sexta-feira, 31 de março de 2017

EA: ESTIMULAR A MENTE

GABRIELA CARVALHO
Nas crónicas 06.01.2017 e 03.02.2017 abordei o tema do ENVELHECIMENTO ACTIVO (EA), dando-lhe continuidade na crónica de 03.03.2017, na qual especifiquei a importância do exercício físico.

Na crónica de hoje a especificidade será sobre a importância de ESTIMULAR A MENTE.

Um dos principais medos e receios associados ao envelhecimento está relacionado com a perda de memória e o declínio cognitivo.

Não é necessário alarmismos porque nos esquecemos da chave de casa, porque não sabemos onde colocamos os óculos… esses esquecimentos acontecem em qualquer fase da vida. No entanto, para que não se tornem tão frequentes com o avançar da idade nem tão significativos, é fundamental exercitar o cérebro.

Importa antes de mais, desmistificar que existe um declínio generalizado e irreversível das capacidades cognitivas com a idade. Este pensamento é mais um estereótipo associado ao envelhecimento do que propriamente uma realidade linear.

Ou seja, existe algum tipo de declínio cognitivo associado à idade, MAS ADMITE-SE QUE ESTE ESTÁ MAIS RELACIONADO COM A FALTA DE USO DESSAS CAPACIDADES, QUE POR ISSO SE VÃO PERDENDO.

Por isso a celebre frase “USE IT OR LOSE IT” (use-o ou deixará de funcionar) vem chamar à atenção de que a mente e o corpo têm de ser cuidados e usados para continuarem a funcionar adequadamente.

Por isso, o declínio cognitivo tantas vezes abordado e associado ao envelhecimento PODE SER PREVENIDO, OU ATÉ MESMO RETARDADO, através «do uso e treino adequados das várias funções cognitivas ou através da adaptação de estratégias de compensação.»
No entanto, não podemos esquecer que existem factores biológicos (como a audição e a visão), factores pessoais (como défices de atenção, baixa escolaridade, a própria história pessoal) e factores sociais (como por exemplo, a passagem para a reforma, abordada na crónica anterior) que ao reflectir-se nos estilos de vida de cada um, vão influenciar o modo como cada um envelhece e afectar o próprio envelhecimento cognitivo.

São várias as formas que permitem manter a mente activa, seja pelo treino cognitivo (de curta duração) aplicado nas rotinas do dia-a-dia; seja pela intervenção cognitiva, mais prolongada no tempo e com necessidade de suporte de um técnico especializado.

Alguns exemplos de como estimular o seu cérebro nas rotinas do seu dia-a-dia:

- na pastelaria, optar por sentar-se numa mesa diferente da habitual e perceber o que consegue observar de diferente nesse novo ângulo de visão;

- de vez em quando ir a outro café diferente do habitual e ler um jornal que não costuma ler;

- escolher percursos alternativos nas viagens que faz diariamente;

- alterar a ordem de determinadas rotinas no seu dia;

- procurar artigos diferentes e em lojas diferentes;

- experimentar novas actividades;

- entre uma panóplia de exercícios que se encontram disponíveis, como palavras cruzadas, sopas de letras, leitura de livros … e que são mais usuais ouvirmos como indicação.

Parecem coisas demasiado simples, mas na verdade o nosso cérebro ao realizar sempre as mesmas coisas e da mesma forma deixa de pensar/observar/ analisar o que está a fazer; passa a fazê-lo por rotina. Ao “trocar as voltas” ao seu cérebro fazendo pequenas mudanças, vai obrigá-lo a pensar/analisar as novas situações e assim está a manter a sua mente activa e a estimular o seu pensamento.

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”



Referências Bibliográficas:
- Organização Mundial de Saúde (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde.
- Ribeiro, O., C. Paúl (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lisboa, Lidel - edições técnicas, lda.
- Torres, M. & Marques, E. (2008). Envelhecimento activo: um olhar multidimensional sobre a promoção da saúde. Estudo de caso em Viana do Castelo. Lisboa: VI Congresso Português de Sociologia.
- Vasconcelos, K. R. B. d., Lima, N. A. d., & Costa, K. S. (2007). O envelhecimento ativo na visão de participantes de um grupo de terceira idade. Fragmentos de cultura, 17, 439-453.

CRIMES CONTRA IDOSOS

ANA LEITE
O progressivo envelhecimento da sociedade tem criado novos desafios e problemas: desde a sustentabilidade do Estado de Providência até aos cuidados exigidos por uma sociedade envelhecida. Este aumento do envelhecimento, aliado a uma alteração do estatuto social do idoso conduziu ao abandono, à pobreza e à vulnerabilidade das pessoas mais velhas.

Em Portugal, a Constituição da República Portuguesa (CRP) consagra a dignidade da pessoa humana como base da República. Apesar deste princípio constitucional, o ordenamento jurídico português não possui leis específicas de proteção do idoso. Porém, o Conselho de Ministros aprovou recentemente uma Resolução (Resolução n.º 63/2015), a qual veio aprovar a Estratégia de Proteção do Idoso, e que veio dar um passo significativo no reconhecimento de problemas sociais e criminais, referentes a cidadãos adultos vulneráveis em razão da idade.

A Organização Mundial da Saúde refere que podem estar em causa crimes de diferentes naturezas, desde crimes por ação ou omissão, a abusos físicos, psicológicos, sexuais ou financeiros.

De relevar que os crimes praticados contra idosos podem ser cometidos por pessoas próximas destes, ou por pessoas desconhecidas, principalmente no que se refere aos crimes contra o património, por serem os idosos especialmente vulneráveis.

Encontra-se especificamente previsto no nosso ordenamento jurídico um conjunto de tipos legais e circunstâncias agravantes nas quais é atendida a maior vulnerabilidade da vítima em razão da sua idade. Serão estes os crimes mais passíveis de conexão com as características do cidadão idoso. Todavia, este poderá ser vítima da prática de tipos legais não especialmente vocacionados para a sua defesa, mas que a idade mais avançada da vítima poderá atuar como catalisador da conduta criminosa.

Dito isto, no âmbito da criminalidade contra idosos seria de equacionar a alteração para caráter urgente do processo (de forma a agilizar procedimentos e a reduzir o tempo de duração do inquérito; de remeter o processo à seção especializada competente para a investigação). E no que concerne à recolha da prova, seria importante não assumir a prova testemunhal como único meio de lograr prova da prática dos factos ilícitos (seja por incapacidade física ou mental, seja por vergonha ou até medo).

Para finalizar, recorde-se o disposto no artigo 69.º - A do Código Penal, : “A sentença que condenar autor ou cúmplice de crime de homicídio doloso, ainda que não consumado, contra o autor da sucessão ou contra o seu cônjuge, descendente, ascendente, adotante ou adotado, pode declarar a indignidade sucessória do condenado”.

quinta-feira, 30 de março de 2017

AO ENCONTRO DO TEMPO

CATARINA PINTO
“Tempo: nome masculino 1. sucessão de momentos em que se desenrolam os acontecimentos 2. parte da duração ocupada por acontecimentos 3 período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem; duração ….” In dicionário online Tempo… palavra infinita, ampla que se move em silêncio, sem perdoar mágoas ou sorrisos; Tempo… incerto instante carregado de passados com o horizonte no futuro; Tempo… o que se vive, o que se esconde nos momentos; Tempo… é como um sentimento que corrói as veias, que corrói o corpo, que envenena o sangue; Tempo… que se torna tão intemporal como uma memória secreta. Tempo… sem dúvida mais um dos temas favoritos de artistas, presente em pinturas, na literatura, na poesia, na musica até nas ciências.

Amo os pensamentos sobre o tempo, que de um momento para o outro alteram-se consoante o autor e conseguimos ver detalhadamente os diferentes ângulos que o tempo têm. Eu própria adoro escrever sobre o tempo, gosto de refletir a minha maneira o que ele significa para mim em cada momento da vida.

