segunda-feira, 24 de abril de 2017

SENTE DOR NO PÉ? E AGORA, O QUE FAZER?

FÁTIMA LOPES CARVALHO
(www.centroclinicodope.pt)


A dor no pé é muito frequente, infelizmente ainda não faz parte da nossa cultura efetuar a prevenção da doença nomeadamente no pé, pois só se procura um Podologista quando a dor chega a ser descrita como insuportável.

“A subjetividade inerente à dor torna-a extremamente difícil de definir. O subcomité de Taxonomia da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), em 1979, definiu-a como: "Experiência sensorial e emocional desagradável associada com uma atual ou potencial lesão tecidular, ou que é descrita como tal” (Cardoso, 1999, p. 3).

A dor caracteriza-se por alguns sinais e sintomas, contudo não podemos supor que todos os indivíduos apresentarão sinais e sintomas iguais e objetivos. A dor pode ser caracterizada como aguda ou crónica. Os sinais e sintomas descritos frequentemente pelos indivíduos são: agonia, tração, pressão, queimadura, em ferroadas, perfurante ou penetrante, imprecisa, etc.

O pé humano suporta o peso de todo o organismo e uma das suas funções é distribuição do peso por todo o pé, no entanto esta distribuição nem sempre é a correta o que leva a alterações biomecânicas (www.centroclinicodope.pt) que com o passar do tempo provocam dor por todo o pé e também em toda a cadeia ascendente, sendo portanto aconselhado efetuar o despiste de alterações presentes no pé evitando assim problemas futuros e consequentemente dor.

As alterações estruturais/biomecânicas mais frequentes; que provocam determinados sinais e sintomas que incitam dor são:

Estruturais /Biomecânicas

· Pé plano
· Pé cavo
· Retropé varo
· Retropé valgo
· Antepé varo
· Antepé valgo
· Sequelas de pé boto (ex: equino varo)

Nunca se esqueça de observar os seus pés, a prevenção deve ser um objetivo primário.

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Bibliografia
Cardoso, A. (1999). Manual de tratamento da dor crónica. Lousã: Lidel.

APRENDER A VIVER COM A DIABETES

MARIA CERQUEIRA
A diabetes foi uma das primeiras doenças a ser descrita. Fala-se da existência de um manuscrito Egípcio datado de 1500 a.C. que faz referência a um "esvaziamento muito grande de urina". 

Pensa-se que os primeiros casos descritos sejam de diabetes do tipo 1. Por volta da mesma época, a doença foi identificada por médicos Indianos, que a designaram como "urina de mel" depois de repararem que a urina diabética tinha a particularidade de atrair formigas. No entanto, o termo "diabetes" só viria a ser introduzido em 230 a.C. pelo Grego Apolónio de Mênfis. A doença era rara durante o Império Romano, Galeno chegou a comentar que durante toda a sua carreira tinha observado apenas dois casos. 

A separação dos tipos 1 e 2 de diabetes enquanto condições médicas distintas foi feita pela primeira vez pelos Indianos Sushruta e Charaka durante o século V d.C., associando o tipo 1 com a juventude e o tipo 2 com o excesso de peso. O termo "mellitus", ou "do mel", foi acrescentado pelo Britânico John Rolle no fim do século XVIII, de forma a separar esta condição da diabetes insipidus que está igualmente associada com a micção frequente. O primeiro tratamento eficaz só viria a ser desenvolvido já no início do século XX, depois dos CanadianosFrederick Banting e Charles Best terem descoberto a insulina em 1921. 

A Diabetes é um problema de Saúde Pública que resulta, muitas vezes, da forma como vivemos e dos hábitos que adquirimos. O número de pessoas com diabetes está a aumentar em todo o mundo e naturalmente, Portugal não é exceção. Se existem atualmente entre nós cerca de 400.000 diabéticos, iremos provavelmente ter no ano 2025 perto de 700.000 (em 2010 cerca de 26% da população portuguesa entre os 20 e os 79 anos tinha Diabetes). Este aumento, é devido fundamentalmente à diabetes tipo 2, é um problema alarmante em termos humanos, sociais e económicos.

A Diabetes é uma doença que não tem cura e é responsável por várias complicações que diminuem a qualidade de vida, podendo provocar a morte precoce. No entanto, o avanço nos tratamentos e a compreensão da doença permite aos diabéticos levar uma vida praticamente normal. Na maior parte das vezes, o cuidado com a alimentação e a prática regular de exercício são suficientes para evitar a doença ou para a manter controlada.

Vamos falar da Diabetes tipo 2 pois é, sem dúvida, o tipo mais comum de Diabetes e representa cerca de 90-95% de todos os casos de diabetes a nível mundial. Embora esta doença tenha uma componente hereditária, a Diabetes tipo 2 pode ser prevenida controlando os fatores de risco e que são:
Dieta desequilibrada;
Obesidade;
Ingestão excessiva de gorduras e açúcares;
Falta de atividade física;
Consumo de álcool e tabaco.

A Diabetes tipo 2 se não for convenientemente tratada e valorizada, pode conduzir a diversas complicações levando a uma incapacidade permanente ou morte, entre as quais:
Doenças cardíacas;
Insuficiência renal;
Lesões neurológicas;
Doenças oculares que podem levar à cegueira;
Doenças digestivas;
Síndrome do pé diabético, que pode obrigar à amputação.

Estas complicações podem ser evitadas através do diagnóstico precoce e da promoção de estilos de vida saudáveis, mas, infelizmente, a diabetes não só é frequentemente diagnosticada tarde demais, como também 50% das pessoas com diabetes ignoram que têm a doença ou não a valorizam. Tratam-na como se ela fosse inofensiva…mas não é…não dói mas destrói.

Uma alimentação equilibrada está indicada para todos os que prezam a saúde. Mas se pertence a um dos grupos de risco ou se tem diabetes, uma alimentação correta constitui o pilar principal na prevenção do seu aparecimento ou no seu controlo, bem como na prevenção do aparecimento ou desenvolvimento das complicações agudas e crónicas. O cumprimento de um programa equilibrado contribui decisivamente para um melhor controle da diabetes, quer em pessoas que fazem tratamento com anti-diabéticos orais quer nas que fazem insulina, um bom programa alimentar é essencial e, em muitos casos, torna-se mesmo suficiente para a compensar.

Os três principais pilares no tratamento da Diabetes são:

1. Alimentação adequada
2. Exercício físico
3. Medicação (insulina ou comprimidos), se necessário

A alimentação das pessoas diabéticas não é uma alimentação especial, a alimentação dos diabéticos deve ser tão equilibrada, variada e completa como a alimentação de qualquer indivíduo saudável, não havendo lugar para alimentos completamente proibidos apenas podem ser uns mais restritivos que outros. 

À luz do conhecimento atual, não se justifica encorajar as pessoas diabéticas a não comer hidratos de carbono. De facto, é importante que incluam na alimentação diária o consumo de frutos, hortaliças, cereais, grão e leguminosas, ricos em hidratos de carbono, mas igualmente ricos em fibra alimentar, vitaminas, minerais, antioxidantes e outras substâncias protetoras.

ESTATUTO DA AMIZADE

RITA TEIXEIRA
Viver sem a família e sem a amizade é como viver no isolamento, fechada no claustro de um convento. Um dos valores fundamentais que regem a minha caminhada da vida é e será o coração repleto de amigos verdadeiros que dão tudo por tudo, só para me verem feliz. São raros esses amigos, mas Deus presenteou-me com outros de uma riqueza incalculável... Certo dia chorava de saudosismo de amigos que nunca mais vira, quando surgiu a ideia de pedir provérbios sobre a amizade. Com os provérbios, enviados pelos amigos virtuais, redigi o "Estatuto da Amizade", aprovado por unanimidade, no parlamento da felicidade.

ESTATUTO DA AMIZADE

Artigo nº1 Decreta-se que um bom amigo deve ser a bengala de suporte para ajudar o amigo nas quedas da vida, porque “amigo fiel e prudente, vale muito mais que um parente”.

Artigo nº2 Decreta-se que um bom amigo deve ser a fruta do ano inteiro, pois “quem não gosta de figos, não gosta de amigos”. 


Artigo nº3 Decreta-se que um bom amigo deve sentir quando deve parar de insistir em permanecer junto do amigo, porque “amigo não empata amigo”. 


