quinta-feira, 30 de junho de 2016

O QUE NÃO DISPENSO NA MINHA DESPENSA

www.facebook.com/beonhealthy/

INÊS MAGALHÃES
A despensa lá de casa deveria ser um local organizado escrupulosamente, uma vez que dedico algum do meu tempo a preparar as minhas refeições, a escolher os melhores ingredientes e a ter um estilo de vida saudável. Porém, nem sempre este é o local mais arrumado. Por entre caixas, latas e pacotes, de farinha, de cereais, sementes e snacks, surgem alguns rótulos bem coloridos, típicos daqueles produtos apelativos que saltam à vista de tanto desejo que provocam, daqueles artigos que nos fazem salivar sem sequer provar, que ocupam metade das nossas gavetas e que mesmo muito arrumadinhos não os conseguimos esconder. 

Pois é…

Neste momento acredito que estão desse lado a questionar o porquê, da confissão destes “pecados”. E não querendo fugir com o rabo à seringa, conto-vos que não moro sozinha, que partilho este espaço com a minha querida irmã, e que apesar de já ter algum cuidado nas suas escolhas, (com alguma influencia minha como devem imaginar) é muitas vezes liberal naqueles supostos antídotos para a boa disposição, cheios de açúcar e gordura. Sim, aqueles pacotes coloridos que falei anteriormente, aqueles que dão alguma cor e vida à nossa despensa. 

Vamos pensar positivo! 

É certo que se não conseguimos resistir às tentações o melhor é não as ter por perto. E eu não sou muito bom exemplo neste caso. Por isso, se há dias em que facilmente resisto, outros há, em que lá faço um “ataque” menos correto. O bom é que os dias em que as minhas rotinas são adequadas e facilmente saudáveis são muitos mais do que os que me descontrolo.

Com isto, gostaria de partilhar convosco, como forma de exemplo, alguns ingredientes que jamais dispensaria na minha despensa. 

Como podem compreender ao acompanhar a minha página BEyOndHealthy, tenho um estilo de vida bastante activo, tentando sempre que possível levar uma alimentação regrada e saudável o que me faz optar por alimentos que me forneçam um bom aporte nutritivo para que consiga manter um equilíbrio entre o meu bem-estar físico e mental. 

A AVEIA em flocos e/ou Farinha é sem dúvida um “Must Have” na minha despensa. Essencialmente usada nas minhas refeições da manhã, lanche e/ou pré-treino em pratos deliciosos como panquecas, papas de aveia ou apenas com iogurte. É um cereal altamente energético, pertencente à família dos hidratos de carbono de absorção lenta, o que faz com que o nosso organismo se mantenha saciado durante mais tempo e para além disso é rico em proteína (essencial para a reconstrução muscular).

Os OVOS, fonte de proteína, cozidos estrelados, escalfados em omeletes ou pastelões são aqueles que lá em casa esgotam com maior rapidez. Uso com bastante frequência e posso até dizer-vos que consumo pelo menos a 1 a 2 ovos por dia.

Na dispensa existe também um grande saquinho indispensável com um suplemento de PROTEÍNA WHEY. Desmistifique-se que este suplemento é algo desaconselhável. Para quem tem objectivos específicos e um volume elevado de treinos é fundamental para a manutenção da massa muscular. 

FRUTA. Maçã e Pêra as mais frequentes durante todo o ano, porém, nesta fase do ano opto sempre pelo consumo da fruta da época. Sendo um açúcar, é necessário ter atenção ao seu consumo em demasia. No entanto, a frutose, açúcar natural presente na fruta, é de absorção rápida o que ajuda na manutenção dos níveis de açúcar no sangue e controla a vontade de ingestão de doces.

ARROZ BASMATI, por várias razões este é o arroz de eleição lá de casa. 1º Porque é de rápida confecção, 2º pelo seu sabor característico e 3º pelo seu menor índice glicémico, permitindo que a absorção deste hidrato de carbono seja mais lenta. 

Por último, e reforçando neste momento que esta selecção não foi fácil, uma vez que outros ingredientes não mencionados também estão frequentemente presentes na dispensa lá de casa, não podia deixar de referir o ATUM, neste caso enlatado e conservado em água. 

Este é sem dúvida o ingrediente do desenrasque que incluo sempre nos meus pratos e cozinhados, como fonte de proteína, quando o tempo para cozinhar é extremamente reduzido.

Agora que conhecem a minha dispensa espero que reformulem a vossa lá em casa sempre com boas escolhas. 

O PORTO DE MANOEL DE OLIVEIRA

ANABELA BRANCO DE OLIVEIRA 
Manoel de Oliveira protagoniza uma forte e inexplicável ligação ao Porto. Projeta, em Douro Faina Fluvial (1931), Aniki-Bóbó (1942), O Pintor e a Cidade (1956),) e Porto da minha Infância (2001) uma relação especial entre a cidade e o universo cinematográfico. O Porto de Manoel de Oliveira torna-se um discurso fílmico, num percurso estético sem fronteiras entre ficção e documentário. O Porto constitui-se como a arquitetura do próprio filme tornando-se personagem, título, espaço máximo de reflexão arquitetónica e cinematográfica. É uma cidade transformada pelas múltiplas câmaras cinematográficas de um só Mestre.

Em Porto da Minha Infância, Manoel de Oliveira escolhe os espaços sociais e culturais que o marcaram enquanto jovem e enquanto cineasta. Escolhe o Porto dos espaços míticos, como a Torre dos Clérigos, e o Porto dos espaços misteriosos dos clubes noturnos. Os planos panorâmicos das fachadas exteriores conduzem-nos aos ambientes musicais e à ficcionalização das atitudes nos interiores do Palaceou do Clube do Porto. Os jardins da Cordoaria, do Palácio de Cristal e de Santa Catarina tornam-se um espaço obrigatório de recordações de enamoramento e de fascínio por primas, flores e automóveis, definidos em imagens de arquivo de um palácio desaparecido. Os cafés, apresentados em planos fixos de fotografias antigas, a preto e branco, ou sugeridos em ténues movimentos de câmara, sugerem a tertúlia e a criatividade: o café Palladium representa o seu arquiteto, Marques da Silva; o Café Central projeta a relação com Adolfo Casais Monteiro e o Magestic enuncia a criação, em 1934, do argumento de Os Gigantes, o filme que nunca foi rodado.

Em todos os filmes analisados, o cineasta projeta os dois olhares da cidade num contínuo dissipar de diferenças entre o Porto visto do cais de Gaia e o Porto refletido no seu interior.

No diálogo entre os dois espaços inevitáveis sublinha-se a carga simbólica e também inevitável das pontes. Porto da Minha Infância apresenta travellings pela ponte D.Luís e um travelling pelo novo viaduto da marginal ribeirinha. O Pintor e a Cidade está repleto de planos geométricos da mesma ponte, de observações cinematográficas e pictóricas da ponte D. Maria e de planos de detalhe e de homenagem de um contacto com o passado definido no desastre da Ponte das Barcas. A geometria da ponte orienta a velocidade e a simetria dos enquadramentos em Douro Faina Fluvial transformando-a num intenso protagonismo e omnipresença.