Na Filosofia está presente como uma das questões problemáticas mais proeminentes, ele subdivide-se, é objetivo e transforma-se em subjetivo com a maior das facilidades. Deixando para trás as algemas dos ponteiros do relógio, passamos de um tempo infinito a um tempo supersónico apenas dependendo do nosso estado de espírito e forma de encarar o exterior. Mas sem dúvida a grande lição dos sábios filosóficos é que dependendo de tudo o que seja real em relação ao tempo o fundamental é sempre desfrutar do tempo.

O tempo está sempre presente em tudo ainda que por vezes oculto move o mundo de uma maneira única. É o tempo que domina as vidas, que domina as escolhas.

SIMPLIFICAÇÃO EMPRESARIAL

RUI LEAL
Um dos enormes entraves que se colocava à criação de novas empresas em Portugal e à dinamização da actividade empresarial e do empreendedorismo consistia, basicamente, num excesso de formalidades a que se designa, correntemente, de burocracia.

Efectivamente, todo e qualquer empresário ou empreendedor facilmente desistia de implementar as suas ideias de negócio pelo facto das exigências e entraves legais, regulamentares e decisórios inviabilizar, à partida, a concretização do projecto em causa.

A dado momento sentiu-se a necessidade de realizar um esforço de simplificação, sobretudo na fase inicial do ciclo de vida das empresas, paralelamente a uma redução dos encargos e emolumentos administrativos nas actividades económicas sujeitas a licença ou autorização.

Um flagrante exemplo de tal medida consiste na certidão de registo comercial permanente, cuja versão actualizada está disponível na internet e pode ser acedida mediante a introdução de um código de acesso que é facultado, evitando assim deslocações inúteis às Conservatórias do Registo Comercial.

No momento em que é concluído qualquer acto de registo comercial acaba por ser disponibilizado um código de acesso à certidão do registo comercial da sociedade e que é válido por um período de 3 meses podendo, posteriormente ser o mesmo objecto de renovação.

Estas certidões permanentes têm a mesma validade e força legal que as certidões emitidas em suporte de papel.

Outro exemplo concreto de medidas de simplificação tem que ver com os procedimentos de licenciamento e instalação.

O programa Licenciamento Zero introduziu um regime simplificado de licenciamento para a instalação, alteração e encerramento de estabelecimentos comerciais, restauração e bebidas, lojas, comércio de bens, serviços e armazenagem.

Exemplos de negócios abrangidos por este programa serão os restaurantes, pastelarias e padarias, mercearias, peixarias, cabeleireiros, barbearias, etc.

Posteriormente, veio a ser implementado o Sistema da Indústria Responsável (SIR) que, num só diploma legal, acaba por consagrar e regulamentar os procedimentos aplicáveis:

- ao acesso e exercício da actividade industrial;

- à instalação e exploração de Zonas Empresariais Responsáveis (ZER);

- ao processo de acreditação de entidades nesse âmbito, prevendo-se diversas medidas de simplificação para o licenciamento industrial;

Desatacam-se, dentro dessas medidas:

- a redução e eliminação de exigências de controlo prévio;

- o reforço de mecanismos de controlo a posteriori;

- a criação da figura do título digital único (consiste num documento único que concentra todas as licenças e autorizações de que dependa a instalação ou exploração do estabelecimento industrial;

Todas essas medidas têm como escopo último aquilo que é a preocupação essencial de qualquer empresário/empreendedor, ou seja, a redução dos prazos que medeiam entre a oportunidade de negócio e a efectiva disponibilização do produto ao seu destinatário (público alvo).

A dado momento foi implementado o Licenciamento Único Ambiental (LUA) que permite a incorporação, num único título, de diversos regimes de licenciamento e controlo prévio no domínio ambiental.

De igual modo diversos organismos da Administração Pública disponibilizaram a realização dos seus serviços on line, através de tecnologia de inovação o que veio permitir, além da agilização de processos e procedimentos, o cruzamento de informação entre vários organismos e departamentos.

A implementação destas medidas não só veio permitir uma poupança de tempo, como também a inevitável redução de custos a tal associados.

No que respeita às actividades de importação/exportação foram igualmente desmaterializados alguns procedimentos e disponibilizados formulários electrónicos destinados a instruir vários pedidos ou dar início a determinados procedimentos.

Um dos exemplos será a Janela Única Portuária que consiste num balcão único virtual nos portos e que permite aos agentes económicos relacionarem-se com as entidades portuárias de forma totalmente desmaterializada permitindo uma redução nos tempos de despacho aduaneiro e de trânsito de mercadorias.

quarta-feira, 29 de março de 2017

SER PROFESSOR

ELISABETE RIBEIRO
Sou contra a posição Professor-Educador, antes acreditando na função Professor-“Ensinador”!

A ser verdade essa afirmação, tínhamos meninos “educados”… bem... educados eles são, são é mal-educados!

Eu sinto falta do professor-mestre, de ter liberdade para ser mestre e realmente educar, mas no reino da papelada, burocracia e desígnios misteriosos, estamos cada vez mais perto do professor-desastre!
O primeiro objectivo a atingir, e competência a desenvolver, é a oralidade, mas cada vez mais se vê que os meninos não a atingem nem a desenvolvem.

Parece uma porta aberta para atacar desde já os professores, porque sendo estes os executores de tal desiderato, serão os mesmos os responsáveis pelo insucesso nesta área, mas não é assim.
Os alunos cada vez mais vivem numa redoma intocável individualista onde impera o silêncio e o isolamento pessoal (televisão, PC, Playstation, …) logo, o tempo que se despende a “falar com os alunos” deveria ser ampliado e estimulado, mas o que se vê são programas extensos, mais áreas a desenvolver, e o tempo ser inversamente proporcional. 

Depois, e como há avaliação (embora antes já a houvesse!), há uma preocupação em registar à força seja o que for, desde o professor aos meninos, diminuindo o tempo útil para “falar”.

Ouvindo falar mais do que falando, o aluno corrige-se a si próprio, ouve correctamente e estrutura o seu pensamento com novos conhecimentos, integrando naturalmente sem necessitar de compreender porque as coisas são assim.

Ouvindo então falar bem, começará a falar melhor; falar melhor leva a descobrir o prazer de falar; descobrindo isso, falará mais quer na aula quer nos espaços de partilha de grupo; falando mais desenvolve a estrutura da língua; desenvolvendo a estrutura aprende a escrever naturalmente (com o devido apoio indispensável!); aprendendo a ler e a escrever compreende o que lhe é pedido; compreendendo o que lhe é pedido, aprende com facilidade e promove a auto-aprendizagem!
Porque não se pode dar aulas ao sabor da vontade, e integrar os conteúdos nessas vontades sem planeamento?

Porque tudo tem de ser fundamentado? Nem tudo na vida tem razões visíveis, nem tudo pode ser quantificado e racionalizado, e quando falamos de ensinar o objectivo último é que interessa, porque os meios obrigatórios que nos impõem para chegar a um fim não se justificam.

As planificações anuais de agrupamento são desnecessárias porque existem os programas oficiais que definem as metas anuais!

As planificações mensais são desnecessárias porque ao fim de uma semana, quem conseguir estar dentro dos prazos não respeita os ritmos dos alunos!

As planificações mensais de agrupamento então muito menos, porque duas escolas lado a lado podem não conseguir seguir o plano já que as variáveis humanas não são máquinas uniformes!

As fichas de avaliação comuns de agrupamento são perda de tempo porque não reflectem cada escola, cada método e cada vivência interna, mesmo com os mesmos livros e materiais!

Então para quê tudo isto? Porque se tem a ideia de que o insucesso escolar está ligado aos professores e não à realidade politico-educativo-social!

Para serem espaços de reflexão entre professores, para debater as dificuldades do exercício docente, para partilhar experiências e estratégias sem medos de critica ou de ouvir que cada um que se desenrasque porque não há tempo para isso.

Sim, o tempo que cada um dedica aos seus parceiros de profissão é pequeno porque se perde tempo em tarefas laterais.

