segunda-feira, 31 de julho de 2017

PERDA DOS DENTES NATURAIS PARTE III – PRÓTESES DENTÁRIAS REMOVÍVEIS - HIGIENIZAÇÃO

INÊS MAGALHÃES
Os cuidados de higiene a ter com as próteses depende do tipo de prótese. No entanto, a longevidade da mesma depende dos cuidados que são praticados no dia-a-dia. É importante referir que a higienização das próteses dentárias deve ser realizada no fim das refeições e antes de dormir, ou seja, os cuidados a ter com a prótese são semelhantes com aqueles que devem existir com os dentes naturais. É sua saúde que está em causa!

A limpeza das próteses removíveis é muito simples. Esta é talvez a maior das suas vantagens, uma vez que a sua remoção da cavidade oral permite que sejam limpas de forma muito eficaz.

É importante ter muito cuidado durante a higienização, pois é na hora de as limpar que muitas próteses se fraturam, levando à necessidade da sua reparação ou substituição. Assim, é necessário ter cuidado quando estas são retiradas da boca, onde são colocadas e como são manuseadas.

As próteses removíveis são fácil e eficazmente higienizadas usando:

  1. Escova dentária macia (não use a mesma escova para higienizar a sua prótese e os seus dentes naturais!) ou escova própria para próteses;
  2. Um produto próprio para limpeza/higienização de próteses (nunca usar a pasta dentífrica!), pois este fará uma correta desinfeção/limpeza da prótese, sem danificar as suas estruturas (cor e aparência);
  3. Remover a prótese da boca e higienizá-la na mão (nunca dentro da boca com os restantes dentes naturais!), tendo sempre cuidado ao manuseá-la;
  4. Escovar a prótese em todas as superfícies, removendo os restos de comida e de placa bacteriana;
  5. No final, passar a prótese por água limpa, eliminando qualquer resíduo do produto de limpeza;
  6. Esta higienização pode ser complementada com pastilhas efervescentes. Estas são dissolvidas em água, onde posteriormente se introduz a prótese e deixa-se atuar durante algum tempo. No final passar novamente por água limpa e colocar na boca.

Durante a noite a prótese deve ser removida da boca, para os tecido orais e dentários poderem relaxar da pressão exercida pela mesma, e colocada sempre num copo com água, para a prótese não desidratar, podendo perder a sua forma e deixar de se adaptar à boca.

É imprescindível esta limpeza adequada da prótese, para evitar a sua degradação rápida, bem como a acumulação de placa bacteriana e restos de comida.

Por fim, quando notar que já não consegue realizar uma higiene adequada da prótese, por esta já se encontrar com demasiada placa bacteriana endurecida, deve recorrer a um profissional de saúde oral. Caso contrário poderá acumular na sua boca bactérias nocivas à sua saúde com consequências imprevisíveis.

NO CANTINHO DA FELICIDADE

RITA TEIXEIRA
Fora publicada, anteriormente, uma crónica, relativa ao meu internamento numa enfermaria de neurologia no Hospital Santo António na cidade do Porto, um dos mais conceituados do país. Nos poucos dias de internamento, fui “entregue aos lobos”. Embora meu marido tivesse advertido a enfermeira e a auxiliar, ambas de serviço, sobre as minhas necessidades, suas palavras “caíram em saco roto”. Fui ignorada, desprezada e injuriada. 

Como era possível tanta falta de humanidade de quem deveria cuidar dos doentes com os cuidados médicos aliados à afetividade que qualquer enfermo merece. 

Deste modo, é meu dever louvar o profissionalismo de quem trabalha na Clínica Médica Arrifana de Sousa, em Alpendorada. 

Comecei os tratamentos em 2010 e, à medida que o meu corpo se ia atrofiando, nunca me faltou o zelo, a preocupação com o meu bem-estar, o carinho com que me ajudavam a vestir-me e posteriormente não me negaram ajuda nas idas à casa de banho. 

Com o correr do tempo, eu senti que as conquistara e elas apoderaram-se do meu coração, levando-me a considerá-las anjos enviados por Deus. 

Alda, sempre de sorriso no rosto, ajudava-me na entrada e na saída, conduzindo-me até à Cacilda. A ela, chamei anjo caloroso. 

Cacilda, sempre bem-disposta, fazia-me rir a bandeiras despegadas. A ela, chamei anjo divertido. Mónica, sempre atenta e fazia-me as massagens com tanto carinho, que eu só queria que não mais acabasse. A ela, chamei anjo meigo. Cláudia, a terapeuta tagarela criava um ambiente familiar e todos os utentes se sentiam bem e eu, mais que ninguém sentia o seu pesar por todo o meu sofrimento. A ela, chamei anjo protetor. 

Nesta clínica médica, recebo o tratamento necessário e, para além disso, usufruo de muita ternura, miminhos e provas de uma amizade sincera. 

A este local de saúde, eu chamo “cantinho da felicidade”.

SERÁ QUE OS SAPATOS ACUMULAM ALGUM TIPO DE MICRORGANISMO?

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Uma investigação realizada pela universidade de Houston, revela que os sapatos utilizados na rua podem acoplar clostridium difficile é um bacilo Gram-positivo comensal do tracto gastrointestinal responsável por provocar vários tipos de infeções em especial no trato digestivo, esta bactéria é capaz de colonizar o trato digestivo do ser humano em situações em que a flora normal tenha sido alterada pelo uso de antibióticos. A consequência clínica direta é a possibilidade de o paciente cursar com colite pseudomembranosa.

Já em 2015 um outro estudo afirmava que 40% dos sapatos podem transportar: listeria monocytogenes são bacilos pequenos, anaeróbios facultativos e Gram positivos que podem aparecer isolados ou agrupados em pares ou cadeias curtas é uma outra bactéria responsável por provocar doenças em seres humanos como meningite. As principais fontes do microorganismo são o solo e a matéria vegetal em decomposição.

E ainda outro estudo realizado em 2014 em meio rural (numa quinta) revela que o mais provável é que os sapatos acumulem E-Coli é uma bactéria bacilar Gram negativa.

Fortes evidencias cientificas demostraram que há cerca de 421 mil bactérias diferentes presentes nas solas dos seus sapatos.

Perante estes estudos a pergunta que se formula é: será que devemos colocar os sapatos que utilizamos na rua à entrada de casa? Ou por outro lado podemos livremente utilizar os sapatos da rua dentro de casa? 

Será que esta preocupação faz algum sentido?

Sim, vários investigadores provaram que as bactérias dos sapatos são arrastadas através de longas distâncias e a transferência de espécies dos sapatos; para o piso das casas foi de cerca de 90 a 99%. Assim a melhor solução para não contaminar o seu espaço pessoal é praticar o conselho Japonês: não utilizar os sapatos da rua dentro de casa. 

Se eventualmente preferir não seguir o conselho Japonês deve:

· Lavar os sapatos frequentemente com detergente com o objetivo de reduzir a quantidade de bactérias sobre eles.

· Limpar e desinfetar o piso frequentemente.

· Lavar os tapetes frequentemente.



domingo, 30 de julho de 2017

EM CINZAS DEITADO

MIGUEL GOMES
De aparição em surgimento, sem que se negue o sentimento, muito há a fazer para que da vontade se passe ao culto. No entanto, quando a vida procrastina os planos de alguém, nada mais parece haver a fazer do que subir os degraus de um santuário com maior ou menor custo. Por isso, encosto-me à parede ensombrada que o Sol permite e aprecio a paisagem como quem se enamora por um jardim. O Santuário ainda não transpira, mas eu sim.

Percorro os corredores de mármore, faço por não olhar para o chão, evitando ler os nomes de quem quer que tenha sido sepultado ali. Não pela falta de respeito, sabe-se a pessoa ausente dali, mas porque ninguém, tridimensionalizado ou não, merece o seu nome lido olhando para baixo.

As promessas estão enroladas em papel alvo, uns pautados, outros quadriculados, dependendo talvez da tendência linguística ou matemática de cada pedinte ou, parece-me o mais lógico, porque qualquer papel é bom para escrever num português esquecido pelas diferentes articulações de palavras, consoantes e vogais, que se estendem por diferentes cantões e países. Deus que tudo sabe, dispensaria tudo isto, mas pode existir uma tendência santificada, uma espécie de concurso entre as três figuras onde vi mais papéis (São Judas Tadeu, Menino Jesus de Praga e São José). Será porque as outras figuras dispostas na catedral estão altas demais para a estatura média do português? 

Saio do bafiento local, a falta de aragem torna a respiração mais pastosa, como se além das promessas também ardesse a cera das coisas que tenho por dizer e que vão por aqui, presas e pigarreadas na glote. 

O cerário é o meu próximo caminho. Aquele grande paralelepípedo de ferro forjado, com uma pequena entraída (mistura de entrada e saída), exibe a quem se aproxima uma espécie de caixa negra de promessas e fés, queimadas em altas velas de cores esbatidas pela fuligem e pelo esforço com que o fogo queima o pavio e desfaz a cera colorida de quem se encomenda a Deus. 



