sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

E VIVERAM A PAZ PARA SEMPRE!

Gabriel Vilas Boas
DR
Se a felicidade é o mito do indivíduo, a PAZ é o sonho dos povos. 
Pedra angular de qualquer sociedade, é fácil perceber a relevância da paz. Nada funciona como desejamos se não vivemos em ambiente pacífico. 
A maioria das pessoas pensa que vive em paz, sobretudo porque no seu mundinho não ouve o som das metralhadoras, a polícia não passeia pelas ruas e os generais não ditam as suas leis marciais. A Europa, os EUA, o G7 vivem em paz? Então há paz…
Na verdade, a paz mundial é um mito. Nunca houve plena paz entre todos os povos do planeta porque isso nunca interessou a alguns indivíduos que enriqueceram a sabotar a harmonia entre as nações, especialmente quando estas não entendiam o valor civilizacional da paz. Reparemos com a inteligentia ocidental pensa: temos guerra mundial, justificável, ideológica, verdadeiro confronto entre duas visões de mundo, quando um pequeno grupo de países cultos e ricos se desentende ou aparece um lunático qualquer, com um bigodinho mais ou menos ridículo; quando dois países, incultos e pobres, perdidos no meio de África ou da Ásia se digladiam, estamos perante um conflito regional perfeitamente estúpido, próprio de gente bárbara e miserável, que não pensa e apenas serve para azedar o lauto jantar de gente com tão bom coração (as pessoas “sensíveis” de que falava Sophia de Mello Breyner). Na verdade estas são guerras muito úteis e produtivas para as grandes economias pacifistas e moralistas. Todas elas “lamentam imenso” estas tristes cenas que matam tantos inocentes! E o lamento aumenta ou diminui conforme a projeção mediática do evento. 
No meu entender o ponto fundamental da paz não é alcançá-la ou possui-la. O essencial é saber o que fazer com ela. 
Mais tarde ou mais cedo, os povos percebem a estupidez da guerra ou apenas cansam-se das fúteis divergências que os separam e estendem as mãos. O problema é que uma paz sem substância não dura muito. Quando não sabe o que fazer com ela, o Homem volta a fazer a única coisa que aprendeu: disparar uma arma. Algo parecido acontece com aqueles que ruminam uma paz mole e desinteressante que facilmente relativizam e desdenham. 
A paz é a base sobre a qual as sociedades assentam a sua organização. Os povos inteligentes aproveitam para construir o progresso e os indivíduos partem em busca do Santo Graal da felicidade. 
O importante não é desejar a paz, o importante é fazê-la. Construir a paz é criar acesso à educação para todas as crianças, é proporcionar oportunidades de trabalho aos adultos, é permitir que os velhos cumpram os últimos anos de vida com dignidade.
Querer a paz não é recusar vender armas a países em conflito, mas sim deixar de as produzir. Querer a paz é acabar com a cultura do medo e da coação. Querer a paz é contribuir para a formação de médicos, professores e engenheiros no Quénia, no Gabão, Geórgia ou na Índia, sem pensar no petróleo ou nos diamantes que estes países não têm.
Este foi o sonho de Gandhi e de Mandela. Cumpriram-no parcialmente. Hoje todos nos curvamos perante as suas memórias, mas que líderes mundiais querem ser seus sucessores nos corações das pessoas? Quem quer tornar o seu povo o primeiro prémio Nobel da Paz coletiva?
Almejar a paz é incentivar a diferença de opinião, conviver com diversas opções ideológicas, sociais, religiosas ou sexuais, sem querer impor a nossa, ainda que isso seja fácil de alcançar.
A paz não pode ser mais uma ideia doce de Natal que se extingue depois da noite de Reis, não pode ser um like no facebook ou praticar-se quando o peso da culpa é insuportável.
A paz só será o sonho real dos povos quando se tornar o ar que cada indivíduo respira. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

SONHOS DE NATAL

É necessário sair da ilha para ver a “ilha”. Não nos vemos se não saímos de nós.
José Saramago, O Conto da Ilha Desconhecida