As torres e os detalhes barrocos de igrejas e estátuas denunciam um Porto de pináculos vistos de Gaia e observados ao fundo de ruas e de praças: torres e sinos ocupam planos e projetam olhares entre o passado e o presente. Um olhar que escolhe essencialmente o universo inconfundível da Torre dos Clérigos em panorâmicas e detalhes de cinzel e o Porto da Minha Infância define o esbatimento de fronteiras entre documentário e ficção na análise da escalada observada pelo jovem Oliveira. Nesse processo de montagem paralela, a torre torna-se o símbolo do inatingível e da coragem observada e adorada pela população.

No percurso dos espaços, a carga seletiva de Manoel de Oliveira confere protagonismo ao emaranhado das casas. Porto da Minha Infância inicia a sequência projetando a casa como um elemento primordial do olhar sobre o mundo – “o fantasma da casa onde nasci”. É a relação da casa com o tempo, com a memória e com a cidade. Douro Faina Fluvial projeta a geometria das casas em plongées e planos panorâmicos; telhados, janelas e chaminés definem cargas e descargas, descansos efémeros e carregamentos pesados, velocidade e dureza do trabalho. O Pintor e a Cidade enuncia o emaranhado altivo e veloz de monumentos e edifícios emblemáticos e o emaranhado colorido e estranho das casas populares da Ribeira inevitavelmente ligadas ao movimento ondulante e também colorido da roupa a secar, omnipresente em todos os filmes analisados.

Ao lado das casas, outra realidade portuense define planos e enquadramentos: as inconfundíveis escadarias que marcam a dúvida, a curiosidade, a perseguição e o encantamento em Aniki-Bóbó: o lojista segue os miúdos ao longo das escadarias na sequência do acidente do Eduardito, os miúdos correm e divertem-se nas escadarias e a escadaria final é o espaço privilegiado da consagração da amizade entre Carlitos, Teresinha e a boneca da Loja das Tentações.

Porto da Minha Infância é a simbiose entre a memória e a criação cinematográfica – “tudo ficou esquecido. Na minha triste memória tudo continua vivo”. O percurso de planos fixos, a preto e branco, de fotos antigas e a presença ficcional de movimentos de câmara coloridos define o processo proustiano da memória nas sequências da Confeitaria Oliveira onde se espelha o caráter efémero do prazer dos doces transformados em inestéticas peças de roupa e na recordação dos passeios, depois do jantar, pela Avenida das Tílias. O percurso da memória encontra o cinema quando o relato do enamoramento pela prima conduz aos momentos Carlitos e Teresinha de Aniki-Bóbó. A relação entre as imagens exige os repetidos “hoje é isto” e “lembro-me”.

O Porto, em Manoel de Oliveira, constitui-se como a arquitetura do próprio filme. É personagem, título, espaço máximo de reflexão arquitetónica e cinematográfica. O Porto de Manoel de Oliveira é uma cidade montagem, uma cidade plano, uma cidade-enquadramento e uma cidade-movimento de câmara. Tal como o Douro, o Porto de Manoel de Oliveira é a metáfora do próprio cinema.

AS REGULAMENTAÇÕES NOS PROCESSOS DE INTERNACIONALIZAÇÃO

RUI LEAL 
Para uma empresa, um processo de internacionalização é sempre encarado numa perspectiva de crescimento e desenvolvimento, sendo encarado como uma oportunidade.

No entanto, para que tal seja realizado de forma consciente e planeada é necessário ter-se sempre presente o conhecimento e domínio das regras e usos envolvidas em todo este processo.

Os processos de internacionalização são sempre momentos delicados e que necessitam do apoio de várias valências (económicas, financeiras, de marketing, jurídicas, etc.).

Nas grandes organizações empresariais (vulgo multinacionais) este conhecimento existe internamente dentro da própria organização, sendo ela auto-suficiente na abordagem que possa fazer a qualquer mercado internacional.

Já para as pequenas e médias empresas (imensa realidade nacional) existe um défice de conhecimento, informação, formação e apoio a todos os níveis. Deverão assim as PME socorrer-se, preferencialmente, de organizações devidamente estruturadas e ligadas a certos e determinados mercados, ou a profissionais devidamente experientes e habilitados, buscando neles todo o apoio e informação necessária para uma correcta abordagem ao mercado pretendido.

No fundo a elaboração realista de planos de negócios (que incluam as abordagens económicas, de imagem, de contabilidade, de administração e de direito) são essenciais e determinantes no sucesso desta empreitada.

Uma das áreas cuja informação é extremamente relevante e pertinente tem que ver com as várias regulamentações locais dos países cuja abordagem de internacionalização se pretenda concretizar.

A análise a um certo e determinado mercado, dependendo de vários níveis, tem um que se revela essencial e que se prende com as já referidas regulamentações existentes em cada realidade nacional, variando de país para país.

Estas específicas regulamentações constituem verdadeiras “barreiras à entrada”.

Há que conhecer, profundamente, a legislação e regulamentação do país de destino, nomeadamente, no que diga respeito a eventuais restrições às importações, 
à produção ou até à venda de determinados produtos e/ou serviços.

De igual modo, podem existir regulamentações respeitantes aos preços a praticar sobre determinados bens transacionáveis cujo desconhecimento pode ser fatal e comprometedor.

É igualmente fundamental ser bem conhecedor de todas as regras relativas aos movimentos de capitais e repatriamento de lucros decorrentes da actividade a desenvolver.

Em quase todos os países de destino existem ajudas, subsídios ou apoios prestados pelos governos locais, ao investimento estrangeiro, sendo que o conhecimento cabal dos mesmos pode potenciar e facilitar, significativamente, todo o processo de internacionalização.

O conhecimento da legislação social e laboral é determinante na decisão de investimento e em todo o processo de internacionalização sendo o seu desconhecimento, regra geral, fatal após o investimento realizado, sendo já tarde de mais para inverter todo o processo.

A regulamentação da publicidade e o conhecimento das certificações exigidas (para que determinados produtos e/ou serviços cumpram com determinados requisitos) é essencial na decisão de investir internacionalmente. Também aqui o desconhecimento desta realidade/legislação/regulamentação revela-se fatal e comprometedora de um investimento de sucesso.

Aqui chegados, naturalmente que importa que qualquer PME na realização de um processo de internacionalização se socorra de profissionais ou organizações que, de forma competente, informada, esclarecida e transparente, prestem todo o apoio, nomeadamente, ao nível aqui em análise, sendo o mesmo determinante para o sucesso desse processo.

Infelizmente, a mais das vezes, diz-nos a experiência, este apoio e conhecimento é totalmente descurado, verificando-se, posteriormente, verdadeiras tragédias empresariais e até pessoais que comprometem e destroem algo que tinha verdadeiro potencial de sucesso.

Façam-se acompanhar de verdadeiros profissionais e busquem sempre a maior segurança em qualquer processo de internacionalização.

A BANALIZAÇÃO DO TERROR



ARMANDO FERREIRA
Dia 28 de junho de 2016, a data em que o cômputo de vítimas mortais do terrorismo cresceu em pelo menos mais 41 almas, desta feita, na Turquia.