Poderão dizer que essas reuniões não levariam a lado nenhum, mas isso seria só de início. O ser humano é capaz das maiores proezas! Se fossemos obrigados a estar as duas horas numa sala com carácter de obrigatório a olhar uns para os outros, acabaria por chegar o momento em que começaríamos a fazer o que de melhor todos temos e sabemos, e que foi um dos pilares da nossa evolução: comunicar uns com os outros!

Então porque não o fazemos? Porque como qualquer menino e menina, se não formos estimulados a partilhar, não o fazemos!

O QUE É O AMOR?

MÁRCIA CORREIA
Etimologicamente, o termo “amor” surgiu a partir do latim “amor”, palavra que tinha precisamente o mesmo significado que tem atualmente: sentimento de afeto, paixão e desejo.

Contudo, definir o que é o amor não é uma tarefa fácil, pois para cada um de nós, o amor pode representar algo diferente. Muitas pessoas expressam os seus sentimentos mais profundos através de mensagens de amor, declarações ou poemas de amor, que são partilhadas com pessoas que lhes são especiais.

Assim, é bastante positivo ver o amor nas amizades, nas relações familiares, nas relações humanas em geral… Isto, quando é um sentimento sincero e sem nenhum interesse secundário. Pois é muito comum ver pessoas utilizarem essa palavra, esse sentimento para fazerem coisas irreconhecíveis, impossíveis de serem feitas por quem realmente ama.
Neste sentido, amar é simples e natural. É ser educada, generosa e amável com quem se convive, tratar todas as pessoas com respeito, mesmo em situações difíceis. Amar é ensinar a amar, ver todos ao seu redor cultivando esse sentimento, sem pressas, sem cobranças, sem distinções. Certos sentimentos nunca deveriam ser denominados amor pois, em alguns casos, alteram completamente o seu verdadeiro significado. E o que importa é o amor, puro e simples.

Desta forma, o amor é um sentimento puro, bom e feliz, pois faz com que sintamos uma paz, uma doçura que só quem prova pode confirmar. 
O amor não é preconceituoso, está em todas as raças e credos, está sempre onde se encontra a tolerância e a bondade extrema, não convive bem com o egoísmo, o ciúme e os sentimentos mesquinhos. Está presente entre as crianças que brincam no parque, nas famílias em confraternização na mesa das refeições e em todos os lugares que houver pessoas de bons sentimentos e que estejam abertas para sentirem essa energia positiva e universal.

Amar de verdade significa saber, reconhecer e aceitar que as pessoas têm defeitos e virtudes, que os hábitos de cada um, provavelmente incomodam, que nem tudo é cor-de-rosa e que não vivemos num conto fadas em que só existem príncipes e princesas apaixonados.

Não, o amor verdadeiro é algo que vai além de amar o que temos em comum, o que é positivo. Um amor sincero e verdadeiro é apaixonarmo-nos pelas diferenças com grande intensidade, ser tolerante com os erros e abrir o nosso coração para a confiança.

terça-feira, 28 de março de 2017

UMA QUESTÃO DE NÚMEROS

ANA SILVA
Há uns 3 ou 4 anos ia eu a caminho de casa, quando fui obrigada a parar o meu carro na rotunda de Geraldes à noite, porque estavam entre 8 e 10 cães, desculpem a incerteza, mas não contei, a dormir literalmente na rotunda. Todos cachorros, 3/4 meses, mas de porte enorme! Uns tigrados outros castanho claro, todos lindíssimos! Na altura fiz a única coisa que podia, que foi ligar com a responsável do grupo de Ajuda Animais em Gondar a explicar a situação. Não havia abrigo físico e a situação ficou assim.. Mesmo que houvesse abrigo e sendo que a lotação da AAAAMT agora é de 15 cães, o resgate teria sido impossível na mesma.. Sei que os cachorros ainda vaguearam pelas ruas da cidade, mas entre a má sorte de uns que não resistiram e talvez a boa sorte de outros que tenham sido recolhidos por pessoas de bom coração, sobraram dois! A nossa apelidada cadela da Chentuada e o seu irmão Tigrado, que fizeram do bairro o seu refúgio. 

São cães magnificos de porte, resistentes de saúde.. Não fazem mal, mas também nao dão confiança aos humanos. Razões para isso devem ter com fartura! 

SEGUNDA NINHADA
O grande problema nesta história toda é nunca termos conseguido apanhar a cadela para esterilizar! Nós, os voluntários, somos pessoas normais, sem formação em captura e resgate, o que neste caso era necessário! A cadela da Chentuada já teve, que me lembre, 3 ninhadas! Da primeira conseguimos roubar dois! E acreditem que foi mesmo roubar!! Não é tarefa fácil retirar um filhote a esta superprotetora mãe! Na segunda vez só vimos os bebés quando já tinham mais ou menos 3 meses e ja tinham sido ensinados a fugir a 7 pés das pessoas.. Tínhamos adotantes para 3 deles, eram 5 se nao caio em erro.. Nunca conseguimos apanhá-los e andam por aí a sobreviver como podem.. Hoje foi a terceira.. Pariu 8 caes, desta vez mais perto das pessoas, o que talvez nos permita apanhá-los com sucesso.. Se não nos for possível basta fazer contas e perceber a implicação do abandono de 1 só cadela! 

1 só cadela deu origem a mais de 15 novos cães na rua em apenas 2 anos.. Entre esses 15 haverá cadelas com certeza que daqui a uns meses começaram a dar o seu contributo para o aumento dos animais errantes! Nós lutamos todos os dias contra estas situações, mas ao mesmo tempo pagamos aproximadamente 100 euros por cada esterilização. Essa esterilização representa que salvamos em média, considerando que a cadela em questão teria 6 ou 7 ninhadas na vida toda, 35 ou 40 cães de passarem a vida na rua.. Os números não vêm de estudos, nem pesquisas.. Vêm da nossa experiência ao longo destes, aproximadamente, dois anos como Associação. 

TERCEIRA NINHADA
Nestes meses que passaram recolhemos imensas ninhadas! Ou no monte, ou em casas em construção, ou no lixo ainda com o cordão umbilical.. Esterilizamos dezenas de cadelas de rua como método preventivo de situações futuras, ja que as nossas condições não nos permitem ser tão reativos como gostaríamos pela falta de espaço e de voluntários. 

Sonhamos em andar nas ruas de Amarante e não ver um animal em cada esquina, cansado, com fome, à chuva e ao frio, ou ao calor desidratante.. Queremos salva-los todos, mas nem 300 lugares num abrigo seriam suficientes. Queremos apostar na prevenção e na sensibilização das populações, mas faltam-nos os recursos financeiros.. Já várias empresas ajudaram com a esterilização de cadelas errantes e a todas as outras abrimos as portas para que o façam. Dos particulares nem se fala.. Todos os meses sobrevivemos e ajudamos animais à custa dos donativos recebidos e que muito agradecemos. Da Câmara Municipal de Amarante recebemos um subsídio pela primeira vez no final do ano de 2016, que nos permitiu equilibrar as contas, mas em Fevereiro já tínhamos esse valor novamente gasto em cuidados veterinários.. Agradecemos imenso todas as ajudas! Pedimos que não parem de nos apoiar! Pela saúde dos cães que estão conosco no abrigo, mas também pelas dezenas de animais feridos e doente que ajudamos todos os meses! Obrigada

PROFISSÕES E ESCOLA DO FUTURO

RUI CANOSSA
Li em tempos algo como “as escolas têm de preparar jovens para profissões que ainda não existem”. Este pensamento tem todo o cabimento e exige uma reflexão aprofundada.

A educação, como aliás todas as áreas da nossa sociedade, vive momentos conturbados e de profunda reestruturação. As metodologias educativas, as novas tecnologias, as condições de sala de aula e de espaços comuns são essenciais, mas mais importante do que isso está a motivação da classe educativa. Desde professores a pessoal auxiliar todos deviam estar motivados para estas mudanças e estar atentos aos jovens, à forma como eles encaram o dia-a-dia académico e o futuro profissional.