Artigo nº4 Decreta-se que um bom amigo não se deve isolar nas situações adversas, porque os “amigos são para as ocasiôes”. 


Artigo nº5 Decreta-se que um bom amigo não pode ficar no isolamento a sofrer porque “a amizade é um porto de abrigo”. 


Artigo nº6 Decreta-se que um bom amigo não se deve meter em negócios ou empreendimentos, porque “amigos, amigos, negócios à parte.” 


Artigo nº7 Decreta-se que um bom amigo não se deve fechar na sua vida nem fugir quando se apercebe que o seu amigo está a 

enfrentar graves complicações porque “na necessidade se prova a amizade.” 


Artigo nº8 Decreta-se que um bom amigo é aquele que diz sempre a verdade mesmo sabendo que o vai magoar, porque “amigo é aquele que não te diz o que gostavas de ouvir, mas sim aquele que te diz o que precisas de ouvir.” 


Artigo nº9 Decreta-se que um bom amigo não deve cingir-se às contas da vida. Basta fazer uma conta porque “a amizade duplica as alegrias e diminui as tristezas.” 


Artigo nº10 Decreta-se que um bom amigo deve sempre avisar que nem sempre as pessoas são o que aparentam porque o “amor é cego e a amizade fecha os olhos.” 


Artigo nº11 Decreta-se que um bom amigo, se tem amigos com um carácter notável, deve partilhá-los porque “amigos dos meus amigos, meus amigos são.” 


Artigo nº12 Decreta-se que um bom amigo nunca te abandonará, porque um “amigo ama em todos os momentos, é um irmão na adversidade.” 


Artigo nº13 Decreta-se que um bom amigo deve perseverar os seus amigos, porque a “amizade não tem preço.” 


Artigo nº14 Decreta-se que um bom “amigo está sempre presente para der o que vier.” Este decreto-lei foi debatido no parlamento da felicidade e aprovado quando todos os elementos levantaram o símbolo com um provérbio. Votado com unanimidade, entrará em vigor a partir de abril.

COMO ESCOLHER OS PRODUTOS DE HIGIENE ORAL MAIS ADEQUADOS PARA MIM?

(PARTE I – PASTA DENTÍFRICA)

INÊS MAGALHÃES
Perante um mercado cada vez mais abrangente e com mais escolhas disponíveis, por vezes torna-se difícil escolher qual ou quais os produtos mais adequados para cada pessoa. Seja pelo preço, pela embalagem ou até mesmo pela publicidade, somos influenciados a escolher um produto em detrimento de outro. Mas será essa a melhor atitude?

No que diz respeito à higiene oral básica, é importante que, desta, façam parte uma escova dentária e uma pasta dentífrica. Para complementar esta higiene, é importante o uso do fio dentário e/ou escovilhão interdentário. Por vezes, torna-se necessário o uso de um colutório/elixir em situações de patologia oral. Mas como escolher?

Em relação à pasta dentífrica esta deve obedecer a alguns critérios básicos, independentemente da marca comercial.

O primeiro é a quantidade de flúor

Um adulto deve usar um dentífrico com uma quantidade entre 1000 a 1500 ppm de flúor (esta informação vem disponível na parte posterior da pasta, junto à sua composição). Por sua vez, uma criança até aos 6 anos de idade, pode ainda não ter destreza suficiente para cuspir, havendo risco de engolir a pasta, por isso deve usar apenas 1000 ppm de flúor, nunca uma quantidade inferior. Pode, contudo, usar a quantidade igual a um adulto, logo que não engula a pasta. A partir desta idade a criança já pode, e deve, usar entre 1000 a 1500 ppm de flúor.

O segundo é a existência ou não de materiais branqueadores

Está provado cientificamente que estes materiais não são adequados para uma boa saúde oral. Isto acontece porque eles apenas vão atuar na parte mais externa do dente (esmalte dentário), removendo algumas manchas/pigmentos superficiais, mas de forma muito abrasiva, ou seja, funcionando como um esfregão de arame. Assim, aumentam as perdas de materiais naturais do dente e que o protegem, ao mesmo tempo que “riscam” os dentes ao invés de os protegeram. Deste modo, os dentes tornam-se mais “fracos”, aumentando a sensibilidade dentária, bem como outros problemas orais.

O terceiro, e último, está relacionado com a presença de componentes específicos

Por vezes é necessário o uso de pastas dentífricas específicas para determinadas pessoas/problemas orais, como por exemplo o sangramento gengival ou a sensibilidade dentária. Estas são recomendadas pelos profissionais de saúde oral e devem ser usadas pontualmente e não de forma continuada.

Em suma, uma pasta dentífrica deve ter uma composição em flúor entre 1000 a 1500 ppm, não ter materiais branqueadores e, em situações pontuais, devem ser usados componentes específicos. Em relação à marca comercial, preço ou publicidade, adquira aquela que melhor lhe agradar, logo que obedeça a estes critérios.

domingo, 23 de abril de 2017

PLANALTO RESSUSCITADO

MIGUEL GOMES
O vento soprava quente, mas lá, sob as oliveiras, esse mesmo vento corria sobre nós, tapando e aquecendo-nos como um morno e invisível manto de serenidade. Era fácil ser feliz sem nada. As pequenas azeitonas colhidas pela natureza antes do tempo marcavam o chão, assemelhavam-se a pequenos botões verdes num acolchoado tecido usualmente parco de cores. Ficávamos ali contigo a olhar o céu, calados, o barulho do vento a fazer com que as folhas sussurrassem entre elas, o baque surdo de uma azeitona a cair. 

Já todos nos perguntávamos sobre o que há para lá das estrelas, tu olhavas quem te perguntava com aquela profundidade de nos saber mais do que somos, sorrias e apenas contavas histórias de casa do teu pai. Dizias que havia por lá muitas moradas e que apenas nos sentíamos sozinhos porque não nos sabíamos encontrar ali, ou em qualquer outro olival, no silêncio que deveríamos aprender a calar. Nalguns momentos em que falavas de algo como se todos o soubéssemos previamente, rias-te quando indagávamos o sentido das palavras, sempre gostaste de metáforas, dizias que o significado surgiria quando nos lembrássemos do que te lembraste, ou do que vieste fazer recordar, e tratavas-nos como se fossemos longos irmãos de jornadas sob oliveiras, bodhis ou outras árvores que dizias existirem noutras estrelas. Como tenho saudades desse tempo.

Quando te encontrei sozinho, venci medo, timidez e perguntei-te algo. É curioso, não recordo a pergunta, mas lembro-me da resposta que deste, ainda a possuo em mim apesar do ruído dos iluminismos e medievalismos de todas estas voltas ao sol. Talvez a tenhas passado para mim pelo olhar, a tua típica resposta à cacofonia com que te rodeavam, aquele olhar fundo que parecia penetrar olhos dentro como se olhasses para (ou soubesses que éramos) o infinito que nos habita no interior. Hoje ainda procuro essas respostas, ou por ti, nos olhos de com quem me cruzo.

Quando foste, como disseste que ias, o que mais enfatizaste, nos momentos em que permitias que olhássemos para dentro de ti, era para termos cuidado com o que oportunistas poderiam fazer com as tuas palavras. Por isso cada um que desejasse o silêncio deveria trocar o folclore, a opulência carnavalesca da necessidade egocêntrica de superioridade superlativa pelas verdadeiras palavras inauditas que são um abraço. O silêncio seria sempre o pautar ritmado do amor, como um pêndulo que vai e vem, sem nunca ir e voltar, porque estaria sempre onde o tempo não alcança. Disseste-o, mas talvez ainda não saiba o que significa, por isso continuo no silêncio e o tempo faz-me confusão hoje como fazia antes. Hoje estou por aqui e enquanto não chega amanhã vou trauteando calado as paisagens que encontro no interior de outros. 

Tu, na mais perfeita solidão de seres único com a pluralidade de todos nós, idos e vindos, o universo criado, expandido, implodido, recriado, na infinita miríade de células que habita todo o espaço onde existes e não existes, vais teimando silenciar e encher de beleza até a mais escareada face de quem se esqueceu de ti e se escondeu de si próprio. Lembras-te quando, chegados a nova terra que não te conhecessem o corpo, além do contado e acrescentado, permitias qualquer um de nós subir no burrico e ser aclamado entre folhas de oliveira, enquanto nos guiavas, burrico e nós como um só pela rédea solta? 

