francisco Rebello já se lhe rende, num artigo de 26 de abril de 1945: "Uma grande intuição dramática, uma voz lindamente timbrada, bela presença e notável segurança em todos os seus gestos, compreensão absoluta da personagem interpretada, tudo isto casado com um não sei quê de suave espiritualidade." O êxito instantâneo abre-lhe o caminho para o sonho, o de fazer parte da companhia de Amélia Rey Colaço (que a recorda anos depois como "uma pequena com muita vergonha, com dificuldade em comunicar. Mas no ensaio começava a falar e era espantosa, dizia as frases com veemência!") no Teatro Nacional, onde os encómios continuam a jorrar: "Uma ingénua dramática de indisputáveis recursos, dotada de uma grande sinceridade emotiva, limpa de truques e de um invulgar poder de persuasão, através de uma encantadora simplicidade de processos", di-la Jorge de Faria no Diário Popular, enquanto Luís Francisco Rebello, num registo de 17 de maio de 1945, a descreve no papel de uma datilógrafa chamada Elsa que contracena com Raul de Carvalho e José Gamboa: "Maria Barroso realizou uma notável criação. Na intensa cena final do segundo ato, com Raul e Gamboa, cena em que se aflora o cruciante problema da mulher que pretende viver honestamente o seu trabalho (fixei esta penetrante afirmação: quando nos contratam os homens já estão a tomar posse de nós com os olhos), o seu belo talento ergueu-se a grande altura." Se não soubesse já, ler e saber tudo isto tê-la-ia convencido de que estava ali a sua verdade, o seu caminho. Di-lo, determinada, numa entrevista ao Diário Popular nesse ano: "O teatro é a minha profissão definitiva. O curso superior que frequento será um auxiliar. A minha maior ambição é ser uma grande atriz."

O curso superior que frequenta, na Faculdade de Letras, então à Academia de Ciências, é Histórico-Filosóficas, escolhido por conselho de uma professora de Filosofia do liceu quando Maria de Jesus tinha pensado em Direito - uma ideia que de resto acalentava ainda anos depois, quando já casada e mãe um dos cunhados a impele a cumpri-la: "A Faculdade de Direito era mesmo ao pé de nossa casa e fiquei entusiasmada com a possibilidade... [Como já tinha dois cursos] podia entrar em Direito sem fazer exame." Mas, conta na última grande entrevista, ao i, "o meu entusiasmo esbarrou no meu marido, que achou um disparate. "Já tens dois cursos!", exclamou logo. Engraçado como são as coisas." As coisas são engraçadas, sim: o marido, que também queria entrar para Direito (ingressou em 1953) e a dissuadiu disso, conheceu-o na Faculdade de Letras, num dia em que chorava por um professor não lhe ter permitido fazer um exame, recusando-se a retirar-lhe uma falta justificada por ter ido aos ensaios no Nacional. Já o conhecia de vista, diz a Leonor Xavier, e quando, dias depois, a 8 de maio, é assinado o armistício - com rendição incondicional da Alemanha - faz parte do grupo que Soares desafia a celebrá-lo nas ruas, numa manifestação com vivas à liberdade e morras ao fascismo, V da vitória e hino nacional, que a polícia, inusitadamente, não reprime. Uma ocasião única que Maria de Jesus tem de abandonar a meio, para correr para o Nacional, deixando para trás, na confusão da alegria, a pasta da faculdade, que o colega e poeta Sebastião da Gama vai entregar-lhe ao teatro.

Mas abandonada, nem a meio sequer, será também a "profissão definitiva", e, logo após a consagração no papel principal de Benilde ou a Virgem Mãe, de José Régio, o sonho de se tornar "uma grande atriz". O namoro com Soares, que começa ainda em 1945 e pega de estaca - "Logo que nos conhecemos, o Mário deu-se muito bem com os meus pais e ficou amigo dos meus irmãos. Achava muita graça ao meu pai, que era um velho republicano e contava muitas histórias" - alicerçado também na coincidência de os pais de ambos serem opositores ao regime comungando de deportação nos Açores e de perseguições avulsas, será um dos fatores a determinar que em 1948, quando Soares já ia na terceira prisão (a primeira fora por quatro meses e meio em 1947), lhe sejam comunicadas por Rey Colaço as ordens da polícia e do governo: não pode continuar no Teatro Nacional. Anos mais tarde, conta Maria Barroso, a diretora propor-lhe-á regressar, "com uma condição: escrever uma carta a garantir que estava afastada das atividades políticas. Recusei." Vendo-a "figura mítica" desde os tempos da faculdade, Mourão--Ferreira lamentará a perda: "Era de uma verticalidade espantosa, tingida de um certo puritanismo. Havia nela "um nimbo trágico", penso que foi uma das raras atrizes portuguesas que tiveram um sentido do trágico. (...) Podemos supor o que teria sido a sua evolução no teatro português."

