quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O IMPACTO DO NEGÓCIO DOS MANUAIS ESCOLARES NO BOLSO DAS FAMÍLIAS

“Com o fim de mais um ano letivo, milhões de manuais escolares foram para o lixo: um desperdício. Ganham as editoras, que dominam o negócio. E sofrem as famílias que, no início de cada ano letivo, gastam fortunas na aquisição de livros. A inexistência de bancos para troca de livros em todas as escolas públicas é incompreensível”

MIGUEL TEIXEIRA
No passado dia 27 de Agosto o “Público” destacou em editorial a mais recente medida do governo de António Costa que, pressionado pela sua esquerda, decidiu este ano oferecer os manuais escolares a todos os alunos do 1.º ano. Em números, estamos a falar de 80 mil crianças e três milhões de euros. Isto significa três coisas: a) no ano lectivo de 2017/18 vão ser vendidos menos livros; b) as editoras têm boas razões para estar preocupadas e, c) finalmente, há uma medida oficial para tentar mudar as coisas e dar o primeiro passo no sentido da reutilização dos manuais, uma coisa boa para a bolsa dos portugueses e para a sustentabilidade do planeta. Naturalmente, nem todos os livros desta primeira “geração” de 80 mil alunos vão ser reutilizados. Mas muitos serão certamente. A ideia é que, no fim do ano, as famílias devolvam os livros para que o Governo os possa oferecer a novos alunos — e assim sucessivamente. O plano é alargar o modelo, o que transformará o mercado do livro escolar de forma ainda mais radical”.

Com uma criança prestes a fazer seis anos e a entrar para o primeiro ano de escolaridade, naturalmente saúdo esta medida, esperando que a mesma seja alargada de forma faseada a todo o ensino básico, seguindo, de resto, uma proposta do Conselho Nacional de Educação com mais de 25 anos. No entanto, este é um negócio extremamente lucrativo para as editoras, num mercado que movimenta cerca de 100 milhões de euros por ano e que tem um impacto significativo nos apertados orçamentos familiares. Quem tem um ou dois filhos em idade de frequentar o ensino básico sabe bem a “dor de cabeça” que representa a “febre do regresso às aulas”, “slogan” de uma conhecida rede de hipermercados. No ano letivo que agora terminou, o cabaz de livros mais caro foi o do 7º ano escolaridade e ascendeu a 250 Euros. A ação social escolar dá uma ajuda aos alunos de famílias com menores rendimentos - e muitas autarquias também, ao providenciarem os livros para o 1º ciclo. No entanto e no caso concreto da minha filha, já fui informado por uma outra encarregada de educação que caso opte por adquirir os livros de fichas e cadernos de atividades para o primeiro ano (algo que no entanto deixou de ser obrigatório), o preço global para as disciplinas do primeiro ano é de 51 euros. No entanto e como afirma Henrique Trigueiros, o fundador do Movimento Reutilizar, que há um ano atrás entregou uma queixa ao provedor de Justiça, apresentando denúncias de mais de 100 pais, “as editoras fazem tudo para que a reutilização dos manuais não pegue” .É preciso ainda dizer que escolas que emprestam livros aos seus alunos é o que acontece por regra, e pelo menos até ao fim do 3º ciclo, em pelo menos 5 países europeus - a saber: Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda e a sempre tão admirada Finlândia. Tudo países com bons resultados escolares. 

Como afirma e muito bem Paulo Morais “Em Portugal tudo tem o preço que os interesses dos lobbyes exigem, o negócio dos manuais escolares não escapa à ganância.
Com o fim de mais um ano letivo, milhões de manuais escolares foram para o lixo: um desperdício. Ganham as editoras, que dominam o negócio. E sofrem as famílias que, no início de cada ano letivo, gastam fortunas na aquisição de livros. A inexistência de bancos para troca de livros em todas as escolas públicas é incompreensível. Aí todos os alunos poderiam levantar gratuitamente os seus manuais, a troco de deixarem os do ano anterior. É claro que famílias que queiram comprar livros novos seriam livres de o fazer. Mas, para as outras de orçamentos mais apertados, ou simplesmente combatentes do desperdício, as escolas deveriam instituir um sistema universal de entrega de manuais. Veja-se a título de exemplo o que se passa na Holanda: em primeiro lugar, os livros são gratuitos. São entregues a cada aluno no início do ano lectivo, com um autocolante que atesta o estado do livro. Pode ser novo ou já ter sido anteriormente usado por outros alunos. No final do ano, os livros são devolvidos à escola e de novo avaliados quanto ao seu estado. Se por qualquer razão foram entregues em bom estado e devolvidos já muito mal tratados, o aluno poderá ter de pagá-los, no todo ou em parte. Todos os anos, os cadernos que não foram terminados voltam a ser usados até ao fim. O contrário é, inclusivamente, muito mal visto. Os alunos são estimulados a reutilizar os materiais. Nas disciplinas tecnológicas e de artes, são fornecidos livros para desenho, de capa dura, que deverão ser usados ao longo de todo o ciclo (cinco anos). Obviamente que as lojas estão, a partir de Julho/Agosto, inundadas de artigos apelativos mas nas escolas a política é a de poupar e aproveitar ao máximo. Se por qualquer razão é necessário algum material mais caro (calculadora, compasso, por exemplo), há um sistema (dinamizado por pais e professores, ou alunos mais velhos) que permite o empréstimo ou a doação, consoante a natureza do produto. Ao longo do ano, os alunos têm de ler obrigatoriamente vários livros. Nenhum é comprado porque a escola empresta ou simplesmente são requisitados numa das bibliotecas da cidade, todas ligadas em rede para facilitar as devoluções, por exemplo. Aliás, todas as crianças vão à biblioteca, é um hábito muito valorizado.

Esta medida é, aliás, também obrigatória em Portugal, pois a legislação determina que "escolas e agrupamentos de escolas devem criar modalidades de empréstimo de manuais escolares". Mas, como a Lei não é cumprda, a cada ano, o esforço familiar é enorme e aumenta à medida que os alunos progridem no sistema de ensino. Os valores superam as duas centenas de euros, num esforço financeiro enormepara quem tenha mais que um filho a frequentar a escola.
Estes preços “insuportáveis” só são possíveis porque são as editoras quem, no fundo, decide a política de manuais escolares e os preços. Dominam um setor que representa mais de cem milhões de euros, considerando que os cerca de milhão e meio de estudantes do ensino básico e secundário adquirem perto de dez milhões de livros. O facto de estes bancos escolares para troca de livros não serem uma realidade em Portugal é mais um exemplo das muitas políticas que o Estado não faz cumprir, permitindo que os alunos e as famílias sejam defraudadas".

PRODUTOS NATURAIS: LOBOS NA PELE DE CORDEIROS?

VERA PINTO
“É natural não faz mal!”, “ Se não faz bem, também não faz mal!” são duas das expressões utilizadas para inúmeros produtos usados no campo da saúde, que na maioria das vezes não chegam à conversa no consultório médico.

Como profissional de saúde, a desvalorização que está a ser atribuída a este tipo de produtos preocupa-me, por isso resolvi partilhar a minha opinião.

Nenhum produto, seja qual for a sua origem, é isento de efeitos adversos e/ou contra-indicações. Quando nos referimos a um produto como natural estamos apenas a relembrar a sua forma de obtenção e, como tal, ele não deixa de ser um químico.

Cada pessoa apresenta características únicas desde patologias, alergias, intolerâncias, etc. que condicionam a escolha de determinado tratamento. Desta forma, para conseguirmos ganhos em saúde a terapêutica deve respeitar essas mesmas particularidades.