E se nos últimos tempos este terror que assola a europa e os nossos aliados tem vindo a granjear extensas ondas de união e solidariedade, de que são exemplos paradigmáticos os movimentos “Je suis Charlie” ou “Je suis Paris”, certo é que a banalização de desgraças deste tipo, vai tornando estas manifestações de asco e de repúdio num sentimento cada vez mais... “démodé”!

Será pois oportuno equacionar quais as razões que nos levam a deixar de tanto fazer sentir o nosso luto pelas vítimas da barbárie. Estaremos a considerar banal a presença do terrorismo e da violência nas nossas vidas? Ou estaremos apenas distraídos pelos jogos do euro?

De todo o modo, importa aqui considerar os eventuais efeitos que estas manifestações de violência causam na sociedade, em especial em relação às nossas crianças e jovens e, mais importante ainda, qual o efeito da sua banalização na educação cívica dos cidadãos do futuro.

Como será que nós deveremos explicar aos nossos filhos aquela violência que é transmitida pela televisão. Como evitar que os jovens desiludidos com esta Europa sejam apanhados futuramente pelas redes de recrutadores radicais?

Está aqui um dos mais importantes desafios à educação, cuja deteção, reconhecimento e ação tardam a chegar.

FERREIRA PINTO, EMBAIXADOR DA CRUZ DE CRISTO EM AMARANTE

FERREIRA PINTO
Ferreira Pinto, ou o embaixador da Cruz de Cristo em Amarante.

CRÓNICA DE HÉLDER BARROS
Esta imagem reporta-nos ao ano de 1986/87, no Estádio Municipal de Amarante, ainda pelado, com a bancada de sócios primitiva e cheia de adeptos alvinegros, para assistir a um (Amarante F.C. 2 vs Paços de Ferreira 1), na categoria de Juniores. Pode-se ver a configuração inicial dos bancos de suplentes, em que víamos o jogo abaixo do plano horizontal do campo, daí o banco improvisado em cima... e lá está, o Mr. Ferreira Pinto, de camisola azul, mas azul com a Cruz de Cristo, como ele faz o favor de nos lembrar sempre que nos encontra. Ao meio o Ferreira, é assim que gosto de lhe chamar, O Sr. Manuel sempre elegante, à direita; o magricela de risca ao meio sou eu; ao meu lado o Quim de Figueiró, que era o guarda redes suplente do Henrique de Vila Chã; o Oliveira de Gatão à direita do Ferreira; do lado esquerdo, temos o Guedes de Bustelo ao lado do Zé Carlos de Codessoso, Celorico de Basto.

Aproveito esta fotografia que guardo com saudade, para homenagear, ainda que de forma humilde, o Mister Ferreira Pinto. Não sendo natural de Amarante, o Ferreira é imanente a Amarante; acho que ninguém consegue dissociar o Ferreira, de Amarante. Anda pelas ruas da cidade sempre com um riso malandro, quase ninguém passa por ele sem o saudar, metendo-se com ele, e a sua simpatia irradia pelas ruas da nossa cidade, conferindo mais alegria aos dias que vão passando.

Agora que tenho o privilégio e a honra de conviver mais com ele, pois na qualidade de avô, lá vai esperar pelos netos à porta da Escola, como eu vou levar e trazer, os meus filhos. Os anos parece que não passam por ele; nem mais gordo, nem mais magro, sempre com o mesmo olhar atento e malandro, pouca coisa lhe escapa. Parecendo distraído e alheado das coisas, pouca gente passa imune às suas picadelas futebolísticas, atacando preferencialmente, os portistas, como eu... e lá lhe lembro que sou da mesma cor, azul; mas ele diz sempre que falta a Cruz de Cristo, para o azul ser maior.

Em Amarante, não conheço mais ninguém, que seja adepto do Belenenses; mas o Clube da Cruz de Cristo tem cá um excelente embaixador... foi com alegria que o revi durante este ano letivo, ao toque das campainhas da Escola EB1 + J de Amarante, orgulhoso e até vaidoso com as vitórias do seu Belenenses, que regressou de forma brilhante à primeira divisão; e o Ferreira faz questão de lembrar isso a toda a gente! E sempre cuidadoso e atento aos seus netos!

Mas voltando lá para o ano de 1985, quando ingressei nos Juvenis do Amarante F.C. e em que conheci este ser humano maravilhoso. Eu, um moço de Fregim que não conhecia quase ninguém da então vila, resolvi ir aos treinos de captação do Amarante F.C., a conselho do falecido Mr. Chantre, com quem jogava aos Domingos de manhã, no Campo do Estradinha, bem junto à partilha com Fregim. O Snr. Chantre, grande mestre de futebol, dizia que o meu pé esquerdo era muito bom, na sua bondade e simpatia, claro está!

O Ferreira tinha uma forma singular de nos observar, como se não estivesse a olhar para nós e não precisava de cadernos, para escrevinhar... ele olhava, atento aos pormenores, quer técnicos dos atletas e, nas suas reações, físicas ou psicológicas. Era um Treinador da Velha Guarda, de “antes quebrar que torcer”. Cheguei ao clube sem “Escola”, jogava puro, sem saber marcar, agarrava-me muito à bola e tinha a mania que era o Futre... para mal dos meus pecados.

Ele, sempre com o seu apito na boca, quando eu fintava o primeiro, o segundo e não passava a bola, dizia ao Lando da Estradinha, ou ao Paulo Amor, ou ao Filipe “Rei Preto”, dai-lhe, atirai-o ao chão, que ele assim aprende a passar a bola. Eu, na minha inocência, ficava a pedir falta e dizia o Ferreira: “agora levanta-te e vai atrás dela”... ou então, se estava mais impaciente, parava a jogada e obrigava-nos a levantar a cabeça para colocar a bola nas pontas, sempre bem definidas, no seu 4-3-3 clássico. E então lá ia o Juary de Padronelo, ou o Guedes de Bustelo, ou o Artur de Felgueiras, em grandes correrias a tentar apanhar os nossos lançamentos de longa distância...

Todas as terças feiras tínhamos palestra, onde sem apontamentos, tudo de cabeça, o Ferreira nos apontava o que fizemos de mal e o que deveríamos fazer para melhorar; isto de forma meio zangado, meio gozão, onde troçava com as nossas falhas, mas se nos ríamos era o bonito: zangava-se o Ferreira e transformava-se num leão, a chamar-nos à razão... tinha um estilo muito próprio de interagir connosco, mas sempre, com muita amizade. 

Depois era tareia pela certa, nada de bola, mas mesmo assim abria-nos o apetite juvenil, levava o saco das bolas para o meio do campo e aquecíamos bem com os seus exercícios de elasticidade e força, depois corríamos meia hora e, subíamos a superior e descíamos até quase cair para o lado... mas antes de cairmos, punha-me sempre o Paulo Amor, Paulo Rato, ou o Coluna da Lomba, às costas, e nós, quais rangers sempre a subir e descer, senão tínhamos que o ouvir...