Antes dessa sentença (voltará a fazer teatro e terá várias participações em filmes de Oliveira, assim como de Paulo Rocha, mas o esteio da sua vida não passará mais aí) tivera já, em 1947, o privilégio de conhecer por dentro as instalações da Rua António Maria Cardoso. O motivo fora o declamar de poemas "subversivos" ou, talvez, declamar subversivamente poemas. Diz ter tido o cuidado de ir "o mais bem arranjada possível, para não dar o ar de mulher derrotada": "Começaram por querer intimidar-me. No primeiro dia, ouvi uma mulher a gritar, no terceiro andar. Senti um calafrio na espinha." Um agente entra e diz: "Isto ia de outra maneira." Mas nos "cinco dias inteiros" que a coisa durou certifica nunca ter "dado com a língua nos dentes".

Casa com Soares, de novo preso, no ano seguinte, por procuração, e suspende o curso na Faculdade de Letras, indo morar no Colégio Moderno, que passará a dirigir e a administrar a partir de 1971, ano da morte do sogro (João Soares). Ainda em 1949 nasce o filho João e em 1951 é a vez de Isabel. Os seus destinos confundem-se, doravante, até na atividade política - será deputada pelo PS em 1976, 1979, 1980 e 1983, e assume o equívoco estatuto de "primeira-dama" durante os dez anos da presidência Soares, de 1986 a 1996. O que leva talvez a negligenciar o facto de ela ter sido a única mulher a falar na sessão de abertura do III Congresso da Oposição Democrática (pela qual fora candidata a deputada em 1969), em Aveiro, em 1973, e também a única mulher presente no grupo que funda o PS, a 19 de abril do mesmo ano, na Alemanha - evento no qual, de resto, votara contra a opinião do marido, como explica na citada entrevista ao i: "Compreendeu, embora tenha ficado muito chateado, claro. O grupo que veio de Lisboa, éramos uns cinco, fomos portadores do voto de Salgado Zenha, do Magalhães Godinho e de outros... Julgávamos que não era bem a altura de formar o PS, devíamos esperar um bocadinho antes de tomar a decisão. Estávamos errados e Mário Soares estava certo, a história provou-o. Todos lhe demos razão a partir do momento em que surgiram movimentos que colocaram logo muita pressão em Marcelo Caetano." Um momento raro de dissenso naquilo que descreve como uma relação na qual teve "sempre a ideia de não fazer nada que o enervasse e o contrariasse", facto a que atribui a longevidade do enlace: "Temos uma relação excelente que é fruto dessa compreensão. (...) Quis acompanhá-lo sempre, acompanhá-lo mesmo nos momentos mais difíceis. Quis ser a companheira dele constante."

No pós-presidência, dirigirá a Cruz Vermelha portuguesa, saindo em 2003 em conflito com o então ministro da Defesa Paulo Portas; tendo criado a Fundação Pro Dignitate em 1993, é sua presidente na atualidade. Discreta, frugal na pose (e até na alimentação: há muito deixou de comer carne), fervorosa no catolicismo que, tardio, lhe veio com o acidente do filho João em 1989, costuma, contou a Leonor Xavier, dizer ao marido "Gosto de representar no palco e não na vida." O amor, confessou ao i, é sua palavra preferida, a que ecoa no poema de Sophia por si escolhido na trasladação da poetisa para o Panteão, Carta aos Amigos Mortos: "E eu vos peço por este amor cortado / Que vos lembreis de mim lá onde o amor / Já não pode morrer nem ser quebrado."

TEXTO: DR DIÁRIO DE NOTÍCIAS

terça-feira, 9 de junho de 2015

MARCHAS POPULARES AMARANTE 2015


Desde o ano passado que Amarante retomou as tradicionais Marchas Populares, outrora Marchas Luminosas, que decorrem, como habitualmente, no último dia de festa, domingo à noite.
A apresentação das Marchas foi feita no Largo do Campo da Feira, onde centenas de pessoas se sentaram nas bancadas montadas para o evento.
De seguida, apresenta-se um pequeno excerto do desfile, com algumas das freguesias participantes: Bustelo, Carvalho de Rei e Carneiro; Telões; Madalena, Cepelos e S.Gonçalo; Freixo; Gondar; Vila-Meã; Louredo; Vila-Chã; Ansiães e Padronelo.


Imagens obtidas a partir de câmara de telemóvel *(verifique se está a ver o vídeo em HD)
DR Ricardo Pinto

quinta-feira, 2 de abril de 2015

MANOEL DE OLIVEIRA

Manoel de Oliveira morreu esta quinta-feira, 2 de abril de 2015
Realizador mais velho do mundo em actividade, autor de trinta e duas longas-metragens , Manoel de Oliveira nasceu no seio de uma família da alta burguesia nortenha, com origens na pequena fidalguia, há 106 anos, a 11 de dezembro de 1908.



