segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DAVID FERREIRA - A PROMESSA

CATARINA RITO
David Ferreira nasceu em Aveiro, estudou na Escola Árvore, no Porto e escolheu continuar a sua formação em Londres, nas universidades de Saint Martin’s School e Westminster. A visão criativa e artística deste jovem designer chamou a atenção dos professores ingleses que o desafiaram a participar nos concursos V Files (Nova Iorque/EUA) e Fashion Scout (Londres/Reino Unido). Venceu ambos e ganhou a oportunidade de ser agenciado em Nova Iorque e Paris, durante um ano, e de desfilar nas semanas de moda de Nova Iorque (Setembro 2015) e de Londres (Fevereiro 2016). Em Portugal, integra o calendário da Moda Lisboa, na Plataforma Lab, desde março.

Aos 26 anos, escolheu Lisboa para abrir o seu primeiro atelier, base criativa das coleções que quer dar a conhecer dentro e fora de Portugal, porque “agora é o momento de explorar as minhas ideias, que são muitas, e de as mostrar. É fascinante perceber como um jovem como eu afinal tem talento e alguma coisa a dizer no mundo da moda”, desabafa o designer de moda David Ferreira à Notícias Magazine. Um dos motivos que o levou até Londres para estudar foi o facto de ter sentido, e ouvido, limitações criativas na Escola Profissional Árvore, no Porto, de necessitar de aprender mais sobre desenho, modelagem, corte e estética. “A escola Árvore é muito boa, no entanto, limitadora. Tenho uma linguagem muito própria, não necessariamente original ou inovadora, mas é a minha. Precisei e preciso de estar em contacto com pessoas que me ajudam a perceber se a minha visão faz ou não
sentido, apesar de poder ser redundante esta ideia de uma ‘visão’. A verdade é que acabei por perceber que estou no caminho certo para fazer o que quero, para concretizar uma determinada visão sobre o próprio design”, e de facto, designers como Iris Van Herpen, Giles Deacon ou Meadham Kirchhoff trabalharam com David ajudando-o a desenvolver as suas técnicas para conseguir desenvolver novas silhuetas que “libertam a mulher da sua forma natural, dando corpo a uma visão moderna do conceito Couture”. Criar peças que apelam ao desejo de mulheres incomuns, seguras do seu estilo e um particular gosto por roupa que permite a extensão de si mesmas, unindo a ténue linha que existe entre a moda e a arte. “Não procuro a vulgaridade. Procuro ideias que levam a mulher a ter uma atitude mais afirmativa na sociedade, sem medo de chocar, mas acima de tudo com vontade de se diferenciar das massas. Sei que idealizo uma mulher muito especial e que sei que existe em maior numero do que se possa pensar”, frisa o designer. Em seis meses, David Ferreira apresentou o seu trabalho em duas distintas plataformas de moda, mostrando que o talento nacional é precioso e tem futuro. Durante os anos em que estudou nas escolas inglesas a sua nacionalidade nunca foi um entrave, antes pelo contrário, “o importante era mostrar que se tinha valor e alguma coisa para dar à moda”, salienta. Gosta de criar sem limites, cada ideia é estudada e explorada sem pensar na pressão da comercialização, uma preocupação que surge ‘a posteriori’. “A partir de uma imagem, uma conversa,
uma personagem da sociedade atual ou passada avanço para o desenvolvimento do que pode vir a ser a coleção. Quando está bem estruturada, passo para os materiais, as cores e, então, para a adaptação de algumas sugestões num formato mais comercial, mais cativante à consumidora final”. Vive em viagens constantes, entre Lisboa, Londres, Madrid, Paris e Nova Iorque, mas o seu atelier fica na Rua Rodrigues Sampaio, 21 - 6 D, o espaço “perfeito para criar, produzir e atender clientes”. Conta com a ajuda de Pedro Barbosa, “a pessoa que tem a visão contextualizadora da coleção, quer ao nível da imagem, do styling, do desfile, catálogos”. Estreou-se na Moda Lisboa de Março, no Espaço LAB, e em Outubro voltou a desfilar a sua coleção SS 2017. A cantora Bjork já usou uma das suas peças e aguarda novas sugestões do designer, um nome que já chamou a atenção de Anne Quay (fundadora do concurso Vfiles), Riccardo Tisci ou Mel Ottenberg. O conceito da marca é assumidamente arrojado, alternativo e moderno, recriando o universo da alta costura sem ignorar uma postura artesanal na forma como interpreta determinados artefactos, não descarta a hipótese de vir a ter uma linha de homem no futuro.

EU VIVO A SONHAR

RITA TEIXEIRA
Esta doença, Esclerose Lateral Amiotrófica, começou na fala. Em pouco tempo, as pessoas deixaram de compreender o que eu trasmitia, dificultando o meu relacionamento com todos que me rodeavam, dificultando a convivência entre pares. Em seguida, tive acesso a uma lista de letras, que afastava as pessoas, porque era preciso muita paciência para soletrar palavra a palavra. Enfim, a vida complicou-se e certamente todos entendem o porquê. No final do ano, a vida voltou a sorrir para mim. Um computador foi adaptado à minha situação e eu voltei a comunicar e, mais importante que tudo, eu voltei a viver. Sim! A viver com vontade de viver. Ver que era possível falar com os outros, foi algo sublime! Vai daí, entrei no mundo do Facebook. Em pouco tempo, tinha pedidos de amizade, porque as pessoas passaram a ver as minhas publicaçôes e a sentirem que, sempre que as liam, sentiam-se melhores e, além disso, reviam-se nas minhas palavras! Passei a escrever mensagens para de manhã e para a noite. Agora, escrevo o que me vai na alma. Eis algumas dessas mensagens:

Com a chuva veio a nostalgia. Nem sempre a gente acorda com boa disposição e, não é por isso, que devemos silenciar o que nos vai na alma. Mergulhei nas profundezas do meu coração e o que vi, deixou-me muito triste. Estava longe de ser uma pessoa como gostaria de ser. 

Dentro do meu egoísmo, não via o bem que me queriam proporcionar, só esperava que os outros abdicassem das suas vidas para fazerem somente a minha vontade. Há certas alturas, que esqueço a força que Deus me deu e não deixo que o meu mau humor e a minha falta de razão não me deixem ver outros percursos. Sinto-me mal quando certas pessoas se esquecem depressa de que sozinhos não vão mudar o mundo. 

De que eu ainda estou aqui em vez de me sentir privilegiada por ter a luz de Deus e elas viverem apenas na escuridão. Quando acordo desanimada, após uma decepção, fico sisuda e sem vontade de falar com ninguém, quando deveria levantar e sorrir com a esperança de que vencerei qualquer batalha. Enfureço-me quando se metem na minha vida, pessoas excêntricas, fúteis e arrogantes. Ignorá-las e seguir em frente, é o que deveria fazer, porque elas não me chegam aos calcanhares, uma vez que na minha vida, dou primazia aos valores da fraternidade, da igualdade e da amizade. Agora que acabei a minha divagação, aprendi uma lição: querer, crer e ter. No meu coração entrou Deus e nunca mais saiu. Espero que Ele também entre no vosso!




Façamos com que este dia seja vivido em beleza! Olhemos para o nosso jardim ou para os jardins alheios! Vejamos a beleza das flores que enchem de grandeza a natureza. Sintamos o perfume inebriante dessas flores que enchem o ar. Ouçamos a brisa por entre as folhagens que fazem uma melodia de embalar quem por lá passa. Andemos com estas sensações no nosso coração e tenhamos todos um bom dia! 

