sábado, 14 de outubro de 2017

OSTEOPOROSE

ANTONIETA DIAS
A osteoporose é uma doença caracterizada por uma perda da massa óssea, que determina uma diminuição da absorção de minerais e de cálcio, sendo uma causa comum de fraturas espontâneas e de quedas frequentes nos idosos.

Na maior parte dos casos está associada aos fatores de envelhecimento, à redução de massa mineral óssea e às alterações da microestrutura óssea.
Todavia, esta doença pode surgir em qualquer faixa etária.

É mais frequente nas mulheres, estimando-se que três em cada quatro vem a sofrer desta patologia.

A menopausa é um dos fatores mais importantes para o aparecimento desta doença devido à perda ou diminuição da hormona feminina-estrogénio.

Trata-se de uma doença que evolui de forma silenciosa, sendo diagnosticada muitas vezes apenas quando surge uma complicação como por exemplo no decurso de uma fratura do colo do fémur.

As fraturas osteoporóticas podem atingir outros setores corporais designadamente na coluna vertebral e no punho.

Representa a segunda causa de doença a nível mundial provocando numa grande parte dos casos uma enorme incapacidade, obrigando muitas vezes os familiares a recorrerem à institucionalização dos doentes, devido à dificuldade de apoio familiar pela sobrecarga e pelo grau de dependência de terceiros que origina nos pacientes.
É o segundo maior problema de saúde mundial, surgindo logo a seguir às doenças cardiovasculares.
Os principais fatores de risco são: a presença de uma história familiar de osteoporose, o sedentarismo, os hábitos tabágicos e etílicos marcados, a diminuição da ingestão de cálcio e /ou de vitamina D, a pele clara, bem como a utilização de certos fármacos nos quais se incluem as hormonas tireoideias, os glucocorticoides, os anti convulsivantes e a heparina.

A sintomatologia é exuberante passando pela dor crónica, fraturas (vertebrais e do colo do fémur), diminuição da estatura decorrente das fraturas, perda da qualidade de vida e muitas vezes a institucionalização.

Tendo em conta as recomendações da Organização Geral de Saúde (OMS), as pessoas devem ser incentivadas a ingerirem diariamente alimentos ricos em cálcio numa quantidade de 1000 a 1300 mg/dia (corresponde a três porções de leite e derivados- um copo de leite equivale a 250 mg de cálcio e um iogurte e uma fatia de queijo a 300 mg).

A exposição solar (nas horas recomendadas) é necessária para a produção da vitamina D, que é fundamental para a formação e manutenção de um esqueleto saudável.

As pessoas devem manter-se ativas, caminhando ao ar livre e devem fazer uma alimentação variada para reporem os níveis de cálcio necessários quer seja através dos alimentos ou de suplementos.

A magreza exagerada com IMC <= a 21 Kg/ m2, é na maior parte dos casos um indicador de osteoporose.

Os doentes que sofrem de artrite reumatoide, os grandes fumadores e as pessoas que ingerem bebidas alcoólicas em excesso são candidatos muito fortes ao desenvolvimento desta doença.

A doença previne-se com a manutenção de hábitos de vida saudáveis, durante toda a vida (desde o nascimento), através da vigilância e reposição dos níveis de estrogénios, pois a sua diminuição acelera a perda da massa óssea, com a estimulação da prática do exercício físico com regularidade, por exemplo a caminhada e os exercícios aeróbicos que devem ser iniciados nas idades jovens.

Uma alimentação saudável é outro dos requisitos aconselháveis.

O tratamento é feito com uma alimentação rica em cálcio (leite e derivados) e vitamina D, exercício físico praticado de forma regular caminhadas), exposição solar e sempre que necessário suplementar a alimentação e utilizar terapêuticas complementares.

Em suma, apesar de se tratar de uma doença grave e muitas vezes altamente incapacitante, existem formas muito simples de prevenir e de minimizar os efeitos adversos e as sequelas da doença.

Prevenir a doença é essencial, com o aumento da expectativa de vida, a osteopenia e a osteoporose são resultantes do desgaste e suscetíveis de gerar fraturas espontâneas ou desencadeadas pelas quedas tão frequentes nos idosos e a osteoporose é uma doença previsível e a alimentação e o exercício físico são armas poderosas no combate à doença.

Quando a osteoporose estiver instalada é necessário associar suplementos minerais e medicamentos para prevenir a perda óssea e aumentar a densidade mineral óssea.