Claro que eu era novo naquelas andanças e ia para frente da fila com o Rolando da Estradinha, lá ia aguentando, mas ficava todo “roto”; o Jaime Cerqueira, ou o machado vinham lá atrás a ver-nos correr... espertos! Não admirava que durante os jogos da primeira fase estivéssemos empatados ou a ganhar por uma bola de diferença ao intervalo, e acabávamos o jogo goleando os adversários, na segunda parte. E o Ferreira chegava ao balneário, com o Sr. António massagista a rir-se, e dizia-nos: “Estais a ver, era preciso era cansá-los!...”

Muito havia a dizer sobre a “Escola de Vida” que adquirimos com o Ferreira que, no seu Ford Amarelo, andava às sextas e sábados a ver se encontrava o Paulo Rato, ou o Filipe, os mais noctívagos. Uma palavra para os nossos diretores: o Sr. Ramiro já falecido, o Sr. Manuel, o Sr. Matos e o Grande Eng. Fernando Ribeiro, que era quase um Pai para nós, sempre a ver se estávamos bem, algo que o Armandinho, por certo, lhe transmitiu...»

quarta-feira, 29 de junho de 2016

CRIANÇAS ESPECIAIS PARA PAIS ESPECIAIS

MÁRCIA PINTO
Todos os pais desejam ter um filho sem nenhuma deficiência. Antes mesmo de engravidar, é comum imaginarem como será o novo membro da família, conversam sobre possíveis características físicas e psicológicas, qual a profissão que poderá ter quando crescer e se o bebê será mais parecido com a mãe ou com o pai. Mas, quando o ‘bebê real’ é muito diferente do ‘bebê imaginário’ a mente e o coração do casal começam a ser invadidos por um misto de sentimentos: o medo, a raiva, a culpa, a compreensão do motivo de isso estar a acontecer com a família, o desespero, a ansiedade, entre outros sentimentos podem aparecer durante o período pré e pós-natal.

A especialista em desenvolvimento infantil da Fisher Price, Teresa Ruas, diz que todas as famílias passam por um período de ‘luto’ diante de um acontecimento ``complicado´´, como a descoberta de uma deficiência no filho. "Nesse momento, os mais difíceis sentimentos e sensações poderão entrar em ação até que esse ``luto´´ possa dar lugar a outros sentimentos como o otimismo, a esperança, a fé, o carinho e o amor acima de qualquer coisa e, assim, aos poucos, sendo possível reconhecer, amar e aceitar qualquer condição que o filho apresenta", explica. Esse sentimento de "luto", como a especialista chama, não é falta de amor, mas um sentimento de revolta contra todas as situações que os pais começam a imaginar que a criança terá que enfrentar durante a vida, porque sonharam com um mundo perfeito e sem barreiras para aquele ser que agora é quem mais amam no mundo.

No entanto, é normal que a adaptação não seja fácil e aí a família e os amigos têm um papel importante neste processo. Evitar frases como: “Tudo acontece pelo melhor” ou “Crianças especiais só são dadas a pais especiais”. Por favor, não usem clichês. Declarações como estas parecem minimizar a experiência de um pai, pois, implica que ele tenha de ser capaz de lidar bem com a situação… e nem sempre é assim. Substitua-as por: “Existe alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?” ou “Estou aqui para o que precisares” Às vezes, os pais só precisam de desabafar. É bom ter amigos com quem partilhar os sentimentos.

Deste modo, a vida vai ser diferente com uma criança especial, mas pode ser uma experiência muito feliz se estiver aberto à grande jornada de aprendizagem e evolução, se estiver disposto a quebrar todas as barreiras, se estiver pronto para se desconstruir e se redescobrir como pessoa, mãe, pai. Quando essa etapa é superada, uma nova vida se inicia, com outras cores, outros sabores e outras experiências. Os sentimentos acalmam. Começa a perceber que pode e deve fazer a diferença na vida de outras crianças, outros pais e uma corrente de ajuda e apoio iniciar-se-á, se pensarmos que a vida é feita de amor, ajuda, aprendizagem e grandes experiencias.

ARRENDAR CASA COM OPÇÃO DE COMPRA

PALMIRA CRISTINA MENDES
Quais as Vantagens de arrendar casa com opção de compra?

Enquanto esperava o pequeno almoço, dei por mim atenta à conversa de um casal que quase nada sabiam acerca de arrendamento com opção de compra. Sabiam que era vantajoso porque o vizinho também o fizera….

Terminaram a primeira refeição do dia com a certeza que não tinham qualquer certeza!

Assim sendo, perdoem me os meus “vizinhos” da manha e permitam me um pequeno e simples esclarecimento J

O arrendamento com opção de compra é uma modalidade mista. E porquê Mista?

- porque tem em vista a compra de casa,

mas, durante um período inicial variável, contempla oarrendamento.

A aquisição propriamente dita só se realiza mais tarde,accionando a opção de compra.

-Quais são as vantagens do arrendatário/ inquilino?

Do lado do inquilino, a grande vantagem deste negócio é a flexibilidade. Permite-lhe habitar a casa antes de a comprar…juntar mais dinheiro…e esperar que as condições do mercado de crédito melhorem ( ou não)!

- Quando terminar o período de arrendamento, é obrigado a comprar?

Não não é obrigado a comprar. Caso não esteja satisfeito com o imóvel (por exemplo, não é funcional) ou precise de abortar o negócio (por não ter conseguido o empréstimo, por exemplo), pode simplesmente cancelar o acordo.

- O comprador não é obrigado a comprar….E o vendedor é obrigado a Vender?!

Sim…a obrigação de prosseguir com o negócio pende apenas sobre o vendedor, que, dentro do prazo estipulado, tem de vender a casa ao arrendatário se este assim quiser.

Reparem…do lado do proprietário, esta modalidade é vista como um meio para atingir um fim. A probabilidade de conseguir vender a casa aumenta e, enquanto a venda não se concretiza, vai amealhando uma parte ou a totalidade das rendas.

- Existe algum modelo pré-definido para estes tipos de contrato?

Não!! Precisamente por ser um negócio entre particulares. Todas as condições podem ser negociadas entre as partes e o contrato de arrendamento pode ser feito /redigido conforme o interesse necessidade e conveniência do proprietário e do futuro comprador.

Ou seja, e por exemplo, o período de arrendamento não costuma ir além dos dois anos, mas nada impede que o senhorio e o inquilino acordem outra duração!!

Assim como, o inquilino pode sempre antecipar a compra, ou seja, realizar o negócio antes de decorrido o prazo máximo do arrendamento.

Como estratégia para atrair clientes, alguns proprietários deduzem ao preço final do imóvel uma parte (por vezes, a totalidade) do valor das rendas pagas.

Assim, tornam a compra mais interessante para o inquilino,pois diminui o seu esforço financeiro no momento da compra. Por outro lado, se o negócio não se concretizar, o proprietário arrecada o valor total das rendas pagas.

MUDAR DE VIDA

JORGE MADUREIRA
Nos dias de hoje a necessidade de mudança é algo constante. Todos os dias somos confrontados com novas reacções, processos formas de estar e ser, novas metas, direcções e novos hábitos.

Apesar de tudo isto acontecer permanentemente no nosso dia-a-dia, não de ânimo leve que aceitamos como algo que faz parte de processos de crescimento e maturidade. Todos sabemos o que a mudança nos cria: receio, incerteza, insegurança e medo.

