segunda-feira, 24 de abril de 2017

SENTE DOR NO PÉ? E AGORA, O QUE FAZER?

FÁTIMA LOPES CARVALHO
(www.centroclinicodope.pt)


A dor no pé é muito frequente, infelizmente ainda não faz parte da nossa cultura efetuar a prevenção da doença nomeadamente no pé, pois só se procura um Podologista quando a dor chega a ser descrita como insuportável.

“A subjetividade inerente à dor torna-a extremamente difícil de definir. O subcomité de Taxonomia da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), em 1979, definiu-a como: "Experiência sensorial e emocional desagradável associada com uma atual ou potencial lesão tecidular, ou que é descrita como tal” (Cardoso, 1999, p. 3).

A dor caracteriza-se por alguns sinais e sintomas, contudo não podemos supor que todos os indivíduos apresentarão sinais e sintomas iguais e objetivos. A dor pode ser caracterizada como aguda ou crónica. Os sinais e sintomas descritos frequentemente pelos indivíduos são: agonia, tração, pressão, queimadura, em ferroadas, perfurante ou penetrante, imprecisa, etc.

O pé humano suporta o peso de todo o organismo e uma das suas funções é distribuição do peso por todo o pé, no entanto esta distribuição nem sempre é a correta o que leva a alterações biomecânicas (www.centroclinicodope.pt) que com o passar do tempo provocam dor por todo o pé e também em toda a cadeia ascendente, sendo portanto aconselhado efetuar o despiste de alterações presentes no pé evitando assim problemas futuros e consequentemente dor.

As alterações estruturais/biomecânicas mais frequentes; que provocam determinados sinais e sintomas que incitam dor são:

Estruturais /Biomecânicas

· Pé plano
· Pé cavo
· Retropé varo
· Retropé valgo
· Antepé varo
· Antepé valgo
· Sequelas de pé boto (ex: equino varo)

Nunca se esqueça de observar os seus pés, a prevenção deve ser um objetivo primário.

__________________________
Bibliografia
Cardoso, A. (1999). Manual de tratamento da dor crónica. Lousã: Lidel.

APRENDER A VIVER COM A DIABETES

MARIA CERQUEIRA
A diabetes foi uma das primeiras doenças a ser descrita. Fala-se da existência de um manuscrito Egípcio datado de 1500 a.C. que faz referência a um "esvaziamento muito grande de urina". 

Pensa-se que os primeiros casos descritos sejam de diabetes do tipo 1. Por volta da mesma época, a doença foi identificada por médicos Indianos, que a designaram como "urina de mel" depois de repararem que a urina diabética tinha a particularidade de atrair formigas. No entanto, o termo "diabetes" só viria a ser introduzido em 230 a.C. pelo Grego Apolónio de Mênfis. A doença era rara durante o Império Romano, Galeno chegou a comentar que durante toda a sua carreira tinha observado apenas dois casos. 

A separação dos tipos 1 e 2 de diabetes enquanto condições médicas distintas foi feita pela primeira vez pelos Indianos Sushruta e Charaka durante o século V d.C., associando o tipo 1 com a juventude e o tipo 2 com o excesso de peso. O termo "mellitus", ou "do mel", foi acrescentado pelo Britânico John Rolle no fim do século XVIII, de forma a separar esta condição da diabetes insipidus que está igualmente associada com a micção frequente. O primeiro tratamento eficaz só viria a ser desenvolvido já no início do século XX, depois dos CanadianosFrederick Banting e Charles Best terem descoberto a insulina em 1921. 

A Diabetes é um problema de Saúde Pública que resulta, muitas vezes, da forma como vivemos e dos hábitos que adquirimos. O número de pessoas com diabetes está a aumentar em todo o mundo e naturalmente, Portugal não é exceção. Se existem atualmente entre nós cerca de 400.000 diabéticos, iremos provavelmente ter no ano 2025 perto de 700.000 (em 2010 cerca de 26% da população portuguesa entre os 20 e os 79 anos tinha Diabetes). Este aumento, é devido fundamentalmente à diabetes tipo 2, é um problema alarmante em termos humanos, sociais e económicos.