Anabela Borges
DR
É inverno. E é quase Natal.
E a minha terra acorda assim, mergulhada nas brumas, vapores vagarosos que se soltam das montanhas em redor, fumos frios que sobem, lentos, do rio – mistério quase parado, a querer saber das origens do tempo, enquanto pequenos bandos de pássaros tardios batem em debandada dos telhados à espera de quase nada.
Soltam-se os fumos das chaminés e tudo começa a ganhar a azáfama própria desta época do ano. Para os mais jovens, são as férias de Natal. E enquanto a geada cai, silenciosa e fria, a pôr as ervas duras como palitos e as águas dos tanques lisas e paradas no tempo como espelhos finos e frágeis, os vidros embaciados transpiram o calor das casas. O tempo traz-lhes uma ansiedade genuína, espreitam lá para fora, limpando os vidros com as palmas das mãos, como quem diz adeus a mais um dia, fazendo com que pequenas gotas deslizem, rápidas, como lágrimas de desejo. E cada dia vai enchendo mais e mais os olhos das crianças de um brilho inquieto, a espreitar para o céu, à procura de um sinal, como metidos numa redoma quentinha, ou numa daquelas bolas com um cenário lá dentro, onde o tempo está suspenso num momento específico com bolhas a flutuar.
Natal, Natal, Natal.
Por momentos, muitos de nós ainda temos o privilégio de adormecer nos “sonhos de Natal”, ainda temos o calor da casa, o pinheirinho, a toalha de motivos natalícios recheada de bons comeres e beberes, uns com mais esforço, outros com menos, outros assim-assim. Ainda temos a família, o abraço, as faces coradas pela alegria momentânea. 
Quando a noite já estiver tão inclinada que cobrirá por completo o chão, estaremos adormecidos nesses sonhos, entontecidos em falsas esperanças, felizes…
O tempo entretece os seus sarilhos, e anda para a frente e para trás e, às vezes, para os lados, assim como um pêndulo, a empatar o espaço. E quando nos dermos conta, estaremos mergulhados num novo ano: a correr, em sobressaltos, em angústias diárias, em pequenas alegrias, surpresas, e mais ou menos a mesma fímbria de esperança que até aí nos tem conduzido. 
Se nos predispusermos, por um tempinho que seja, a pensar seriamente na vida, saiamos um pouco para fora de nós, que, como diz Saramago, a única forma de vermos a ilha é saindo da ilha.
FELIZ NATAL e BOM ANO!

RICARDO PINTO


Ricardo Pinto numa aula de Laboratório de Jornalismo
D.R.


Ricardo Pinto, natural de Amarante, tem 24 anos de idade e cedo descobriu a área onde pretende desenvolver a sua carreira: o jornalismo.
Hoje, a Bird Magazine dá a conhecer melhor um dos responsáveis por este projeto.


Daniela Pereira (DP) - De todas as profissões do mundo, porquê o jornalismo?

RP - Porquê o jornalismo? Boa questão. A minha vida académica não começou ligada à comunicação, aliás bem longe disso. Fiz o ensino secundário na área das Ciências e, a verdade é que terminei o secundário com uma excelente média. Medicina estava fora de questão: acima de tudo, acho que para se ser médico é preciso ter vocação, algo que nunca senti. Um pouco indeciso, lá concorro para Fisioterapia, creio também que por influência de alguns professores e familiares. Conclui os dois primeiros anos desse curso, no Porto, no ESTSP, e como diz Lavoisier “nada se perde, tudo se transforma”. Ingressar em Ciências da Comunicação foi algo que sentia falta: o querer estudar aquilo que realmente me interessa, se arranjo ou não trabalho na área, isso já é outra questão. Numa sociedade tão conturbada como a nossa, nada está decidido, pelo que considero que devemos, em primeiro lugar, lutar pelos nossos sonhos. Como dizia Pessoa, “Sem a loucura o que é o homem/ Mais que a besta sadia/ Cadáver adiado que procria?”