Chegou a noite! Que as sensações que vos acompanharam ao longo do dia, tragam a tranquilidade e a memória daquilo que já viveram, para uma noite relaxante e repleta de sonhos. De manhã, ao abrirem a janela do quarto, sintam-se revigorados e prontos para abrirem uma nova página do livro da vossa vida! Boa noite a vocês, amigos do Facebook. 

Sonhar não tem tempo nem lugar. Sonhar com o inimaginável, com a fantasia, com a realidade, no passado ou no futuro. Sonhar é viver. Viver para sonhar. Vivamos a vida sonhando! Sonhar com um amanhã, com um mundo parasidíaco. Sonhar com o amanhã, com paisagens verdejantes. Sonhar com o amanhã, com o céu azul límpido e os pássaros esvoaçando debaixo das nuvens brancas de algodão. Sonhar com o amanhã, em que as melodias ou baladas livrem as pessoas do stress do dia a dia. Sonhar com o amanhã, em que as pessoas se preocupem mais com o meio que as rodeia e menos consigo próprias. Sonhar com o amanhã, que está tão longe da realidade! Sonhar pode ser uma utopia, se não começarmos a guiar os nossos passos para a salvação da humanidade!!! Eu vivo a sonhar!

ENTORSES DO TORNOZELO

FÁTIMA LOPES
As entorses do tornozelo são muito frequentes 38 a 45% de todas as lesões no desporto (EUA). Podem ter uma evolução espontânea para a cura contudo em alguns casos é necessária uma atenção especial de forma a evitar sequelas, pois o principal fator predisponente da entorse é a história de entorses prévias desta articulação. 

É frequente ouvir dos pacientes que praticam desporto; que compraram umas sapatilhas e na loja o vendedor lhes sugeriu calçado de controlo de pronação no caso de pé plano. Ou então optar pelo controlo de supinação baseada na forma estática do pé o que não é correto pois a necessidade de compensações depende do comportamento de todo o membro inferior durante a corrida.

COMO SE DESENVOLVE UMA ENTORSE?

A entorse do tornozelo é descrita por vários autores (Safran MR, Benedetti RS…) um traumatismo em inversão excessiva, com supinação, rotação interna e flexão plantar do complexo articular tornozelo-pé.

As estruturas ligamentares envolvidas são ligamento peróneo-astragalino anterior (LPAA), a região antero-lateral da capsula articular, o ligamento calcâneo-peroneal ( LPC) e o ligamento peróneo-astragalino posterior.

A gravidade da entorse está relacionada com o número de elementos ligamentares atingidos e é habitualmente classificado em três graus.

GRAU I

· Dor e edema localizado dos tecidos moles

· Sem instabilidade mecânica

· Estiramento de algumas fibras do ligamento LPAA.

Tratamento: seguem-se as normas R.I.C.E.

Rest – repouso não efetuar carga

Ice- Aplicação de frio

Compression - imobilização com ligaduras 

Elevation elevar o tornozelo acima do nível do coração por 48h.


GRAU II 

· Perda funcional parcial, com dor para carga

· Instabilidade moderada

· Rutura do LPAA e rutura parcial do LPC

Tratamento: aplicar as normas anteriores (R.I.C.E.) e é frequente a aplicação de uma tala gessada ou uma ortótese apropriada imobilizando o membro.


GRAU III

· Edema exuberante, equimose

· Grande instabilidade e impotência funcional total

· Rutura completa dos LPAA e LPC

Tratamento: cirúrgico para efetuar a reparação de ligamento


Estas lesões podem representar um problema real em termos de saúde pública; sendo assim preponderante desenvolverem-se abordagens corretivas e programas de prevenção adequados; nesta perspetiva; o podologista efetua a anamnese e exame físico onde são pesquisados os dados pessoais: idade, estatura, peso, tipo de calçado, atividade profissional e desportiva a análise do pé através da inspeção, estudo da mobilidade articular, palpação de pontos dolorosos e pesquisa de movimentos anormais e a avaliação de fatores de risco como: dismetria dos membros inferiores; insuficiência peroneal; laxidez ligamentar; pé equino; calcâneo varo.

 www.centroclinicodope.pt


AS BRUXAS E OS CAÇADORES DAS MESMAS

FERNANDO COUTO RIBEIRO
Nos tempos de hoje, uma das coisas que mais me impressiona é a caça às bruxas até porque bruxas já sabemos que não há. Todos os dias ouvimos falar de novas caçadas e, de alguma forma, até parece ser o principal entretenimento do nosso tempo: há quem se entretenha na caçada, há quem se entretenha a comentar a caçada, e há quem se entretenha a seguir a caçada ao longe.

Em tempos antigos, a ignorância forçada justificou muita coisa, o conhecimento era pouco e de difícil acesso, pelo que o medo (da ignorância vem sempre o medo) regia o coração das pessoas e permitia que, em nome de uma fé que conduziria à salvação, se perseguissem pessoas e que as queimassem em praça pública para libertação dos demónios e para preservação dessa fé. Sei que estou a ser simplista mas era, basicamente, isto.

Hoje, a ignorância não é forçada mas cultivada, temos uma ignorância culta. É promovida uma ilusão de conhecimento, temos resumos de resumos que, mais tarde ou mais cedo, acabam em frases mais ou menos publicitárias que parecem emanar uma verdade universal que é aceite e usada como estandarte em discussões vazias de ideias mas cheias de ego. Estamos a construir um mundo profundamente superficial e caçador de bruxas que o são apenas por pensarem.

Ninguém quer saber nada de nada. É estranho, entender esta contradição em que vivemos: temos um tempo privilegiado e não temos o privilégio do tempo. A informação vem em catadupa. Por isso, precisamos dos abençoados cabeçalhos resumidos e mentirosos, mas como informação não é conhecimento e não temos espaço, tempo, disposição e todas as desculpas que já todos decorámos, somos, essencialmente, ignorantes. Da ignorância vem o medo (continua a ser da mesma maneira) e com o medo voltamos a caçar bruxas, cada um tem a sua bruxa particular e de estimação, cada um tem a sua forma privada de defender a sua ignorância. Parece que nada mudou, mas não é verdade, a escala exponenciou tudo. A ignorância é maior, o que implica maiores desculpas, o que implica mais crueldade. Cada um sabe de si e já duvidamos de Deus para saber de todos.

Gosto das bruxas, romanticamente feiticeiras, que fazem poções em caldeirões de ferro e têm risos sinistros e maléficos. Essas, voam em vassouras, aprecem em contraluz na lua, cabem no coração e na imaginação das crianças e, no fim da história, acabam com um beijinho na testa – porque o sono tranquilo nos dá paz.

Não gosto dos caçadores de bruxas!

HALLOWEEN: DOÇURA OU TRAVESSURA?




SÍLVIA TEIXEIRA
Na noite de Halloween os zombies, os vampiros, os fantasmas e as bruxas saem à rua, mas quem ganha são os doces... ou as partidas!

No nosso país é cada vez mais comum a comemoração do “Dia das Bruxas”. No dia 31 de Outubro muitas crianças usam fantasias assustadoras e vão de porta em porta em busca de guloseimas, gritando “ Doçura ou Travessura?”.

Muitos pais ficam preocupados com o efeito de tantos doces na Saúde Oral dos seus filhos mas não há que fazer nenhum drama. Este dia até pode funcionar como uma excelente oportunidade para consciencializar pais e crianças dos cuidados a ter com o consumo de guloseimas e de os informar como minimizar os danos que os doces provocam na dentição.

Aqui ficam algumas dicas:

1. Dê-lhes uma boa refeição – se os seus filhos se alimentarem corretamente antes de saírem para a festa do Halloween, menor a probabilidade de caírem na tentação de comerem todos os doces.