Assumimos o desconhecido como algo (aparentemente) negativo, que nos criará emoções negativas e que saem do nosso controlo, gerando sentimentos que nos destroem.

Muitas das vezes os resultados de um processo de mudança podem até não satisfazer, mas o crescimento que se tem e que é gerado é francamente positivo.

A aventura empurra para novas experiências, algo diferente. Isso permite-nos ver novos pontos de vista e acabamos por adquirir definitivamente sabedoria nos processos envolvidos. Sendo o resultado positivo ou negativo. Alargamos a nossa zona de conforto.

A mudança provoca receio a muita gente, receio de enfrentar o desconhecido. Deve-se ver na transição uma oportunidade. Nenhum dia é igual ao outro. Ao Viver cada minuto encontramos novas coisas, soluções para as confusões, vivemos as alegrias dos bons momentos. Ao vivermos a mudança acertamos as decisões tomadas. Nenhum dia é igual, porque todos os dias são diferentes, porque estamos constantemente em mudança. Mudar é acreditar é viver. É lutar, superar as dificuldades da vida, lutar por ideais, é seguir em frente… vale a pena nunca desistir dos nossos sonhos.

Sei que é bom estar no conforto, acomodado (a) no que já é conhecido. Mas porque não pensar que o novo ainda é melhor, mais interessante e divertido?

COMO PODE PORTUGAL EXPORTAR 50% DO PIB?

RUI CANOSSA
Em novembro de 2013, o governo PSD/CDS lançava a Estratégia de Fomento Industrial para o Crescimento e Emprego, desafiando as exportações portuguesas a superarem 50% do produto interno bruto até 2020.

Para um país pequeno como Portugal, que tem um mercado interno muito limitado, a internacionalização é a única forma de proporcionar um crescimento económico e um desenvolvimento sustentáveis. Neste aspeto, ao nível do comércio externo as exportações caíram, 3.9% depois de anos de crescimento, tendo as importações recuado 0.8%, podendo agravar o défice comercial. Todos queremos muitas mais empresas portuguesas a exportarem para o mundo e a venderem mais produtos e serviços nos mercados internacionais, a criarem cada vez mais valor para Portugal. Ora, só com mais e melhor investimento seremos capazes de sustentar um forte crescimento das exportações.

Mas, para onde exportar? É óbvio que a seleção dos mercados é algo que cabe a cada empresa, são as empresas que definem as suas estratégias comerciais. A Europa tem sido e continuará a ser um destino das nossas exportações, mas há que estar atento a situações emergentes como a do Irão que, com o fim das sanções económicas, começa a abrir-se à globalização. O mercado angolano e brasileiro têm apresentado algumas contrariedades que poderão ser ultrapassadas por uma maior diversificação dos mercados. Os empresários portugueses têm tido um excelente mérito de ter conseguido duplicar em cinco anos as exportações para os EUA.

Portugal continua no radar dos investidores. A recuperação que o país fez nos últimos anos é amplamente reconhecida o que nos fez ganhar credibilidade. A atual geringonça pode ser entendida em sentido contrário. Outros fatores de atratividade têm sido o facto de ser um país seguro, com um bom clima e começa a estar no mapa das infraestruturas tecnológicas. Além destes, Portugal tem outras vantagens competitivas como as redes de telecomunicações e logística de topo e as próprias infraestruturas físicas como as cias rodoviárias, os portos e aeroportos, além das boas universidades de engenharias e de gestão. Cerca de 80% da população mais jovem fala duas línguas, sendo uma delas o inglês, a língua da globalização.

Para um dos meus criadores preferidos, Luís Onofre, disse que “ainda nos faltam marcas que procurem projeção internacional e esse aumento tem de ser o principal objetivo a curto e médio prazo. O reforço da posição depende da criação de marcas próprias que apostem na qualidade, serviço e comunicação”. De facto, apenas 20mil empresas vendem para fora, o que significa que cerca de 90% das empresas com nove ou mais trabalhadores estão exclusivamente, viradas para o mercado interno e daquelas muitas não têm marcas próprias.

Portugal tem vindo a tornar-se mais competitivo nos vários rankings de competitividade, mas no mundo competitivo em que vivemos não podemos baixar os braços. Como diria Fernando Pessoa: “E outra vez conquistemos a Distância – Do mar ou outra, mas que seja nossa”



No próximo artigo irei abordar a questão do Brexit na nossa economia!

terça-feira, 28 de junho de 2016

O PODER DA UNIÃO

REGINA SARDOEIRA
Gostava de escrever sobre uniões. União. A União Europeia. 

Começando pelo princípio, reflectirei sobre o que a palavra união me faz sentir. E, pelo sentimento, posso bem chegar à compreensão. 

Unir é ampliar e também reforçar. Não necessitamos de ir muito longe para percebermos que, ao unirmos seja o que for, estamos a permitir-lhe que aumente. Uma corda, por exemplo: podemos sempre uni-la a outra corda, com um nó de tal maneira bem executado que passe despercebido e contudo mantenha os dois pedaços ligados, como se fossem um só. Uma casa é construída na e pela união de materiais, cuja coesão permite que as paredes se mantenham firmes, que o chão seja o suporte necessário dos passos de quem vai habitá-la, que os alicerces prendam a construção à terra e o telhado cubra o edifício, permitindo-lhe ser o que é: um abrigo sólido e confortável, apto a ser habitado. 

Imaginemos, contudo, que ligamos uma corda forte a outra menos resistente ou que não dedicamos cuidado suficiente na união das partes. Sem dúvida, a corda, deste modo aumentada, acabará cedendo, provocando muitos contratempos a quem acreditou na sua coesão. E uma casa, cujos materiais não estejam devidamente amalgamados, uma casa a que faltem as necessárias componentes de uma construção, não poderá cumprir, a curto ou a médio prazo, a sua função e vacilará, pondo em risco os habitantes. 

A Europa é hoje uma entidade que assenta na união de 28 países que partilham a mesma moeda, que aboliram as fronteiras, permitindo a livre circulação, que celebraram tratados entre si, que resolvem variadas questões de carácter politico, económico, financeiro, entre outras. Existe um parlamento europeu, uma comissão europeia, um tribunal europeu e outros organismos capazes de darem à união o seu verdadeiro estatuto. E, apesar de cada país manter a sua língua, o seu governo, a sua identidade de nação, o que resulta desta união tem transformado os europeus ao longo dos anos.

Formalmente, trata-se de uma união. Formalmente, somos todos estados-membros de uma mesma estrutura. Formalmente somos todos - franceses, espanhóis, húngaros, portugueses, italianos, etc. - cidadãos equiparados em direitos, deveres, prosperidade e tudo o mais que nos permite a identificação de europeus. 

No entanto, esta união feita de países fortes e fracos (e, por mais que pense, apenas percebo ser o factor económico a estabelecer esta dicotomia) não anulou as condições em desvantagem, não permitiu que os países se nivelassem, continua a ser geradora de diferenças, em lugar de caminhar, cada vez mais, para a equidade. 

Logo, e atendendo às premissas que permitem compreender o sentido de qualquer união, a designada união europeia é uma grande fraude, no contexto da qual, certos membros mantêm a supremacia, sobrepondo -se aos outros (e, o que é pior, reforçando a sua vantagem à custa dos mais desfavorecidos). 