Habituada visão à mudança de luminosidade, olho à direita e vejo-o ali, deitado. Entreabrindo os olhos, fita-me por detrás de uma íris luminosa. Ter-se-á assustado com o barulho das minhas sandálias? Pensaria que pelos pés assandalizados estaria um salvador prévio por estas passagens há dois milénios? Aquele olhar por entre a negridão do local contrasta em termos metafóricos que escuso redigir. O tecto escuro e o qualquer preparado que tenha sido aplicado desfaz-se em pétalas metálicas e negras que caem sobre as velas e a cera derretida. Ali, em cinzas deitado, um grande menino Jesus, sujo e magro, amortalhado nas vestes gastas e sebentas, dorme envolto em si como quem se abraça para espantar a solidão. Aproveitando a constante temperatura amena das velas ardendo na noite, ajeita-se puxando e ajeitando as promessas sobre si e volta a fechar os olhos claros e profundos, enquanto me sobra apenas a força para atiçar o próprio lume e, sem papel, rabiscar umas linhas e pedir-Lhe que me faça compreender naquilo que escrevo.

FÉRIAS... FINALMENTE

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
E depois de meses a cumprir religiosamente um horário de trabalho, finalmente chegam uns dias de férias, a sensação de liberdade de não haver necessariamente horas a cumprir, é tranquilizante.

Percorrer e sentir verdadeiramente a alma das ruas da cidade sem pressa de chegar a lugar algum, parar para um café e bebê-lo sem olhar para o relógio... Sentir-me dona do meu tempo!

Para mim, férias não têm que ser necessariamente vividas fora de casa, ainda que uns dias fora são sempre planeados e usufruídos com imenso prazer. Mas de facto do que mais tiro partido nestes dias de lazer, é essencialmente desta sensação de liberdade que me permite escolher o que fazer e quando o fazer.

Usufruir da sempre amorosa companhia dos meus filhos sem preocupações, senti-los pertinho de mim sem o tempo a condicionar os nossos momentos. São as reuniões familiares num sentido mais lato e que me fazem sentir o quanto é bom ter crescido numa família numerosa e unida. Tão bom! 

Pôr a leitura em dia e dar asas à imaginação no que respeita ao lado B da minha vida, é maravilhoso. Principalmente, porque me permite escrever com outra liberdade, sem pensar nas mil coisas que preciso fazer simultaneamente. Sim, porque conciliar a escrita com uma vida profissional ativa, coloca alguns entraves à criatividade. Afinal, escrever exige algum tempo de introspeção, tempo esse que nem sempre existe. 

Dormir… sim, admito. Adoro dormir! Ou antes, sou noctívaga por natureza, logo a ideia de poder dormir um pouco mais de manhã é reconfortante. A certeza que não acordarei com o som estridente do despertador, aliciante. Apesar que o meu cérebro já "formatado" num determinado horário, acorda automaticamente, porém a liberdade de preguiçar um pouco, é perfeita.

Contudo, férias são boas por serem exatamente o que são. Uma pausa na agitada vida diária. Dai o sem encanto!

sábado, 29 de julho de 2017

PROGRAMA ADOÇÃO NA ORNIMUNDO NORTESHOPPING

SUSANA FERREIRA
Para quem leu as minhas duas crónicas anteriores e ficou a pensar então e tu? O que fazes tu para diminuir o sofrimento dos animais abandonados? Quem me conhece sabe que não consigo ficar indiferente a um animal de rua. Nem sempre o tempo livre e as condições monetárias para poder dedicar a estas causas é suficiente. Quando comecei a trabalhar no Centro Veterinário Ornimundo, percebi que haveria imenso potencial e disponibilidade por parte da empresa para marcar a diferença. Já existem algumas pet shops a fazer campanhas e programas de adoção em que na compra do enxoval ou na compra de um kit o animal vem de oferta. Mas decidimos fazer de forma diferente, aplicar uma taxa na adoção, na qual parte do valor reverte para associações parceiras da Ornimundo. Criamos um termo de responsabilidade de adoção e acordamos que os animais da adoção teriam incluído microchip, primeira vacina e desparasitação interna e externa, bem como 20% desconto na esterilização a partir dos 6 meses e 20% desconto no que necessitassem de adquirir em loja no acto da adoção. Inicialmente, em Março de 2016, começamos por trabalhar apenas com gatos. Aceitamos gatos de particulares, associações, de diversas proveniências e diversas idades. Os gatos ficam em quarentena na clínica, após esse período, estando o exame fisico normal vão para a loja onde se processa o acto de adoção. Claro que não conseguimos agradar a todos e nem sempre as pessoas concordam que a vitrine de uma montra seja o melhor lugar do mundo para um animal, devido ao stress incutido. Mas estes gatos vem da rua, onde tinham de procurar comida, abrigo, fugir de predadores, de pessoas maldosas, de carros, à mercê de doenças graves. Desde Março de 2016 até a actualidade foram adotados 345 gatos na nossa loja, alguns ainda acompanhamos na clínica, outros fomos perdendo o contacto. Os números falam por si e o projecto corre muito bem, mas e os cães? Poderemos nós avançar com adoção de cães? Os cães implicam uma logistica diferente dos gatos. Eles crescem rapidamente, atingindo tamanhos que não se coadunam com as nossas boxes da loja, ou seja, só podemos aceitar bebés ou adultos até um determiando porte, estes só podem estar em loja até três semanas consecutivas. Após vários contactos com várias associações eis que surge a Associação Ajuda Animais em Amarante, que aceitou de imediato a parceria connosco, sendo que caso os animais no espaço de três semanas não fossem adotados teriam de regressar à associação. Começamos em Janeiro de 2017 esta parceria que conta já com 80 cães adotados, sendo que apenas 2 tiveram de regressar à Associação tendo sido adotados uma semana após sair da Ornimundo. Poderiam ser mais? Poderiam. Podemos melhorar ainda mais as condições? Podemos e vamos continuar a trabalhar nesta parceria, pois ainda há muito por fazer, muita coisa para mudar.

NESTE VERÃO, CUIDE DA SUA SAÚDE

ANTONIETA DIAS
O golpe de calor (insolação) pode colocar a vida em risco. É uma doença resultante da exposição prolongada ao calor intenso, durante vários dias consecutivos, com consequente desidratação, dificuldade no arrefecimento corporal, podendo até impedir a descida da sua temperatura por incapacidade na libertação do suor e bloqueio na reposição dos valores normais da temperatura corporal habitual.

Caracteriza-se por ser uma doença de instalação súbita, muito grave, implicando a necessidade de tratamento intensivo imediato que passa pela hidratação de grande volume de líquidos de forma a minimizar o risco do golpe de calor.

Esta situação ainda se torna mais complicada se surge em pacientes portadores de certas doenças crónicas (diabetes, insuficiência renal, alcoolismo, patologia respiratória, fibrose quística, hipertensão, arritmia cardíaca, patologia psiquiátrica, esclerodermia…), que só por si se encontram já comprometidas na resposta fisiológica normal à qual acrescem as terapêuticas medicamentosas instituídas que poderão agravar ainda mais este quadro.

Importa, contudo referir que outros grupos vulneráveis, designadamente as crianças, os idosos, os obesos, pacientes aletuados, as pessoas que desenvolvem a sua atividade profissional com uma grande exposição solar são pessoas ainda com maior risco.

Cuidados gerais e atitudes durante os períodos de temperaturas ambientais elevadas: 

Fornecer uma grande ingestão de líquidos (água, sumos naturais, sem açúcar).

Impedir a ingestão de bebidas com açúcar ou de bebidas alcoólicas.

Fazer refeições leves e com uma frequência de 6 a 7 vezes por dia e de pequena quantidade.

Permanecer em ambientes frescos de preferência com ar condicionado, tomar um duche de água tépida ou fria, sempre que possível.

Não permanecer ao sol nos períodos do dia compreendidos entre as 11.00 e as 17.00 horas, usar protetores solares, aplicando-os de 2 em 2 horas.

Proteger o corpo com roupas suaves e que cubram o máximo da superfície corporal.

Sempre que possível viajar de noite, não permanecer dentro das viaturas estacionadas e ao sol, procurar ter um ambiente nas habitações fresco e não frequentar a praia nos dias em que as temperaturas sejam elevadas.

A sintomatologia do golpe de calor pode ser de instalação súbita, muito rápida, sem prévios sinais de alarme, designadamente cefaleias, vertigens ou fadiga.

De uma forma geral, surge febre alta, a pele fica seca, vermelha e quente, sem produção de suor, náuseas e tonturas.

A nível cardíaco surge uma taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), que pode atingir 160-180 batimentos por minuto, sem variação dos valores tensionais.