2. Dê-lhes água - Beber água, deixando que ela passe por todos os dentes enxaguando-os, pode fazer toda a diferença para que as guloseimas não fiquem tanto tempo em contato com os dentes.

3. Estimule-os a escovar os dentes - Incentive-os a escovar os dentes corretamente sempre que comem doces. É a única forma eficaz de diminuir o tempo que o açúcar fica em contato com os dentes e de prevenir a formação de cáries. Aproveite esta oportunidade para o explicar.

É absolutamente proibido ir para a cama sem escovar os dentes, usar fio dentário e, idealmente, bochechar com colutório de Flúor. Essa escovagem deve ter a supervisão dos pais. Ao dormir, a nossa saliva diminui, favorecendo a ação das bactérias na formação de placa, o que leva à formação de cáries e ao aparecimento de doenças da gengiva.

4. Limite a quantidade de guloseimas – Estabeleça o número máximo de doces a consumir. Se o seu filho habitualmente não consome muitos doces não faz sentido ser muito radical neste dia, desde que siga as outras dicas. Se, pelo contrário, o seu filho consome doces com muita frequência, talvez seja útil fazer “desaparecer” as guloseimas que sobram deste dia e evitar que a tentação se prolongue durante semanas.

5. Limite o número de vezes que o seu filho come guloseimas – Quando a placa bacteriana se mistura com o açúcar forma um “ácido” que durante 20 minutos ataca os dentes tornando-os mais susceptíveis à cárie. Isto acontece todas as vezes que se comem doces. Ou seja, 5 guloseimas comidas de uma só vez significam um ataque de 20 minutos de reação da placa bacteriana. As mesmas 5 guloseimas comidas em 5 alturas diferentes significam 5 ataques, 100 minutos de reação da placa bacteriana! É por isso importante definir o horário dos doces, preferencialmente depois das refeições, e evitar que os seus filhos comam as guloseimas aleatoriamente durante o dia.

6. Selecione as guloseimas – Nem todas as guloseimas são iguais. Devem ser evitadas aquelas mais pegajosas, que se “colam” mais aos dentes e se mantêm na boca durante mais tempo e preferir aquelas que se derretem e são engolidas mais rapidamente.

A tabela que se segue, adapatada das recomendações da American Academy of Pediatric Dentistry, pode ajudá-lo as escolher os doces, não só neste dia mas também durante todo o ano


Não se esqueça que os doces, quando consumidos com moderação, não são os maiores inimigos dos dentes, desde que existam hábitos de Higiene Oral e acompanhamento preventivo pelo seu Médico Dentista.


E, já agora, um Feliz Halloween!

domingo, 30 de outubro de 2016

ANTÓNIO PATRÍCIO LANÇA NOVA OBRA: «ALMINHAS E CRUZEIROS DO CONCELHO DE AMARANTE»

A BIRD Magazine esteve à conversa com o escritor amarantino, António Patrício. Quisemos conhecer um pouco mais a nova obra que acaba de lançar. 

CAPA DO LIVRO

ANTÓNIO PATRÍCIO 
- Sobre o que fala o seu livro?
- “Alminhas e Cruzeiros do Concelho de Amarante” é um trabalho de recolha, uma espécie de “inventário”, sobre estes pequenos oratórios de culto popular em desagravo às almas. Património que, por incúria dos homens, se tem vindo a degradar e, tantos deles a serem mesmo violados e ultrajados, com práticas menos cristãs e mais ligadas ao feitiço e ao assalto gratuito. No que toca aos cruzeiros a linha de orientação foi a mesma, uma vez que, temos no concelho tanto de calvário ou via-sacra como de memória histórica.
O livro está organizado de acordo com o anterior mapa autárquico, ou seja, quarenta freguesias e quarenta e uma paróquias com as freguesias por ordem alfabética e uma pequena resenha e as alminhas e cruzeiros orientados por forma a que, partindo de qualquer uma delas se faça todo o percurso sem andar para trás.

- O que podemos esperar da sua leitura?
- Julgo estar um trabalho de muito fácil utilização e de agradável leitura. É um trabalho que se algum dos leitores, mais apaixonados pelas coisas de Amarante, entender utilizar como guia de turismo religioso e até histórico pode fazê-lo pois como já referi anteriormente não anda para trás e tem lindas paisagens e belíssimos lugares para apreciar deleitando-se com as belezas desta Terra abençoada. Pode acontecer que tenha cometido alguns erros, uma vez que, a minha formação académica nada tem a ver com história e, muito menos sacra mas, fi-lo com amor por este Chão, e estou convencido que qualquer erro que possa ter cometido serei perdoado pelos compreensivos e queridos Leitores e Amigos.


Na fotografia, António Patrício [autor], José Luís Gaspar [Presidente CM Amarante] e
Pedro Barros [a quem coube a apresentação da obra]
Fotografia: Delfim Carvalho 

- Como foi realizar este trabalho de investigação?
- Demorou o seu tempo e, como deve compreender, tive que “incomodar” muitas pessoas para que a informação saísse o mais correcta possível e, que algumas “inverdades” relacionadas com este ou aquele nicho, fossem devidamente filtradas repondo, aqui e ali, a verdade…
Como sabe o concelho de Amarante é extremamente extenso – ultrapassa os 300km2 – e para se chegar a muitos destes monumentos de culto popular - 131 alminhas e 93 cruzeiros -  foi penoso e, para alguns, se não tivessem contribuído com a sua disponibilidade alguns dos senhores Presidentes de Junta dificilmente os encontraria. Por esta razão foi que, logo no princípio, referi que tinha “incomodado” muitas pessoas.
Tive, também, o cuidado de trocar algumas palavras com vizinhos e devotos anónimos que, com a sua devoção e paixão, vão embelezando e ornamentando com flores e velas muitos destes oratórios e, são estas pessoas, que os vão mantendo limpos e asseados. Em algumas freguesias os senhores Presidentes de Junta também vão dedicando algum do seu tempo em obras de arranjo dos espaços e limpeza dos mesmos num contributo muito positivo para a conservação e preservação destas pequenas relíquias.

- Mensagem final?
Aproveito para lançar um apelo a todos os que tenham a paciência de nos ler no sentido de contribuírem com a sua atenção e respeito por estes singelos monumentos que os nossos antepassados quiseram deixar como memória e como elementos de história.   

AUSENTE SENTE

MIGUEL GOMES
Arredo-me das letras como de mim. 

Deixo-as desencavadas e encostadas na leira, ao frio e à chuva que tem caído lá fora e cá dentro. A sementeira não se faz pela noite e, contudo, é nela que encontro terreno fértil para, como bicho, me aninhar em mim ao chegar ao ninho, ombreando força com as sombras ondulantes e erráticas que a vela projecta na sua dança sobre o pavio. 

Já nem sei do que me rio. 

Descansa o resto do pão ao meu lado e nesta côdea amarelada dou por mim fortuna de áureos nunca tidos, que não me pesam, e, talvez assim, por isso, por mim, me sinto afortunado.

Saga de quem se abriga num qualquer beirado.

O dia passa a cavalgar por mim, literalmente, graciosamente e cavalarmente, adverbiando as palavras para que possa saltar os obstáculos que se ausentam e, como tal, não se vislumbram ou percebem. 

Um pouco como eu.

O frio começa a sorrir, vem subindo as pernas da cadeira, torneando os veios da madeira e encavalitando-se nos meus pés cobre lentamente o meu corpo, como só as mães sabem, levando-me a adormecer hipotermicamente. É neste semi-estado, desacordado e desadormecido, que me empoleiro em mim e me deixo de procurar estrelas onde elas sempre brilham para as encontrar debaixo deste bocado de pão, no isqueiro que me queima os dedos, no som do vento que se faz canção, no velho sussurrado adormecido no jardim, como o valado brotado do relógio que tiquetaqueia em mim. 