Enquanto farmacêutica, o apelo que faço é não menosprezem todos os tipos de produtos que estejam a usar, sejam eles naturais, suplementos alimentares, dispositivos médicos, medicamentos, chás, etc.; critiquem e não se deixem convencer pelas diversas campanhas publicitárias e procurem aconselhamento médico e/ou farmacêutico antes de iniciar qualquer tratamento.



HEPATITE

MARIA DO CÉU OLIVEIRA
Hepatite é um termo que significa inflamação do fígado e pode ocorrer em pessoas de ambos os sexos de todas as idades e etnias.

Existem várias causas para a hepatite:

· Vírus

· Excesso no consumo de álcool.

· Medicamentos e drogas.

· Doenças autoimunes


Hepatites Virais:

São cinco as hepatites virais: A, B, C, D e E, sendo que as três primeiras ocorrem com mais frequência.

· Hepatite A

Altamente contagiosa, a sua transmissão é do tipo fecal - oral, ocorrendo contaminação direta de pessoa para pessoa ou através do contacto com alimentos e água contaminados. É mais comum onde as condições sanitárias são precárias.

Uma vez infetada a pessoa desenvolve imunidade permanente. Os sintomas são de início súbito, com febre baixa, fadiga, mal-estar, perda do apetite, sensação de desconforto no abdómen, náuseas, vômitos e diarreia.

A hepatite A costuma ser menos grave que a B ou a C. Quando contraída em criança, pode passar despercebida. Nos adultos costuma ser mais sintomática. Pode ser prevenida pela higiene e melhorias das condições sanitárias, bem como pela vacinação

· Hepatite B

Transmitida através de sangue, agulhas e materiais cortantes contaminados, bem como através das relações sexuais. É considerada uma doença sexualmente transmissível. Pode passar também de mãe para filho no momento do parto.

A hepatite B pode cronificar e provocar cirrose, falência e cancro hepático. A prevenção é feita utilizando preservativos nas relações sexuais e evitando materiais cortantes ou agulhas que não estejam devidamente esterilizadas. Existe vacina para hepatite B, que é dada em três doses intramusculares.

· Hepatite C

Apresenta as mesmas vias de transmissão que a hepatite B. Pode provocar neoplasia maligna do fígado se evoluir para um estado crónico.

A prevenção é feita evitando-se o uso de materiais cortantes ou agulhas que não estejam devidamente esterilizadas. Recomenda-se o uso de descartáveis.

Não existe vacina para a hepatite C pelo que é considerada como um problema de saúde pública, e das maiores causas de transplante hepático.

· Hepatite D

Geralmente encontrado em pacientes portadores do vírus HIV, está mais relacionado à cronificação da hepatite e também ao hepatocarcinoma.

· Hepatite E

Transmitida através do contato com alimentos e água contaminados. Os sintomas são de início súbito, com febre baixa, fadiga, mal-estar, perda do apetite, sensação de desconforto no abdómem, náuseas e vômitos.

Pode ser prevenida através de medidas de higiene, devendo ser evitado ingerir alimentos e bebidas de origem duvidosa.

Hepatite Alcoólica

O álcool é reconhecidamente uma droga hepatotóxica. A hepatite alcoólica é uma síndrome associada ao consumo prolongado e excessivo de álcool. Como toda hepatite crônica, também pode evoluir para cirrose e falência hepática.
Hepatite Autoimune

Este tipo de hepatite surge devido a um mau funcionamento do nosso sistema de defesa que deveria atacar somente vírus, bactérias e outros invasores, mas que, inapropriadamente começa atacar também as células do fígado.

Se não for tratado a tempo, a hepatite autoimune leva a um quadro de hepatite crônica que progride com cirrose e falência hepática.

Hepatite Por Drogas

O fígado é um dos principais órgãos responsáveis pelo metabolismo e excreção de medicamentos e produtos tóxicos, podendo ser danificado por eles nesse processo.
Existe um grande número de drogas que são hepatotóxicas, podendo causar a hepatite.

Também pode ocorrer inflamação do fígado secundário ao uso de alguns medicamentos.

Esta situação pode ocorrer também com “medicamentos naturais”, utilizados inapropriadamente, que muitas vezes não apresentam os benefícios alegados e ainda podem levar a lesões hepáticas graves.

As Hepatites virais podem ser agudas ou crónicas, sendo que parte das Hepatites agudas, curam-se. No entanto, algumas podem evoluir para Hepatite crónica. Chama-se crónica à Hepatite que não cura ao fim de 6 meses. Esta pode dar origem a cirrose e, mais raramente, a cancro do fígado.

Quando o risco é grande, a aposta na prevenção passa a ter mais importância.

Face a uma suspeita deve-se ter sempre em conta as medidas preventivas.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

CONDIÇÕES DE ÊXITO DA SEMENTEIRA

JOÃO PAULO PACHECO
O êxito de uma sementeira depende de três grupos de factores ligados à própria semente, ao meio e às práticas utilizadas.

As sementes não deverão estar ainda em letargia, devem estar sãs, ser jovens, puras e possuir um bom valor de cultivo (faculdade germinativa e pureza específica).

No respeitante ao meio teremos que ter o substrato indicado (deve ter grande capacidade de retenção de água e volume constante independentemente do seu grau de humidade), a temperatura próxima do óptimo germinativo e a humidade ideal. No que concerne à temperatura deveremos distinguir a do solo e a do ar. A humidade relativa do ar também é um factor com interesse, devendo ser sempre elevada mas inferior à saturação o que poderia acarretar problemas fitossanitários. A humidade do substrato também deverá ser elevada sem contudo ser exagerada o que poderia acarretar problemas de asfixia radicular e desenvolvimento de microorganismos indesejáveis. A luz poderá ser importante, embora na maioria das espécies a germinação da semente não careça de qualquer valor em especial. Após a germinação convém manter bons níveis de iluminação para evitar o estiolamento das jovens plantas.

No que respeita às condições práticas, temos que ter em conta o tipo de sementeira, a profundidade de colocação das sementes e a granulometria do substrato. As regas deverão ser de pouca dotação e muito frequentes, por aspersão ou nebulização, por forma a manter as condições de humidade tão constantes quanto possível. Por vezes utilizam-se fungicidas na água de rega o que permite uma maior garantia de êxito, devendo existir um grande cuidado na escolha do produto já que alguns fungicidas podem ser inibidores da germinação. No tocante à profundidade da sementeira poderemos ter como regra geral que a profundidade deverá ser de cerca de três a quatro vezes o diâmetro da semente, com algumas excepções.

Na moderna horticultura é comum entregar a preparação das plantas, desde a sua sementeira até ao momento adequado ao transplante, a empresas especializadas, pois não é barato criar as condições ideais para esse efeito, sendo compensador ter um viveirista especializado e da nossa inteira confiança a quem entregamos esse serviço, diminuindo assim os riscos de perdas, tendo a garantia que as plântulas nos são entregues no momento exacto em que as pretendemos e nas condições ideais de homogeneidade e qualidade, sendo o nosso fornecedor responsável para que as coisas corram da forma que desejamos. Por outro lado, isto permite ao horticultor ter menos um problema complicado em que pensar. As sementes poderão ser adquiridas pelo próprio e entregues ao viveirista para produzir as plantas ou, caso mais comum, fornecidas pelo próprio viveirista que, fruto das quantidades com que trabalha, consegue preços unitários mais baixos. A primeira situação poderá ser mais utilizada quando tratamos de sementes regionais, não fornecidas por grandes empresas e com características regionais bem marcadas.

Nota muito importante: Se utilizarmos plantas híbridas, como são a maioria das sementes certificadas à venda no mercado profissional, nunca deveremos aproveitar as sementes por elas produzidas para multiplicação, pois iremos “escangalhar” todo o emparelhamento genético do híbrido, obtendo uma descendência completamente heterogénea e de características agronómicas maioritariamente indesejáveis.