Que saudades tuas meu querido amigo de silêncios, por cá andamos sem nunca dar o salto, cada um de nós uma escarpa que tentamos escalar, única e simplesmente porque não nos sabemos planalto.

VACINAR: A FAVOR OU CONTRA?

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
E eis que estala mais uma polémica…

Enquanto mãe, não hesitei em vacinar os meus filhos, aliás com a descoberta de novas vacinas, uma parte considerável de crianças vai além do Plano Nacional de Vacinação e os meus filhos não foram exceção.

Nem mesmo quando há uns anos houve um suposto surto de meningite, que teve como consequência uma corrida desenfreada à compra da respetiva vacina e soube de fonte segura que afinal, os casos da doença não estavam fora do normal para a época, mas sim que havia um lote de vacinas em fim de prazo cujo stock havia necessidade de escoar, com a aprovação do pediatra e apenas por uma questão de descargo de consciência o meu filho mais velho (o mais novo, era ainda bebé e já fazia uma vacina combinada fora do Plano Nacional de Vacinação), foi vacinado contra aquela estirpe de meningite.

Curiosamente, já se passaram uns anos e não voltou a haver tanto alarde acerca de casos de meningite e no entanto, todos os anos eles acontecem!

Relativamente à vacinação, claro que se lermos todas as contraindicações, trememos e a pergunta “e se…?” inconscientemente passa pela nossa cabeça, mas depois, pesando bem os pós e os contra, a dúvida desaparece.

Poderão eventualmente haver exceções, como por exemplo no caso de patologias cuja vacinação se transforme num risco, mas essas exceções deverão ser devidamente analisadas e se opção for pela não vacinação, devem ter o aval de médicos devidamente creditados na matéria.

E sim, salvo as referidas exceções, na minha opinião a vacinação devia passar a ser obrigatória, afinal está provado que é maior o benefício que o risco. E todas as crianças têm direito às mesmas oportunidades!

A SOBREVIVÊNCIA DOS MAIS APTOS

LUÍS ARAÚJO
A propósito de uma tarde de compras em Braga apercebi-me de uma verdade insofismável, o futuro da humanidade está em causa, e a culpa é das mulheres.

Enquanto cirandava pela conhecida cidade dos "pês" - residindo a duvida no facto de serem três ou cinco - derretendo obscenas quantias de loja em loja, acompanhado por uma tia que pacientemente me explica que não se deve misturar calças amarelas com uma camisa fuscia (seja lá isso o que for), sou surpreendido com umas gotas de chuva.

Claro que a surpresa se deve eminentemente ao facto de eu ser parvo, pois toda a gente sabe que Braga é o penico da Europa, não sendo surpresa nenhuma um aguaceiro inopinado.

E a chuva la começou a cair, envergonhada, esparsa, acumulando algumas gotas no para-brisas enquanto me dirigia para outra loja, e lentamente foram-se acumulando, enquanto procurava lugar para estacionar.

Finalmente, sem aguentar mais, a minha tia dispara sem rodeios "não vais ligar as escovas?"

Estarreci, confesso que nem sequer tinha essa opção como viável. Não sou eu que ligo as escovas, é o carro, como faz com as luzes, com o ar condicionado e com outras milhentas coisas com as quais não tenho que me preocupar, mas o que releva é que os homens são bem mandados, muito bem mandados.

Eu não ligo as escovas nem as luzes quando quero, mas quando o meu carro quer, não ligo o aquecimento central nem baixo os estores quando quero, mas quando a minha casa quer, tenho uma formação académica alicerçada em licenciaturas e mestrados, dividida em cinco universidades, mas todas as semanas faço de gasolineiro porque a GALP quer, de operador de caixa de supermercado porque o Belmiro de Azevedo quer ou de empregado de mesa porque os donos dos restaurantes querem, por via da florescente moda dos "buffets".



Mas não sou só eu, há toda uma multidão masculina que, habituada a milénios de resignada e silenciosa subserviência perante as mulheres, permite que o carro, a casa, o Bemiro e basicamente todo e qualquer bicho careta mande em si, o problema são as damas, inflexíveis, ditatoriais, de nariz arrebitado e que ligam as escovas do carro mal começa a chover, pois não se adaptam e a sobrevivência das espécies, como tão bem postulou Darwin, só se dá com a sobrevivência dos mais aptos, mas os mais aptos, sem as damas não sobrevivem porra nenhuma.

sábado, 22 de abril de 2017

O PAPA “DA EMPATIA” VISITA PORTUGAL

AIDA CARVALHO
A notícia mais aguardada chegou no ano de 2016!

O Papa Francisco confirmou a sua visita ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima e a respetiva canonização dos pastorinhos, no dia 13 de maio de 2017 aquando o centenário das Aparições. Os portugueses, fervorosos da devoção mariana, estão duplamente satisfeitos; as entidades públicas e privadas articulam estratégias de atuação desde os operadores hoteleiros, à restauração aos transportes aéreos e/ou terrestres. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima será o foco da imprensa mundial. Os portugueses precisam de notabilidade que valorize a sua identidade, o seu património muito para além do impacto económico que possa advir com a sua visita. Somos designado um país rico de santuários, peregrinações e procissões cuja visibilidade maior, pela sua natureza e movimento registado, é o Santuário de Fátima, atraindo anualmente cerca de 4 milhões de visitantes.

O Papa Francisco é o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (13 de maio de 1967), João Paulo II (12-15 de maio de 1982; 10-13 de maio de 1991; 12-13 de maio de 2000) e Bento XVI (11-14 de maio de 2010), encerrando a pretensão do Governo em afirmar Portugal como um destino turístico religioso de excelência. Na ultima década, o Turismo Religioso apresenta índices de crescimento muito significativos, sendo alvo da atenção de diversos agentes económicos, políticos e científicos. Estamos em crer que esta visita poderá reforçar Portugal como um destino religioso, alavancando outros santuários regionais como por exemplo o santuário de Bom Jesus de Braga ou de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, o Santuário de Nossa Senhora da Penha, em Guimarães, o de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, bem como as grandiosas festas de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. Somos, efetivamente um país com um vasto património material e imaterial que nos dignifica e enche de orgulho independentemente dos credos, devoções ou roupagem. O Papa “dos afetos” escolheu Portugal. Sentimo-nos envolvidos. Reforçamos o nosso orgulho. 

Bem-haja Papa Francisco!

PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO

ANTÓNIO FERNANDES
Portugal na Europa e no Mundo é um tema pertinente em face da dimensão do território e do peso politico que tem na atual conjuntura internacional. Portugal apresenta hoje, uma solução de governo em que na Europa, no Mundo e no seu próprio território, ninguém acreditava.

O que é certo é que esse o Governo de Portugal, não só abandonou o caminho da austeridade em que os neoliberais acreditam piamente como sendo a única solução para sair da crise financeira em que eles próprios colocaram Portugal, a Europa e o Mundo. 

O que é certo é que o Governo de Portugal, estabilizou as finanças publicas; a economia; o emprego; baixou o défice; aumentou o crescimento interno; repôs regalias sociais que haviam sido retirados; prepara-se para implementar uma reforma profunda na organização administrativa do estado e prevê melhores resultados para 2017. Portugal mostra assim, à Europa e ao Mundo que há soluções politicas se o objetivo for o de governar com seriedade em proveito das populações.

Portugal não interfere na esfera militar estratégica cujos objetivos são os da desestabilização politica internacional de forma a provocar recuos nas politicas sociais generalizados, mas também o retorno ao clima de medo da possível militarização dos sistemas políticos democráticos e de cenário internacional de guerra efetiva ou do perigo da sua concretização.

A esta conjuntura, a dúbia eleição de Donald Trump para presidente da maior potencia militar do globo não é, um mero acidente de percurso só porque os cidadãos eleitores do Estados Unidos da América andam desconfiados dos políticos. Até porque, o sistema eleitoral Americano é completamente diferente dos sistemas políticos e metodologia eletiva que conhecemos na Europa.

