terça-feira, 31 de maio de 2016

CRISE DE COSTA A COSTA

RUI CANOSSA
Crise. A palavra deriva do grego Krisis e significa conjuntura ou momento perigoso. De facto a crise que atualmente vivemos é o conjunto de desequilíbrios nos mais diversos mercados. Ora por excesso de oferta ou excesso de procura.

O governo de António Costa tem de procurar resolver os problemas que se têm vindo a instalar na economia portuguesa e na sociedade em geral.

De facto, a taxa de desemprego, principal flagelo da nossa economia, subiu para 12.4% no primeiro trimestre de 2016. A juntar a isto e relacionado está o volume de negócios nos serviços ter caído 5.7% e os consumidores portugueses perderam confiança pela primeira vez desde 2013. Os preços da produção industrial acentuaram a sua queda o que significa menos rendimento e risco de deflação. A produção na construção continua a cair 5.1%.

A nível de comércio externo as exportações caíram, 3.9% depois de anos de crescimento, tendo as importações recuado 0.8%, podendo agravar o défice comercial.

Mas a nível das contas do Estado o cenário não é o mais animador para usar um eufemismo. O Défice orçamental, que resulta da diferença entre as receitas e as despesas, aumentou 108 milhões de euros face a 2015, o que levou a agência de rating Moody´s a não acreditar no défice de 3% do PIB para este ano. E quando estes senhores não acreditam as taxas de juro para a dívida costumam aumentar. Relacionado com o défice excessivo está a dívida pública, ou seja, o que o Estado deve, por acumulação de défices sucessivos. Neste particular a dívida pública aumentou 1.7 mil milhões de euros.

Com este cenário de crise generalizada o governo tem pela frente um conjunto de desafios muito grande para resolver, já para não falar de outras crises em diversos setores sensíveis da nossa sociedade como é o caso da educação, justiça, da banca e segurança social. É caso para dizer que estamos em crise de Costa a Costa.

OS VALORES E A FAMÍLIA MUDARAM

ANUNCIADA CARAMELO 
La famille est sans doute la cellule de base de la société et, elle est ou devrait être , l’endroit pour l’apprentissage d’un certain nombre de valeurs humains indispensables à toute vie en société.Un peu partout dans le monde, malheureusement, nous assistons a une perte et à une dégradation de ces valeurs . Tous les jours, dans les médias, il suffit de lire les journaux, et accompagner les réseaux sociaux, pour voir que les crimes sont de plus en plus odieux. Des fils qui tuent les parents , des mères qui tuent leurs enfants, des viols collectifs, la maltraitance des enfants , des personnes brulées, démembrées, la corruption , l'abus de personnes âgées, sont des crimes plus en plus barbares, et on se demande où sont les valeurs, les droits de l'homme, les principes, l’éthique et, parfois même, on se demande si on peut encore croire aux liens qui, autrefois, unissaient et unissent les familles, si les vraies amitiés existent et si on peut avoir de l’espoir et croire à toute sorte d’amour.

Les priorités de nombreux gouvernements consistent à fournir une économie compétivite, gagner la bataille de la croissance et de l’emploi, une politique dont l’objectif politique puisse répondre aux exigences du budget européen et tout cela au détriment de tous les sacrifices que cela puisse causer.

Il est vrai que personne ne peut vivre sans argent, biens matériels, cependant la société se concentre dans une culture de «avoir» plutôt que dans une culture de «être», ce qui origine un cercle vicieux, dans lequel tout tourne autour du travail et, où l’ont exige chaque fois plus à ceux qui travaillent, ne leur restant aucun temps pour être en famille. Tout est fait d’une façon mécanique, en courrant contre le temps et, les relations familiales et les amitiés sont déléguées à l'arrière-plan, parce que le plus important est le succès professionel et payer les comptes à la fin du mois.

Dans cette course contre le temps, on se rend même pas compte que, souvent, beaucoup de jeunes et enfants ne cultivent leurs amitiés que d’une façon virtuelle et que les plus agées sont jetés dans une profonde solitude. Même si on se rend compte, le temps est trop précieux et dans cette course il n’y a pas beaucoup de place pour ceux qui sont seuls et vulnérables.

Le grand problème est que les personnes sont trop occupées et les politiques mises en oeuvre ne leur permettent pas d'avoir plus de temps à consacrer aux enfants , aux personnes âgées , à la famille et encore moins d’avoir une vie sociale normale. Le résultat de ces politiques , le manque de temps et la fatigue conduit à un manque de dialogue, manque de compréhension et ainsi au manque de la mise en œuvre de valeurs et de principes .

La crise de valeurs et de principes ne peut être combattue qu’avec des liens affectifs entre les générations, afin qu'il y ait un échange d'expériences, un apprentissage mutuel, une fortification des générations plus jeunes et ainsi apaiser la solitude des générations plus âgées.

Je crois que la tâche de construire une société meilleure n’est pas facile, mais si nous jouons un bon rôle dans la famille , s'il y a des valeurs , des principes, et de la solidarité, nous aurons certainement des générations moins seules et plus heureureuses.

UMA CASA, DOIS GATOS E AFINS

É inequívoca a nossa necessidade de cuidar.

ELISABETE SALRETA
Na maioria dos casos, claro. Salvo as excepções que se pautam por desordem do foro psicológico ou de formação, pura e simplesmente.

Facto é que necessitamos da companhia dos animais e eles aprenderam a viver com a nossa. Acaba por ser uma simbiose reciproca embora muita gente não o admita.

Tanto o cão como o gato são os nossos fiéis amigos desde tempos imemoriais, quando o nosso sedentarismo começou, enquanto espécie que somos, embora eu acredite que tenha sido muito antes disso.
Hoje em dia o leque de “amigos” ou “filhos” é muito mais vasto e chega a ser até bizarro.

Mas é certo que eles preenchem um qualquer vazio que possa existir dentro da nossa alma e amam-nos incondicionalmente.

Cá por casa já existiram umas quantas espécies. Todos eles chegavam com uma história. Não era importante o seu “envelope”. Apenas o que significavam para nós. Amor. Cuidado. Respeito. Afeto.

Lembro-me da Adelaide, uma pata muda que viveu até aos 18 anos e que viajou de Moçambique até Alenquer, onde acabou os seus dias. Nasceu dentro de uma gaveta da mesa-de-cabeceira e foi-se fazendo pata aos poucos. Teve uma boa vida, onde foi estimada e amada. Respeitada e cuidada, presenteava-nos, já para o fim, com um ovo por ano.

Lembro-me do amigo fiel da minha filha, o Simão, um coelho que era suposto ser anão. Amavam-se tanto e confiavam tanto um no outro que a relação era bonita de se ver. Ela adorava ir para o parque andar de patins com o coelho dentro da mochila, apenas com a cabeça do lado de fora. Andavam os dois de baloiço e divertiam-se no escorrega. Um dos momentos mais memoráveis era quando brincavam na relva em frente ao prédio. Faziam corridas e jogavam à apanhada em redor de uma palmeira. A essa hora, todos do prédio vinham à janela para apreciar tamanha balbúrdia. Era ver carros a parar para apreciar e ouvir gente a dizer: - Oh minha senhora. Quando vejo um coelho, é a fugir!

E divertiam-se tanto. Partilhavam o banho com a esteira de hidromassagem e as cenouras. Ele dormitava em cima dos cadernos aquando dos trabalhos de casa e estavam todos, invariavelmente, mordidos.

Tinha uma predileção por fazer assaltos às bolachas do bar. Rasgava o papel e saco dos pacotes, e servia-se. As da altura do Natal, com especiarias, eram as prediletas. 

Deitava-se ao colo da menina dele e dormia grandes sestas de barriga para cima. Andavam juntos por todo o lado.

Fomos de férias para o Alentejo onde alugamos uma pequena casa. À hora de ir ao café da terra, onde tudo se passava, lá ia o coelho atrás dela, junto aos seus pés. Não precisava de coleira. Apenas seguia-a. Chegando ao café, corria a bancada baixa de revistas da actualidade e no fim do balcão deixava-se cair, numa soneca repousante. Todos nos conheciam pelas meninas do coelho. Entrava pelos quintais direito aos vasos e canteiros de hortelã que tragava ferverosamente. Eu dizia que ele era uma canja temperada. Deliciava-se sempre que apanhava “chá de príncipe”, devorando rapidamente as suas longas folhas como se fossem esparguete. Nos dias de calor, gostava de beber água de um copo com gelo. Foi uma eterna alegria durante os seus quase treze anos. 