Daniela Pereira: "Sonho muitas vezes que sou remunerada, justamente, por esse trabalho"

Daniela Pereira,
entrevistar quem entrevista
DR
Daniela Pereira diz caber "numa mão cheia de sonhos" e, ao viver no meio deles, acaba por se misturar com tudo o que a possa fazer feliz de uma forma ímpar. Assim se misturou com o jornalismo. Assim pegou num dos seus sonhos e assim o tenta realizar. 

Se não fosse o jornalismo, era o quê?

DP: Ciências políticas, assessoria de imprensa, relações públicas, comunicação organizacional, já tudo me passou pela cabeça. E, por tudo isto já ter sido uma possibilidade é que escolhi o jornalismo. Agrada-me, particularmente, a possibilidade de poder fazer coisas diferentes todos os dias. Fazer do uso das palavras profissão.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

POR QUE NÃO FAZER HOJE, O QUE PODEMOS FAZER AMANHÃ?

Nuno Meireles
DR
O Natal está à porta e mais uma vez, como é habitual, os portugueses vão deixar as compras para os últimos dias.
O deixar tudo para a última é uma das características dos portugueses que mais me faz confusão. Eu sei que muitas vezes faço o mesmo e não posso criticar muito os outros, mas que esta característica tão nossa me faz pensar, isso faz.
António Variações, na sua música “É p’ra amanhã”, descreve na perfeição o que nós somos na realização de tarefas. Pagar impostos tem vários dias para ser feito, fazemos sempre no último dia e se for na última hora tanto melhor; temos um trabalho ou um relatório para fazer com meses para o cumprir, optamos sempre pelo últimos dias; nos nossos empregos acontece exatamente o mesmo, o patrão diz-nos para realizar determinada tarefa e deixamos correr o tempo ao máximo para pôr-mos em prática o que nos foi pedido. Engraçado, é que até os nossos governantes sofrem deste ‘síndrome’ do deixar andar, qual o governo que entregou, por exemplo, o Orçamento de Estado antes do último dia? Ultimamente até tem sido entregue nas horas finais.
Contra factos não há argumentos. Nós portugueses não gostamos nada da pontualidade. Marca-se um determinado evento ou até um encontro, chegamos quase sempre para lá da hora marcada.
Na realização de tarefas, António Variações chama-nos à atenção para algo que esquecemos e que devíamos ter sempre em mente. Diz ele: «É p'ra amanha
/ Bem podias viver hoje / Porque amanha quem sabe se vais cá estar / Ai tu bem sabes como a vida foge / Mesmo que penses que esta p'ra durar». Há maior verdade que esta? Quem tem a garantia que amanhã estará cá? Então porque teimamos deixar tudo para a última ou até adiarmos?
Tenho falado nos afazeres que temos no nosso dia-a-dia mas o mesmo se aplica ao dizermos o que desejamos a quem nos rodeia. Porque adiamos a dar um beijo a quem nos é especial? Porque adiamos dar um abraço a um amigo ou um familiar? Porque adiamos dizer ‘amo-te’ a quem temos no coração? Porque adiamos para surpreender alguém que amamos, seja com a oferta de flor, um ato de carinho ou até pegar na pessoa e ir jantar a um sítio especial?
Se deixarmos de adiar o que podemos fazer hoje, é quase garantido que viveremos mais felizes, com mais tempo para nós e para quem amamos.
Pensem nisso.