Hoje estou adiantado em relação ao meu atraso, eis a razão de chegar, agora, ao fim.

SOLIDÃO...

“As pessoas são solitárias porque constroem muros em vez de pontes”
Joseph Fort Newton

CARLA SOUSA
Solidão é um sentimento. Aqui, a pessoa pode sentir uma profunda sensação de vazio e isolamento. 

Rachel de Queiroz disse que “a gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado”. No entanto, a solidão é mais do que querer uma companhia, ter um amor, ter amigos ou ter um trabalho.

Quantas vezes nos sentimos sozinhos numa sala cheia de gente? Quantas vezes nos sentimos sozinhos mesmo com 300, 400, 500 amigos ou mais nas redes sociais? Quantas vezes nos sentimos desamparados mesmo tendo tanta gente na família, como amigo ou projetos?

Porque sentir é diferente de ter ou estar… Pode-se ter muita coisa, estar rodeado por muita coisa, e mesmo assim sentir-se vazio, sozinho e desamparado. Muitas vezes a solidão pode ser descrita como a falta de identificação, compreensão ou compaixão.

Klein dizia que a solidão é um sentimento interno que faz parte da condição humana. Para ela, este sentimento é o resultado de uma ânsia omnipresente por um estado interno perfeito, inalcançável. Será?

A pessoa pode passar por um estado de profunda separação que se pode manifestar com sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, ressentimento, insignificância e inutilidade.

Se estes sentimentos se prolongam podem bloquear a capacidade do individuo poder ter uma vida saudável com relacionamentos saudáveis.

Se alguém se autoconvencer que não pode ser amado isto pode aumentar o sofrimento, baixar a auto estima e conduzir a uma espécie de desconexão emocional e, por fim, ao sentimento de solidão.

Poderá ser uma consequência dos tempos modernos em que cada vez menos valorizamos a nossa consciência, contrastando com a, cada vez maior, valorização dos bens materiais. Poderá ser uma opção para combater o fardo demasiadamente pesado de uma má companhia.

No entanto, Martha Medeiros disse “estar com alguém só para não estar sozinho, é solidão mal administrada”. E realmente, para má administração já basta o nosso Governo!

Estar sozinho pode ser uma experiência positiva que traz alívio emocional. Pode resultar de uma escolha consciente e controlada. 

Na solidão podem nascer coisas que podem ser verdadeiramente excecionais ou por outro lado, se deixarmos, estas coisas podem morrer de uma vez por todas. 

A solidão, penso, não costuma ter meio-termo e quanto mais pessoas temos à nossa sua volta, mais cruel poderá ser.

Mas é, na boa solidão, que também poderemos aprender muito sobre a vida, e, principalmente, sobre nós próprios.

 “A solidão faz homens de talento ou idiotas”
Victor Hugo


A VIDA ALUCINADA QUE LEVAMOS E O SEU EFEITO NA FAMÍLIA

LÚCIA LOURENÇO
GONÇALVES
Os primeiros dezanove anos da minha vida, vivi-os numa terra pequena onde aos primeiros raios de sol, o doce chilrear dos pássaros entoava nos meus ouvidos, na época pouco sensibilizados para uma música tão perfeita!

Tive o privilégio de assistir a muitos nascer do sol na serra das Meadas e ao seu ocaso para lá do Marão. E que me lembre, nem lhe dava importância! Pudesse hoje voltar atrás e tiraria mais partido desses momentos tão livres, tão harmoniosos…

E achava que o tempo passava lento demais, tal era a pressa de crescer!

Entretanto a mudança para a cidade, revolucionou por completo a minha vida. A trabalhar e a estudar à noite, mal me sobrava tempo para respirar.

Contudo, habituei-me rapidamente e esse foi o ritmo normal da minha vida durante alguns anos.

Então, novos planos de vida levaram-me novamente para o dia-a-dia calmo, onde havia espaço para tudo… Até decidir que estava na hora de concretizar o projeto mais importante na vida de uma mulher: ser mãe!

Aí a correria passou novamente a níveis record: deixar o meu filho na Creche, correr para o trabalho… à tarde o mesmo percurso mas no sentido inverso. Foi de facto um período intenso em que os dias se sucediam a um ritmo alucinante.

A semana começava e terminava sem quase dar por isso, porém no meio de toda esta correria, sentia-me incompleta: o meu filho estava a ser criado por outras pessoas. As mesmas que, se calhar, ouviram as suas primeiras palavras, quiçá viram os seus primeiros passos…

No caso do meu filho mais velho, lembro-me de me sentir triste por outras pessoas (para quem esses pequenos pormenores nada dizem, porque apenas estavam a fazer o seu trabalho!) terem o privilégio de que eu sentia falta: conviviam com ele durante a maior parte das horas do dia.

A mim restava-me, o banho, o jantar e coloca-lo para dormir… E aí sim, nunca faltou aquela canção de ninar que ainda hoje ele se lembra! Aquela história que de tantas vezes ser contada, já a aldrabava… e ele dizia “Não, estás a ler mal, mãe!”.

O nascimento do segundo filho veio amenizar essa sensação… As tarefas duplicaram, mas a sensação de abandono já não era tão sentida, já me tinha habituado! Esta era a vida que podíamos ter, que fazer?

E as canções infantis passaram a ser entoadas para dois e as histórias escolhidas à vez… Momentos dedicados apenas a eles. Curtos, mas de qualidade!

O trabalho e a responsabilidade aumentou...E os anos voaram.

De repente tinham dez anos e, como felizmente, sempre residimos perto das escolas que frequentaram, passaram a ir diretos para casa no final das aulas. Pelo menos isso! O facto de poderem ir para casa e usufruírem da companhia um do outro no seu próprio ambiente, trouxe-me algum conforto e alguma liberdade. Afinal, após o trabalho já podia tratar de um ou outro assunto, porque os sabia em casa e em segurança.

E quase dezanove anos se passaram desde o nascimento do meu primeiro filho, e os horários laborais continuam incompatíveis com o convívio familiar em sentido lato, algo que continuo a lamentar.

E assim continuamos a juntar-nos apenas à hora do jantar e aos fins-de-semana. A hora das refeições continua a ser o principal ponto de encontro, onde tentamos pôr os assuntos em dia, principalmente os que aos meus filhos dizem respeito.

E apesar de muito orgulhosa dos filhos que tenho, por conta da divisão entre o trabalho e a família, sinto que perdi tanto do crescimento deles!

AS EXCELSAS POLÍCIAS PORTUGUESAS

LUÍS ARAÚJO
Não cessa de me surpreender a excelência das nossas policias.

Em muito pouco tempo o SEF deixou entrar um clandestino em Portugal porque o autorizou a fumar um cigarro e este veio fumá-lo para fora do aeroporto, de onde saiu calma e placidamente pela porta principal para nunca mais ser visto, a GNR viu um dos seus elementos dar, literalmente, um tiro no pé, na mais-do-que-rocambolesca fuga de um criminoso dos últimos anos, e a PJ, a super e excelsa Judiciária, depois de mais de duas semanas de aturada perseguição na serra transmontana, devidamente acompanhada ao minuto por tudo o que é órgão de comunicação social tanto diz num dia que acredita que o suspeito se encontra em Vila Real como no dia seguinte pede um mandato de captura internacional, depois de ter consultado um mapa e verificado que Xinzo de Limia, afinal fica na Galiza. 

Já há alguns meses um agricultor idoso, “Palito”, depois de concretizar o sonho de muito homem ao balear a sogra, conseguiu andar fugido durante mais de um mês.