Os alunos não estão à margem das preocupações sociais dos adultos, eles sabem que o mercado de trabalho está difícil, que as condições atuais e futuras da nossa sociedade não são/serão fáceis. Por isso, os professores deveriam encarar o contexto de sala de aula como a melhor forma de preparar estes jovens para o futuro. Porque a nossa educação, as nossas escolas têm de preparar hoje os jovens para profissões que ainda não existem… as tecnologias, a era digital move-se a uma velocidade atroz e a forma de estarmos hoje será seguramente diferente amanhã. A indústria, os serviços e todos os sectores da economia têm necessidades laborais diferentes todos os dias. A educação e a economia deviam estar em sintonia.

A educação devia auscultar de perto as necessidades do mercado de trabalho e ajustar-se. Só assim conseguiremos preparar os jovens para o futuro. Prepará-los para o que realmente será necessário. Estamos perante a evolução do ecossistema de ensino que cada vez mais exige a antecipação das necessidades futuras e uma abordagem “hands-on”. Daí eu acreditar imenso na liberdade de ensinar e aprender, na autonomia das escolas, como é o caso dos cursos de planos próprios científico-tecnológicos de dupla certificação que o Colégio de S. Gonçalo em Amarante proporciona, onde aliás trabalho há 22 anos, com conhecimento de causa.

Daquilo que vou lendo sobre o assunto, destaco as competências do século XXI do relatório do Fórum Económico Mundial. Neste relatório as competências são agrupadas em três grupos: no quotidiano, para resolver problemas complexos e para uma adaptação ao ambiente. Assim, das competências para o quotidiano destacam-se a literacia, a matemática e aritmética, literacia científica, literacia financeira, cívica e cultural. Para resolver problemas complexos temos o pensamento crítico, a criatividade, a comunicação e a capacidade de colaboração. No que concerne à adaptação ao ambiente, são competências a curiosidade, a iniciativa, persistência, flexibilidade, liderança e sensibilidade cultural.

Quanto às profissões, o leitor encontrará, numa pequena pesquisa na internet, imensas, mas eu refiro apenas algumas, como designer de personalidades ligada à inteligência artificial, artesãos de automóveis, cultivador de órgãos, coach, assessor de moeda digital de operações financeiras e de negócios, gestão, inovador de recursos humanos, analista de dados, designer de experiência, tradutor de realidade, profissional de bioética, entre tantos outros.

Não se esqueça, o futuro começa agora…

SER IGUAL, SER DIFERENTE

ELISABETE SALRETA
Aqui estava um exemplo de como até onde poderia chegar a degradação humana por exclusão, quer pelo próprio, quer pela sociedade.

Por vezes são as pessoas que se auto excluem, uma vez que não têm capacidade para interagir com os demais. É uma forma de chamar a atenção para algo que não está bem e que não os deixa confortáveis. São limitações que castram o sentir.

A depressão tem de ser tratada em todas as suas formas. A rotina em que a pessoa se encontra insatisfeita, insegura e deslocada, leva a doenças do corpo e da mente, muito difíceis de tratar. Tudo o que a pessoa precisa é de carinho e de atenção, de fazer algo que a deixe descontraída e feliz. Fazer com que cada momento de felicidade se torne cada vez uma constante e assim aquela pessoa, será feliz mais tempo. A mente humana é muito traiçoeira. Funciona como uma eterna criança, ávida de novidades e de atenção. A cada dia que passa, na sociedade em que estamos inseridos, somos cada vez mais um numero e iguais. A diversidade não é tolerada e é até rechaçada porque o cómodo é ser igual. Não se pensa e a curto prazo, dá menos ruído.

Ser diferente significa pensar. Isso dá muito trabalho. O ser humano vai sendo formatado, não para ser humano, mas antes para ser escravo de um sistema corrupto, obsoleto e sem outro objectivo que não seja o lucro imediato e o prazer fácil. Não se visa o futuro, não se vislumbra a diferença.

Veja-se o que se passa nas escolas que até nas lengalengas formatam os pobres a seguir um caminho. O plano Nacional de leitura, mais uma forma de formatação, está cheio de histórias sem qualquer verossimilidade e praticidade.

O ser ávido de vida, definha perante a impotência de não poder resistir.

ACERCA DAS BARBÁRIES

REGINA SARDOEIRA
Há dias pronunciei-me sobre a infância, melhor: aludi à irresponsabilidade que considero estar na base de toda e qualquer gravidez, a levar a cabo no tempo em que vivemos.
A pessoa, com quem assim trocava ideias, arregalou os olhos, em notório repúdio . 
"Então, nunca mais devem nascer bebés?" 
Confirmei esta minha, já antiga, convicção. 
"Não! Os humanos deveriam, muito simplesmente, deixar de reproduzir-se." 
"E depois?" 
"Trabalhávamos para mudar o mundo, estabilizávamos as gerações, dávamos à terra, de novo, um rosto humano e à natureza as qualidades perdidas, e depois poderíamos procriar." 
A conversa seguiu outros rumos, mas eu soube que esta minha hipótese radical não encontrou adesão do outro lado. 
De facto, cada ser humano está de tal modo imbuído de si e dos seus paradigmas, que mediocremente observa o lado de fora - ou seja, o ambiente em que os seres humanos gerados vão crescer. 
Alguém que deseje ter um filho, hoje, precisa de observar muito bem o tipo de educação que vai poder dar-lhe, que valores será capaz de transmitir -lhe, que modelos lhe apresentará como recursos de modelação do carácter. Precisa de equacionar seriamente se ele próprio terá os meios adequados para ser o responsável pela criança que quer gerar, se tem a experiência e o conhecimento necessários capazes de encaminhá -la pelas veredas tortuosas do mundo em que vive, se poderá defendê -lo dos males, se terá engenho para fazer emergir o melhor e criar um ser humano apto para a vida. Deverá olhar à sua volta, lucidamente, e ver se este mundo em que vive e que tantas vezes critica, este mundo onde, tantas vezes, lhe é difícil avançar e criar um caminho, este mundo em que a violência impera e o abuso e o vício são normas do quotidiano, este mundo robotizado, em que as máquinas se vão substituindo ao engenho humano e a inteligência artificial dispensa grandemente o uso da natural, deverá responsavelmente questionar a validade do seu desejo de ser pai. 
Nesse mundo futuro, onde vão crescer e ser adultos os embriões de hoje, existirão ainda livros e bibliotecas ? Espaços verdes e jardins por onde correr e vaguear tardes inteiras? Recantos tranquilos para encontros e conversas? Livre expressão de talentos artísticos a despontar no bico de um lápis? Questões inocentes a quererem ser desvendadas à hora do jantar? E haverá hora do jantar? E jogos feitos à mão? E pequenas perícias descobertas em exercícios simples de lazer? 
A lista de questões poderá ser continuada, talvez para nunca encontrarmos o seu limite: porque esse mundo saudável, onde crescer era uma aventura partilhada entre os mais jovens e os mais velhos, onde havia tempo a gastar e companheirismo a ser construído para durar, esse mundo de jardins e florestas impolutos, de relíquias conservadas, de restauros a fazer, esse mundo de humanos para humanos desapareceu.
As crianças nascem, como outrora. Mas já não se considera imprescindível ter à sua espera um pai e uma mãe ligados, para formarem o núcleo da sua construção como ser humano. É sabido que um recém-nascido é uma criatura precoce e inacabada e que demorará muitos anos até poder responsabilizar-se por si própria. Se lhe faltarem as figuras tutelares da sua formação, os dois, o homem e a mulher de quem é oriunda, a saber, o pai e mãe, como vai cumprir o seu desígnio humano - integralmente? 
Ora, hoje em dia, é comum um homem ou uma mulher, por si sós, ignorando a dualidade imprescindível à formação do ser humano, decidirem ter um filho - recorrendo a outra pessoa que a fecundará ou servirá de receptáculo, que depois descartam, num acto insensato de egoísmo e estultícia. É comum os pais separarem-se, e logo encontrarem outros companheiros que apresentarão aos filhos como pais/mães substitutos. É comum largarem os filhos em frente aos ecrãs, crentes de que os bonecos robotizados são melhores educadores do que eles próprios. 
Eu vejo um mundo de crianças que já não precisam de aprender a ler ou a escrever porque apenas necessitarão de capacidade para pressionar as teclas - e, no espaço neuronal que ia crescendo, à medida que essas habilidades se firmavam, vejo um buraco vazio e informe. Eu antecipo um tempo em que as crianças não terão necessidade de falar, porque um mundo avassalador de vozes e de imagens poderá substituir essa competência com vantagem - e as sinapses encadeadas no trabalho de modular frases desarticular-se-ão, por se terem tornado obsoletas. Desaparecerá o cálculo e o desenho e a literatura e a poesia - tudo será, doravante, mecanizado, e as máquinas, grandes ou minúsculas, sem as quais a humanidade já não pode e não quer passar, refinar-se-ão a um ponto tal que elas próprias se tornarão criativas. 
Não esgotei o assunto, nem tenho a pretensão de ter sido suficientemente explicita. O tema é complexo e decerto os homens não estão ainda prontos para contemplarem a extensão da sua própria decadência. Desse modo, continuarão a construir pseudo-famílias e a gerar filhos, órfãos de muitos afectos e órfãos até de si mesmos, perpetuarão, deste modo, um mundo descaracterizado, onde estranharão viver, sem perceberem que foram autores e responsáveis da barbaridade anunciada. Porque esse mundo, já instalado, mas ainda a erigir-se, corresponde, ainda que com outros matizes, à barbárie primitiva - de onde viemos e, afinal, para onde caminhamos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