A eleição de Donald Trump, no preciso momento histórico que vivemos em que as forças de intervenção politica, económica, financeira, social e outras, não tem soluções de futuro e tem receios fundados desse mesmo futuro, omitindo a questão central de que estão confrontados com o resultado daquilo que fizeram desde finais da segunda grande guerra em que o crescimento económico desregrado e avulso era possível e as contradições resultantes da concorrência desenfreada pela conquista de mercados também, conduziram a uma situação em que destruíram a capacidade de organização e de raciocínio Humano em favor da sua substituição por memória artificial e “pacotes” de dados interativos que dispensam o raciocínio comum. 

Por isso a inexistência de massa critica de dimensão internacional que arrume o Planeta de forma a salvaguardar o estádio a que se chegou que colide com os interesses financeiros porque exige uma maior partilha das matérias primas e de todos os recursos económicos que a globalização impõe, começa a ser uma conclusão generalizada e preocupante para que urge encontrar soluções credíveis e sustentáveis em que o Homem se sinta como até aqui se sentiu: o centro proativo da relação da vida em todas as suas dimensões. No entanto, recentrando o raciocínio no nível médio comum, há outros ataques mais subtis, de âmbito financeiro, a serem perpetrados no plano internacional, com particular incisão na Europa de forma a desestabilizar o seu sistema financeiro debilitando a economia e por consequência a vida dos seus cidadãos visando também a sua desestabilização social.

Ataques a que o Estado Português está sujeito, por via direta, em que a opinião de uma agencia internacional qualquer, de rating, que considera lixo a economia que mais cresceu na Europa, condiciona o investimento nacional e internacional em Portugal como sendo investimento de alto risco ou mesmo de perda total. Uma paranoia coletiva que se vai instalando, esvaziando “ópios” ideológicos antigos e enchendo novos “ópios” de alienação comum em que a essência deixa de o ser para passar a ser exclusivamente o involucro. Para memória futura:

- Corre o ano de dois mil e dezassete. - Corre um tempo de rotura com ideários que tem de ficar no tempo e na Historia. - Corre um tempo em que o sustentáculo principal da organização das sociedades, a educação, tem de ser reformulado com a seriedade intelectual do reconhecimento de que o conhecimento de hoje é muito superior ao conhecimento de finais do seculo passado e inicio do presente seculo.

- Corre um tempo em que é necessário dizer: - Basta!

Porque as alterações que antes levavam séculos, hoje, simplesmente acontecem!

50% DA POPULAÇÃO PORTUGUESA COM EXCESSO DE PESO

ANTONIETA DIAS
A obesidade resulta de uma acumulação de gordura em excesso no organismo.

Em Portugal mais de 50% das pessoas têm excesso de peso e cerca de 14% da população portuguesa sofre de obesidade mórbida que não para de crescer.

Estes números representam um investimento de cerca de 4% das despesas totais nos gastos da saúde para tratar os obesos. 

A obesidade é o problema número um da saúde pública de Século XXI em Portugal e em todo o mundo desenvolvido.

Lamentavelmente no nosso País não existe cultura, nem sensibilidade suficiente para a resolução deste grave problema de saúde pública, tendo em conta que as administrações hospitalares pouco ou nada têm feito para diminuir a lista de espera da resolução destes doentes que precisam urgentemente de correção cirúrgica, sendo que, nalguns casos a lista de espera atinge os quatro anos ou mais, colocando em risco a vida dos pacientes que sofrem desta patologia.

Os dados mais recentes revelam que há 1.700 milhões de obesos no mundo, dos quais 213 milhões existem nos Estados Unidos, numa população de 300 milhões.

A má alimentação e o sedentarismo são os principais responsáveis pelo aparecimento desta doença.

Assim nas últimas três décadas a mudança dos estilos de vida, alteraram os hábitos das pessoas, em que assistimos a uma mudança radical que vai desde a simples ocupação dos tempos livres na infância em que o jogar à bola, correr, jogar a macaca, ir a pé para a escola, passou a ser uma quimera e foram substituídos, pela cadeira em frente do computador e da televisão.

Sendo a obesidade uma doença grave, habitualmente está acompanhada por outras co-morbilidades que vão contribuir para um aumento ainda maior do risco de vida e exigem uma intervenção terapêutica atempada e eficaz no tratamento desta patologia.

Assim, os problemas cardiovasculares, a hipertensão arterial, a diabetes, a insuficiência venosa crónica, a insuficiência respiratória (apneia do sono), as doenças metabólicas, as doenças osteoarticulares (dores e artroses), as doenças hepáticas (a gordura, deposita-se no fígado com 5 a 10% dos doentes a evoluir para a cirrose) são patologias muitas vezes associadas à obesidade, sendo por isso fatores de risco importantes responsáveis por uma diminuição da sobrevida dos pacientes.

Estima-se que em Portugal morrem dez pessoas por dia vítimas de carcinoma do cólon e do reto, sendo diagnosticados cerca de 5.000 casos novos por anos.

Importa, ainda referir que o cancro da mama, o cancro do útero e a trombose venosa profunda são mais frequentes nos obesos, aumentando só por si os fatores de risco responsáveis pela elevada mortalidade neste grupo de pacientes.

Todavia, acresce ainda que a autoestima, associada à conflitualidade das relações sociais, familiares, laborais e até sexuais, pode provocar distúrbios psicológicos, quando um obeso se vê confrontado com uma série de dificuldades geradas pela alteração da sua imagem corporal e da sua incapacidade na adaptabilidade a esta nova realidade. 

É nosso dever incentivar para o cumprimento de certos cuidados, que são fundamentais para a obtenção de um peso ideal, proibindo alguns alimentos aos obesos, de entre os quais salientamos a exclusão de carnes gordas, fumados, açúcar, mel, marmelada, geleia, compotas, batatas fritas, aperitivos fritos, cremes e margarinas para barrar o pão, bolos, folhados, salgados, chocolates, rebuçados, pasteis, que devem ser imediatamente abolidos da alimentação destes doentes.

Porém, existem soluções para tornar a comida mais apetitosa, que passam pela utilização de certos temperos que são permitidos na alimentação dos obesos (coentros, orégãos, mostarda, sumo de limão, concentrado de tomate, alho, queijo magro em pó ou em fiapos).

Nos molhos para as saladas e sanduíches pode usar - se limão, iogurte magro batido com polpa de tomate, vinagre de vinho com cebola picada e salsa com ervas aromáticas, maioneses magra com polpa de tomate, destinadas a tornar os alimentos mais atrativos e saborosos.

Todavia, o sal deve ser utilizado na menor quantidade possível.

Para promover uma boa alimentação deve ser escolhidos sempre os alimentos com menor teor de gordura, beber pelo menos um litro e meio de água por dia, evitando águas gaseificadas, excluir de casa os alimentos desaconselhados, e dar preferência a alimentos saudáveis.

Recomenda-se também a ingestão de refeições intervaladas de três em três horas, aconselhando ao paciente que se não tiver fome não deve comer.

Praticar exercício físico de forma regular é fundamental para atingir estes objetivos. 

Aconselhamos a usar sempre que possíveis as escadas em vez do elevador fazer caminhadas pelo menos trinta minutos por dia, sem parar ou então praticar exercício físico três vezes por semana, com períodos de tempo de trinta a quarenta e cinco minutos.

O paciente deve manter o peso recomendado, cujo índice de massa corporal será calculado com base no peso e na estatura.

Consideramos um índice de massa corporal normal (IMC) com valores de> 18.5 e <24.9.

Se o doente tem um IMC> 25.0 E <29, sofre de excesso de peso, sendo considerada obesidade grau I quando existe um IMC> 30.0 e <34.9, obesidade grau II com IMC> 35.0 e <39.9 e obesidade grau III (Mórbida) IMC> 40.

Considera-se uma pessoa magra quando o IMC é inferior a 18.5.

Como programas complementares destinados a aumentar a perda ponderal, deverá ser proposto ao obeso a realização de circuitos de manutenção com duração de sessenta minutos, pelo menos três vezes por semana.

Recomenda-se ginásio (cardiofitness), desde que não exista contra - indicação como uma excelente opção, cuja duração não deverá ser inferior a trinta minutos nem exceder os sessenta minutos, podem ainda ser usados os tapetes rolantes, a bicicleta, elípticas, pedaleira (step) e o remo.

A hidromassagem (5 programas pré-definidos), com duração de 15 a 20 minutos, com uma temperatura de 38º, está também indicado como um método complementar para a perda ponderal.

Resta ainda acrescentar que a vacuoterapia com duração de trinta minutos está indicada para o tratamento da celulite e gordura localizada.