Face a tão excelsas demonstrações, pelos vistos só não há uma explosão incontrolável da criminalidade, daquelas tipo morro da rocinha ou complexo do alemão, que tanto entretém os cariocas, porque os criminosos não se empenham o suficiente no seu “metier”.

Eu digo “não se empenham o suficiente”, porque acabei de acordar e ainda estou com a bondade a fluir-me pelas veias, pois a maior parte é burra como portas.

Ainda esta semana fomos brindados com um assaltante de bancos que, não contente com o assalto que tinha acabado de efetuar voltou para trás, ficando preso na zona da caixa do multibanco, após os funcionários terem trancado as portas remotamente, de dentro da agencia, num perfeito exemplo de alguém que não pensou muito bem a coisa.

É uma classe desunida, sem brio e sem empenho, o que é preocupante, pois estamos a falar de uma das poucas atividades que proporcionam várias saídas de futuro em Portugal e se a coisa correr mal em Portugal, podem sempre tentar o estrangeiro, como qualquer enfermeiro acabado de entrar para os bancos da universidade sabe, e se correr, mesmo, mesmo mal, o Estado encarregar-se-á de providenciar um teto e 3 refeições diárias por vários anos, o que pode não parecer muito, mas já é mais do que aquilo a que têm direito muitos funcionários públicos.

E não havia razão para tal, pois os criminosos são uma grande fonte de diversão para a população, além de uma alternativa excelente à Casa dos Segredos, mas mais são cultura, são informação.

Antes de Palitos, Pilotos e dos Refugiados existia esta ideia descabida de que quem envergava uma farda sabia o que estava a fazer, graças a estes senhores e putativos meliantes, já toda a gente tem a percepção de que as autoridades não conseguem encontrar um elefante num jardim zoológico.

Verificar que um refugiado maltrapilho de um país do terceiro mundo, um agricultor semi-analfabeto e um criador de gado conseguem fazer gato sapato das policias portuguesas, e até de várias policias ao mesmo tempo, que passam mais tempo a discutir entre elas do que a correr atrás do bandido, não é triste, é de valor e um autêntico serviço publico.

Ora, se quanto à excelência das nossas policias estamos conversados, valha-nos a Polícia do Uzbequistão, onde Piloto vai ser detido daqui a 4 anos, depois de uma discussão fútil com um empregado de café por causa do preço do Cimbalino.

sábado, 29 de outubro de 2016

RESTAURANTE «A LAREIRA» - MOGADOURO

CRÓNICA DE ANTÓNIO REIS
NA FOTO, CHEFE ELISEU AMARO

Escolher um prato onde estejam implementados os mais variados ingredientes regionais e da época não se encontra em qualquer restaurante dos infinitos onde já entrei durante a vida e mais recentemente no périplo que me foi incumbido pela revista “BIRD Magazine”. Fomos encontrar, lá bem no centro da vila de Mogadouro, o restaurante a “Lareira” onde o chefe Eliseu Amaro se instalou há mais de 30 anos e desde sempre se preocupou em confecionar pratos com produtos da época e essencialmente da região transmontana.

Deixamos o IC5 a poucos quilómetros de Miranda do Douro e saímos para a vila de Mogadouro com a finalidade de melhor nos informarmos sobre a realização do XVIII Encontro Micológico Transmontano, que se realiza nos próximos dias 10,11,12 e 13 de Novembro. Evento onde a revista “BIRD Magazine” estará presente pela primeira vez. 

CHEFE
ELISEU
Não sendo de todo desconhecido o restaurante a “Lareira”, pois já por lá tinha degustado alguns dos pratos confecionados pela equipa do chefe Eliseu Amado, mas há mais de seis anos que não me sentava à mesa de um dos muitos e bons restaurantes existentes por toda a região de Trás-os-Montes.

Para admiração da pessoa que normalmente me acompanha por estas andanças gastronómicas, entramos num normal café, onde até se vendem jogos de fortuna e azar, o que não dá para que do exterior os passantes se apercebam da qualidade do restaurante que se “esconde” lá por detrás do dito café à face da avenida.

Depois de passarmos a porta que divide os dois espaços comerciais, entramos para uma sala de refeições, onde o cheiro a fumo e carne grelhada não nos deixa indiferentes ao local onde nos encontramos. Podemos constar que aqui os funcionários se vestem com o rigor recomendado para a profissão que desempenham, assim como a sala está bem decorada com artefactos da região transmontana; pendurados nas paredes estão quadro que nos fazem recuar no tempo e levar-nos até aos tempos em que o contrabando era um dos meios de sobrevivências e mesmo de riqueza destas gentes próximas da fronteira com Espanha. 

Foi-nos servida a postinha de vitela com cogumelos e rosti (batata cozida em pequenos palitos passados pela frigideira). Escolher qual dos ingredientes seria o mais aptecível não foi tarefa fácil. A tenra e suculenta carne de animais criados no planalto mirandês, assim como os cogumelos selvagem colhidos nesta época do ano nos montes e lameiros da região fizeram a nossa satisfação gastronómica e de muitos dos visitantes ao restaurante a “Lareira” em Mogadouro. 

Recordamos que a Associação "A Pantorra" leva a efeito mais um encontro micológico, nos dias 10 a 13 de novembro de 2016, em Mogadouro, o XVIII Encontro Micológico Transmontano, com amostras de várias espécies de cogumelos e workshops com vários oradores da especialidade. Onde estaremos presentes em representação do Park Douro Selvagem e da revista “Bird Magazine”.

Restaurante A Lareira  
Av. Nossa Sra. do Caminho 58, 5200-207 - Mogadouro
Telefone: 279 342 363

REGRESSAR ONDE TUDO COMEÇOU

MÓNICA AUGUSTO
Continuo a pertencer aqui, aqui a esta aldeia que me viu crescer, que me viu partir e que me recebeu de volta, para aqui voltei, depois de alguns anos afastada, continuo a pertencer aqui.

Cresci na aldeia, numa muito pequena aldeia que atualmente conta com cerca de 80 habitantes, nos meus tempos de criança eram mais, mesmo assim, pouco mais. Cresci ao lado de miúdos da minha idade, a corrermos e fazermos asneiras incessantemente, miúdos que também cresceram e que hoje são meus amigos. Companheiros de brincadeiras, amigos de todas as horas, juntos fazíamos tropelias inimagináveis, não aquela coisita de tocar às campainhas e fugir, até porque não havia campainhas...verdadeiras aventuras pelos campos ao ar livre, sem medos. Verdadeiras aventuras: não responder às chamadas das mães para o jantar, fingir que não ouvíamos para prolongar a brincadeira no largo principal onde nos reuníamos, completamente livres, sem outros medos que não a chamada para o jantar. Percorrer a aldeia em busca dos melhores esconderijos para o respetivo jogo, em locais tão afastados que, não raras vezes, eram impossíveis de encontrar, correndo o risco de se ficar escondido até a noite cair, até os restantes desistirem da busca... Tantas recordações ficaram de uma infância e adolescência sem redes sociais, mas cheias de vida.

O tempo passou, tivemos que deixar a aldeia, todos nós partimos em busca dos nossos caminhos, muitos rumaram ao estrangeiro, outros às grandes cidades, para estudar, para trabalhar... rumei à grande cidade, que também me deixou grandes recordações, onde fui igualmente feliz, onde a minha vida conheceu uma outra direção. Depois da grande cidade, por imperativos profissionais, conheci diferentes locais pelo país, aí organizei temporariamente a minha vida e acabei por me integrar nas comunidades que tão bem me acolheram, mas o desejo de voltar esteve sempre presente. E voltei, vários anos depois, voltei e foi como se nunca daqui tivesse saído, estava em casa novamente, todos os habitantes me conhecem e eu conheço-os a todos. Todos nos cumprimentamos não com o breve cumprimento por educação, mas perguntamos pelos familiares que estão longe, pela saúde, pelas colheitas. Depois de alguns anos longe, esta dinâmica volta a ser familiar e reconfortante, reencontramos as pessoas que nos viram crescer, reencontramos os amigos com quem crescemos, sentimos que fazemos parte da comunidade, pequena é certo, mas cheia de vida. 