Transplante de alface preparada em viveiro especializado (Navais, Póvoa de Varzim)


JOGO, O ESPELHO DO TREINO

ANDRÉ QUEIRÓS
Como disse um dia Charlie Chaplin: “O espelho é o meu melhor amigo, quando eu choro, ele nunca se ri!”, e esta frase pode facilmente ser aplicada a uma equipa de futebol e ao seu processo de treino. Muitas vezes assistimos a jogos de futebol na televisão e reparámos no treinador de uma equipa zangado, por vezes completamente revoltado com um ou mais dos seus jogadores por alguma ação que eles tenham feito que não tenha sido do seu agrado. Ações como estas são normalmente denominadas por “excesso de comunicação”, sendo muitas vezes uma “descarga emocional” em vez de uma intervenção pedagógica que visa a melhoria da performance do atleta no jogo.

Quando isto acontece com muita frequência durante um jogo, ou vários jogos, o treinador deve fazer uma auto análise e perceber se contemplou no processo de treino aquele ou aqueles comportamentos que queria que os seus jogadores tivessem naquele momento. Algumas vezes assistimos a situações em que o treinador culpa os seus jogadores por falharem oportunidades de golo isolados por exemplo (como se fosse fácil!!) mas quantas vezes durante o processo de treino eles foram sujeitos a situações de finalização 1x1 ou 1x0 para melhorarem aquela ação, naquele contexto específico? Tenho observado que quanto maior é a experiência dos treinadores (aqueles que são alvo do meu estudo e atenção) menor é a ocorrência destes comportamentos visto que eles conseguem antecipar com maior facilidade aquilo que se vai passar no jogo e assim operacionalizar o treino de uma forma muito mais similar ao que o jogo lhes vai proporcionar.

Na projeção da semana de trabalho o treinador deve ter em conta um punhado de conteúdos que vai priorizar durante aquele período, porquê? Porque ele é capaz de antever que esses conteúdos vão ser fator chave para que os seus jogadores consigam ter sucesso naquele determinado jogo. Conteúdos esses que vão ser novos para a equipa? De maneira nenhuma! Eles fazem parte daquilo que é a “ideia de jogo” implementada e devem ser alvo de especial atenção pois vão acontecer com maior frequência e a equipa tem que estar preparada para lhes fazer face. 

No entanto, para que tudo o que foi atrás mencionado aconteça será muito importante que a equipa técnica durante o planeamento da semana de trabalho respeite o Princípio das Propensões, que consiste na criação de exercícios de treino que contemplem um grande número de vezes o que queremos que os nossos jogadores vivenciem e adquiram a todos os níveis. Graças a este princípio será conseguida a repetição sistemática de diversas interacções específicas do nosso jogar, tanto Tácticas, como Técnicas, Físicas e Psicológicas, criando o contexto (exercício) que vai proporcionar o aparecimento de determinados comportamentos, e não o contrário!


L’ENSEIGNEMENT DU FRANÇAIS AU PORTUGAL

ANUNCIADA CARAMELO
Jusqu’à cette année la coordination de l'enseignement du portugais en France , disposait de 86 enseignants employés par L’Institut Camões qui enseignait la langue portugaise et la culture dans environ 423 écoles , pour un total de près de 15.000 étudiants . Le 19 juillet la France et le Portugal ont signé la Déclaration conjointe sur l'éducation portugais et français. 

Les ministres de l'Education de la France et du Portugal, Najat Vallaud-Belkacem et Tiago Rodrigues Brandão, ainsi que le Ministre des Affaires étrangères de la République portugaise, ont signé à Paris, une politique «Déclaration», pour renforcer la coopération bilatérale dans le domaine de la langue.

Ayant comme base l'expérience du dispositif Enseignement Langues Cultures D’Origine (ELCO) , le nouveau dispositif d’Enseignements Internationaux de Langues Etrangères (EILE) bénéficiera d’un encadrement, d’un accompagnement et d’une coordination, tant du point de vue des programmes et enseignants, comme du point de vue pedagogique. 

Ce pas est d’une grande importance car il vient renforcer le rôle du Portugais comme langue étrangère vivante dans le système éducatif français , mais le Portugal s’engage également à développer l’enseignement du français deuxième langue étrangère dans le système éducatif portugais.
Pendant beaucoup d’années les élèves portugais pouvaient choisir, en 7ème ( 5ème année), étudier le français ou une autre matière comme éducation technologique. Les dernières 15 années en 7ème ( 5ème), 8ème ( 4ème) et 9ème ( 3ème), dans quelques écoles, les élèves choisissaient l’espagnol ou le français, donnant priorité à l’anglais comme langue étrangère. Beaucoup de ces élèves arriven 12ème année, terminale, où à la fin de la faculté, et ils se rendent compte que la langue française leur ouvre les portes pour aller travailler dans les pays francophones, leur donne accès à des stages, comme l’Eramus , accès aux grandes organisations europèennes et enterprises. 

Autrefois pour avoir une bonne formation academique il fallait étudier la philosophie, le latin, les mathématiques, le français, jouer un ou deux instruments, les grands auteurs de l’antiquité, entre autres.

Il me semble que nous vivons dans une société, de consommation immédiate et instantanée , dans laquelle tout sert l' immédiat et si autrefois les matières édifiaient la culture générale de chaque élève, aujourd’hui , souvent , les sujets et matières étudiés ne servent qu’à atteindre un objetif.

Quand il s’agit de l’apprentissage des langues il paraît qu’il ne reste aucun doute quant à son importance et quant au rôle que chacune joue dans les différentes époques et sociétés. Au Portugal , par exemple, l’espagnol est devenue une langue très importante pour tous ceux qui veulent étudier médecine en Espagne, l’anglais est la langue universelle, le mandarin a commencé à être important avec les affaires en Asie, l'importance de l'allemand est réapparue avec le départ de nombreux ingénieurs en Allemagne à la recherche d’un emploi et on s’interroge pourquoi les programmes du Ministère de L’Education Portugaise comprennent si peu d'heures. de français.

La signature de cette Déclaration conjointe sur l'éducation du portugais et du français vient, peut-être, nous rappeler que nous avons beaucoup de portugais qui travaillent en France et ( d’autres pays francophones) que beaucoup d’entre eux veulent que leurs enfants et petits-enfants apprenent la langue de Camões, cependant il me semble qu’il est urgent que les programmes portugais renforcent le número d’heures d’enseignement du français.

A GRANDEZA AMESQUINHADA

REGINA SARDOEIRA
Passei algum tempo da tarde do último sábado numa esplanada no Largo Conselheiro António Cândido (ou Arquinho) e essa permanência levou-me a confirmar a impressão, já experimentada noutras passagens, mais breves: o último e muito demorado arranjo desta praça da cidade de Amarante é confrangedor. E feio. 

Durante a minha vida amarantina, ou seja desde os meados da década de 80, assisti a duas transformações do espaço. Quando, primeiro, por lá passava, havia bancos de madeira pintados de vermelho, de um lado e do outro, a estátua do Conselheiro, que lhe dá o nome, erguia-se, altaneira, num dos extremos, com a mão erguida voltada para o Marão e, pelo menos uma árvore - um "chorão" - criava um halo de sombra a quem desejava por ali a descansar um pouco. 


Mais tarde, nasceram umas obras monumentais; e uma construção em pedra, demasiado elevada, pois quem estivesse do lado direito da praça, por exemplo, não conseguiria ver nada para o lado oposto, começou a erguer-se, criando desníveis e ornamentos arquitectónicos decerto desmesurados. A grande árvore resistiu e a estátua do Conselheiro permaneceu aí, no seu lugar de sempre (creio eu). 

