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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CELEBRAR O NATAL É UM DIREITO

ANABELA BORGES
Aproxima-se o Natal.
A quadra festiva, para mim – que faço parte do grupo de pessoas que adora o Natal –, representa, acima de tudo ESPERANÇA. Não consigo entender a ideia de muitas pessoas, a quem não falta nada, de dizerem – à boca cheia – que detestam o Natal; que-assim-que-assado-que-mais-isto-e-mais-aquilo. Com argumentos que lhes enchem as bocas de embaraços, como se foram insectos a entupi-las e elas a cuspi-los, aos engasgos. Não entendo, usem os argumentos que usarem. Falam de barriga cheia, literalmente.
Natal só é tempo de hipocrisia se fizerem dele um tempo hipócrita. Muitos dos que dizem que o detestam, também estão a ser hipócritas. E bem podiam esses juntar-se, em fila, no presépio, a engrossar a carneirada do pastor, pois, se acham que estão a ser diferentes, estão – única e simplesmente – a copiar outros, que se julgam diferentes. Isto que aqui digo é confuso e não é para perceber. E não faz diferença, porque não presta para nada. Pessoas assim não prestam para nada.
Já, de outro modo, entendo que uma pessoa que nunca teve direito a um verdadeiro Natal – em união, alegria, partilha – deteste o Natal. Essa pessoa, de facto, não tem motivos para gostar do Natal. Mas pode ser que a vida ainda lhe proporcione um. E então – a esperança – essa pessoa poderá, ainda, vir a descobrir o que é verdadeiramente o Natal, e não terá motivos para odiá-lo mais.
     
Daí que mantenho a opinião de que todo o ser humano, independentemente da sua cor, nacionalidade ou crença, deveria ter direito a pelo menos um dia de Natal por ano.
Seja, com isso, um dia de luz, união, alegria, calor, partilha – ESPERANÇA.
 
Conto: «O NATAL DE ANNE FRANK»
É isso que procuro mostrar no meu conto “O Natal de Anne Frank”.

«Outro Natal.
“SEXTA-FEIRA, 24 DE DEZEMBRO DE 1943
[…] Estamos presos nesta casa como leprosos, o que é principalmente difícil durante o Inverno e nos feriados do Natal e do Ano Novo.
[…]
Sexta-feira à noite, pela primeira vez, na minha vida, recebi um presente de Natal. […] Miep fez um bolo delicioso, com as palavras «Paz 1944» escritas em cima, e Bep contribuiu com uma fornada de biscoitos à altura de um dos melhores padrões do pré-guerra.

O Dia D: também Anne soube do “Dia D”, pela rádio, e isso não a libertou…

1944-1945. Auschwitz e Bergen-Belsen. O último Natal de Anne.
Anne tem 15 anos. Apesar de viver “mergulhada”, “No topo do mundo, nas profundezas do desespero”*, continua a procurar formas de ser feliz.
[…]
O historiador do Holocausto Yehuda Bauer lança três novos mandamentos, a serem tomados como lição: “Não serás um criminoso; Não serás uma vítima; Não serás um espectador”.
Se é a vida tão frágil, no regerem-se os homens pelas contas do calendário, então devia cada um, independentemente da religião ou do lugar onde nasceu, ter direito a pelo menos um dia de Natal por ano. Uma noite de luz, de calor, de alegria, de esperança.
Anne Frank também nos ensinou isso»**.

Sejamos nós esse Natal.

Notas:
*Uma frase famosa de Goethe.
Citações do livro “Diário de Anne Frank”, escrito por Annelies Marie Frank.


**Excertos do conto de Anabela Borges, da colectânea LUGARES E PALAVRAS DE NATAL 2015, da editora Lugar da Palavra.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O MAL TORNOU-SE BANAL?

GABRIEL VILAS BOAS
Há poucas horas, folheando um jornal fui abalroado por esta notícia: “Em 2014 havia 35 milhões de escravos no mundo; Índia, China e Rússia lideram o ranking”.

Li com atenção o corpo da notícia e levei mais uns quantos socos na minha alegria quotidiana. Tudo me parecia tão monstruoso quanto irrealista e absurdo, considerando o grau de desenvolvimento humano atingido em grande parte do planeta.