Não quero deter-me nos meandros políticos, económicos e financeiros desta união porque, efectivamente, tornaram-se muito ínvios e logo difíceis de analisar. Mas, do ponto de vista humano - e é isso que, de facto, importa - percebo, à saciedade que nada de muito salutar tem resultado, para nós, deste estado de coisas. 

Somos um país pequeno, se atentarmos à dimensão territorial. Isso faz de nós, necessariamente, pobres? De modo nenhum. Basta um lançar de olhos sobre os recursos deste país, tão limitado em termos de espaço, mas tão diversificado quanto às suas potencialidades, para compreendermos que herdamos de outros tempos o sentimento de inferioridade que nada parece poder derimir. Essa inferioridade, já constitucional, impede-nos de lançar mãos à obra e fazer render os nossos múltiplos talentos. Que vêm da terra, do mar e também das pessoas. 

Somos mais de dez milhões de indivíduos a constituir este povo, com uma história de quase 900 anos e importantes odisseias épicas, desde D. Afonso Henriques até aos Descobrimentos. Ressuscitamos de um longo obscurantismo em 1974, protagonizando o renascer de uma identidade amordaçada. Temos a riqueza do solo, a abundância do mar, a força e a inteligência das pessoas. Estamos tão à frente quanto todos esses que se dizem superiores e nos ignoram ou espezinham; e estamos, com todos eles, numa união de povos. 

Quando faremos jus ao nosso verdadeiro carácter? Quando olharemos para tudo o que somos, dentro e fora de nós, e tomamos a decisão de criar o nosso verdadeiro destino? 

Pela parte que me toca, e enquanto portuguesa, não aceito nenhum estatuto de inferioridade, venha ele de onde vier.

UMA CASA, DOIS GATOS E AFINS

ELISABETE SALRETA
A nossa empatia para com os animais é mais do que evidente.

Basta querer olhar para eles com os olhos da alma e vemos que são como nós. Retribuem-nos com o que lhes dermos. Vêm-nos como semelhantes calmos que substituem os pais e aprendem a melhor maneira de chamar a nossa atenção e de nos agradar. Somos como família para eles, nós é que não temos a humildade de os considerar como integrantes do mundo que partilhamos.

Cá em casa sempre existiram animais de todas as espécies. Aprendemos a conviver tanto com os clássicos animais de companhia, como os de quinta e alguns exóticos. Todos nos ensinaram. Todos entraram aqui em casa com uma história e em maior parte dos casos, fomos a salvação deles. E deram-nos tanto…

Jorge.



Tudo começou com uma brincadeira. Fomos de férias ao Algarve, em grupo, um carro cheio. Acabamos por trazer mais um elemento connosco. 

Sítio da Arte Nova. Uma rua familiar, sem saída e sem asfalto. Areia, pitas e amendoeiras. No quintal de uma das casas, a de madeira, à sombra de umas amendoeiras e aninhados debaixo de um velho barco, uma pata gança fez o seu ninho, num monte de velhas redes e linhas de pescas. Pequenos tufos amarelos com umas pontinhas brancas evidenciavam-se naquele emaranhado. Apaixonei-me de imediato. Acabaram por colocar um petiz nos meus braços no dia da partida. Veio dentro de uma caixa de papel e foi agraciado com muitas festas durante todo o caminho. Aqueles patudos são muito moles quando pequenos, longe do que se tornam em adultos. Tem uma penugem muito macia que apetece acariciar.

Cresceu e tornou-se um belo juvenil de uma brancura sem fim e uns penetrantes e meigos olhos azuis como o céu. Chamava-lhe a minha almofada. Constituiu família e chegamos a ter um bando de 7 ganços. Era imponente vê-los em conjunto a esticar as asas, numa envergadura bruta. Metia respeito. Tinha uma postura de lorde, de pescoço erguido a dar conta de tudo o que o rodeava.

A minha filha era bebé e ficava sentada numa manta no quintal a brincar. Sempre que alguém entrava e que não pertencia à casa, os patos rodeavam a menina, em protecção, com os pescoços esticados a assoprar. Nunca mostraram qualquer agressividade para com ela. 

A pior época em que mordiscavam as botas de quem entrasse na capoeira era em Março e abril, quando as patas estão no choco. Sabia-mos que era mera protecção. 

Tinha-mos um Perdigueiro Português que desafiava o Jorge. Um dia entramos no quintal e deparamo-nos com mais uma luta entre os dois, já em fase final. O cão estava de quatro em cima do pato e agarrava-o pelo bico. Dessa luta resultou um pouco de serrilhas a menos naquele bico. 

Compramos um terreno e foi a delícia daquele ser. Patrulhava o batatal em busca de escaravelhos e outros bichinhos e eu ria-me a vê-lo saltar as plantas com aquelas grandes pernas. Adorava beijinhos no pescoço. Sempre que era solto, patrulhava as estremas da terra que sabia ser a sua, parecendo um senhor feudal em revista às suas terras. Quando o chamávamos, voltava. Sem stresses. 

Dia 29 de janeiro de 2007 nevou e ele muito intrigado, olhava para os pés cobertos. Deambulava pela brancura que o rodeava, admirado. Foi a única vez que o meu Algarvio viu neve na vida dele. 

Gostava que falasse-mos com ele. Provava-nos com o bico, sem aleijar. Parecia fazer as queixinhas do tempo em que lá não estávamos. Enquanto conversava comigo eu fazia-lhe festas no peito, pescoço e asas. Quando eu tinha visitas, admiravam-se porque os ganços têm má fama e este deixava que lhe tocasse. Deixava a mim. As restantes pessoas eram tratadas à dentada esporadicamente. Só para impor respeito.

Comia sofregamente o pão que lhe levava e deliciava-se com as couves de que se ia alimentando pela horta. Sabia ingerir os phisalys maduros, deixando a casca ainda na planta. 

Era um excelente guardião, principalmente das suas meninas (fêmeas) e filhotes. Notava-se que era um chefe de família e mostrava amor por quem o rodeava. Desapartava as brigas dos galos da capoeira. Parecia ralhar com eles com aquele pescoço esticado a assoprar de língua em riste. Chamava-lhe de aspirador.

Já velhote, deixava-se ficar deitado ao sol. Quando me via, vinha a coxear até mim para a nossa “conversa” e eu massageava-lhe as pernas doridas, secas e já tão tortas. Aos poucos perdiam o seu amarelo brilhante, ficando agora de um tom desmaiado.
Deixou-nos com muita saudade e com cerca de 20 anos num dia de sol de março de 2014.

Não custa ser gentil com quem partilha a terra connosco. Afinal, colhemos o que semeamos.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

LASERTERAPIA PARA O TRATAMENTO DE UNHAS MICÓTICAS

FÁTIMA LOPES
O fungo das unhas denominado de onicomicose, é uma infeção comum que se estima afectar até 10% da população mundial. o fungo ao infectar a unha alimenta-se de queratina (substância que compõe as unhas), produzindo alterações na mesma nomeadamente na cor tornando-as amareladas e descoloridas.