Estava sempre junto de mim à hora de fazer o jantar pois sabia que teria direito a uma cenoura, um talo de couve e mesmo a um pedaço de maçã. 

Numa noite de inverno, trouxe para dentro de casa uma floreira que tinha à janela cheia de hortelã. Esqueci-me dela em cima da gaiola do Simão que estava montada na cozinha, mas sempre de porta aberta. No outro dia de manhã, o vaso estava rapado. Imaginem um corta relva que deixasse só os tronquinhos castanhos rentes à terra. Foi o que aconteceu. O Simão devorou uma floreira bem rechonchuda de hortelã. Tinha um cheiro a canja que nem se podia. Toda aquela hortelã dava-lhe um belo hálito, com o calor do corpo, era uma perfeita canja. Naquele dia jurei-lhe pela pele. 

Pregava-nos sustos quando dormíamos a sesta e nos vinha chamar à cama. Batia com o pé. Como ninguém lhe ligava, saltava para cima da cama e vinha-nos cheirar como se fosse um gato.

Nunca mordeu. Nunca arranhou, a menos que fosse sem querer, a descer do colo ou assim. Estragou muitos fios elétricos. Descascava as batatas que estavam no cesto da cozinha. Estava sempre presente. Foi um “amigo”, um “filho” e “irmão” que deixou muitas saudades. 
Para sempre amado.

A ÉTICA KANTIANA, A FELICIDADE, OS AFECTOS... E OS GATOS

A MIA ESTÁ DESAPARECIDA HÁ QUASE 15 DIAS 
REGINA SARDOEIRA 
Kant, um filósofo que me apraz citar quando o tema são os valores éticos, definiu assim a felicidade: 
É um estado tal em que sempre o querer coincide com o dever. 

Partindo do princípio que, para Kant, o dever é o respeito pela lei, que a lei se impõe de forma categórica, como um imperativo (sendo originária da razão humana) e que o homem alcança a sua real dimensão, ultrapassando os mobiles da sensibilidade e regulando-se a si próprio, enquanto pessoa (legislando as normas da sua acção), detectamos aqui, desde logo, a necessidade de um constrangimento, de si para si mesmo, já que o homem é animal e, nessa medida, não lhe é possível subsistir ignorando as pressões biológicas, e logo sensíveis. 

Cumprir o dever reitera a nossa dimensão maior, a de pessoa, mas não exclui a premência biológica, a necessidade de lutar pela vida, em ordem à subsistência. Ora, sendo dual a natureza humana, percebemos que, diariamente, somos confrontados com a necessidade de escolha entre os instintos primários da animalidade e os ditames superiores da nossa razão. Percebemos ainda que escolhemos, inúmeras vezes, os instintos animais em detrimento das ordens da racionalidade e que nos sentimos felizes pela e na transgressão: quando ignoramos o dever, mesmo conhecendo -o, quando nos entregamos ao vício ou à dissipação, mesmo sabendo não serem essas as condutas apropriadas. 

Tenho um profundo respeito pela ética deontológica de Kant, entendo-o plenamente quando desvincula a acção por dever da acção em conformidade com o dever e vejo que a verdadeira dimensão humana se encontra, por inteiro, nesta concepção de homem. Todavia, quando penso em felicidade, percebo, à saciedade, que esta ética rigorista, absolutamente enraizada no cumprimento da lei e no dever, como lei em si mesmo, não conduz a semelhante estado. 

Evoco e rememoro sem cessar o tipo de sentimento que liga os homens a outros homens, vejo como todos buscam a felicidade, uns através dos outros, e percebo que não é o altruísmo que nos faz amar aqueles a que chamamos "o próximo", mas antes uma grande necessidade de satisfazer instintos e impulsos, quantas vezes à revelia daqueles que consideramos amar. 

Juntam-se dois seres humanos que dizem amar-se. Mas cada um pensa, quase exclusivamente, no prazer que lhe dá aquele que julga amar, na falta que lhe faz, quando não está presente, o eleito da nossa afeição. Se o imaginamos a passar o tempo com outro, mesmo que ele se sinta, desse modo, feliz, somos, de imediato, mordidos pelo ciúme, não temos sossego e castigamo-lo por isso. 

Quantas vezes a nossa felicidade se constrói à custa dos outros, aqueles que dizemos amar e que, a maior parte das vezes, na verdade, desconhecemos! 

Até há dez dias atrás, tinha comigo a pequena gata Mia, dava-lhe a minha casa, a minha atenção, o meu afecto. Tornou-se a minha companhia dilecta, tanto mais que fico sozinha a maior parte do tempo, e nela depositei o fervor dos meus sentimentos de amizade, de carinho e de tudo o que, enfim, considero ser o amor. 

Acreditava que, ao seu modo de gata, ela me correspondia, devolvendo-me afecto; e ainda que, estar aqui, comigo, privando do meu espaço, era tudo o que de melhor ela poderia almejar - se pudesse fazê -lo. Quando, na madrugada de 19 para 20 de Maio, sem que eu o suspeitasse, ela se ausentou, descendo pela varanda e deixando-me, até hoje, precisei de reequacionar o meu afecto por ela. 

Faltava, ao seu espírito animal, a conquista da aventura, ela não conhecia o mundo que muitas vezes observou daqui, por detrás da vidraça. O seu temperamento ousado e aventureiro que, dentro de casa, a levava a trepar pelas cortinas para chegar mais acima e depois a querer ir mais além e, quem sabe?, a caminhar pelo tecto, pendurada de cabeça para baixo, mas em luta com as leis da gravidade, tê-la-á conduzido nessa noite, à exploração do mundo para lá da confinação de um pequeno pátio, esse mundo cheio de ruídos, de movimentos, de odores que a força do meu afecto lhe haviam sonegado. 

Quando descobri a fuga, na manhã seguinte, quis acreditar, primeiro, numa queda. Se ela tivesse caído do parapeito da varanda, eu tinha razões para me compadecer e para procurá-la incansavelmente, como tenho feito. Mas, e se ela, muito simplesmente, tivesse querido aventurar-se um pouco mais além? Talvez não tanto como acabou por acontecer, pois o bafo desse outro mundo ignoto foi, decerto, um pouco demais; porém, ela tinha o direito, enquanto ser da natureza e soberanamente livre, de experimentar os seus limites. 

Todavia, escrevo estas palavras e interrogo -me: será possível que a minha gata Mia tenha subido ao parapeito da varanda, pelas horas silenciosas da madrugada e "decidido", muito simplesmente, fazer uma escalada, rumo à sua liberdade? O seu cérebro, considerado incipiente, por ser felino, pôde, naquela hora, "escolher" a descida para um universo de onde havia sido, por mim, excluído? Terá desejado voltar, depois, quando a fome, o frio, o medo se lhe apresentaram sem uma solução pronta e, muito simplesmente, não encontrou o caminho? 

Aparentemente, não é possível que um gato seja capaz desta teia complexa de congeminações. Não consideramos credível que os gatos tenham o poder de escolher o seu destino e sentimo-nos muito generosos porque tomamos conta deles e lhes oferecemos um lar. Por isso, a minha primeira reacção foi imaginar que a Mia escorregou e caiu e recriminar-me por ter deixado aberta a réstia de espaço que lhe permitiu aceder ao ar livre. 

Tenho deambulando por aqui e por ali, nas redondezas, a ver se a descubro. E vou pensando que, afinal, eu é que preciso dela, eu é que me tornei dependente do seu pequeno ser do qual me havia apropriado! Eu é que a escolhi para me servir de companheira e tomei posse dela a ponto de lhe chamar "minha"! 
Desejo que ela regresse, embora não consiga imaginar, com que poderes descobrirá o caminho de volta. Estou sempre à espera de a ver surgir de um esconderijo qualquer e manifestar que me conhece. Mas digo muitas vezes a mim própria, tentando cumprir o preceito kantiano: se ela estiver bem (se for feliz), a despeito da falta que me faz, se o sítio que encontrou e onde vive (se é que vive), nestes dez dias entretanto cumpridos, eu tenho que alegrar-me por ela e festejá -la porque quebrou amarras de encontro ao seu destino. 