Por fim um duche massagem (Vichy), com uma duração de quinze minutos a uma temperatura de 38º é mais uma medida eficaz no combate da obesidade.



Em suma, manter o peso ideal, é uma meta a atingir por todas as pessoas que desejam uma vida saudável, em que o investimento deve começar nas idades mais jovens, exigindo a implementação de medidas assertivas e rigorosas, para que o êxito terapêutico seja atingido.

PÁSCOA SEMPRE

ANTÓNIO PATRÍCIO
Páscoa é sinónimo de vitória da Vida sobre a morte para os que acreditam na existência de um SER superior.

As religiões deram-Lhe os mais variados nomes e, cada uma à sua maneira, preparam e festejam este dia na continuidade da tradição herdada dos seus de antanho. No entanto, sem sombra de dúvidas, todos celebram a alegria da ressurreição do Homem que foi capaz de contrariar a morte e de a relegar para um estatuto e plano secundário castrando-lhe a identidade e subvertendo-lhe a intenção.

Este exemplo levou o homem de fé a ver a morte como uma porta que se abre para a Vida – não que o separa da vida – para a Vida plena de felicidade, de regozijo, de partilha de “espaço” com o SER criador. O SER universal. 

Podemos dizer que viver e morrer são coisas naturais pois, como diz o povo na sua sabedoria ancestral, “seja pobre ou rico ninguém cá fica” apesar de todos estarem pejados de uma impreparação, que mete dó, para enfrentar esse dia. O momento surge e o homem sucumbe, volta a ser pó a sua parte física, material, visível. O espírito, esse, não é temporal pelo que volta para o éter eterno onde o SER habita.

Como seres pensantes que somos temos, por obrigação e, por que não, por devoção e dever, festejar o dia de Páscoa não só por acreditarmos na ressurreição mas, também, como reconhecimento ao Homem que morreu cruxificado por amor ao seu semelhante. Este amor foi e é incondicional e incomensurável. 

Sejamos mensageiros da Alegria com que o dia de Páscoa nos alimenta e capazes de saber partilhá-la com os nossos iguais.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICO OU PRIVADO?

JOÃO RAMOS
Esta semana foram publicados os dados sobre a esperança média de vida e mortalidade dos países da OCDE. Na generalidade dos países ocidentais com sistema de saúde públicos e universais a taxa de mortalidade tem vindo progressivamente a baixar, continuando o seu trajecto no ano anterior. No entanto, no EUA, ocorreu precisamente o contrário, com o aumento da taxa de mortalidade e redução da esperança média de vida, entre as populações locais, incluindo os indivíduos de raça branca, que geralmente possuem melhores índices a este respeito. Os investigadores constaram que grande parte do agravamento resulta da inexistência de um sistema de saúde público universal, ficando os cidadãos reféns dos tradicionais seguros de saúde privados, que muitas das vezes são pré contratualizados pela entidade empregadora e acabam por não englobar a cobertura de exames de rotina e de vários tipos de tratamento. Além disso, com a deslocalização da produção para os países asiáticos, largos milhões de americanos ficaram irremediavelmente desempregados e sem assistência médica, contribuindo, em larga medida para os números do relatório da OCDE. Pautando pelo mesmo diapasão, o grupo de estudos concluiu que, caso existisse um sistema de saúde semelhante ao europeu, o número de doentes, em idade precoce seria reduzido em cerca de 1/3.

Estes dados apenas ilustram a dura realidade e os efeitos verdadeiramente dramáticos que a privatização do sistema de saúde podem acarretar para os cidadãos, com especial destaque para país com baixos salários e elevadas taxas de desemprego, como Portugal.

CONSEQUÊNCIAS DA MÁ NUTRIÇÃO NO IDOSO

DIANA PEIXOTO
As Nações Unidas em 2007 consideraram como idosa a população com 60 e mais anos. No entanto, este grupo carece de distinção, uma vez que há enormes diferenças nas capacidades físicas, cognitivas e psicológicas nas pessoas de 60 comparativamente com as de 80 anos, e que, por sua vez, vão influenciar as necessidades nutricionais dos indivíduos. A malnutrição ou má nutrição associa-se a uma maior morbilidade e mortalidade no idoso. Há, normalmente, perda de peso e de massa magra (massa muscular), sarcopenia (perda de massa muscular esquelética associada à perda de força), osteopenia (perda de densidade óssea), envelhecimento bucodentário, diminuição da capacidade respiratória, perda das capacidades sensoriais, perda da sensação de sede, alteração do aparelho digestivo e obstipação, maior probabilidade de quedas e fraturas ósseas, úlceras de decúbito, anemia, alterações da farmacocinética dos fármacos (o caminho que ele faz no organismo), aumento dos transtornos cognitivos, imunossupressão (redução da eficiência do sistema imunológico), maior risco de infeções e de complicações e aparecimento de outras doenças. Por estas razões, a má nutrição no idoso está intimamente associada a um aumento de custos da saúde. Por isso mesmo, uma intervenção precoce seria muito benéfica para prevenir males futuros. A avaliação do estado nutricional em idosos tem como principais objetivos determinar a adequação da ingestão alimentar/nutricional às necessidades individuais; identificar fatores de risco de desnutrição; diagnosticar situações de malnutrição; identificar a etiologia dos défices nutricionais; elaborar e aplicar estratégias terapêuticas e avaliar a efetividade da estratégia aplicada (Ferry et al., 2004; Mesa e Dapchich, 2006).

A evolução da má nutrição no paciente idoso é similar à de qualquer outro processo patológico e o seu tratamento depende da existência de uma causa médica que seja tratável. Nesse caso, pode-se melhorar o estado nutricional com o tratamento dirigido a essa causa. Caso contrário, teremos de centrar as atenções no tratamento nutricional: rever a dieta, eliminar as restrições existentes e fracionar a alimentação ao longo do dia, particularmente para aqueles alimentos que não são tão aceites pelo idoso; fornecer suplementos nutricionais orais e, se mesmo assim for insuficiente, ponderar a alimentação por via de sonda.

É importante salientar que quando a alimentação convencional é insuficiente para assegurar o aporte calórico e suficiente de nutrientes, quer por problemas fisiológicos, quer por patológicos, torna-se imprescindível utilizar-se novas opções dietéticas terapêuticas. A alimentação básica adaptada favorece a nutrição da pessoa idosa porque está adaptada às suas necessidades de nutrientes, textura, sabor, simplicidade de preparação e sua manutenção, dando a perceção de um prato caseiro.

Alguns cuidados na aquisição de géneros alimentícios podem resultar numa alimentação mais equilibrada. A variedade é essencial para a ingestão dos nutrientes, mas, por hábito ou por preferências, há por vezes a tendência para adquirir quase sempre os mesmos produtos – não o faça! Também é conveniente pedir nos supermercados para fracionar os alimentos em pequenas quantidades. Estas sugestões tanto servem para o idoso que faz as suas compras como para os seus familiares ou cuidadores. Estes últimos também devem estar atentos a variações anormais do seu peso corporal. Nas refeições, se não for possível manter a quantidade, é necessário fortifica-las. E nunca esquecer a ingestão de líquidos, que é essencial sobretudo nos idosos. Para facilitar, se for possível, acompanhar o idoso durante a sua refeição, conversando com ele.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

DÉFICES COGNITIVOS NA ESQUIZOFRENIA


VANESSA MIMOSO
A Esquizofrenia corresponde a um conjunto de sinais e sintomas de fase ativa, tanto positivos como negativos, cuja presença é requerida pelo período de um mês.

Os sintomas positivos incluem os delírios, alucinações, discurso desorganizado e comportamento marcadamente desorganizado ou catatónico; já os sintomas negativos incluem restrições da variedade e intensidade de expressões emocionais (embotamento afetivo), da fluência e produtividade do pensamento e do discurso (alogia) e da iniciação de um comportamento dirigido com um objetivo (avolição).

A literatura diz-nos que indivíduos com Esquizofrenia apresentam défices em vários domínios cognitivos, particularmente nos domínios da atenção/vigilância, velocidade psicomotora, perceção, diversos tipos de memória, inteligência e funções executivas.