Com o avanço da infecção a unha tem tendência a tornar-se mais espessa, esfarelada, quebradiça e deslocada do leito ungueal; podendo produzir dor durante a marcha ou corrida.

Esta infecção pode surgir devido ao contacto com solo contaminado, animais, pessoas e/ou objectos contaminados como corta unhas, tesouras, limas ou alicates.

A infecção nas unhas dos pés é comum porque por um lado; o ambiente no interior dos sapatos é húmido, escuro e aquecido favorecendo o crescimento e proliferação dos fungos; por outro lado o crescimento das unhas dos pés é lento o que dificulta a eliminação da unha infectada.


Como Podologista aconselho alguns cuidados para evitar a contaminação e desenvolvimento de micoses nas unhas e anexos:

- Não ande descalço principalmente em pisos húmidos
- Esteja atento à pele e pêlo dos seus animais de estimação
- Ao mexer no jardim opte por utilizar sempre luvas e calçado fechado
- Dê preferência a sapatos largos e arejados
- Prefira meias de algodão.


O que fazer perante a infecção nas unhas?

Existem vários tratamentos no mercado, o mais eficaz sem efeitos secundários nem contra-indicações é o LASER.

O que é LASERTERAPIA para as unhas?

O tratamento consiste na passagem do feixe de laser sobre as unhas infectadas e pele circundante, a luz é absorvida pelo pigmento no fungo, fazendo com que o pigmento aqueça e este calor produzido destrói o organismo fúngico. 

VANTAGENS
- Indolor
- pode ser realizado por grávidas e durante o período de amamentação;
- os pacientes polimedicados podem efetuar laser
- resultados rápidos
- boa adesão à terapeutica, sem abandono no decursso do tratamento por ser um tratamento bastante rápido.

ONDE ENCONTRA ESTE TRATAMENTO
Em Amarante está disponível no CENTRO CLÍNICO DO PÉ. 

COMPREENDER A DIABETES (Parte 2)

JORGE FREITAS
QUE SINTOMAS  PODE TER UM DIABÉTICO?
 Entre outros sinais e sintomas, um diabético não tratado urina muitas vezes e em grande quantidade, tem muita fome e muita sede (por vezes chega a beber aproximadamente 5 litros de água por dia), mas, apesar disso pode estar magro e desidratado (a língua está seca e sabe a papel). As mulheres têm com frequência infeções urinárias e prurido (comichão) vaginal.
Na diabetes tipo 1 os sintomas surgem geralmente de forma rápida, podendo levar ao coma. Geralmente a criança ou jovem fica magra e desidratada.
Na diabetes tipo 2 os sintomas vão aparecendo de forma mais lenta.


QUAIS OS RISCOS INERENTES A DIABETES?
O excesso de glicose no sangue ao longo dos anos acaba por afectar vários órgãos e sistemas. Os olhos, o rim, a circulação dos membros inferiores, o funcionamento do coração e do sistema nervoso podem ficar comprometidos. Há também complicações da diabetes que podem aparecer de forma espontânea, e por em risco a vida da pessoa.
As complicações da diabetes separam-se em agudas (aparecem de repente) e crónicas (as que aparecem com o tempo e a gravidade da doença).
Ambas acontecem quando o diabético não tem a sua patologia controlada.
Entre as complicações aguadas da diabetes estão:
- Hipoglicemia/ coma hipoglicémico: A hipoglicemia como foi descrito anteriormente caracteriza-se por valores de glicose no sangue abaixo dos 70mg/dl. Pode surgir por exemplo por falta de uma refeição (períodos longos sem ingestão de alimentos), ou como consequência de excesso de medicação. Glicemias demasiado baixas podem levar ao estado de coma.
Felizmente, antes de entrar em coma, o corpo dá alguns sinais de alarme tais como: tremores, suores frios, sensação de fome despropositada, irritabilidade, visão turva, parestesias (formigueiros) nos pés e nas mãos. O diabético deve aprender a conhecer os seus sintomas de hipoglicemia, porque nem sempre são iguais, variando de pessoa para pessoa.
Se aparecerem alguns destes sintomas, que indiquem um quadro de hipoglicemia, o diabético deve fazer logo de imediato a ingestão de açúcar, aguardar aproximadamente até 10 min para que as queixas desapareçam, e de seguida fazer uma pequena refeição.
- Coma cetoacidótico ou cetoacidose diabética: O organismo não consegue aproveitar a glicose, que circula na corrente sanguínea, eliminando-a em grandes quantidades na urina. Para evitar que as células parem de funcionar o organismo vai utilizar a energia proveniente das gorduras e proteínas, está energia proveniente das gorduras irá dar origem a formação de corpos cetónicos, que poderão ser facilmente detectáveis com uma análise simples a urina.
- Coma hiperosmolar: Surge na diabetes tipo 2, sendo também muito grave. Embora os valores de glicemia estejam muito elevados, não aparecem corpos cetónicos na urina. Pode ser provocado essencialmente por erros alimentares e pelo facto de, com a idade, bebermos menos água por termos menos sede. É uma importante causa de morte nos idosos.
Como complicações crónicas da diabetes podem surgir:
Retinopatia, retinopatia diabética é um problema ocular que afeta os doentes com diabetes, e que pode levar a perdas de visão ou mesmo cegueira, esta complicação aparece lentamente e sem dor, quando surgem as queixas, já a retina poderá ter danos irreversíveis, por isso é de extrema importância a vigilância anual por um oftalmologista.
rim é outro órgão que pode ser atingido. Raramente causa dor, geralmente o primeiro sinal de lesão do rim, é o aparecimento de proteínas na urina (proteinúria), em estados mais avançados da doença, o rim pode mesmo deixar de funcionar, sendo depois necessário recorrer a hemodialise (tratamento que permite remover as toxinas e o excesso de agua do organismo, nesta técnica depurativa o elemento principal é uma membrana artificial que se encontra num dispositivo designado dialisador, normalmente conhecido por “rim artificial”)
sistema nervoso é também muitas vezes atingido pela diabetes, os sintomas podem ser alterações no funcionamento intestinal (como diarreia), do sistema urinário, perda de sensibilidade do tacto ao frio, calor ou a dor. É muito comum os nos diabéticos o aparecimento de feridas nos pés (que por vezes não sentem) e que podem levar em casos extremos a necessidade de amputação, daí a necessidade de cuidados redobrados com os pés nos doentes diabéticos, muitas das vezes os sapatos desadequados e unhas mal cortadas são a principal causa de feridas nos pés, dai a importância de saber escolher os mais adequados (ver link abaixo)http://birdmagazine.blogspot.pt/2016/06/calcado-para-diabeticos-como-escolher.html
A diabetes acelera também a formação de aterosclerose (termo geral que designa várias doenças nas quais se verifica espessamento e perda de elasticidade da parede arterial) nos grandes vasos que conduzem o sangue ao coração e ao cérebro.
A diabetes também se associa frequentemente a outros factores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, obesidade, triglicéridos e colesterol aumentado. Por estas razões a principal causa de morte nos diabéticos são as doenças cardiovasculares.
É assim fundamental e de extrema importância, um bom controlo da diabetes e de todos os factores de risco cardiovascular.