As temperaturas corporais podem ser de 40, 41º, originando uma sensação de desconforto interior( como se de fogo se tratasse), confusão e desorientação mental, podendo mesmo levar à perda de consciência ou desencadear um quadro convulsivo.

Quando o paciente atinge uma temperatura de 41º, desencadeia um quadro clinico grave em que pode bastar apenas o aumento de mais 1º grau para ser mortal, devido ao fato de provocar uma lesão permanente nos órgãos vitais, designadamente no cérebro.

Se não formos céleres na instalação do tratamento o golpe de calor pode ser fatal.

O tratamento do golpe de calor é urgente, exige uma transferência imediata para uma unidade hospitalar, sendo uma obrigação de quem suspeita ou de quem diagnostica este síndrome, deve chamar o 112, iniciar rapidamente medidas de suporte, nomeadamente envolver a pessoa com panos ou lençóis humidos, colocar a vitima numa banheira de água fria, num riacho se for essa a alternativa, ou mesmo aplicando gelo para a arrefecer enquanto se aguarda o transporte pelo Instituto Nacional de Emergência Medica (INEM).

É importante fazer o controlo da temperatura corporal para prevenir o arrefecimento excessivo e ministrar a terapêutica necessária para evitar as convulsões.

O internamento dos pacientes que foram vitimas de um golpe de calor é feito durante um período de alguns dias para monitorizar as oscilações de temperatura, repor o equilíbrio hidro-eletrolítico, provocado pela perda excessiva de água e eletrólitos, fazer a estabilização hemodinamica dos pacientes os quais só deverão ter alta hospitalar , quando estiverem completamente equilibrados.

Em suma, sem prejuízo de outras informações complementares trata-se de um quadro clinico muito grave mas com bom prognóstico se tivermos uma atitude terapêutica assertiva e se os pacientes responderem adequadamente às medidas recomendadas.

Nota: linhas de apoio da Direcção Geral de Saúde: Saúde 24: 808 24 24 24
Email: calor@dgs.pt

sexta-feira, 28 de julho de 2017

UM POUCO DE ROTARY

ANTÓNIO PATRÍCIO
Nos inícios de séc. XX, corria o ano de 1905, Paul Percy Harris (advogado) reuniu com três amigos e homens de negócios, Gustav Loehr (engenheiro de minas), Hiran Shorey (alfaiate) e Silvester Schiele (comerciante de carvão) na cidade de Chicago com o propósito de apoiar as atividades de indivíduos e grupos prestadores de serviços no sentido de melhorar a qualidade de vida, manter a dignidade humana e promover a compreensão e paz mundial. Esta reunião realizada a 23 de Fevereiro seria a primeira, de uma ideia que já vinha fermentando desde 1900, nascendo o que hoje é a maior Associação do planeta contando com 1,2 milhões de associados distribuídos por 34.700 Rotary Clubs e espalhados por 210 países ou regiões do planeta.

O Rotary Club de Amarante haveria de nascer no dia 1 de Junho de 1954, pela mão de vinte e três Amarantinos cujos nomes se encontram perpetuados nas colunas mestras do Monumento ao Rotary inaugurado no passado dia 1 de Junho na rotunda do Rotary Club de Amarante, tendo como padrinho o Rotary Club do Porto. Desde então, a esta parte, já contribuiu para a fundação de outros Clubs sendo padrinho dos Rotary Club de Luanda, de Estarreja, de Ovar, de Vila Real, de Beja, de Penafiel e de Resende.

No que concerne à sua acção socio-cultural, educacional e humanitária, na comunidade em que está inserido muito tem contribuído, não só com bolsas-de-estudo direccio-nadas para alunos do ensino superior, muitos deles exercendo actividade profissional cá na terra (pena é que alguns tenham a memória curta e, em vez de se sentirem orgulhosos de terem sido bolseiros deixem transparecer como que um sentimento de vergonha renegando o que no fundo deveria ser um motivo de orgulho); com o movimento “Transformers”; com a Santa Casa da Misericórdia de Amarante e outras Associações como a Terra dos Homens e a APDM, tentando fazer uma sociedade melhor e ajudando a Viver. 

De momento somos vinte sócios contribuindo com o nosso saber e a nossa boa vontade para que o objectivo do Rotary que é, estimular e fomentar o IDEAL DE SERVIR, como base de todo o empreendimento digno, promovendo e apoiando: Primeiro: O desenvolvimento do companheirismo como elemento capaz de proporcionar oportunidades de servir; Segundo; O reconhecimento do mérito de toda ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional; Terceiro: A melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e privada; e Quarto: A aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando a consolidação das boas relações, da cooperação e da paz entre as nações, seja continuado e se possa manter como força viva e em movimento. 

“O Rotary faz a Diferença” é o lema deste Ano Rotário e neste sentido e sem descorarmos a Prova Quádrupla – do que nós pensamos, dizemos ou fazemos: 1- É a verdade?, 2- É justo para todos os interessados?, 3- Criará boas vontades e melhores amizades?, 4- Será benéfico para todos os interessados? – temos como objetivos, :- Pro-mover o companheirismo;- Manter “Tema da Semana” – Reuniões/Jantar com convi-dado palestrante (temas de interesse geral);- Ampliar o Quadro Social;- Dar conti-nuidade ao Boletim do Club;- Festejar o “Dia da poesia/Dia da Árvore”;- Sensibilizar e cativar os “mídia” para as actividades do Club;- Celebrar o Natal (oferta de brinque-dos);- PPR (passeio pedonal rotário que girará à volta da Rota do Românico);- Come-morar o 64º Aniversário do Club. 

Para além disto temos, ainda, dois Projectos, um direcionado para a Saúde Oral, numa parceria com a Associação “Mundo a Sorrir” e que irá ser levado a cabo em Cabo Verde com a duração de três anos e outro direcionado para a Floresta numa parceria com outros Clubs, nomeadamente, Vila Real, Lamego, Régua, Bragança, Mirandela, Chaves e Valpaços, assim como as respectivas Câmaras Municipais, que visa a reflorestação da Serra do Marão com a plantação de 10.000 árvores. O ICNF irá ser um parceiro activo no sentido de se delinear e levar a cabo esta acção. 

Escusado será dizer que uma parte significativa das cotas mensais é direccionada para a acção internacional do Rotary, através da Rotary Foundation, que desenvolve esforços e acções num esforço hercúleo de alcançar a compreensão mundial e a paz através de programas internacionais de intercâmbio humanitário, educacional e cultural.

O Conselho Director do Rotary Club de Amarante mantém-se atento e disponível para analisar e tentar colmatar situações que, a todo o momento, possam surgir.

Em Rotary, entre outros procedimentos, iremos usar toda a nossa experiência profissional, talentos e princípios básicos de comportamento para melhor servir o Rotary, os Companheiros e a comunidade seja ela local ou além-fronteiras; seremos justos e trataremos com respeito intrínseco os nossos iguais; honraremos a confiança que os nossos Companheiros depositam em nós, pondo sempre os interesses do Rotary à frente de qualquer desconforto pessoal, por forma a que nada façamos que neles se possa reflectir negativamente e, não menos importante, “dar de si antes de pensar em si”.

Ser Rotário é ser Companheiro, é ser Amigo, é comungar o Ideal de Servir.

VERDADE SOBRE POUPANÇA

JOÃO RAMOS
Ao longo dos últimos 2 anos, a poupança manteve-se em níveis historicamente baixos, atingindo recentemente valores negativos. Apesar das acusações lançadas por determinados arautos, que criticam o despesismo das famílias portuguesas, é importante enumerar algumas das causas que originaram esta situação.

Por um lado, as remunerações dos trabalhadores encontram-se 6% abaixo dos níveis pré-crise, o que é agravado pelo aumento do número de indivíduos a receberem o salário mínimo nacional, que ultrapassa os 25% da população activa. Como se confirma pelo estudo do ISCET, o rendimento digno para um individuo solteiro é de 723 euros, e para um casal com dois filhos mais de 2500 euros, ou seja, 67% do salário mínimo nacional. Por outro lado, com a chegada da troika, muitas famílias adiaram despesas em bens duradouros, o que provocou uma aumento substancial da poupança, embora este fosse artificial, uma vez que se tratam de gastos indispensáveis. Aproveitando, um período de maior desafogo, as famílias optaram por realizar, ao longo, dos últimos dois anos, as despesas que haviam adiado, refletindo-se na redução do seu aforro.

Além disso, entre 2006-2016, os preços dos bens de consumo não duradouro e os gastos com eletricidade e telecomunicações subiram 16%, “sugando” uma componente maior, do já de si magro e estagnado, rendimento da população. Por último, convém recordar, que a generalidade dos portugueses possui as suas poupanças sob a forma de ativos ilíquidos, como habitações, o que, em termos contabilísticos, acaba por subavaliar o esforço dos portugueses. Todos os fatores apontados contribuíram e contribuem para a redução da poupança das famílias. Ao contrário do que defendem muitos economistas, não se deve a um consumismo ou despesismo das famílias, que voltaram aos excessos de outrora, mas sim ao baixíssimo nível de rendimento disponível dos portugueses a causa das baixas taxas de aforro.

