sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

“MIDDLE-CLASS” SYNDROME

TERESA DA SILVA
Let me start by explaining what I believe to be the “middle-class” syndrome – a syndrome that affects everything and, especially, anyone that is average. With the recent crisis and austerity measures, the average-paid middle class suffered a considerable cut in their income which had many reduced to poverty losing jobs and, consequently, cars and other commodities. Some even lost their homes. The poverty-stricken families couldn’t have fallen any lower and were it not for the charities (run by the above-mentioned middle class) their lives and those of their children would be drastically endangered. On the other hand, the one percenters have never been so wealthy! Thus, grossly put: if you’re in the gutter you’ll find it very difficult to get out, if you’re sitting in the shade you’ll stay there. However, if you’re somewhere in between you’re in trouble and it might be very difficult for you to help those in the gutter as you’re busy falling in yourself.

Now let me apply this crude theory to the educational system. Fate had it that I should move once again and get to know another school, other colleagues and other students. Despite the almost-80 km daily trip, I was grateful for having secured a fulltime position until the end of the school year and I was pleasantly surprised by the top-notch school facilities and the warm reception given by the school coordination team. Never had I seen such a huge teachers’ lounge with sofas, table and chairs, a snack bar and, even, a microwave for those who take their own lunch. 

It wasn’t until I caught my colleagues’ pitiful looks when hearing about my classes that I began to feel something was off. I’d been given 10th graders and 12th graders of the “professional” courses. As a firm defender of a technical, hands-on syllabus as an alternative for those who want to start working as soon as the finish high school or prefer to acquire a technical skill, I was happy to get to know what was being done in that field of education. I knew they’d be less academically challenged and a lot noisier but that would be acceptable. I was even prepared for the “I hate English!” act. I started thinking CLIL for a change as a way of getting them involved in the learning/ teaching process. How naïve!

Nothing and no one had me prepared for such rudeness, insolence and downright aggressiveness. At the very first minute, I was insulted as I was stepping into the classroom. I was later told that the students loved the other teacher and didn’t want a substitute teacher. 

There’s no amount of wooing, sweet talking, elaborate or motivating activities that will get them to show any kind of interest, let alone work. In a class of twenty-five, you’ll get the odd student or two who will actually bring a notebook, a pen and the adopted manual. 

It’s a continuous battle to get the majority to minimally respect teacher and peers – I have seen my role reduced to that of a police officer trying to get them to notice their infractions and repent. Low and behold should I try to speak or teach in English. Occasionally I get to fit in some English exercises because they allow me as they know there has to be some type of evaluation. Most of the time I feel demotivated and unfit to be called a teacher. 

What I have experienced so far has made me realise that these courses are becoming unacceptable and off limits to the “middle” (middle = average) student - those who don’t really want to go to college or university. Why? For starters, they don’t want the derogative label that has become associate with these courses. Unfortunately, it seems these courses have become an escape for the students with severe behavioural issues and potential school dropouts. 

The students attending these technical courses are given school material, meals, travel expenses, and training in Portugal or abroad. If the teacher is ill or can’t teach, those lessons have to be compensated in the teacher’s free time. If the student misses a lesson, the teacher has to come up with an optional activity to wipe clean the absences. If they fail the tests, they’re given additional opportunities to “pass”. If they’re disrespectful (a continuum), the teacher has to “motivate” the students to change their ways (or repress the discomfort). They aren’t interested in obtaining a skill so why are they still benefiting from these courses? 

Where does that leave the average students, who aren’t really cut for the academic world or whose parents won’t be able to afford college? I can only see one of two outcomes: either they remain in the traditional system and end up in the unemployment lines or they join one of these courses and be engulfed by all this bad behaviour and random scraps of teaching that persistent teachers keep trying to introduce in the lessons. In the end, very much like the Portuguese middle-class, our average students are contaminated by the “middle-class” syndrome which leaves them in a No-Man’s land of education.

ENVELHECIMENTO: OS GRANDES TEMAS DA GERIATRIA EM PORTUGAL

GABRIELA CARVALHO
Na crónica de hoje escrevo-vos em continuação à terceira crónica (escrita por mim para a Bird), onde abordei a Geriatria e a Gerontologia.