Bom Natal!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

APANHA DA AZEITONA DURANTE O TEMPO DO ADVENTO

Alina Sousa Vaz
DR
O Advento para os cristãos é um tempo de preparação com alegria, expectativa, durante o qual os fiéis esperam o nascimento de Jesus Cristo. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal, tendo início no domingo mais próximo do dia 30 de novembro (sendo conhecido tradicionalmente como o dia certo para montar a árvore de natal), indo até o dia 24 de dezembro, sendo o primeiro tempo do ano litúrgico. O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte submersão na liturgia e na mística cristã. Este período litúrgico evoca a dupla vinda de Jesus Cristo: a verificada em Belém, quando Ele veio ao mundo, e a que ocorrerá no Seu regresso no dia do juízo. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano eclesiástico, é a purificação como preparação para receber “aquele” que está para vir. O caráter penitencial do advento é acentuado pela cor litúrgica, que é o roxo e segundo a Bíblia, o Anjo Gabriel apareceu a Maria numa visão, dizendo que em breve ela daria à luz um menino, o filho de Deus que viria para trazer luz ao mundo. Esse tempo de espera é caracterizado hoje como advento. É o tempo de espera e esperança!
Por terras trasmontanas, as pessoas vivem ainda de acordo com os ensinamentos religiosos e o tempo festivo tem de facto outro encanto e simbolismo. Durante o tempo do advento o frio grita por entre os montes, mas homens e mulheres acarinham este tempo de forma especial porque cada pormenor natalício é preparado e vivido com emoção provocando nas gentes mais novas o verdadeiro sentido da época. Receber, compreender e transmitir as tradições é sem dúvida o verdadeiro papel de um bom transmontano. 
Neste tempo de preparação, em que cada um reflete e se posiciona perante o mundo que o cerca, o trabalho laboral nunca é descorado pelo lavrador transmontano. Nos dias invernosos e frios, homens e mulheres são observados pelos terrenos íngremes transmontanos como se de deuses se tratassem no alto do seu posto. E observam tudo!
A apanha da azeitona é a atividade por excelência neste tempo de frio. Cobertos de roupas quentes, a malga da sopa e o naco de pão com salpicão aconchega o estômago após a ventania gelada da noite. A labuta da apanha da azeitona é fruto da mestria da simplicidade da arte popular e apesar de ser um trabalho árduo o objetivo final é compensador. 
A relação que os trabalhadores mantêm com as oliveiras é milenar e para isso basta olhar para as nobres silhuetas cheias de história, mas rejuvenescidas a cada primavera. As oliveiras lutam contra o vento, a chuva, e o sol tórrido, contribuem para as cores da paisagem e dão frescura aos homens que esperam as mulheres com o almoço e o farnel nas cestas, embrulhados numa toalha, não esquecendo o garrafão de vinho. 
A oliveira é para os trasmontanos um símbolo de riqueza sendo o azeite a imortalização de uma cultura agronómica contribuindo para a história da humanidade. Os transmontanos sabem desta fortuna e de varas aos ombros, lá vão arrastando os toldes de extensões consideráveis, num mar irregular, vergastando a oliveira de cima para baixo, coagindo a azeitona a cair. O varejador rodopia, maneia a vara com mestria e as azeitonas amadurecidas pela natureza eram depois limpas da folhagem nos crivos para mais tarde serem sacrificadas pela mão do homem da azenha. Porém, há as azeitonas que voam quando são açoitadas pela vara e os terrenos húmidos e enregelados são vasculhados pelas mãos das mulheres que meticulosamente as apanham e as colocam em baldes. Se hoje, a azeitona que escapa é abandonada, outrora as crianças andavam ao “rebusco”, tarefa que não lhes agradava.
E é assim, por estes dias as vidas das minhas gentes na apanha da azeitona. Os dias de frio cortante e húmido enregelam-lhes os ossos, mas eles não esmorecem. A garra e a vontade de trabalhar para obter o produto precioso, o azeite, fá-los ultrapassar as dificuldades do dia. 
A fogueira, nas casas rurais, espera-os. O calor que lhes aquecerá as mãos aconchegará as suas almas permitindo que sejam felizes nas suas formas de vida. 
O período do advento é de concentração, de espiritualização, mas por terras transmontanas é, também, o período da apanha da azeitona que se transforma num ouro precioso, que para além de lhes regar as batatas, a couve e o bacalhau no dia da consoada, também lhes fará ganhar dinheiro para custear a vida diária.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

EM VILA REAL, É DIA DE DAR O PITO

É uma tradição com séculos de histórias e lendas e diz que, no dia de Santa Luzia, as mulheres de Vila Real dão o pito e em fevereiro, no dia de São Brás, os homens retribuem com a gancha.
O pito e a gancha são doces muito apreciados, que apimentam e aquecem as relações dos vila realenses, nestas duas festas cristãs, de Inverno.
A gancha é um doce feito à base de açúcar com a forma da bengala do São Brás. O pito é um doce regional feito à base de massa folhada com recheio de abóbora.
Uma tradição, onde nem os apresentadores de televisão lhe resistem:
O "Somos Portugal" foi transmitido, em direto, de Vila Real no passado dia 1 de dezembro
DR
Aqui feita a lenda do pito e da gancha:

PRÉMIO PESSOA 2013 ATRIBUÍDO A MARIA MOTA

Maria Mota tem desenvolvido investigação fundamental com vista a esclarecer os mecanismos pelos quais o parasita da malária se desenvolve no hospedeiro humano.
DR
No ano do 125.º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa, Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa e especialista da malária, é a vencedora do Prémio Pessoa. A escolha para 2013 foi anunciada esta sexta-feira no Palácio de Seteais, em Sintra, por Francisco Pinto Balsemão, que preside ao júri do prémio.
O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros e que vai na 27ª edição, é atribuído anualmente a uma personalidade que “tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país”.
Maria Mota nasceu no Porto em abril de 1971, licenciou-se em Biologia pela Universidade do Porto, fez o Mestrado em Imunologia na mesma universidade e doutorou-se em Parasitologia Molecular no University College de Londres, lê-se na acta da reunião do júri.
O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.
O júri de 2013, presidido por Pinto Balsemão, presidente do conselho de administração da Impresa (proprietária do  Expresso), inclui personalidades como o sociólogo António Barreto, a jornalista Clara Ferreira Alves, o arquitecto Eduardo Souto de Moura, a bióloga Maria de Sousa, o médico João Lobo Antunes, o ex-presidente da República Mário Soares, o musicólogo Rui Vieira Nery e o filósofo Viriato Soromenho Marques.
Fonte: Público

CORRUPÇÃO – I LOVE THE WAY YOU BRIBE

“A corrupção é proibida? É! Mas pode-se fazer? Pode! E o que é que acontece? NADA!”

Gabriel Vilas Boas
DR
A corrupção não é um tema polémico. É fácil chegarmos a um consenso sobre aquilo que a define, o efeito nefasto que tem na sociedade, a necessidade de a erradicar ou pelo menos diminuir, as penas que devem ter os corruptos… por aí diante. No entanto ela prolifera, especialmente em momentos de crise económica. 
Aliás, é fácil atirar-lhe com as culpas de todas as crises. Tão vulgar como incómodo encontrar-lhe o rosto. A fotografia é sempre vaga, imprecisa e jamais será um autorretrato.  
A corrupção atinge a sociedade, mas é praticada pelo indivíduo. Antes de ser um cancro social, é uma doença de valores. Mostra como os valores das pessoas têm preço, que as pessoas têm preço. Importa pouco discutir se é baixo, muito baixo ou ridículo. Mais tarde ou mais cedo, cada um percebe que a pena foi tão grande, o lucro tão ilusório, a desonra tão estupidamente consentida. 
Muitos dos que aceitam a corrupção ou dizem compreendê-la (que eufemismo tão feio) advogam estar a “olhar pela sua vida, porque se não são eles a fazer quem o faria?”. Que desculpa tão frágil. Será que a inteligência fechou para balanço nesses momentos? A consciência cívica, o bem coletivo, o interesse do país? Tudo uma treta! 
Rapidamente encontram-se como quase imaginaram: casa de férias, boa conta bancária, férias a perder de vista, carros topo de gama… com a exceção dum pormenor que fizeram por esquecer: vivem sós com a sua má consciência. Acreditem, não é fácil livrar-nos da “coisa”. Chegados à solidão da culpa e do erro, não tarda o lamento da praxe: “Se eu soubesse!” ou “O dinheiro não traz felicidade!”
Na minha opinião, a origem do vírus começa na corrupção moral. Uma espécie de corrupção a brincar, dizem alguns, mas altamente nefasta, digo eu. A corrupção moral é a erva daninha do carácter. Encontrámo-la todos os dias numa decisão, numa opinião, numa ordem. Muitas vezes apenas nós damos conta dela, outras vezes nós e aquele ou aquela a quem desiludimos. Poucas vezes em público, muitas em privado. 
No entanto, o vírus segue, inexorável, o seu caminho e produz os seus efeitos. Primeiro em nós e depois naqueles para quem somos exemplo: os nossos filhos, os jovens, os nossos subordinados, as pessoas das nossas relações.
Como resolver este problema? Tendo paciência e exigência. Um problema com tão grandes dimensões leva gerações a resolver-se. Isto não quer dizer que devemos adiar a sua resolução. É urgente resolvê-lo. Cada um tem que ser exigente consigo e com o outro. Para se rejeitar a corrupção no outro temos de ser capazes de a termos como inaceitável em qualquer circunstância. 
Não ser corrupto é exigente, mas moral, social e pessoalmente compensador.
A corrupção é proibida? É. Mas pode-se fazer? Pode, mas isso não interessa nada! 
E nunca mais será a mesma coisa.