A seguir, umas obras de fundo, destruíram o monumento arquitectónico erguido no largo, as pedras - em grande número! - desapareceram, um grande fosso foi cavado e permaneceu aberto alguns anos, descobriu-se o arquinho medieval que terá dado, primeiro, o nome ao sítio. Todos aguardávamos que, por fim, o Largo Conselheiro António Cândido traria a esta entrada de Amarante alguma da dignidade perdida em múltiplas alterações. E, um dia, a estátua do Conselheiro regressou do exílio, foi restituída ao espaço; mas, em lugar de se erguer, altiva e elevada, ao fundo, voltada para o Marão, ficou à frente, quase rente ao chão, com o braço levantado ainda, mas não abrangendo, em altura, mais do que as escadas do Edifício Navarras! 

O arquinho medieval ficou escondido, debaixo de um gradeamento metálico, o chorão desapareceu e em seu lugar construíram um pequeno habitáculo de vidro e cimento destinado a informação turística. Se por acaso alguém quiser sentar-se ali não tem sombra, não tem bancos...e terá vontade? 

A minha permanência no espaço fez-me reflectir no modo como, querendo mudar, querendo "requalificar" (eis uma palavra cujo significado ainda não entendi, no que diz respeito ao urbanismo), querendo mostrar que é possível fazer melhor, destruindo o que estava feito, se vai tornando o mundo cada vez mais feio. 


Olhar o Largo do Arquinho fez-me evocar a Avenida dos Aliados, no Porto, transformada, por um arquitecto de valor reconhecido, num deserto estéril de cimento. Dantes, havia ali um magnifico e úbere jardim. 

A minha questão é apenas esta: que vai acontecendo aos homens e ao seu mundo? Que paira nas circunvoluções dos cérebros de quem projecta e valida estas aberrações? O que se passa connosco, que nada fazemos para devolver ao nosso ambiente a sua legitima feição? 

Custa-me, cada vez mais, viajar por cidades, vilas e aldeias deste país e deparar com a descaracterização absoluta, pois, vemos os castelos, é verdade, mas no sopé da colina onde se erguem, avulta a fealdade (veja-se, por exemplo, o Castelo de Leiria); vemos monumentos de valor incomensurável e de beleza extraordinária; e ao lado, quase a esbarrar com a jóia histórica, uma estrada nacional e um arsenal de lojas mesquinhas de recordações e esplanadas e restaurantes... (veja-se o Mosteiro da Batalha); vai-se até um santuário, onde o sagrado deveria pontificar, mas, rodeando-o por completo, o comércio e a indústria agigantam-se, estendendo os tentáculos hiantes (veja-se o Santuário de Fátima). 


O fenómeno ergue-se à escala global. A Grande Muralha da China está, por norma, tão atafulhada de gente que se amesquinhou; em torno das Pirâmides de Gizé aglomeram-se tais multidões que já não nos cremos no deserto. Os canais de Veneza regurgitam de barcos estridentes e velozes, a ultrapassar gôndolas e barqueiros tornados obsoletos. 

Já não temos para onde fugir se acaso quisermos mergulhar, por inteiro, na grandeza ou prestar culto à harmonia: tudo se banalizou. E a sublimidade que resiste, vinda de outras eras, em que o homem se transmutou em semi-deus e construiu mundos admiráveis foi afogada na pequenez dos pequenos negócios a ponto de também se reduzir.

JOVENS DESTRUÍDOS

HERMÍNIA MENDES
A perda é um sentimento muito difícil de compreender e apreender.

Não estamos preparados para perder o que queremos muito, o que nos faz viver e respirar. Passamos pela fase da negação em ver e acreditar, como se cada dia e noite não fossem mais do que um sonho torturador e daqui saltamos para a revolta. Para a luta interior com a injustiça que vemos na vida, no ser, na criação. Tudo é posto em causa. Tememos pensar em, mas sentimos abaladas todas as nossas crenças e dogmas. E a revolta aumenta na medida em que esta fraqueza nos entristece. Este “estremecer” das bases do fio condutor em que fomos criados e educados. O tempo vai apagando e aclarando este horizonte turvo e sinuoso, mas nunca deixarei de ter para comigo que saber lidar com a perda “como gente” é só para os fortes. Aqueles que ventos e tempestades não derrubam, nem assustam. Os que mantém a firmeza de razão e espírito negado a outros. Eu, infelizmente, estou nestes outros. Quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, eu tinha sido mãe há muito pouco tempo. Passava e ultrapassava a fase em que tudo me fazia chorar e cair numa tristeza imensa.

Recordo o terror das notícias e das imagens daquela noite, mas jamais consegui esquecer o facto de passados uns dias, penso eu, ter sido encontrado o corpo de uma jovem mãe agarrada ao filho bébé. Nem o medo, o desespero e a força da corrente daquele rio, abriram os braços daquela mãe. Ela nunca perdeu o filho. Lutou contra a perda para além da morte.

Durante anos recordei este facto de quando em vez, mas com a tragédia em Itália revivi esta notícia. É humanamente impossível ficar indiferente a tanta perda. A perda dos afectos e dos lugares de uma vida. Aos sobreviventes nada restou. Perderam a família, os amigos, as casas, os objectos, todos os locais que lhes poderiam trazer algum apoio e recordação. 

Não ficaram imagens, lugares ou cheiros comuns. Nada lhes resta.

E mais uma vez me vem à cabeça a descrição da imagem da irmã mais velha que sob os escombros e com o corpo, protege a pequenina e a deixa viver. A vontade desta criança vai muito para além da luta com a natureza em fúria e vence-a. A imensidão da força e do amor…

Enquanto estes seres humanos com uma vontade e força inimagináveis, lutam pela vida, ouvimos as notícias de outros que matam e agridem, bárbara e gratuitamente. 

O motivo mais ou menos fútil, leva jovens a espancar quase até à morte.

Quando nuns casos a existência humana é de tal forma preciosa que se preserva até com a própria vida, noutros parece que nada existe para além do “eu” egoísta, feroz, sem meios nem fins. Ou melhor, do “eu” cego e amoral que não olha a meios e se conforma com todos os possíveis fins.

O verdadeiramente trágico e temerário é o facto de em pouco mais de uma semana, ter havido duas agressões semelhantes, com jovens sensivelmente da mesma idade e ambas terem produzido resultados devastadores. O que motiva atitudes com estes requintes de malvadez e violência?

A criminalidade violenta sempre existiu e é impossível de erradicar. A mente humana atinge estádios de verdadeiro regresso ao estado selvagem mais puro. Mas trata-se de jovens, vidas que mal começaram, personalidades em formação e completamente alheias à consequência dos seus actos.

Não quero acreditar que estes seres não tenham a consciência e a dor da perda, que não amem a si e ao próximo o suficiente para preservar a vida. Mas o facto é que parece haver casos em que se estabelece um alter-ego colectivo, que não vê nada para além da sua vontade.

E radicaliza-se um medo e insegurança generalizados. Os pais temem pelos filhos, a sociedade passa a viver obcecada com o recurso á violência na solução das contrariedades e problemas.

É muito difícil imaginar que enquanto que uns lutam e se revoltam contra a morte, contra a perda, outros a vejam somente como um efeito potencialmente previsível da vivência humana.

O homem é um ser muito complexo, de desígnios imprevisíveis. Numa mesma sociedade formam-se, lado a lado, personalidades perfeitamente conformadas com o respeito pela vida e integridade física e moral do próximo e outras para quem não existe qualquer um destes valores. 