HIGIENE ORAL CORRETA – DIFERENTES IDADES

INÊS MAGALHÃES
A higiene oral deve ser realizada logo a partir da primeira amamentação do bebé e até ao fim da sua vida, independentemente da presença/ausência de dentes, variando apenas as técnicas e meios utilizados para esse fim.

CRIANÇA
Na criança, a higiene oral está dependente de vários fatores, mas essencialmente da idade da mesma.

- 0-3 Anos: a escovagem deve ser realizada pelos pais a partir da erupção do primeiro dente, 2x/dia (uma obrigatoriamente ao deitar), utilizando uma gaze, dedeira ou escova macia de tamanho adequado. Mesmo antes da erupção dos dentes, devem limpar-se as gengivas do bebé com uma gaze humedecida com água ou soro fisiológico, pelo menos uma vez ao dia, preferencialmente à noite.

- 3-6 Anos: a escovagem passa a ser realizada progressivamente pela criança, devidamente supervisionada e auxiliada por um adulto, 2x/dia (uma das quais obrigatoriamente ao deitar), utilizando uma escova macia, de tamanho adequado à boca da criança. A quantidade de dentífrico fluoretado (1000-1500 ppm de flúor) deverá ser semelhante ao tamanho da unha do 5º dedo da criança.

- >6 Anos: a escovagem é realizada pela criança, devidamente supervisionada e auxiliada caso não possua destreza manual suficiente, 2x/dia (uma das quais obrigatoriamente ao deitar), utilizando escova macia. A quantidade de dentífrico fluoretado (1000-1500 ppm de flúor) deverá ser do tamanho de uma pequena ervilha ou até 1cm.

JOVEM/ADULTO

Quer nos jovens, quer nos adultos, a higiene oral deve ser realizada com escovagem dentária 2x/dia (uma das quais obrigatoriamente ao deitar), utilizando escova macia ou média. A quantidade de dentífrico fluoretado (1000-1500 ppm de flúor) deverá ser de cerca de 1cm.

IDOSO

Os idosos devem realizar a higiene oral de igual forma aos adultos, contudo, diminuindo a sua destreza manual, esta deve ser auxiliada por um adulto.

PRÓTESE DENTÁRIA / IMPLANTES / COROAS

Nunca esquecer que para além da escovagem dos “dentes naturais” os “dentes artificiais” também precisam ser higienizados todos os dias. De salientar que a higiene destes últimos deve ser realizada de forma adequada aos mesmos.

FIO DENTÁRIO

A utilização do fio/ fita dentária coadjuva a higienização dos espaços interdentários e deve ser iniciada logo que possível. Por volta dos 8-10 anos a criança começa a ter a destreza manual e autonomia necessárias para iniciar o seu uso, devendo perpetuá-lo por toda a vida. O fio deve ser usado pelo menos uma vez por dia antes da escovagem dentária.

ELIXIR/COLUTÓRIOS

Estes podem ser úteis em determinadas situações de patologia oral, contudo o seu uso diário não é aconselhável. Um profissional de saúde oral saberá em que situações poderá/deverá usá-los, devendo recorrer a este para se aconselhar.

COMO A NUTRIÇÃO AFETA OS SEUS PÉS

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Sabia que a sua alimentação interfere com a saúde dos seus pés?

Quando se fala em nutrição e a sua saúde, a maioria das pessoas só associa o que come à perda de peso no entanto e segundo Sherri Greene, DPM (Podologista em Nova Yorque), alguns alimentos que contém muito açúcar, grãos refinados, gorduras trans e muitos produtos assados e junk foods, a gordura saturada na carne vermelha e as gorduras ómega 6 presentes em muitos óleos vegetais; como o milho soja e óleos de girassol favorecem o aparecimento de inflamação do tecido e esta inflamação pode afetar a saúde dos seus pés nomeadamente favorecer o aparecimento de fasceite plantar (www,centroclinicodope.pt), provocando dor na parte inferior do pé, no calcanhar ou no ante- pé.

Por outro lado existem cada vez mais indivíduos com alergias ao trigo o que por si só já provoca inflamação do tecido e ao comerem alimentos que favoreçam a subida de açúcar no sangue vão aumentar a inflamação. Assim seguir uma dieta saudável pode fornecer benefícios anti-inflamatórios para os seus pés e a sua saúde no geral. Isso inclui comer mais vegetais verdes e frescos e cortar alimentos de grãos refinados e doces açucarados.

PÉS E NUTRIÇÃO: OUTRAS CONECÇÕES DE SAUDE

Algumas patologias tais como: doença arterial periférica e a diabetes podem alterar os pés pois as artérias que trazem o sangue para as extremidades inferiores ficam danificadas ao longo do tempo, uma boa alimentação favorece uma boa permeabilidade arterial protegendo assim os pés de possíveis complicações como por exemplo a amputação.

Se você é diabético deve seguir uma dieta saudável, rica em grãos integrais, feijão, legumes e frutas, carnes magras e uma quantidade limitada de gorduras e doces no entanto se não é diabético nem apresenta nenhum problema de saúde deve seguir sempre uma dieta saudável para não padecer de doença inflamatória. 

Deve consultar um Podologista (www.centroclinicodope.pt), pelo menos uma vez por ano; uma vez que os pés são a base de apoio, de equilíbrio e de funcionamento do corpo humano. No entanto, as estatísticas indicam que 80% da população adulta sofre de algum tipo de problema podológico. As doenças dos pés não afetam só os pés, mas todo o individuo, designadamente a sua qualidade de vida e a sua capacidade de trabalho.

Nunca se esqueça: Os seus pés estão ligados ao resto do corpo.

O FLAGELO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

RITA TEIXEIRA
Continuando a ouvir diariamente nos canais televisivos, notícias sobre a violência doméstica, regresso à crónica, onde dera a conhecer o testemunho de uma vítima da mesma, às mãos de um ex-marido déspota e cruel.. Na semana passada, o país ficou em choque, ao serem noticiados nas redes sociais, os crimes em que um suicida matara quatro pessoas, tendo como motivo, imagine-se só, a vingança. 

Se todos nós agíssemos com a mesma crueldade, perante as amarguras infligidas, pelas mãos de outros, Portugal estaria no topo dos países com as paisagens mais ensanguentadas do planeta! Estas pessoas, que vivem com receio das ameaças de morte, desconhecem uma Vida com paz! Estas pessoas, que vivem sob uma crueldade constante, desconhecem uma vida plena de felicidade. De quem será a culpa? 

De quem será a responsabilidade? 

A quem atribuir o estado turbulento em que vivem estas pessoas? 