Ao falar-vos sobre a Geriatria, reforcei a importância de não se ignorar que a passagem dos anos produz nos organismos vivos desgaste das suas capacidades e que depois dos 80 anos de idade podem ser identificados diferentes graus de insuficiência orgânica para as quais os profissionais de saúde devem estar atentos, para que as medidas de prevenção especiais sejam implementadas de forma a não agravar a qualidade de vida.

Reforcei que, segundo Helena Saldana em 2009, os temas sobre a Geriatria são vastíssimos, sendo os mais frequentes em Portugal:

- História clínica do velho doente e suas particularidades
- Sindroma geriátrica e sindroma de fragilidade
- Problemas de mobilidade e quedas
- Doença arterial periférica
- Sindroma de incontinência
- O idoso com úlceras de pressão
- Sindroma de polifarmácia
- Sindromas tromboembólica
- Diabetes mellitus no idoso
- Osteoporose em idade avançada

Para a Terapia Ocupacional, há temas mais significativos que outros; isto é, há temas para os quais a intervenção o Terapeuta Ocupacional é chamado a intervir, enquanto noutros não se verifica (ou não se verifica com tanta frequência/facilidade) a intervenção desta profissão da área da saúde.

Dos temas supra referidos, exploro hoje a Sindroma geriátrica e sindroma de fragilidade.

Segundo também Helena Saldanha, a “única definição lógica de sindroma geriátrica é a seguinte: alteração do estado de saúde dos idosos, cuja etiologia depende de múltiplos factores de risco e/ou de doenças crónicas concomitantes.”
Neste sentido (e como representado no esquema seguinte) percebe-se que perante um factor de risco e/ou doença crónica, existe um maior risco de declínio funcional, quedas, úlceras de pressão, incontinência e demência. Como tal, o idoso vai tornar-se mais frágil. Esta fragilidade conduz a um processo de maior dependência e, consequentemente, à sua morte.



Facto é, que «os clínicos mais directamente relacionados com a saúde dos mais velhos, aperceberam-se que a partir de uma determinada idade, as pessoas se tornam mais vulneráveis às agressões do meio ambiente manifestando enfraquecimento físico generalizado, mesmo na ausência de doença aguda ou crónica. Este enfraquecimento orgânico geral, sem evidência científica de ser dependente de causas patológicas foi designado de “SINDROMA DE FRAGILIDADE”.»

O Sindroma de Fragilidade reúne um conjunto de critérios para ser diagnosticado:
Perda de peso espontânea;
Sarcopenia (perda de massa muscular);
Falta de força;
Lentidão de movimentos;
Diminuição da capacidade para praticar um mínimo de actividade física.

Importa salientar que esta sindroma não é uma doença, mas um “estado intermédio entre ser funcionalmente competente ou estar incapacitado para uma ou mais tarefas indispensáveis do dia-a-dia, como fazer a sua higiene pessoal, comer pela própria mão …” Por isso ser um dos grandes temas da Geriatria para o qual o Terapeuta ocupacional é capaz de direccionar uma intervenção capaz e eficiente. Como profissional da área da saúde cuja função consiste em intervir com a pessoa (em qualquer fase da vida) através do envolvimento em actividades significativas, com o objectivo de lhes proporcionar o seu máximo nível de funcionalidade e de independência nas ocupações em que desejam participar, percebe-se que o papel da Terapia Ocupacional é essencial nesta síndroma.

Não obstante, a intervenção poder ser realizada em qualquer fase de desenvolvimento desta síndroma, facto é que o estado de fragilidade de um idoso deve ser diagnosticado o mais precoce possível, antes que se estabeleça na sua plenitude o sindroma de fragilidade.

Para intervir com o síndroma de fragilidade, é fundamental perceber que:
“Ser frágil não equivale a ser doente e fragilidade não é uma doença, mas sim um estado intermédio entre ser saudável e funcionalmente activo e ter algumas insuficiências funcionais com susceptibilidade para tornar-se doente.”