Só num ano (2014), o número da ignomínia cresceu seis milhões de seres humanos. Não consigo digerir tais factos, mas não é por isso que eles deixam de existir. Olho e volta a olhar para a notícia. Simples, fria, por ela abaixo escorria todo a banalidade do mal de que falava Hannah Arendt. E parece bem mais difícil lutar contra a banalidade do mal do que contra a própria maldade. A indiferença perante a injustiça absoluta ou a indignidade total é mortífera porque destrói o ânimo das vítimas.

Pego outra vez no jornal, procuro os donos do inferno e encontro potências económicas como a Rússia, a China e a Índia. Não consigo ganhar asco aos seus cidadãos nem me revolta a sua inação, pois conheço como há décadas são subjugados por tiranias e ditaduras. Ainda que continue chocado, ainda que me pergunte vezes sem como “Como é possível?!”, a História do século XX ensinou-me que Direitos Humanos foi um conceito banido do dicionário dos governos chinês, indiano e russo.

Não, não acho que a absurda ansiedade de poder e riqueza explique o que quer que seja, nesta atitude animalesca de fazer um semelhante escravo. Também não penso que os russos, os chineses ou os indianos sejam o pior que a humanidade tem para mostrar. O problema é mesmo da cultura e mentalidade política dos sucessivos governos destes países. Não sei se alguma vez mudarão o suficiente, mas pressinto que será um trabalho enorme no conteúdo e no tempo.

No entanto, o que mais me abale é pensar que todos os dias fazemos negócios com eles, que andamos a suspirar pelas encomendas dos russos, pelos negócios com os chineses, pelas calças de ganga produzidas na Índia. Sim, somos nós, os portugueses, os franceses, os ingleses, os dinamarqueses, os belgas, os italianos, os alemães que nos declaramos ao lado da liberdade e da democracia, que apertamos a mão que agrilhoa seres humanos e os escraviza vinte e quatro horas por dia.

Acho que sempre soubemos que eles faziam isso. Antes faziam-no com os próprios compatriotas, hoje fazem-no com emigrantes. A maldade é a mesma ou até pior, mas nós começámos por fingir que não víamos. E fingimos tão convictamente que hoje nenhuma notícia, por mais cruel que seja, nos perturba. Por vezes, tenho a sensação que a civilização ocidental é uma fraude, um simulacro de humanidade.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

PODERIA SER NATAL...

HELDER BARROS
Estamos a chegar a uma época onde se abordam muito os conceitos ligados ao amor, amizade, harmonia, paz, união, família… mas, a verdade fica sempre bem, não tem tempo, nem hora marcada, o seu valor reside na sua perenidade, na sua constância, consistência e verosimilhança.

No inicio deste século, em plena euforia dos SMS e das redes sociais, não faltaram putativos amigos que nos enviavam mensagens marcadas por esses valores fraternalistas e de apelo aos mais altos valores humanistas. Chegou a ser de tal forma impactante o fenómeno, que era de comércio que se tratava, mormente, para as operadoras de telecomunicações, o fluxo de mensagens chegava a atingir valores de entropia críticos do sistema de telecomunicações.

Vem isto a propósito acerca de um trabalho que realizei com a minha direção de turma, décimo ano, sobre os vários tipos de grupos de pessoas a quem consideramos amigos. Depois de uma rápida abordagem ao tema com os alunos, rapidamente, chegamos à conclusão que para os estes há quatro tipos de grupos de amigos: amigos verdadeiros (manos); amigos na família; amigos na escola/turma e amigos no facebook. Amigos do facebook, sempre na ordem das centenas, que englobam: conhecidos, desconhecidos, amigos, familiares, colegas, etc.. Amigos verdadeiros que vão das unidades, até às dezenas, no máximo; amigos da turma que vão da meia dúzia à dúzia, num universo de três dezenas. Amigos na família que, pasme-se, vão das unidades, quando muito até às dezenas.

Tudo isto vem desconstruir o tradicional conceito de família, cujas virtudes tanto se aventam nesta quadra de hipocrisia reinante. Os elementos das famílias já não são amigos entre si, não se constituindo os nossos maiores amigos. Um simples processo de herança destrói a harmonia duma família, os filhos não se entendem como os pais, os pais abandonam os avós em hospitais…os irmãos não se entendem, cada um tenta sobreviver por si, quais projetos individuais de vida.