A Diabetes é uma doença que não tem cura e é responsável por várias complicações que diminuem a qualidade de vida, podendo provocar a morte precoce. No entanto, o avanço nos tratamentos e a compreensão da doença permite aos diabéticos levar uma vida praticamente normal. Na maior parte das vezes, o cuidado com a alimentação e a prática regular de exercício são suficientes para evitar a doença ou para a manter controlada.

Vamos falar da Diabetes tipo 2 pois é, sem dúvida, o tipo mais comum de Diabetes e representa cerca de 90-95% de todos os casos de diabetes a nível mundial. Embora esta doença tenha uma componente hereditária, a Diabetes tipo 2 pode ser prevenida controlando os fatores de risco e que são:
Dieta desequilibrada;
Obesidade;
Ingestão excessiva de gorduras e açúcares;
Falta de atividade física;
Consumo de álcool e tabaco.

A Diabetes tipo 2 se não for convenientemente tratada e valorizada, pode conduzir a diversas complicações levando a uma incapacidade permanente ou morte, entre as quais:
Doenças cardíacas;
Insuficiência renal;
Lesões neurológicas;
Doenças oculares que podem levar à cegueira;
Doenças digestivas;
Síndrome do pé diabético, que pode obrigar à amputação.

Estas complicações podem ser evitadas através do diagnóstico precoce e da promoção de estilos de vida saudáveis, mas, infelizmente, a diabetes não só é frequentemente diagnosticada tarde demais, como também 50% das pessoas com diabetes ignoram que têm a doença ou não a valorizam. Tratam-na como se ela fosse inofensiva…mas não é…não dói mas destrói.

Uma alimentação equilibrada está indicada para todos os que prezam a saúde. Mas se pertence a um dos grupos de risco ou se tem diabetes, uma alimentação correta constitui o pilar principal na prevenção do seu aparecimento ou no seu controlo, bem como na prevenção do aparecimento ou desenvolvimento das complicações agudas e crónicas. O cumprimento de um programa equilibrado contribui decisivamente para um melhor controle da diabetes, quer em pessoas que fazem tratamento com anti-diabéticos orais quer nas que fazem insulina, um bom programa alimentar é essencial e, em muitos casos, torna-se mesmo suficiente para a compensar.

Os três principais pilares no tratamento da Diabetes são:

1. Alimentação adequada
2. Exercício físico
3. Medicação (insulina ou comprimidos), se necessário

A alimentação das pessoas diabéticas não é uma alimentação especial, a alimentação dos diabéticos deve ser tão equilibrada, variada e completa como a alimentação de qualquer indivíduo saudável, não havendo lugar para alimentos completamente proibidos apenas podem ser uns mais restritivos que outros. 

À luz do conhecimento atual, não se justifica encorajar as pessoas diabéticas a não comer hidratos de carbono. De facto, é importante que incluam na alimentação diária o consumo de frutos, hortaliças, cereais, grão e leguminosas, ricos em hidratos de carbono, mas igualmente ricos em fibra alimentar, vitaminas, minerais, antioxidantes e outras substâncias protetoras.

ESTATUTO DA AMIZADE

RITA TEIXEIRA
Viver sem a família e sem a amizade é como viver no isolamento, fechada no claustro de um convento. Um dos valores fundamentais que regem a minha caminhada da vida é e será o coração repleto de amigos verdadeiros que dão tudo por tudo, só para me verem feliz. São raros esses amigos, mas Deus presenteou-me com outros de uma riqueza incalculável... Certo dia chorava de saudosismo de amigos que nunca mais vira, quando surgiu a ideia de pedir provérbios sobre a amizade. Com os provérbios, enviados pelos amigos virtuais, redigi o "Estatuto da Amizade", aprovado por unanimidade, no parlamento da felicidade.