Para todos os efeitos, a Mia, quer apareça, quer não, deu-me uma lição, a mim, que tenho vivido, invariavelmente, com um ou dois gatos e observado que, todos eles, saíram, um dia, por esta mesma varanda ou por uma janela (para regressarem algum tempo depois). Os animais, sejam ou não domésticos (ou de casa, como lhes chamamos) têm intrínseco direito a fruírem da sua natureza em pleno, a explorarem os territórios para que os chama a sua vontade ( ou o seu instinto, se vontade parecer uma redundância minha). E então, se a Mia voltar, há -de ter a porta aberta para ir e vir sem precisar de vencer obstáculos, como a descida da minha varanda do segundo andar lhe terá proporcionado. 

Fará algum sentido, para quem me lê, este conjunto de pensamentos em que articulo a ética kantiana, os afectos, a felicidade e os gatos?

COPA AMÉRICA CENTENÁRIO 2016 – ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

CRÓNICA DE GONÇALO NOVAIS
Passaram-se já 100 anos desde que, na Argentina, a selecção da casa, juntamente com Brasil, Uruguai e Chile, disputaram a primeira edição da prova mais carismática de selecções do continente americano, que também se realiza pela primeira vez nos Estados Unidos, numa prova em que a CONMEBOL e a CONCACAF aparecem unidas em torno da celebração do centenário desta grande competição.

Investigações em torno de alegada corrupção na FIFA ainda complicaram a realização do certame em solo norte-americano, mas a confirmação dos EUA como anfitriões viria a ser oficializada em Agosto de 2015, confirmação já há muito aguardada, uma vez que toda a preparação do evento já estava em pleno decurso.

Haverá pela primeira vez dezasseis equipas na competição, como serão os já habituais 10 membros da CONMEBOL (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia, Equador e Venezuela), o México (representante da CONCACAF), a Costa Rica na condição de vencedora da Taça Centro-Americana de 2014, a Jamaica na condição de vencedora da Caribbean Cup de 2014, o Panamá e o Haiti como vencedores de um «play-off» de classificação, e por fim os anfitriões Estados Unidos da América.

Haverá quatro grupos com quatro equipas cada um. Os anfitriões norte-americanos estão inseridos no Grupo A, onde terão de medir forças com a Colômbia, a Costa Rica e o Paraguai. No Grupo B, o candidato Brasil terá pela frente o Equador, o Peru e o estreante Haiti. No Grupo C, Uruguai e México tentarão confirmar dentro de campo o seu favoritismo face à Venezuela e à Jamaica. E por fim teremos um duelo de titãs entre o campeão em título Chile e a Argentina, que terão ainda a companhia de Bolívia e Panamá.

A festa do Centenário da Copa América vai estar espalhada um pouco por todo o país. Na costa leste, mais a norte, o Lincoln Financial Field (Filadélfia), o MetLife Stadium (East Rutherford, Nova Jérsia) e o Gillette Stadium (Foxborough, Massachussets) serão os palcos eleitos, tendo mais a sul na Flórida o Citrus Bowl em Orlando. Já na costa oeste a acção vai desenrolar-se nos estádios californianos Rose Bowl (Pasadena) e o Levi’s Stadium (Santa Clara), bem como no Estádio Universitário de Phoenix (Glendale, Arizona), e mais a norte no CenturyLink Field em Seattle, já não muito longe da fronteira canadiana. No centro-norte do país, o Soldier Field de Chicago receberá a prova no estado do Illinóis, ao passo que mais a sul o NGR Stadium de Phoenix faz do Texas parte do roteiro da prova.

Será em Santa Clara que Estados Unidos e Colômbia abrem a competição com um jogo apetecível a 4 de Junho, terminando a prova no dia 26 de Junho em East Rutherford.

Toda a prova terá o acompanhamento da BIRD Magazine, com breves antevisões das partidas, e análises dos jogos ocorridos durante todos os dias da competição. Iremos manter os leitores sempre informados de tudo o que vai acontecendo do outro lado do Atlântico, de modo a poder acompanhar uma das provas futebolísticas mais importantes do planeta.

Acompanhe-nos nesta aventura, da mesma forma que nos irá seguramente acompanhar na aventura europeia, que acontecerá numa França bem perto de nós.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

DISMETRIA - O QUE É?

FÁTIMA LOPES 
A diferença de comprimento dos membros inferiores é designada por dismetria ou heterometria ou seja é a diferença entre os comprimentos (uma perna maior do que a outra), causada por alteração anatómica ou estrutural dos membros inferiores. Estas alterações podem aparecer por posturas viciadas de um membro ou por aumento desigual real dos membros inferiores.

A apresentação clínica varia com a severidade da disparidade da longitude dos membros, as diferenças menores de 0,5 a 1,5 cm entre o lado direito e o esquerdo são muito comuns; frequentemente os pais e paciente não se dão conta dessa desigualdade entre ambos os lados.

Pode afetar vários segmentos da mesma extremidade ou várias extremidades (alongamento de um lado e encurtamento do outro). O diagnóstico deve ser efetuado por um médico e ou Podologista/Podiatra; pois ocasionalmente pode ser complicado determinar qual é o lado “normal “e qual o mais longo ou curto visto que é na extremidade inferior que se estabelecem compensações, equilibrando a pélvis. Na extremidade inferior altera-se a báscula pélvica, a estabilidade, o equilíbrio ou a marcha e se deteta contraturas articulares na anca, joelho e tornozelo.

O joelho e a anca podem também compensar com extensão do membro mais curto e /ou flexão do membro mais longo.

Se a perna é deixada descompensada, a espinha ilíaca anterior e posterior estão mais baixas no lado da perna mais curta o que por sua vez poderá resultar num desnivelamento sacral e/ ou escoliose.

A Dismetria interfere na marcha e na corrida?

Sim, a dismetria tem efeitos na marcha, corrida, postura e deambulação e pode causar fraturas de stress no fémur e na tíbia e o membro mais longo responsável por lombalgias (dores na coluna vertebral); causador de escolioses (desvios na coluna vertebral). Existe também uma forte correlação entre o membro mais longo e fasceíte plantar unilateral (dor na planta do pé).

Qual o tratamento para a Dismetria?
O tratamento para a dismetria será sempre ortopodológico através da aplicação de uma ortótese plantar personalizada.

LAÇOS DE FAMÍLIA

MARGARIDA BRASIL 
A transmissão de energia se dá através de sentimentos...
A convivência forma as ligações energéticas entre indivíduos...
No mesmo patamar de evolução...
Quanto maior a proximidade, o amor..Mais fortes são as ligações...
Cada um busca no parceiro as energias que o complementam...
Os filhos são Laços eternos e profundos, resultantes do amor...


Antes as mulheres se uniam aos homens com o objetivo de formar um lar... A segurança de um provedor, para gerar e criar os filhos.
Com a emancipação feminina, ela suplantou seus instintos naturais...
Esquecendo valores éticos fundamentais.: Resultado:
Entre os casais que a mãe trabalha fora, há maior índice de separação...
O relacionamento dura menos tempo. 
Quando a mulher começa a trabalhar após o nascimento dos filhos... 
Ela dispersa o núcleo energético... Família...Centrado na Mãe.

As mães que deixam os filhos sozinhos aos cuidados de outrem, são como galinhas que entregam seus pintinhos aos cuidados da raposa...
As energias do pai funcionam como proteção contra estranhos ao ninho...
Pais fora de casa.. São alvos fáceis de ligações libidinosas, dando margem.. E propensão à traição.. Prostituição... Enfraquece a Redoma Energética... Desfazendo-se a família.

Surge então o despejo dos filhos nas drogas, e toda espécie de vícios..
Gerando a dor e a destruição dos Valores Familiares.
O casamento foi instituído para que o casal não se desfizesse até que
Os filhos tivessem estabilidade emocional, a ponto de serem cidadãos...
Com princípios Éticos e Morais...E Bons costumes...

Há um agravante tenebroso em relação às famílias...
Os adolescente... por conta dessa quebra da Redoma Energética...
Entram para o mundo das drogas..do crime, eliminando-se uns as outros...
Deixando AS jovens sem homens para se casar.
Por causa da pobreza...Muitos pais de família migram para outros Estados ..
Em busca de melhores condições de vida... Deixando filhos abandonados...
E viúvas de Maridos Vivos...