Cumprimenta-se o vizinho entoando um “bom dia”, “boa tarde”, ou “boa noite”, quase maquinalmente, sem o olhar nos olhos, num gesto de indiferença pior que, a omissão da saudação. Nos prédios, não se conhecem os vizinhos da porta da frente, nas moradias unifamiliares, autênticos fortes vigiados da nossa individualidade, fechamo-nos todos na nossa muito prezada intimidade, nada de tempo para os outros, nada de partilhas…

E depois há aqueles tipos de seres humanos que passam ou que passaram pela nossa vida, pouco nos acrescentando no plano pessoal, aquele que releva as relações pessoais e do Ser. Pessoas dissimuladas que, num dado período da nossa vida, se aproximam como vampiros e nos sugam, não raras vezes, o melhor de nós; pormenores roubados das nossas partilhas, mas que não se desenvolveram mais com a mesma, foram truncadas. No processo de troca de ideias, afetos, bens terrenos ou obras; só nos subtraíram… oportunamente, de forma manhosa e ardilosa, mas sempre com a veste de anjos, de melhores amigos, como aqueles que eram os tais, com que poderíamos contar sempre, para a eternidade e em tudo.

Pode-se considerar injusto, mas uma coisa é certa: a vida corre quase sempre bem para estes vermes, cuja espinha dorsal é muito pouco desenvolvida… trata-se de seres rasteiros que escavam cada vez mais fundo, no sentido de sugarem cada vez mais, ao substrato da nossa existência.

Quais lobos com pele de cordeiro, usam sempre uma máscara de simpatia, simulam falsos consensos, procuram com a sua postura dissimulada de pacificadores e que congregam as ideias das diferentes pessoas, tentando sempre, no entanto, fazer com que a sua vontade prevaleça, sem que os outros se apercebam do falso engodo; muitas vezes servem-nos as suas frases até em bandejas de prata.

Numa sociedade em que a Família e a fraternidade passaram indiscutivelmente de moda, quem se poderá espantar com um Mundo, em que aderir a seitas religiosas e a grupos de terroristas, mesmo que sejam extremistas; aparece inopinadamente um desígnio de vida em nome de Deus, matar em nome de Dele, eis a grande contradição destes novos tempos, em que sobrevivemos na nossa individualidade bem vincada, pensando que estes perigos não nos atingem, pois vivemos no nosso refugio, sozinhos em multidões de anónimos, criando monstros que rezam várias vezes ao dia, quais seres medievos.

Quem lida com jovens diariamente, não deverá ficar preocupado com o nível de alienamento sobre o mundo que os rodeia, a que estes se votam?... Num registo bem próximo da realidade virtual, permanecem imersos em jogos online, muito realistas, como frequentemente referem, ou em redes sociais em que não existe socialização, ou assistindo a programas de televisão em que se simulam vidas reais, mas que são virtuais… o que poderemos esperar de jovens que passam a vida a matar de forma virtual, cujo grande objetivo dos seus dias, é passar de nível em jogos virtuais, individualistas e violentos, sozinhos nos seus quartos, mas em rede, imersos em grupos de pessoas tão sós como eles.

Não é de admirar que alguns jovens se juntem ao estado islâmico, pois quando alguém não é enformado com os valores e vivências essenciais a uma sociedade equilibrada, só poderá resultar em asneira. Mas a culpa não poderá ser assacada apenas à juventude, seria cobardia da nossa parte, uma autêntica fuga para a frente: as novas gerações são fruto das anteriores…

Mas estamos no Natal, uma quadra em que toda a gente vai encher os centros comerciais dos homens, a facturação vai ser boa. Recorde-se que John Lennon , o tal que se considerava mais famoso que Jesus Cristo, escreveu um dia numa canção, das muitas e de grande qualidade que nos legou: “So this is Christmas/And what have you done?/Another year over/And a new one just begun”. Também ele neste verso começava a duvidar do Natal dos Homens…

Mas façamos de conta, Bom Natal para todos, vampiros incluídos, outro Natal vai passar, as guerras vão continuar, a hipocrisia reinante vai-se fortalecer, serão vendidos milhares de produtos e ficará por se realizar, mais uma vez, o verdadeiro Natal, festa do nascimento daquele Menino numa manjedoura… e sim, também não acredito nessa figura bizarra, o Pai Natal, um homem vestido de vermelho com umas barbas brancas de algodão, inventado pela Coca-Cola, ou pela Disney; quero acreditar cada vez mais em Jesus! Bom Natal aos Homens de boa vontade e aos outros também… mas com menos hipocrisia, sem máscaras que não é Carnaval.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

JURAMENTO DE HIPÓCRATES

REGINA SARDOEIRA
A 6 de Dezembro de 2015, quinhentos e sete novos médicos fizeram o Juramento de Hipócrates.
Para quem não sabe, Hipócrates (ou Ἱπποκράτης) é considerado o pai da medicina. 
Nascido numa ilha grega, os dados sobre a sua vida são incertos ou pouco fidedignos. Parece ser verdade, no entanto, que viajou pela Grécia e que esteve no Próximo Oriente.