OS JUDEUS DE FRANÇA DITOS PORTUGUESES

MANUEL DO NASCIMENTO
O século XV foi um episódio negro da história de Portugal. O rei D. Manuel I assinou em Muge(1) , a 5 de dezembro de 1496, uma carta patente em que mandou que todos os judeus saíssem de Portugal até 31 de outubro de 1497. Ao mesmo tempo, o rei colocou-os sob a sua proteção para que ficassem, seguros e honrados. Depois começou por se limitar os barcos em que podiam partir, porque de três portos, funcionou apenas um, o de Lisboa. Hoje, passa-se não haver dúvida, que o rei D. Manuel I não pretendia a saída da totalidade dos judeus de Portugal. Para reforçar a conversão dos judeus em cristãos, tiram-lhes os filhos, que foram batizados à força, seguindo-se o batismo forçado dos adultos. Tentava-se, por tudo, a conversão, em vez da saída de Portugal. Uma minoria optou pela saída do reino ao longo dos séculos XVI e XVII. Boa parte da história dos judeus portugueses, é uma diáspora hispano-portuguesa, porque incluía os que tinham vindo expulsos de Espanha para Portugal, em 1492. A partir de 1550, a limpeza de sangue tornou-se um requisito para várias coisas. Esta diferença entre cristãos-novos e cristãos-velhos só acabou em 1773. Os judeus portugueses de Baiona (França) eram muito ativos no comércio internacional. No final do século XVIII a comunidade de judeus portugueses de Baiona torna-se numa pequena metrópole, sendo assim, durante a primeira metade do século XVIII, a população que mais depressa aumenta na cidade de Saint-Esprit (França). A prosperidade económica de Baiona é a partir de 1615, com a indústria do chocolate por os judeus portugueses, da Costa ou Dacosta. En 1670, o nome chocolate (chocolat) aparece pela primeira vez nos arquivos desta cidade francesa.

Judeus da nação portuguesa em França; Pierre Mendès France (1907-1982), foi um político francês, sendo Presidente do Conselho francês (1954-1955). Era descendente de uma família Judaico-Portuguesa (Mendes de França) que se viu obrigada a sair de Portugal depois do Massacre de Lisboa de 1506(2). Entre os judeus portugueses franceses, houve pessoas ilustradas, como o financeiro Jules Mirès, o escritor Georges de Porto-Riche, o pintor Camille Pissarro, a escritora Eugénie Foa, os irmãos Pereire, os poetas Bernard Delvaille, Catulle Alvarès, os condes de Camondo, o pedagogista David Lévi Alvarès o mecenas Daniel Iffla Osiris, o ideólogo Olinde Rodrigues, o médico Jean-Baptiste Silva, Jacob Rodrigues Pereire (educador de surdos em França, onde desenvolveu o seu trabalho com os surdos, modificando o alfabeto manual de Bonet, fazendo corresponder a cada gesto, um som. A Língua Gestual, era a melhor forma de comunicação entre os surdos).

Os refugiados de França, da Segunda Guerra mundial; Dezenas de milhares de refugiados judeus passaram por Portugal durante a Segunda Guerra, e entre 1940 e 1941 houve um pico dramático. Mau grado. A ditadura de Salazar, castigou o cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, por ter dado milhares de vistos a judeus. Lisboa foi um porto de abrigo, de liberdade e a despedida da Europa. A França sofreu durante a ocupação alemã na Segunda Guerra mundial, e muitos foram mortos, judeus e não-judeus. A França levou décadas para aceitar o fato de que alguns dos seus cidadãos colaboraram com a ocupação Alemã. Por muitos anos, este tema em França era um completo tabu.

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(1) Freguesia portuguesa do concelho de Salvaterra de Magos.

(2) Também conhecido como Pogrom de Lisboa ou Matança da Páscoa de 1506, onde uma multidão perseguiu e matou centenas de judeus, acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país. Isto aconteceu no início da Inquisição em Portugal e nove anos depois da conversão forçada dos judeus em Portugal em 1497.

COMO LIDAR COM A MORTE EM CLINICA DIARIAMENTE?