Certamente todos estão a pensar o mesmo: justiça portuguesa! O testemunho da vítima que dera a conhecer numa crónica anterior, continua, nesta mesma crónica. Apesar das declarações feitas na G.N.R local, tudo culminou no tribunal, num julgamento em que a vítima, já não bastasse a violência de que fora vítima, ainda teve que custear as despesas do tribunal e dos advogados! Como o seu vencimento não é suficiente para uma vida normal, viu que não podia arcar com as despesas do tribunal, tendo que desistir do processo de violência doméstica. 

Aqui, entra, mais uma vez, a justiça portuguesa. Bárbara Guimarães, figura pública, teve direito a uma indemnização, esta vítima, funcionária pública, teve direito a uma vida com violência doméstica. Como se não bastasse o ex-marido habita um anexo junto à sua casa. 

Como é possível viverem tão perto, sem nenhuma proteção?

Como é possível viver o dia a dia, sabendo que não tem direito a qualquer apoio policial? Como será viver em sobressaltos, com medo de voltar a sofrer novas represálias do ex-marido? Ah! Como a lei é a mesma e aplicada ao gosto de cada juiz. 

Estas pessoas são vítimas de violência doméstica, mas, acima de tudo, são vítimas da justiça portuguesa!

TUBERCULOSE

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos,
não é senão uma gota de água no mar.
Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

Madre Teresa de Calcutá

MARIA CERQUEIRA
No dia 24 de março foi assinalado o Dia Mundial da Tuberculose, este dia, foi definido em 1982 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em homenagem aos 100 anos do anúncio da descoberta do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, pelo médico Robert Koch.

Há muitos anos atrás falava-se muito desta doença…hoje até se ouve pouco…no entanto, segundo um relatório divulgado pela OMS, mais de 43 milhões de vidas foram salvas no mundo por meio de diagnóstico e tratamento efetivo, entre os anos de 2006 e 2015, a tuberculose está entre as doenças infeciosas que mais mata no mundo, precedida pelo HIV/Sida (Vírus da Imunodeficiência Humana).

Em Portugal, segundo dados provisórios da Direção Geral de Saúde (DGS), a taxa de incidência (novos casos) de tuberculose, situou-se em 18 por 100 mil habitantes em 2016. Através do Programa Nacional para a Infeção HIV e Tuberculose, a DGS indica que cerca de 18% dos casos de tuberculose notificados em 2016 ocorreram em doentes nascidos fora do país.

O aumento desta proporção nos últimos anos levou o Programa Nacional a desenvolver estratégias em conjunto com o Alto Comissariado para as Migrações, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a Organização Não Governamental (ONG) no sentido de reduzir este valor.

Em 2015, último ano com dados definitivos conhecidos, o teste HIV foi realizado em 88% dos doentes com tuberculose, dos quais 12% foram positivos. Portugal continua a ter uma das mais altas taxas de coinfecção Tuberculose/HIV da Europa Ocidental que motiva o Programa a delinear estratégias que visem o rastreio da tuberculose em populações com HIV positiva e a identificar as barreiras ao tratamento preventivo das mesmas.

Afinal o que é a tuberculose? A tuberculose é então uma doença infeciosa causada por um micróbio vulgarmente chamado “bacilo de Koch” e cujo nome é Mycobacterium tuberculosis. É uma doença contagiosa, que se transmite de pessoa para pessoa e que atinge sobretudo os pulmões. Pode também atingir outros órgãos e outras partes do nosso corpo, como os gânglios, os rins, os ossos, os intestinos e as meninges (membranas que envolvem o cérebro).

De acordo com a Fundação Portuguesa do Pulmão, a tuberculose, tem habitualmente uma apresentação clínica insidiosa, que se vai instalando sem que o doente se aperceba ou valorize os sintomas, muitas vezes pode até ser confundida com uma gripe. Dependendo, claro, da intensidade dos sintomas, esta situação pode arrastar-se ao longo de dias, semanas ou mesmo meses.

Mas, quais são os sintomas que as pessoas jamais devem desvalorizar? Cansaço excessivo e prostração, falta de apetite, emagrecimento, suor noturno e febre baixa a moderada que se apresenta mais ao fim do dia (febrícula na ordem dos 37,5º C). Podem ainda surgir outros sintomas, mas estes dependem do órgão onde se alojou o bacilo de Koch. Quando são os pulmões a ser afetados, pode ainda ocorrer episódios de tosse que se estende por mais de três semanas, com ou sem expetoração e que pode ter ou não sangue.

A transmissão da tuberculose é direta, de pessoa a pessoa e é transmitida por via aérea. O doente cada vez que fala, espirra, ri, canta ou tosse, liberta pequenas gotículas que transportam o bacilo, podendo ser aspiradas por outro indivíduo e assim se inicia a sua colonização. Os locais de contacto devem ser arejados e expostos à luz solar, pois o bacilo da tuberculose é muito sensível á ação dos raios ultravioleta. Em locais não ventilados deve-se sempre utilizar máscara.Como a transmissão não ocorre por via digestiva, genital ou cutânea não se justifica a separação da louça dos doentes.

Algumas pessoas, que fazem parte dos chamados grupos de risco, estão mais vulneráveis à contaminação da doença, tais como: portadores de doenças que debilitem o sistema imunológico (imunodeficiências), HIV, diabetes, insuficiência renal crónica, pessoas que apresentem um quadro de desnutrição, idosos doentes, fumadores e pessoas que sejam dependentes de álcool ou drogas. Por isso, algumas medidas de prevenção são fundamentais para evitar a doença, como por exemplo adquirir hábitos de vida mais saudáveis, tais como: alimentação, exercício físico principalmente ao ar livre, evitar ambientes com muitos aglomerados e com pouca ventilação, deixar hábitos tabágicos, alcoólicos e outras dependências, etc…são formas de evitar o contágio da doença”…

Não podemos deixar de falar da primeira das recomendações de prevenção, que foi durante muitos anos, a vacinação contra a tuberculose (BCG) e que era administrada até os 30 dias de nascimento, ou o mais rápido possível durante a infância. O fim da vacinação universal contra a tuberculose começou a ser discutido pelos peritos a pedido da DGS, no final de 2013, na sequência da diminuição dos novos casos da doença em Portugal. Na ausência de perigos como a elevada incidência, difícil acesso da população ao diagnóstico, tratamento e medicação preventiva, deixou de ser necessário continuar a imunização de todos os recém-nascidos e em janeiro a alteração foi votada por unanimidade (Expresso 6.06.2016).

A comunidade científica portuguesa optou por uma estratégia de vacinação de grupos de risco, sobretudo de algumas comunidades nas áreas suburbanas do Porto e de Lisboa. A proteção universal contra a tuberculose vai ser então, substituída pela vacinação de crianças em comunidades de risco, onde a circulação do bacilo tende a ser mais frequente. A alteração é uma das novidades introduzidas no Programa Nacional de Vacinação (PNV) que ficou disponível no início deste ano (2017).

Para o diagnóstico de tuberculose infeção latente, é necessária a pesquisa de sintomas sugestivos de tuberculose, a realização de uma radiografia pulmonar, um teste tuberculínico (ou teste de Mantoux) e fazer colheita de expetoração para exame direto e cultural.

Para o tratamento da tuberculose, os medicamentos mais eficazes e mais vezes utilizados são administrados por via oral. A duração mínima do tratamento são seis meses, embora a duração total varie em função do órgão envolvido, evolução ou gravidade da doença, podendo ser superior a um ano. O tratamento correto e eficaz leva a uma cura em mais de 95% dos casos. É fundamental o rigoroso cumprimento da medicação pelo tempo total estipulado, caso contrário pode haver desenvolvimento de resistência aos antibacilares.

Desde os primórdios da civilização que enfrentamos discriminação e preconceito associados a doentes que infelizmente e circunstancialmente entraram em contacto com uma doença infetocontagiosa. Este doentes necessitam de um olhar diferenciado mas nunca desigual, continuam a ser pessoas a necessitar da ajuda de todos.

domingo, 26 de março de 2017

LIVROS DO QUE SOMOS

MIGUEL GOMES
Faço-me de conta, sentado, banco de madeira, jardim, chuva, guarda-chuva, caderno, caneta, gotejar, pássaros, árvores, livro. 