Enquanto uns lutam por si e pelos seus para além da morte, outros desprezam o valor da vida humana e vagueiam no meio do lodo , do ódio, da irracionalidade. Não podemos lançar mão da desculpabilidade com a exclusão ou marginalização sociais. Em muitos dos casos não existe motivo, só um lamentável “sentimento” de impunidade ou indiferença com o possível resultado da acção.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

«A POESIA E AS “VOZES DO MEU PENSAMENTO”»

ISABEL ROSETE
Reunimo-nos, por vezes, para celebrar a Poesia: aquando do lançamento de um livro da nossa autoria; aquando da homenagem a um Poeta, vivo ou morto, que merece o nosso louvor, em tertúlias de exaltação da Poesia e do Poema. Em qualquer dos casos, sempre que um Poeta fala – quer por ele próprio, quer nós por ele - é a sua obra que nos é dada a conhecer, é a Poesia e a sua poesia que se torna a protagonista do palco onde a recitamos, ouvimos e expomos. Afinal, a obra permanece para além do seu autor e, neste sentido, ultrapassa-o, mesmo que ninguém a volte a ler.

A obra clama pela eternidade contrastante com a efemeridade física da pena que a lavrou em sementes de Vida, em modos de serenidade ou de revolta. É por esta via, a do protesto, a da luta do tempo com o Tempo, que se imortaliza o nome do punho que a ergueu, porque nela deixou o seu sangue, o seu Espírito impregnado em cada palavra dita e não-dita, a sua Identidade irredutível, nunca substituível por nenhum outro, mesmo que o poeta não saiba o que, sobre si mesmo, dizem os seus versos.

O tempo do Poeta, sempre o nosso tempo e um tempo-outro, é o da Sociedade em que está inserido, é o da Cultura/Educação que a move ou desvirtua; é o tempo recente e presente que não se perde na vertiginosa passagem dos séculos que lhe sucederam e lhe sucederão. O tempo do poeta é o Hoje que, do outrora, se projecta num futuro a esboçar, pois é à visão do seu quotidiano, igualmente o nosso, que vai buscar a inspiração facilitadora da conquista e da atenção dos seus ouvintes, dos seus leitores: é a Poesia que fala nele e em nós, e não nós que falamos por ela; é a Poesia que nos interpela, e não nós que a interpelamos. O testemunho de Jorge de Sena torna esta minha tese ainda mais clara e evidente, quando afirma na obra «De Pedra Filosofal», no poema “Para o aniversário do poeta”:


“Não passam, Poeta, os anos sobre ti,

Embora sejas mais mortal que os mais;

No tempo, viverás longe daqui,

No espaço, apenas deixarás sinais.



E quando, pelos campos silenciosos,

Lá te encontrarás nas ondas dos trigais,

Repara como fogem receosos,

Para o poente, os ventos luminosos –

Antes que os homens nasçam teus iguais.”


A Poesia não é, apenas, “cousa” de Hoje, não se arquitectou, assim de repente, num rasgo acto extra-ordinário da imaginação criadora. A Poesia não é pura vagabundagem do Espírito que se aventura nas façanhas da escrita. A Poesia não é o soltar aleatório das amarras de uma qualquer mente em estado de efervescência alucinatória. A Poesia é “cousa” de ontem (e de sempre), anterior ao que conotamos de pensamento racional ocidental, nascido nas franjas da civilização grega inicial, da qual perdemos - pela tecnização e pela terrível massificação do mundo das palavras - a sua função primacial: a intenção/missão didáctica dos primeiros educadores helénicos, os Poetas. Entre eles devemos destacar HOMERO, em cujos poemas/narrativas poéticas-épicas se encontra um ideal de Vida e de Cultura, segundo uma determinada hierarquização de valores, a qual não é jamais anacrónica, desactualizada, na sua essência e fundamentação, nos seus intentos e determinações.

Tal como Homero fora o educador da Grécia - palco do que somos e não somos hoje, mostrando ao seu Povo a indesmentível circunstância do seu ser historicamente situado num espaço e num tempo próprios, que não se esgotaram no momento do seu acontecer - os nossos Poetas foram, são, os verdadeiros educadores do nosso Povo, transmitindo a sua essência, a sua Alma-Pátria, apresentando os seus desígnios, o já cumprindo como exemplificação dessa essência, o que ainda há para cumprir e urge que seja realizado no seu devido momento, que não pode ser adiado, sob pena da desestruturação desse mesmo Povo e da sua Nação. Os Poetas (e o que é dito sobre os Poetas é, igualmente, válido para os Filósofos) são Educadores no sentido mais lato do termo Educação, ou seja: a formação global do homem enquanto homem e do homem enquanto pessoa-cidadão com os seus naturais direitos e deveres cívicos. Os Poetas ensinam, instruem, formam e enformam a matéria bruta que somos, ao registarem, pelas palavras-de-origem, o percurso existencial que realizámos e vamos edificando como Povo histórico.

Os Poetas são relatores e mensageiros. Também profetas, visionários de um tempo que há-de vir, perfilhando, no Presente, os autênticos caminhos a seguir no Futuro, mais próximo ou mais longínquo, em prol do progresso-progressista do seu Povo enquanto Nação com Identidade própria (contra a des-identificação provocada pela globalização, diríamos hoje e agora).

E se o Poema “é a voz de toda a gente, todos eles, que, /não se tendo ouvido, não a sabem sua” (como afirma Jorge de Sena em «De Post-Scriptum»), a Voz do Poeta é a voz historial do chamado da sua geração e das gerações vindouras que, farão do Futuro, o Passado do que as outras foram ou não foram, elevando as suas virtudes e corrigindo os seus erros. Afinal, tal como os Filósofos, os Poetas não crescem como cogumelos. São frutos da sua época, do seu povo, cujos humores mais subtis, mais preciosos, correm nas suas ideias, sempre predispostas a colocarem-se em acto vivo.

O Poeta perscruta as reentrâncias de todas as coisas na sua evolução, extraindo os véus, as máscaras que as envolvem e escondem o seu verdadeiro viso, por vezes, camuflado em outros visos que já não são os seus. Vê o “claramente visto” e afirma-o do mesmo modo, quer dizer, sem dúvidas, sem hesitações, com a firme convicção do dito e do feito, transportando a Verdade em si. O olho do poeta enxerga por dentro. Também assim são os seus ouvidos, naturalmente capazes de escutar os ultra-sons de uma forma inigualável, naturalmente capazes de escutar todos os sons que ouvimos e não ouvimos. A sua escuta, tal como a sua visão, é atenta, perspicaz, íntima, estando sempre dentro e fora dos acontecimentos, dos factos, do real e do possível, o que lhe permite uma espécie de visão e de audição dupla, mergulhada nas entranhas do Ser. O mesmo se passa com todos os seus outros sentidos – o olfacto, o tacto, o gosto – holisticamente interseccionados. Nada lhe escapa, contrariamente a nós, que somos entes de mentes bicéfalas, sempre distraídos com que nos parece ser.

Ouvir a Voz dos Poetas significa aprender, crescer, sobretudo qualitativamente, aceder aos mais altos e ilustres corredores do saber. Cabe-nos, então, perguntar de consciência lúcida:



1. De que estamos á espera para escutarmos a Voz dos Poetas?

2. De continuarmos no marasmo da ignorância que não é douta?

3. De nos afundarmos ainda mais no já afundado mundo em que vivemos?

4. Será que ainda não nos apercebemos de que há um 5º ou um 6º Império que urge realizar já no seio do caos existencial em que vivemos, material e espiritualmente, nestes tempos de infortúnio, a que simplesmente chamamos crise, pelo vazio das palavras que todos os dias nos chegam através dos discursos demagógicos, ocos de conteúdo, em virtude da ausência de conceitos e de projectos autênticos que nos movam à realização das acções, de facto, necessárias?