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”

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Referências Bibliográficas:
- Ferreira, O. G. L., Maciel, S. C., Silva, A. O., Santos, W. S. d., & Moreira, M. A. S. P. (2010). Envelhecimento activo sob o olhar de idosos funcionalmente independentes. Esc Enferm USP, 44 (4), 1065-1069.
- Ferreira, O. G. L., Maciel, S. C., Costa, S. M. G., Silva, A. O., & Moreira, M. A. S. P. (2012). Envelhecimento ativo e sua relação com independência funcional. Contexto Enfermagem, 21(3), 513-518.
- Organização Mundial de Saúde (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde.
- Ribeiro, O., C. Paúl (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lisboa, Lidel - edições técnicas, lda.
- Sequeira, C. (2010). Cuidar de idosos com dependência física e mental. Lisboa, Lidel – edições técnicas, lda.

BENDITO VOLUNTARIADO

ARTUR COIMBRA
No passado dia 5 de Dezembro comemorou-se mais uma vez o Dia Internacional do Voluntariado, uma iniciativa tomada em 1985 pela Assembleia-geral das Nações Unidas com o objectivo de apoiar grupos dedicados a acções voluntárias em diversos projectos sociais, económicos e humanitários por esse mundo além. A efeméride serviu para promover diversas actividades, um pouco por todo o país. 

O acontecimento foi ainda ponto de partida para que se falasse do voluntariado e da sua expressão numérica em Portugal. Ficou a saber-se, por exemplo, que no nosso país entrega-se a tarefas de voluntariado cerca de um milhão e meio de pessoas em tarefas que, se fossem remuneradas, corresponderiam a 675 milhões de euros. É muita gente e seria muito dinheiro.

A grande lição a reter é a de que, afinal, o povo português é um povo solidário, um povo que disponibiliza algum ou muito do seu tempo livre em visitas aos doentes dos hospitais, na ajuda a idosos em lares de terceira idade, na angariação de alimentos para as famílias mais necessitadas, em visitas a gente só e carenciada, não apenas de recursos mas sobretudo de afecto. 

Este é uma das faces do voluntariado, que vive de outros rostos, outras linhas, porventura mais visíveis no nosso quotidiano. Por exemplo, os bombeiros, que são a expressão mais sublime do espírito do voluntariado. Eles oferecem o seu tempo livre, e muitas vezes até o de trabalho, para as nobilitantes e dramáticas tarefas de salvar a vida e os haveres dos cidadãos, independentemente das suas disponibilidades económicas, estratos sociais, colorações politicas ou competências académicas, colocando, frequentemente, em risco as suas próprias existências e, decorrentemente, as dos seus. Quando a sirene toca, em desespero, anunciando um incêndio ou para acorrer a um desastre de automóvel, não há comodismos, não há fome, não há sono, não há mulheres, não há filhos, não há televisão, não há futebol, não há conversas que não possam ficar para mais tarde, ou para o dia seguinte. Em primeiro lugar, estão os outros: que os voluntários nem conhecem, nunca viram, nem sabem quem são. Ou antes, sabem, e essa a razão da sua missão indeclinável: são seres humanos, cujas vidas urge defender ou resgatar e cujos bens se impõe salvaguardar, até aos limites das suas forças físicas e psíquicas. São fantásticos de altruísmo, os briosos “soldados da paz” deste país.

E quem diz bombeiros, diz os activistas da Cruz Vermelha, que transportam doentes para hospitais ou para consultas, acorrem a acidentes ou a doenças, socorrem os mais necessitados, distribuem alimentos e calor humano, com o maior desinteresse, a maior generosidade, a mais destacada afabilidade.

E os dadores benévolos de sangue que, em gestos benemerentes, contribuem, com o que mais sagrado jorra nas suas veias, para salvar vidas em perigo, em tantas situações.

Todos estes voluntários (e tantos outros…) são justamente merecedores dos Óscares da abnegação, do desprendimento, da filantropia, do humanitarismo, valores tanto mais admiráveis quanto são desenvolvidos numa época marcadamente materialista, em que o ter sobreleva o ser, em que a alma se vende no mercado das conveniências.