Nas obras hipocráticas há uma série de descrições clínicas pelas quais se podem diagnosticar doenças, tais como a malária, a papeira, a pneumonia e a tuberculose. Para o sábio grego, muitas epidemias relacionavam-se com factores climáticos, raciais, dietéticos e com o meio onde as pessoas viviam. Muitos dos seus comentários nos Aforismos são ainda hoje válidos. Os seus escritos sobre anatomia contêm descrições claras, tanto sobre instrumentos de dissecação, quanto sobre procedimentos práticos.

E os médicos iniciados juraram, em conjunto, o seguinte:

“Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade. 
Darei aos meus Mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.
Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.
A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.
Mesmo após a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado.
Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica.
Os meus Colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente.
Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.
Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra.”

Uma grande confiança no ser humano, vinda do eco destas palavras, nasceu em mim. E no entanto, qualquer uma destas promessas, firmadas numa jura solene e pública, testemunhada por várias centenas de pessoas, para além de cada um deles próprios, os médicos, individualmente considerados, e os colegas, ali presentes e em juramento, tal como eles, não será fácil de cumprir.

«Consagrar a vida ao serviço da Humanidade».

Somos Humanidade e deveria ser prática comum de todos nós, consagrarmos a nossa vida a nós mesmos e à nossa condição. E contudo muitas vezes afundamo-nos no egoísmo e no preconceito, retirando ao outro a nossa consideração. Mas os médicos, não somente estes que agora iniciam a sua carreira, mas todos os outros que um dia proclamaram um juramento idêntico, ficam vinculados, pela sua honra, a esta gigantesca tarefa. Não será um pouco excessivo que os médicos devam fazer semelhante juramento, pelo qual se comprometem, em nome de todos, no foro individual e também social, enquanto os outros alijam de si tal responsabilidade?

Creio que os jovens médicos, ontem reunidos na Casa da Música, no Porto, e em clima de festa, sentiram as palavras do Juramento e que, após seis anos de trabalho árduo, desejam firmemente estar à altura. Senti nas posturas que presenciei, no longo desfile pelo palco da sala Guilhermina Suggia, onde, um a um, receberam o documento que lhes permitirá exercer a sua missão, um grande sentido de responsabilidade, um porte sereno, mas decidido. Apesar disso, não pude deixar de pensar: "E depois? Passado este limiar, junto à porta de uma tremenda aventura existencial, presos ao juramento que lhes exige a " consagração da vida ao serviço da Humanidade", ter como "primeira preocupação a saúde do doente", guardar respeito absoluto pela vida humana desde o seu início, mesmo sob ameaça " (...), imersos num dia a dia trepidante, sujeitos a más condições de trabalho e mesmo à sobrecarga horária, tiranizados por chefes eventualmente já esquecidos do seu próprio juramento ou mentores pouco atentos às necessidades de jovens, deste modo lançados da esmagadora teoria para uma prática desmesurada, não acabarão desesperados, não chegarão a soçobrar? "

A medicina é uma arte, diz o juramento de Hipócrates. Justamente, a cerimónia decorreu numa casa da arte (e a música é, pelo seu carácter etéreo, abstracto, matemático, a essência de todas as artes), foi antecedida por um concerto de piano, cujos protagonistas - para além de Pedro Burmester, o executante - foram, por esta ordem, Bach, Mozart e Beethoven, e na sua intervenção o Bastonário da Ordem dos Médicos, comparou a Medicina à Música, realçando o carácter ético, mas também estético do magistério médico. Esta ênfase posta na plenitude que a arte configura, coroada, no concerto, pelas ondas altissonantes da sonata n° 14, opus 27 ( ou Ao Luar) , de Beethoven, esse gigante ou semideus, a compor, em surdez absoluta, melodias sublimes, revelaria, se tais meandros da iniciação à arte médica fossem do conhecimento de todos, o significado intrínseco do que é, verdadeiramente, ser médico. 

Poder-se-á ousar sê-lo apenas porque a sociedade, pelo menos a nossa, decretou que é um curso "com saída" ou porque uma enorme capacidade de trabalho possibilitou ao candidato as classificações requeridas pelos numerus clausus? Poder-se-á, porventura, supor que ser médico é aceder a um elevado estatuto económico-social, assim, num passe de mágica? 