O que ensinou a vida a um homem centenário que atravessou o século XX? Que se nasce contra vontade e não se é senhor do seu destino. Que o mundo é incompreensível e que a dúvida deve ser a regra. Uma conversa de Pedro Mexia com o histórico realizador, publicada originalmente em 2013 e que o Expresso agora republica, no dia em que perdemos o mestre.


Este breve encontro deveu-se à generosidade de Manoel de Oliveira e dos seus filhos. O cineasta recebeu-nos na sua casa, no Porto, visivelmente debilitado, com dificuldades respiratórias e um discurso espaçado, às vezes incompleto. Mas Adelaide Trêpa disse-nos que o pai ficou bastante mais animado a conversar sobre cinema, ainda que o seu estado de saúde se tivesse agravado justamente nesse dia. Oliveira, que tinha estado internado em Julho, com uma insuficiência pulmonar, foi hospitalizado, com uma infecção bacteriana, no dia a seguir a esta entrevista, e, à data do fechado desta edição, ainda não regressou a casa.

No último ano, o mais velho cineasta em actividade estreou "O Gebo e a Sombra", lúgubre e oportuna reflexão sobre a miséria material e moral, e fez, para Guimarães - Capital Europeia da Cultura, a curta "O Conquistador Conquistado". Ao que soubemos, o projecto de filmar, no Brasil, "A Igreja do Diabo" (a partir de Machado de Assis) não terá seguimento, mas, segundo a família, o realizador não quer desistir de "O Velho do Restelo", com textos de Camões, Cervantes e Pascoaes. Interessado, afável, mas cansado, Oliveira começa por pedir que apaguem a televisão. E responde, atenta e pausadamente, a algumas perguntas. As respostas são aforísticas, pessimistas, às vezes enigmáticas. O realizador interroga a ontologia do cinema, defende o primado da dúvida face à certeza, e resiste, ainda e sempre, à incompreensão. 

O Expresso começou a publicar-se há 40 anos, e é espantoso pensarmos que há 40 anos o Manoel de Oliveira ainda só tinha dirigido duas longas de ficção. Embora isso não tenha acontecido por vontade própria, sente que ganhou alguma coisa em ter esperado tanto tempo?
O meu cinema tem um lado histórico, incluindo o "Aniki-Bobó" [1942], que se tornou um filme extraordinariamente popular. Mal principiado e bem acabado. (risos). 

Mas depois teve aquele longo hiato de trinta anos até "O Passado e o Presente" [1971]. 
Depois do "Aniki-Bobó" estive muito tempo parado, cerca de catorze anos, mas o cinema nunca esteve parado na minha cabeça.

Aliás, os seus projectos não-realizados são tantos ou mais do que os terminados.
São muitos. Mas eu digo que o meu cinema é de certo modo histórico porque o "Aniki-Bobó" representa um pouco a minha infância, e depois os filmes foram tomando um carácter mais histórico. A maior parte dos filmes era uma conversa histórica, evocavam factos históricos. E também me comecei a interessar pelo lado histórico do cinema. O cinema hoje é tido como movimento. Mas o movimento não existe.O que existe são as coisas a moverem-se no espaço. E isso ocupa tempo. Os Lumière, quando fizeram três vezes um filme sobre a saída dos operários das fábricas, quiseram fazer isso, imprimir movimento às figuras.

Além dessa noção da história do cinema, também está presente nos seus filmes o passado histórico, culminando na ousadíssima ideia de filmar a História de Portugal através das suas derrotas, no "Non" [1990]. Porquê essa visão da História como história das derrotas?
Camões põe o Velho do Restelo a dizer "cuidado com as vitórias, porque podem redundar em derrotas". E isso tem acontecido. Tudo o que gente faz é um prenúncio de derrota. Houve um filósofo que disse que a História acabou, porque agora se escrevem romances. E num filme histórico ninguém conta o que se passou exactamente como se passou.

A História é de certa forma uma ficção?
É uma ficção, e quanto menos sérios formos mais nos ilude a convicção de que estamos a fazer um filme histórico. [Mudando de assunto, ou talvez não]. No "Guerra e Paz", a certa altura, um nobre [o príncipe André] é ferido e sabe que vai morrer, e então pergunta "o que é a morte"? E depois olha em volta do quarto e encontra uma porta. E ele diz então: "Ah, é uma porta". E eu acho muito feliz. É uma porta, que tem uma saída, mas desconhece-se a entrada.

Além da História há outro tema central na sua obra, o dos amores frustrados. Porque é que na relação entre os homens e as mulheres também escolheu a frustração?
É a derrota. A vida é uma derrota. A gente vive na derrota. Nasce contra vontade, e não é senhor do seu destino. 

Falou na imagem da porta. Em alguns dos seus filmes, como "Acto da Primavera" [1963 ou "Benilde" [1975], interroga-se sobre o outro lado da porta. Pensa que há alguma coisa para lá da porta?
É uma dúvida. São Paulo dizia que se Cristo não ressuscitou toda a nossa fé é vã. A própria religião é duvidosa. Ninguém pode garantir que para lá da porta há isto ou aquilo. São Paulo, que é um dos grandes, escreve "o que eu digo é fruto do pensamento, mas o pensamento erra". Mesmo naquilo que parece concreto e plausível. [Esquece-se do que ia dizer]. A memória falha-me muitas vezes. Mas será que devemos confiar na nossa memória? (risos).