PRÉ-ÉPOCA: DOS MILHÕES ÀS COISAS SÉRIAS!

MIGUEL NOVAIS
A pré-época é sempre alvo de insinuações e críticas, mas é fácil perceber porquê: as férias do futebol não fazem bem a ninguém!

Nós, por cá, sabemos tudo. A meio da preparação já descobrimos o campeão. Ou porque o Sporting fez mais jogos que treinos, ou porque o primeiro penta do Benficafoi logo contra os Young Boys ou mesmo porque lá no México o Sérgio Conceição já deu continuidade ao grito de revolta do Villas-Boas e acabou mais cedo que os outros no balneário (neste último caso, até foram todos juntos e amigos). Não nos desviemos do caminho, a pré-época serve para PREPARAR.

A escolha do calendário é logo o primeiro fator a ter em conta. Há quem defenda o aumento gradual da complexidade dos adversários, há quem prefira bastantes encontros a fim de testar um vasto leque de opções e depois existem os gigantes europeus que seguem todos o mesmo caminho (€), a fim de nos proporcionar momentos fantásticos logo a abrir a época desportiva. Mas há uma componente que é comum a todos os estilos: planteis enormes e infinitas substituições por jogo. Aqui esbarramos logo no primeiro problema: o espectáculo - o ritmo de jogo perde-se, logo, as pessoas mudam o canal. Lamento, mas tem mesmo de ser assim. É preciso ver, é preciso testar e no final ainda é preciso gerir o esforço dosatletas. Não me parece que exista outro caminho, uma vez que os jogadores não param de chegar. Todos merecem uma oportunidade que seja e, a ter de escolher, mais vale perder a feijões. 

Depois há os milhões que assombram o mercado. Sinceramente, não faço a mais pálida ideia de onde isto irá parar. Que o futebol é um negócio, toda a gente já sabe e talvez por tanta gente saber é que tanta gente tenta ganhar dinheiro. Falamos de números que, há 20 anos atrás, se lhes contássemos riam-se na nossa cara. Aliás, não precisamos de ir tão longe: o nosso Cristiano custou, há 8 anos atrás, uns bons 95 milhões de euros. Um preço já astronómico mesmo para um astro. Mas reparem, falamos de 400 golos em 400 jogos. O homem garante um golo por jogo! Coisa pouca a fim de justificar o investimento.Depois disto e apesar dos tempos já serem outros, digam-me lá um jogador com um preço justo no mercado…

Dinheiro à parte, as pré-épocas são sempre importantes em todos os planteis. É a diferença de entrar bem ou mal num campeonato, o que pode decidir o seu desfecho. A mim, parece-me óbvio que o principal papel de um treinador durante a pré-época seja cimentar as ideias do seu modelo de jogo e, fundamentalmente, fazer com que os seus jogadores percebam e acreditem nas suas ideias. Aliado a isso, desenvolver a condição física do plantel a fim de uma ótima entrada na competição. É por isso que a pré-época é tão longa, porque não é possível em uma ou duas semanas todos os jogadores estarem 100% preparados.Provavelmente, uns até conseguiriam, mas todos ao mesmo tempo era impossível. Por isso é que vão aparecer e desaparecer jogadores, vão haver boas e más exibições, vão surgir derrotas ou vitórias, mas tudo faz parte do processo. O mais importante é percebermos que estamos num período de aquisição. Reparem nas coisas boas que vão surgindo mas, quanto ao resultado em si, deixem-no para quando for mais sério!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

FESTIVAL MIMO DE AMARANTE PARA O MUNDO

CRÓNICA DE ANABELA BORGES
FOTO EC

Diversidade. É a palavra que define o Festival MIMO.

Primeiramente, a diversidade é vincada pelo extenso abraço entre dois continentes separados pelo Atlântico, logo seguido por um outro abraço apertadinho entre dois países irmãos: Portugal e Brasil. A cidade que recebe o festival deste lado do Atlântico é a minha bela cidade de Amarante. Quando pesquisamos, no sítio oficial do festival, podemos ler sobre Amarante: “Palco da estreia internacional do MIMO Festival, a charmosa cidade, que é do distrito do Porto, está localizada no Norte de Portugal. Distinguindo-se pelo património cultural e natural da região do Tâmega e Sousa e intenso fluxo turístico, Amarante é conhecida por seu belo casario, as igrejas seculares e a produção do apreciado vinho verde”. É com este cenário por guia que milhares de pessoas percorrem Amarante durante os três dias que dura o festival. Neste ano, foram mais de 60 mil presenças.

A diversidade em diferentes palcos.

A diversidade manifesta-se a todos os níveis. Desde logo, toda a oferta do cartaz é gratuita – um luxo! – não se resumindo a concertos, nem a um espaço único. O festival espalha-se generosamente pela cidade: pelo museu Amadeo de Souza-Cardoso, as igrejas de São Pedro e de São Gonçalo, o centro cultural Maria Amélia Laranjeira, o cinema Teixeira de Pascoaes, o Parque Ribeirinho, as ruas e as famosas quelhas, atravessando a velha ponte, com o rio Tâmega correndo aos pés. Ao longo de três dias, a diversidade vai ditando, além dos concertos, uma oferta cultural que passa pela parte educativa, fóruns de ideias, palestras, master classes,workshops, cinema e chuva de poesia, num total de 52 actividades.

Também a área alimentar traduz diversidade, apresentando cardápios para diferentes gostos. Diversidade é a cidade a encher-se de gente de diferentes gerações, vinda dos quatro cantos do mundo, desde os próprios participantes no festival aos visitantes. O ambiente vai-se tornando fluido e descontraído, e há uma felicidade – difícil talvez de traduzir – que se vê genuína nos rostos de quem está. Festivais como o MIMO unem as gentes. Há uma conexão entre as pessoas, e isso nota-se e é bom.

Na edição deste ano, a diversidade contou com artistas como o multi-premiado compositor e pianista Herbie Hancock (EUA), os tuaregues Tinariwen (Mali), Nação Zumbi (Brasil), Ala.Ni (Inglaterra), Richard Bona (Camarões) e Mandekan Cubano, Manuel Cruz (Portugal), Hamilton de Holanda e o já famoso Baile do Almeidinha, entre outros.

Todas essas andanças vieram a proporcionar à minha filha mais nova um encontro com o escritor Valter Hugo Mãe, graças à sua presença no festival. Porque esse sentido de união próprio do festival permite-nos encontrar e reencontrar pessoas que nos fazem bem e com quem queremos estar. E a Inês tinha esse sonho firme de conhecer o escritor que tanto admira, tão ligado ele também ao mundo, e ao Brasil com um carinho especial.

Não tenhamos dúvidas: o MIMO já é um festival do mundo!

COMO CUIDAR O DOENTE COM ALZHEIMER?

MARIA AMORIM
Esta é sempre a grande questão que implica grande sensibilidade do cuidador e habilidade para gerir as situações problemáticas que a doença acarreta. O cuidador precisa de interiorizar que a doença de Alzheimer atinge com gravidade a capacidade de pensar e a memória, que os seus sintomas compreendem perda de memória, capacidade de raciocinar e de ajuizar, mudanças de humor e mudanças no comportamento e comunicação 

Porque a memória se encontra alterada, a pessoa vai perdendo as lembranças mais recentes, guardando no entanto, intactas, memórias do passado. A pessoa torna-se incapaz de assimilar novas informações, tem tendência para vaguear, e perde-se muitas vezes. Perde capacidade de realizar atividades musculares, acabando por ficar acamada. Torna-se incapaz de reconhecer certos objetos, pelo que deixa de fazer muitas coisas, até de comer, acaba por negligenciar a sua higiene pessoal.

ESTRATÉGIAS PARA OS CUIDADORES 

Cuidar de uma pessoa com Alzheimer não é tarefa fácil 

O MAIS IMPORTANTE, ENQUANTO FOR POSSÍVEL, É AJUDAR O DOENTE A FAZER AS COISAS MAS NÃO AS FAZER POR ELE 

Quando as capacidades da pessoa mudam por via do Alzheimer ou de uma doença aparentada, a comunicação é afetada, podendo causar mal-entendidos e frustrações quer de um lado, quer do outro. Manter uma comunicação baseada no respeito e na sensibilidade é fundamental, seja qual for o estadio da doença ou o grau de confusão da pessoa. Há que ter presente que a qualidade de vida das pessoas atingidas pelo Alzheimer ou outra demência aparentada depende muito da sua ligação com os outros, mas que, no entanto, a manutenção destes laços se pode revelar complexa e muito difícil, sobretudo quando a comunicação verbal se tornar impossível, pois com o evoluir da doença, a comunicação torna-se cada vez mais difícil. As pessoas com Alzheimer têm bons e maus dias, e não podemos esquecer que isto depende directamente da qualidade do sono, do seu nível de stress ou de outros problemas de saúde. 