Mas também o são os milhares de voluntários que, de norte a sul do país, vão dando o melhor de si no contexto das associações e colectividades de cultura, desporto e recreio, sem receber o que quer que seja, em puro exercício de doação aos interesses e princípios estatutários que desenvolvem. O associativismo é também um importante meio de desempenho da cidadania activa, regendo-se por princípios de liberdade, democracia e solidariedade.

Como quer que seja, os voluntários são pessoas empenhadas na melhoria do mundo, interessadas no bem-estar do próximo, seja quem for e esteja onde estiver, mensageiros da tolerância e da igualdade de oportunidades, deuses da mensagem de que é possível aperfeiçoar o mundo e os homens, a partir do seu interior e da capacidade de devoção aos outros.

Os voluntários só podem ser pessoas felizes que irradiam esse estado de espírito pelo quotidiano, por actos, palavras e missões.

Um povo que é voluntário é também um povo solidário. E a solidariedade não se expressa apenas pelo Natal, mas envolve-se em causas gratificantes, de que são paradigmas as associações de apoio às crianças em risco, ou afectadas por doenças contagiosas, as agremiações de socorro aos idosos mais carentes, como as conferências vicentinas, o Banco Alimentar contra a Fome ou situações pontuais de catástrofes, em Portugal ou no mundo.

Um povo assim é um povo bom, maravilhoso, a que nos orgulhamos de pertencer. Um povo que merece reconhecimento e não a vida injusta e castigada de impostos, de desemprego e de todas as agruras que enxameiam o dia a dia.

O BOM E O MAU COLESTEROL

PEREIRA RAMOS E SUSANA FARIA
O colesterol é um componente essencial das células dos seres humanos e de todos os mamíferos, e é fundamental para a produção de algumas hormonas e dos ácidos biliares. É indispensável para múltiplas funções celulares e é transportado no sangue ligado a certas proteínas. As proteínas denominadas de LDL são conhecidas pelo ‘’mau colesterol’’. São estas que transportam o colesterol da dieta alimentar para todos os tecidos para ser utilizado na síntese de hormonas e ácidos biliares.

As artérias do nosso corpo comportam-se como canos onde flui o sangue livremente. Níveis elevados de LDL depositam-se nas paredes das artérias (dos canos) condicionando o aparecimento de placas que se acumulam. Estas placas podem endurecer dificultando o fluxo do sangue e estreitar as artérias levando ao seu entupimento, tal como num cano entupido. Este processo é denominado de aterosclerose e leva à diminuição do oxigénio aos tecidos, que no caso do coração pode manifestar-se como angina de peito ou, nos casos mais graves, enfarte agudo do miocárdio (EAM), e no cérebro pode manifestar-se por AVC (acidente vacilar cerebral).

Por outro lado, as lipoproteínas HDL são conhecidas pelo ‘’bom colesterol’’. São elas que transportam o colesterol no sentido contrário às LDL, removendo-o dos tecidos e transportando-o para o fígado onde vai ser metabolizado e eliminado do organismo. Ajuda assim à remoção do ‘’mau colesterol’’ reduzindo o risco de formação da placa de aterosclerose e consequentemente o risco de EAM e AVC.

É importante saber que pode melhorar o seu ‘’bom colesterol’’ (HDL) e evitar o excesso do ‘’mau colesterol’’ através da dieta e do exercício físico.

O que come vai influenciar os seus níveis de colesterol, portanto, deve avaliar cuidadosamente as suas escolhas de comida em termos de nutrição e calorias. É aconselhável o uso de carnes brancas (frango, peru e pato, sem pele), carnes sem gorduras (coelho) e peixe em detrimento de carne de vaca, porco, carneiro, bacalhau ou marisco. Ovos apenas com moderação. Preferir leite e iogurtes magros sem açúcar e evitar queijos e natas. Evitar charcutaria, chocolates e doces. Deve comer todo o tipo de legumes, tubérculos, vegetais verdes, toda a fruta fresca, crua ou cozida, sem açúcar. Evitar pinhões, ameixas secas e todo o tipo de fruta em calda. Nozes, avelãs e pistáchios apenas de forma moderada. Em relação aos condimentos são aconselhados na mostarda, o molho de tomate sem gordura, limão, alho, vinagre, ervas aromáticas e louro. Evitar molhos em conserva, maionese e azeitonas. Evitar manteigas e margarina, banha e toucinho de porco, óleos de amendoim de coco e de palma. Por fim, deve evitar bebidas alcoólicas, refrigerantes e sumos em excesso. Os objetivos das medidas dietéticas são o atingimento e manutenção do peso ideal, o seguimento de uma dieta equilibrada e a restrição de ingestão de gorduras saturadas e hidratos de carbono refinados.