Um dos aspectos mais admiráveis do seu percurso é a persistência, a noção de que tinha um caminho a seguir, mesmo quando o público não o compreendia. E isso começou logo com a pateada a "Douro, Faina Fluvial" [1931], continuou com o facto de ter feito uma longa-metragem de tema religioso em pleno PREC ["Benilde"], e teve o apogeu com os ataques ao "Amor de Perdição" [1978], quando foi exibida a versão televisiva.
Eu fui criado numa família católica. E um amigo do meu avô, que era padre, foi visitar outro padre que estava moribundo numa cama de hospital e disse-lhe: "Ah, mas tu estás com óptimo aspecto". E ele respondeu-lhe: "Eu não me queixo do meu aspecto". Isso responde a muita coisa. O aspecto não é concludente. 

Mas a convicção de que o seu cinema era diferente ajudou-o a não desmoralizar?
Eu admiro os santos, muito mais do que os revolucionários.

Porquê?
Porque os santos jogam no abstracto.

Ao longo da sua carreira discutiu-se muito a que publico é que se dirigia. Quem é o seu público?
O meu público é aquele que vai ver os meus filmes. O cinema dá-nos uma visão da vida.E a vida é um mistério.

Propõe aos seus espectadores que estejam abertos ao enigma?
O mundo é complexo, incompreensível, talvez não tanto para quem tem uma crença nalguma coisa firme, mas para aqueles onde a dúvida prevalece. E o que proponho é a dúvida. A dúvida é uma maneira de ser.

E mantém a fé no cinema? Ou também tem dúvidas?
É a mesma coisa que termos fé na honra. O que é a honra? O que é um gesto honroso?

sábado, 28 de março de 2015

PATRÍCIA MATOS EM ENTREVISTA

PATRÍCIA MATOS CONDUZ, ATUALMENTE, O DIÁRIO DA MANHÃ NA TVI

1) Ribatejana de gema?
Sim, sou ribatejana, natural de Santa Margarida da Coutada, a Sta. Margarida do Campo Militar. Vivi lá até aos meus 12 anos. Depois mudei para o concelho de Abrantes. Como já é Médio Tejo, já não é uma paisagem composta apenas de planícies. Crescer ali foi maravilhoso, das melhores coisas que tive na vida. Lembro-me de correr os cabeços com o meu pai à procura de um pinheiro que servisse como árvore de Natal, do cheiro da terra molhada e dos regressos a casa depois da escola. Éramos poucos miúdos e eu sou filha única, era sempre uma festa. 

2) Com que idade aprende a ler ? Lembra-se da sua professora primária. Como era ela?
Não recordo a idade mas sei que aprendi a ler muito cedo. Lia bem, não me enganava, fazia bem as pontuações, os meus primos achavam o máximo e a minha mãe não se cansava de me gabar. Tive duas professoras, na primária. Uma delas, a Dna. Justina, já tinha sido professora dos meus pais. Rigorosa! A prof. Glória era também muito exigente. Tinham ambas imenso trabalho comigo… era danada para a conversa!


3) Qual a história de encantar que marcou a sua infância, porquê?
Nunca me deixei levar por histórias de encantar, a sério. Lembro-me que gostava muito do Peter Pan, mas acho que não se pode chamar uma história de encantar…! Aquela fantasia da Terra do Nunca fascinava-me muito. Acho que todos queremos a ‘nossa’ terra do nunca. Não um sítio onde sejamos sempre crianças… mas o nosso mundo. E era isso que me entusiasmava- um mundo, uma ‘terra’ como eu queria! 

4) Com que idade se apercebe que gostaria de ser jornalista? Sempre o quis ser? ou nem sempre esse era o seu sonho?
Quando era miúda queria ser professora de inglês. Comecei cedo a estudar a língua e estava convencida que tinha futuro! Depois cresci, descobri outras coisas. A minha mãe tinha um amigo locutor de rádio que me disse que tinha uma boa voz. Nem fiz caso. Rádio? Que disparate! O ‘disparate’ virou caso sério. Comecei a fazer rádio por carolice aos 12 anos, numa rádio local. Depois, só depois, surge a paixão pelo jornalismo. Sempre na rádio, fiz programas de autor e noticiários… até entrar na faculdade. Depois o tempo escasseou… e apareceu a televisão! 

5) Quem eram os seus jornalistas de referência durante a sua adolescência? Porquê?
Lembro-me do José Rodrigues dos Santos, da Judite de Sousa, do Mário Crespo, a Luísa Fernandes, a Paula Magalhães, o Carlos fino. A imagem, o rigor, deixavam-me nervosa e entusiasmada ao mesmo tempo. Mas eu era mais rádio… o fascínio das vozes: o Sena Santos, o Adelino Gomes e, noutra vertente, dois Antónios: o Macedo e o Sala. 