No estadio moderado, pode acontecer que a pessoa tente interpretar um mundo que já não compreende, porque o seu cérebro é incapaz de perceber as informações que lhe chegam ficando a comunicação comprometida pela falta de entendimento mútuo, o que pode perturbar o doente e os cuidadores

A comunicação pelos sentidos, no estadio mais avançado até ao fim de vida 

Num estadio mais avançado, mesmo que a pessoa não possa comunicar verbalmente ou reconhecer o cuidador, ainda está capaz de comunicar de outra forma e de sentir o afeto e os esforços feitos para a acalmar. Vigiar mudanças no comportamento, na linguagem corporal e nos sinais não verbais que possam transmitir sentimentos ou mal-estar físico que sugiram que se deva chamar o médico

Passar tempo ao ar livre faz muito bem a toda a gente, doentes e cuidadores 

Os cuidadores devem ter presentes que existem medicamentos que tratam os sintomas mas…NÃO CURAM A DOENÇA E NÃO A IMPEDEM DE EVOLUIR

Atualmente não existe nenhum tratamento que cure a doença, sendo o seu tratamento sintomático, resta-nos a esperança que a investigação leve à descoberta da sua cura. Alguém dizia que “…Uma pessoa não se restringe unicamente à sua memória. O ser humano tem sentimentos, imaginação, energia, vontade e princípios.” O. Sacks 

O doente até pode nao saber quem eu sou, mas EU sei quem ele é... 




UMA FORMA ENCAPOTADA DE CENSURA

LUÍSA VAZ
Salvo raras excepções, todos nós gostamos de viver num país livre e democrático e fazemos bom uso da nossa Liberdade individual e colectiva. A maioria de nós frequenta assiduamente as redes sociais e condena regimes totalitários e ditatoriais.

Eu então mais do que muitos, gosto de expressar a minha opinião mas sempre de forma racional, sem recorrer ao insulto ou a outras formas que não o debate sério de ideias e o esgrimir saudável de argumentos válidos e com base factual.

É precisamente o momento que vivemos em Portugal e o facto de cada vez mais ver a Liberdade de Expressão e Pensamento manietada que me leva a escrever este artigo. Ao ler opiniões formatadas ao Regime que se impôs em Portugal à cerca de ano e meio e por ter sido eu própria alvo de censura, resolvi usar o meu exemplo para alertar os mais distraídos.

Hoje de manhã cedo fiz a minha “ronda” habitual pelo Facebook que é a rede social que mais utilizo. Ao deparar-me com uma notícia sobre a porta-voz do Partido que hoje lidera a Assembleia da República, apercebi-me dos vários comentários que tinham sido escritos. Por concordar com a grande maioria fui distribuindo emogins à medida que ia lendo. Uns de concordância, outros de discordância e outros de apreço absoluto. Foram várias as vezes que “carreguei no botão” para expressar a minha opinião até ter recebido uma mensagem do sistema que dava conta de que a funcionalidade me tinha sido bloqueada. Mais tarde voltei a tentar usá-la e não tendo havido suspensão do bloqueio, escrevi para o Centro de Ajuda a relatar a situação. Continuo a aguardar resposta e não sei por quanto tempo estarei efectivamente impedida de comunicar a 100% com os meus contactos.

Por mais que o Facebook tenha por base um algoritmo e que pela quantidade de emogins utilizada eu pudesse ser considerada um “BOT” que praticou uma acção de “spam”, parece-me que me foi aplicada uma medida demasiado drástica e de forma liminar. Ou seja, há censura nas redes sociais como na vida pois uma coisa é a segurança de quem frequenta estes espaços e outras são os abusos perpetrados em seu nome. Então e a enormidade de perfis falsos com os mais variados intuitos não são mais perigosos e nefastos para o salutar convívio na rede?

E essa faz a ponte com o momento que vivemos. Estamos manietados pela introdução da Teoria de Género que quer confundir a cabeça das nossas crianças levando-as a crer que o sexo como nascem não determina o seu papel social, cívico, cultural e humano. Temos a informação toda controlada sendo poucos os que conseguem ser “off-stream” e tudo isto tendo por base a manutenção do Poder a todo o custo e a colocação de amigos em tudo o que são lugares de chefia ou destaque para gáudio das elites e desespero da população pensante.

Depois de uma série de boas noticias que em nada tiveram que ver com o desempenho de quem hoje em dia dirige os destinos da Nação, há a consequente sucessão de más noticias essas sim, decorrentes dos erros cometidos desde Outubro de 2015.

Elas chegariam mais cedo ou mais tarde, é tão inevitável como a morte mas convenhamos: É preciso mentir, manipular, esconder e manietar só para manter o Poder? Pode haver quem ache que estou a levar as coisas longe de mais mas olhando para o estado do país, com incêndios de proporções épicas e com um sistema de emergência que não está preparado para funcionar em situações de pasme-se….de Emergência e que nos custou a módica quantia de 485 milhões de euros, sendo que quem o contratou era MAI e agora é PM, eu diria que algo de muito grave se está a passar neste país.

Quando o PR pactua silenciosamente com aquilo que parece ser uma Venezuelização de Portugal quando o Governo até pretende regular sobre o número de farmácias existentes, fica a pergunta:Quando começará a regular sobre o número de supermercados? Ou sobre o número de Esquadras ou efectivos que as mantêm?

Eu considero que algo de muito grave se está a passar em terras lusas e seria bom que as pessoas abandonassem a ideia de que estão ricas porque cada agregado recebe em média mais €7/mês e começassem a perceber que o custo a pagar por isso vai ser demasiado alto. Não vale tudo só para que se viva na Terra do Nunca. A este respeito, o facto de o PR ter mencionado que nos poderíamos estar a aproximar de um sistema ditatorial a mim já me diz muito mas isso sou eu que olho pro Mundo que me rodeia e que uso, o que eu considero ser maus exemplos, como lições daquilo que não se deve fazer e sem a noção irrealista de que se fosse eu a fazer, o resultado seria diferente. Porque não seria.

Estamos a breve trecho de eleições autárquicas. Os candidatos já estão perfilados mas ainda há listas para fechar. Ainda há nomes que querem entrar pelo “buraco da agulha” e por isso não é momento de fazer ondas mas quando há pessoas, cidadãos portugueses, desviados para a morte e outros que morrem em consequência da tragédia, não há mortos directos ou indirectos. Há mortos, lamentavelmente. Senão vejamos: também há impostos directos e indirectos mas não são todos impostos?

Já o disse e volto a dizer: é tão engraçado quanto perigoso brincar com as palavras e as pessoas que sabem o que elas significam têm todo o direito de se sentir espoliadas do seu sentido patriótico e de Nação neste momento mas por isso mesmo é que têm que pensar que hoje pode ser preciso, vai ser preciso, resgatar mais uma vez o país das mãos dos malfeitores só que desta feita não é só das mãos de Sócrates mas arranca-lo das mãos deste cancro nefasto e persistente que são as Esquerdas.

QUANDO A PESSOA TEM PERTURBAÇÃO OBSESSIVO-COMPULSIVA

VANESSA MIMOSO
Certamente que já ouviu falar de pessoas que verificam inúmeras vezes as portas, as janelas e o fogão, que lavam repetidamente as mãos, que perdem muito tempo na limpeza da casa, que exigem ter as coisas muito “arrumadinhas” (quase alinhadas) ou que têm grande dificuldade de descartar papéis, roupas ou objetos que não têm mais utilidade.

A pessoa sofre de uma “angústia profunda” dada a quantidade de pensamentos negativos e excessiva preocupação com a sua saúde, limpeza da casa e contaminação. Para se tornar mais explícito seguem alguns excertos, a título de exemplo: 

- “Todas as noites a sua maior preocupação é que vai ser assaltado. Passa às vezes 2 horas a pensar que vai ser assaltado e diz que alguns minutos após começar esta sua preocupação, começa a imaginar “dois homens a entrar dentro de casa, armados, e a amarrarem-me numa cadeira e roubarem tudo”. Estas imagens provocam um grande medo dentro dele e começa a andar pelo seu apartamento a “fechar/abrir/fechar” as precianas até que sinta que estão “perfeitamente cerradas”. Depois tranca a porta de casa 3 vezes para certificar que a porta está “realmente trancada”. Quando se deita na cama, começa a ter novamente pensamentos em relação à sua segurança, “será que tranquei bem a porta da entrada”, “será que a preciana da cozinha ficou aberta”. Fica cheio de dúvidas, levando-o a levantar - se de novo para verificar estas questões. Consegue adormecer mas só depois de se levantar da cama, em média 3 a 4 vezes depois de se ter deitado”.