SUSANA FERREIRA
Diariamente aparecem animais na clínica muito doentes, alguns deles sem hipótese de sobrevivência e logo se põe a questão, como vou dizer ao dono que o seu melhor amigo vai morrer ou terá de ser eutanasiado? Não existem maneiras perfeitas nem menos dolorosas de dar esta notícia, tudo depende dos donos, da circunstância, de muitos factores. Infelizmente, nunca nenhum Médico Veterinário se habituará a dar esta notícia sem sentir um aperto no peito, um nó na garganta e muitas vezes culpabilizando-se por não conseguir reverter a situação, por não ser útil o suficiente para salvar todos os pacientes. Ainda mais complicado se torna quando o animal entra na clínica, aparentemente saudável, sem alterações no quadro clínico, nem análises sanguíneas e na sequência de uma cirurgia de conveniência morre. Como dizer ao dono? Qual a explicação lógica para ter ocorrido tal situação? Na cabeça do dono só surge a ideia da nossa incompetência enquanto profissionais e que fomos nós que falhamos, que não fizemos exames suficientes, que nos descuidamos, entre outras coisas. Mas infelizmente as anestesias são sempre um risco acrescido, sendo por isso obrigatório a assinatura de um termo de responsabilidade de anestesia. Sendo que neste termo a pessoa toma consciência dos riscos inerentes a este procedimento, sendo a morte o pior risco. Felizmente as mortes em anestesias são raras, no entanto, em animais saudáveis, com exames normais, sem aparentemente nenhum problema de saúde, pode haver paragens cardiorespiratórias durante a anestesia, sendo algumas reversíveis e outras infelizmente não reversíveis. Apesar de sabermos que fizemos tudo correto e tudo o que estava ao nosso alcance para salvar o animal, o sentimento de culpa muitas vezes apodera-se de nós. Principalmente a revolta dos donos e muitas vezes umas palavras mais amargas podem levar-nos a perder muitas noites de sono, algumas horas de terapia e um desgaste emocional gigante que nos afeta a nós e a quem nos rodeia. Se alguma vez vos acontecer uma situação semelhante peço que não descarreguem o vosso sofrimento e raiva no profissional que tudo fez para salvar o vosso Animal.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

À CONVERSA COM CAROLINA CORDEIRO E PEDRO PAULO CAMARA


FÁTIMA LOPES EMOCIONA-SE AO CONCRETIZAR DESEJO ANTIGO

Na chegada a Fátima. 


Depois de ter estado nas celebrações do centenário das Aparições, em Fátima, a 13 de maio, a apresentadora Fátima Lopes decidiu que era altura de concretizar um sonho antigo, o de fazer a peregrinação, a pé, até Fátima.

Depois de  ter anunciado aos telespectadores que o iria fazer, na passada segunda-feira, a estrela da TVI rumou, durante três dias, com um grupo de Santarém até ao Santuário.

MOTIVOS PARA A DESIGUALDADE DE GÉNERO

JOÃO RAMOS
A OCDE assegura que em média, as mulheres recebem cerca de 85% do salário dos homens na generalidade das economias avançadas. Os especialistas apontam a existência de um número superior de empregos associados ao sexo feminino de baixa remuneração e à baixa porção de mulheres em posições de topo. O top quatro de profissões do sexo feminino corresponde a ocupações, como enfermagem, professora, operária fabril e empregada de limpeza. Tratando-se de trabalhos de baixas remuneração e estatuto, é normal que a desigualdade de géneros seja significativa, entre a população nacional.

No entanto, a diferença nos salários de homens e mulheres começa a aumentar, aquando do nascimento do primeiro filho. Entre 40% a 75% das mães, optam por pedir licença sem vencimento, trabalhar menos horas ou mudar para empregos mais próximos de casa. Pelo contrário, apenas 10% a 15% dos pais afirma realizar o mesmo esforço, para reforçar a sua presença junto dos filhos. Um estudo americano afirma que o preço a pagar pelo nascimento de um filho, nos salários de uma mulher é de 4%, podendo chegar aos 10%, para posições de topo. Por outro lado, os elevados custos associados às cresces e infantários obriga a que as mães sejam forçadas a optar por empregos precários, em part-time e de salários inferiores.

A este respeito, as políticas públicas podem promover a alteração de comportamentos, ao prolongar as licenças de parto, como na Suécia, ao disponibilizar cresces públicas e ao realizar campanhas de sensibilização junto das jovens portuguesas, incentivando a escolha de profissões, como a engenharia, que tradicionalmente surgem associadas ao sexo masculino.

ÚLCERA DE PRESSÃO E ESTADO NUTRICIONAL

DIANA PEIXOTO
Tendo em conta uma revisão bibliográfica da literatura nacional e internacional, vamos debruçar-nos sobre os aspetos da avaliação nutricional na úlcera de pressão.

Sabe-se que a nutrição inadequada afeta todo o nosso sistema, levando à perda de peso, atrofia muscular e redução da massa magra. Para além disso, a má nutrição está também entre os fatores mais importantes na etiologia das úlceras de pressão, atuando na patogénese e ajudando na não–cicatrização das mesmas.