Roubo à vida todos os episódios dos filmes com que me cruzo.

Mais do que um guião, as pessoas, suas expressões, sorrisos, choros, conversas e silêncio são a sua própria legenda. 

Eu (coitadito, diz a cigarra), apenas queria ser espécie de personagem, talvez por isso me encontre enfiado no meio de páginas amarelecidas de livros antigos, saído, talvez fugido, de histórias onde moram pessoas, gentes embebidas em fumo e que me acompanham onde quer que a imaginação me queira levar. 

Cada narrativa uma vida, provavelmente por isso não me saiam dos dedos histórias, apenas palavras solitárias, casulos de uns quaisquer sentimentos que, acredito, raiam o toque que se quer do amor, Amor. 

O Inverno acabou de sair , mas ainda me traz no frio o refúgio escrito na lombada do livro que me olha. 

Que pena não me sobejar ambição quanta me brota em desejo de ser apenas o corpo onde repousa uma mão.

Amanhã nascerá dia, luta uns dirão, o corropio de correr atrás de uma falsidade e descansar, talvez cair, quando já o Sol se cansou de esperar por nós e ordena à Lua que nos venha deitar os olhos enquanto descansa. 

Mais umas quantas palavras e tenho já o meu abrigo completo. 

O vento passa já ao largo, assobiando nas esquinas daquilo que não encontra, um pouco mais e até a chuva se limita a deixar pingar o som das águas no telhado. 

Poucas letras mais. 

Faço a última fiada com aquilo que sonharei, sobrará espaço para o fumo sair e o lume, esse, que aquece, apenas crepitará já quando de olhos fechados, e talvez molhados, um dos personagens que me vestem de humanidade trouxer um braçado de sonhos em forma de lenha e perguntar:

- Consegues ouvir o quadro com as paisagens que te chamam?

Mas eu sou surdo também, mudo, mudo de sentido e de posição, porque o tempo não se intimida (nem eu).

O bater do relógio sabe forjar o tempo sem fogo. 

É trôpego o nascer do dia, sem cansaço que o adormeça, diverte-se a pintar, minuto a minuto, cor a cor, o horizonte.



O que te chama, entre molduras, da chama ao café, do monte ao livro?

DESILUSÃO

CARLA SOUSA
Uma das principais causas da dor emocional é a desilusão. Talvez seja uma das dores mais intensas… Quem nunca sentiu? A desilusão deriva das expectativas que depositamos nas pessoas que confiamos e gostamos. Esperamos que estas pessoas nos tratem com lealdade e em conformidade com as expectativas que depositámos.
Quando estas expectativas não são satisfeitas, sentimo-nos revoltados, frustrados, traídos, zangados: desiludidos. 

No entanto, os outros não pensam, sentem ou agem como nós… É uma realidade!

A desilusão pode levar a um estado de sofrimento e depressão profunda.

A pessoa desiludida pode passar anos da sua vida obcecada em encontrar as razões da traição. Ou seja, as suas expectativas caíram por terra e sentiu que o seu chão se abriu… Sentiu que “perdeu” a tal pessoa! É como se “algo morresse dentro de si”. 

Não lhe cabe na cabeça porque é que a pessoa em quem confiava foi capaz de a trair e desiludir. Procuram-se sinais em todos os lados e lugares e os pensamentos não param, andam sempre em círculo. É como folhear um livro para trás, em busca de sinais e acontecimentos que possam ter sido já indicadores de que não valia a pena investir na tal pessoa.

É preciso ter cuidado com a forma como reagimos perante uma desilusão. No “calor da emoção” podemos ter atitudes irrefletidas que podem causar arrependimento. Quando nos sentimos injustiçados ou assumimos o papel do traído ou da vítima podemos cair no erro de querer a todo o custo “que a justiça seja feita”. “Eu estou a sofrer e o outro tem de sofrer também”, “Tem de ser feita justiça”. Sem nos darmos conta estamos a ter comportamentos de vingança para atenuar a dor da desilusão. 

No entanto, isso na maioria dos casos acaba por piorar a situação.

É importante “deixar assentar” as coisas e as ideias, olhar para dentro de si, e ver o que realmente vale a pena fazer.

Com isto, não quero dizer que temos de encontrar ou sentir uma culpa que não temos, mas sim, ter calma na gestão deste conflito. Dar tempo ao tempo…

Perceber se vale a pena falar com a pessoa ou não. Perceber se ela é realmente importante na vida ou não. E o que realmente vai mudar se decidir conversar. 

Penso que o pensamento autocritico é importante. E, não importa ser demorado. 

Muitas vezes a nossa “sede” de justiça, quando nos sentimos traídos acaba por colocar-nos, sem darmos conta, na mesma posição que a pessoa que nos desiludiu. Evite mandar recados, evite dizer como se sente em redes sociais, a toda a gente com quem estabelece contacto noutros contextos. Essa atitude, além de imatura, não vai resolver nada!

O SEXO MAIS BURRO

LUÍS ARAÚJO
Anda toda a gente irritada com o polaco Janusz Korwin-Mikke, deputado europeu que disse alto e bom som que as mulheres são “mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes que os homens”, logo que “deviam ganhar menos”.

Sinceramente não entendo a razão de tanta comoção, pois, para justificar tão brilhante comentário o euro-deputado dá como exemplo não existir nenhuma mulher no TOP-100 dos jogadores de xadrez, modalidade de que, segundo consta o Janusz muito gosta.

Ora, como qualquer pessoa medianamente inteligente, ou, para o caso medianamente burra sabe, o xadrez é um jogo aborrecido que dói, praticado por gente com aspecto efeminado e de higiene dúbia. Mais, é talvez o único jogo mais aborrecido do que o curling, e o curling é aquilo que os carneiros vêm quando têm insónias.

O facto de não existir nenhuma mulher a jogar Xadrez só demonstra a sua arguta inteligência.

E, se de facto, existe um suporte estatístico para se afirmar serem as mulheres mais fracas e mais pequenas do que os homens, também é um facto que o Tiranossauros Rex era grande e forte p’ra caraças e há muito tempo que não se vê nenhum por aí, consta até que estão extintos, portanto quanto ao tamanho e força estamos conversados.

De qualquer forma eu pensaria duas vezes antes de irritar donzelas indefesas e fracas como a Ronda Rousey, ou qualquer uma das suas colegas que praticam esse desporto frágil conhecido como MMA.

Quanto ao busílis da inteligência...

Contrariamente a toda a gente que achou negativas estas declarações eu achei de uma extrema coragem, pois exaltar-se a inteligência masculina com o Donald Trump a fazer uma patacoada qualquer todos os dias na televisão ou via twitter é assinalavelmente corajoso.

Pois, se duvidas houvesse quanto à inteligência feminina, aí temos o Donald, a espatifar com estrondo e sem veleidades toda e qualquer pretensão masculina.

Tenho como certo que a eleição de Donald Trump foi uma maldade das mulheres, estas devem ter votado massivamente no candidato republicano, para mostrarem gloriosamente ao mundo, a todo o Mundo, quão burros os homens são, ou, pelo menos, poderão ser, o que resultou em pleno, o Presidente dos Estados Unidos não passa um dia em que não se espalhe ao comprido, para gáudio e divertimento de toda a plateia feminina que se deve estar a divertir como nunca, o que lhes deve dar uma dor de maxilares brutal, atendendo à prodigalidade presidencial para o disparate, o que demonstra em todo o seu esplendor a notável inteligência, com uma pitada de maldade, feminina.

Mas, naquilo que não posso concordar é com a parte do Janusz querer que as mulheres ganhem menos que os homens, para alguém que se diz inteligente isto não me parece nada brilhante, qualquer homem que se preze gostaria de ter uma mulher que ganhasse mais do que ele, consideravelmente mais, absurdamente mais.

Aliás um dos meus objectivos de vida é precisamente encontrar uma mulher com um salário do tipo daqueles que o Mexia tem, que me permitisse passar o dia todo dedicado a tarefas tão relevantes para a sociedade como melhorar o “swing” de golfe, provas de degustação de cerveja e a aquisição desenfreada de carros descapotáveis.