ESTATUTO DA AMIZADE

Artigo nº1 Decreta-se que um bom amigo deve ser a bengala de suporte para ajudar o amigo nas quedas da vida, porque “amigo fiel e prudente, vale muito mais que um parente”.

Artigo nº2 Decreta-se que um bom amigo deve ser a fruta do ano inteiro, pois “quem não gosta de figos, não gosta de amigos”. 


Artigo nº3 Decreta-se que um bom amigo deve sentir quando deve parar de insistir em permanecer junto do amigo, porque “amigo não empata amigo”. 


Artigo nº4 Decreta-se que um bom amigo não se deve isolar nas situações adversas, porque os “amigos são para as ocasiôes”. 


Artigo nº5 Decreta-se que um bom amigo não pode ficar no isolamento a sofrer porque “a amizade é um porto de abrigo”. 


Artigo nº6 Decreta-se que um bom amigo não se deve meter em negócios ou empreendimentos, porque “amigos, amigos, negócios à parte.” 


Artigo nº7 Decreta-se que um bom amigo não se deve fechar na sua vida nem fugir quando se apercebe que o seu amigo está a 

enfrentar graves complicações porque “na necessidade se prova a amizade.” 


Artigo nº8 Decreta-se que um bom amigo é aquele que diz sempre a verdade mesmo sabendo que o vai magoar, porque “amigo é aquele que não te diz o que gostavas de ouvir, mas sim aquele que te diz o que precisas de ouvir.” 


Artigo nº9 Decreta-se que um bom amigo não deve cingir-se às contas da vida. Basta fazer uma conta porque “a amizade duplica as alegrias e diminui as tristezas.” 


Artigo nº10 Decreta-se que um bom amigo deve sempre avisar que nem sempre as pessoas são o que aparentam porque o “amor é cego e a amizade fecha os olhos.” 


Artigo nº11 Decreta-se que um bom amigo, se tem amigos com um carácter notável, deve partilhá-los porque “amigos dos meus amigos, meus amigos são.” 


Artigo nº12 Decreta-se que um bom amigo nunca te abandonará, porque um “amigo ama em todos os momentos, é um irmão na adversidade.” 


Artigo nº13 Decreta-se que um bom amigo deve perseverar os seus amigos, porque a “amizade não tem preço.” 


Artigo nº14 Decreta-se que um bom “amigo está sempre presente para der o que vier.” Este decreto-lei foi debatido no parlamento da felicidade e aprovado quando todos os elementos levantaram o símbolo com um provérbio. Votado com unanimidade, entrará em vigor a partir de abril.

COMO ESCOLHER OS PRODUTOS DE HIGIENE ORAL MAIS ADEQUADOS PARA MIM?

(PARTE I – PASTA DENTÍFRICA)

INÊS MAGALHÃES
Perante um mercado cada vez mais abrangente e com mais escolhas disponíveis, por vezes torna-se difícil escolher qual ou quais os produtos mais adequados para cada pessoa. Seja pelo preço, pela embalagem ou até mesmo pela publicidade, somos influenciados a escolher um produto em detrimento de outro. Mas será essa a melhor atitude?

No que diz respeito à higiene oral básica, é importante que, desta, façam parte uma escova dentária e uma pasta dentífrica. Para complementar esta higiene, é importante o uso do fio dentário e/ou escovilhão interdentário. Por vezes, torna-se necessário o uso de um colutório/elixir em situações de patologia oral. Mas como escolher?

Em relação à pasta dentífrica esta deve obedecer a alguns critérios básicos, independentemente da marca comercial.