Deve encontrar um exercício físico que se adapte à sua personalidade pois a falta de exercício é um fator de risco importante para as doenças do coração. Está recomendado pelo menos 30 minutos de exercício físico por dia, pelo menos 5 dias por semana, perfazendo um total de 150 horas de exercício semanal, excluindo o tempo de aquecimento e alongamento final. Para algumas pessoas, o exercício regular pode aumentar os seus níveis de colesterol HDL. O segredo do exercício é encontrar alguma atividade que goste de praticar.

Antes de iniciar qualquer tipo de dieta ou exercício físico deve consultar o seu médico assistente.

Tanto o colesterol LDL como o HDL são avaliados por exames laboratoriais, através de análises ao sangue. As pessoas com estes valores alterados devem ser observadas pelo seu médico para tratamento mais adequado, que para além da dieta e do exercício físico, em alguns casos, pode passar pelo uso de medicamentos.

Na luta contra o excesso de “mau colesterol” e os valores baixos de “bom colesterol”, na busca de uma vida mais saudável lembre-se de algumas recomendações:

- procure sempre aconselhamento médico;

- é importante controlar regularmente a tensão arterial;

- deve deixar de fumar;

- deve manter uma dieta saudável;

- pratique exercício físico regularmente;

- tome a sua medicação conforme a prescrição médica.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O PRIMEIRO PRESÉPIO

CRÓNICA DE JOÃO TEIXEIRA
1.Oito de Dezembro. Grande, belo e luminoso é este dia formoso.
O Natal, festa de alegria, como que começa a despontar na festa deste dia. 2.Antes do presépio de Francisco de Assis foi o seio de Maria que Deus quis. Maria foi o primeiro presépio, um presépio desenhado e construído por mão divina. 3.Podemos dizer que Jesus começou a vir quando a Sua Mãe começou a surgir. A Sua concepção é o início da fase definitiva da nossa salvação. Foi do ventre da Mãe do saboroso amor que chegou até nós o Salvador. 4.Este é um verdadeiro dia da Mãe. É o dia em que a Mãe começou a existir. É o dia em que o céu se quis abrir e, para todos, sorrir. 5.O primeiro suspiro de Maria acaba por ser o primeiro sopro de vida de Jesus. A Mãe também teve mãe, também teve pai. Mas Santa Ana e São Joaquim não imaginavam que aquele começo não mais teria fim. 6.Este é, pois, o início antes do começo, o dia anterior ao dia primeiro. Este é o Natal que prepara o Natal. É o pré-Natal que nos vai conduzir até ao Natal. 7.Qual Pai desvelado, Deus cuidou, desde sempre, da morada para o Seu Filho. Preparou-Lhe uma Mãe sem mancha, uma Mulher sem mácula. Desde a Sua concepção, Maria foi imaculada. 8.A Imaculada Conceição é a primeira grande visitação de Deus à Mãe de Seu Filho. Foi o primeiro instante de uma presença constante. É desde o início que Deus nos sustenta. Foi desde o início que Deus sustentou Maria com a Sua presença. Foi desde o início que Maria Se tornou a «cheia de graça»(Lc 1, 28) Desde sempre tatuada por Deus, Maria nunca conheceu o pecado original. 9.Maria é uma presença que a nossa fé não dispensa. É uma lembrança que nos acalenta na esperança. Ela é a toda pura e é com emoção que olhamos para a Sua figura. Ela é a toda bela e a nossa vida está sempre iluminada por Ela. Ela é toda luz e com suave segurança nos conduz. 10.Ela esteve junto à Cruz e continua a levar-nos até Jesus. Foi o Seu amor profundo que trouxe o Filho de Deus até ao nosso mundo!