Somos cada vez menos. Tantos se mantém longe, sobretudo no estrangeiro, mas aqui construíram as suas casas, e guardam em si o desejo de voltar. Enquanto o desejo se mantiver a aldeia não esmorece. Os que cá ficaram, os que voltaram, vão mantendo viva a dinâmica da aldeia para receber os tantos que querem voltar.

AS NOVAS ROTAS DA SAÚDE MENTAL

HELENA COUTINHO
Em pleno século XXI, da Era comum, a mente humana continua a ser considerada um território vasto e extraordinariamente misterioso, onde coabitam, sob pele de noz, e ancorados entre inúmeros fios condutores, milhares de enigmas e fraquezas intemporais. Depois de ultrapassados alguns cabos de boa esperança, há quem ouse afirmar, utilizando a honra como escudo, que se algo ou alguém nos quer corroer ou vencer, é no pensamento que se aloja e constrói uma torre de comando, invisível, a partir da qual domina cada célula do que sentimos, pensamos e fazemos. Alguns dos mais inteligentes e curiosos habitantes do nosso planeta, continuam a partir, diariamente, em busca de novas descobertas, por hemisférios pouco ou nada navegados, apostando em novas rotas para a saúde mental. 

À semelhança do que acontecia, nos séculos passados, ocasionalmente, a ambição continua a fazer sobrar a vontade e falhar a lucidez, na tentativa de descodificar, finalmente, todos os códigos hormonais e mapas mentais. Apesar dos impérios já conquistados, por alguns dos mais notáveis Infantes da investigação, é urgente aprender a interpretar a arte contorcionista das emoções e penetrar, cada vez mais fundo, nos túneis secretos da memória, onde se instalam e progridem as incubadoras do medo e da infelicidade.

Ao contrário do que muitos insistem em apregoar, por ignorância ou puro interesse, o acto de despir (e escutar) a consciência continua a ser um processo complexo, arriscado e, frequentemente, assustador, que requer ajuda profissional. Assim sendo, um acompanhamento atento e informado ajuda a percorrer (ou construir) as únicas pontes que nos permitem atravessar os mares bravos da depressão e percorrer os impossíveis do pensamento. O pensamento, tal como o coração, também adoece. E é vital compreender (desmistificando), que sempre que algum destes gémeos falsos se encontra enfraquecido, fragiliza, em dobro, o seu semelhante, colocando em risco a sobrevivência de quem sofre e de quem cuida.

Hoje, enquanto a vida vai acontecendo, apressada, as certezas de ontem caem, como as folhas de Outono, aos pés do senhor tempo. E nem o tempo, confuso, sabe se as deverá apanhar e guardar no coração ou no pensamento. Enquanto a vida vai acontecendo, indomável, a maioria parece esquecer que o hoje nem sempre encontra o caminho para o amanhã e perde-se, em encruzilhadas internas, sem tempo para deixar um rasto luminoso, ou réstia de tempo, no tempo de alguém. E assim, enquanto a vida vai desfolhando os dias, segundo por segundo, quem murcha e enlouquece, de pé, são os homens que se julgam imunes à dor psicológica.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO E O SEU SIGNIFICADO

DIANA PEIXOTO
O Dia Mundial da Alimentação, celebrado anualmente em Outubro em todo o mundo, é um evento das Nações Unidas. Este ano de 2016, a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) lança o seguinte tema: “O clima está a mudar. A alimentação e a agricultura também”.

É facto que um dos maiores problemas relacionados precisamente com a alteração climática que temos vindo a sofrer é a segurança alimentar.

O nosso planeta está a aquecer, os glaciares a derreter, o nível da água do mar a subir e cada vez mais acontecem fenómenos meteorológicos como as secas, os ciclones, as inundações, que dificultam muita a vida de todos nós. A boa notícia é que todos podemos e devemos ajudar a minimizar e até contribuir para a reversão deste problema. Podemos lutar contra esta alteração climática mudando os nossos hábitos e tomando decisões simples no dia-a-dia.

No que concerne às alterações quotidianas meramente alimentares, deixo-vos quatro exemplos importantes:

1. Diversifique a sua dieta

Podemos tentar ter pelo menos uma refeição por semana totalmente composta por vegetais, em substituição de uma refeição de carne, por exemplo. Uma vez que se consomem muito mais recursos naturais para obter carne do os vegetais e plantas;

2. Escolher frutas e hortaliças de aspeto menos atrativo

Frutas e legumes de aspeto pouco atrativo, por não cumprirem os standars estéticos, normalmente são rejeitadas e desperdiçadas, no entanto muitas as vezes, senão sempre, o seu sabor é melhor

3. Armazenar os alimentos de forma inteligente

Coloque os alimentos com menor data de validade à frente e os alimentos com maior data de validade por trás. Dessa forma, vão-se usando primeiro os alimentos com menos validade e diminuímos o desperdício.

4. Utilizar as sobras

Quando fazemos uma refeição em grande quantidade que sobra, metade dessa sobra podemos congelar de forma a utilizarmos como refeição no futuro. O restante, podemos transformar numa refeição completamente diferente para o dia seguinte.

DISCRIMINAÇÃO NAS ESCOLAS

JOÃO RAMOS
Um estudo realizado recentemente em Portugal apontava para a existência de discriminação nas avaliações aos estudantes estrangeiros ou de determinadas áreas problemáticas. No mesmo sentido, várias investigações desenvolvidas nos EUA, concluíram que os alunos afro-americanos, hispânicos e do sexo feminino apresentavam classificações entre 10% e 20% superiores nos exames ou testes, sobre os quais os professores não tinham acesso à sua identidade. 

Estes resultados evidenciam uma dura realidade que se estende para lá das classificações, abarcando diversas áreas e processos, como o apoio despendido pelo professor aos estudantes, a disposição na sala de aula e a escolha para a realização de determinados exercícios, o que posteriormente contribuirá para agravar o “fosso” entre os discentes. Além disso, as consequências na vida profissional foram estudadas cuidadosamente, concluindo-se que os jovens que foram discriminados durante o período escolar possuíam menos probabilidades de obterem um diploma e auferiam salários, entre 20% e 40% inferiores aos restantes. 

O governo deveria dedicar maior atenção aos estudos supracitados, promovendo medidas de apoios aos grupos mais desfavorecidos, conferindo maiores apoios extracurriculares, como a disponibilização de explicações, a realização de actividades de desenvolvimento cognitivo, entre outros. Mais importante, seria identificar, dentro de cada escola quais os alunos com piores desempenho, monitorizando cuidadosamente o seu percurso, submetendo-os à realização de provas corrigidas por outros professores, ou cujas identidades fossem ocultadas, de forma a compreender, se de facto existem sinais de discriminação.

PORNOGRAFIA

MANUEL DAMAS
A Pornografia democratizou-se e caiu na rua, tendo-se tornado mais fácil o acesso mas, eventualmente, demasiado. Assim, à distância de um clique, seguindo os 3 A's de Cooper (Affordable, Anonimous e At Low Cost), a Pornografia generalizou-se na Aldeia Global a que, ainda, chamamos Mundo. Também por virtude ou culpa da Internet…

Perguntarão, alguns aliviados e outros irados…”Mas é contra a Pornografia?”, ao que respondo de imediato…Claro que não! 