Se sou ou não Poeta, quem sabe que o diga! Porém, tomo como minha esta missão dos Poetas, com toda a humildade e honestidade intelectual que me caracterizam, recusando-me a calar a minha Voz sempre que a tenho de erguer; recusando-me à postura do negativo silêncio enquanto forma de cobardia, de comodismo ou de hipocrisia, emerso em qualquer solar obscuro de estátuas amputadas. Assim faço ecoar, por todo o lado aonde a minha voz chega, as minhas palavras, apresentando-as sobre a forma da minha poesia filosófica que diz, em plena transparência, o meu pensamento. Por isso, organizo e realizo as sessões de lançamento das minhas próprias obras e das muitos outros, com cujas ideias estou em sintonia, seguindo o genuíno intuito de partilhar com os meus pares/ímpares a minha visão do mundo, em nome da Verdade do que realmente é, condenando os ignóbeis actos dos Homens e celebrando os seus nobres feitos, os quais pretendo seguir perduravelmente, apesar de todas as minhas limitações de género e de espécie.

Por último, não posso deixar de afirmar, quiçá reiteradamente, que a Poesia é absolutamente essencial à Vida e ás nossas vidas concretas e determinadas. É o seu alimento vital, o sangue vivo-fresco que corre pelo Espírito do Mundo, pela Alma dos Povos, alimentando o ciclo das gerações que se sucedem, quer na sua desventura, quer no seu estado de notabilidade, porque a Poesia:


1. Diz a Vida em todos os seus aspectos espirituais e materiais. Por isso, e como afirma Jorge de Sena, na obra “De coroa da Terra”, são “inevitáveis outros poemas novos/ sinal da nova gravidez da vida/ concebendo, alegre e aflita, mais um mundo novo,/ só perfeito e belo aos olhos de seus pais”. E a Vida, continua o Poeta, “que é prostituta ingénua,/ terá, por momentos, olhos matérias”;

2. Diz as nossas vidas, tal como elas decorrem quotidianamente, em todas as suas múltiplas vertentes, descrevendo-as, caracterizando-as nos domínios do Pensar, dos Afectos, das Emoções em Linguagem colocada em forma de Verso, referindo-se, sempre, a nós, como seres humanos reais que somos;

3. Revela as nossas aventuras, sonhos, desejos, no amor e na dor, no esquecimento e na morte, na alegria e na angústia, na satisfação e na indignidade, nos nossos encontros e des-encontros, preenchedores da nossa existência de “animais racionais”, também bi-céfalos, construtores e destruidores do mundo, da vida, à qual sempre voltamos como predadores ou como presas.

SUPLEMENTAÇÃO - SIM OU NÃO?

NUNO AREAL CARVALHO 
Este tema continua a ser um dos mais "problemáticos" e que ainda causa alguma discórdia no mundo desportivo. Por isso não vou perder tempo com demagogias. 

A resposta é, definitivamente, sim! E para isso vou-lhe dar três razões. 

Em primeiro lugar, porque a nossa alimentação diária não é suficiente. Já existem estudos em Portugal que comprovam que as pessoas que consomem suplementos alimentares, apresentam indicadores e comportamentos de saúde mais positivos do que os que não consomem.

Em segundo lugar, porque o nosso estilo de vida assim o exige. Já não conseguimos controlar a qualidade nem a quantidade de nutrientes presentes nos nossos alimentos, os solos estão cada vez mais empobrecidos. Um estudo realizado em 2002 (nem imagino este estudo em 2016) revelou que 73% dos produtos agrícolas tradicionais contém pelo menos, um pesticida.

Em terceiro lugar, porque em Portugal, por exemplo, existe uma carência de algumas vitaminas, como é o caso das vitaminas do complexo B e de vitamina C, o que nos devia "obrigar" à ingestão de multivitamÍnicos. 

Existem uma panóplia de razões para o uso de suplementação, mas quero só aqui realçar mais duas,
perda elevada de minerais pela sudação, que precisam de ser repostos e por vezes só o água não é suficiente. E necessidade extra de proteína (casos de dietas hipo ou hipercalóricas, vegetarianos e praticantes de actividades físicas intensas). 

Ok Nuno, até aqui já percebi, é importante suplementar. Mas agora a questão é, que suplementos devo usar? Essa resposta vais ter de esperar até à próxima crónica! Fica atento(a)! 


Bons treinos!

TABATÔ: BERÇO DA KORA, DO BALAFON E DOS GRIOTS

JOANA BENZINHO
No Leste da Guiné-Bissau, entre Bafatá, cidade berço de Amílcar Cabral, e Gabu, existe uma pequena Tabanca (aldeia) que transpira musicalidade por todos os seus poros e propaga sons através de todas as partículas de pó ali existentes.

Esta tabanca, Tabatô, tem a particularidade de todos os seus habitantes estarem, de uma forma ou de outra, ligados à música, sendo o mais musical dos locais que conheci até aos dias de hoje. É das mãos dos seus habitantes que sai o famoso Balafon, um instrumento idêntico ao xilofone, feito com pau sangue atado com fios coloridos sobre cabaças que lhe ampliam o som e a cana de bambu que lhe serve de base. Este instrumento é feito após 3 meses de submersão da madeira em água e afinado ao som das vozes das mulheres da aldeia, que lhes determinam com o seu tom os acordes, desde agudo ao mais grave.

Também das mãos das gentes de Tabatô nasce a famosa Kora, uma viola adaptada a uma cabaça, um instrumento tipicamente Mandinga com 21 cordas e que tem um papel de destaque em grande parte das cerimónias tradicionais deste povo.




Para além destes dois instrumentos, a musicalidade também ganha vida nas vozes, de miúdos e graúdos, de homens e de mulheres. Os habitantes de Tabatô são músicos e agricultores em simultâneo. Todos cantam, todos aprendem a tocar desde tenra idade e todos cultivam a terra.

Cheguei a Tabatô ao final da manhã, depois de duas horas e meia de viagem desde Bissau, e fui acolhida pelo chefe da aldeia, Moutaro Djabaté, que nos recebeu com um rasgado sorriso e um caloroso abraço. O objectivo era conhecer as raízes desta aldeia Mandinga, um enclave entre Fulas que ocupam grande parte do Leste da Guiné-Bissau, e que aqui resiste há vários séculos.



A disponibilidade para nos dar a conhecer a história foi imediata mas aqui, terra de Griots, há a particularidade de se contar tudo através da música, como não poderia deixar de ser. O Chefe da aldeia, um Griot por excelência, senta-se numa esteira rodeado por dois balafons, dois tambores e por toda a aldeia. Do seu lado esquerdo, o responsável por confirmar tudo o que vai contando ou por lhe chamar a atenção caso se afaste do fio condutor da história ou deturpe os factos. Do seu lado direito, a Mariama, mulher grande da aldeia que também canta e conta (como outros habitantes da aldeia), como foram as batalhas dos antepassados, as missões de paz levadas a cabo por estes verdadeiros emissários diplomáticos que são os Griots, como chegaram até aos dias de hoje.

A aldeia está toda ou quase toda ali sentada connosco, a ouvir cantar a história que é a sua e dos seus antepassados, sob a batuta dos balafons e o rufar dos tambores. Cada melodia que acompanha a voz do Griot tem um nome, um sentido, uns acordes que se envolvem numa dança entre as palavras e o som que exalam e dão corpo a este cenário de uma beleza extraordinária. 

O Griot Moutaro Djabaté, conta-nos a história por capítulos distintos e com pausas propositadas que pedem palmas. Descreve a chegada dos seus antepassados ao território que hoje é a Guiné-Bissau, as guerras e batalhas, os tratados de paz e as recompensas dadas aos respeitados griots em caso de sucesso na resolução das contendas (uma vaca oferecida por cada uma das partes do conflito) e os dias de hoje em que orgulhosamente preservam as tradições e as quais têm orgulho em nos dar a conhecer.