FERREIRA, O VIÚVO FRESCO

HELDER BARROS
Ferreira era um lavrador da aldeia, tinha cerca de 50 anos, a mulher era muito doente, a Marquinhas do Olival, acabando por falecer muito nova, com quarenta e poucos anos de idade e três filhos praticamente criados. Estávamos no início dos anos oitenta, o Ferreira como já há muito tempo tinha pressentido o desfecho da doença da sua companheira, foi deitando os olhinhos à Isaura do Marceneiro, moça quarentona, cuja idade foi avançando sem que ela arranjasse marido.

E deu-se o desfecho natural, Marquinhas acabou por falecer, não resistindo a uma longa doença que a infernizou, a partir dos trinta anos. Começou por ser um problema ósseo, que se espalhou pelo organismo e que a vitimou de forma lenta e cruel. Aos poucos foi perdendo a sua mobilidade, a sua destreza física e o conhecimento, pois no seu último ano de vida, acamada, não reconhecia mais ninguém: nem mulher, nem filhos, nem amigos. Nos últimos dias do mês de novembro de 1982, foi chamado o Padre Mário para ele lhe conferir o sacramento da extrema-unção, dado que a sua morte estava muito próxima, estando a Marquinhas, mas a dar as ultimas, já que nem o Padre reconheceu.

Marquinhas partiu, deu o suspiro final e o viúvo fresco, cedo começou a lançar a rede à Isaura que, à falta de melhores pretendentes e com a idade a passar, para as mulheres com a agravante do relógio biológico poder retirar a capacidade de fecundação, o que quer queiramos, quer não, as faz sentir diminuídas enquanto mulheres plenas, lá se deixou enredar pelos avanços do experiente e determinado Ferreira.

Ferreira era um lavrador que tinha brio no seu trabalho, gostava que a sua quinta fosse como que um jardim, devido ao empenho que lhe dedicava no seu trato e, além do mais, produtiva o quanto baste, para alimentar a família e pagar a renda ao senhorio. Para isso, contava com dois filhos e uma filha do seu primeiro casamento, jovens adolescentes que muito o ajudavam na labuta diária e trabalho braçal, que o trabalho agrícola ainda exigia naquele tempo.

Contudo, os tempos estavam a mudar rapidamente. A agricultura não se apresentava como boa opção futura para os mais jovens, que partiam rapidamente para outras profissões como a construção civil que começou a desenvolver-se por esses tempos, ou então, emigrando para variados países europeus, na busca de melhores remunerações, que em Portugal não seriam possíveis. Assim aconteceu, com os filhos do Ferreira. Este, perante isso, tratou de casar rapidamente com Isaura. Já lá diz o ditado popular: “Homem velho mulher nova, filhos até à cova!”. Ao fim de um ano já tinham um filho, um rapaz forte, que viria a ser loiro, forte e de faces coradas, sinal de saúde dizia o povo. Ferreira mantinha a esperança de que este o ajudaria, seria o seu apoio, o braço direito, agora que a idade o começava a penalizar nas forças, a idade ia avançando com as naturais consequências na sua saúde.

O episódio que queria narrar, essencialmente, foi a forma como tudo aconteceu, neste segundo casamento de Ferreira. Estávamos numa aldeia de entre Douro e Minho, no início da década de oitenta e ainda haviam manifestações de ancestralidade rural, que me deixaram surpreendido, enquanto jovem que nada sabia dessas tradições rurais, fundas no tempo.

Os rapazes solteiros da aldeia, quando já era certo o segundo casamento de Ferreira, começaram a fazer romarias a casa deste, batendo com paus e ferros em latas e tudo o que fizesse muito barulho, com cantigas cantadas em paródia conjunta, em versos simples, mas incisivos. Se bem me posso lembrar, brotaram versos cantados, tais como: “O Ferreira vai casar com a menina do lugar”; “O Ferreira mal a mulher enterrou, com rapariga nova logo se casou”. Foram de facto dias de agitação na pacatez de uma aldeia rural, que viveu dias fora do normal. Os rapazes aos grupos, quais caretos de Trás-os-Montes, faziam uma chinfrineira que veio agitar os dias calmos da aldeia.