Estes défices cognitivos tendem a permanecer durante todo o curso da doença, mesmo durante os períodos de remissão. Devido ao impacto que estes têm no desempenho funcional dos doentes com Esquizofrenia, a investigação científica tem-se centrado no desenvolvimento de terapias de reabilitação cognitiva.

A reabilitação cognitiva está associada a um melhor desempenho cognitivo e eventualmente a um melhor resultado funcional nos doentes com Esquizofrenia.

Considerando estes aspetos, é essencial reabilitar as áreas deficitárias com o intuito de trabalhar esses mesmos défices e assim aumentar e/ou preservar a funcionalidade e autonomia do indivíduo, ensinando-lhe competências necessárias à vida diária, por forma a melhorar a sua qualidade de vida.

ILÍDIO SARDOEIRA, O PROFESSOR


“ (…) Corri os riscos de haver sido professor durante quase meio século. Se pudesse recomeçar a minha vida, professor me queria, nessa aventura, entre afetiva e criativa que é aprender ensinando.” (Ilídio Sardoeira)

TEÓFILO BRAGA
Em texto anterior, publicado no passado dia 4 de abril, dei a conhecer um pouco da vida e da obra do Dr. Ilídio Sardinheira, distinto professor da hoje denominada Escola Secundária Antero de Quental.

No mencionado texto, inseri o depoimento de dois dos seus alunos, o Doutor José Medeiros Ferreira e o Doutor João Vasconcelos Costa, que a ele se referiram em termos elogiosos. Hoje, antes de escrever um pouco sobre o seu pensamento enquanto professor, divulgo o depoimento do escritor picopedrense Cristóvão de Aguiar que no seu livro “Relação de Bordo, escreveu: “Ilídio Sardoeira era poeta e um grande “devoto” de Teixeira de Pascoais, que nos deu a conhecer no quinto ano do Liceu, levando-nos poemas do Poeta de Marânus, nas aulas de Ciências Naturais…Que belo que isto é! E que ventura é ter bons mestres na quadra genuína da vida…”

Depois de escrever que o Dr. Ilídio Sardoeira era “professor de Ciências Naturais e de sonho e de poesia, ou de tudo junto”, Cristóvão de Aguiar dá a conhecer o que pensava o mestre sobre o ofício de ensinar: “Um professor é um semeador. Não sabe quais as sementes que realmente ficam, mas não ignora que ele mesmo é uma parte da semente. É semeador e semente”.

De acordo com João Manuel Ribeiro, autor do livro “Ilídio Sardinheira: o caçador de madrugadas”, publicado em 2016, o Dr. Ilídio Sardinheira teve uma vida dedicada ao ensino, tendo lecionado “primeiro no Colégio de S. Gonçalo de Amarante durante quatro anos; depois, no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa, onde fez o seu estágio de habilitação para a docência; finalmente, em muitos lugares do país: Évora, Figueira da Foz, Braga, Porto (Liceu D. Manuel II), Ponta Delgada (Liceu Antero de Quental), Viseu e Vila Nova de Gaia.”.

Como tive a oportunidade de conhecer através dos depoimentos dos seus alunos, o Dr. Ilídio Sardoeira estava longe de ser um professor tradicional, agarrado aos manuais, seguidor do conhecimento espartilhado pelas áreas de ciências e de letras e preso no interior das quatro paredes de uma sala de aula.

Sobre o ensino confinado à sala de aula, João Manuel Ribeiro, no livro citado, escreve que Ilídio Sardoeira “não queria que a escola fosse uma prisão para crianças onde se aprende amarrado às carteiras, ou um canteiro de plantas floridas cercado de arame farpado!”

Para se conhecer o pensamento do Dr. Ilídio Sardoeira sobre o ensino é importante a leitura do seu discurso proferido na Assembleia Constituinte, publicado no Diário da Assembleia Constituinte nº 118 de 12/03/1976. Dada a extensão do mesmo, apenas referirei algumas ideias chave, as quais ainda hoje não perderam atualidade.

Ao contrário do que pensam alguns, os problemas do ensino e os da sociedade não se resolvem na escola. Ilídio Sardoeira corrobora esta afirmação quando afirmou no discurso mencionado que: “os problemas centrais da degradação do ensino permanecem. São problemas, em grande medida, de raiz socioeconómica. Ao cabo e ao resto problemas que têm de encontrar primeiro as soluções políticas adequadas ao mundo dos adultos”.

Sobre a Escola, Ilídio Sardoeira, acrescentou que era “o espelho da sociedade; esta não transforma aquela, reprodu-la” e acrescentou: “Somos nós, os adultos, os responsáveis pelos fracassos escolares porque não temos a coragem de modificar radicalmente as condições, as contradições da sociedade portuguesa porque nos empenhamos em manter uma sociedade estratificada, caduca, per omnia secula seculorum, não é assim? E queremos depois que a escola resolva problemas que não tivemos a coragem de resolver nas ruas.”


Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 31209, 19 de abril de 2017, p. 17)

O SOM DO SILÊNCIO

ANABELA BORGES
Tenho-me encontrado – num qualquer lugar que não sei bem explicar – cada vez mais próxima e cativa do silêncio.

“Estou sentada no degrau da frente da minha casinha, com uma chávena de café na mão, a olhar para baixo, para o vale, para a minha extraordinária paisagem de nada. É maravilhosa.”*

Estas palavras de Sara Maitland bem podiam ter sido escritas por mim, de tal forma se encaixam na minha forma de estar face ao estado de espírito que o sossego do silêncio representa para mim.

Sempre tive uma vida bastante ruidosa.

A minha vida tem sido rodeada de muita gente, logo uma vida cheia de ruído.

Não posso (nunca poderei) dizer que é mau viver como tenho vivido – isso seria apagar quase por completo a minha existência, negar o que sou. Alias, pelo contrário, essa vida rodeada de gente e de ruído que tenho tido o privilégio de viver é que tem feito de mim o que hoje sou.

Sou oriunda de uma família numerosa. Sempre fomos muitos nas horas das refeições, ao ponto de, muitas vezes, não cabermos todos à mesa. Sempre fomos muito numerosos para as reduzidas divisões da casa, a ponto de termos de partilhá-las ao longo de cada dia, inúmeras vezes ao dia. Posso dizer que raramente estava sozinha num espaço da casa, se exceptuarmos a casa-de-banho. Mas também estou consciente de que esse facto foi um dos grandes responsáveis pela facilidade com que aprendi a partilhar. Quando se pertence a uma família numerosa, partilhar é um imperativo.

Depois, naturalmente, veio a vida de estudante, juventude e adolescência, em plenos pulmões das décadas de 80 e 90 do século XX, épocas em que o mais importante era fazer ruído. Sair. Dar nas vistas. Não ficar em casa. Fazer de tudo para se ser notado.

Nesse tempo, eram de particular importância, sobretudo, as saídas em grupo, as imensas horas passadas em bares e discotecas com a música a ressoar nos mais elevados decibéis, o gosto pelas motorizadas, enfim, todo um conjunto de actividades a concorrer grandemente para o aumento do ruído na minha dócil juventude.

E, mais tarde ainda, haveria de escolher para profissão a vida académica. Haverá ambiente mais ruidoso do que a escola?

Tenho, portanto, tido uma vida muito ausente de silêncio.

Nesta actividade que desenvolvo em paralelo – a escrita – enganadoramente sou levada a pensar que estou imbuída no mais profundo silêncio. Só que não. O escritor tem por companhia um grande inimigo do silêncio: as palavras. Essas não dão sossego ao escritor. Elas são ruído constante na mente do escritor, perseguindo-o. Não se calam.

Como fazer, então, para me sentir em silêncio?

Estar em silêncio, para mim, significa estar num estado interior maior, que é como descobrir toda uma nova dimensão, em que a mente se encontra na mais absoluta paz. Estar em silêncio não significa, necessariamente, estar em solidão, viver em solidão. É possível, pois, estar em silêncio e estar só, mesmo estando rodeado de pessoas.

Quando era pequena, quando me via sufocada pelo ruído, isolava-me um pouco. Tentava recorrer a um recanto da casa ou do jardim, tentava adentrar-me um pouco no monte à beira de casa, para tentar ouvir-me, para ouvir o som da minha mente. E quando não fosse possível, tentava isolar-me através do pensamento. Fazia-o, muitas vezes, para não enlouquecer. Ainda hoje faço isso.