6) Onde se forma como jornalista?
Estudei no Instituto Politécnico de Portalegre, formei-me em Jornalismo e comunicação. Eu e mais uns quantos colegas provámos que é possível vingar no mundo profissional. Sem falsas modéstias. Lembro-me de alguém me perguntar se era ‘o Portalegre do Alentejo?’. Era, pois era. O curso deixou-nos muito preparados mas claro que só a prática nos dá tudo. Sentimo-nos muito orgulhosos por ter chegado a uma redacção e saber escrever uma notícia. Não temos poderes mágicos mas sabemos que a realidade é bem diferente. Ainda durante o curso estagiei na Antena 1 e TVI e passei por 2 empresas de comunicação. 

7) Qual foram os seus primeiros trabalhos no jornalismo?
Na rádio foram vários, não me lembro. Depois de terminar o estágio trabalhei numa empresa de comunicação que tinha vários projectos de publicações: saúde, desporto, académica. Como estive no desporto, na Antena 1, estava mais confortável na área. Depois, passei por outra agência de comunicação onde escrevi sobre saúde. Essa foi uma área em que trabalhei bastante na TVI. Sei que no meu 2º dia de estágio em Queluz fui para o aeroporto com o repórter de imagem, esperar o corpo de uma português morto no Brasil. Dramático. Agosto. Horas a fio. Sol insuportável. Resistimos! 

8) Lembra-se ainda do seu primeiro directo em TV. Que peça apresentou. Lembra-se?
Lembro. O 1º directo aconteceu exactamente um ano depois de ter entrado para a TVI pela primeira vez, nessa altura ainda enquanto estagiária. Foi um directo de um incêndio no Belas Clube de Campo. Foi no Jornal Nacional, ainda não havia TVI 24. Acho que não correu mal… No estúdio, foi no dia 28 de Fevereiro de 2009, o TVI Jornal, às 14h. 

9) Pivô ou repórter? Porquê?
Jornalista! Sempre! Enquanto jornalista preciso muito procurar, escrever e contar. Não faz sentido ficar só à espera que as notícias venham ter connosco para as comunicarmos. Faz sentido sermos nós a contá-las. E, de resto, um bom pivot é aquele que conhece a historia e a História. Que já esteve nos locais e sabe do que fala. E para isso é preciso trabalhar todos os dias. Informar e ser informado. Nada cai no colo. Não há sucesso sem trabalho. O estúdio dá-nos a postura que precisamos ter na rua, ensina-nos a ser disciplinados e mais formais. Hoje os pivots já são jornalistas e não vamos ser hipócritas: toda a gente sonha com o lugar de pivot. Eu também sonhava mas mais nunca pensei que fosse uma realidade tão próxima!! Tenho um amigo que diz ‘hei-de estar a passar a rua, de bengala, e os meus olhos vão andar à roda à procura de uma história’. Nada mais certo! 

10) Como foi dar a conhecer aos telespectadores a residência oficial do Presidente da República?
Foi um trabalho muito engraçado. Um formato diferente, que apresentámos no Diário da Manhã. Pessoalmente, já conhecia o Palácio de Belém mas foi uma visita muito particular e muito agradável! Encontramos sempre coisas novas! 

11) Lembra-se de alguma situação caricata em TV, que quando se recorda da-lhe vontade de rir, pelo acontecimento em si?
Várias… os realizadores esperam pelo final do jornal ou pela meteorologia para ‘aliviar um bocadinho’ e essas alturas são complicadas de gerir!! Eu consigo mas nem sempre é fácil, há toda uma equipa a rir e nós temos de aguentar! São períodos muito longos, a concentração é máxima e há sempre qualquer coisa que falha. Lembro-me de ter um editor a cantar os parabéns no meu auricular, durante o jornal, um assistente debaixo da mesa porque houve uma falha técnica, de ter trocado de camisa no meio do estúdio. 

12) Para si, o que é ser jornalista?
É levantar pedras, mexer em papéis, acordar pessoas, fazer perguntas incómodas e não esperar as respostas. É respirar fundo, dormir nos intervalos do trabalho. É superar-se todos os dias, procurar mais, fazer melhor e ir mais além para contar aquilo que as pessoas ainda não sabem. Ensinaram há muito tempo que, independentemente do interesse que representam, todas as histórias são dignas e merecem, por isso, ser bem contadas.
Acredito que ser jornalista é quase como ser mãe: não ter horas, estar sempre disponível, sempre à procura do melhor momento e ter sempre uma palavra preparada. Na crónica do 2º aniversário do jornal ‘i’, Hugo Gonçalves dizia que «não é a mesma coisa ser jornalista e ser electricista. (…) Ninguém percebe de fusíveis e no entanto toda a gente comenta notícias. Ser jornalista é mais que um ofício, é uma tirania que se escolhe.” Ser jornalista é difícil mas não trocava esta vida por nada!