Tabatô tem uma casa onde mostra e preserva os instrumentos ali fabricados e mestres de Balafon e de Kora com reputação além fronteiras. Tocar estes instrumentos não é para todos. Eu que o diga pois experimentei-lhe a dificuldade. É para dedos privilegiados e iluminados, para gentes de sublime valor como aquelas que encontrei em Tabatô, que aliam com extremado amor o duro trabalho de amanhar das terras ao dedilhar das 21 cordas da Kora ou ao toque do Balafon, preservando assim com enorme orgulho a riqueza da sua musicalidade e esta tradição secular dos Griots.

ROUBA-SE, ASSIM, À MORTE, O SENTIDO QUE SE DÁ À VIDA

[O início daquele africano passamento começou no cais, numa manhã de sol agostal a cair a pique. Iria ser feito de campanhas aventurosas, mistérios indecifráveis, sofrimentos incógnitos e destinos de seguranças duvidosas, nunca contados por pudor e vontade de esquecer, tendo a embalá-lo o sacrossanto dever da defesa da pátria lusa das manigâncias e cobiças externas, em subversivos assaltos às nossas «possessões ultramarinas», como se de uma reza permanente se tratasse.

Havia os que diziam que este destino de ir para as Áfricas, em desperdício da juventude, com armas e bagagens e de alma dependurada em alvoroço, já tinha começado muito antes...] in O MURO (pg. 97) de Afonso Valente Batista.

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ALVARO GIESTA
Naquele tempo, em que a celeridade dos correios não era a que se verifica hoje, chegava uma carta a cada quinze dias. Vinda de longe. De muito longe. De tão longe, que se reunia a família toda, para a ouvir ler. Para me ouvir lê-la. Trazia no seu interior uma vida de saudade. E dava muitas vidas a estes que por cá tinhas deixado. Principalmente a minha mãe. Renovavas-lhe a vida! Roubavas assim, à morte, o sentido que a vida tem.

Tantos anos de ausência... partiste como colono, com carta de chamada. Era assim a política daquele tempo. Tinha que haver alguém que, lá longe, garantisse ao estado português que te dava o sustento se fosses incapaz de fazer pela vida. Convenhamos que nem era mal pensado...

De quinze em quinze dias, a tal carta. Cabia-me a mim lê-la. E, quantas vezes, bem contrariado o fazia. Ao lado, com o rosto seguro entre as mãos, a mãe, que a ouvia, derramada em lágrimas. Era a saudade a derramar-se em suspiros. Também não era preciso muito... qualquer coisa a fazia choramingar... às vezes erguia ambas as mãos, juntas, numa prece muda e assim as mantinha durante a minha leitura. Mas sempre, sempre, as lágrimas. Sulcavam-lhe as rugas que já se lhe iam afirmando no rosto. Nem à tua chegada, naqueles envelopes fechados aureolados a verde e vermelho, elas se desvaneciam, que fosse, por segundos. Parece que até se lhe acentuavam mais. Talvez por tanta ausência. Quiçá, pela responsabilidade que lhe deixaste sobre os ombros... guardar dois filhos, o mais velho com pouco mais de quatro anos de idade, criá-los e gerir largas propriedades de olivais, amendoais e vinhas.

Pedia-me que lha lesse duas e três vezes seguidas, fazendo-me parar no tempo da tua escrita e voltar atrás, para te repetir, como se as palavras, a guardar na memória, fosses tu, nela, duplamente presente; eis a razão porque detestava ler as tuas cartas. Ao lado, a avó, a mãe dela, num silêncio mudo, que o mesmo há muito lhe fizera secar as lágrimas, recordava amargamente aquele que há mais de três décadas partira para o Brasil e que já há quase trinta anos deixara de verter letra, em magra folha de papel, a dar conta de si e do filho mais velho que, com apenas dez anos de idade, mal fizera a quarta classe, lhe roubara mandando-o ir ter com ele a terras de Vera Cruz na busca de melhor sorte. Negava-se, até, a ouvir falar dele. Sobre ela, velhinha corcunda numa cifose que a obrigava a dobrar o corpo quase em ângulo recto a que os duros trabalhos do campo se encarregaram de acentuar, também a responsabilidade de criar cinco filhos menores e desipotecar as propriedades hipotecadas por gorda dívida naquela ida cega do meu avô para o outro lado do Atlântico.

Na minha rebeldia, e para acelerar o incómodo processo de leitura, que a brincadeira lá fora, na rua, me chamava com impertinência, saltava, de onde em onde, uma ou duas linhas. Roubava assim à escrita o sentido que lhe dava a leitura. Mas ela, a mãe, que nunca pusera os pés na escola, que no tempo dela não havia na aldeia e o pouco que sabia lhe fora ensinado pela irmã mais velha a única afortunada, entre os rapazes, a fazer a terceira classe na freguesia percorrendo todos os dias cerca de dezasseis quilómetros nos dois sentidos, deduzia perfeitamente que a estava a enganar:

"Repete lá... o que lês não faz sentido".

Depois, entre arrenegada e ansiosa, arrancava-me a carta das mãos, aproximava-a dos olhos que vertiam lágrimas teimosas sobre a tinta. Ficava a tua escrita, meu pai, toda esborratada.

"Onde é que ias?... ", e tentava decifrar o que ficava sob o borrão que as lágrimas desenhavam.

Do pouco que aprendera com a irmã mais velha, soletrava aquilo que lhe pareciam as letras certas por entre o enublado dos olhos... e eu, apressado para ir para a brincadeira, inventava palavras onde nem sequer as havia. Teimosamente, tentava recordar, das letras que aprendera à sua custa, como se juntavam e formavam as palavras. Depois, num esforço inaudito, reconstruía a frase.

"Vês?... o que o pai escreveu foi isto e não o que tu inventaste."

E lá chovia a tal bofetada, advertência que conhecia para me castigar pela maldade. Naquelas cartas prendiam-me a atenção os selos que traziam. Naquele tempo ainda se faziam selos de qualidade... hoje já não; os selos são substituídos por carimbos ou impressões coladas sobre o envelope! Selos com animais esquisitos que anos mais tarde aprendi a conhecer. E, até, com alguns deles a conviver. Cruzei-me com eles pelas matas daquela que foi a terra que mais me prendeu o coração: Angola. Aquela pátria do coração e da memória onde criei raízes e as enterrei, também, sob a laje fria duma campa. Prendia-me a atenção, particularmente, aquele animal bojudo, com dois chifres por cima do focinho. O temível e respeitável rinoceronte.

Uma vez, pelos anos setenta, senti-me tão perto da morte que um me moveu nas matas do leste de Angola! Apressava-me a encher o meu cantil de água um pouco acima do local pantanoso onde três animais se esponjavam. Achei-os inofensivos naquele seu ar bonacheirão. Principalmente aquele filhote que veio até mim farejar-me. Embevecido com a figura do animal, nem me apercebi da tentativa de ataque que a fêmea, ciosa da sua cria, me moveu. Um grito do carregador «rino, furriel!», alertou-me para o perigo que corria. Que fazer? Nada! O sangue gelou-se-me nas veias. Fiquei estático, estarrecido de medo, enquanto o negro se esfumava, primeiro pelo trilho, depois por entre o rendilhado das bissapas. Os soldados da secção que comandava deixavam estampar no rosto o medo e o respeito pelo animal em fúria. De cócoras, como estava, fiquei pregado ao chão.

O cabo Dias, a minha alma protectora, que já enchera o seu cantil de água, meteu a G3 à cara e apontou à espádua esquerda do animal. De repente, a cria deu meia volta e abandonou o local na direcção oposta numa louca correria. Os progenitores seguiram-na e infiltraram-se no mar de capim a perder de vista, para lá da extensa savana que se perdia no horizonte rumo ao caudal do Cuango, onde mergulharam.