NOMEAÇÕES PARA O GLOBOS DE OURO JÁ SÃO CONHECIDAS


Golden Globe Awords
D.R.
Os nomeados para os Globos de Ouro de 2014 foram revelados esta quinta-feira, dia 12 de dezembro. «12 Anos de Escravidão» e «Galopada Americana» dominam a temporada de prémios que se aproxima, nas categorias de cinema com sete nomeações, cada.

CINEMA

MELHOR FILME (DRAMA)
12 Years a Slave

Captain Phillips

Gravity

Philomena

Rush

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MONTALEGRE FESTEJA A RIGOR SEXTA-FEIRA 13

Amanhã é sexta-feira 13
DR
O número 13 é considerado o número do azar, sinal de infortúnio.
Se lhe juntarmos o dia da semana de azar (sexta) torna-se o mais azarado dos dias. 
Amanhã é precisamente o caso: sexta-feira, 13 de dezembro de 2013.

As 13 superstições em que as pessoas mais acreditam:
1- Partir um espelho é sinónimo de 7 anos de azar
2- Varrer os pés de uma pessoa faz com ela nunca se case
3- Abrir o chapéu-de-chuva em casa atrai problemas
4- Colocar uma vassoura ao contrário atrás da porta faz com que uma visita chata vá embora
5- Ver um gato preto neste dia dá azar
6- Passar por baixo de uma escada dá azar
7- Devemos entrar sempre com o pé direito para dar sorte
8- No dia do casamento o noivo não pode ver a noiva antes da cerimónia para não dar azar
9- Ter a orelha quente significa que alguém está a falar de nós
10- Bater 3x na madeira afasta os maus espíritos
11- Nunca devem estar 13 pessoas à mesa
12- Cruzar facas dá azar
13- Colocar a mala no chão significa perder dinheiro

Quem não se deixa intimidar por estas superstições é um dos concelhos do Barroso. É já no dia de amanhã, que Montalegre se veste a rigor para celebrar mais uma "Sexta 13/Noite das Bruxas". Ultimam-se os preparativos para receber todos os romeiros que se deslocam ao município para participar neste evento de homenagem ao oculto, à superstição e à mitologia popular, que transforma esta pitoresca vila do alto transmontano num lugar assombrado.

Fique a conhecer o programa:

 
Programa "Noite das Bruxas" de Montalegre
DR

QUEM CONTA UM CONTO

“Se há um apelo que eu faça, é que os jovens chamem a si assegurar que recebem a melhor educação possível para que nos possam  representar bem no futuro, enquanto líderes. ”
Nelson Mandela
Anabela Borges
DR