- “Prepara-se para dormir executando o ritual diário de preparação para se deitar, que demora à volta de 45 minutos. Inicialmente, ele estica várias toalhas no chão da casa de banho “para não se sujar com o chão”. Após usar a casa de banho limpa tudo com lixívia de modo a garantir que elimina todos os germes. E ainda não satisfeito, gosta de passar um pano com álcool para sentir que está “verdadeiramente limpa”.”

Muitas das vezes, este tipo de comportamentos são motivo de gozo por parte dos amigos/colegas e de discussões com os familiares que não compreendem o porquê de a pessoa não deixar de ter essas preocupações e repetir esses atos.

Em suma, a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é caracterizada por alterações no pensamento (obsessões), no comportamento (compulsões ou rituais) e emocionais (ansiedade e medo) que causam um prejuízo severo no funcionamento psicossocial do indivíduo.

As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens que invadem a nossa mente de forma recorrente e persistente, que são experimentados como intrusivos e inapropriados, que causam ansiedade e mal-estar intensos. As compulsões tendem a acompanhar as obsessões, a pessoa sente-se compelida a executar comportamentos repetitivos (lavagem das mãos, ordenações, verificações) ou atos mentais (rezar, contar, repetir palavras mentalmente) com o objetivo de evitar ou reduzir o mal-estar ou prevenir situações temidas.

Para que seja diagnosticada a perturbação, estes sintomas para além de provocarem um forte mal-estar, consomem muito tempo ao indivíduo (mais de uma hora por dia) e/ou interferem significativamente com as rotinas normais da pessoa, funcionamento ocupacional ou académico, e até mesmo nos relacionamentos.

Relativamente ao tratamento, a terapia cognitivo-comportamental, irá ajudar o indivíduo a reduzir e até eliminar os sintomas por completo.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

AMIGO OU INIMIGO SALGADO?

- “Olá! Quanto custa uma caixa daquele medicamento?”
- Olá, aquele medicamento custa 500g de sal”.


VERA PINTO
Certamente que nenhum de nós está à espera de uma resposta destas quando vai comprar algo que necessita. O mesmo não poderíamos dizer se entrássemos numa máquina do tempo e remontássemos à idade média. Antes de surgir a moeda, a remuneração do trabalho humano era feito com mercadorias, como carneiro, porco, galinhas, sal e peles. Aliás, tal como, a maioria das palavras do nosso vocabulário, a palavra salário deriva do latim salarium argentum, que significa “pagamento em sal”. Isso porque no Império Romano, os soldados eram pagos com sal. Ao descobrir que o sal, além de ajudar na cicatrização, servia para conservar e dar sabor à comida, os romanos passaram a considerá-lo um alimento divino, uma dádiva de Salus, a deusa da saúde. O sal mais conhecido é o cloreto de sódio vulgarmente chamado de "sal comum" ou "sal da cozinha", por ser largamente utilizado na alimentação humana. O sal permite, não só melhorar o sabor das refeições. Para algumas pessoas lamber uma colher com restos de sal de cozinha contribui para alegrar o dia. Aos seres humanos, tal como aos roedores, o sal melhora o ânimo. É um efeito lógico, se tivermos em linha de conta que evoluímos de criaturas que viviam nas águas salgadas dos oceanos e que, uma vez instaladas em terra firme, continuavam a necessitar de sódio e de cloro, os dois componentes do sal de mesa, indispensáveis para as nossas células funcionarem correctamente e para os neurónios poderem comunicar entre si. Também nos desportos exigentes, o sal pode trazer vantagens. A reposição de sais durante as provas mais rigorosas permite melhorar o rendimento dos atletas, da mesma forma que é benéfico consumir alimentos com elevado teor de sal, como frutos secos, antes de enfrentar competições que exijam grande resistência. Outro ponto a favor é a capacidade de defender o organismo de agentes patogénicos. Alguns estudos também defendem que se passarmos a restringir o uso do saleiro, a nossa memória enfraquece, isto porque o cloreto de sódio é imprescindível para os neurónios poderem transmitir correctamente os sinais nervosos. Contudo, se não for consumido com moderação, o sal dá tanta alegria aos pratos como desgostos à nossa saúde. As consequências de se exceder habitualmente os limites estabelecidos para uma alimentação saudável não devem ser encaradas levianamente. A mais conhecida é o aumento da pressão arterial, ou hipertensão, frequentemente designada por “assassino silencioso”, devido a capacidade de passar despercebida, sem dar origem a sintomas, até provocar acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos. O abuso em sal também coloca em perigo os órgãos vitais, principalmente o coração, os rins e o cérebro. O composto químico também é suspeito de promover o desenvolvimento de um grupo de células defensivas envolvidas na activação de doenças auto-imunes, como psoríase, artrite reumatóide e esclerose múltipla, nas quais o próprio organismo ataca por engano os tecidos saudáveis. Todas estes malefícios já são mais que conhecidos e, apesar da comunicação em massa ainda não sabemos evitá-los. Segundo a OMS não devemos consumir mais de cinco gramas de sal por dia. Contudo, Portugal consome mais do dobro e o coração e sistema vascular são as principais vitimas dos excessos. Acrescentar uma pitada de sal à vida é essencial para nos proporcionar bem-estar, todavia lembre-se: “uma pitada q.b., não se estique na pitada”.

CHESTER BENNINGTON

PAULO SANTOS SILVA
Ainda o mundo da música não estava refeito do desaparecimento de Chris Cornell, que tinha sido alvo de uma crónica nestas páginas que vos escrevo e, precisamente no dia em que o seu amigo faria anos, Chester Bennington decide pôr termo à vida. 

Para os mais distraídos, o nome não será familiar. No entanto, se dissermos que foi o vocalista dos Stone Temple Pilots e, principalmente, dos Linkin Park o caso já muda de figura.

Nascido em Phoenix, a 20 de março de 1976, Chester Charles Bennington foi cantor, compositor e ator. Chester nasceu em Phoenix, Arizona, tendo-se mudado algumas vezes para outras cidades deste estado. Mais tarde, revelou ter sido abusado sexualmente por um amigo mais velho, o que, somado ao divórcio dos seus pais, o ajudou a entrar no mundo das drogas de onde conseguiu sair aos vinte anos, quando se casou pela 1ª vez.

O seu primeiro instrumento foi um piano, tendo o seu irmão mais velho sido uma fonte de inspiração no que toca a abrir-lhe os horizontes relativamente ao conhecimento de várias bandas que contribuíram para influenciar a sua carreira musical.

Envolveu-se em diversos projetos até que, em 2013, substituiu na banda Stone Temple Pilots o vocalista Scott Weiland que assumiu ser uma das suas maiores influências, a par de Robert Plant dos Led Zeppelin e, principalmente, dos Depeche Mode. 

Dois anos e meio depois, deu por terminada a colaboração com a banda por motivos que não tendo sido bem explicados, terão tido como base a dificuldade em conciliar a atividade pessoal e familiar, com a atividade como vocalista naquela que já era a sua banda principal – os Linkin Park. Foi, aliás, com esta banda que ganhou dois dos prémios mais importantes da música – os Grammys – e gravou sete álbuns que venderam mais de 70 milhões de cópias.

Deixou seis filhos de dois casamentos, sendo um deles adotado. Segundo o porta-voz da Polícia de Los Angeles, Chester suicidou-se por enforcamento, sendo mais um caso de um músico que não aguenta a pressão da fama, aliada ao consumo de álcool e drogas. Lamentavelmente mais um. Juntando a estes fatores, a espiral depressiva em que terá entrado após a morte do amigo Chris Cornell, temos reunidas todas as condições para um final trágico, como oque aconteceu.

Deixo-lhe como sugestão de audição, o tema Halleluja de Leonard Cohen, interpretado por Chester Bennington no funeral de Chris Cornell. Quase que diria, premonitório.





PS. – Para terminar num registo menos triste, 60 mil pessoas num festival de música em que tocam Herbie Hancock, Manel Cruz, Nação Zumbi e Jards Macalé, entre muitos outros, é mais do que um orgulho para uma cidade como Amarante – é um MIMO!!!

terça-feira, 25 de julho de 2017

LOGROS

REGINA SARDOEIRA
Voltar atrás , essa irrecusável proeza da mente, contrariada pelo realismo de um cronómetro que nos empurra para a frente, negada pelo cepticismo dos realistas que não se perdem em elucubrações, combatida pelo frenesim dos que lutam pela vida nas arenas cruas da moeda possível quando se deixou escrito na pedra uma porção de vida. E eu voltei atrás. 