Por ser o Ceará, um Estado de Vocação Turística...
Muitos visitantes descobrem aqui um lugar para encontrar boas esposas.. O que não é um fenômeno novo...Vem acontecendo a vários séculos...
Quando as tribos indígenas guerreavam entre se...
Resultando na viuvez das nativas...E um alto índice de orfandade.

...Essa cultura de morte e destruição das famílias, vem se cristalizando..
Na.. nossa sociedade, gerando o Caos Social que ora atravessamos.

“EU GOSTO DOS BOMBEIROS E TU?”

JOÃO MONTEIRO LIMA
Antecipando um verão que não sei quando chegará, escrevo a pensar nos incêndios florestais que todos os anos assolam o País no Verão e que reduzem a cinza muitos milhares de hectares de floresta, que matam muitos milhares de animais, destroem casas, levam tantas mulheres e homens (os bombeiros) à exaustão, quando não lhes rouba a vida.

Não tenho a solução para acabar com este problema, mas penso que se todos reflectirmos poderemos contribuir para, pelo menos, reduzir a dimensão da catástrofe e simultaneamente transmitir a nossa gratidão a quem está sempre pronta a dar a vida por nós.

Se da parte dos Bombeiros o trabalho é feito ao longo do ano, com formações, com melhores equipamentos de protecção, com a aposta em melhores viaturas, da nossa parte, da parte da sociedade penso que muito há ainda para fazer.

É fácil de perceber que há que apostar na prevenção (através da limpeza dos terrenos), na denúncia de situações potencialmente perigosas e potenciadoras de incêndio, existindo, no entanto outras duas formas de ajudar e que muitas vezes a sociedade não lhes dá importância que deveria. Refiro-me por um lado, à valorização do papel do Bombeiro  na sociedade e por outro, à necessidade de exigir ao Estado que conceda aos Bombeiros diversos benefícios, a começar, por exemplo, pela retribuição monetária que é paga aos Bombeiros que fazem parte das equipas de combate aos incêndios.

É inquestionável que os bombeiros que integram as equipas de combate a incêndio são muito mal pagos face aos riscos que correm. Um exemplo - nenhum de nós, que não bombeiro, está disposto a combater incêndios durante 24horas e depois receber apenas cerca de € 45, mas é isto que acontece actualmente. O problema não é de agora, mas arrasta-se ao longo dos anos, sem que as sucessivas tutelas tenham a coragem de alterar o valor, explicando (se necessário) o porquê de subir ao valor a pagar.

Mas nós, enquanto sociedade, temos o dever de valorizar o papel do bombeiro, reconhecer a acção dos Bombeiros que apenas se alicerça na vontade de “fazer o bem sem olhar a quem” e demonstrar-lhes a nossa gratidão. Com acções, públicas ou privadas, através das quais eles percebam que nós lhes estamos gratos por tudo o que nos fazem.

Já repararam que a maioria da sociedade só se lembra dos Bombeiros quando precisa deles? E ainda há alguns que apenas sabem dizer mal dos bombeiros?

Eu não. Eu lembro-me dos bombeiros todos os dias. Eu gosto dos Bombeiros.

Deixo-vos um desafio - Vamos mostrar que gostamos dos bombeiros. Alinham?


domingo, 29 de maio de 2016

RETALHOS OMNIPRESENTES DA CAPICUA


MIGUEL GOMES
Soçobro por entre a chuva e o sol, terra e ar. Que elemental e elementário se fracciona em dígitos que não sabemos decifrar, cifrar, digerir e aglutinar? A questão moraliza, porquanto de resposta nos faça encontrar em nós um pouco mais de self, crescer a consideração, decrescer a virtualização, destruição de imagens reflexivas e descobrir que o melhor de cada um está em si próprio e não no reflexo de uma imagem que julgamos ser ou, pior (?), no reflexo em nós daquilo que outros são sem o serem e sem o saberem... Sempre nós, sem nós que nos atem.

Tens nas asas o despertador que fará acordar-te para a inevitabilidade do voo sincronizado entre o que és e o que te são. Os dedos intervêm quando a química obriga a trocar o horizonte pelo crepúsculo e troçar do futuro, a marca do que me visto tem traço onde os números não me medem, são coordenadas para as páginas e capítulos onde laureio obtenção da nudez com que tento vestir-me. Concluo o folhetim sem sequer ter noção de onde comecei ou se comecei. De caminhos, apenas os que sigo quando vagabundeio sem me deixar apanhar pela solidão, pé ante pé, até chegar ao local de onde parti, a mim mesmo. Vou a mim, volto já. Talvez com mais estrelas do que as levei no bolso, ontem, quando as palavras se sentiam banais e eu, contigo, era certamente mais.

Anseio pela maior junção de palavras que me permita exprimir e não espremer o sabor do fruto dos meus dias. Se cada olhar me prende pelo infinito, como poderei esgrimir argumentos entre o incalculável e imensurável? Os dias são eternos, cada milésimo de segundo replica-se eternamente, sempre à espera que eu volte atrás e retome a vida que ficou naquele(s) instante(s). Engana-se quem da vida conta horas e anos. A vida é o constante movimentar pelo universo e multiverso, de forma tão rápida que nos encontramos a nós próprios em todos os locais no mesmo instante... A omnipresença representa-se pela inexistência, algo a que me reporto para me encontrar. Não estou aqui, inexistirei ali.

Entrego corajosamente à solidão, o medo, a timidez e a espuma que sobrou da última maré. Faz-se mar, mesmo a água que nunca choveu, numa espécie de arremesso da covardia onde se obtém apenas como eco o silêncio e a revoltosa ignobilidade de um sopro em forma de aroma de café. Cobre-te, criança, o frio da insatisfação pode hipotermar-te as ideias e os neologismos. Capicuo-me de forma às minhas ideias utópicas fazerem sentido ou, talvez, seja apenas o meu desejo de da trindade santíssima sobrar um numeral que não menospreze quem se deixa adormecer de pé ou, sabiamente, se deita e diz, com a certeza que une os loucos e aqueles estranhos seres desassociados da sociedade actual, "por hoje já está, amanhã deus dará". 

Precisamos do nada para descobrirmos e desmascararmos o tudo. Previsão para os próximos minutos: horizonte nublado pelo vapor da chávena de café, calor na palma das mãos, humidade relativa em crescendo , pelo menos até o ar quente que a combustão da lenha que crepita me trouxer memórias de tempos de outros tempos, como agora, quando não sei se estou já do lado de cá da vida ou já adormecido a olhar pela última vez para trás e reverenciar a visão deste pequeno berlinde azul antes de rumar ao inexistente infinito. Sobra pouco, muito pouco, de peças caídas do meu relógio. Creio ter acreditado que o tempo era medido por mim e, talvez por isso, dias de hoje me saibam a segundos quando, por sua vez, segundos de viva Vivida em catraio me estejam ainda nas covas dos dentes e no fundo da retina circundados de verde. Antes, um campo cheio de água era poço de aventuras, hoje é ponto inicial para, não se perca a rima, uma conversa banal. 

Tempos houveram, tempos e nós, de admiração e pacatez, entre a vida e o que o caminho de terra em nós fez. Agora sobramos adultos, campos cheios de água na qual não sabemos brincar. Adultos. Vultos. Deixo-me agora regar, aproxima-se caronte, mas de mim leva apenas uma barca sem água onde navegar, nem uma moeda, coitado, de cego não sabe que o caminho se vislumbra melhor de joelhos, após uma queda. Sobra pouco, muito pouco e por isso me sinto pleno, mais pleno.

MUITA MERDA

MARCOS PORTO
Durante os século XVI e XVII as salas de espectáculo encontravam-se reservadas a uma classe social minoritária que se deslocava através de luxuosas carruagens puxadas por cavalos. Nas noites de espectáculo, as pomposas avenidas das grandes cidades, inundavam-se com a burguesia que drenava pelas plateias espalhadas dentro dos teatros. Na rua ficavam à sua espera os coches lustrosos, e claro, os cavalos. No final, a quantidade de excrementos que os equídeos deixavam para trás serviam como medidor do sucesso de audiência de um espectáculo. Muita merda ainda hoje é sinónimo de boa sorte para os profissionais da área.