Há precisamente um ano atrás, há precisamente um ano, eu escrevia qualquer coisa como: “Hoje é o dia 12/12/2012. Nem as minhas mãos se quedaram lívidas, nem o rio deixou de correr, nem o mundo acabou”.
Eu cresci rodeada de histórias.
Quando eu era pequena, era costume as pessoas, nos seus afazeres diários, em comunidade, em autoajuda, entreterem-se a contar histórias, a cantar estados de alma, rimas e lengalengas, a transmitir saberes antigos, e a fazê-los passar de geração em geração pelo fio tremeluzente do tempo. E já se sabe: “quem conta um conto”…
E tudo isso leva-me a pensar que as crianças e jovens de hoje, com tanta proliferação literária e com bibliotecas escolares tão bem apetrechadas, estão rodeados de livros mas pouco rodeados de histórias. E isso acontece porque leem pouco. Se ao menos se dispusessem a ouvir os pais, os tios, os avós, aquele vizinho mais velho que passa as tardes na soleira da porta com o olhar baço perdido nas lonjuras dos dias. Se ao menos… Não deixariam morrer valores e tradições, reconheceriam as raízes da grande árvore que os gerou, assegurariam o transporte do legado que os conduziu ao que hoje são.
Em vez disso, o que acontece é estarem metidos num emaranhado de informação desnorteada, dispersa, pouco cimentada e nem sempre fidedigna. Estamos a criar seres desprovidos de memória colectiva, disco rígido sobre disco rígido, que ganham “vidas” na forma de aniquilar bonecos e arrecadar “bónus”, a qualquer custo, numa realidade que NÃO EXISTE, mestres do QWERTY, senhores tecnológicos de nada.
Na última edição do caderno “Cultura” do jornal “Público”, podemos ler que os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores taxas de participação em actividades culturais. De acordo com o inquérito “Eurobarómetro”, Portugal, a par da Roménia e da Bulgária, está nos mais baixos níveis dos índices culturais de toda a Europa e é o país onde há maior falta de interesse pela leitura.
Em Portugal, lê-se muito pouco, sendo que a maioria da população apresenta como justificação para não ler a falta de interesse.
Infelizmente, é verdade. Infelizmente, lido diariamente com essa realidade, mesmo apesar dos números, pois sou muito avessa a números – que (não nos deixemos enganar) estes podem ser tão traiçoeiros quanto as palavras.
É preciso mudar esta assustadora realidade. Há um ano atrás, segundo os dizeres de algumas culturas, o mundo estava para acabar. Não se cumpriu o vaticínio.
Mas hoje, um ano depois, o mundo diz adeus a MADIBA. Mandela estende o seu nome na vaga incessante (assim cremos) da eternidade. Há um legado que não pode morrer.
Como incutir nas crianças e nos jovens a importância da memória coletiva?
Contemos-lhes histórias e estórias e mais histórias e estórias. Haveremos de conseguir alguma coisa.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

PAPA FRANCISCO ELEITO PESSOA DO ANO

Papa Francisco eleito pessoa do ano
pela revista Time
DR
O Papa Francisco foi eleito a pessoa do ano 2013 pela revista americana Time. A revista traz o pontífice na sua última capa.
A publicação elegeu o Papa Francisco explicando que é raro que "um novo protagonista consiga tanta atenção no palco do mundo".
"O que torna este Papa tão importante é a rapidez com que cativou milhões que tinham desistido de ter esperança na Igreja. [...] Em escassos meses, Francisco elevou a missão de reconfortar da Igreja – a missão de servir e confortar os que mais precisam – acima da doutrina política que fora tão importante para os seus antecessores", justifica a revista.

BEYONCÉ DE REGRESSO MARCADO A PORTUGAL

Artista norte-americana, Beyoncé
D.R.: Google imagens
A cantora norte-americana, Beyoncé, volta a atuar em Portugal. Os concertos estão marcados para os dias 26 e 27 de março, na Meo Arena, em Lisboa.
Está vai ser a terceira vez que Beyoncé atua em Portugal. Os concertos  surgem no seguimento da sua digressão: Mrs.Carter Show World Tour 2013.
A notícia que revela a presença da cantora em solo lusitano surge a par da notícia que promete o lançamento do seu quinto álbum de originais para 2014.
A artista com mais nomeações para os Grammy Awards (ao lado de Dolly Parton) já venceu 17 e foi recentemente nomeada para mais um, em conjunto com Jay Z. Na categoria de melhor colaboração de rap, coma  música “PartTwo, On the run”.
Os bilhetes para os concertos serão colocados à venda no domingo, dia 15 de dezembro, às 10:00 horas, com os preços a variarem entre os 42 e os 85 euros.