Ler e ouvir o Juramento de Hipócrates, meditar nas palavras ancestrais do Pai da Medicina e tentar perceber o que faz o mundo brutal em que vivemos e um sistema de saúde decadente e elitista desses jovens sérios e respeitáveis que, desse modo solene, prometeram honrar a sua arte, é entrar a fundo no atoleiro a que o homem conduziu a Humanidade a que pertence. 

Quero acreditar na Humanidade e gostar dos Homens. Quero olhar os jovens e ter esperança num mundo melhor, feito pela vontade dos seus espíritos ainda incólumes, onde os valores, outorgados por nós, sejam o norte da vida de todos. Mas, a seguir, contemplo a realidade, vejo como se pervertem os ideais e como o jovem amadurece e endurece na selva monstruosa onde quotidianamente esbarra e onde precisa de se defender. Não sei porque havemos de viver prevenidos uns contra os outros, individual e colectivamente, porque havemos de nos olhar desconfiados e com a agressividade ou o tédio à flor da pele. Mas é este o leitmotiv da Humanidade e é por essa razão que a cerimónia sublime do Juramento de Hipócrates a que tive o privilégio de assistir, me extasiou, tanto quanto me encheu de sentimentos de profunda apreensão.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

PRÉMIO PESSOA 2013 ATRIBUÍDO A MARIA MOTA

Maria Mota tem desenvolvido investigação fundamental com vista a esclarecer os mecanismos pelos quais o parasita da malária se desenvolve no hospedeiro humano.
DR
No ano do 125.º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa, Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa e especialista da malária, é a vencedora do Prémio Pessoa. A escolha para 2013 foi anunciada esta sexta-feira no Palácio de Seteais, em Sintra, por Francisco Pinto Balsemão, que preside ao júri do prémio.
O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros e que vai na 27ª edição, é atribuído anualmente a uma personalidade que “tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país”.
Maria Mota nasceu no Porto em abril de 1971, licenciou-se em Biologia pela Universidade do Porto, fez o Mestrado em Imunologia na mesma universidade e doutorou-se em Parasitologia Molecular no University College de Londres, lê-se na acta da reunião do júri.
O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.
O júri de 2013, presidido por Pinto Balsemão, presidente do conselho de administração da Impresa (proprietária do  Expresso), inclui personalidades como o sociólogo António Barreto, a jornalista Clara Ferreira Alves, o arquitecto Eduardo Souto de Moura, a bióloga Maria de Sousa, o médico João Lobo Antunes, o ex-presidente da República Mário Soares, o musicólogo Rui Vieira Nery e o filósofo Viriato Soromenho Marques.
Fonte: Público

NOMEAÇÕES PARA O GLOBOS DE OURO JÁ SÃO CONHECIDAS


Golden Globe Awords
D.R.
Os nomeados para os Globos de Ouro de 2014 foram revelados esta quinta-feira, dia 12 de dezembro. «12 Anos de Escravidão» e «Galopada Americana» dominam a temporada de prémios que se aproxima, nas categorias de cinema com sete nomeações, cada.

CINEMA

MELHOR FILME (DRAMA)
12 Years a Slave

Captain Phillips

Gravity

Philomena

Rush

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

BEYONCÉ DE REGRESSO MARCADO A PORTUGAL

Artista norte-americana, Beyoncé
D.R.: Google imagens
A cantora norte-americana, Beyoncé, volta a atuar em Portugal. Os concertos estão marcados para os dias 26 e 27 de março, na Meo Arena, em Lisboa.
Está vai ser a terceira vez que Beyoncé atua em Portugal. Os concertos  surgem no seguimento da sua digressão: Mrs.Carter Show World Tour 2013.
A notícia que revela a presença da cantora em solo lusitano surge a par da notícia que promete o lançamento do seu quinto álbum de originais para 2014.
A artista com mais nomeações para os Grammy Awards (ao lado de Dolly Parton) já venceu 17 e foi recentemente nomeada para mais um, em conjunto com Jay Z. Na categoria de melhor colaboração de rap, coma  música “PartTwo, On the run”.
Os bilhetes para os concertos serão colocados à venda no domingo, dia 15 de dezembro, às 10:00 horas, com os preços a variarem entre os 42 e os 85 euros.