Essa viagem, breve e precisa, fez-me abanar a cabeça repetidas vezes, não de repúdio ou de negação, mas de mim para mim mesma, um abanar de cabeça de uma espécie particular de desalento, esse, que segundo as tradições poético -românticos do nosso território geográfico e humano nos acende a saudade, num fogo brando de inquietação mesclada de soluços e lágrimas. Isso, a saudade ergueu-se e mostrou-me que os paraísos encontrados são alucinações e que qualquer frase poética disfarça um inquestionável prosaísmo bárbaro, daqueles usados somente para fazer negócio e discutir em mercados e praças o valor das transacções. Tenho pena de chamar prosaísmo a essas lamentáveis composições insidiosas, escritas para, ali, homenagearem uma pessoa e, arrebatadas para outro lado, exactamente iguais, sem a troca de uma palavra ou o disfarce de uma vírgula, homenageando outra; tenho pena de chamar prosaísmo a este ardil, porque a prosa merece-me respeito quando é pura e serve fins superiores, a prosa é a maioridade humana da coerência e do acerto, a prosa é o veículo privilegiado da entrega à humanidade de obras por onde salta o génio. E no entanto, o prosaísmo é a alusão pejorativa ao uso insolente da palavra, ao abuso arrogante das frases, feitas e refeitas, que outrora achei prenúncios de génio escondido e que depois vi serem o escape habilidoso de pescadores de almas incautas. 

E contudo, de um modo incoerente, porque a emoção substitui-se, a espaços, ao rigor da análise, lamentei que tivesse ficado para trás, num sótão qualquer da imaginação ou do sonho (que ambos partilham a zona dos segredos) esse tempo, perdido para os outros, que pensam estar caminhando em frente quando se aventuram sempre pelos mesmos territórios.

O mundo dos homens é este indecoro de pretensas subtileza, trazidas para a cena pública sem o revestimento do pudor ou a dignidade do sentimento lídimo, é este saltar de rosto em rosto tentando apanhar o que a sombra dos olhos vela e exaltar o que permanecia em sono inquieto e subitamente se entrega, desperto e esperançoso. É esse o sinal do prosaísmo, que não da prosa, o sinal de espíritos vagueantes e inconformados na própria solidão e logo atirando flechas envenenadas, daquele veneno, disfarçado em cores balsâmicas e adornado de sabores prodigiosos, mas infecto, coberto de pérolas, e contudo desfiadas num enfeite impossível de prender.

PARÁBOLA DA SABEDORIA (adaptado de um conto das Mil e Uma Noites)

BRUNO SANTOS
Conta a lenda, mas só o Altíssimo sabe a verdade certa, que numa antiga terra de sábios, muito dados ao estudo e ao ensino de todas as ciências, vivia um jovem particularmente erudito e amante da luz do conhecimento. Não se lhe ouvia um queixume sobre a sua sorte e vivia feliz entre os doutos e mestres da sua cidade, com quem mantinha longos colóquios sobre os mais fundos e raros mistérios da existência. Contudo, um desejo havia que o atormentava nas noites longas de insónia, cercado na penumbra do seu quarto pelas estrelas do céu e por antigos códices e tratados de ciência certa, escritos pelos mais altos e poderosos doutores da escolástica antiga. Esse desejo, que tantos homens-mito atormentou ao longo dos séculos, de Prometeu a Ícaro, ou de Fausto a Camões, era uma indomável e urgente vontade de saber mais, sempre mais.

Um dia, passeava o nosso jovem pela orla ajardinada da Academia, absorto em pensamentos a um tempo profundos e elevados sobre o mistério do mundo e dos seres que o habitam, quando se cruzou com a banca de um mercador que ali assentara arraiais para fazer o seu comércio. Vendo o jovem tão distraído com as incógnitas do céu, logo o mercador tratou de o chamar à terra, tentando convencê-lo a comprar um belo e sedoso tule, ornado de preciosas pedras e jóias muito raras, que fora em tempos, dizia o mercador, usado por um rei persa de inigualável fama e poder.
O jovem retorquiu que a única jóia que buscava era a da sabedoria e que nenhuma outra riqueza ou fama lhe alteraria a expressão do rosto.

- Sei como ajudar-te, louco de deus. - disse o mercador.
- Por Seu Amor, fá-lo imediatamente, que me corrói as entranhas esta sede de luz!

- Vive num país longínquo, para lá do fim da Terra, um homem que é o mais sábio e o mais santo de todos quantos possas conhecer. A sua sabedoria, força e beleza suplantam as de todos os homens, de todos os séculos, reunidos. E mais ficas a saber que este sábio, apesar da sua fama e raríssimo mérito, não é mais do que a terceira geração de uma família de ferreiros.

Ouvindo as palavras do mercador, o nosso jovem correu para o seu lúgubre quarto, pegou nas sandálias, na mochila e no cajado, e rumou a todo o vapor para esse país distante, onde viva o poderoso mestre, com a intenção de adquirir a sua ciência definitiva.

Foram quarenta dias e quarenta noites da mais dura caminhada, do vale à montanha, do deserto ao mar, por entre perigos e esforços dignos das mais heróicas fábulas. Mas, finalmente, exausto da viagem mas agradecido ao Altíssimo, chegou são e salvo à cidade do ferreiro.

Rapidamente deu com a oficina do mestre e logo que nela entrou prostrou-se diante dele, com grande humildade e deferência, contando-lhe os sacrifícios por que passara para ali chegar e implorando-lhe que o acolhesse e o ensinasse. O ferreiro era um homem já de alguma idade, tinha um rosto luminoso e tranquilo. Cheio de compaixão perguntou-lhe: 


- Que desejas tu, meu filho?
- Aprender a Ciência! - respondeu o jovem.


O velho ferreiro afastou-se um pouco para ir buscar a corda do fole, regressou com ela e colocou-lha nas mãos.

- Puxa!

O nosso jovem obedeceu prontamente e começou a puxar e a largar a corda do fole, sem parar. Puxou e largou. Puxou e largou. Puxou e largou. Já a noite tinha caído sobre a cidade quando finalmente descansou do duro ofício. Mas no dia seguinte coube-lhe o mesmo trabalho, e nos dias posteriores, puxar e largar a corda, sem parar, puxar e largar, com força e vigor, dia após dia, durante semanas. Meses. Um ano inteiro.

Nesse período reinou absoluto silêncio na oficina e cada um dedicou-se à sua tarefa, que todos a tinham da mesma dureza. Nem os outros serventes, nem o próprio mestre dirigiram uma palavra que fosse ao jovem aprendiz. Não houve um queixume, um murmúrio, um desabafo perante tão violento e pesado trabalho.
Assim se contaram cinco anos.

Um dia, passando pelo suor do rosto as mãos calejadas, o jovem discípulo teve a ousadia de interromper por instantes a sua tarefa de Sísifo e abriu finalmente a boca para falar.
- Mestre! - disse timidamente.

O velho ferreiro parou por momentos e todos os outros discípulos, ansiosos e espantados com a ousadia do jovem, fizeram o mesmo. Um silêncio sepulcral envolveu a oficina, agora suspensa das palavras do nosso jovem discípulo, que durante cinco longos anos puxara e largara, largara e puxara, mudo como a pedra mais bruta, a corda do velho fole.

- Que desejas? - perguntou o ferreiro.
- A Ciência! - respondeu o discípulo.
E o mestre ordenou:
- Puxa a corda!
Sem mais uma palavra, o jovem retomou o trabalho na forja. Foram mais cinco anos em silêncio, sem que ninguém lhe dirigisse a palavra e sem dirigir a palavra a ninguém. Puxar e largar a corda. Puxar e largar. Puxar e largar. De sol a sol, sem descanso, em silêncio.

Quando algum dos discípulos se inquietava com alguma dúvida e precisava de ser esclarecido sobre algum problema, fosse ele de que espécie fosse, era-lhe permitido escrever a pergunta num pequeno pedaço de papel e apresentá-lo ao mestre pela aurora, quando ele entrava na forja. O mestre nunca lia o papel. Deitava-o ao lume ou guardava-o debaixo do chapéu. Se o destino era o fogo, significava que a pergunta formulada não merecia qualquer resposta. Se o guardava no chapéu, o discípulo podia esperar a resposta, que encontraria à noite, escrita a letras de ouro pela mão do mestre na parede do seu quarto.

Passaram-se dez anos.
A luz do poente entrava pelas pequenas janelas da oficina e desenhava estranhas mas belas formas na pedra do chão queimada pelo anos. A corda do fole ia e vinha como as paredes de um coração exausto. O nosso jovem puxava e largava a corda no final de mais um infinito dia de duro trabalho, quando o velho mestre se aproximou e lhe colocou a mão no ombro.

Pela primeira vez em dez anos, o aprendiz largou a corda.
Fez-se mais sepulcral o silêncio da oficina e pelo rosto sujo do nosso jovem começaram a escorrer espessas lágrimas de alegria. Ficou imóvel no seu lugar, com os olhos fechados por fora mas escancarados para dentro, para o mundo infinito de luz de onde se desprendia o Espírito que sobre si sentia descer, enquanto uma sensação indescritível lhe invadia os músculos e os ossos, tornando-lhe o corpo numa coisa estranha, como algo repentinamente externo, do qual se sentia separar.
O Mestre falou e disse-lhe:
- Meu filho, podes voltar para casa. Regressa ao teu país, para junto dos teus, com toda a Ciência do mundo e da vida no teu coração. Tudo isso é teu porque agora é tua também a virtude da paciência!
Beijou-o na testa e desejou-lhe paz. O jovem regressou para junto dos que amava e viu tudo na vida com uma clareza que jamais imaginara.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O VALE TUDO POR UM "GOSTO"

DIANA RAMALHO
Percebi que a auto estima está "ao preço da chuva", quando os únicos sorrisos que lhe via eram resultado das reações "gostosas" que lhe choviam nas fotos postadas em redes sociais. Fui boa pessoa e pus um "like" na foto seguinte, em memória disso. 