Até porque, para nós Sexólogos, os verdadeiros e não os produzidos por algumas revistas cor de rosa e canais televisivos generalistas, a Pornografia é um prático método de trabalho em circunstâncias específicas. 

Permite, entre muitas outras situações, a desconstrução de uma libido fraturada por tabus, fantasmas e traumas e a sua posterior reconstrução. 

É de extraordinária utilidade na tentativa de recuperação nos casos de ejaculação prematura ou precoce especificamente naqueles sem parceiro ou parceira fixa. Podendo tornar-se complementar à aplicação da técnica do “Stop and Go”.

Pode ser usada como complemento de erotização nas tentativas de recuperação de situações de abuso sexual ainda que com muito atenta monotorização.

Pode ser usada como complemento, ainda que não de total substituição nos casos de solidão, nos mais idosos e/ou até nos cidadãos portadores de deficiência motriz. 

E estas são algumas das situações clínicas em que a Pornografia se apresenta de incontornável validade…entre muitos outros casos e circunstâncias. 

Pode ser, até, material a utilizar no sentido de estimular e favorecer o auto conhecimento, a aprendizagem do conhecimento do próprio corpo assim como das estratégias e métodos para proporcionar prazer, muito na linha de que “conseguirei proporcionar mais e melhor prazer a outrem quando conhecer profundamente o meu próprio corpo e as diversas formas de o estimular no sentido da prossecução do prazer”. E ser usado, inclusive, como método para conseguir controlar temporalmente a ejaculação.

Todavia a Pornografia constitui-se como problema quando se torna e erradamente, veículo de uma por demais ausente Educação Sexual. Apresenta-se, assim, a Pornografia, errada e desadequada quando cria e propaga um conjunto de estereótipos, de mitos e, inclusive, de errados Papeis de Género. 

Senão reflitamos sobre alguns dos estereótipos mais errados mas também mais divulgados pela Pornografia…

A Mulher não se resume a um par de Mamas (designação anatómica), a umas Nádegas e a uma Vagina. Encontrando-se tudo desmesuradamente hipertrofiado.

Assim como e simultaneamente o Homem não é apenas um Tórax robusto, uns Biceps proeminentes, umas Nádegas e um Pénis que tem que ser grande e grosso.

Não. 

Não é esta a realidade humana. 

O binómio Mulher versus Homem vai muito para além de um conjunto de estruturas musculo esqueléticas hipertrofiadas e adequadamente posicionadas para uma câmara de filmar.

Acresce que nem todos os Orgasmos são extensos, ruidosos, prazerosos e com foguetes e estrelinhas, a fazer lembrar uma celebração de Passagem de Ano numa qualquer capital mundial. Nem sequer, na maior parte das vezes, provocam verdadeiros tsunamis de prazer…não deixando, todavia, o prazer de estar presente mas na devida conta, peso e medida…Há-os, até, que silenciosos e quase inertes são profícua e profundamente prazerosos.

Mas e no que aos Papeis de Género se refere…

Nem a Mulher tem que estar sempre disponível.

Nem o Homem tem que estar sempre ereto. Nem sequer a ereção tem que ser rápida, acessível, túrgida e duradoura…resulta, fisiologicamente, do aporte de fluxo sanguíneo que, depois, é sustido, num tubo constituído por corpos cavernosos que retém o sangue, nos micro recetáculos que os constituem. E resulta, para além do fluxo sanguíneo conducente à consequente tumescência, de um conjunto de estímulos, circunstâncias, memórias, experiências, sensações e múltiplos prazeres para os quais o Cérebro e em especial a Libido contribuem massivamente.

Estes são alguns dos errados estereótipos que a Pornografia vende à exaustão.

Mas e acima de tudo a grande omissão no que à Pornografia concerne é a ausência total de referência aos Afetos…

Onde ficam o Afeto?

Onde fica o Amor?

E onde ficam as naturais dificuldades epifenoménicas da Vida que, circunstanciando e condicionando o desempenho, na Pornografia acabam por aparentar serem inexistentes ou irrelevantes? Basta pensar quem consegue estar disponível para o prazer sexual se estiver ameaçado, por exemplo, por despedimento ou a ser vítima de crise económica.

São estas e muitas outras as realidades vivenciais que desnudam a Pornografia e a relativizam, legitimamente.

UM ORÇAMENTO PARA CUMPRIR

HUGO VAZ
Foi apresentado há poucos dias o orçamento de estado para o ano de 2017.

Não querendo ser demagogo, realizo já uma declaração de interesses sobre tudo aquilo que me parece mais positivo no mesmo, não me coibindo de no fim realizar outra declaração de interesses que espero seja debatido num futuro próximo com frontalidade, não entrando sequer nas declarações do santigos responsáveis à data sobre os impostos indiretos.

Não sei se este orçamento é o mais justo possível dado as circunstâncias de uma Europa absolutamente intransigente. É provável que não seja. Há, apesar de tudo para mim, uma diferença clara entre este governo e o governo anterior: este governo não é amigo da austeridade ao contrário do anterior que não se coibiu de a aplicar muito para lá das exigências troikanas.

Esquecendo as consequências (se é que existem), é um Orçamento de Estado mais amigo da igualdade e da qualidade de vida dos portugueses. Sendo que, pasmem-se, as taxas de juro da dívida desceram com a apresentação do novo orçamento.

Senão vejamos alguns exemplos:

Alguns dizem que vivemos um tipo de austeridade “à esquerda”, mas a verdade é que, no âmbito geral, o governo dá 904 milhões e apenas tira 462 milhões, sendo que destes, 160 milhões dizem respeito ao imposto sobre património acima dos polémicos 600.000 mil euros.

Por exemplo, é bom que o leitor saiba que este orçamento permitirá que 640 mil pessoas tenham acesso à tarifa social da água.

É preciso saber e dar a conhecer que o abono de família vai abranger mais 130.000 crianças. 

É preciso perceber que os estudantes vão voltar a ter 25% de desconto no passe, prevendo este orçamento de estado o alargamento do passe SOCIAL + a todo o território.

Que 1.5 milhões de pensionistas vão ter à sua disposição mais 10 euros mensais, a atualização das prestações sociais para 400.000 beneficiários. Assim, como o abono de para combate à pobreza infantil que abrangerá 90.000.

Na inovação e conhecimento, a reposição dos apoios à criação artística, recuperação do património, onde se insere por exemplo o Mosteiro de Travanca, como um dos elementos âncora para tal.

No investimento acelerar os fundos europeus em 5 mil milhões, aumentar o investimento público de proximidade, modernizar os equipamentos das nossas forças de segurança.

No estado social, a oferta de manuais escolares gratuitos para 370.000 alunos, a criação uma prestação única da deficiência para 80.000 pessoas. 

O reforço da rede de cuidados primários, contando para isso com médicos de família para mais 500.000 utentes, a expansão dos cuidados de saúde continuados com mais 1.000 camas, e um plano de combate à pobreza infantil e promoção da natalidade que abrangerá 120.000 crianças, não nos esquecendo que Portugal está entre os nove países da EU com taxa de pobreza mais alta.

E neste pormenor deixo-vos um pequeno “gráfico” de como o dinheiro nos controla a nós e não somos nós que controlamos o dinheiro.

Durante os últimos 8 anos, a união europeia gastou 1.5 triliões de euros para salvar o sistema financeiro e apenas 3.8 biliões para apoio aos mais desfavorecidos. 

Será esta a base que queremos para a nossa sociedade e para o futuro dos nossos filhos?


E terminando, conforme tinha prometido com outra declaração de interesses, e justamente sobre o sistema financeiro, é uma DESONESTIDADE aquilo que a equipa que vai dirigir a caixa geral de aposentações vai ganhar. É uma afronta não a mim, mas a todos aqueles que trabalham de sol a sol e vêm cair na sua conta bancária 530 euros de ordenado mínimo.