O primeiro é a quantidade de flúor

Um adulto deve usar um dentífrico com uma quantidade entre 1000 a 1500 ppm de flúor (esta informação vem disponível na parte posterior da pasta, junto à sua composição). Por sua vez, uma criança até aos 6 anos de idade, pode ainda não ter destreza suficiente para cuspir, havendo risco de engolir a pasta, por isso deve usar apenas 1000 ppm de flúor, nunca uma quantidade inferior. Pode, contudo, usar a quantidade igual a um adulto, logo que não engula a pasta. A partir desta idade a criança já pode, e deve, usar entre 1000 a 1500 ppm de flúor.

O segundo é a existência ou não de materiais branqueadores

Está provado cientificamente que estes materiais não são adequados para uma boa saúde oral. Isto acontece porque eles apenas vão atuar na parte mais externa do dente (esmalte dentário), removendo algumas manchas/pigmentos superficiais, mas de forma muito abrasiva, ou seja, funcionando como um esfregão de arame. Assim, aumentam as perdas de materiais naturais do dente e que o protegem, ao mesmo tempo que “riscam” os dentes ao invés de os protegeram. Deste modo, os dentes tornam-se mais “fracos”, aumentando a sensibilidade dentária, bem como outros problemas orais.

O terceiro, e último, está relacionado com a presença de componentes específicos

Por vezes é necessário o uso de pastas dentífricas específicas para determinadas pessoas/problemas orais, como por exemplo o sangramento gengival ou a sensibilidade dentária. Estas são recomendadas pelos profissionais de saúde oral e devem ser usadas pontualmente e não de forma continuada.

Em suma, uma pasta dentífrica deve ter uma composição em flúor entre 1000 a 1500 ppm, não ter materiais branqueadores e, em situações pontuais, devem ser usados componentes específicos. Em relação à marca comercial, preço ou publicidade, adquira aquela que melhor lhe agradar, logo que obedeça a estes critérios.

domingo, 23 de abril de 2017

PLANALTO RESSUSCITADO

MIGUEL GOMES
O vento soprava quente, mas lá, sob as oliveiras, esse mesmo vento corria sobre nós, tapando e aquecendo-nos como um morno e invisível manto de serenidade. Era fácil ser feliz sem nada. As pequenas azeitonas colhidas pela natureza antes do tempo marcavam o chão, assemelhavam-se a pequenos botões verdes num acolchoado tecido usualmente parco de cores. Ficávamos ali contigo a olhar o céu, calados, o barulho do vento a fazer com que as folhas sussurrassem entre elas, o baque surdo de uma azeitona a cair. 

Já todos nos perguntávamos sobre o que há para lá das estrelas, tu olhavas quem te perguntava com aquela profundidade de nos saber mais do que somos, sorrias e apenas contavas histórias de casa do teu pai. Dizias que havia por lá muitas moradas e que apenas nos sentíamos sozinhos porque não nos sabíamos encontrar ali, ou em qualquer outro olival, no silêncio que deveríamos aprender a calar. Nalguns momentos em que falavas de algo como se todos o soubéssemos previamente, rias-te quando indagávamos o sentido das palavras, sempre gostaste de metáforas, dizias que o significado surgiria quando nos lembrássemos do que te lembraste, ou do que vieste fazer recordar, e tratavas-nos como se fossemos longos irmãos de jornadas sob oliveiras, bodhis ou outras árvores que dizias existirem noutras estrelas. Como tenho saudades desse tempo.

Quando te encontrei sozinho, venci medo, timidez e perguntei-te algo. É curioso, não recordo a pergunta, mas lembro-me da resposta que deste, ainda a possuo em mim apesar do ruído dos iluminismos e medievalismos de todas estas voltas ao sol. Talvez a tenhas passado para mim pelo olhar, a tua típica resposta à cacofonia com que te rodeavam, aquele olhar fundo que parecia penetrar olhos dentro como se olhasses para (ou soubesses que éramos) o infinito que nos habita no interior. Hoje ainda procuro essas respostas, ou por ti, nos olhos de com quem me cruzo.