Confesso que ainda não cheguei ao nível de gostar do que não interessa, nem do que é revoltante, banal ou humanamente triste, mas, com o tempo, acredito que aprenderei a chegar lá. 

No fundo, torna-nos melhor pessoa ajudar os outros a sorrir e, quer se quer assumir, quer não, fazê-lo por meios mais sinceros e úteis dá demasiado trabalho e leva-nos a ter de sair de casa (ou a convidar alguém a lá ir). 

O vale tudo por um gosto não deixa de ser positivo. Faz-nos ser criativos, faz-nos vestir roupas desportivas, ainda que não façamos desporto, e dar umas carícias à nossa mãe, ainda que só durante os segundos do flash, e que não lhe digamos que a gostamos o resto do mês. 

Toda esta competição, chamemos-lhe assim, é saudável e pode melhorar as nossas aptidões em programas como o photoshop. Permite-nos a eternização de momentos de pura felicidade, ainda que só vividos na ideia de quem vê as fotos e até as gosta. 

É toda uma moda interessante sobre a qual muito se pode discutir, mas, embora adorasse prolongar-me na dissertação, terei de deixá-lo para outra altura. Isto, porque a senhora do café teve a amabilidade de deixar na mesa onde me sentei, a loiça de quem cá esteve antes de mim e, com um filtro ou outro, poderei estar a ter um ótimo lanche entre amigos. 

Só não posso deixar de referir uma frase que não me sai da ideia: " As aparências encanam." - Lembro-me de ter lido isto em qualquer lado e de ter posto "like" no trocadilho.

VINGAR NA VIDA É UM ACTO DE CORAGEM

JOANA BENZINHO
Um dia em Canhabaque fui visitar a escola primária de uma das Tabancas, levada pelo Régulo e com algum marerial escolar para deixar às crianças. Estas apareceram entusiasmadas na escola, mas todas vindas da rua. Ora das casas, ora do caminho que levava à praia, ora dos terrenos onde andavam a trabalhar com os pais. Os pequeninos sentaram-se ordeiros nas velhas secretárias de uma sala sem portas, janelas e só com um pouco de tecto. Estavam ansiosos por receber o presente, claro, mas percebemos na altura que mais ansiosos estavam por ter um professor que os ensinasse. Há mais de dois meses que o professor tinha partido da ilha sem voltar ou dar notícias. Queixava-se do salário que não recebia há meses, da família longe, da falta de condições para ali viver e se alimentar, dependendo da pura caridade dos habitantes da Ilha. Um dia cansou-se e partiu sem olhar para as dezenas de meninas e meninos que deixou votados à ignorância e iliteracia.

Nas ilhas tudo é um permanente desafio. E estudar ou ter acesso a cuidados de saúde são mesmo os maiores.

O Arquipélago dos Bijagós conta com cerca de 80 ilhas, mas apenas cerca de 20 são habitadas. A distância até ao continente, e principalmente até à capital, dificilmente contabiliza menos de duas horas em barco a motor, ou mais algumas, se for uma piroga tradicional das que normalmente são usadas pelos licais. Por serem mais baratas mas também por serem, até há bem pouco tempo, o único meio de transporte marítimo disponível.

Canhabaque tem a vantagem de se encontrar relativamente perto de Bubaque, uma das ilhas mais povoadas do arquipélago, onde se pode encontrar uma escola que tem ensino até ao 12 ano e se tem acesso a alguns cuidados de saúde. Mas nem sempre é fácil para uma família meter os seus filhos a estudar fora. Porque há custos incomportáveis. Há receios legítimos de enviar crianças tão novas para uma outra ilha para viverem sozinhas. Mas há quem o faça, como a familia do J. Ali a escola não começa necessariamente aos 6 anos e, pelos 9, lá foi ele numa piroga até Bubaque onde o esperava uma ilha totalmente desconhecida, mais populosa que a sua e sem familiares ou amigos por perto. Hospedado num quartinho de uns conhecidos da família, ali se deixou ficar a estudar e a trabalhar desde pequeno para ajudar a pagar o quarto e a comprar comida. Apesar das dificuldades e da orfandade imposta por aquela insularidade sem oportunidades, foi crescendo, avançando nos estudos, e amealhando algum dinheiro para ajudar a familia. Morreu muitas vezes de saudades da família, confidenciou-me na conversa que tivemos debaixo do mangueiro, num final de tarde quente. Chamou os irmãos mais novos, encolheu-se um pouco na cama improvisada para irem cabendo e com os trocos que fazia nos biscates do dia a dia foi-lhes pagando os estudos. Chegou ao 12 ano e a vontade de aprender sofreu um forte revés. Bissau fica longe e não há por lá familiares ou amigos que lhe garantam um cantinho no chão para dormir. A Universidade também não sai barata para quem só pode contar com o pé de meia que foi fazendo e gastando com os irmãos. O sonho do J passa agora por acabar de pagar os estudos aos mais novos da família e juntar algum dinheiro para voltar para Canhabaque onde quer fazer uma casa perto dos pais. Mas ambiciona mais que isso. Quer uma escola para a sua ilha onde não falhem os professores e que tenha a possibilidade de ensinar até ao 12 ano. Porque os os meninos das ilhas também devem ter direito a sonhar com o futuro, diz-me ele e não ter que abandonar as famílias ainda crianças para poder aprender a ler e a escrever. E como ele tem razão, penso, enquanto o vejo partir apressado e de sorriso rasgado para mais um biscate.

REMEMBER THE SMALL TOWNS

CAROLINA CORDEIRO 
I am going to guess and say that you have at least a couple of books, in you house. Right? Even if it isn’t a classic title, I’m sure you must have one of those new love triangle kind of novel, soon to be a movie adaptation kind of book, right? Not judging. No matter what the type of book you have, I’ll also guess that somewhere along its plot, you are able to find a big city where all future dreams come true. And, on the other hand, you can find a small town where one would only wish to escape from. Am I right?

I’ve told you about my enchanted islands before and how they can make you feel like you are in a children’s story. You can come and visit us or you can just stay and live on the most beautiful unchanged natural beauties the world has to offer. They truly look as if they are from a fairy tale book. But now, I invite you to open yet another book: the little to none interest book, where things don’t change and where every single person knows every other thing about your life. Can you relate to that? Bet you can.

So, how do you feel about it? Be truthful to yourself, even though you may lie to me. Honestly, what do you feel about those somehow strange little towns that witnessed you growing up into being what you are today? It can be a bitter-sweet kind of feeling, I bet. Right? You know why I know you feel like so? I have felt it too. 

I’ve been around some major cities in the world. The buzz is incredible, the movement and the energy are just absolutely overwhelming. They put across a “wow” factor that you just cannot deny. It’s fantastic because you feel that you have your own world and that you can at a reach of a fingers’ touch, change all you want. And, sometimes you make it there and sometimes you don’t. As in any fictional story, something always come in the way, doesn’t it? I’m sorry if it did, but have you ever stopped and thought that it might have been the most amazing thing in the world, that tiny thorn in your side? That maybe it was what you needed to take a break, a breath in, and really think about what you really wanted. Do, please, stress on the “really”! 

What I wanted, for many and many years was to just leave my hometown. Travel, go abroad, experience all there was to be lived and never comeback because what can a little town like mine offer a modern twentieth century woman or man? Nosy neighbours? Your shortcomings known by all? So many other things that I could go on and on about, but the most important one would be that the small common, lost in time towns have to give you, like nothing else, is a sense of belonging. A safe place to fall. 

Remember that big city where no one knew you? The small city will not do that to you, specially not in the Azores. Trust me! I know, I live here. Here in S. Miguel, and much more in any of my other eight islands, you can be sure that you will always have a helping hand, a nice hot soup in a cold day or a freshened cup of spring water in the most unbearable hot day. We will help you to cross the street, we will give up our sit on a bus and we will give you a huge hug when you are most in need of one. There is no small city, all around these amazing nine islands, that will not receive you and treat you as their own. None! 

So, whenever you stop and look back on your life or read in your book about the small time town, don’t fast forward it. Instead, remember the feeling of being protected and remember the warmth of knowing that everything can happen, good or bad, and that you will always have a friend. Remember the small town and you will know that you are never alone. In the Azores you don’t have to remember nor imagine: you live it, every hour of your day and we like it!