Em 1976, Mário Soares, então líder do I Governo Constitucional, automatizou pela primeira vez a Cultura enquanto Secretaria de Estado na dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros. Curiosamente e apesar de um fosso temporal quadragenário, o mesmo estatuto que lhe atribuíram Passos Coelho e Paulo Portas na última legislatura.

Três anos mais tarde, desta vez sob a alçada de Maria de Lurdes Pintassilgo a Cultura é agraciada pela primeira vez com o estatuto de ministério, enquanto Ministério da Coordenação Cultural, da Cultura e da Ciência. Lamentavelmente, nos anos que se seguiram a alternância do papel da Cultura no cenário político português oscilou ao sabor dos ventos que ora sopravam à Direita, ora sopravam à Esquerda. Mais do que opções resultantes de uma qualquer ideologia é o preconceito ideológico que alimenta o desrespeito e negligência a Cultura.

Prova disso é a aparente falta de critérios na escolha dos representantes da pasta da “política cultural”, os instrumentos administrativos nesta área foram com frequência construídos de forma amadora e sem se verificar a sua eficácia. Governa-se a olho e rejubila-se a velha máxima “quem tem olho é rei” enquanto o património cultural passa de luxo supérfluo a rosa na lapela.

Com a “Geringonça” em funcionamento desde Novembro de 2015, a Cultura volta a elevar-se ao estatuto de ministério e João Soares é o nome apontado por António Costa para assumir o papel de protagonista.

O seu nome ressoou na imprensa nacional com alguma surpresa. Depois da morte recente de Paulo Cunha e Silva, vereador da Cultura do Porto, ter afastado aquela que era apontada como a solução mais evidente para a pasta, António Costa faz regressar este socialista de 66 anos a um passado longínquo, no seu currículo na área da gestão da cultura destaca-se, entre 1990 e 1995, a vereação desse pelouro na Câmara de Lisboa, que depois veio a presidir (1995-2002). Como vereador, deve-se a João Soares a criação da Videoteca de Lisboa, em 1991, da Casa Fernando Pessoa, em 1993, ou a abertura ao público do Arquivo Fotográfico Municipal em 1994. Foi durante o período em que foi vereador que se deu Lisboa Capital Europeia da Cultura em 1994, na altura presidida por Vítor Constâncio, numa sociedade de capitais públicos que juntava a autarquia e a Secretaria de Estado da Cultura.

O filho de Mário Soares e de Maria Barroso chegou a ser descrito pela opinião pública como “alguém com peso no Gorveno e no partido” assim como “uma pessoa combativa”. Ora, estando a veracidade da primeira afirmação confirmada a olhos vistos, João Soares não poupou em esforços para validar a segunda.

A acção desenlaça-se em volta de um artigo de opinião onde Augusto M. Seabra critica os primeiros quatro meses de governação de João Soares à frente da pasta da Cultura. Analisando casos tão controversos como a demissão de António Lamas do Centro Cultural de Belém (CCB) ou a nomeação de Pacheco Pereira para a administração da Fundação de Serralves, Seabra reprova o “estilo de compadrio, prepotência e grosseria” e diagnostica “uma situação de emergência” no sector cujas raízes atribui já ao governo de José Sócrates. No texto, João Soares é descrito como um “derrotado nato”, referindo-se às suas participações nas eleições autárquicas em Lisboa e em Sintra e para o cargo secretário-geral do PS.

O então ministro da Cultura não conseguiu esconder o seu desagrado e através de um comentário na sua conta da rede social Facebook, recordou: “Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir, não me cruzei com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas contínuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia”. Mais à frente no mesmo comentário João Soares avisa: “Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também”.

Convenhamos que é um pouco inoportuno, que o ministro primogénito do pai da democracia, escolha a repressão física para advertir a comunicação social acerca dos artigos de opinião que considera desagradáveis. Mas como todos sabemos, há merdas que estão no sangue.

Embaixador e poeta, o novo Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, o ex-representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo, entrou em cena no passado dia 14 de Abril, apenas dois dias após da demissão, aceite com “naturalidade”, citando as palavras do próprio primeiro-ministro António Costa.

Desde sempre próximo do PS, o novo ministro da Cultura nunca foi, no entanto, militante do partido, como não o foi de nenhuma outra força política após ter entrado na carreira diplomática, em 1975. A par da sua longa carreira diplomática, iniciada há mais de 40 anos, Castro Mendes vem também mantendo um consistente percurso de escritor, sobretudo poeta, iniciado ainda mais cedo, em 1965, quando vê os seus primeiros poemas publicados em letra de imprensa nas páginas do célebre suplemento Juvenil do "Diário de Lisboa".

Colocado no Conselho da Europa desde 2012, Castro Mendes fora antes o representante de Portugal junto da UNESCO, em Paris, posto em que substituiu Manuel Maria Carrilho, e que viria a ser encerrado no âmbito da remodelação do Ministério dos Negócios Estrangeiros levada a cabo no consulado de Paulo Portas.

A desvalorização da pasta por parte do anterior Governo trouxe consequências negativas para o sector. Por um lado, pelos reduzidos orçamentos e suas débeis execuções orçamentais. Por outro, pela redução da capacidade de negociação e de autonomia tão fundamentais para agilizar procedimentos a nível nacional e internacional, indispensáveis para uma política cultural eficaz, concertada e planeada a médio e longo prazo. Numa luta constante de formação de políticos para a cultura numa perspectiva de contrariar os dados do Eurobarómetro que indicam que Portugal é um dos países da União Europeia com indicadores de acesso e participação cultural mais débeis.

É necessário contrariar anos e anos de longos caminhos sinuosos e garantir à Cultura o estatuto e o respeito que lhe à muito lhe são devidos. É necessário mais peso negocial em Portugal e no estrangeiro. A fatia do Orçamento de Estado dedicado à Cultura para 2016 encontra-se muito longe de atingir os níveis desejados. Com uma tarefa homérica pela frente Castro Mendes já recordou que “a política é a arte do possível”.

O mundo das artes cada um representa um papel a desempenhar e o de Castro Mendes esta longe de ser um dos mais fáceis. Cabe-nos a nós desejar-lhe com toda a sinceridade “muita merda”.

sábado, 28 de maio de 2016

O VALOR DA VIDA HUMANA

ANTONIETA DIAS 
Quanto maior for o nosso conhecimento sobre a consciência e o valor da vida humana mais se saberá sobre o problema duro da integração da lógica no exercício da nossa atividade e sobre o porquê da consciência como um todo.

A solução do sofrimento humano não depende do conhecimento disponível e indubitável que as teses de detalhe pertinentes ou não nos possam dividir entre a defesa do Ser Humano e do parecer.

As hipóteses e as soluções dependem do conhecimento que se possui de todas as partes que constituem e que consolidam o sentimento da dignidade da vida humana.

O cérebro humano é o mensageiro da Paz, é ele que interpreta e sustenta as nossas decisões.

A fronteira entre o conhecimento e a ignorância definem a estratégia para o avanço e convicção do argumento e da compreensão entre as variantes expressas que solidificam os pareceres dos defensores das teses cujo enunciado "Eutanásia " pode determinar a que a consciência humana a expresse com a palavra "sim" ou a convicção firme do "não ".

Não é a estrutura material empobrecida pela ausência do complemento espiritual que recortará em unidade do tempo o direito que nos foi conferido à Vida.

Por mais esclarecedores que sejam os enunciados intelectuais, a estratégia por defeito não conseguirá destruir a consciência dos hemisférios neuronais que a evidência científica nos atribui.

Não é possível solucionar um problema se afastarmos a convicção da razão e da investigação do "fluxo da consciência ".

Não existem interpretes, muito menos mensageiros que consigam expressar a nossa emoção e decisão sobre a integridade da nossa própria consciência.

Nem mesmo o pensamento medieval categorizava a complexidade de uma forma tão geral, logo as hipóteses de solução não podem ser reduzidas a um único valor "aliviar o sofrimento pela aplicação do fenómeno da Eutanásia ", excluindo todas as outras hipóteses de solução pertinentes cuja variedade disponível não constitui um problema mas sim uma resolução que contempla a defesa da integridade física e espiritual.

Mesmo que por meros segundos tentássemos ver o Ser Humano sem consciência, não conseguiríamos afastar-nos do diálogo contraditório do comportamento sem alma.

A nossa mente é inseparável do Amor que dá Vida.