Mas, como tudo na vida, o tempo tudo levou, rapidamente a vida de Ferreira, de Isaura e da aldeia, foi voltando ao normal. Assim que o casamento foi consumado, a rapaziada deixou o casal em paz e o coro das velhas e beatas sossegou do falatório que, durante aqueles tempos mais agitados, se gerou. O filho do casal foi crescendo, escusado será dizer que foi muito estimado pelos pais, vaidosos por terem um filho tão bonito, mas depressa concluíram que, para o filho ter futuro melhor que, aquela agricultura tradicional, muito trabalhosa e pouco rentável, já não poderia garantir.

E assim foi passando o tempo, o filho do casal emigrou para a Suíça para trabalhar na hotelaria, o Ferreira deixou a quinta pois já não a conseguia fazer, foi viver com uma das filhas do primeiro casamento. Este é apenas mais um dos retratos, entre muitos, do fim da agricultura tradicional, do abandono forçado pela evolução das terras em ambientes rurais. 

Dizem que vivemos atualmente um regresso dos mais jovens e altamente qualificados à terra, com formas de agricultura altamente mecanizadas e diversificadas na sua produção. Esperemos que seja um bom regresso, os campos estão abandonados aos matagais, as aldeias estão sem pessoas e precisam de ser revitalizados. Doutro modo, a desigualdade entre litoral e interior só tenderá a aumentar em maior escala e qualquer dia, metade do país é deserto e pasto para incêndios florestais. Há que conferir eficácia à distribuição de fundos comunitários para projetos de e para o futuro. Portugal é cada vez mais Lisboa e o Litoral, passa por nós que já fomos os descobridores do mundo, encontrarmos mais Portugal em Portugal.

Se o mundo do Ferreira já acabou, desafiemos as novas gerações redescobrir a ruralidade, em moldes mais atuais, com maior eficiência e criando riqueza no Portugal interior. Doutra forma, a meia faixa vertical de Portugal continental será um infeliz prolongamento das Ilhas Desertas. Não será um caminho fácil, dado que somos um pequeno país de uma europa em crise identitária, mas que ainda é o continente de referencia existencial, na minha opinião, mais evoluído, urge darmos mais Mundo ao Mundo e mais Portugal a Portugal, dando merecimento aos inúmeros sacrifícios que as gerações anteriores fizeram para chegarmos até aqui, uma nação com perto de mil anos de história.

MEMÓRIAS DE NATAL

CATARINA DINIS PINTO
Independentemente de tudo eu adoro o Natal. É verdade que me traz nostalgia mas traz sem dúvida, a minha memória e ao meu coração, aqueles que são para mim dos melhores momentos da infância.

O Natal vivido na infância é tão diferente do que vemos hoje em dia… não importa a década, a maneira de olhar para é que se modifica a medida que crescemos… depois tudo modifica e só nós é que sabemos se aceitamos isso ou não. O meu Natal significava férias, muitos doces, muitas tropelias, prendas e família… Não posso deixar de relembrar que a família tenha sofrido algumas alterações, existiam pessoas tão próximas a mim que ao longo dos anos me foram deixando um pouco mais só ou não… A verdade é que sinto que nenhum deles partiu de verdade e está aqui no meu coração, de certa forma celebramos o Natal juntos. Continua a estar na tarde onde a minha avó e a minha mãe preparavam a melhor aletria do mundo, rabanados, arroz doce. Recordo-me de nessa tarde nunca parava de brincar aos doutores ou professores com os meus nenucos e barbies. O meu pai chegava a meio da tarde do trabalho e com ele trazia sempre um bolo-rei que os seus patrões ofereciam os empregados. Como eu amava desembrulhar e ajudar a coloca-lo no prato.

Neste dia, até as batatas cozidas, a couve e o bacalhau pareciam ser feitos de doce… é impressionante mas neste dia eu comia sem birra, sem problemas…

Recordo-me de vermos televisão ainda a preto e branco nas mais antigas memórias e num dos Natais a prenda foi mesmo uma televisão a cores que estava sempre avariada ….