Ao escrever estas linhas recordo-me de tantas cenas parecidas com esta, que tu me contavas, meu pai. Do tempo em que os transportes eram raros e tu corrias esse país, de lés a lés, no cumprimento do teu dever para com a Missão Geográfica de Angola. Das noites passadas por turnos, em redor da fogueira acesa, quando tinhas de acampar durante a noite e eras acossado pelas investidas do rei da selva. Revezavas-te, com os três homens da campanha que te acompanhavam durante os seis meses de ausência de qualquer vestígio de civilização, para permitir que o engenheiro repousasse durante a noite, para estar fresquinho para a azáfama do dia seguinte. Assim lias, no longínquo azul, o destino dos dias... e eu, hoje nessa recordação, peço-te:

desata as estrelas do céu,
copia-as uma a uma
e vem colá-las nesta árvore do meu quintal...

mas como podes tu colar a luz das estrelas
na árvore do meu quintal
se eu não tenho quintal,

e se as estrelas que tenho por aí plantadas
são as tuas árvores também?

deixa as estrelas longínquas brilharem
no seu pedestal,
contenta-te com os pássaros
que tens aqui ao alcance da tua mão

abre-lhes o coração expiável
e deixa-o pulsar, baixinho
tactear os espaços verdes sem garras
nem gatilhos
nem invejas, nem cegueiras

deixa-o alimentar de sonhos
como os meninos negros se alimentam
no seu sítio à volta das figueiras

desata, depois
as minhas mãos das tuas mãos
e deixa-me voar sozinho
pela solidão dos desertos até chegar
ao cume mais alto dos céus

quero tentar se ainda vou a tempo
de encontrar Aquele de quem me perdi
na solidão da cegueira
sacrílega dos meus versos - Deus!

domingo, 28 de agosto de 2016

VII CONCURSO BIRD MAGAZINE NO FACEBOOK

VII CONCURSO BIRD NO FACEBOOK 

A sétima edição dos concursos BIRD, no facebook, tem uma particularidade, é dedicada, exclusivamente, ao nosso público leitor feminino.

Porque a queremos mimar, resolvemos tratar do seu visual. Como? Então: queremos tratar do seu cabelo, da sua maquilhagem e das suas unhas. O que acha?

A BIRD Magazine junta-se a duas empresas do concelho de Amarante, a «COSMOBEL», representada pela Sónia Costa e à «COSMÉTICOS SM», representada pela Sandra Mendes.

Desafio: Escrever uma frase onde diga por que razão merece mudar o seu visual e anexar uma foto sua, atual. Tudo deve ser remetido, por mensagem privada, para o facebook da BIRD Magazine.

O sorteio ocorrerá quando a página da BIRD, no facebook, alcancar o like 9.009. Convide amigos e, seja feliz consigo mesma. 

O HOMEM BOM

PAULO NETO
Que o mundo viva momentos de profundo desconserto é coisa, que nós humanos, não devamos estranhar.

De toda a fauna existente, o homem, o único ser racional, tem demonstrado uma incomensurável competência para a destruição, asneira, imbecilidade, corrupção, mentira, vileza, monstruosidade, ignorância, cupidez, desprezo, crueldade, ignomínia, indiferença, ambição, depravação, repressão, ódio, opressão, supressão, idiotia, dissimulação, traição, insensatez, deslealdade, maquiavelismo, desvergonha, abjecção e… etc.

É natural encontrarmos mais qualidades em alguns seres irracionais do que neste ser dotado da capacidade de pensar, logo de racionalizar e ponderar o alcance dos seus actos e atitudes.

Neste carrocel de loucura, em qualquer latitude dos 4 pontos cardinais, encontramos as multímodas consequências desta lista infinda de “predicados”.

“O homem bom”, o que quer que isso seja e signifique, é olhado de revés pela turbamulta de imbecis incensados de bestialidade. É marginalizado e é aniquilado das mais diversas formas, qual delas a mais letal. Até pela sua anulação social, profissional e humana.

Os tempos da selva, primitivos, eram de uma candura incomparável aos da hodiernidade.

Com a evolução do conhecimento deu-se um fenómeno estranhíssimo de regressão dos comportamentos e de explosão dos instintos mais vis e primários do ser.

Assistimos hoje, por toda a parte, à insanidade e brutalidade de núcleos emergentes, explosivos, ditados do poder político, poder material e radicalismo comportamental, a nível ideológico, religioso, étnico…

O mundo tornou-se num caldeirão imenso onde, a lume brando, vão cozendo todas as malevolidades da humanidade. Atingir-se-á um ponto do não retorno, em breve, de fervura tal que as comportas desta caixa de Pandora soçobrarão perante a enxurrada apocalíptica que a calda ebuliente já deixa antever.

Pessimista? Oxalá me engane….

É PREFERÍVEL MORRER VELHO NESTE PAÍS ENVELHECIDO

MOREIRA DA SILVA
Nos tempos atuais, em que a população tem vindo a diminuir, Portugal é o 3º país europeu mais envelhecido. Em Portugal, por cada 100 pessoas com idade inferior a 15 anos existem cerca de 140 pessoas com mais de 65 anos.

Segundo um Relatório da ONU – Organização das Nações Unidas, Portugal é um dos seis países que estão a envelhecer mais depressa. Em 2050 cerca de metade da população portuguesa terá mais de 60 anos.

Este é um problema demográfico, já que a diminuição no crescimento da população é originada pela redução na fertilidade e pelo aumento da esperança média de vida, causando obviamente o aumento em proporção da população idosa ao longo do tempo, que agravará a sustentabilidade do sistema de pensões e reformas, a sustentabilidade do sistema da segurança social. É um problema grave!
Não obstante, registam-se exceções, pois daqui a perto de 40 anos, o nosso planeta terá quase 10 mil milhões de pessoas, um aumento de quase dois mil milhões de pessoas.

A explicação é simples: este crescimento vai estar concentrado em países cujo nível de fertilidade é elevado, como por exemplo: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, e outros países do 3º mundo, onde a qualidade de vida é muito baixa e os sistemas de saúde não existem ou deixam muito a desejar.

Ao contrário, os países do centro e do norte da Europa têm taxas de envelhecimento muito reduzidas, mas são povos que não têm as características humanas que têm os povos do sul da Europa, como Portugal por exemplo. São povos mais frios, menos cordiais e menos amistosos. Não é por acaso que Portugal é cada vez mais um país apetecível para os estrangeiros viverem a sua velhice.

O povo português dá uma certa garantia de apoio na velhice, pois é um povo atencioso, simpático, cordial, acolhedor, amistoso, caloroso, dedicado e, acima de tudo, respeitador da idade. É preciso saber aproveitar estas características que são bem portuguesas, que estão no nosso ADN.

Para além disto tudo, que já não é pouco, provavelmente temos um dos melhores sistemas de saúde do mundo; temos excelentes Centros de Convívio, Centros de Dia, Lares, Residências; temos magníficos serviços de apoio domiciliário; temos um dos melhores serviços de geriatria do mundo. Tudo isto, graças a alguns serviços estatais, mas também graças à sociedade civil, através do excelente trabalho que têm feito as Misericórdias e as IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social.

É por isso que este tipo de Instituições merece todo o nosso apoio, pois quando chegarmos à velhice vamos querer ser apoiados pela família preferencialmente, o que será cada vez mais difícil e, em alternativa, por este tipo de instituições, que estão vocacionadas para a solidariedade social, para o apoio à velhice, seja em sistema de internamento ou no apoio domiciliário!

Termos é que ir lembrando aos governantes do nosso país que devem estar atentos a este assunto, pois também eles são pessoas que se não morrerem cedo, também vão para onde todos terminam: na velhice.

Por isso é que é preferível morrer velho neste país envelhecido, pois temos a garantia que, mesmo um pouco ostracizados, vamos ter sempre alguém que cuide bem de nós. O que se deseja é uma sociedade ainda mais humanizada!