13) 4 de Setembro de 2009. Que horas eram quando soube que seria a Patrícia a apresentar o Jornal Nacional de 6.ª, que até então tinha Manuela Moura Guedes na sua condução?
Nunca falei sobre este assunto. Já passaram quase 2 anos, já há algum distanciamento. Mas esta vai a ser a única vez. Sem me alongar… temos de recuar um dia. Soube no final do dia 3 de Setembro. 

14) Por quem soube que seria pivô nesse dia?
Fui convidada pela Manuela Moura Guedes. Perguntou-me se apresentava o jornal. Disse que sim. Fui convidada, não obrigada. Ao contrário do que se disse na altura.

15) Que misto de sensações a rodearam nesse momento e mais tarde às 20 horas em ponto, quando sabia que muitos portugueses queriam saber o que iria acontecer?
Aconteceu tanta coisa nesses dias que nem sei o que senti. Foi uma tarde muito complicada. Nervosismo, obviamente, e grande responsabilidade. O país inteiro estaria a ver o jornal naquele dia e a razão não era, naturalmente, por ser eu a apresentar.

16) Teve a oportunidade de falar com Manuela Moura Guedes após a apresentação do jornal? Em caso afirmativo, o que ela lhe disse?
Sim, falámos. A equipa do JN 6ªfeira estava à minha espera à porta do estúdio. A Manuela agradeceu o meu trabalho e eu agradeci o voto de confiança. 

17) Como vê o TVI 24 no mundo do jornalismo?
Como uma potência emergente, assim como uma economia poderosa! Conheço bem o canal, ajudei ao nascimento. Está a dar passos pequenos mas sólidos e isso é o mais importante. Saímos em último lugar: lutamos contra o hábito, a História mas não desistimos, nunca! 2011 vai ser o ano do TVI 24.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

“TERRA: PORTAL DE VIDA, PLANETA DO HOMEM” - LANÇAMENTO

J. EMANUEL QUEIRÓS 
Realizar-se-á amanhã, dia 19 de dezembro, pelas 21 horas, no auditório da sede do Agrupamento de
Freguesias de Amarante, (antiga Junta de Freguesia de São Gonçalo) sito na Rua Miguel Bombarda – Amarante, a apresentação da obra - «Terra: Portal de Vida, Planeta do Homem», de José Emanuel Queirós. A sessão contará com a participação do Prof. Doutor António Luis Crespí ,Director do Jardim Botânico da UTAD e autor do prefácio, tendo a seu cargo a apresentação do livro.
“Sem a pretensão de um trabalho académico, J. Emanuel Queirós contribuiu para a divulgação do conhecimento da Terra no encontro à sua própria expressão de Vida à escala planetária. O resultado vai na perspectiva de melhor podermos harmonizar a existência desfrutando do tempo presente sem comprometer o futuro reservado ao astro e à sua Humanidade”.

A BIRD divulga, em primeira mão, alguns dos excertos que poderá encontrar nesta mais recente obra do escritor amarantino.

A cada Primavera o grandioso cenário terrestre oferece-se renovado numa aparente repetição cíclica que se
eterniza, feito de paisagens erigidas num longo curso astronómico percorrido sem retorno, progressivo e irrepetível. (pp10)

Tudo o que existe teve uma causa e resultou de um começo irreprimível, em superação, transcendendo um particular estádio físico inicial. O planeta Terra, tal como o Sistema Solar e a Via Láctea, como parte integrante do Universo também teve a sua origem, muito remota, mas não há certeza absoluta como ocorreu. (pp16)

O esferóide terrestre é um minúsculo lugar em trânsito orbitando pelo Sol na imensidão do Universo. Aparenta constituir um insignificante endereço cosmonáutico esquecido na periferia da Via Láctea, improvável no seio do espaço vazio e desolado de que se faz o Cosmos, mas é pleno de dinamismo e fremente de vida. (pp 29)

Tanto quanto a incessante procura de conhecimento permite desvendar à compreensão humana, em síntese, a Terra é um planeta incomum, fervilhante de vida, flutuando iluminado e aquecido por uma estrela nas profundezas abissais da escura tela do Universo. (pp 34)

A Terra é um ventre uterino e uma maternidade do Cosmos. O planeta é um berço, lar e sustento para toda a sua vida biológica. (pp 36)

O homem parece encontrar-se no Mundo percorrendo uma via existencial impositiva, de sentido único, capacitando-se para dominar todas as adversidades exteriores a si mesmo, ora pelo recurso à força, ora ancorado no poder do intelecto. (pp 49)

O comportamento do homem e a conduta globalmente adoptada pela civilização deixaram de tomar uma perspectiva integrada tendendo a adequar as condições do meio ao seu mais imediato interesse, passando a ousar de uma aparente supremacia sobre toda a ordem natural estabelecida na Terra. (pp 74)