A DIABETES TEM TRATAMENTO?
Tem. Mas não tem cura. A atitude do doente diabético é tão importante para o seu controlo como a medicação.
Toda a família deve estar envolvida na conquista de um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada, com exercício físico regular, sem tabaco e sem excessos.

EXERCÍCIO FÍSICO E A DIABETES
O exercício físico é de extrema importância, actividades como andar a pé, de bicicleta, ginástica, nadar etc, ajudam a “queimar” a glicose que se encontra em excesso no sangue. Trinta minutos de exercício moderado por dia ajudam a controlar a diabetes e a evitar as suas complicações. Os diabéticos não devem fazer exercício em jejum para evitar o risco de hipoglicemia.

ALIMENTAÇÃO DO DIABÉTICO
Os alimentos devem ser variados e distribuídos por várias refeições ao longo do dia.
Para um adulto, nas refeições principais uma pequena quantidade (cerca de 100g) de carne ou peixe é suficiente. As gorduras visíveis e as peles de aves devem ser retiradas. Deve-se comer sempre legumes, hortaliças ou saladas e, se não tem excesso de peso, uma porção de arroz ou massa (de preferência integrais). A sopa é excelente caso tenha pouca batata e seja temperada com azeite.
Deve-se dar preferência aos cozidos e grelhados, temperar com limão, ervas aromáticas ou um pouco de azeite. Para fritar deve-se dar preferência também ao azeite.
O pão (de preferência integral) e a fruta (não consumir mais que 2 peças por dia) devem ser consumidas no intervalo das refeições principais de modo a fazer dois pequenos lanches. O leite (meio gordo ou magro) e os iogurtes (magros, de aromas, sem fruta) podem ser uma alternativa. Por fim deve-se comer sempre alguma coisa antes de deitar, de forma a evitar muitas horas de jejum.
É essencial beber bastante água ao longo do dia.
Deve-se evitar os doces, o açúcar, os bolos e as bolachas, bebidas gaseificadas, os sumos de pacote, os fritos e os molhos.

MEDICAÇÃO DO DIABÉTICO
De acordo com a necessidade do mesmo, a medicação do diabético pode ser dividida em:antidiabéticos oraisinsulinaoutros medicamentos.
Antidiabéticos orais: Têm por finalidade ajudar a insulina (que o pâncreas ainda produz) a cumprir a sua função (normalizar a glicemia). Existem vários tipos de antidiabéticos orais que por vezes podem ter ser ser usados em associação.
Insulina (injectável) : É necessária sempre que o pâncreas não consiga fazer a sua produção.
Outros medicamentos: Pode ser necessário ao diabético tomar cronicamente outros medicamentos para o tratamento ou prevenção de complicações da diabetes.
O diabético deve ser muito cuidadoso na toma diária da sua medicação, visto que é de extrema importância para o controle da sua patologia.



CARNE DE GADO COM GOSTO DE SANGUE HUMANO

MARGARIDA BRASIL 
...A distribuição da terra no território brasileiro, é injusta e fratricida. Especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E provem da divisão do Brasil, pelos colonizadores, em Capitanias Hereditárias e das Sesmarias, Imensidão de terras para pouquíssimas pessoas. 
... A muitos anos o Governo distribui terras entre os "seus amigos"... depois as recompra em pequena proporção, para lotear para os Agricultores, fornecendo-lhes condições para desenvolver o cultivo : Sementes, implantação de irrigação, eletrificação, financiamentos, infra-estrutura,
assistência social e consultoria, através de Órgãos Governamentais como o INCRA (Instituto de colonização e Reforma agrária). EMBRAPA etc.
...No entanto todos nós sabemos que a Oferta é irrisória para enorme demanda, o que ocasionou o Surgimento do M S T (Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra). O Estado do Maranhão é o exemplo mais estarrecedor, dentre os Estados das regiões NO...NE e CO.
...O Poema abaixo retrata uma Comunidade de Negros e Cearenses, dizimadas pelos fazendeiros que se apossaram daquelas terras no município central do Estado do Maranhão ( Olho D' água das Cunhãs) na localidade de Colonia.

domingo, 26 de junho de 2016

E A FEIRA À MODA ANTIGA JÁ BATE À PORTA [DE 1 A 3 DE JULHO, EM AMARANTE]

CRÓNICA DE ANTÓNIO PATRÍCIO
Festeja o seu 5.º aniversário aquela que é já uma tradição com pergaminhos firmados ou não tivesse saído das mãos de um amarantino dos quatro costados. Pedro Pinheiro, popular e amistosamente conhecido por “Pedro Ferreira da Cunha” é a alma e o corpo deste evento que tem trazido a Amarante, sem receio de errar, milhares de pessoas que, plenas de boa disposição, desfrutam de momentos de diversão e degustam uma gastronomia ímpar regada com os melhores vinhos da região e adocicada com os mais afamados doces conventuais. 

Instalada num Largo velhinho e prenhe de história é a recreação fiel da feira de contornos medievais que, em tempos não muito longínquos ali tinha lugar, e faz jus aos pregões, às cantigas ao desafio, às modas populares e tradicionais e, por que não dizê-lo, ao traje que, ao tempo, mais se usava numa tentativa – conseguida – de reviver momentos, maneiras de estar, atitudes e afeições das quais somos os mais fiéis herdeiros.

Honrar as palavras, o modo de vestir, a música, os comportamentos, as ocupações, as crenças e os locais de repasto e de diversão que foram dos nossos de antanho é um dever que nos cumpre respeitar na sua essência e recordar, revivendo, forma única e saudável de transmissão, aos nossos descendentes, como se vivia e convivia.

Queiramos quer não, as nossas raízes ainda absorvem muito do que, neste evento – Feira à Moda Antiga – se vai recreando fazendo com que, de quando em vez, a saudade nos faça sentir um aperto na alma que, logo se esvai, é certo mas, não deixou de se fazer sentir. O antigo e o moderno mostram como é possível viver e conviver e, se uns, abrem a boca ao verem um carro-de-bois cruzar a rua outros, não menos espantados, copiam o bocejo ao verem um casal vestido a rigor e de telemóvel ao ouvido.

O vinho tira o protagonismo à cerveja e as pataniscas relegam para o obscurantismo as francesinhas e os cachorros. Na “Feira à Moda Antiga” não há comida rápida, tudo leva o seu tempo, ou a harmonia de sabores e saberes não falasse mais alto no respeito intrínseco no que de melhor a terra dá.

O rio, testemunha viva de tudo e de todos, sussurra lamentos das dores e cansaços afogados nos cantares das lavadeiras que, com água até aos joelhos fosse Inverno ou Verão, branqueavam, nas suas pedras, as mais finas camisas de cambraia ou os mais rústicos lençóis de tomentos. 




Por isto, que ninguém fique em casa. Todos nos devemos dar por convidados. A Festa/Feira é nossa e, como tal, devemos contribuir com a nossa alegria e boa disposição, vestidos ou trajados como há cem anos e festejar a vida, dádiva que a Natureza nos empresta e que nós, como bons filhos, devemos aproveitar e partilhar em toda a sua plenitude.





Vinde, vinde todos, festejar avida, festejar Amarante.