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ENTREGA MEDALHA DE OURO À AR COMO FORMA DE PROTESTO

José António Pinto no seu discurso
DR

José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã, no Porto, foi um dos homenageados no âmbito do Prémio Direitos Humanos, anualmente entregue pela Assembleia da República, tendo aproveitado para dedicar a medalha de ouro dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aos seus utentes e aos seus pobres.
Perante uma plateia de várias dezenas de pessoas, entre a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o júri do prémio e vários deputados, o assistente social disse estar disposto a trocar aquela medalha de ouro por outro desenvolvimento económico: “Deixo ficar esta medalha no Parlamento se os senhores deputados me prometerem que, futuramente, as leis aprovadas nesta casa não vão causar mais estragos na vida daqueles que, por terem deixado de dar lucro, são hoje considerados descartáveis”, disse o homenageado.

Fortemente aplaudido, aproveitou ainda para lembrar que enquanto falava, “mais de 120 mil pessoas deixaram já Portugal, cerca de meio milhão de crianças perdeu o abono de família, 140 mil jovens estão desempregados e a maior parte dos idosos recebem uma reforma miserável”. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

FINALISTAS DA BOLA DE OURO

Ribéry (esq.) Ronaldo (centro) e Messi (dt.)
DR

O português Cristiano Ronaldo integra o pódio pela 6.ª vez em sete anos, ele que venceu em 2008 e, é esta época um dos favoritos a cobiçar o mais importante prémio individual no mundo do futebol. 
Os outros dois finalistas são Lionel Messi e Franck Ribéry. Messi venceu as últimas quatro bolas de ouro, já o francês vêm à procura da primeira. 
Como em temporadas anteriores, a votação para a Bola de Ouro ficou envolta de polémicas: primeiro as declarações do Presidente da FIFA, Joseph Blatter, numa palestra da universidade de Oxford. Depois, a surpreendente decisão da FIFA, que voltou a abrir a votação para o prémio na semana dos playoffs de acesso ao Mundial do Brasil, dando a possibilidade a quem já tinha votado de alterar a sua escolha. 
O vencedor da Bola de Ouro vai ser anunciado numa gala em Zurique, na Suíça, no dia 13 de janeiro.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

QUE A SUA LUTA FIQUE

Nelson Mandela morre aos 95 anos
DR
O líder da luta anti-apartheid deixou hoje a saudade em todos os que nele viam mais do que um homem, a liberdade personificada. 
O primeiro presidente negro da África do Sul tinha 95 anos e morreu esta quinta-feira, anunciou o presidente sul-africano. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

RESULTADOS DO PISA COLOCAM PORTUGAL LIGEIRAMENTE ABAIXO DA MÉDIA

Relatório do PISA 2012 intitulado: What 15-year-olds Know and what they can do with what they know
D.R.: OCDE

De três em três anos a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) avalia o estado da literacia dos alunos de 15 anos, em três áreas-chave : Ciências, Matemática e Leitura. Os últimos resultados desta avaliação foram divulgados ontem, dia 03 de dezembro, e trazem boas notícias para Portugal.
No ranking dos melhores resultados da OCDE, o primeiro lugar pertence à Coreia (554 pontos), o segundo ao Japão (536) e o terceiro à Suíça (531). Portugal está em 23.º, com 487 pontos, e aproximou-se da média da OCDE (fica a sete pontos desta quando, em 2009, estava a nove).
A OCDE refere que Portugal é um dos países que conseguiram, simultaneamente, duas coisas: reduzir o universo dos alunos que se saem muito mal neste tipo de testes de literacia e aumentar o número dos jovens que se destacam muito pelo positiva (os chamados “top performers”).
No total, foram avaliados 510 mil alunos dos 28 milhões de jovens de 15 anos que frequentam as escolas dos 65 países analisados. Só em Portugal participaram 5700.
O principal objetivo do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é: avaliar a forma como os alunos de 15 anos aplicam conhecimentos e competências de Matemática, Leitura e Ciências quando identificam, interpretam e resolvem problemas que os colocam perante situações da “vida real”.
No relatório a OCDE faz uma leitura dos dados a longo prazo. Na matemática, os resultados dos alunos lusos deram um salto entre 2006 e 2009, mas três anos depois estagnaram, nos 487 pontos. Na leitura, repete-se o padrão, com a nota do ano passado a fixar-se nos 488 pontos (apenas menos um do que no triénio anterior).
Nas ciências as notas baixaram quatro pontos, para 489. A nota média dos países da OCDE é de 494 (matemática), 496 (leitura) e 501 (ciências).