Nos tempos presentes tomamos parte de uma sociedade orientada pelo progresso científico-tecnológico construído sobre a contingência variável da fenomenologia do risco, como processo gerador de transformação e razão de conhecimento. No entanto, os nossos destinos individuais e colectivos estão circunscritos aos limites impostos por leis da Física expressas  globalmente na organicidade da Terra e, em particular, nas dinâmicas que a Natureza desenvolve e processa. (pp 77)

A Terra é um poderoso organismo astro-planetário,relativamente frágil e instável. Pleno de vida em evolução e de recursos finitos em decréscimo, o planeta é propenso a surpreender o curso da história pelo desencadeamento de dinâmicas naturais imprevisíveis. (pp 90)

A Terra reflecte sobre si todas as alterações que opera no ecossistema terrestre, marcas da instabilidade impulsionada pelo dinamismo astronómico processado no espaço sideral e no meio ambiental do planeta. (pp 103)

Construtores de um Mundo de sentido equívoco e testemunhas integralmente comprometidas com as suas imparáveis dinâmicas, em circunstância alguma deste ínterim poderemos permanecer acríticos, convencidos do sentido trilhado pelo homem para a Humanidade e do empreendimento civilizacional adicionado à nossa casa-Mãe Terra. (pp 109)


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

“AS FAMÍLIAS DOS ANIMAIS” NOVO LIVRO DE ANABELA BORGES EM REGISTO INFANTO-JUVENIL

«As famílias dos animais» por Anabela Borges

No passado sábado, dia 6 de dezembro, pelas 16h00, na Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, a escritora amarantina Anabela Borges apresentou ao público o livro de fábula em verso “AS FAMÍLIAS DOS ANIMAIS”, com a chancela da editora Lugar da Palavra.

O evento, inserido nas atividades do mês da biblioteca, contou com a participação dos alunos do Jardim de Infância e do Centro Escolar de Telões, do Agrupamento de Escolas Amadeo de Souza-Cardoso, e com a Hora do Conto dinamizada pela Catarina da equipa da biblioteca.

“Porque os animais fazem amigos, apaixonam-se e casam-se e cuidam dos seus filhos, como nós” é uma espécie de subtítulo, que encarna o espírito de família, de partilha e união que caracterizam a obra.

E como é apanágio das fábulas, este livro escrito em verso não poderia deixar de ser pleno de sentidos, transmitindo ensinamentos, valores éticos, morais, de cidadania e das mais altas democráticas atitudes e decisões. 

Anabela Borges explicou como nasceram as histórias: “Foi em 2012. Recebi um honroso convite para visitar a EB1 e Jardim de Infância da minha freguesia (a mesma escola onde todos nós, os quatro de casa, pai mãe e filhas, estudáramos), que, a bem dizer, fica-me a dois palmos de casa, no Dia Mundial da Criança. 

Decidi, nessa altura, escrever alguma coisa para elas. Assim nasceram as quatro primeiras das dez fábulas que agora se publicam. Muito do que lá está, recolhi junto das crianças. Elas são as mentoras deste livro, que levou dois anos em experiências, dois anos a ouvir as (re)ações das crianças, depois de algumas conversas sérias e muitas gargalhadas.”

Desde os mais pequeninos aos jovens de 80 anos, ninguém quis faltar à festa da bicharada, pois, afinal, como costuma referir a autora, fábulas são para todas as idades.

“Escrever para crianças é uma aventura sem fim.”, Anabela Borges

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

COMPRIMIDOS LITERÁRIOS PRESCRITOS POR ESCRITORA AMARANTINA

A escritora amarantina Anabela Borges é a convidada do mês (de Outubro) do projecto A BULA, no qual participa com textos da sua autoria.

A BULA é um desdobrável com tamanho A7 que depois de completamente aberto tem a forma A4. Deverá ser mantida ao alcance e à vista das crianças e adultos e lida sempre de acordo com as indicações de cada autor. O titular da Autorização de Introdução no Mercado e Fabricante é o Correio do Porto.

De salientar, também, que a autora das ilustrações é a sua filha, estudante de Artes na Escola Secundária de Amarante, tratando-se, assim, de um projecto em família.

A BULA está a ser distribuída em papel por vários locais de Amarante, assim como por Bibliotecas Municipais e escolas limítrofes. Qualquer pessoa pode ter acesso a este  projecto do Jornal Correio do Porto, bastando, para isso, imprimir A BULA.

Clique na imagem para ter acesso à prescrição 


quinta-feira, 17 de julho de 2014

A ESCRITORA AMARANTINA ANABELA BORGES APRESENTA O CONTO “A GAITA DO AMOLADOR”

ANABELA BORGES
DR
O Porto em estórias, memórias, imagens e poemas. O casario, a Ribeira, as varandas, as vizinhas. O aeroporto, a estação de S. Bento, as lojas tradicionais e as livrarias, os escritores do Porto. As artes e os ofícios, o amolador, as carquejeiras, o Fêquêpê. As gentes, os artistas, os cromos, os bacôcos e as polidoras de esquinas. O Duque, os namorados, os ambientes. A Baixa, os arredores, as lendas. Os moletes, os nabos e os cámones. O S. João, os rabelos, o Douro. O sentimento tripeiro, as estórias da nossa história.