Quando foste, como disseste que ias, o que mais enfatizaste, nos momentos em que permitias que olhássemos para dentro de ti, era para termos cuidado com o que oportunistas poderiam fazer com as tuas palavras. Por isso cada um que desejasse o silêncio deveria trocar o folclore, a opulência carnavalesca da necessidade egocêntrica de superioridade superlativa pelas verdadeiras palavras inauditas que são um abraço. O silêncio seria sempre o pautar ritmado do amor, como um pêndulo que vai e vem, sem nunca ir e voltar, porque estaria sempre onde o tempo não alcança. Disseste-o, mas talvez ainda não saiba o que significa, por isso continuo no silêncio e o tempo faz-me confusão hoje como fazia antes. Hoje estou por aqui e enquanto não chega amanhã vou trauteando calado as paisagens que encontro no interior de outros. 

Tu, na mais perfeita solidão de seres único com a pluralidade de todos nós, idos e vindos, o universo criado, expandido, implodido, recriado, na infinita miríade de células que habita todo o espaço onde existes e não existes, vais teimando silenciar e encher de beleza até a mais escareada face de quem se esqueceu de ti e se escondeu de si próprio. Lembras-te quando, chegados a nova terra que não te conhecessem o corpo, além do contado e acrescentado, permitias qualquer um de nós subir no burrico e ser aclamado entre folhas de oliveira, enquanto nos guiavas, burrico e nós como um só pela rédea solta? 

Que saudades tuas meu querido amigo de silêncios, por cá andamos sem nunca dar o salto, cada um de nós uma escarpa que tentamos escalar, única e simplesmente porque não nos sabemos planalto.

VACINAR: A FAVOR OU CONTRA?

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
E eis que estala mais uma polémica…

Enquanto mãe, não hesitei em vacinar os meus filhos, aliás com a descoberta de novas vacinas, uma parte considerável de crianças vai além do Plano Nacional de Vacinação e os meus filhos não foram exceção.

Nem mesmo quando há uns anos houve um suposto surto de meningite, que teve como consequência uma corrida desenfreada à compra da respetiva vacina e soube de fonte segura que afinal, os casos da doença não estavam fora do normal para a época, mas sim que havia um lote de vacinas em fim de prazo cujo stock havia necessidade de escoar, com a aprovação do pediatra e apenas por uma questão de descargo de consciência o meu filho mais velho (o mais novo, era ainda bebé e já fazia uma vacina combinada fora do Plano Nacional de Vacinação), foi vacinado contra aquela estirpe de meningite.

Curiosamente, já se passaram uns anos e não voltou a haver tanto alarde acerca de casos de meningite e no entanto, todos os anos eles acontecem!

Relativamente à vacinação, claro que se lermos todas as contraindicações, trememos e a pergunta “e se…?” inconscientemente passa pela nossa cabeça, mas depois, pesando bem os pós e os contra, a dúvida desaparece.

Poderão eventualmente haver exceções, como por exemplo no caso de patologias cuja vacinação se transforme num risco, mas essas exceções deverão ser devidamente analisadas e se opção for pela não vacinação, devem ter o aval de médicos devidamente creditados na matéria.

E sim, salvo as referidas exceções, na minha opinião a vacinação devia passar a ser obrigatória, afinal está provado que é maior o benefício que o risco. E todas as crianças têm direito às mesmas oportunidades!

A SOBREVIVÊNCIA DOS MAIS APTOS

LUÍS ARAÚJO
A propósito de uma tarde de compras em Braga apercebi-me de uma verdade insofismável, o futuro da humanidade está em causa, e a culpa é das mulheres.

Enquanto cirandava pela conhecida cidade dos "pês" - residindo a duvida no facto de serem três ou cinco - derretendo obscenas quantias de loja em loja, acompanhado por uma tia que pacientemente me explica que não se deve misturar calças amarelas com uma camisa fuscia (seja lá isso o que for), sou surpreendido com umas gotas de chuva.