Os seres humanos não são blocos que se possam recolocar no espaço com o pressuposto que o sucesso determina a vida e o insucesso a morte.

Não existem generalizações coletivas compatíveis com o direito individual e consagrado na Defesa da Vida.
Não existem estruturas artificiais nem sequências temporais que permitam determinar os períodos da vida.
Mesmo que tentássemos construir uma sociedade "ad hoc", os processos de incoerência seriam tais que por melhor que fosse a narração, o diálogo acabaria por ser surpreendentemente contraditório.

A ideia de que a Eutanásia seria a resolução possível para um fenómeno tão complexo que integra o dever de preservação da vida, não é conciliável nem aceitável a existência de um regulamento /legislação contranatura.

O direito à vida é um direito fundamental do homem.

Não podemos ficar alheios aos valores e direitos básicos consagrados nos Direitos Humanos que pertencem a todos os seres humanos. "Desde o direito à vida, a liberdade do pensamento, da expressão, da crença religiosa, do direito à saúde, ao trabalho, à educação, à paz, ao progresso..."

A Declaração Universal dos Direitos Hu©manos da Organização das Nações Unidas afirma que "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.

Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade.

No dia 10 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU adotou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em 1950, o dia 10 de dezembro foi estabelecido pela ONU como o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A Assembleia da República de Portugal, em reconhecimento à importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovou em 1998 uma Resolução na qual institui o dia 10 de dezembro como o Dia Nacional dos Direitos Humanos.

Em 03 março 2016 o Papa Francisco alertou para o risco de sobrepor interesses económicos à defesa da vida humana, transformando o " mal em bem"; durante um encontro com os membros da Academia Pontifícia da Vida, da Santa Sé."

Apoiar e defender a vida não é uma fragilidade social mas sim o cumprimento do dever de todos na aplicação do saber ético que engloba dignidade, ciência, humanidade que nos orienta em todos os momentos e decisões e que pressupõe a virtude na ética da vida.

Os seres humanos podem defender ideias e pensamentos diferentes, porém no que concerne à Vida Humana, não há comunidade científica, política, cultural, social que possa excluir o Direito à Dignidade e à Vida Humana.

Em suma, a defesa da vida humana é um dever de cada um, não pode estar dependente de "interesses económicos".

COMO TRAVAR A OBESIDADE INFANTIL


DANNY SOUSA 
A respeito da prática de atividade física, estudos demonstram que cerca de 20% da população europeia é obesa e que nos tempos de hoje nos deparamos com uma significativa diminuição no nível de atividade física entre os adolescentes, com a agravante do tempo gasto em frente à televisão, que na maioria das vezes está associado ao consumo de alimentos considerados pouco saudáveis. 

O conhecimento da importância dos hábitos de saúde e da prática de atividade física regular são imprescindíveis para a manutenção da saúde, desta forma, pais e crianças devem estar devidamente informados. A adolescência pode ser definida como uma fase de transição entre a infância e a idade adulta, compreendendo a faixa etária entre 10 e 20 anos.

Durante a adolescência, assumir o novo corpo de adulto e identificar-se com ele nas novas funções é assumir a perda de um corpo de criança. Esta perda ou luto acontece paralelamente à posse de uma nova identidade corporal. A aquisição de uma identidade própria, passando da fase de dependência para independência e o relacionamento grupal fora de casa trazem alterações importantes na alimentação do adolescente. 

A preocupação com o porte físico e a aparência corporal é um dos problemas mais importantes. Atualmente, a forte tendência social e cultural de considerar a magreza como uma situação ideal de aceitação e êxito influenciando cada vez mais os adolescentes, principalmente os de sexo feminino. As adolescentes têm medo de engordar e em consequência desejam um controle do seu peso. 

Esses padrões impostos pela sociedade influenciam negativamente o consumo alimentar, principalmente no sexo feminino pois, para se manterem dentro dos padrões de beleza, as adolescentes chegam a omitir refeições importantes como pequeno almoço ou o jantar, acarretando baixo consumo de energia e, por conseguinte, proporções erradas entre os nutrientes. 

A prática de atividade física e desportiva está associada ao bem-estar e qualidade de vida, quer de per si, quer por relação com comportamentos alimentares saudáveis. 

Crianças e jovens tornam-se, assim, numa população em que a intervenção é mais urgente. Por isso mesmo a OMS (Organização Mundial de Saúde) relata que a inatividade física é o quarto maior fator de risco no que se refere à mortalidade global. 

Os adolescentes seguem os hábitos sedentários dos adultos, bem como a forma de encarar o exercício físico, nomeadamente as razões comuns habituais para não o implementarem na sua rotina diária. Se os adultos encaram um estilo de vida pouco ativo, este será o modelo a seguir pelos mais jovens. Assim é de grande importância a mudança dos hábitos sedentários dos adultos para que os jovens encarem que o sedentarismo, a redução das deslocações e de esforços físicos generalizados está intimamente relacionada como aumento de peso. É premente a inclusão, por parte dos adultos, atividades físicas na rotina semanal dos jovens, por forma a que este hábito saudável os permita manter pesos dentro dos padrões recomendados.

Alguns exemplos que não serão muito difíceis de incluir nas rotinas diárias passam por deslocações pedonais para a escola, redução do uso de elevadores, alguns passeios pelos parques e jardins das localidades e até alguns desportos coletivos ou individuais.

Tendo em conta que as condições climatéricas influenciam em muito a adoção destas atividades/rotinas, esta é a época do ano ideal para que estas práticas comecem a fazer parte integrante da rotina diária dos jovens. Uma vez implementadas, e o gosto pelas mesmas ganho, será com prazer que os jovens associarão a atividade física a um corpo e mente ativos e saudáveis. 

“FUGIRAM” DA CIDADE PARA O INTERIOR TRANSMONTANO POR AMOR À TERRA

ANTÓNIO REIS (ao centro) 
Dedicam o seu tempo entre a criação de aves e a paixão genética, do serviço público, na gestão da única marisqueira por terras de Macedo de Cavaleiros.

Raquel Rodrigues Mariano, uma das poucas mulheres portuguesas licenciadas em teologia, e Miguel Mariano deixaram para trás a vida cosmopolitana de Lisboa e instalaram-se na terra dos progenitores que, também, eles um dia deixaram Trás-os-Montes e rumaram até Angola. Mas, quis o destino que todos regressassem às origens.

Durante o ano de 2012, o casal Mariano tomou a atitude que há muito vinham a “sonhar”. Venderam os dois negócios (marisqueiras) na grande Lisboa e fizeram-se à estrada até Macedo de Cavaleiros. Tomaram conta de um aviário, que estava a passar por momentos difíceis de gestão, e agarraram-se a uma nova forma de viver.

Tal como a canção em homenagem aos transmontanos pelo grupo musical “Xutos e Pontapés”: De Bragança a Lisboa São 9 Horas de distância. - Q'ria ter um avião. - P'ra lá ir mais amiúde. - Dei cabo da tolerância. - Rebentei com três radares. Mesmo com toda a rede viária construída nos últimos anos ainda são 500 Km de Macedo a Lisboa.

Miguel dedica-se à criação de aves do campo; quando tem algum tempo livre ajuda na marisqueira que é administrada por Raquel, no centro da vila de Macedo de Cavaleiros. Um espaço acolhedor e simpatia extrema de todos aqueles que ali prestam o seu saber; três elementos da família Mariano e dois estagiários da Escola Profissional de Macedo de cavaleiros. Raquel Mariano é a primeira pessoa a receber aqueles que querem degustar um marisco da costa portuguesa, ou um prato de carne transmontana Fazendo sempre a mesma pergunta a todos os clientes: “têm mesa reservada”? Em conformidade com a resposta os comezainas são acomodados em espaço específico, por motivos de gestão e organização da sala.

Na visita que fizemos ( BIRD Magazine) à marisqueira “Novo Mariano” fomos brindados com entradas de vários marisco e uma sopa de garoupa. Nada de excessos, mas com sabor marinho inconfundível, onde, rapidamente, se poderia apreciar as ervas aromáticas na malga do caldo de garoupa. Como complemento uma mista de marisco com as mais variadas espécies de crustáceos (artrópodes) da costa Atlântica e Algarve.