Estas são algumas das temáticas abordadas na coletânea “Lugares e Palavras do Porto”, organizada pelo escritor e editor João Carlos Brito, com a participação de Anabela Borges, com o conto “A Gaita do Amolador”.

NA APRESENTAÇÃO DA OBRA
DR
E, porque uma das marcas dos portuenses é o seu linguajar, o Dicionário de PORTOguês dá a conhecer mais de 2500 palavras e expressões da gíria e do calão do Porto, naquela que é a maior e mais completa recolha de sempre.

A apresentação decorreu no passado dia 12 de julho, pelas 21:30, no centenário Café Progresso, no Porto.
O conto de Anabela Borges nasceu da memória auditiva, dos tons graves a agudos, mais ou menos desafinados, do inconfundível som da gaita do amolador. Essa memória, que, diz, irá acompanhá-la para sempre, vem do início da década de 90, de quando estudou no Porto, e morou na Rua Miguel Bombarda, e o som da gaita do amolador enchia a rua toda, anunciando a chuva e os dias frios. 

Anabela Borges tem uma costela tripeira, pois nutre um grande amor pelo Porto, terra-natal da sua mãe. 
O livro já se encontra disponível nas livrarias.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

LUGARES E PALAVRAS DO PORTO - LANÇAMENTO A 12 DE JULHO NO PORTO, CAFÉ PROGRESSO

Lugares e Palavras do Porto


A escritora  Anabela Borges  prepara-se para o lançamento de mais uma obra.


Depois do lançamento de «Até Ser Primavera», a escritora amarantina é co-autora da obra «Lugares e Palavras do Porto - A cidade em contos, memórias, imagens e poemas».


A cronista da Bird Magazine lança o convite aos seus leitores para a apresentação da obra, que inclui o maior e mais completo dicionário de português:


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

«ATÉ SER PRIMAVERA», PRÉMIO LITERÁRIO ATRIBUÍDO A ANABELA BORGES



Convite de lançamento em Lisboa - sábado, 25 de janeiro

Até ser Primavera
Contos



ANABELA BORGES

Sinopse


Primeiro livro da inteira autoria de Anabela Borges, “Até ser Primavera” surge como uma antologia de dez contos onde impera o desespero da condição humana, a dar lugar à esperança na primavera da vida. 
Até que ponto as coisas mais simples podem fazer alguém voltar a agarrar-se à vida, ou os mistérios inexplicáveis levam a desistir dela? Como se faz da intriga um modo de vida, ou se vive na cegueira de não ver o que está mesmo à nossa frente? Como justificar um aborto voluntário, ou viver com alguém que te faz a vida num inferno, como aguentar a perda daqueles que mais amamos, ou entender a saudade arrebatadora no fado do amor, como perdoar, ou gerir arrependimentos? São histórias que, há muito, te acordam o sono, te preenchem as memórias e te povoam os dias inquietos, para ler e refletir. Vale a pena acreditar na primavera da vida.
Este livro surge como o resultado da atribuição do prémio melhor conto da coletânea Ocultos Buracos, da Pastelaria Studios Editora, e inclui o conto vencedor.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

NOMEAÇÕES PARA O GLOBOS DE OURO JÁ SÃO CONHECIDAS


Golden Globe Awords
D.R.
Os nomeados para os Globos de Ouro de 2014 foram revelados esta quinta-feira, dia 12 de dezembro. «12 Anos de Escravidão» e «Galopada Americana» dominam a temporada de prémios que se aproxima, nas categorias de cinema com sete nomeações, cada.

CINEMA

MELHOR FILME (DRAMA)
12 Years a Slave

Captain Phillips

Gravity

Philomena

Rush

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

BEYONCÉ DE REGRESSO MARCADO A PORTUGAL

Artista norte-americana, Beyoncé
D.R.: Google imagens
A cantora norte-americana, Beyoncé, volta a atuar em Portugal. Os concertos estão marcados para os dias 26 e 27 de março, na Meo Arena, em Lisboa.
Está vai ser a terceira vez que Beyoncé atua em Portugal. Os concertos  surgem no seguimento da sua digressão: Mrs.Carter Show World Tour 2013.
A notícia que revela a presença da cantora em solo lusitano surge a par da notícia que promete o lançamento do seu quinto álbum de originais para 2014.
A artista com mais nomeações para os Grammy Awards (ao lado de Dolly Parton) já venceu 17 e foi recentemente nomeada para mais um, em conjunto com Jay Z. Na categoria de melhor colaboração de rap, coma  música “PartTwo, On the run”.
Os bilhetes para os concertos serão colocados à venda no domingo, dia 15 de dezembro, às 10:00 horas, com os preços a variarem entre os 42 e os 85 euros.