As alterações do estado nutricional e risco para presença da úlcera de pressão podem ser mais frequentes em pacientes hospitalizados, tratados no domicílio ou em centros de reabilitação, portadores de doenças crónicas, como AVC, cancro ou outras. Assim, é importante que o enfermeiro, na recolha dos dados referentes ao estado nutricional do paciente, utilize diferentes fontes de informação e as interprete adequadamente para o desenvolvimento de um plano de cuidado de enfermagem assim como para encaminhamento ou consulta com outros membros da equipe de saúde como o nutricionista.

A orientação de pacientes e familiares no que respeita a parte nutricional é fundamental como medida preventiva e de tratamento. Os pacientes desnutridos, já na admissão nos serviços de saúde tendem a desenvolver mais facilmente úlceras de pressão. Ou seja, há estudos que evidenciam que prevenir a desnutrição vai reduzir o risco para a formação de úlceras de pressão. Quanto mais elevada a dependência do paciente, maior o risco para uma ingestão inadequada pois esta depende tanto da compra como do preparo para além da dificuldade em alimentar-se, portanto é importante a elaboração de um plano que considere o estado nutricional e as necessidades do paciente em questão.

Concluiu-se então que os pacientes que apresentam risco para o desenvolvimento de úlcera de pressão podem ser identificados precocemente através da avaliação nutricional, incluindo os dados bioquímicos, antropométricos, sinais clínicos, história dietética e gasto energético. As alterações são mais frequentes em pacientes idosos, hospitalizados, portadores de doenças crónicas como acidente vascular cerebral, cancro, etc.

MAS QUE RAIO É O AMOR?

LUÍS PINHEIRO
Em regra o amor faz parte da nossa vida, nós podemos senti-lo por diversas pessoas e de várias formas. Mas o que é o amor em termos psicológicos? Como definimos?

A definição de amor entre os psicólogos não é clara nem unanime e foi evoluindo ao longo dos tempos. William James, um dos fundadores da psicologia moderna, definia o amor como a associação entre uma sensação agradável e a ideia do objeto que a produz, Watson por sua vez, era muito mais funcional e definia como uma resposta emocional provocada pela estimulação cutânea das zonas erógenas. Trinta anos depois, Sullivan descreve o amor como um estado em que a segurança do próprio e a satisfação do outro são tão importantes como as próprias. Muito mais recentemente Garcia define como um conjunto de conjunto de pensamentos, sentimentos, motivações, reações fisiológicas, ações (comunicação não verbal) e declarações (conduta verbal) que ocorrem nas relações interpessoais íntimas e sexuais.

Atualmente sabemos que o amor é um processo dinâmico e não uma estrutura estática, que está em constante mudança no decorrer da relação e que a sua definição dependerá sempre do estado em que se encontra a própria relação.

Existem várias teorias vigentes relativamente ao amor, eu irei explorar apenas uma, a teoria triangular de Sternberg. A teoria demonstra-nos que qualquer tipo de amor é definido por um cruzamento de três variáveis diferentes: intimidade, paixão e comprometimento.

É a variação destas três dimensões que vão resultar nos diferentes tipos de amor, por exemplo, o amor caracterizado por elevado nível de intimidade e de comprometimento mas reduzida paixão é o amor companheiro. Amor este bastante comum entre os casais mais velhos onde a paixão e o desejo são diferentes, ou no caso das grande amizades. Quando nos deparamos com níveis elevados de intimidade e de paixão mas ausência de comprometimento aparece o amor romântico, muito comum entre os adolescente e no início dos relacionamentos.

Por último, quando o relacionamento é pautado pela paixão e pelo comprometimento com a ausência da intimidade temos o amor fugaz. Este ultimo tende a durar pouco tempo devido as suas características.

Como em tudo, o autor descrever uma fórmula perfeita do amor num relacionamento que é o amor consumado que basicamente resume-se a uma combinação perfeita das três dimensões do amor.

Depois da exploração desta teoria penso que o que é importante reter é que o amor não é único e que não existe apenas uma forma de amar… O amor num relacionamento vária ao longo do tempo. O mais importante é sabermos adaptar-nos a essa mudança para conseguirmos aproveitar ao máximo a felicidade que pode advir dela.

A psicologia como qualquer outra ciência encontra-se em constante evolução, evolui com a própria evolução da sociedade. Neste âmbito o estudo do amor também deverá ter muitas cartas para dar, mas uma coisa é certa, qualquer tipo de amor que podemos nutrir por alguém só vale apena ser sentido se trouxer algo de bom para a pessoa. O amor não dói, o amor não magoa.