O EXCESSO DE MORALISMO DE ALGUNS JORNALISTAS

Nuno Meireles
DR
Ontem, decorreram as cerimónias fúnebres dedicadas a Mandela por parte dos chefes de estados estrangeiros. Toda (ou quase toda) a gente quis estar presente para prestar uma última homenagem a este grande homem sul-africano. Até o “nosso” Cavaco Silva fez questão de marcar presença.
À noite, em jeito de ressaca das ditas cerimónias vejo, numa Rede Social na Internet, a partilha por parte de um jornalista – relativamente conhecido de todos nós portugueses – de uma fotografia de Barack Obama, onde este está todo sorridente a tirar umas fotos com o seu telemóvel topo de gama. Além disso, como titulo, o referido jornalista escreve: “Mr. Obama, era uma cerimónia fúnebre!”.
Do meu ponto de vista, há determinados jornalistas que se julgam donos de todos os ideais moralistas que existem à face da terra, este é um belo exemplo. 
Já sei que muitos de vocês vão discordar destas minhas afirmações e até vão pensar que lá por serem
Obama tira fotografias com o seu telemóvel
DR
jornalistas, não quer dizer que não tenham a sua opinião sobre as coisas do dia-a-dia. Tudo isso que pensam é verdade, mas penso que há situações e situações. Esta em concreto, foi para mim bastante despropositada.
Porquê? Simples. Quem viu as imagens das cerimónias não viu ninguém a chorar a morte de Madiba. Viu um povo a celebrar euforicamente a vida daquele que foi o principal obreiro da Paz reinar em África do Sul; viu um povo a cantar, a dançar, a dedicar palavras de alegria por terem tido um homem grandioso do seu lado; viu também outras figuras públicas a sorrir e a acenar alegremente para as câmaras da televisão que cobria o evento – o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon foi um deles.
Perante tal cenário, que moral pode ter esse senhor jornalista para criticar a postura do Presidente dos Estados Unidos da América? Nenhuma! Porque à partida que o faz, também tem de criticar a postura de milhões e milhões de sul-africanos que nestes últimos dias têm dançado e cantando mostrando desta forma todo o afeto que têm por Nelson Mandela. E não há ninguém à face da terra que possa apontar o dedo às demonstrações de afetos de cada cidadão do mundo.
São estes pequenos (ou enormes) detalhes que me faz perder a paciência com o jornalismo que é feito por senhores como este. Para mim, a função de um jornalista é somente informar e nada mais que isto. E não me venham cá com a história que o jornalista é também um civil e que pode expressar as suas opiniões como cidadão que é. Poder pode, mas não devia o fazer. É quase a mesma coisa que dizer que um Polícia pode assaltar e matar enquanto mero cidadão. De facto pode mas depois tem de levar com as consequências. O mesmo acontece com os jornalistas.
Ninguém pode negar que a comunicação social tem um imenso poder na nossa sociedade. São capazes de começarem uma guerra, derrubar ou eleger governantes quando a sua principal função, volto a referir, devia ser apenas informar as pessoas. Excesso de moralismo ficam-lhes mal, muito mal.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ENTREGA MEDALHA DE OURO À AR COMO FORMA DE PROTESTO

José António Pinto no seu discurso
DR

José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã, no Porto, foi um dos homenageados no âmbito do Prémio Direitos Humanos, anualmente entregue pela Assembleia da República, tendo aproveitado para dedicar a medalha de ouro dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aos seus utentes e aos seus pobres.
Perante uma plateia de várias dezenas de pessoas, entre a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o júri do prémio e vários deputados, o assistente social disse estar disposto a trocar aquela medalha de ouro por outro desenvolvimento económico: “Deixo ficar esta medalha no Parlamento se os senhores deputados me prometerem que, futuramente, as leis aprovadas nesta casa não vão causar mais estragos na vida daqueles que, por terem deixado de dar lucro, são hoje considerados descartáveis”, disse o homenageado.

Fortemente aplaudido, aproveitou ainda para lembrar que enquanto falava, “mais de 120 mil pessoas deixaram já Portugal, cerca de meio milhão de crianças perdeu o abono de família, 140 mil jovens estão desempregados e a maior parte dos idosos recebem uma reforma miserável”.