Ao contrário das mulheres, seres inextricavelmente complexos, os homens são do mais básico que há e estão-se a borrifar para quem é que ganha o dinheiro lá em casa, desde que haja dinheiro para gastar ficam contentes.



O que ainda não percebi muito bem foi o desmesurado relevo dado a estas afirmações, produzidas por um individuo envergando uma camisa cor de rosa e um laço purpura, como é que se pode atribuir o mínimo de credibilidade a alguém que vai defender o género masculino, vestido de transformista americana dos anos 50.

ANTI COMEMORAÇÕES FAMILIARES: MODA… OU INVERSÃO DE VALORES?

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
E há precisamente uma semana comemorou-se o dia do pai, e das duas uma, ou estou a ficar sem paciência ou nos últimos anos tenho andado distraída.

O facto é que me apercebi que, nas redes sociais nomeadamente no facebook, foram feitos vários comentários a criticar a comemoração do dia alegando que “dia do pai” é todos os dias. De facto assim é, mas qual o problema de haver um dia específico em que se cobre de mimos as pessoas mais importantes da nossa vida? Decididamente, não percebo… Sim! Até pode ser que o comércio se tenha vindo a aproveitar, mas se aconteceu, a culpa também foi dos consumidores que se deixaram seduzir…

Ok! A liberdade de expressão existe e, tal como sempre ouvi dizer: “cada um sabe de si”, mas há necessidade de constantemente criticar todas as comemorações, principalmente as relacionadas com laços familiares? Será que virou moda?

Afinal, em dezembro criticaram o natal, agora o dia do pai e seguindo este percurso, em maio será o dia da mãe, em junho o da criança, e por aí adiante…

Curiosamente, não ouvi criticar o carnaval! Quê, nesta época não há gastos supérfluos em fantasias e festas?

Não será isto pura e simplesmente uma inversão de valores? Estarão os laços familiares tão vulgarizados que perderam o sentido?

Mas o mais curioso é que algumas das pessoas que criticam, são também as que no dia tecem elogios e declarações de amor aos visados.

Vocês, não sei, quanto a mim não faz qualquer sentido. Claro que todos têm o direito a manifestarem-se a respeito do que quiserem, mas um pouco de contenção nas manifestações públicas não fica mal a ninguém. É que num dia ser contra e no seguinte “entrar na onda”, não abona muito a favor dos manifestantes. Digo eu!

sábado, 25 de março de 2017

DA TEORIA À PRÁTICA: O LOCAL E O REGIONAL NO ENSINO DA HISTÓRIA

MÓNICA AUGUSTO
Nem sempre é fácil despertar nos jovens a consciência histórica e a preocupação com a preservação do património cultural material e imaterial. A escola vai tentando desempenhar o seu papel, o professor de história vai procurando, através de estratégias diversificadas alcançar este objetivo. Contudo, em termos curriculares este papel não cabe apenas ao professor de história mas deve, antes, basear-se numa abordagem pluridisciplinar. 

Ao longo dos vários ciclos de ensino apela-se à consciência histórica de diferentes pontos de vista, mas aquele que mais cedo é abordado relaciona-se com a história local e regional, com o conhecimento dos locais próximos e respetiva história. Em níveis de escolaridade mais elevados exige-se que o conhecimento histórico seja mais global, inicialmente nacional, depois europeu e de seguida mundial. Ainda assim, o ensino da história deve socorrer-se sempre que possível da história local e regional. 

Se nos primeiros anos de ensino tal se relaciona diretamente com os objetivos e conteúdos programáticos definidos, noutros níveis de escolaridade tal pode e deve ser utilizado, sempre que possível, como motivação para determinada unidade temática ou para uma aula apenas que seja. Tal como o previsto na legislação e diretrizes ministeriais devemos o professor deve partir sempre da auscultação dos conhecimentos prévios dos alunos. No que se refere à história o recurso ao local e regional é uma mais-valia atendendo a que os alunos reconhecem sempre nem que seja uma lenda que possa ser esmiuçada, um local conhecido que se possa relacionar com um acontecimento marcante, uma tradição que identifique ou diferencie o local do global.

A utilização da história local e regional como recurso educativo implica um esforço suplementar por parte do docente que se vê obrigado a fazer emergir a sua vertente de investigador a fim de conhecer a realidade local. Tal tarefa pode ser simplificada quando os docentes atuam na sua área de residência ou lecionam vários anos na mesma área geográfica. Para aqueles (tantos) professores que todos os anos mudam de escola, se afastam, se aproximam, a tarefa é mais complexa, a investigação é contínua, até porque, não podemos pôr de lado a possibilidade dos contratos de substituição temporária com a duração, por exemplo, de um mês, e que implica uma readaptação constante e onde o conhecimento do local só se torna possível com grande tenacidade e esforço. Evidentemente estes condicionalismos estão presentes na vida de todos os que se dedicam ao ensino, mas pretendia sublinhar, com o recurso ao exemplo da disciplina de história, que a qualidade de ensino é posta em causa, que muitas possibilidades de recursos são colocadas de parte devido à grande instabilidade que carateriza o corpo docente da maioria das escolas. 

Para que as estratégias, os recursos e até mesmo as relações pessoais inerentes ao ato educativo possam dar frutos é fundamental refletirmos se realmente é possível colocar em prática as diretrizes emanadas do poder central quando a realidade nas escolas é tão diferente.

CARTA PRIMAVERIL

HELENA COUTINHO
Vinte e um de Março.

Finalmente chegou a hora de sacudir o Inverno das paredes de casa e do pensamento. É tempo de acordar, cedo, com a luz do dia a tocar no rosto e a tentar atravessar as cortinas do olhar. Diariamente, a abrir caminho para a Primavera, chegam andorinhas, aos bandos, trauteando refrões de liberdade. Consigo trazem as cores e a harmonia dos dias pintados pelo Sol. Chegam em grupos coordenados, como elegantes bailarinas, e vão piando histórias de lugares distantes, entre acrobacias e danças, no palco do céu. À medida que chegam, sobrevoam os lugares-abrigo onde regressam, ano após ano, como os bons filhos regressam sempre à casa-refúgio dos pais. É tempo de Primavera! E de celebrar sentimentos infinitos, com a ajuda das mais fiéis mensageiras – as andorinhas.

Hoje, a manhã acordou florida e convidou a aninhar-me como os gatos, à espera de uma nesga de ti, para apascentar os dias dos meus sentidos e vencer as águas de Março. Enrosquei-me nas memórias, na tentativa de conseguir abraçar, de novo, a tua voz, num caminho de regresso, como se fosses uma estação do ano. Fixei o horizonte e procurei histórias e momentos que ontem escrevemos juntos, alheios às leis do tempo e da saudade. E por falar em saudade, aproveito a “deixa” para admitir que há poucas coisas que deseje mais do que poder descobrir se nesse lugar, onde agora vives, é possível saberes a falta que nos tens feito e escutar o que, em soslaio, te tenho dito. Não tivemos tempo para combinar a estratégia perfeita para resolver este problema de comunicação. Não tivemos tempo para combinar como continuarias a ajudar-me a decidir o que, um dia, será o melhor ou o pior do meu passado. Não tivemos tempo para tanta coisa, pai! Mas sei que houve tempo suficiente para me ensinares coisas que nem eu sabia ter aprendido, que me têm ajudado a ser do tamanho das árvores que morrem de pé. Como tu…

Gostaria que, tal como as andorinhas, de vez em quando, regressasses à janela do meu quarto, para me desejar um bom dia, e insistir, até que o sono fosse derrotado. Gostaria que continuasses a ensinar-me as mais belas e eficazes técnicas de voo, rumo ao cais do Sol. E, acima de tudo, gostaria de poder aninhar as minhas dúvidas no travesseiro do teu abraço para te sussurrar que serás sempre tão inesquecível como o teu aniversário. Parabéns, Senhor-Primavera!

Com saudade, da tua abrileira.