É preciso saber ouvir o som do silêncio. É preciso, como diz a canção, estar só por entre a multidão: “E na luz nua eu avistei dez mil pessoas, talvez mais. Pessoas conversando sem falar; pessoas ouvindo sem escutar. […] E ninguém ousou perturbar o som do silêncio”.**

- Escutar o som do silêncio. Mas isso não é algo que se saiba fazer desde o início. É algo que se procura e se treina.

Quando atingi os 15 anos de docência, estava, como será fácil de compreender, farta de ter barulho à minha volta. Estava rodeada de barulho, e isso fazia-me saturada. O nível de cansaço era tanto, que quase já não sabia utilizar as técnicas que tanto tinha treinado em pequena para me defender do ruído, em busca do silêncio. Quase me esquecia de aplicar essas técnicas que eu mesma, em meio de defesa, tinha inventado.

A sociedade actual está rodeada de ruído. O som é ruído. A imagem é ruído. A informação em excesso é ruído.

Hoje, mais do que nunca, tenho necessidade de procurar formas de estar em silêncio. Cada vez mais tenho necessidade de me encontrar comigo. E, saibam, pode ser assustador ouvir o que o mais íntimo de nós tem para dizer. E é um imenso trabalho, porque requer concentração e uma capacidade que muitos nunca desenvolveram e talvez vivam uma vida sem a desenvolverem: a contemplação.


*O LIVRO DO SILÊNCIO (excerto), de Sara Maitland, 2008.

**“The Sound Of Silence”, canção (excerto), Simon & Garfunkel, 1964.

CONSTRUINDO SONHOS

LUÍSA VAZ
Muitos de nós escolhem uma profissão que se adapta às suas características ou para a qual pensam que as possuem, ou porque sentem “um apelo” por esta ou aquela actividade ou porque simplesmente “sempre sonharam” em desempenhar esta ou aquela profissão.

No entanto também há aqueles que quase por mero acaso começaram a exercer uma profissão e por ela se deixaram encantar mas com o tempo foram desenvolvendo os seus sonhos e com eles foram abrindo portas e transformaram hobbies em actividades mais ou menos lucrativas ou com maior ou menor visibilidade.

No fundo o que interessa é abandonarmos os medos e dedicarmo-nos – sempre e quando possível – aos nossos sonhos. Muitos de nós consideram que a escrita pode ser mais do que um hobbie ou uma forma de comunicar uma matéria de que somos mais conhecedores independentemente de podermos atingir o patamar de especialistas e tornarmo-nos numa referência.

Eu concretizei muito recentemente um sonho que nem sabia que tinha. Comecei por emitir umas opiniões nas redes sociais, continuei criando o meu próprio espaço de debate e onde aprofundava em cada artigo que escrevia um tema da actualidade até que cheguei ao patamar onde confiei nas minhas capacidades e editei e publiquei um livro que se encontra agora à venda.

Quando olhamos para o Mundo e cá dentro temos o discurso do crescimento económico mas assistimos à falência dos serviços e lá fora olhamos para os Kim Jon-un e o vemos a brincar com armas nucleares apenas porque pode ou ouvimos descrições de ataques com armas de destruição maciça na Síria, a mudança de discurso de Le Pen agora que sabe que o mais certo é chegar à 2ª volta das eleições francesas que vão ter lugar na próxima semana ou outras atrocidades por este Mundo fora, o normal será questionar até onde é que o Mundo e as pessoas aguentarão. O normal será questionar o que poderemos fazer para ajudar a que isto não termine numa 3ª Guerra Mundial. O normal será questionar como é que chegamos a este ponto e a resposta vai de encontro ao início do texto, chegamos a este ponto porque houve gente que não teve medo de seguir o seu sonho e agora que o atingiu, tudo fará para que ele não seja destruído.

No entanto nem todos os sonhos são maus mas é nos piores momentos que eles teimam em surgir, que a nossa mente brinca connosco e nos demonstra que podemos sair da nossa zona de conforto e arriscar mais do que alguma vez achamos que seria possível.

Apesar de ser por muitos apelidado de “discurso catastrofista” e de alguns afirmarem “que os portugueses precisavam de sonhar e de discursos positivos” o que é facto é que foi esse “discurso catastrofista” ou real – para pessoas que vêem o Mundo com os mesmos olhos que eu – que fez com que muita gente que ao ser confrontada com perda de rendimentos, com o desemprego ou com outras situações extremas optou por sonhar e por tentar concretizar esses sonhos e teve sucesso. Fosse no Turismo ou em áreas relacionadas ou lançando negócios próprios, muitos foram os que aproveitaram a ultima crise para sair da sua zona de conforto e criar algo de diferente. Que resolveram olhar para a sociedade ou para o seu pequeno mundo e pensar “ como poderiam fazer a diferença”, “ como é que poderiam tirar o melhor proveito das suas habilidades até aí inexploradas” e o resultado foi uma proliferação de pequenos mas sólidos negócios e de adaptação de sonhos a modelos de negócio que se vão mantendo ao longo do tempo.

Se só na dor é que se cresce, só em momentos difíceis descobrimos capacidades que até aí estavam escondidas nas profundezas do nosso subconsciente e convém que consigamos fazer a destrinça pois “a língua portuguesa (só) é traiçoeira” para quem não a sabe interpretar e uma coisa é dar esperança às pessoas e permitir-lhes seguir os seus sonhos e outra é iludi-las mascarando a realidade.

Apesar de ser infelizmente a esse segundo cenário que estamos a assistir em Portugal é sempre bom acreditarmos nas nossas capacidades e na nossa capacidade de realização pois se nem todos os sonhos podem ser concretizados, muitos só necessitam de ser adaptados à realidade para que possam ser trazidos à luz do dia.

Daí que a minha mensagem desta vez seja para que acreditem em vocês e nos vossos sonhos e apesar das aparentes dificuldades nunca desistam de os concretizar pois essa concretização só vos dará força para chegarem mais longe e sonharem cada vez mais alto. Quando realmente se deseja algo, há sempre forma de o transformar em realidade, por mais que não seja seguindo as vias mais tradicionais.

O MELHOR É VACINAR

MARIA AMORIM
Cada vez me intriga mais a epoca em que vivemos, porque se por um lado somos bombardeados de informação,e aparentemente, as pessoas conseguem saber tudo com um simples clic no computador ou um dedilhar nos tablets e smartfones, por outro lado todos os dias surgem noticias surpreendentes, resultantes de algumas tragédias devidas à ignorância ou à negligência, que poderiam ser evitadas. Que podemos dizer de pais que não vacinam os filhos? Ou são ignorantes ou são negligentes. Não se pode de todo desculpar o que não é desculpável. A vacinação surgiu precisamente para evitar grandes tragédias, resultante do trabalho árduo de quem procurou não só curar certas doenças fatais, ou então que provocavam sequelas para o resto da vida, mas também, sobretudo, PREVENIR o seu aparecimento. As doenças para as quais existe a vacinação desapareceram da vista das pessoas, precisamente porque as vacinas fizeram o seu trabalho, como as pessoas deixaram de as ver, também deixaram de ver como podem ser graves as suas consequências, o que pode levar a uma menor consciencialização da importância da vacinação.

A vacinação existe precisamente para prevenir doenças fatais, consistindo em imunizar uma pessoa, administrando-lhe uma vacina que vai estimular o seu sistema imunitário, dotando-a de defesas para uma determinada infeção ou doença. A OMS ( organização mundial da saude) ressalta que a vacinação permite combater e eliminar doenças potencialmente mortais, estimando que desta forma se evitam mais de 2 a 3 milhões de óbitos e que é um dos investimentos mais rentáveis em termos de saude. Existem estratégias para tornar a vacinação acessível mesmo às populações mais isoladas e vulneráveis, com o objetivo de erradicar certas doenças. Existe em portugal um plano nacional de vacinação que, na minha opinião deveria ser obrigatório. Não sendo obrigatório, leva a que alguns pais, por ignorância, ou por medo, resolvam não o seguir. Esta atitude não é exclusiva de pais portugueses, tem vindo a acontecer noutros paises, levando a que algumas doenças estejam a reaparecer com alguma frequência. Evidentemente que não quero com isto dizer que os pais não querem o melhor para os filhos, e que ao não vacina-los queiram o seu prejuizo, quero dizer que a maioria das vezes a decisão de não vacinar se deve ao medo de que a vacina vá ser prejudial, ou à ignorância sobre a importância da vacinação. Mas, as consequência da não vacinação são sempre mais prejudiciais, no caso de surgir a doença, do que os seus efeitos secundários. 