Depois chegava a hora de ir dormir, era ai que eu fingia que ia para a cama e fechava os olhos…Sabia que não existia Pai Natal mas insistia que isso não era um problema, afinal podemos sempre imaginar, e pedia aos meus pais para imaginarmos que quem trazia as prendas era o menino Jesus. Assim mal estivessem as prendas na sala, alguém batia a janela do meu quarto, para dar sinal que as prendas tinham chegado…Voava até elas e já ninguém me conseguia por me a dormir…. O que eu queria mesmo era brincar… Depois de algumas negociações lá ia dormir para um maravilhoso dia nascer… o dia de Natal (que durante muitos anos íamos para a casa da outra avó e tios em Mondim de Basto). Claro la ia eu carregada com os meus novos brinquedos…

Pura saudade destes tempos desmedidos, um tesouro em meu coração, são estes instantes de um dia que ainda hoje me fazem sorrir no Natal… 

Eu penso, se me fizeram feliz porque não poderei eu fazer o mesmo pelos meus filhos? E encher o seu coração de memórias.

Para terminar deixo um pequeno poema, escrito por mim em nome de todas essas memórias.
Natal dos meus natais... Em que o meu menino Jesus esperava tal como eu... A tua chegada... Natal de alegria, Hoje revivido com saudades. Sei que existem amores mais fortes que o tempo ou o calendário. e em segredo no meu coração Mais um Natal que rimos, Brincamos, construímos casas de bonecas construímos sonhos que um dia sonhamos...

SEGUROS DE CRÉDITO À EXPORTAÇÃO

RUI LEAL
Continuando a análise a alguns dos mecanismos financeiros ou de apoio ao dispor das PME Portuguesas no âmbito de processos de internacionalização, pretendo, desta feita, abordar os seguros de crédito à exportação.

Os seguros de crédito à exportação consistem numa modalidade de seguros que têm por finalidade cobrir os riscos de não pagamento nas vendas a crédito de bens e/ou na prestação de serviços, efectuadas no estrangeiro.

Este produto destina-se às empresas que vendam a crédito nos mercados externos.

O apoio concedido às empresas traduz-se na emissão de uma apólice de seguro de créditos através da qual, a empresa exportadora poderá cobrir os riscos financeiros associados à empresa importadora (riscos comerciais) ou ao país de importação (riscos políticos/extraordinários), podendo estes integrar quer a fase de preparação da encomenda, quer os riscos inerentes após a sua expedição. 

Os créditos englobados nestas apólices podem ser de curto, médio ou longo prazo. 

É importante perceber que o conceito de seguro de créditos à exportação inclui o princípio da globalidade pelo que o segurado (empresa exportadora) deverá solicitar limites de garantia para todos os clientes externos a quem venda a crédito, ficando seguro até aos limites previamente aprovados. 

Para além do risco de mora do devedor, poderão estar também cobertos, designadamente se ocorrerem antes da mora, os riscos de falência judicial, concordata ou moratória, insuficiência de meios do devedor comprovada judicialmente ou simplesmente reconhecida pela COSEC (nomeadamente, cessação de actividade, inexistência de património do devedor, etc.) e, ainda, a recusa arbitrária do devedor em aceitar os bens ou serviços encomendados. 

As percentagens de cobertura podem ir até 90% do crédito garantido no mercado externo, em função do país.

A taxa de prémio varia de acordo com a aplicação de diversos critérios e é definida após estudo da carteira de clientes do potencial segurado.

Nos riscos de natureza comercial situa-se, em regra, num patamar inferior a 1% sobre os montantes seguráveis. 

As operações passíveis de cobertura são vendas a crédito com condições de pagamento normalmente, até 180 dias, prorrogáveis, em casos excepcionais, sendo cobertos os riscos de fabrico (suspensão ou revogação da encomenda, durante o período de fabrico) e os de crédito (falta ou atraso de pagamento, após a entrega dos bens/prestação dos serviços). 

Este seguro, para além das óbvias vantagens decorrentes da protecção ao “cash-flow” e ao balanço das empresas, apoia ainda o crescimento destas pelo estudo de novos clientes/mercados externos, permitindo o alavancamento do volume de vendas, a gestão e controlo de créditos, a vigilância activa do risco, o acesso a financiamento bancário e recuperação de créditos.