Claro que a surpresa se deve eminentemente ao facto de eu ser parvo, pois toda a gente sabe que Braga é o penico da Europa, não sendo surpresa nenhuma um aguaceiro inopinado.

E a chuva la começou a cair, envergonhada, esparsa, acumulando algumas gotas no para-brisas enquanto me dirigia para outra loja, e lentamente foram-se acumulando, enquanto procurava lugar para estacionar.

Finalmente, sem aguentar mais, a minha tia dispara sem rodeios "não vais ligar as escovas?"

Estarreci, confesso que nem sequer tinha essa opção como viável. Não sou eu que ligo as escovas, é o carro, como faz com as luzes, com o ar condicionado e com outras milhentas coisas com as quais não tenho que me preocupar, mas o que releva é que os homens são bem mandados, muito bem mandados.

Eu não ligo as escovas nem as luzes quando quero, mas quando o meu carro quer, não ligo o aquecimento central nem baixo os estores quando quero, mas quando a minha casa quer, tenho uma formação académica alicerçada em licenciaturas e mestrados, dividida em cinco universidades, mas todas as semanas faço de gasolineiro porque a GALP quer, de operador de caixa de supermercado porque o Belmiro de Azevedo quer ou de empregado de mesa porque os donos dos restaurantes querem, por via da florescente moda dos "buffets".



Mas não sou só eu, há toda uma multidão masculina que, habituada a milénios de resignada e silenciosa subserviência perante as mulheres, permite que o carro, a casa, o Bemiro e basicamente todo e qualquer bicho careta mande em si, o problema são as damas, inflexíveis, ditatoriais, de nariz arrebitado e que ligam as escovas do carro mal começa a chover, pois não se adaptam e a sobrevivência das espécies, como tão bem postulou Darwin, só se dá com a sobrevivência dos mais aptos, mas os mais aptos, sem as damas não sobrevivem porra nenhuma.

sábado, 22 de abril de 2017

O PAPA “DA EMPATIA” VISITA PORTUGAL

AIDA CARVALHO
A notícia mais aguardada chegou no ano de 2016!

O Papa Francisco confirmou a sua visita ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima e a respetiva canonização dos pastorinhos, no dia 13 de maio de 2017 aquando o centenário das Aparições. Os portugueses, fervorosos da devoção mariana, estão duplamente satisfeitos; as entidades públicas e privadas articulam estratégias de atuação desde os operadores hoteleiros, à restauração aos transportes aéreos e/ou terrestres. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima será o foco da imprensa mundial. Os portugueses precisam de notabilidade que valorize a sua identidade, o seu património muito para além do impacto económico que possa advir com a sua visita. Somos designado um país rico de santuários, peregrinações e procissões cuja visibilidade maior, pela sua natureza e movimento registado, é o Santuário de Fátima, atraindo anualmente cerca de 4 milhões de visitantes.

O Papa Francisco é o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (13 de maio de 1967), João Paulo II (12-15 de maio de 1982; 10-13 de maio de 1991; 12-13 de maio de 2000) e Bento XVI (11-14 de maio de 2010), encerrando a pretensão do Governo em afirmar Portugal como um destino turístico religioso de excelência. Na ultima década, o Turismo Religioso apresenta índices de crescimento muito significativos, sendo alvo da atenção de diversos agentes económicos, políticos e científicos. Estamos em crer que esta visita poderá reforçar Portugal como um destino religioso, alavancando outros santuários regionais como por exemplo o santuário de Bom Jesus de Braga ou de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, o Santuário de Nossa Senhora da Penha, em Guimarães, o de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, bem como as grandiosas festas de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. Somos, efetivamente um país com um vasto património material e imaterial que nos dignifica e enche de orgulho independentemente dos credos, devoções ou roupagem. O Papa “dos afetos” escolheu Portugal. Sentimo-nos envolvidos. Reforçamos o nosso orgulho. 

Bem-haja Papa Francisco!