Miguel Mariano confidenciou-nos que todo o marisco confecionado no estabelecimento é de origem portuguesa. Tal como as bebidas que podem acompanhar na refeição. Miguel Mariano sugeriu três vinhos para acompanhar a mista de marisco: “vinho verde alvarinho, espumante bruto ou um branco do Douro”. Optamos por um branco do Douro – Lello - da Sociedade dos Vinhos Borges.

Saímos em biquíni!

Não fomos para as praias da barragem do Azibo, que fica mesmo ali ao lado. Saímos com o estômago bem aconchegado e com a deliciosa sobremesa que lhe é dado no nome de “biquíni”. Composto por várias qualidades de gelados e semi-frios, vem esta sobremesa ornamentada com pétalas florais comestíveis das mais variadas espécies de plantas, criadas e colhidas pelos campos de Trás-os-Montes.


O preço da refeição ronda os €40 por pessoa.

Aberto ao público de quinta-feira a domingo
Marisqueira – Novo Mariano
Largo D. João 12
Macedo de Cavaleiros
Telefone para reserva: 278 432 470 - 964144536

OS ACESSÓRIOS QUE NÃO PODEM FALTAR

JULIANA ROCHA
Os acessórios têm o poder de dar vida a qualquer look simples. Os lenços e bandanas são os acessórios mais usados desta temporada, e há várias formas de podermos tirar partido delas, basta sabermos conjugar o lenço certo na roupa certa que conseguimos logo um twist em qualquer look. 

Depois de uma boa pesquisa e de percebermos quais se adequam melhor ao nosso estilo e como os podemos utilizar, podemos conseguir looks muito trendy e engraçados. 

Quer seja em looks mais formais ou em looks mais casuais os lenços nunca falham, é como um colar ou até mesmo um anel que nos acompanha todos os dias. A vantagem destes acessórios é que os podemos adaptar aos vários estilos e ocasiões, desde os mais descontraídos e coloridos aos mais formais e clássicos para um dia de trabalho ou até mesmo de faculdade.

Dica : Apostar nas bandanas coloridas num festival ou concerto de verão, sejam elas para usar no pescoço, em malas, como em cinto ou até mesmo como pulseira, vão completar um look.



sexta-feira, 27 de maio de 2016

2016 - ANO INTERNACIONAL DAS LEGUMINOSAS SECAS

JOANA MALHEIRO 
“Sem feijão a população europeia não teria se duplicado em poucos séculos e atualmente não seríamos centenas de milhões” disse Humberto Eco.

A ONU declarou 2016 como o ano internacional das leguminosas secas, com o propósito de evidenciar a importância destes alimentos na promoção da saúde, da nutrição, da segurança alimentar e também da sustentabilidade para o meio ambiente.

O que são as Leguminosas?

Conjunto de espécies conhecidas como Leguminosae (do latim legumen), fruto seco, também chamado comumente de vagem. Recebem esse nome as sementes comestíveis que crescem e amadurecem dentro do fruto e também as plantas que os produzem.

Apesar de terem sido parte essencial da dieta humana há vários séculos o valor nutritivo das leguminosas não é reconhecido, frequentemente é desprezado e muitas vezes não fazem parte dos hábitos alimentares dos portugueses. Este grupo de alimentos inclui os grãos secos destinados para consumo tais como lentilhas, feijão, ervilhas, favas e grão-de-bico. Não são incluídos neste grupo, os amendoins ou a soja pois possuem uma composição nutricional distinta, sendo mais ricos em gordura.

As leguminosas podem apresentar-se sob diversos formatos, como por exemplo: secas, frescas, congeladas, em conserva prontas a consumir ou a granel.

As lentilhas, feijões, ervilhas e grão-de-bico são tipos de leguminosas secas fundamentais nas dietas de grande parte da população mundial. Contudo, em Portugal, apesar dos diversos benefícios nutricionais, o consumo de leguminosas tem vindo a decrescer ao longo dos anos.

Que benefícios / propriedades nutricionais podemos retirar destes alimentos?

O nosso organismo necessita de proteínas para crescer, restaurar-se e formar músculos, tecidos e ossos.

Ainda que a principal fonte de proteínas seja a carne, as leguminosas secas constituem assim, uma ótima fonte de proteínas de origem vegetal, (quando complementada com cereais ou grãos como o pão ou o arroz, na dieta alimentar, fornece-nos uma proteína completa, todos os aminoácidos essenciais ao organismo), possuindo o dobro das proteínas do trigo e do arroz, assim como, de vitaminas do complexo B, ferro, zinco, potássio e fibra, são também excelentes fontes de hidratos de carbono complexos. Elas possuem um baixo índice glicémico e baixo teor de gordura. Estes alimentos são utilizados frequentemente como substituto dos produtos de origem animal na dieta vegetariana, além do ótimo valor nutricional, apresentam um custo reduzido, sendo uma ótima fonte proteica, com um impacto positivo na saúde e contribuindo para uma maior sustentabilidade ambiental.

As leguminosas também proporcionam outros benefícios: do ponto de vista do prazer de comer, proporcionam sabor, textura e volume aos alimentos. O seu consumo, pelo poder saciante, ajuda no tratamento obesidade, na redução da absorção de colesterol e manutenção dos níveis de glicémia. E a sua riqueza em vitaminas, minerais e fitoquímicos contribui para a prevenção e controlo de doenças crónicas tais como a diabetes, doenças cardiovasculares e cancro.

Por outro lado, as leguminosas tem a capacidade de fixar o nitrogénio, o que melhora a fertilidade do solo, tendo um impacto positivo no ambiente.

Que quantidade de leguminosas é recomendada na nossa alimentação?

É recomendada a sua inclusão em várias refeições ao longo da semana, na sopa e/ou no prato como acompanhamento ou em substituição da carne e do pescado, acompanhadas de cereais ou tubérculos e hortícolas. Esta substituição permite uma refeição equilibrada, mais sustentável e económica.

Na Dieta Mediterrânica é promovido o consumo de pelo menos duas porções de leguminosas por semana. Já a Roda dos Alimentos Portuguesa refere que a quantidade diária recomendada de leguminosas é de 1 a 2 porções, sendo que uma porção corresponde a: 1 colher de sopa de leguminosas secas cruas (25g) ou 3 colheres de sopa de leguminosas frescas cruas – ervilhas e favas (80g) ou 3 colheres de sopa de leguminosas secas/frescas cozinhadas (80g).

Na utilização das leguminosas, há ainda alguns truques que podem ser usados, na sua confeção, para aumentar a absorção de nutrientes por parte do organismo e reduzir alguns efeitos, como por exemplo:

- Demolhar bem as leguminosas (24-36h) reduz a quantidade de fatores anti nutricionais

- Cozer bem e sem sal (o sal impede que a casca coza), a cozedura também inativa os fatores anti nutricionais e potencialmente tóxicos que existem em alguns feijões. Cozer com água a ferver;

- Rejeitar a água da cozedura.

- Combinar na refeição leguminosas com uma fonte de vitamina C aumenta a absorção de Ferro.

- Adicionar alga kombu ou nori ou funcho (fiolho) durante a cozedura melhora a sua digestibilidade e reduz o efeito flatulento.

Faça das leguminosas um alimento de preferência na sua alimentação, melhore a sua saúde e contribua para uma melhor sustentabilidade ambiental

[NOTA: Os fatores anti nutricionais são compostos naturais, presentes nos alimentos de origem vegetal que interferem na absorção, digestibilidade e utilização dos nutrientes deles mesmos, por parte do organismo.]"

O QUE NOS DIZ A FELICIDADE?