Está na hora de dizer BASTA. É preciso colocar um teto salarial quer no sector público, quer no sector privado. Quem quiser vir para o sector comercial do estado terá de vir com espírito de sacrifício público. 

Perguntam vocês porquê o sector privado? Apenas para promover a justiça e a igualdade salarial. Se o administrador executivo não pudesse ganhar mais de 14 vezes o salário médio da massa salarial da empresa, das duas uma, ou reduzia o seu salário, ou faria tudo por tudo para aumentar todos os seus colaboradores para que ele, assim sim, fosse também aumentado.

E termino este artigo de opinião com um pensamento do diretor adjunto do semanário Expresso
"É de uma enorme ironia que o menor défice alguma vez alcançado em 42 anos de democracia seja da responsabilidade de um governo do PS, apoiado pelo Bloco e pelo PCP."

JÁ OUVIU FALAR DE FISIOTERAPIA INVASIVA?

MARCELO PEREIRA
A Fisioterapia Invasiva é um método de tratamento, que incorpora todos os tratamentos Invasivos que o Fisioterapeuta pode Utilizar, na sua prática Clínica. Entre as Técnicas destaca-se a Eletrólise Percutânea Músclo-Esquelética, Ecografia Músculo-Esquelética, Punção Seca, Mesoterapia e Acupuntura .
Todos os procedimentos são realizados com apoio de um ecógrafo, ou seja ,todas as técnicas são ecoguidas para obter-se uma melhor eficácia nos resultados e uma melhor segurança nos procedimentos.
O conceito de Fisioterapia Invasiva surgiu em Espanha,donde cada vez mais é uma área da Fisioterapia, com enorme resultados e eficácia.
De salientar que para a utilização desta área, requere formação prévia especializada, sendo importante alertar todos os nossos pacientes aquando da aplicação por parte de um Fisioterapeuta, solicitar o certificado da formação do mesmo.

A Fisioterapia Invasiva pode ser aplicada em patologias como Ruturas musculares, Quistos Sinoviais, Tendinopatias, Epicondilites, Hérnias Discais, Pontos de Gatilho entre outros.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

HIPNOTERAPIA – POTENCIALIDADES DE UMA TERAPIA SOB MEDIDA

TÂNIA CARVALHO
A Hipnoterapia traduz-se num método psicológico não convencional, que tem como base o uso da hipnose para a resolução de problemas de natureza psicológica e psicossomática. É uma interessante combinação de relaxamento físico e mental.

Esta terapia dispõe geralmente da hipnose para a realização da psicoterapia. A hipnose não é por si só um tratamento, trata-se porém, de uma ferramenta importantíssima que o terapeuta dispõe de modo a poder realizar a psicoterapia.

A Associação Americana de Psicologia (APA) definiu a hipnose como “um procedimento durante o qual um profissional de saúde sugere que um paciente experimente mudanças de sensações, perceções, pensamentos ou comportamentos”. 

Em nenhum momento, nesta definição da APA, lemos que a pessoa perde a consciência.

Em hipnose a pessoa encontra-se, apenas e somente, num estado de atenção focada onde o paciente se foca mais o seu mundo interior, composto por crenças, valores e emoções, em detrimento da consciência periférica. 

Por sua vez, o objetivo da hipnoterapia é fazer com que o paciente tome consciência de certos comportamentos desviantes que produzem consequências indesejadas e ao mesmo tempo apresentar novos comportamentos com consequências desejadas.

É importante referir que o estado de transe é um estado natural e normal que todos vivenciamos, muitas vezes, no nosso dia-a-dia, que ocorre espontaneamente e pode ser sentido de várias formas. Este estado pode ocorrer quando, voluntariamente, nós escolhemos focalizar a nossa atenção em alguma coisa que nos interessa, ou seja, qualquer atividade que absorva a nossa atenção, que pode ser desde a leitura de um livro, ver televisão, dançar… Em suma, o transe é uma aptidão, ou capacidade natural/fisiológica, uma experiência do dia-a-dia.

Esta terapia é tão especial porque é formulada para fazer frente à singularidade das necessidades do individuo, e não limitar a pessoa de modo a encaixa-la numa teoria hipotética do comportamento humano. É uma terapia centrada no paciente, criando as circunstâncias nas quais os indivíduos possam responder espontaneamente e mudar. A hipnoterapia trata o individuo com todas as suas especificidades e idiossincrasias numa terapia sob medida. Uma terapia única e desenvolvida para si.

QUANDO CORRER SE TORNA OBSESSIVO

ELISABETE RIBEIRO
A corrida tem muitos aspetos positivos associados. Contudo pode tornar-se obsessiva. O desassossego por resultados pode, em alguns casos, transformar-se numa verdadeira fixaçãoe tomar uma dimensão tal que ponha em causa o rendimento profissional e a vida pessoal e familiar.

Atingir o equilíbrio entre a nossa paixão e as restantes componentes do nosso dia-a-dia pode revelar-se algo verdadeiramente complicado de atingir, e é preciso ter um grande jogo de cintura, algum poder de encaixe e muita flexibilidade para repartir o nosso tempo entre as diferentes atividades que a maioria de nós têm: desportiva, profissional e familiar.

Treinar com qualidade e não quantidade pode ser a chave para permitir atingir os resultados desejados em todas os aspetos da nossa vida, e não só os desportivos.

O aumento, ainda que ténue, do rendimento desportivo através da melhoria dos tempos alcançados ou das distâncias percorridas associado à produção de endorfinas pode conduzir, mesmo às pessoas mais equilibradas, a uma alocação do tempo cada vez maior no desporto e na prática da corrida em detrimento da família e do trabalho.

Esta intensa procura pela melhoria e progresso, aumento do bem-estar físico e consequente autoestima pode tornar-se uma obsessão e desviar a atenção de aspetos relevantes da vida bem como uma certa arrogância para quem obtém resultados mais singelos.

É cada vez menos raro vermos ou conhecermos alguém que abdica dos fins-de-semana todos para treinar ou leva o seu treino e dieta a extremos pouco saudáveis, pondo em causa a sua saúde e sanidade mental.

Alimentação cuidada ao extremo, um plano de treino seguido ao milímetro, períodos de descanso calculados ao minuto, utilização de relógio, cardio frequencímetro, tudo isto seguido sem flexibilidade, como se fosse o único caminho possível para alcançar os resultados, talvez o mais rápido mas não por isso o melhor e mais duradouro.

A juntar a este rigoroso planeamento existem cada vez mais praticantes obcecados que abdicam de todas as distrações possíveis, festas de amigos, jantares em família, convívio, o célebre dia da asneira para comer um doce. O treino e a aproximação das provas passam a ser a principal desculpa para evitar o contacto social e permitir o afastamento e isolamento. 

Não é fácil reconhecer que atingimos esta obsessão, que efetivamente estamos viciados no desporto, na corrida e nos resultados.

Queremos treinar com a mesma intensidade que os desportistas profissionais, esquecendo-nos que ao contrário destes, não vivemos do desporto e temos outras atividades profissionais.

Fará sentido um corredor amador querer treinar da mesma forma do que um atleta de elite? Creio que não. Começa desde logo por não termos as mesmas condições: treinadores, equipa médica, fisioterapeutas, patrocinadores, etc. 

Para alcançar uma boa condição física, mental, moral e social é preciso conciliar e gerir todos estes equilíbrios e ter flexibilidade para adaptar os nossos objetivos à nossa realidade e saber que não podemos todos aspirar a ser o Carlos Sá ou Kilian Jornet.

Fonte: Correr na Cidade (Tiago Portugal)