Segundo a OMS, exstem algumas ideias falsas que precisam de ser corrigidas, e são:

- a melhoria da higiene e do saneamento farão desaparecer as doenças-FALSO

As doenças contra as quais podemos ser vacinados vão reaparecer se se puser fim aos programas de vacinação. Mesmo com a melhoria das condições de higiene, algumas doenças continuam a propagar-se, e, se as pessoas não forem vacinadas, doenças que já são raras, tais como a poliomielite e o sarampo, vão reaparecer rapidamente

- as vacinas têm efeitos secundários nocivos, a longo prazo, que ainda não são conhecidos, sendo que a vacinação pode mesmo ser mortal- FALSO

As vacinas são seguras, sendo a maioria das reações menores e passageiras. O risco que se corre ao não vacinar-se é muito superior ao que se corre ao ser-se vacinado. E, se é verdade que um só caso de morte devido a uma vacina é sempre um caso a mais, não é menos verdade que as vantagens da vacinação ultrapassam largamente os riscos, e, sem as vacinas muitos mais danos e mortes seriam de lamentar.

- A vacinação combinada contra a difteria, o tetano e a coqueluche e a vacinação contra a poliomielite são responsáveis pelo sindrome da morte súbita do lactente- FALSO

Não existe relação causal entre estas vacinas e a morte súbita da criança. Todavia, estas vacinas são administradas numa idade em que os bebés são atingidos por este sindrome. É importante não esquecer que estas quatro doenças são potencialmente mortais e que as crianças que não forem protegidas contra elas pela vacinação correm risco de morte ou incapacidade grave. 

- As doenças evitáveis pela vacinação estão quase erradicadas do meu pais, pelo que não existe razão para ser vacinado- FALSO

Mesmo que as doenças evitáveis pela vacinação se teham tornado raras em muitos paises, os agentes infeciosos que as provocam continuam a circular em algumas partes do mundo. No mundo de hoje, altamente interdependente, estes agentes podem passar fronteiras e infetar quem não estiver protegido. Veja-se os casos de sarampo que têm atingido a europa, o último dos quais provocou uma morte em Portugal. 

- Dar a uma criança mais de uma vacina de cada vez pode aumentar o risco de efeitos secundários nefastos e sobrecarregar o seu sistema imunitário -FALSO

Dados cientificos comprovam que a administração de várias vacinas ao mesmo tempo não tem nenhum efeito nefasto para o sistema imunitário da criança

- Mais vale imunizar-se pela doença do que pela vacina – FALSO

A vacina age sobre o sistema imunitário provocando uma resposta imunitária parecida com a que é provocada pela infeção natural, mas não provoca a doença e não faz correr o risco à pessoa imunizada de eventuais complicações.

- As vacinas contêm mercúrio, que é uma substância perigosa- FALSO

O timerosal é um composto orgânico que contem mercúrio e é adicionado a certas vacinas como conservante, mas não existe nenhum dado probatório atestando que a quantidade de timerosal utilizada é prejudicial ou causa algum risco para a saúde.

- O autismo é provocado pelas vacinas- FALSO

Existe um estudo de 1998 sugerindo a possibilidade de ligação entre certas vacinas e o autismo, a revista que o publicou retirou-o posteriormente por se ter provado que não tinha fundamentação e foi manipulado. Até hoje, nunca se conseguiu estabelecer correlação entre as vacinas e autismo.

A OMS preconiza e defende a vacinação em todos os cantos do mundo, cada pais cumpre a sua parte, recomendando a vacinação e estabelecendo um plano de vacinação que deve ser seguido por todos os pais ou por todas as pessoas. O nosso plano de vacinação pode ser consultado no site da DGS.

O papel mais importante cabe a cada pessoa, sendo que é muito importante saber o que cada um pode fazer. Cada pessoa funciona como um reservatório de doenças, pois os agentes infeciosos atacam constantemente, o seu sistema imunitário é que a proteje, e a vacinação é fundamental para a defesa de certas doenças. As principais razões para se vacinar são por um lado proteger-se a si próprio, mas por outro lado proteger as outras pessoas. O sucesso de um programa de vacinação depende da cooperação de cada um para assegurar o bem estar de todos. A responsabilidade de cada um torna-se a mais valia essencial para esse bem estar.

Um filho não é propriedade dos seus pais, foi-lhes confiado para amar e cuidar, e cuidar pressupõe responsabilidade, procurando fazer o melhor por ele, e neste caso concreto O MELHOR É VACINAR.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ANTONIO LOTTI

PAULO SANTOS SILVA
De vários períodos da História da Música, já se escreveu por estas páginas. 

O compositor de que hoje lhe falo, não é propriamente um dos mais conhecidos do público. 

Antonio Lotti, italiano nascido em Veneza, era filho de Marina Gasparin e Matteo Lotti, que foi músico na cidade alemã de Hannover, embora não tenha sido mestre capela ao contrário do que muitos pensam. 

Nascido no ano de 1667, começou a estudar música em 1682 com os mestres Lodovico Fuga e Giovanni Legrenzi, na Basílica de S. Marcos de Veneza. O início da sua carreira musical aconteceu como cantor, tendo mais tarde passado a ser assistente de organizta, segundo organista e organista principal. Finalmente, em 1736, passou a ser mestre capela (o responsável maior pela música que se faz numa igreja ou catedral), cargo que ocupou até à sua morte em 1740. 

Lotti escreveu música utilizando uma variedade de formas, onde se incluem missas, cantatas, madrigais, cerca de trinta óperas e música instrumental. Vinte das suas óperas, foram apresentadas em Veneza durante cerca de 24 anos, período durante o qual, atraiu a atenção de Frederico Augusto I (1600-1733), Príncipe da Saxónia. Entre 1697 e 1707, foi também mestre capela da Scuolla dello Spirito Santo. Em 1698, recebeu 50 ducados da Procuratoria di San Marco para compor uma Missa para ser cantada a capella (sem acompanhamento instrumental). Em agosto de 1704 e após a morte de Giacomo Filippo Spada (c.1640 - 1704), concorreu para o lugar de primeiro organista, “com o mesmo salário e benefícios do antecessor”. Recebeu 13 votos a favor e apenas 1 contra.

Em 1705, viu uma coleção de madrigais publicada pelo editor veneziano Antonio Bortoli, que incluía duetos, trios e madrigais a mais vozes. A coleção foi dedicada ao Imperador Romano Leopoldo I (1640 - 1705), que patrocinou a publicação. Infelizmente o Imperador morreu enquanto a edição estava a ser feita, o que levou a que apenas tenha sido concluída quando sucessor de Leopoldo I aceitou pagar a obra. 

In 1711, viajou para Novara, onde participou num festival com algumas das suas composições. Em fevereiro de 1714, casou com a soprano Santa Stella (c. 1686 - 1759), natural da cidade de Bologna. 

A música de Lotti, é caraterizada pelo uso de suspensões, cromatismos, dissonâncias e modulações (mudanças de tonalidade). É também um expoente na exploração melódica de palavras, utilizando muitas vezes termos como ascendit e descendit, cantadas em escalas ascendentes e descendentes, respetivamente. A sua escrita revela grande cuidado com as vozes, exigindo ao mesmo tempo uma técnica de interpretação elevada, nomeadamente quando para elas escreve complexas fugas e cânones. A sua música teve uma grande influência nos seus contemporâneos. Manuscritos da obra de Lotti foram encontrados na posse de Haendel, a título de exemplo.

O seu trabalho é considerado uma ponte entre o barroco e o estilo clássico, tendo influenciado compositores como George Frideric Handel e Johann Dismas Zelenka, os quais alegadamente possuíam cópias da missa de Lotti, a Missa Sapientiae.

Também segundo se diz, Lotti foi um professor notável, contando-se com Domenico Alberti, Benedetto Marcello, Baldassare Galuppi, Saratelli Giuseppe e Johann Dismas Zelenka, entre os seus alunos.

Termino, deixando-lhe como uma sugestão de audição ainda muito no seguimento da Semana Santa que há bem pouco terminou – Crucifixus a oito vozes, cantado pelo King’s College Choir.