JOÃO RAMOS 
Num estudo recente sobre os níveis de felicidade dos Europeus apurou-se que a felicidade está fortemente correlacionada com o rendimento, a qualidade dos serviços públicos, a limpeza das cidades e inclusivamente a idade. Por isso, não será de estranhar que apenas Portugal e a Grécia tenham apresentado níveis de felicidade inferiores, aos que foram registados em 2007. Ao contrário do que acontece na generalidade dos países europeus, o aumento da idade torna os portugueses mais infelizes. Estes dados evidenciam, a degradação das condições de vida sobretudo das populações mais idosas, reflectindo-se em cuidados de saúde precários, distantes, fracas acessibilidades e equipamentos de apoio, como elevadores ou rampas, que assegurem uma velhice confortável. Além disso, a redução do rendimento é uma condicionante muito importante, uma vez que após a saída do mercado de trabalho, este decaí de forma mais acentuada do que no centro e norte da Europa, a que acresce a subida natural dos encargos com tratamentos de saúde e medicação, obrigando a cortes acentuados, noutras rubricas como a alimentação, roupa ou actividade de lazer, o que contribuiu para a infelicidade desta faixa da população. Consequência de uma taxa de substituição bruta das pensões de apenas 57% do salário no activo e de um volume de despesa social per capita de 4 mil euros, o que corresponde a metade do valor gasto pela Alemanha/Itália (8 mil euros) sendo inferior ao montante despendido pelo Reino Unido e Grécia (6,5 mil euros) e ficando a “anos luz” da Suécia (10 mil euros). Dado o envelhecimento da população portuguesa, esta tendência deverá agravar-se e por isso, justifica-se a criação de um plano de médio e longo prazo incidindo sobre os problemas das faixas da população mais idosa.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

HOMENS POR TEMPO. UMA TROCA JUSTA HÁ 60 ANOS ATRÁS

LUÍSA VAZ
Hoje, na Discovery Channel, houve um documentário que me prendeu a atenção e quanto mais o via, mais paralelismos fazia com o Mundo actual e mais me impelia a escolhê-lo como base desta crónica.

Não raras vezes, precisamos de olhar para trás e para tudo o que se passou para compreendermos o momento que vivemos e prepararmos o futuro. Para pelo menos não cairmos nos mesmos erros e valorizarmos o que conseguimos atingir.

Este documentário em particular era sobre e Companhia George, ou Bloody George como ficou conhecida. A Companhia George, fiquei a saber, era uma companhia composta por jovens de 18, 19 anos e por reservistas, comandada por MacArthur, um Senhor da estratégia de guerra norte-americana e ia ser enviada para a Guerra da Coreia. Tinham como objectivo aprender a disparar uma metralhadora a bordo do porta-aviões que os levaria ao destino mas mal entraram no Mar Amarelo foram apanhados por um tufão. Já aí, os auspícios não seriam os melhores. Mas mesmo impreparados lá seguiram e conseguiram cumprir com o objectivo de segurar a cidade para onde tinham sido destacados. No entanto, MacArthur comete aí o seu primeiro e mais caro erro estratégico. Quando opta por perseguir os coreanos em fuga, o General põe toda a operação em risco.

Quando nessa perseguição, a Companhia George fica encurralada no Monte Leste pelas tropas chinesas que entretanto se deslocam, quando queria chegar a Hagaru-Ri, que era o ponto escolhido como base operacional. Local onde era necessário reconstruir o aeródromo que serviria de apoio aéreo a toda a operação. Uma vez encurralados pelas tropas chinesas, foi necessário mandar todo o auxílio possível para Hagaru-Ri. Nesse momento, os 5º e 7º Regimentos que incluíam a Companhia George, são forçadas a lentamente e debaixo de fogo inimigo, atravessar o Monte Leste e é nessa altura que a Companhia George passa a ser conhecida por Bloody George.

Com apenas 200 homens mais viaturas contra 2000 militares do exército chinês, bem posicionadas, bem armadas e habituadas a condições climatéricas austeras – nevava incessantemente – a Bloody George consegue que os 96 sobreviventes desse massacre atinjam a cidade de Hagaru-Ri que tinha escapado às balas inimigas e conseguido recuperar o tão precioso aeródromo. Hagaru-Ri contava nesse momento com 140 mil homens americanos e tinha o aeródromo a funcionar finalmente.

A Bloody George trocou “homens por tempo”, deu o que tinha para que a recuperação pudesse ser levada a cabo e os militares bem como os cerca de 100 mil civis que daí debandaram pudessem ser salvos. Com esta movimentação, a Bloody George virou o curso de uma guerra que estava perdida à partida conseguindo salvar não só os sobreviventes do seu contingente como todos os outros militares que se encontravam em Hagaru-Ri e que conseguiram fazer sair os voos em direcção aos porta-aviões que se encontravam estacionados ao largo da Coreia à espera para tirar dali os feridos e os homens que deveriam regressar a casa. Ainda hoje, os sobreviventes da Bloody George se encontram todos os anos e mantêm os laços que criaram naquele momento que recordam com dor.

E porque me lembrei eu de relatar um episódio com 60 anos que é mais um em cenário de guerra quando já tantas e tão sangrentas aconteceram? Porque à medida que ia assistindo me lembrava dos deploráveis candidatos às eleições norte-americanas e pensava como se sentiriam estes homens que lutaram, receberam louvores, viveram e recordam horrores, no que pensariam ao verem que o melhor que a América tem para oferecer é um Donald Trump mal-educado, mal-formado, xenófobo, belicista e mais uma série de adjectivos que lhe poderia apontar e uma Hillary Clinton que passa pelo impeachment do marido, um Senhor na política interna e externa que foi “queimado” por não alinhar com o sistema vigente, para manter viva a sua hipótese de passar de Primeira-Dama a Senhora do “Oval office?

. Assustador..penso eu.. Onde andam os americanos de ideais e ideias? O que foi feito das pessoas com Princípios e sólidos valores morais? O que aconteceu à sociedade norte-americana para se ver reduzida desta forma e isto ser o melhor que tem para apresentar ao seu País e ao Mundo? Sim, porque todos nós sofreremos mais ou menos dependendo do género ser o masculino ou o feminino nesta escolha.

Resolvi por isso pegar neste episódio na tentativa de demonstrar a coragem, o altruísmo, o humanismo dos Homens de há 60 anos que foram embarcados sem a mínima noção para uma guerra que não pediram numa terra longínqua mas que não deixaram ninguém para trás, trocaram como disse “ homens por tempo” enquanto Trump está apostado em trocar “dinheiro por conflitos em todas as frentes”.

Não valerá a pena parar e pensar? Eu fico assustada com a perspectiva dos próximos 5 anos com qualquer um dos candidatos sentados na cadeira com mais Poder no Mundo neste momento.

DIA MUNDIAL DA EUCARISTIA

PE. JOÃO TEIXEIRA 
1. Num tempo em que há dias mundiais para quase tudo, podemos dizer que o Corpo de Deus é uma espécie de Dia Mundial da Eucaristia. Pela sua natureza, uma festa como esta não deve ser episódica, meramente circunstancial. 

2. Uma festa como esta não pode ser o evento de um dia, mas o grande acontecimento de cada dia. De facto, que maior festa pode haver do que ser visitado por Deus, do que ser abraçado por Deus, do que ser interpelado por Deus, do que alimentado por Deus? 

3. Na Eucaristia, é Deus quem nos visita, é Deus quem nos abraça, é Deus quem nos fala, é Deus quem nos alimenta. Como entender, então, que tantos desperdicem tanto? 

4. Verdadeiramente, a celebração da instituição — ou «invenção» — da Eucaristia ocorre em Quinta-Feira Santa. Sucede que, apesar da importância singularíssima desta data, a circunstância de ser véspera do dia da morte do Senhor inibe-nos de manifestar todo o nosso contentamento por este dom incomparável. 

5. Daí a necessidade de uma festa que nos permita agradecer as maravilhas da Eucaristia. E daí também a vontade de testemunhar publicamente, pelos caminhos das nossas terras, que só Jesus é a força capaz de transformar a humanidade, conduzindo-a para a justiça, a felicidade e a paz. 

6. Terá sido em 1247 que se celebrou, pela primeira vez, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Foi em Liège e por insistência de uma religiosa: a Irmã Juliana de Mont-Cornillon. 

7. Mais tarde, em 1264, na sequência de um milagre eucarístico ocorrido em Bolsena, o Papa Urbano IV estendeu a toda a Igreja esta festa através da bula «Transiturus». Embora, nessa altura, ainda não haja ainda qualquer alusão à procissão com o Santíssimo, é sabido que esta depressa se introduziu nos hábitos eclesiais e na alma crente do povo. 

8. A procissão eucarística é, pois, uma sequência — e um transbordamento — da Eucaristia. Nós vamos, pelos caminhos da nossa vida, até à Eucaristia. E a Eucaristia, pelos mesmos caminhos da nossa vida, vem até nós. 

9. A Eucaristia não se limita à celebração. A Eucaristia parte do tempo para o templo e volta do templo para o tempo. 

10. Quando termina a Missa, há-de começar a Missão. O Pão que nos alimenta na Missa é o Pão que nos alenta na Missão.